Do Singular Ao Plural
27 Fôlego
Notas iniciais
Nas primeiras horas Pepper ficou deitada com ele, mas depois seu corpo começou a reclamar, então ela levantou e, enquanto ele ainda dormia, foi à oficina. Pediu ajuda a Jarvis para que ele reiniciasse os robôs e com o auxílio deles organizou o local. Ao arrumar a mesa de projetos encontrou em meio à bagunça um porta-retratos de moldura prateada, nele havia uma foto sua com Emma, provavelmente tirada no dia que a pequena esteve na mansão.
Na foto, ambas dormiam, Pepper estava com Emma deitada sobre o seu peito, dava para perceber que a única iluminação no quarto naquele momento eram os raios de sol que atravessavam a persiana. Embora dormisse, Emma esboçava um sorriso o que deixou a imagem ainda mais bonita. Tony havia mesmo mudado de opinião a respeito de crianças, constatar isso a fez sorrir. Tirou o pó do objeto e colocou de volta no lugar. Quando tudo parecia em ordem, Pepper deixou a oficina.
Tony dormiu por mais de 24h, Pepper ficou um pouco assustada com aquilo, mas depois se deu conta de que ele estava mesmo exausto. Na manhã de domingo ela o deixou no quarto e foi à cozinha, minutos depois ele acordou e entrou no banho, e ao sair foi ao encontro dela. Quando chegou à cozinha, Pepper terminava de preparar o café.
—Bom dia, anjo.— disse ao se aproximar.
—Anjo?
—Desculpa, saiu sem querer.— disse ele.
—Acho que posso me acostumar com esse tratamento.— deu-lhe um beijo doce —Bom dia, amor.
—Waffles?— a segurou pela cintura enquanto ela tirava os waffles da tostadeira —Eu adoro waffles.— beijou o pescoço dela.
—Eu sei.— ela respondeu —Tem uma taça com frutas picadas na geladeira, pega pra mim? Ah,...o Rhodey ligou ontem o dia todo e há alguns minutos atrás.— informou.
—Depois eu falo com ele, primeiro preciso comer.— disse ao abrir a geladeira —Tem mel?— perguntou a olhando sobre o ombro.
—Sobre a bancada.— respondeu, ele fechou a geladeira e sentou-se à bancada da cozinha, além dos waffles havia suco, queijo, iogurte e café.
—Alguém vem tomar café com a gente?— perguntou ao ver a quantidade de coisas que ela havia arrumado.
—Não, apenas, nós dois, julguei que você fosse estar com fome, afinal, foram horas de sono.— ela sentou-se diante dele —Mas depois do almoço teremos companhia.
—Quem?
—Rhodes e Carol, eles disseram que tem uma surpresa pra você.— Pepper avisou, e ele a olhou ressabiado —Não me olhe desse jeito, não faço ideia do que seja.— deixou claro.
Pepper colocou algumas frutas picadas sobre o waffle, as cobriu com um fio de mel e depois deu uma boa mordida em tudo.
—Bom?— ele perguntou.
—Ótimo.— respondeu ao limpar o canto da boca.
—Eu adoro te ver comer, sabia? Você faz isso com tanta vontade.
—É fome e...eu estava desejando isso.— disse ela.
—Sério?!— Tony indagou surpreendido.
—Não esse tipo de desejo, seu bobo. Já viu as imagens das receitas de waffles na internet? A maioria leva morangos sobre os waffles, como eu não como morangos, resolvi substituir por outras frutas, e está incrível.— Pepper esclareceu e eles voltaram a comer.
—Nós já podemos tentar, não podemos?— perguntou depois de algum tempo comendo em silêncio —Tudo aconteceu no meio de junho, nós estamos no meio de agosto, são dois meses...
—Você ficou fazendo contas enquanto eu comia?— ele assentiu, Pepper arqueou uma sobrancelha —Você é estranho, Sr Stark.— deu um gole em seu suco.
—Podemos ou não?
—Podemos, mas não agora, vamos pensar nisso quando a turbulência passar, ok?— Tony pareceu contrariado, mas mesmo assim aquiesceu.
Pepper sabia que aquela não era a hora nem o momento para falar sobre aquele assunto, e não deixaria Tony focar em outra coisa antes de resolver seu problema mais recente. Um filho não seria uma substituição para a vida que ele estava querendo abandonar.
