Do Singular Ao Plural
28 Véspera do tudo ou nada
Notas iniciais
—Não creio que tenhamos algo para conversar.— Tony foi direto.
—Você claramente tem problemas com Norman Osborn e eu tenho informações que podem tirá-lo do seu caminho.— a morena replicou.
—Você?— questionou incrédulo —Porque eu deveria confiar?
—Não vim aqui pedir sua confiança, vim te dar informações, você as ouve e as filtra da maneira que lhe for conveniente.— replicou altiva.
—A assistente do Osborn vai me ajudar, a troco de quê? Tenho certeza que você está aqui pra me confundir me fazer de tolo.— um tanto agressivo a segurou pelo braço guiando-a para fora.
—Norman Osborn quer te destruir, Sr Stark, e, não duvide, ele vai.— Victoria conseguiu dizer antes de ser expulsa —Começou com a história de tirar o seu posto de super-herói, mas ele não vai parar, gostou do jogo. Vai ficar em cima de você até te tirar tudo. E acho que você entende quando eu digo tudo.— ao ouvir isso Tony a soltou —Depois que ele te desmoralizar, partirá para o seu patrimônio, e então para a única coisa que te restará.
—Norman não vai chegar perto dela.— Tony disse firme.
—Sem os seus recursos ele irá. Mas ainda não é hora de se preocupar com a segurança dela. Norman está tão cego, tão alucinado que ainda não percebeu o grau de importância que as coisas têm na sua vida. Não percebeu que há algo com que você se preocupa mais do que seu status. A sua esposa ainda não é o alvo dele, mas um dia ela será.— Victoria garantiu.
Até Victoria estar em sua sala dizendo todas aquelas coisas Tony não havia se preocupado com a segurança de Pepper, pois estava claro para ele que Norman queria atingi-lo de outra maneira. Uma maneira que, pela primeira vez, não envolveria Pepper. Poderia abrir mão de ser o homem de ferro, sua reputação nunca fora das melhores antes, se perdesse sua fortuna encontraria uma forma de reavê-la. Mas Pepper algo sem o qual ele não poderia viver, e isso era um fato.
—Está bem, vou ouvir você.— disse resoluto.
—Podemos conversar, então?— Victoria o fitou.
—Estamos conversando.— rebateu cruzando os braços.
—Se você não se importa— o olhou sobre o ombro buscando um local onde pudesse se sentar —Vou me sentar, a história é um pouco longa.— Victoria o transpôs e foi até ao sofá.
—Pode começar.— Tony sentou-se diante dela.
Victoria estava segura do que queria, queria tirar Norman do pedestal onde o Presidente Grant estava o colocando, e sabia que apenas Tony seria capaz de fazer isso.
—Tudo começou com a adulteração do Pregnancy Less...— ela começou.
—Desde quando vocês adulteravam o remédio?— mostrou-se curioso.
—Isso não vem ao caso, não foi sobre isso que eu vim falar.— foi veemente —Embora o estopim tenha sido quando você o expôs ao descobrir que a Oscorp fabricava placebo. Você não foi o primeiro, um funcionário do Ministério da Saúde já havia recebido a denúncia, mas Norman foi generoso com ele para não ser denunciado antes. E então veio você, em rede nacional...
—Mas ele nunca assumiu o erro, colocou a culpa num funcionário da Oscorp que pelo o que sei foi demitido.— Tony a interrompeu novamente.
—Norman nunca assumirá, e o Connors, está ganhando muito bem por ter levado a culpa. Até o dia em que ele resolver que não quer mais gastar com ele, então ele terá o mesmo fim do funcionário do ministério da saúde.— lembrou, omitindo o fato de que ela mesma havia posto um fim na vida do homem —Depois que você o expôs, Norman começou a maquinar um meio de fazer o mesmo com você, colocou na cabeça que poderia ser um herói melhor. Tornou-se uma fixação. Mas não queria que fosse alguém novo, queria alguém já com certa fama, e como você é o único que as pessoas sabem quem é, ele poderia ser qualquer um.
