Do not be a princess.
22 In memory

As novas criadas me acordaram levemente. Eu estava ainda com a roupa que tinha chegado. Olhei para elas um pouco confusa e murmurei um bom dia quase inaudível. Elas me lançaram um sorriso triste. Minhas novas criadas são Jane, Alice e Mandy. Elas são um amor mas sinto falta de Marie e Amy. Marie e Amy, esqueci de ne despedir delas. Como elas devem estar ? Fui até o banheiro e o liguei em água morna. Eu vou escrever uma carta para elas depois.
– O que tá acontecendo ? — Perguntei depois de sair do banho.
– Não sabemos se poderíamos revelar. — Alice se pronunciou.
Assenti, elas secaram meu cabelo e fizeram uma trança embutida. Depois quase nada de maquiagem, na verdade foi só pó e um batom nude. O vestido que me separaram era un preto até a altura dos joelhos e era fechado também, não vou usar salto e sim sapatilhas. Tudo estava negro e aquilo me deu um ar triste.
Os guardas me encaminharam até a garagem onde haviam muitos carros. Entrei em um dos carros, Erick estava lá o que me passou um pouco mais de segurança. Talvez ele saiba o que está acontecendo.
– O que houve ? — Perguntei sussurrando.
– Eu não sei. — Ele segurou minha mão como se quisesse se desculpar.
Voltei minha visão para a janela e ao longo do caminho avistei um cemitério que estava cheio de pessoas. Não gosto de cemitérios, sempre tem um clima triste no ar e parece que isso te sufoca de uma maneira. Sem falar que é lá onde reside pessoas que já estiveram ao nosso redor. Mas para minha infelicidade ele parou ali. Um enterro. Mas de quem ?
Descemos do carro, as famílias que estavam ali se debulhando em lágrimas nos fizeram uma curta reverência. E tinham também guardas que estavam com a aparência triste. Eram muitas pessoas. Entrei no cemitérios e vi vários caixões, e em cima deles haviam flores e os nomes das pessoas. Assim que comecei a ler entrei em pânico. Soldado Aller, Soldado Fitspatrick, Soldado Gellner, Soldado Holter...
As batidas do meu coração pararam por alguns micro segundos. Não. Não pode ser. Não ! As lágrimas vieram e junto delas um sentimento horrível de frio, solidão e culpa. Ele morreu no ataque. Por minha culpa. Se eu tivesse ficado quieta essa gente toda estaria viva. Procurei Erick mas não o achei. Me encostei em uma das pilastras e as pessoas me perguntaram se eu estava bem. Peguei fôlego e disse que sim. Por que ? Erick apareceu na multidão finalmente e me levou para um lugar um pouco afastado.
– É tudo culpa minha. — Eu disse e isso fez Erick ficar com uma expressão de tristeza maior.
– Não, para. Não foi, isso iria acontecer mesmo se você estivesse aqui. Não teve como evitar tudo isso.
– Joshua... Ele morreu e eu estava brigada com ele. — Eu disse olhando para o nada. Erick segurou minha cabeça entre suas mãos.
– Eu sei que ele não guardava mágoa de você. Vem cá. — Ele me puxou para un abraço. — Sinto muito. Lembre-se apenas das coisas boas.
E eu lembrei. Quando ele me vigiava no jardim. O dia que ele tornou meu piquenique solitário em um piquenique feliz. Os dias de folga que ele ficou ao meu lado estudando sobre Unya, sendo que ele poderia ir para casa ou não sei. Sorri com essas lembranças
Receber o consolo de Erick é uma maravilha. Ele parece estar tão surpreso quanto eu. Fiquei assim por um tempo até o choro passar. Eu preciso saber quem era a família dele. Agradeço a Erick e segui de volta para perto das sepulturas. Comprei algumas flores e deixei uma em cima de cada uma das sepulturas. O caixão de Joshua estava sendo enterrado agora. Uma mulher loira, muito parecida com Amy estava ali. As duas eram muito parecidas, isso me assustou um pouco. Ela chorava estéricamente e parecia não querer aceitar a perda. Ela me viu e ficou estática. Parecia ter visto um fantasma.
– Olá. — Eu disse com um meio sorriso. Ela pareceu levar um leve susto.
– Alteza. — Ela disse fazendo uma rereverência. Seu olhar percorreu meu rosto tentando me decifrar. — Você o conhecia ?
– Sim, ele era meu... Amigo. Você é mãe dele ?
– Sim, sou... — Ela disse um pouco triste.
– Qual seu nome ? — Perguntei casualmente. Ela pareceu na defensiva.
– Clarissa Zardren Holter.
ZARDREN ?! Ai meu Deus ! É a mãe de Amy, mas ela também é a mãe de Joshua. Quer dizer que ela e Joshua eram irmãos. Fiquei boquiaberta. Acho que ela já esperava essa situação.
– Tenho que ir. — Disse jogando o capuz de seu casaco por cima da cabeça.
– Espera ai ! — Puxei sua mão. — Por que sumiu ?
– Olha eu vou falar logo tudo. Seu pai me magoou quando escolheu a Charlotte. Eu achei que ele me amava mais. — Ela disse fria. — Mas pelo visto não. Depois da coroação Charlotte descobriu que estava grávida e eu também. Bom, eu tive a Amélia e depois pus ela na porta do castelo.
– Você estava louca ? E se não aceitasse ? — Perguntei com um pouco de raiva.
– Eles iriam achar. Tanto que a acharam. E bom. Eu saí da seleção e um dono de uma fábrica de gravatas quis se casar comigo, e então ele aceitou minha gravidez com o rei. Mas depois de Amélia ter nascido eu fiquei grávida de Joshua.
"Que mulher fértil." — Pensei. Isso talvez fosse motivo de riso, mas não agora.
– Então eu me separei logo depois e vim morar em Unya. — Ela continuou. — Mas parece que a realeza persegue minha família não é ? O Joshua estava apaixonado por alguém. Você sabe quem era ? — Ela perguntou com os olhos cheios de esperança.
– Não. — Menti.
– É uma pena. Bom, mande lembranças para seus pais. — Ela disse indo embora e limpando mais uma de suas lágrimas.
Engoli a seco suas palavras e voltei. Encarei a sepultura de Joshua novamente. Ele era mais novo que eu e nem parecia. Sorri triste. Joguei uma flor. Ele foi um belo amigo e soldado. Sempre serei grata por isso. Clarissa sabe fazer filhos lindos.
– Tchau. — Eu disse deixando uma lágrima solitária escapar.
Fale com o autor