Do you remember me?

19 A pior tortura é a da mente


Notas iniciais
Eu sumi e não foi por que eu quis. Ainda estou sem internet e a companhia telefônica está fazendo a graça para instalar o telefone da minha casa. Me matem. Postagem dupla, pq sou revoltada.

Fiquei amarrado por várias e várias horas, tremendo tanto de frio quanto por desejo. Inutilmente, virava o rosto para os lados, enquanto meus braços forçavam as algemas. Minha boca salivava e um calor fora do normal me consumia por dentro, me deixando tremendamente excitado.

Quando percebi os efeitos do comprimido que fui obrigado a engolir, imaginei que Laxus me estupraria, mas ele sequer me tocou. Durante horas fiquei preso dentro do quarto, da mesma forma que ele me colocara, sendo torturado pelo meu próprio corpo.

A cinta que prendia meu membro chegava a machucar, uma vez que ele ficara ereto. Meus mamilos ardiam pelo frio, pelo desejo e como se não bastasse tudo aquilo, cheguei a um ponto de só desejar fazer sexo com alguém naquele momento. Mas para minha surpresa, ele não veio fazer nada comigo, me deixando apenas com aquele membro de borracha dentro do corpo.

Lembro que os efeitos do remédio passaram e que tentava tirar aquilo do corpo quando ele voltou. Abrindo a porta com ignorância, ele veio até mim, tirando todos os apetrechos que estavam em meu corpo, com exceção da coleira. Pude ver os resultados de sua fúria em feridas e marcas pelo meu corpo.

Dois cortes pequenos faziam um pouco de sangue sair dos meus mamilos que ficaram dormentes depois que os pregadores foram tirados. A mordaça cortara o canto da minha boca, sem contar o corte feito por um tapa que levara. Meus pulsos estavam marcados e latejavam após terem ficado tanto tempo presos. Não pude deixar de gemer baixo quando tive a cinta retirada do meu membro, mas o pior foi tirar aquele enorme consolo de dentro de mim. A venda dos meus olhos foi a última a ser tirada e percebi que Laxus não olhava para minha cara, mesmo estando tão irritado.

– Vá se lavar e quando terminar, vá dormir. — ele disse enquanto recolhia os objetos. Sua voz demonstrava claramente o quanto ele estava se controlando para não me bater.

Engolindo soluços de vergonha e medo, me coloquei de pé, caminhando com dificuldade até o banheiro. Sentia a mesma dor nas nádegas que sentira quando Laxus me estuprara.

A água quente não amenizou nada para mim. Abraçando meus próprios braços, deixei que lágrimas e soluços baixos escapassem da minha boca. O que ele faria? Ele iria me castigar mais? Sabia que havia quebrado o contrato e a ideia de que ele me obrigaria a pagar por isso me deixava em pânico. Como eu havia conseguido ser tão estúpido?

Demorei muito tempo no banheiro, aproveitando para fazer curativos em minhas feridas e passar mais da pomada. Saí do banheiro esperando por mais punição e humilhação, porém fui deixado sozinho.

A noite já chegara, me mostrando que muitas horas já se haviam passado. Estava com fome, com medo e demonstrando claramente que não queria me ver, Laxus me trancara no quarto. Não tive coragem de implorar por misericórdia ou mesmo pedir algo para comer. Resolvi obedecer.

Sequer cochilei durante noite. Nem um ruído sequer era feito dentro do apartamento. Laxus havia saído e Dave não respondia minhas mensagens. Um bilhão de coisas ruins se passavam pela minha mente quando percebi que minha porta fora destrancada. Ele havia voltado.

Respirei fundo ao ouvir o barulho da fechadura e andei o mais rápido que consegui até ela. Queria me desculpar e pedir de joelhos, se fosse preciso, que ele poupasse Dave de qualquer tipo de castigo, porém ao abrir a porta e ver aqueles olhos cinzentos sobre mim, perdi a capacidade de falar.

– Eu disse para você ir dormir. O que está fazendo? — ele exalava alcool, mas não havia bebido a ponto de ser o Laxus carinhoso que estivera comigo na noite passada.

Não consegui responder. Comecei a soluçar, sem mesmo conseguir dizer uma palavra. Lágrimas escorriam pelo meu rosto e senti meu coração acelerar ao ver mais uma vez, aquele sorriso diabólico em seu rosto.