—E porque escolher o Patriota?— Tony apoiou as mãos sobre as coxas e curvou-se um pouco na direção de Victoria.
—Quem melhor para se rebelar contra alguém do que a pessoa que sempre esteve ao lado?— perguntou —Norman decidiu transformar o Patriota em protagonista, porque vamos concordar, que, ao seu lado ele sempre foi um mero coadjuvante, queria dar um rosto ao homem sob aquela armadura.
—Mas não poderia existir dois Patriotas.— Tony observou.
—Não, não poderia. E então o destino começou a conspirar a favor dele. Ele foi convidado para aquele baile no MET, e naquela noite a sorte dele começou a mudar.— disse Victoria —Sabe aquela história de estar no lugar certo na hora certa?— Tony balançou a cabeça afirmativamente —Naquela noite Norman descobriu que Nathan Catre e Jeremy Nollan não eram quem pareciam ser, e também descobriu que você o seu amigo Tentene Rhodes eram pedras no caminho deles. Ele juntou os pontos e, por dedução, chegou ao Patriota original. Mas sabia que não precisava tirá-lo do caminho, os falsos Nollan e Carter o fariam.
—Como os skrulls se aliaram a um humano?—Tony perguntou —Porque é claro que Norman aliou-se a eles.
—Norman encontrou-se com o falso Carter, e garantiu que quando atingisse seu objetivo colocaria as mãos no seu soro e daria a eles. Os skrulls acreditavam que o soro os faria imortais.
—Isso é meio absurdo.—Tony comentou.
—Ninguém disse que eles eram um exemplo de vida extraterrestre inteligente.— Victoria ironizou —Norman conseguiu as coordenadas do cativeiro onde eles mantinham os humanos substituídos, os skrulls não sabiam que o plano dele era se consagrar herói. O que um homem comum podia contra um bando de alienígenas? Mas o falso Carter sabia que o fato dele saber colocava tudo em risco, então sacrificou a sua missão na Terra ao se deixar capturar, acreditava que a rainha deles conseguiria deixar o planeta ilesa, mas Norman frustrou a fuga.
—O Osborn não hesitou ao atirar na garota, pois sabia que aquela não era ela. Ninguém confrontaria um grupo de alienígenas de posse da filha do presidente, aquela era a forma de a rainha voltar ao seu planeta.— Tony observou
—O que não aconteceu graças ao Norman. A intenção dele naquela noite era só levar a garotinha do papai de volta para casa. E ele fez. Só que de quebra salvou o mundo de uma nova invasão alienígena.
—E ficou com o presidente nas mãos, filho da...— Tony engoliu com raiva.
—Depois foi só colher os louros.— disse Victoria —Só que ele queria mais, queria mostrar serviço, se consolidar e te desmoralizar.
—Foi aí que os atentados começaram.— Tony comentou.
—O primeiro ato, contra o seu amigo foi mérito dos skrulls, os que vierem depois foram coisa do Norman, obvio. O último ato, ao qual o Norman chama de consagração acontecerá no final de semana antes da cerimônia de nomeação ao cargo de Secretário de Defesa. Ele diz que será algo que fará as pessoas esquecerem do 11 de setembro. E é esse que você irá impedir.— ela disse —Tenho quase certeza de que seja um atentado terrorista contra sua própria empresa, já que o presidente irá à Nova York para nomeá-lo.
—Ele seria capaz disso?— questionou incrédulo.
—Norman atentaria contra vida do próprio filho. Não duvide. Até porque ele só se lembra do garoto quando convém.— disse ela.
—Com certeza Norman não executa esses atentados sozinho, quem o auxilia?— Tony quis saber.
—Um grupo de terroristas israelenses que ele nomeou de Thunderboolts.— respondeu a morena.
—Israelenses?
—Sim, a líder do grupo é filha de um rebelde israelense e de uma ativista americana.
—Mistura inusitada.— Tony comentou.
