Do Singular Ao Plural

21 Um dia atípico


Notas iniciais
Oi.

Então, tô muito apreensiva com esse capítulo, pelo fato de fazer os protagonistas interagirem com uma criança e tals, parece fácil, mas não é. Não é mesmo, principalmente no que diz respeito ao Tony.

Mas vamos lá, sei que algumas de vcs estavam querendo esse capítulo.

O sábado amanheceu ensolarado. Pepper levantou, tomou um banho depois vestiu um short branco, camisa azul sem mangas e chinelos, prendeu os cabelos num coque frouxo e quando deixou o quarto Tony ainda dormia. Ao chegar à cozinha colocou a cafeteira para processar, pôs algumas fatias de pão na torradeira. Era por volta de 9h, Lauren chegaria em breve. Pepper estava apreensiva, não sabia o que esperar, não tinha experiência com crianças, era filha única, sua família nunca foi daquelas que se reunia em datas comemorativas pra que ela pudesse interagir com primos menores.

—Que horas são, Jarvis?— era a terceira vez que ela perguntava.

09:37h, Sra.

Já havia instruído o AI a liberar a entrada de Lauren, enquanto esperava tomava seu café. Comeu duas torradas lambuzadas com geleia, uma fatia de queijo branco com peito de peru, alternando com goles de café. Logo ouviu uma voz familiar vindo da sala, Lauren, Paolo e a pequena Emma não demoraram a surgir na cozinha.

—Pontual até o último fio de cabelo.— Pepper ironizou ao ver a amiga.

—Eu disse entre 9h e 10h, visto que ainda não são 10h estou no horário. — a morena respondeu cheia de razão —Pessoas educadas dão bom dia, é esse o exemplo que você quer dar pra sua afilhada? — provocou.

Lauren e o marido estavam vestidos casualmente, mas ainda assim chiques, afinal, encontrariam com corretores de imóveis em numa área nobre de Los Angeles.

—Bom dia.— Pepper replicou —Bom dia, Paolo.— Paolo respondeu a saudação cordialmente —Bom dia, meu amor. — sorriu para Emma tentando tirá-la dos braços de Paolo sem muito sucesso.

—Ela é meio difícil de manhã.— Paolo esclareceu quando Emma fez bico e deitou com a cabeça no ombro do pai.

—Vocês querem tomar café?— Pepper perguntou.

—Não, coração, nós já tomamos.— Lauren respondeu enrolando os cabelos, mas Emma estendeu as mãos demonstrando que queria algo.

—O que você quer, amor? Queijo?— Pepper perguntou ao ver que ela apontava para a bancada.

—Queijo. — Emma respondeu, Pepper deu um pequeno pedaço de queijo branco para ela.

Paolo colocou Emma no chão, e ela logo começou a fazer o reconhecimento do território, sem sair da vista dos adultos.

—Deixei a mala dela na sala, tem tudo o que ela possa precisar. Dificilmente ela pedirá mamadeira durante o dia, ela já come como gente grande, mas não é pra dar sei lá, churrasco pra criança.

—Amore! —Paolo repreendeu.

—Estou brincando, amor, ela sabe. Já conversamos ontem. Coração, não sei se você pretende sair, mas eu vou deixar a cadeirinha de colocar no carro, tá? Só por precaução. — explicou —Amor, vai lá no carro buscar a cadeirinha? — pediu para o marido Paolo deixou-as e foi até pátio —Cadê o Tony? — perguntou Lauren.

—Dormindo.— Pepper respondeu.

—Certeza que você também estaria dormindo ainda, dá pra ver na sua cara.— Lauren observou.

—Dormi tarde ontem.

—Posso imaginar o motivo, que inveja.

—Inveja do quê?— Pepper riu.

—De uma vida sexual ativa que me faça dormir tarde. — respondeu ela —Paolo chegou quinta-feira, e até agora nada, durante o dia ele trabalha, nas últimas noites a Emma cismou de acordar e se enfiar na nossa cama, parece que ela advinha a hora em que a coisa está ficando boa.— Lauren disse irritada fazendo Pepper rir —Então ela pega no sono entre nós dois, quando me dou conta ela está agarrada a ele, os dois dormindo felizes e eu frustrada.

—Dá um desconto, talvez ela esteja sentindo falta dele, você mesma falou que só aconteceu nas últimas noites, talvez hoje não aconteça.

—Assim espero. — Lauren revirou os olhos.

—Vamos, amore? — Paolo perguntou voltando à cozinha.