Pouco depois do horário do almoço Rhodes ligou novamente, perguntando se Tony estava a fim de recebê-lo. A curiosidade de Tony era maior que sua vontade de ficar recluso, Rhodes informou que estaria na mansão em alguns minutos. Minutos que demoraram horas.
—Desculpem a demora.— a voz de Rhodes reverberou pela sala de estar da mansão, Pepper e Tony estava sentados ao sofá.
—Você fala tanto da minha pontualidade e...— Tony se calou ao ver o estranho, não tão estranho, que acompanhava Rhodes e Carolina —...O que ele faz aqui?
—Quem é esse rapaz?— Pepper perguntou ao ver o espanto de Tony.
—Meu irmão.— Carolina respondeu.
—C-como seu irmão?— Tony perguntou sem esconder a surpresa.
—Alguém pode me explicar o que está acontecendo?— Pepper pediu.
—Esse garoto é um dos primeiros soldados do tratamento com o Brave, ele estava em coma por meses antes de eu começar a tratá-lo, queriam desistir dele, nem iriam deixá-lo participar do processo, mas eu insisti, e...
—Eu vim agradecer por você ter insistido.— Eric respondeu —Posso abraçar o homem que salvou a minha vida?— Tony assentiu e o rapaz o abraçou.
—Mas você está bem mesmo?— Tony olhou o rapaz dos pés à cabeça.
—Como novo— Eric respondeu —O Dr Ross me deu alta semana passada.
—Acho que preciso entender essa história de você ser irmão da Tenente Castro.— Tony manifestou-se.
—Acho melhor sentarmos.— disse Rhodes.
Tony e Pepper sentaram-se em um sofá e os três convidados em outro, então Carolina começou a contar a história. Assim como ela e seu irmão, seu pai também é um oficial das Forças Aéreas, embora aposentado. Eric era seu irmão apenas por parte de pai, a mãe de Carolina falecera quando ela tinha 8 anos, um ano depois, seu pai conheceu a mãe de Eric, casaram-se e logo o rapaz nasceu.
—Porque os seus sobrenomes são diferentes, já que vocês são filhos do mesmo pai?— Tony fez questão de saber.
—Castro era o sobrenome da minha mãe, é uma espécie de homenagem que eu faço a ela.— Carolina esclareceu —E Eric usa o Sommerset, sobrenome do papai.
—Por isso eu às vezes encontrava com você no hospital da base. Porque vocês não me disseram antes?— Tony olhou para Rhodes.
—Tive receio de que você julgasse que eu estava me aproveitando da situação. Por isso pedi para o James não dizer nada a você.— Carolina respondeu —Tony, eu quero que você saiba que eu nunca quis me valer da sua amizade com o James para que você cuidasse do Eric, foi uma surpresa pra mim quando descobri que você o havia selecionado para o projeto.
—Surpreso eu fiquei ao dormir quase um ano, acordar e descobrir que a minha irmã está noiva.— Eric gracejou —Nem sei quais são as intenções desse cara.
—Vai começar de novo.— Rhodes riu —Seu pai sabe, moleque.
—As intenções dele eu não sei, mas o anel é enorme.— Pepper prestou atenção no anel de Carol —Quando foi o pedido?
—Logo depois que me recuperei do atentado em Washington nós fomos a Houston.— Rhodes esclareceu.
—Pra quando é o casamento? Aposto que vocês só estavam esperando o Eric acordar pra começar a pensar nisso.— Pepper observou.
—Sério?!— Eric perguntou, Carol e Rhodes assentiram.
—Não sabemos ainda, talvez daqui uns seis meses.— Carolina respondeu.
—Ou mais.— Rhodes completou.
—Ou mais?!— Carolina exclamou contrariada.
—Deixa ele achar que vai te enrolar por muito tempo, se eu conheço bem o General George Sommerset ele virá do Texas para obrigá-lo a casar, ainda mais se ele souber que vocês estão praticamente morando juntos.— Eric observou.
—Você não tem mais pra onde correr, amigo.— Tony ironizou.