—Seu nome é Nadja Zurer.— disse com desdém —Uma mulher que a primeira vista parece uma executiva acima de qualquer suspeita.
—Agora entendi a sua vinda até aqui— disse Tony —Você sempre foi a parceira do Norman, talvez tenha sido mais que isso, até ele começar a fazer negócios com essa Nadja. Isso é a sua vingança contra Norman Osborn.
—Minha vingança. Sua vingança.— Victoria disse, ao se levantar —Foi um prazer fazer negócios com você. Quando for a SHIELD diga que mandei lembranças.— a morena ironizou ao caminhar até a porta.
—O que você sabe sobre a SHIELD?— Tony preguntou ressabiado.
—Tanto quanto você. Ou seja, nada.— ela respondeu —Por isso eu saí de lá. Ou devo dizer, saíram comigo.— respondeu tentando abrir a porta, mas Tony a impediu.
Ao encurralar Victoria contra a porta Tony viu-se a centímetros dela, muito mais perto do que em todos os minutos anteriores. E o perfume da morena era inebriante, não era tão doce quanto o da maioria das mulheres e o olhar dela era hipnótico. Em outros tempos não hesitaria em tentar algo a mais com a bela mulher em sua frente, ela tinha a aparência frágil, mas era extremamente perigosa, por anos Tony envolveu-se com mulheres assim, relacionamentos tóxicos com que eram capazes de destruí-lo. Mas agora Pepper existia e jamais estragaria o que havia conquistado com ela.
—Pare de me olhar como um predador, Sr Stark, eu vim até aqui porque apesar da sua antiga fama, fiz uma ideia diferente de você quando o vi ao lado de sua esposa, não faça com que eu me arrependa.— Victoria disse olhando-o fixamente.
—Eu só quero saber seu nome, você me disse uma porção de coisas, praticamente invadiu a minha casa, e não se apresentou.— Tony encurralava a mulher contra a porta.
—Tenho certeza que você sabe.—Victoria respondeu ao se desvencilhar dele —Se não sabe, descobrirá. Deixe que eu mesma abro a porta, não pretendo voltar.— disse sem perder a empáfia que apresentou desde que colocou os pés ali.
Pelas câmeras de segurança Tony viu Victoria deixar a área da mansão, quando a morena entrou no táxi que a esperava do outro lado dos portões ele voltou ao seu trabalho. Victoria havia dito coisas, e como ela própria disse, cabia a ele filtrar, mas por alguma razão acreditava em tudo o que a morena havia dito a ele.
(...)
À noite, Tony fez questão de subir para jantar com Pepper, no entanto sua cabeça havia ficado na oficina. Ela conversava com ele, e ele não dava a devida atenção. Tudo isso fez com que discutissem, Tony voltou para o trabalho sem nem terminar o jantar. Pepper terminou sua refeição sozinha, depois foi para a suíte, no entanto, depois de tentar por horas, não conseguia pegar no sono. Detestava dormir brigada com ele.
—É tarde para você estar acordada.— disse assim que percebeu a presença dela em seu local de trabalho.
—Não consigo dormir. Nós brigamos mais cedo e eu...
—Nós brigamos não, você brigou comigo.— enfim desviou o seu olhar da mesa de projetos e olhou para ela —Não me queria pela metade foi o que você disse. O mais engraçado é que na semana passada você reclamou de ficar sozinha ao chegar em casa.
—Reclamei mesmo. E reclamei da sua desatenção hoje também. Você subiu, mas sua cabeça ficou aqui. Custava desligar por 30min e prestar atenção em mim?— perguntou chorosa —Mas não, pelo visto seu trabalho aqui é mais importante.— deu as costas e fazia o caminho de volta à suíte.
—Pep...?— ele chamou —Vem aqui.— estendeu os braços, ela caminhou até ele e encaixou-se neles —Me desculpa?— pediu ao beijar os cabelos dela.
—Porque você está tão obcecado nesse projeto?— perguntou ao ver o holograma de uma nova armadura —Achei que você não fosse pensar nisso por enquanto.