—Papai.— Emma correu até ele carregando um obejeto de decoração qualquer.

—Princesa, você não pode mexer nas coisas da madrinha, está bem? — ele disse agachando na altura dos olhos da garotinha, que balançou a cabeça concordando com o que acabara de ouvir e entregou o objeto a ele —Agora dá um beijo e um abraço no papai. — Emma prontamente atendeu ao pedido.

—Um beijo e um abraço na mamãe também. — Lauren agachou-se pedindo e recebeu o mesmo carinho —Você vai ficar boazinha com a dinda hoje, tá?

—Tá.— Emma respondeu.

—Então, vai com a dinda. — Lauren entregou Emma para Pepper.

—O Max está lá no sofá. — Paolo disse fazendo com que Emma saísse do colo de Pepper e corresse até a sala.

—Max seria...? — Pepper perguntou receosa.

—Um urso de pelúcia, coração. — Lauren respondeu —Pela cara que você fez posso apostar que você achou que fosse um animal de estimação.

Quando os três adultos chegaram à sala, Emma estava sentada ao sofá com Max, um urso de pelúcia caramelo, que ostentava um laço marrom em seu pescoço.

—Ela ama o Max, se na hora do almoço ela cismar que você deve dar comida pra ele também não se espante, ele vive na lavanderia por causa disso. — Paolo explicou.

—Coração, então é isso, prometemos não demorar muito, por volta das 22h estaremos de volta— Pepper arregalou os olhos —Brincadeira. — Lauren beijou o rosto de Pepper ao se despedir, Paolo se despediu de Emma e Pepper, então o casal deixou a mansão.

Emma desceu do sofá arrastando o urso e caminhou até próximo à porta principal, então se virou e olhou para Pepper, estava evidente no olhar das duas que ambas estavam apreensivas ao ficarem na companhia uma da outra.

—Bem, somos eu e você até o padrinho decidir acordar, o que vamos fazer? — Emma virou as palmas das mãos para cima como se quisesse dizer que não fazia ideia, Pepper riu —Pelo menos a nossa comunicação é boa.

Pepper sentou-se ao sofá sem desgrudar os olhos da garota —Neném. — Emma sorriu apontando para um porta-retratos no aparador.

—Sim, é você.— afirmou, Emma reparou que Lauren também estava no retrato, então chamou pela mãe e desatou a chorar —A mamãe volta logo, meu amor, enquanto isso você vai ficar com a dinda. — Pepper foi até ela e a pegou no colo.

—Não.— a garotinha disse chorosa.

—Eu sei que você não está acostumada a ficar com a dinda, mas não precisa chorar.— Pepper disse ao passar o polegar nas bochechas rosadas da afilhada.

—Está sendo difícil? — a voz de Tony reverberou pela sala.

—Olha quem resolveu acordar, amor. — Pepper disse a ela, sabia que Emma correria até Tony e não estava errada, não entendia o motivo, mas a garotinha sempre adorou Tony.

—Parece que alguém andou chorando. Quem fez você chorar?— Tony perguntou e Emma apontou para Pepper —A madrinha fez você chorar? — a garota afirmou com um aceno de cabeça —Ah, dinda.— Tony disse irônico ao chegar próximo à Pepper, beijou-a enquanto Emma mantinha os curtos braços em volta do pescoço dele —Está sendo difícil? — perguntou novamente.

—Só começando.— ela soltou os cabelos e prendeu-os novamente —Olha tem um urso abandonado ali, porque você não vai buscar o seu amigo pra mostrar para o padrinho? — Pepper disse a ela. Emma foi ao chão, pegou o brinquedo e logo voltou junto deles entregando-o nas mãos de Tony —Conta pro padrinho como é o nome do seu amigo. — Emma silenciou diante do pedido de Pepper.

—Diz pro padrinho. — Tony pediu.

—É...Max. — ela disse.

—Max é um nome bacana. — Tony afirmou afagando o topo da cabeça dela —Estou morrendo de fome. — ele disse para Pepper.

—Achei que você não fosse despertar hoje.— ela comentou.

—Culpa sua que me manteve acordado até tarde.— deu um sorriso sacana e puxou-a pela cintura.

—Ainda assim acordei cedo.— ela afastou desviando dos lábios dele.

—Qual o problema?

—A criança, Tony. — ela disse, Tony olhou para baixo e Emma estava fitando-os com curiosidade.