Os cinco passaram a tarde conversando sobre diversos assuntos, mas o principal foi os benefícios do tratamento com o Brave, Eric era a prova viva de que o soro era eficaz. Saber daquilo deixou Tony revigorado, enquanto ele não voltasse a ser o homem de ferro, ao menos o Projeto Brave ele teria. Estava decidido a ir ao hospital da base durante a semana para analisar os soldados que ainda estavam em tratamento e selecionar novos pacientes.
—Obrigado mesmo, Sr Stark...
—Tony.— Tony corrigiu Eric.
—Obrigado mesmo, Tony, devo a minha vida a você. Eu fiz questão de vim agradecer, e quando estávamos a caminho daqui, pedi ao James para parar o carro pra que eu pudesse ver o mar. Graças a você eu pude fazer isso de novo.— o rapaz disse emocionado antes de se despedir de Tony.
—Obrigada, Tony, não vou dizer nada, porque acho que já falei demais à tarde toda.
—Achei que soldados não chorassem.— Tony brincou com Carolina.
—Claro que choram, mas aqui não é Tenente quem está falando, é a irmã. Obrigada por me devolver meu irmão.— ela abraçou Tony.
—Já está bom, pode soltar.— Rhodes gracejou.
—Então, Eric, o que você pretende fazer agora?— Pepper perguntou.
—Vou passar um tempo com os meus pais e depois,...sei lá, ainda não pensei no depois. Já que o Dr Ross ainda quer fazer um acompanhamento neurológico comigo. Afinal, foram meses apagado.— Eric respondeu.
—Você está certo, deixa o depois pra depois.— Tony comentou.
Por volta das 18h, Rhodes, Carolina e Eric deixaram a mansão, o rapaz tinha voo marcado para Houston e não podia chegar atrasado ao aeroporto.
—Então, gostou da surpresa?— Pepper peguntou.
—Você não faz ideia, essa sensação de dever cumprido me deu um fôlego novo. E o fato dele ter vindo aqui, a gratidão dele fez todos esses meses de Projeto Brave valerem a pena.— Tony sorriu e Pepper não escondeu a sua felicidade ao vê-lo sorrir daquela maneira.
(...)
Na segunda-feira Pepper chegou da empresa um pouco mais cedo do que o de costume, ao perguntar por Tony, Jarvis informou que ele estava na academia com Happy. Ela não resistiu em ir até lá, há tempos os dois não treinavam juntos e era sempre divertido vê-los no ringue. Quando Pepper chegou à academia Tony e Happy lutavam boxe, o ex-motorista e atual segurança parecia perder. Pepper sempre teve duvida se aquilo acontecia porque Tony era bom ou se Hogan deixava. A verdade era que o golpe em questão parecia ter sido bem aplicado, Happy ficava cada vez mais vermelho.
—Deixe o Happy respirar, Tony.— pediu aflita, Tony afrouxou seu braço em volta do pescoço de Hogan.
—Você sempre joga sujo, é impressionante.— Happy disse ao recuperar o ar. Os dois deixaram o ringue.
—Matou o trabalho hoje, Sr Hogan?— Pepper perguntou.
—Saí antes da hora.— ele sorriu amarelo —Mas foi com autorização do chefe.
—Não me lembro de você ter pedido pra sair mais cedo.— ela respondeu.
—Eu deixei.— Tony intrometeu-se —Precisava conversar algumas coisas com o Happy.
—Mas você não é mais o chefe dele.— Pepper observou.
—Desde quando?— Tony perguntou.
—Hogan, aonde você trabalha?— Pepper perguntou.
—Na empresa.
—Quem manda na empresa?— Pepper perguntou novamente.
—Você.— Hogan respondeu.
—Obrigada, Hogan.— Pepper sorriu vitoriosa e deu as costas para eles.
—Aonde a Sra vai?— Tony perguntou.
—Voltei mais cedo por sua causa, já que você está se exercitando, farei o mesmo.— ela respondeu —Falta uma hora pro pôr do sol, vou aproveitar e correr na praia.— Pepper deixou o local..
—Cara, ela joga duro, né?— Happy comentou.
—Ela estava brincando com você.— Tony deu um soco leve em Hogan e riu.
—Ok, e porque você pediu que eu viesse até aqui?— Hogan perguntou.
—Preciso que você faça uma viagem pra mim...— Tony respondeu —...E compre uma coisa.
—Que tipo de viagem, e...que coisa?— Happy perguntou ressabiado —A última vez que fiz um trabalho pra você quase morri.