—Essa tarde eu recebi uma visita que me fez mudar de tática.
—Que visita?
—Victoria Hand, a assistente de Norman Osborn veio até aqui e me revelou detalhes do plano dele.— Tony respondeu.
—Você está tão desesperado que vai acreditar na assistente do Norman? Tony?!
—Depois que ela saiu fiquei por horas pesquisando, até descobrir que ela é uma ex-agente da SHIELD, mas isso não é uma vantagem porque ela foi expulsa.— respondeu —No entanto, todas as informações que ela me deu são verdadeiras. O presidente nomeará Norman Osborn como Secretário de Defesa esse fim de semana em Nova York. Descobri que a Oscorp possui um seguro de bilhões, que cobre qualquer tipo de dano.
—Seguro da Oscorp?
—Ainda não tenho certeza, mas tudo leva a crer que Norman vai atentar contra seu próprio patrimônio. Claro que a intenção dele é interromper o atentado antes que algo de pior aconteça, mas se ele não puder fazer, tem a garantia de que estará assegurado.— respondeu —Mas até sábado antes da nomeação dele eu descubro tudo, invadi o servidor da Oscorp e o telefone dele. Vou rastrear cada passo que ele der. E tudo isso acaba esse final de semana.
—O que você deu à assistente do Osborn para ela se aliar a você?— perguntou enciumada —Porque ela parecia se dar bem com ele, não o trairia assim, de graça.
—Sim, eles se davam bem, parece que a relação deles ia além de chefe-assistente-comparsa. Mas surgiu outra pessoa e Victoria não gostou de ser trocada.— ele respondeu —Me ajudar é a vingança dela contra o Norman.
—Por quanto tempo ela ficou aqui? Você e ela...
—Amor, não viaja!
—Ela podia tentar algo, imagina se além de ajudar o inimigo do chefe ela ainda consegue algo mais? Seria a vingança completa. Ela é uma mulher bonita e você...
—E eu não estou a fim de aventuras com mulheres vingativas. Depois de anos de fidelidade você devia me dar mais créditos.
—Eu tento, mas sempre que aparece uma mulher bonita orbitando você eu fico insegura, é inevitável. Me desculpe.— encolheu os ombros.
—Posso te perguntar uma coisa?
—Se você me trair e eu descobrir não vou te perdoar. Você me fez essa pergunta há anos e a resposta é não.— ela respondeu.
—Não era essa a pergunta.
—Então faça.
—Você sabe muito sobre a minha vida, meus projetos. Tudo, na verdade.— disse ele —E eu queria saber se um dia nós nos separássemos e isso te magoasse, você seria capaz de fazer algo parecido com o que a assistente do Norman fez?— afastou-se dela esperando uma explosão.
—Não!— Pepper foi veemente.
—Mesmo?! Mesmo que você ainda gostasse de mim e eu te trocasse por outra?
—Mesmo!— Pepper suspirou —Nós já nos separamos e eu já me machuquei, e eu só quis ficar longe pra não me magoar mais. Nada do que eu sei sobre você poderia ser usado contra você, e se um dia você me trocar por outra...
—Não precisa dizer mais nada.— colocou os dedos nos lábios dela —Foi uma pergunta idiota. Eu não vou deixar você. Nunca!
—No fundo eu sei disso.— ela sorriu —Mas confesso que sua pergunta me assustou um pouco. Afinal, até ontem você queria ter um filho comigo e hoje me deu um pé na bunda hipotético.
—Eu não queria um filho até ontem. Hoje eu ainda quero, podemos começar a fabricá-lo agora.— a segurou pela cintura puxando-a para si.
—As chances de isso acontecer são mínimas visto que eu estou...bem.— ela engoliu seco.
—Eu sabia que aquela agressividade toda na segunda era TPM. Você assustou o Happy sabia?
—O Happy não viu nada ainda, ele não aparece na empresa há dois dias, não que eu esteja com saudade, os funcionários até agradecem a ausência dele.