—Hum, vou tomar café. — ele a soltou a caminhou para a cozinha, Emma abandonou o urso de pelúcia e o seguiu. Tony preparou ovos mexidos, fez torradas e espremeu laranjas, sentou-se para comer enquanto era vigiado de perto por Emma.

—Eu não sei o que ela vê em você.— disse Pepper.

—Ela é menina. — ele disse.

—E...?

—E nenhuma mulher é imune ao meu charme.— ele sorriu.

—Convencido.— Pepper revirou os olhos —Ela nem vê dessa forma, a questão é que quando você não é um poço de arrogância as pessoas se aproximam sem receio.— Pepper provocou.

—Que seja.— ele deu de ombros —Talvez ela queira suco, ela tem, sei lá, uma mamadeira?

—Não, mas tem um copo pra isso na bolsa, vou buscar, fica de olho nela, 2min.— deixou Emma aos cuidados de Tony, rapidamente foi até a sala e voltou.

Depois do café Tony disse que iria para a oficina, Pepper não escondeu o seu desagrado com a informação, mas acabou concordando que ele fosse. Quando ele deixava a cozinha Emma foi atrás dele e agarrou seu jeans.

—Você é tipo o quê, minha minissombra? — ele perguntou.

—Amor, o padrinho vai trabalhar, vamos tomar sol lá fora com o Max. — Pepper pegou-a pela mão.

—Não.— Emma chorou clamando por Tony.

—Tá, vem comigo. — disse vencido —Vocês mulheres já nascem treinadas pra persuadir a gente, não é mesmo?

—Eu vou descer também, assim fico de olho nela e você consegue trabalhar. — Pepper disse enquanto Tony entrava no elevador.

—Não precisa, não vou demorar.— ele deu um beijo casto nela.

—Tá...então...eu...vou...dar um jeito na bagunça da cozinha. Se quando terminar vocês ainda não tiverem subido eu desço.— ela informou.

Tony chegou à oficina e colocou Emma sentada sobre a mesa de projetos enquanto abriu alguns arquivos em seu servidor e começou a mexer no holograma de uma nova armadura. Quando se deu conta, a garota estava com o cabo de uma chave de fenda na boca.

—Ei, isso não é pirulito não, mocinha. — disse tomando o objeto das mãos dela. Tony chamou seu robô auxiliar, que veio até ele e levou a ferramenta para longe.

—Me dá?— ela fez beicinho.

—Nem pensar.— rebateu não ligando para o drama que talvez fosse começar.

—Chão.— ela disse, ele entendeu o recado e a colocou no chão, Emma achou um parafuso e colocou na boca.

—Deus do céu, vocês crianças colocam qualquer porcaria na boca.— ele disse.

—É meu.— disse emburrada.

—Não tem nada seu aqui— ele replicou —Tá com fome?

—Não— respondeu encarando o robô com curiosidade.

—Você até que é inteligente.— Tony abriu uma gaveta e pegou um chocolate —Come isso, é mais gostoso do que as ferramentas.— entregou o doce para ela —Ô, cabeça-oca, aspira o chão da oficina e recolhe parafusos, porcas, qualquer coisa que possa ir parar no estômago dela.— ordenou a outro robô.

—Au-au.— Emma apontou para o robô.

—Não isso não é um cachorro.— ele riu.

Tony puxou uma cadeira próxima à dele e colocou Emma sentada enquanto terminava sua análise. Oscilava o olhar entre ela e o projeto a sua frente, às vezes sorria vendo a lambança que ela estava fazendo com o chocolate. A camiseta branca com estampa de pequenas cerejas estava toda marrom na altura do peito. Por vezes seus olhares se cruzavam e ela sorria, arrancando um sorriso sincero de Tony, Emma era a primeira criança com a qual ele tinha um contato mais duradouro e ela inconscientemente gostava da experiência. Era impossível não se sentir bem ao lado daquele serzinho encantador.

—Sua madrinha vai brigar comigo por causa dessa roupa suja você sabe, né?— ele perguntou e ela sorriu.

(...)

Já que não estava tendo trabalho, Pepper resolveu cozinhar, há tempos não exercia tal pratica, mas estava disposta a fazê-lo. Não estava preocupada com Emma, sabia que Tony cuidaria bem dela, ele sempre teve dificuldade com sentimentos e relações interpessoais, mas seu instinto protetor era superapurado quando ele tinha afeto por alguém. Preparava-se para começar o almoço quando Tony a chamou pelo intercomunicador.