—Calma, Happy, não precisa ter medo.— Tony disse em tom apaziguador —Vou explicar tudo. Jarvis a Sra Stark já deixou a mansão?
—Ainda não Sr, ela está no pátio externo.— informou o AI.
—Bem, se ela está lá fora já podemos conversar a vontade. Então...— Tony começou a explicar para Happy o que queria dele —...E você precisa fazer tudo isso rápido, eu só tenho alguns dias.
—Talvez eu precise faltar ao trabalho.— Happy constatou.
—Estou te dando férias.— disse Tony.
—A Pepper não vai...
—Ela estava brincando com você, Happy, eu já disse. Deixa que com a Pepper eu me entendo. E não diga nada a ela.— disse ao levantar —Segundo round, vamos?
Happy aquiesceu e os dois voltaram a lutar. Depois de 30min de treino, Happy deixou a mansão.
Pepper e Tony se encontraram na cozinha, ela voltando da corrida e ele vindo da academia. Ela foi até a geladeira e pegou uma garrafa de isotônico, ele optou por uma maçã.
—Top maneiro.— ele sorriu ao vê-la usando as roupas de ginástica.
Ela usava um top preto, com detalhes em verde nas alças, e um short preto com detalhes em verde nas laterais. Adorava vê-la com aquele tipo de roupa e nunca escondeu isso.
—O que você ficou fazendo o dia todo?— Pepper mostrou-se curiosa preferindo não dar corda ao comentário dele.
—Quando acordei fui à oficina, mas alguém já tinha arrumado o lugar todo...— ele a olhou enquanto ela dava um gole em sua bebida —...Mexi no projeto de uma armadura que estava pendente...
—Achei que você fosse à base hoje, ontem você estava tão animado com os resultados do projeto.— Pepper observou.
—Fiz apenas uma vídeo-conferência com o Dr Ross, vou à base amanhã.— Tony avisou.
—Humm.— ela terminou de beber o isotônico —Posso pedir uma coisa?
—O que você quiser.
—Podíamos aproveitar que ambos ainda estamos com roupas de exercício...e...você podia me dar uma aula de defesa pessoal, eu já não pratico há meses.— ela disse.
—Jura, Pep?— perguntou fingindo cansaço.
—Você disse: o que você quiser.— ela fez bico —Meia hora, por favor? Eu achei que a corrida seria suficiente, mas eu ainda preciso liberar endorfina, ou então vou explodir.
—Você está tensa?— perguntou mal-intencionado a puxando pela cintura —Conheço algo ótimo pra isso.— disse contra os lábios dela.
—Não estou a fim de sexo, não agora, pelo menos.— ela respondeu.
—Você prefere me bater?— Tony arqueou uma sobrancelha.
—Só um pouco.— ela sorriu —Depois eu faço carinho, você sabe, as nossas aulas sempre terminavam bem— ela piscou —Lembra?— Pepper segurou o queixo dele e o beijou com carinho.
—Meia hora, e eu não vou pegar leve com a Sra.— ele a pegou pela mão e voltaram para a academia.
(...)
Na terça-feira, Tony passou a manhã toda em seu laboratório preparando as doses do Brave para serem usadas naquele dia. Na hora do almoço encontrou com Pepper num restaurante próximo à empresa, ao deixarem o local, Tony foi abordado por alguns jornalistas. Todos queriam saber: “O que ele achava do Patriota de Ferro, e se ele acreditava não ter mais lugar no mundo dos super-heróis?” Tony não respondeu as perguntas. Pepper voltou para a empresa e ele seguiu para o hospital da base aérea.
—Parece que até aqui ele quer tomar o seu lugar.— Bethany comentou ao ver Tony chegar, por coincidência ele havia parado bem próximo de onde ela estava.
A ruiva estava sentada num banco sob uma árvore no estacionamento, usava óculos escuros, as pernas cruzadas exibiam boa parte das coxas através da fenda em sua saia preta, usava uma camisa branca de tecido leve com detalhes me renda nos ombros.
—Do que você está falando?— Tony perguntou.
—Norman Osborn veio nos fazer uma visita, está aqui acompanhado da assistente, uma morena com o rosto doce, mas que com certeza é muito pior do que eu.— Bethany comentou.