—Eu dei uns dias de folga pra que ele faça um trabalho pra mim.— Tony informou.
—Nada que coloque a vida dele em risco novamente, espero.— Pepper comentou.
—Que zelo é esse com o Hogan?!— perguntou fazendo Pepper revirar os olhos.
—Já disse que amo o seu ciúme?— Pepper deu-lhe um beijo na comissura da boca.
—Pois é, não é uma exclusividade sua. Viu?— ele a segurou emaranhando os dedos de uma mão nos cabelos dela e deu-lhe um beijo de tirar o fôlego, a outra mão escorregou da cintura ao alto das coxas, sobre o cetim da delicada camisola salmão que Pepper usava.
—Aonde você pensa que vai com essa mão, Sr Stark?— Pepper interrompeu o beijo para perguntar.
—É força do hábito.— mordiscou-lhe o lábio inferior.
—Você é cheio de maus hábitos.
—E você adora isso.— ele disse.
—Não durante quatro dias específicos de cada mês. Em todos os outros gosto mesmo.— Pepper afirmou.
—Nem todos. Tem dias que você é uma bagunça.— criticou —Vocês mulheres são complexas demais, deviam vir com manual.
—Vocês homens gostam da gente justamente pela complexidade. E se nós viéssemos com manual vocês não leriam.— provocou —Chega de conversa, nós já nos entendemos e agora eu vou conseguir dormir.
—Quer que eu suba com você?
—Querer eu quero, mas você só tem alguns dias pra projetar essa nova armadura, não é?
—Sem crise?
—Sem crise, apenas porque isso tudo pode terminar ainda essa semana e nós teremos pelo menos alguns meses de paz e sossego até se meter numa nova confusão. Além do mais você não terá nada ocupando a sua cabeça semana que vem.
—O que tem semana que vem?— perguntou incerto e Pepper franziu o cenho —É sério, Pep, não faço ideia.
—Boa noite, Tony.— deu-lhe as costas.
—Pep, qual é?— ele chamou —Anjo, se eu marquei algo...— parou de falar quando ela sumiu dentro do elevador.
—Sr, os sinais dela estão alterados— Jarvis se pronunciou.
—Mulheres, Jarvis, hormônios. Deixe-me vê-la.— pediu e quando Jarvis projetou a imagem da câmera, Pepper estava emburrada encostada ao fundo do elevador com os braços cruzados sobre o peito —Adoro tirá-la do sério, ela fica ainda mas bonita. O Hogan mandou notícias?
—Ele enviou alguns materiais, estão no seu servidor pessoal, aquele que a Sra Stark não acessa.— informou o AI.
Tony abriu seu servidor pessoal para ver os arquivos enviados por Happy, após analisar tudo, esboçou um sorriso. De uma hora pra outra o vento começava a soprar a seu favor.
(...)
Sexta-feira quando Pepper estacionou seu carro no pátio externo da mansão, deparou-se com Tony vestido de forma inusitada.
—Não sei o que é mais esquisito, chegar em casa e me deparar com uma armadura sentada ao sofá, ou ver você testando uma armadura nova no quintal.— disse ao sair do carro.
—Estou fazendo testes antes que o sol se ponha.— Tony respondeu.
—Que tipo de testes?
—Esse.— ele fechou o capacete da armadura.
—Tony?!
—É muito legal, não é?
—Tony, como você faz isso?!— perguntou ainda sem poder vê-lo.
—Simples.— tornou-se visível novamente —Essa nova armadura foi projetada com micro-pastilhas de titânio, de um lado elas são foscas, do outro espelhadas. Quando a luz bate na superfície espelhada, eu meio que fico invisível, mas na verdade é uma ilusão de ótica.
—É genial, surpreendente. Como você pensou nisso de ficar invisível?
—O Harley me deu a ideia, demorei pra por em prática porque não é tão original, o porta-aviões da SHIELD possui tecnologia semelhante.— respondeu ao deixar a armadura, que imediatamente voltou para o local onde ficava guardada —Você está bonita com esse vestido.— ele elogiou.