—Já vai pedir arrego?— ela provocou.

Ela está vazando, Pep!

—Como assim?

O lugar onde ela estava sentada está molhado.

—Deve ser a fralda, traz ela pra eu trocar. — Pepper pediu.

Pep, ela está vazando, não vou pegá-la no colo.— ele disse fazendo Pepper revirar os olhos.

—Ela sabe andar, Tony, você só precisa entrar no elevador com ela.—Pepper foi até a sala para esperar por Tony e Emma, e ficou boquiaberta quando viu o estado em que a garota estava —Tony!

—Eu disse pra você que ela ficaria brava.— os olhares dele e de Emma se encontraram —Eu precisava manter a boca dela ocupada.

—Pelo amor de Deus, não me diz que ela engoliu alguma coisa lá na oficina?— Pepper exasperou-se.

—Se acalma, ela não engoliu nada.— ele garantiu.

—Melhor dar um banho nela. — olhou para cara melecada de Emma —Vem com a dinda, amor.— pegou-a pela mão —Pega a bolsa dela por favor, está sobre o sofá. — Pepper informou antes de subir com Emma.

Ao chegar à suíte Pepper tirou as roupas e as fraldas da pequena, encheu a banheira num nível raso e colocou Emma sentada dentro da mesma.

—Você ficou alguns minutos com o seu padrinho e voltou encardida. — Pepper disse limpando o rosto de Emma —Diz pra dinda o que vocês aprontaram?

—Au-au.— Emma disse tirando os cabelos do rosto.

—Au-au? — Pepper franziu as sobrancelhas.

—Amor, a Lauren vai deixar ela aqui quantos dias?— Tony perguntou ao entrar no quarto —Caramba, que mala enorme.

—Que história é essa de au-au?— Pepper perguntou.

—Ela cismou que um dos robôs da oficina é um cachorro, o que é um absurdo, mas até bater o pé e estalar os dedos pra ele ela fez. — Tony explicou fazendo Pepper rir.

—Ai, Emma, você não existe. — Pepper disse enrolando a pequena numa toalha felpuda —Esclarecendo a questão da mala. Ela está aqui há quase uma hora e já trocou de roupa, até à tarde essa mala estará vazia.— disse ao colocá-la sobre a cama. Pepper secou Emma e logo a vestiu novamente com um macacãozinho xadrez —Limpinha e cheirosa, quanto tempo será que vai demorar para o padrinho te sujar novamente? — Pepper perguntou fazendo cócegas nós pés da garota.

(...)

Depois do almoço, Pepper e Emma estavam mais entrosadas, tanto que Tony deixou-as sozinhas e voltou para a oficina sem que a garotinha quisesse ir atrás dele. As duas foram curtir o tempo juntas na área externa onde ficavam o jardim e a piscina. Lauren enviou uma mensagem, Pepper respondeu apenas com uma imagem da pequena se divertindo no jardim.

Lauren: 15h é hora da soneca, tá? Por volta das 16:30h estaremos de volta.

Pepper: Sua filha nem está sentindo sua falta, porque você não aproveita essa folga pra namorar?

Lauren respondeu a mensagem com um emoticon mostrando a língua.

Pepper: Resposta muito madura, Sra Benini, vá descarregar esse estresse. Sugestão: deixe o corretor na sala e vá com seu marido ver a suíte.

Lauren: Tony, devolva o celular da Pepper, agora!

Foi a vez de Pepper enviar um emoticon mostrando a língua.

Lauren: Obrigada pela sugestão, coração. Agora chega de mensagens, vá cuidar da minha filha!

Emma abandonou seu urso de pelúcia na beira da piscina e foi até Pepper, bebeu um gole de suco e voltou a brincar. Fazia algum tempo que ela havia abandonado as folhas de sulfite e os gizes de cera aos quais se dedicara por quase uma hora, não desenhando nada além de rabiscos coloridos esquecidos na mesa sob o guarda-sol.

—Machucou, meu amor? — Pepper viu Emma cair de joelhos e foi acudi-la.

—Dinda. — Emma choramingou fazendo bico e estendendo os braços, era a primeira vez que a afilhada a chamava assim.

Pepper também lacrimejava enquanto afagava os joelhos da pequena agradecendo por não estarem ralados, pegou os ‘desenhos’ de Emma, o urso de pelúcia e caminhou para dentro da mansão.