Tony não respondeu nada, cerrou os punhos e caminhou para dentro do complexo hospitalar. Bethany não se moveu, continuou sob a sombra da arvore, enquanto o viu se afastar. Quando entrou no hospital, Tony, seguiu para a ala de tratamento com o Brave, alguns soldados guardavam o local e não o deixaram adentrar. Tony saiu dali e foi até a sala o Dr Ross.
—O que está acontecendo?— perguntou impaciente.
—Eu sei que nós havíamos combinado a sua visita ontem, mas hoje o Norman apareceu e...trouxe isso.— o Dr Ross levantou de sua cadeira e entregou um documento a Tony, nele solicitavam que ele deixasse Norman ter acesso ao soro, ou então o projeto seria suspenso por tempo indeterminado.
—Ele não vai ter acesso ao Projeto.— Tony disse ao amassar o papel e jogar numa lixeira.
—Isso não é muito inteligente da sua parte, Sr Stark.— Norman surgiu na sala acompanhado de Victoria, ele pediu que o Dr Ross e sua assistente deixassem a sala para que pudesse conversar a sós com Tony.
—Você não vai ter acesso ao Brave.— Tony deixou claro.
—Sabe qual é o seu defeito? Acreditar que você sempre terá o domínio de tudo, eu estou provando que você não pode ter. Estou tirando de você o posto de herói mais querido do país e tirarei esse projeto também.— Norman disse com arrogância —Por mais que eu nunca consiga reproduzir esse seu soro, você também não terá autorização para usá-lo.
—Então é isso, sua intenção é me destruir?— Tony perguntou.
—Te destruir? Não! Pra isso eu teria que tirar muito mais de você. Mas o seu ego é algo tão grande que você é o único “herói”— Norman fez aspas com as mãos —Que as pessoas sabiam a real identidade, depois da batalha em Nova York pessoas grafitaram muros com o seu rosto, homens passaram a fazer a barba desse jeito ridículo. Você gosta de aparecer, gosta que as pessoas saibam quem é você, gosta tanto que a gravidez da sua esposa foi algo anunciado em rede nacional, prova de que ele não é tão diferente de você.— Norman disse —Mas respondendo a sua pergunta, eu não quero te destruir, quero te envergonhar. Te substituir.
—Por quê?— Tony perguntou.
—Porque é isso o que se faz com quem gosta de se exibir. Seu exibicionismo de meses atrás me custou alguns milhões. Você se meteu nos meus negócios e agora eu estou me metendo nos seus. O pior é você ter me exposto por causa de uma gravidez indesejada e alguns dias depois a sua esposa perder o bebê. Não sei se é castigo divino ou incompetência dela.— Norman ironizou deixando Tony furioso.
Tony segurou Norman pelo paletó e começou a falar —Ponto um: pense duas vezes antes de falar da minha esposa outra vez. Ponto dois: eu terei de volta tudo o que você acredita estar tirando de mim.
—Creio que não.— Norman sorriu desafiando Tony ao afastar-se dele —Já convenci o presidente do contrário, minha consagração como super-herói está a um passo de acontecer, quando o restante das pessoas se derem conta de que você não pode protegê-las, que nem sempre você estará a postos para voar com um míssil nas costas e salvar o mundo você será esquecido.
—Isso tudo se tornou uma questão pessoal, não é? Você é tão egocêntrico quanto eu, só não gostou de ser exposto de uma maneira que te depreciasse, e agora está me dando o troco. Devo avisar que você mexeu com o brio da pessoa errada. Eu sei que é você mesmo quem está armando esses ataques que você combate.— Tony disse.
—Sabe? Você pode provar isso?— Norman perguntou altivo —O medo das pessoas está me consagrando, não adianta toda a sua tecnologia, as suas dezenas de armadura diferentes, as pessoas irão acreditar em quem consegue as proteger. É assim que se derrota um homem a frente de seu tempo, tornando-o obsoleto.
—Vamos ver quem é obsoleto.— Tony disse antes de deixar a sala.
Tony saiu à procura do Dr Ross, enquanto Victoria foi ao encontro de Norman.
—Tony Stark acredita mesmo que ainda pode virar o jogo.— Norman falou assim que viu a morena adentrar a sala —Vou reduzi-lo a nada, talvez eu tire tudo dele, empresa, fortuna, esposa e daqui a alguns anos ninguém sequer se lembrará que o Homem de Ferro um dia existiu.