—É um dos mais básicos que eu tenho pra trabalhar.— disse ao passar as mãos sobre o vestido de linho azul-marinho.
—Pensou sobre o meu convite para jantarmos fora?— Tony perguntou.
—Pensei, aceito o convite.— ela respondeu.
—Eu também pensei, e mudei de ideia, vamos jantar em casa.— disse ele.
—Tudo bem.— Pepper concordou.
Pepper tentava disfarçar, mas estava apreensiva. Tony sabia disso, sentiu assim que ligou para ela durante a tarde. Depois que Pepper chegou não demorou para anoitecer. Por volta das sete da noite Tony pediu o jantar, um medalhão de filé mignon com purê de batatas, para acompanhar um vinho tinto.
Durante o jantar, Pepper usava um vestido solto de verão num tom alaranjado, Tony vestia jeans e camiseta. Quase não conversavam, a Pepper falante de dias atrás que fazia questão de desfrutar da companhia dele não estava ali.
—Não consigo comer.— ela disse empurrando seu prato sobre a mesa —Estou com um nó no estômago, estou aflita, não sei como você consegue estar normal.— ela desabafou ao levantar da cadeira.
Tony apenas ficou a olhando se afastar em direção à sala, ainda sentado respirou fundo algumas vezes depois foi de encontro a ela. Pepper estava sentada ao sofá.
—Amor, não é a primeira vez que eu enfrento um maluco, vai dar tudo certo.— ele sentou ao lado dela.
—Eu sei que não é a primeira vez.— ela fungou —Mas é a primeira vez que há um dia e um local marcados. Isso é...estranho, angustiante.
—Eu sei, anjo. Mas vai dar tudo certo— repetiu —Prometo que quando isso acabar vou parar de me meter em confusão.
—Não prometa o que você não pode cumprir, Tony. Você sempre vai se meter em confusão.— ela exugou as lágrimas que corriam pelo seu rosto —Só prometa que você vai voltar.— ela suplicou.
—Eu sempre vou voltar pra você, já garanti isso inúmeras vezes.— passou as mãos pelo rosto dela —Depois de anos, apesar de tudo o que eu já vivi e sobrevivi você ainda se preocupa comigo.
—Acho que você só sobreviveu por isso, porque sabe que eu me preocupo e que eu não viveria sem você.— ela disse.
Tony suspirou suavemente e cobriu a boca dela com a dele, fazendo com que os pensamentos de Pepper se esvaíssem em um beijo intenso e luxurioso que conseguiu desviar sua atenção da insegurança da expectativa da missão decisiva que aconteceria no dia seguinte. Pepper enfiou os dedos entre os cabelos dele, puxando-o mais para si, retribuindo o beijo. Sem quebrar aquele contato ele a colocou sentada em seu colo. Depois de algum tempo quando suas bocas se separaram ambos estavam ofegantes.
—Amo você, meu anjo.
—Eu também te amo, meu amor.
—Agora nós podemos voltar a jantar?— perguntou a fazendo rir —Amo beijar você, mas estou morrendo de fome.
(...)
Na manhã de sábado, Pepper acordou por volta das 10h da manhã. Tony não estava ao seu lado, e foi como se o ar faltasse. Sentou-se na cama. Finos raios de sol invadiam o quarto através das persianas, sobre o móvel ao lado da cama havia um bilhete. Logo o pegou e começou a ler.
Anjo...
Sei que deveria tê-la acordado para me despedir, ou melhor, dizer até logo. Mas você estava tão linda dormindo, e eu não hesitaria em ficar se você me pedisse, então foi melhor assim.
Prometo que tudo acaba hoje, então seremos nós dois. Quem sabe três daqui alguns meses?
Te amo,
Seu Tony.
Pepper apertou a folha de papel contra o peito, torcendo para que tudo corresse bem, que aquela angústia tivesse fim e que em breve eles pudessem mesmo ser três.
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