—Você já tomou sorvete? — Emma balançou a cabeça em negação —Não conta pra sua mãe, mas a dinda vai te dar sorvete. — Pepper fez cócegas na barriga da pequena —Já com saudades do padrinho?— Pepper perguntou quando Emma foi em direção ao elevador —Jarvis diga ao Tony que eu estou chamando, por favor.

O Sr Stark, saiu há quase uma hora, Sra. — Jarvis informou.

—Ele disse aonde ia?

Não Sra.

—Nós vamos tomar sorvete sozinhas, amor, o padrinho fugiu.

—Sumiu?— Emma disse.

—Pois é.— Pepper torceu o nariz.

Serviu o sorvete, depois foram para sala de TV e sentaram-se no chão sobre entre as almofadas. Pepper ligou o aparelho de televisão e zapeou entre os canais até encontrar uma atração infantil, não fazia a menor ideia do que estava passando, entretanto Emma parecia conhecer.

—Sorvete e desenho animado, que programão. — Tony as surpreendeu e, pela primeira vez, Emma não deu bola pra ele.

—Onde você foi? O que você está escondendo? — perguntou ao reparar que uma das mãos dele estava escondida.

—Olha o que o padrinho, trouxe pra você.— Tony mostrou um cachorro de pelúcia que lembrava um pequeno São Bernardo.

—Au-au! — Emma exclamou.

—Sim, isso é um cachorro não aquele da oficina. — ele disse ao entregar o brinquedo novo, que naquele momento não parecia mais interessante do que o sorvete na taça entre as pernas dela —Você sabe que ela vai fazer a maior sujeira com isso, né?

—Paciência. — Pepper deu de ombros.

—A Lauren ligou?— ele perguntou ao sentar-se ao lado de Pepper.

—Mandou mensagem, por quê?

—Acho que eles vão demorar, está caindo um pé d’água em Los Angeles, e a chuva parece estar a caminho daqui. — explicou —Não é tão apavorante quanto eu pensei. — ele assuntou passando um braço ao redor de Pepper.

—A chuva?

—Não, cuidar de criança. Olha pra ela, é só dar um brinquedo, algo pra manter a boca dela ocupada e ligar a TV num desenho. — ele constatou.

Eles conversavam enquanto Emma cantarolava com os personagens do desenho que assistia.

—E trocar fralda, ficar monitorando pra ela não esfolar os joelhos ou engolir um giz de cera.— Pepper completou —Agora ela é meio autossuficiente, mas há alguns meses tinham as cólicas, dor de ouvido, choro que você não consegue detectar o motivo. Na verdade, nessa idade que ela está isso tudo ainda pode acontecer.

—Está bem, não deve ser muito fácil. O que são algumas horas comparadas à 24h por dia?

—Mas acho que compensa, todas as vezes que eles sorriem. — Pepper disse com a voz embargada, Tony sabia que aquela experiência mexeria com as emoções de Pepper. —Ela é linda, não é? Se você olhar bem, ela poderia se passar por nossa, cabelos castanhos cacheados, olhos claros...

—Está pensando em fugir com ela? Eu topo. — Tony gracejou.

—Seu bobo.— ela beijou o rosto dele —Não foi isso que eu quis dizer, entretanto, talvez uma mistura nossa resulte numa pessoazinha parecida com ela.

—Quem sabe, vamos dar tempo ao tempo. — ele disse.

A chuva que Tony anunciou chegou, e um trovão foi ouvido no interior da mansão.

—Dinda!— Emma arregalou os olhos e gritou apavorada.

—A dinda tá aqui, meu amor.— Pepper disse a puxando em seu colo, outro trovão e Emma segurou a camisa da madrinha com força.

—Acho que alguém não gosta muito de chuva.— Tony constatou —Você ouviu do que ela te chamou?— Tony afagou os cachos de Emma.

—Foi a segunda vez— respondeu sorrindo, outro trovão fez Emma afundar o rosto no peito de Pepper.

—Que droga, Thor. — Tony esbravejou irônico.

Os trovões cessaram, mas a pequena não abandonou o colo de Pepper —Acho que ela vai dormir, antes que aconteça temos que trocar essa roupa melada de sorvete.

Pepper foi para o quarto e tomou banho com Emma. Ambas estavam melecadas de sorvete de chocolate. Depois de limpas e vestidas, deitou em sua cama para fazê-la dormir. As duas acabaram adormecendo.

(...)

—...Coração, me desculpa por abusar de você. — Lauren dizia para Pepper.

