Do not be a princess.
15 He returned.
Notas iniciais

Sabe, porque nascemos com pelos se depois virá uma pessoa e arrancará um por um com cera quente ou uma pinça? Eu estava em um dos meus banhos de barro. Sabia que barro deixa a pele macia mesmo? Fui descobrir isso hoje, nesses dias eu tento relaxar, mas quase sempre me parece impossível. Logo depois disso tomarei banho de suco de abacaxi, isso é tão exagerado como uma melancia na cabeça. Ouvi alguém abrir a porta, deve ser uma das criadas novamente.
— Pra que isso? — Perguntou Erick rindo. Me afundei até o pescoço.
— Você tá doido de entrar aqui ou o que? — Perguntei jogando barro nele.
— Eu só vim te dizer, que nosso encontro será lá fora.
— Lá fora? Fora do palácio? — Perguntei nervosa.
— Sim, e vamos disfarçados, como um casal normal que vai em um cinema. Venho te buscar às sete. Continue seu banho de lama.
Revirei os olhos e sorri. Isso vai ser muito interessante, mesmo sendo um pouco estranho. Eu vou me disfarçar e sair em público, nunca fiz nada parecido e quero que chegue logo sete horas. Depois de mais um banho de água de abacaxi me levaram até o quarto me deixando sobre os cuidados de Marie. Amy chegou em seguida para nos ajudar.
— Vocês precisam me falar exatamente TUDO sobre encontros! — Eu disse abrindo o closet.
— Pra ondes vocês irão? — Perguntou Marie já revirando tudo.
— Cinema.
— Cinema... — Amy suspirou sonhadora. — Eu e Ash sempre frequentávamos.
— Ótimo, o que você usava? — Perguntei animada.
— Hey gente, que tal esse? — Marie disse tirando duas peças do closet.
Uma saia branca e uma blusa de renda e mangas. É bonito, mas eu usaria para ficar no jardim... Não sei.
— Eu sei que é simples e que pra você isso só serve pra limpar o quarto e depois trocar de roupa para um vestido fabulosamente lindo. — Começou Marie. — Mas isso é o que as meninas normais usam.
— É lindo Marie. — Disse Amy, ela foi até o closet de acessórios e sapatos tirando dali sapatilhas e uma bolsa vermelha. — Que tal?
— Vai ficar demais!
Deixei que elas me usassem apenas como Barbie. Não questionei nada, elas sabem o que fazem. Me surpreendi quando me botaram uma peruca ruiva. Eu fiquei bem, mas me estranhei inicialmente. No final eu estava parecendo uma menina unyana comum, mas ainda sim, era eu. Me senti bem e não esperava a hora de sair.
Sai no corredor para procurar Prue, já que ela pulou dos meus braços e saiu correndo. Joshua me apareceu. Senti um calafrio em meu corpo. E agora o que eu faço? Entrei para dentro do quarto novamente. Eu não posso fugir para sempre e preciso saber o que vou fazer da minha vida em relação a Joshua. A poucos dias atrás eu jurava que amava ele, mas agora não tenho tanta certeza disso. Ai que raiva, eu sou hipócrita só pode. Não posso brincar com os sentimentos das pessoas desse jeito, vou tomar um pouco mais de cuidado.
Eu estava no térreo esperando Erick, que, como sempre estava atrasado. Suspirei com raiva. Não acredito que ele vai me deixar plantada aqui. Ai, eu sabia que aquele idiota ia aprontar algum coisa. Quando eu encontrá-lo vou pintar uma parede de vermelho com a cara dele e depois cortar o...
— Desculpa pelo atraso, meu pai me prendeu na reunião. — Ele disse passando os dedos no cabelo bagunçado. Erick ganha um ar muito mais sexy quando está assim. — Uau, ruivinha é?
— Deixa de ser idiota. — Dei um leve soco em seu braço esquerdo. — Não vai se camuflar não?
Ele sacou óculos escuros e um boné. Botou os dois e pareceu muito mais sexy que antes. Mordi o lábio inferior tentando afastar meus pensamentos pecaminosos. Erick me deu um óculos da mesma linha da dele só que feminino e depois segurou minha mão e me levou até um carro.
Ok. Nunca sair de carro com Erick Schaefer pois ele dirige perigosamente mal. O trajeto inteiro eu fui temendo por minha vida ou o xingando de algum jeito. E sabe o que ele fez? RIU! Numa situação dessas. Chegamos em um shopping no centro da cidade. O incrível é que ninguém me notou, sorri instantaneamente, é bom ter essa privacidade.
Erick comprou nossos ingressos e pipoca. Casais se dividiam nas várias poltronas. Ao que eu sei é um filme de terror, eu tenho bastante medo então no início apenas fiquei com a cabeça enterrada no pescoço de Erick. Ele ria da minha reação hora ou outra.
— Sério que você não vai ver? — Ele perguntou.
— Claro que não, eu vou sonhar com isso. — Eu disse contra sua pele.
Ele ergueu minha cabeça me fazendo olhar para seus olhos. Logo depois sorriu maliciosamente e encarou minha boca.
— Você pode não ver de uma forma melhor.
Depois disso ele me beijou, mas não foi de forma qualquer, foi muito mais intenso do que qualquer outra vez que nos beijamos. Senti borboletas em meu estômago. Seus lábios faziam uma massagem gostosa nos meus, e suas mãos gentis estavam em meu pescoço, provocando muitos arrepios. Era uma novidade e parecia familiar ao mesmo tempo, como se tivesse finalmente encontrado a peça do meu quebra cabeça.
Ficamos assim, uma hora olhando pro filme outra hora nos beijando. Posso dizer que foi MUITO bom. Então é isso que casais normais fazem? Ok, quero repetir isso sempre. Estávamos voltando para o carro quando um cara estava dormindo com roupas rasgadas na rua. Aquilo me chamou a atenção e eu resolvi que devia ir dar algum dinheiro para o moço. Ele estava desleixado, barba por fazer, sujo e parecia perdido olhando para o nada. Aquilo me comoveu muito.
O que pode ter acontecido que fez com que ele chegasse a esse nível de miséria? Parecia que estava andando à dias e estava deitado sobre um papelão. Engoli a seco e marchei até o cara.
O homem olhou para mim assustado como se eu fosse fazer algum mal a ele, mas foi aí que Vi seus olhos acinzentados. Não tinha como negar, ninguém mais tinha aqueles olhos! Eu os conhecia muito bem.
— P-Pai? — Chamei com a voz embargada.
— Zarinha! — Ele disse sem forças.
Agora é oficial. O rei voltou.
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