– O que foi? Só consegue dormir quando fodem você?

Meus olhos se arregalaram e ele deu um passo para frente, me empurrando para dentro do quarto antes de bater a porta. Tirando a camisa que usara, ele me puxou pelo cabelo, antes de me jogar mais uma vez na cama.

Meu coração batia rápido e ele forçava meu rosto contra o travesseiro, chegando ao ponto de me sufocar enquanto tirava minhas roupas. Minha cama ainda úmida começou a ranger quando ele me posicionou de quatro e fez monção de que iria me estuprar, porém, ele não o fez.

Soltando meus cabelos devagar, ele se levantou da cama. Abracei meu próprio corpo, virando o rosto em sua direção, ainda com lágrimas nos olhos. Sequer se importando com minha situação, ele se abaixou e pegou sua camisa, vestindo-a.

– La-laxus ... me perdoe... — consegui dizer entre soluços, mas ele fingiu não ouvir, antes de sair e mais uma vez trancar o quarto.

O sol não demorou a nascer e mesmo o quarto sendo iluminado por ele, sentia ainda mais frio. Troquei os lençóis molhados e deitei na cama, observando a vida começar do lado de fora, enquanto mil pensamentos se passavam por minha cabeça. O frio parecia apenas aumentar, assim como a fome que parecia roer meus ossos. Sabia que estava com febre, assim como também sabia que as chances de Laxus ter pena de mim eram mínimas.

Escutei depois de horas, a porta ser destrancada e me levantei. Meu corpo parecia pesado, mas tudo que precisava naquele momento era um pouco de alimento. Comecei a tossir depois de abrir a porta, andando com cuidado até a cozinha.

Eleonor estava de folga e por isso tive de preparar meu café da manhã. Pegando mais um pedaço do bolo que havia sobrado no dia anterior, o coloquei no microondas e quando me virei para pegar o copo de leite, Laxus estava atrás de mim. Quase deixei o copo cair de susto, sentindo o coração acelerar em segundos. Antes mesmo que eu pensasse em alguma coisa, vi seu olhar raivoso se esvair. Arqueando uma sobrancelha, ele levou sua mão fria até minha testa, ficando alguns segundos com a mão sobre ela. Com medo, apertava o copo que estava em minhas mãos, já esperando pelo pior.

– Você está com febre.

– Eu vou ficar bem. — disse com dificuldade depois do susto que levara. — Só vou comer um pedaço de bolo e voltarei para meu quarto.

– E o que vai fazer sobre sua febre? — sua voz parecia mais calma ou eu estava imaginando coisas?

– Eu ... vou ficar bem. — respondi, movendo meus olhos para o chão.

Ouvindo o barulho do aparelho, me virei para pegar o bolo que já estava quente no microondas e coloquei o leite, esticando as mangas do meu pijama ao terminar. Eu sentia frio, mesmo com meu corpo quente. Um sinal comum de febre. Logo meu leite estava quente e quando me virei novamente, Laxus já havia ido embora.

Terminei de comer, lavando o prato e o copo que sujara. Sentia minha garganta arder e não demorou para que eu voltasse a tossir. Como havia dito, voltei para o quarto e lá permaneci pelo restante do dia, até que a noite chegasse.

Em momento algum ele me procurou. Sabia que Laxus estava no apartamento pelo barulho da tv, mas em momento algum ele foi até mim, não demonstrando o menor interesse em meu estado ou mesmo meus sentimentos.

Meu corpo estava ferido. Me sentia estuprado depois do que ele fizera, mas fora pouco perto do que imaginei que ele faria. O frio parecia apenas aumentar e mesmo pegando mais cobertores, comecei a tremer. Com as mãos trêmulas, peguei meu celular na escrivaninha, apertando-o contra o peito ao ver que Dave ainda não respondera minha mensagem. Deixando que algumas lágrimas escorressem pelo meu rosto, rezei por ele, pedindo a Deus que o poupasse da ira daquele que colocara uma coleira em meu pescoço.

Notas finais
Não vou revelar nada, já avisando. Fiquem de curiosidade hahahaha Mais um capítulo huhuhuhu