Era quase 19h quando Lauren e Paolo chegaram à mansão, os cinco jantaram juntos, e logo Emma estaria indo embora. As amigas estavam na cozinha, enquanto seus maridos conversavam na sala.

—Não precisa se desculpar, foi um dia divertido, Emma é um amor. E deu tempo de vocês tirarem o atraso. — Pepper provocou.

—Pepper!— Lauren exclamou sem graça —Nós não...

—Ok, Sra sorriso no rosto e cabelos molhados. — Pepper a interrompeu com ironia.

—Admito, nós chegamos por volta das 17h, passamos pelo apartamento, uma coisa levou a outra, e nos atrasamos. — Lauren esclareceu.

—Mas então, acharam alguma casa?— Pepper perguntou.

—Gostamos de uma, o banheiro da suíte era incrível, espaçoso.— Lauren sorriu —Obrigada pelo conselho.— ela piscou.

(...)

—Pode voltar quando quiser para ficar com a dinda. — Pepper disse depois de ganhar um beijo da garotinha. Emma também se despediu de Tony então Paolo a pegou nos braços.

—Precisamos dar um nome pro au-au que o padrinho deu.— Lauren disse.

—Au-au.— Emma pegou o cachorro.

—Talvez possa ser esse mesmo.— Tony brincou.

—Dá próxima vez trarei um vinho especial pra vocês pelo dia de hoje.— Paolo informou.

—Ótimo. Os que você trouxe na última vez estão no fim.— Pepper avisou.

—Já?! — Paolo mostrou-se surpreso.

—A Pep não bebia há um tempão, andou exagerando na dose.— Tony disse.

—Exagerei? — Pepper arqueou uma sobrancelha.

—Não, amor...

—Deus, não quero saber o que vocês fizeram com o vinho.— Lauren interrompeu —Vamos, Paolo.

Lauren e Paolo agradeceram novamente pelos cuidados e a atenção dada a Emma, então deixaram a mansão.

—Foi um dia atípico, mas eu gostei.— Pepper disse ao fechar a porta.

—De tudo?

—Cada minuto.— garantiu envolvendo os barcos ao redor dele.

—Você cozinhou hoje, até disso você gostou?

—Gostei, não é porque eu não cozinho todo dia que eu não goste. Eu fujo da cozinha sim, porém às vezes é bom fazer o que não se faz sempre.— explicou —No entanto, acho que eu quis fazer de tudo pra ter a certeza de que eu sou capaz disso, sabe? Ter essa experiência completa por um dia.

—Sei.— juntou seu lábios aos dela —E você foi incrível.— afirmou espalhando beijos pelo pescoço dela.

—Você também foi sensacional.

—Podíamos subir, e fazer um bebê pra cuidarmos todos os dias.

—Você sabe que isso não pode acontecer nos próximos dois meses.— segurou o rosto dele entre as mãos e olhou em seus olhos.

—Me empolguei.— deu-lhe um beijo casto e se afastava quando Pepper o puxou de volta —O que foi?— perguntou surpreso.

Pepper não respondeu, apenas o beijou com toda a paixão que possuía, enfiou as mãos nos bolsos traseiros do jeans dele, apertando seus glúteos trazendo o corpo dele mais perto do dela. Ele a beijou de volta com sua boca faminta, enquanto suas mãos se perdiam entre os cabelos dela.

—Não é porque nós não podemos fazer um bebê, ainda, que nós não vamos praticar.— ela disse contra os lábios dele.

—Entendi o recado. — disse ofegante.

—Que bom.— mordiscou o lábio dele e levou as mãos aos ombros másculos. Claro que ele havia entendido onde ela queria chegar, essa era um das razões para serem tão perfeitos juntos —Agora me leve para o quarto.— ela pulou nos braços dele envolvendo-o com as pernas. Tony levou as mãos aos quadris dela e beijou-a enquanto seguia para a suíte para fazer amor com a mulher de sua vida mais uma vez.

Notas finais
Curtiram?

Procurei a imagem de uma criança que se aproximasse das descrições que eu faço da Emma e achei essa foto http://zip.net/btk5xS (No final da história vou apresentar pra vcs as caras de todos os personagens, tá? Podia fazer isso agora, mas como leitura é tbm um exercício de imaginação, não quero misturar a minha imaginação com a de vocês)

Capítulo 21, né? É mais ou menos(mais pra mais) o meio da história.
A partir do próximo pretendo começar a caminhar para o final da história ~quem não gosta da história pode comemorar~

Até mais.

Beijos.