Do not be a princess.
16 The Prince
Notas iniciais

Eu nunca fui de me preocupar com as pessoas ou meu país. Sempre quis sair com meus amigos e ficar longe do palácio, já que sempre o vi como uma gaiola para pessoas superficiais. Só lembro das minhas fotos de quando estava bêbado nas manchetes das revistas e jornais. Eu também não me importava para os olhares de reprovação que meu pai lançava. Eu nunca me achei parte da realeza, eu me achava melhor que eles. Esse foi meu grande erro.
E foi nessa época que conheci Trudie. Ela me parecia uma fuga para o mundo real já que com ela eu aprendi como os jovens normais viviam. Isso parece idiota, mas na época tudo o que eu queria era algum motivo para fazer besteira. E bem, esse motivo era Trudie. Ela era como a minha heroína rebelde que salvava o mundo com uma garrafa de vodka na mão.
Mas tudo pareceu ter mudado quando naquela manhã de terça-feira. Meu pai me chamou em seu escritório. Achei que devia ser mais uma de suas broncas, mas era muito além disso. Me lembro perfeitamente do diálogo.
– Sim pai ? — Perguntei me jogando em uma das poltronas. Ele não se importava nem um pouco com isso.
– Você vai se casar. — Ele disse rápido e depois voltando a atenção para os seus papéis como se não quisesse me ouvir.
Meu velho é um cara bem na dele. Nunca fala mais que o necessário e prefere gestos que palavras. O total oposto da minha mãe, que fala pelos cotovelos. Quero ser como o Rei Adam, mas me pareço muito mais com a Rainha Raquel. Minha mãe quase nunc está aqui, sempre está na casa da sua irmã. Meu pai parece não se importar com isso e ao que eu sei, o casamento deles foi arranjado e eles são felizes. Apesar de eu o admirar muito, lembro que me irritei profundamente.
– O que ? — Perguntei me levantando. — Quem casa com vinte anos ?
– Eu. — Disse ele ainda olhando para seu jornal.
– Eu tenho uma namorada e uma vida. Eu não posso esquecer de tudo e arranjar uma esposa.
– Pode sim. Você vai se casar com a princesa Zara Hochscheidt.
– Aquela de Ganzer ? Mas ele não é o país inimigo ? — Perguntei confuso.
– Sim, e o casamento de vocês será a aliança dos dois países. Estou empolgado com isso.
Saí da sala como uma pessoa diferente. Eu sabia que casamento era algo sério e eu não podia arruinar a vida dessa garota, apesar de eu nunca ter visto ela. Zara para mim era do tipo mimada e que conseguia tudo o que gostaria. Eu faria um acordo com ela, apenas.
Mas em nossa primeira viagem para Ganzer, ou melhor, a primeira vez que a vi não foi bem isso. Ela tinha cabelos castanhos escuros lindos, um corpo escultural e olhos verdes. Fiquei boquiaberto, e tentei várias vezes integrá-la na conversa para poder saber como era sua voz. Ela me parecia tímida e na dela. Até no jardim, ela se manteve educada e eu fingi ser um idiota. Foi muito engraçado e eu acabei rindo antes da hora.
Na ilha eu pude ver como ela é temperamental. E não posso descrever como entrei em desespero depois que ela sumiu. Acho que foi ali que vi que precisava amadurecer. Zara se importa tanto com Ganzer, e eu achei isso lindo. Foi aí que comecei a participar dos projetos do meu pai, parar de fugir e carregar sempre um bloco de notas para anotar as minhas ideias.
Trudie me enviava bilhetes por Zara suplicando para que fugissemos para alguma balada ou algo do tipo, eu sempre negava. Então eu recebi o bilhete de Trudie que terminava comigo. Eu estava tão cego que não percebi a caligrafia. A letra de Trudie é desajeitada e pequena. Já a de Zara é fina e elegante. Mas mesmo assim briguei com ela, mesmo sabendo do risco que ela sofria com os rebeldes e a irmã que tinha acabado de descobrir. E isso me deixava muito chateado
Passei a observá-lá mais com o soldado Holter. Seus encontros na biblioteca, no jardim e até nos corredores. E sempre que os olhava sentia uma pontada de raiva que resolvi ignorar. Amélia um dia me arrastou até uma das salas que estava muito escura.
– Onde é que fica isso ? — Perguntei tentando me adaptar à escuridão. Amélia segurou minha mão, me puxou para atrás de algo e tapou minha boca. Me assustei. Ela é irmã da minha esposa, o que ela tá fazendo ?
– Fica quieto. — Ela sussurrou com raiva. — Hoje você vai ter uma grande descoberta.
Fiz o que ela mandou hesitante, mas então outra pessoa entrou na sala, depois outra. Pelas vozes percebi que era Trudie e Zara, mas não fiquei feliz com o que veio em seguida. Depois de ver a briga delas e ter uma discussão com Trudie me senti o maior idiota da face da terra. Eu não fazia a mínima ideia de como ia pedir perdão sem parecer um mané, acho que não tem como.
Eu precisava pedir desculpas, e não posso descrever quanto fiquei envergonhado. Fiquei muito pior depois que ela aceitou minhas desculpas na maior naturalidade aquilo foi como um tapa na cara e me fez gostar muito mais dela. E então eu tive certeza. Estava realmente amando aquela mulher. Zara me faz querer evoluir e me tornar alguém melhor. Então é isso, vou fazer Zara me amar, assim como amo ela.
Pedi para que saíssemos em um encontro e não posso descrever a cara dela quando viu que ninguém na rua nos percebeu. Também não consigo descrever como fiquei feliz quando ela retribuiu meus beijos. Mas no final do encontro quando estávamos rindo e felizes ela avistou um mendigo. Sua ação foi magnífica, ela foi até ele com a intenção de ajudá-lo. Mas depois ela me olhou espantada como se tivesse visto um fantasma. E de uma hora para outra estávamos transportando o rei Henri em um táxi até o palácio. Eu preciso saber o que aconteceu.
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