—Você não acha que isso está tomando proporções muito maiores?— Victoria perguntou.
—Quem se importa?— Norman replicou.
—Que seja.— Victoria deu de ombros —Eu não tenho nada a ver com Tony Stark.— ela tentou se aproximar de Norman para beijá-lo mas o homem se esquivou —O que foi?
—Assim que pousar em Nova York vou jantar com a Srta Zurer, e ela não gosta de sentir o seu cheiro em mim.— Norman respondeu.
—Dane-se, Nadja Zurer. Dane-se, você!— Victoria o empurrou furiosa.
—Victoria?!— a chamou de volta quando ela deixava a sala, mas ela não lhe deu ouvidos —Vic...?— chamou novamente, claro que ela parou diante daquele apelido carinhoso, podia contar nos dedos de uma mão as vezes em que ouviu ser proferido por aqueles lábios —Não misture as coisas, Victoria— ele passou os dedo pelo rosto dela quando ela colocou-se diante dele novamente —Eu sei que vocês mulheres, por mais frias que sejam, sempre sonham com algo a mais quando se envolvem com um homem por muito tempo. Mas eu nunca te prometi fidelidade, e se te serve de consolo Nadja está partindo essa semana.
—Chega, Norman.— ela se afastou —Acabou. Eu não trabalho mais pra você, não durmo mais com você, não mato mais por você.
—Nós somos aliados, Victoria, não é assim que vai acabar, você sabe disso.— ele disse antes que ela deixasse a sala, Victoria saiu e não olhou para trás.
Victoria falhou ao se envolver com Norman e sabia que aquilo não tinha mais volta. Era apaixonada por aquele homem apesar de todas as falhas de caráter e de sua personalidade megalomaníaca. Mas de alguma forma, tinha que zelar pela própria sanidade, então decidiu se afastar dele. A maior ameaça ao êxito é perder o controle de seus aliados e Norman Osbron já não tinha mais controle sobre Victoria Hand e, para o azar dele, ela sabia de muita coisa.
Depois de algum tempo conversando com o Dr Ross, Tony deixava a base, já que se afastaria por tempo indeterminado do projeto, queria garantir que todos os soldados mais graves estavam em estado avançado de recuperação. Ao chegar ao seu carro surpreendeu-se ao ver Bethany Cabe ainda no mesmo lugar.
—Mas o que você faz aí ainda, vai criar raízes?
—Eu me candidatei a esse projeto por sua causa, Anthony, se você não aparece ou se for afastado o que eu tenho para fazer aqui?— Bethany levantou os óculos escuros —Não vai deixá-lo tirar isso de você também, vai?— a ruiva perguntou.
—Ele não me tirou nada.— Tony respondeu, entrou em seu carro e seguiu o seu caminho.
Após a saída de Tony, Bethany voltava para o interior do hospital quando foi interceptada por Victoria.
—Você sabe se Tony Stark ainda está no complexo?— a morena perguntou.
—O que a assistente de Norman Osborn quer com ele?— Cabe perguntou cismada.
—Oferecer algo vantajoso para nós dois.
—Se você está querendo se jogar na cama dele...
—Pelo jeito ele já foi embora— Victoria transpôs Cabe —E só pra você saber— a morena novamente voltou-se para a ruiva —Não quero me jogar na cama dele, mas pela sua reação você já deve ter tentado e não conseguiu. Se conseguiu, faz muito tempo. Eu vi Tony Stark e a mulher juntos uma vez só, e pela maneira que ele olha pra ela dá pra perceber que ele só tem olhos pra ela.— Victoria deixou o hospital.
(...)
Quando Tony chegou à mansão, Pepper ainda não havia chegado da empresa. Ele então foi direto ao laboratório, minutos depois Jarvis informava que havia uma mulher na entrada principal e queria falar com ele. Olhou para o relógio em seu pulso para ver as horas, acreditava que fosse Bethany Cabe, não queria que Pepper chegasse e encontrasse com ela. Mas ainda era cedo, então permitiu a entrada da mulher. Ao chegar à sala ficou surpreso ao ver que a mulher que queria lhe falar era a assistente pessoal de Norman Osborn.
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