Do Singular Ao Plural
17 Faça desse drama
Notas iniciais
Mas quero agradecer a recomendação da JuhTwi, que deu energia pra insistir.
Bem, taí o capítulo, espero que esteja bom.
As músicas do capítulo são essas http://www.youtube.com/watch?v=eJSN_zqAwHQ ( o nome do capítulo vem dessa música)
http://www.youtube.com/watch?v=fxZL0LIxK-Y
Acho que elas têm a ver com o contexto.
Durante o restante do final de semana, Pepper afirmou a Tony que estava bem, que ele podia voltar a trabalhar, mas ele se recusava. Disse que ficaria com ela e ficou. Passaram o domingo juntos na praia, numa área privada próximo à mansão. Ambos precisavam de sol depois de tantos dias enfurnados em casa de casa. Foram dias agradáveis, mas, secretamente, Tony ainda estranhava a ‘superação’ repentina de Pepper.
Acordaram praticamente juntos na segunda-feira, enquanto Pepper foi tomar banho, Tony apenas lavou o rosto e escovou os dentes, depois desceu em direção à cozinha. Ao arrumar-se, ela optou por um tailleur branco e scarpins pretos, fez uma maquiagem leve, e prendeu os cabelos num coque lateral. Quando chegou à cozinha, Tony terminava de preparar ovos mexidos com bacon e o cheiro era bom. Tony Stark nunca foi um homem da cozinha, mas ele tentava, e com o passar do tempo já fazia mais do que macarrão com queijo. Havia dois pratos sobre o balcão e copos com suco.
—Com fome?— ele perguntou depois de receber um beijo casto.
—Não muita— ela torceu o nariz.
—Mas você precisa...
—Eu sei que eu preciso comer, Tony, você me diz isso há dias. —emburrada, sentou-se à bancada.
—Já que você sabe, então coma. — colocou os ovos mexidos no prato dela, serviu-se e então sentou também.
Comeram sem conversar e depois Pepper foi escovar os dentes, pegar sua bolsa e outras coisas que costumava levar ao trabalho.
—Pareço bem?— perguntou ao voltar à cozinha.
—Está linda.— afirmou.
—Não foi essa a pergunta que eu fiz. Quero saber se não estou com cara de derrotada ou de doente? — disse impaciente.
—Não, meu amor, você parece muito forte, só...
—Só...?
—Acho que você está meio neurótica com isso de parecer bem. Ninguém espera que você esteja bronzeada e de bom humor.
—Todo mundo espera que eu esteja chorando pelos cantos, eu sei. O mais engraçado é que todos os dias que eu estava derrubada você implorava para eu levantar, agora que eu estou em pé...
—Você está desvirtuando as coisas, eu não pedi pra você levantar e correr pro trabalho, essa sua neura de querer parecer bem só mostra que você não está bem.— ele disse.
—Eu preciso ocupar a minha mente e me sentir útil. — disse alterada.
—Você quer trabalhar? Tem um escritório enorme aqui em casa, com sistema interligado a empresa...
—Não consigo mais ficar em casa— ela o cortou —Estou me sentindo acuada, posso estar em pé ou deitada e me sinto vigiada, a cada hora você me pergunta se eu estou bem...
—O problema sou eu, claro.— não mostrou muita surpresa —Eu já tinha percebido, afinal, você não foi muito sutil ao me afastar o final de semana todo. Num dia estávamos bem e noutro você quase me enfiou numa armadura.— mostrou-se ressentido.
—Eu só quero que você também volte para as suas coisas, Tony, preocupe-se com outra coisa. Você não foi ao seu compromisso na Flórida e, com certeza, até agora não deu uma satisfação aos seus superiores...
—Eu não tenho superiores.
—Que seja— ela disse —A única coisa que você tem feito é ficar na minha órbita me dizendo o que fazer. Eu me levantei quando estava pronta para levantar, eu vou comer quando eu tiver vontade de comer e vou sair porque eu preciso sair. Isso é tão difícil de entender? — mostrou-se exaltada.
—Tenha um bom dia. — fechou a cara e deixava a cozinha.
—Tony? — chamou ao vê-lo se afastar.
—Você deve estar atrasada. — disse sem olhar para trás.
Não adiantaria ir atrás dele, e ela sabia disso, suspirou derrotada, aquela instabilidade a irritava também, perguntava-se por quanto tempo isso ainda duraria. Deixou a mansão e ao chegar à empresa, Pepper teve que lidar com o olhar de pena dos funcionários, sabia que seria assim, era inevitável. Continuou o seu caminho até trombar com Hogan enquanto ele interpelava os funcionários sobre seus crachás.
—Hey, Sra Stark. — sorriu ao vê-la —Não achei que a veria tão cedo.
—Gosto de surpreender— ela replicou.
—Que bom que você já voltou— a acompanhava pelo hall em direção à sala da presidência, a companhia de Hogan fez com que outras pessoas não se aproximassem de Pepper —Bem, tenha um bom dia. — ele disse cordialmente.
—Pra você também, Happy. — ela sorriu.
—Se precisar de qualquer coisa é só pedir. — disse antes de deixá-la.
Pepper mal havia se instalado em sua sala, e ouviu batidas na porta —Chefe, posso entrar? — Lorelai perguntou.
—Claro— Pepper autorizou, e ao entrar na sala a garota fez as mesmas observações de Hogan, então ela teve a certeza de que ouviria aquilo o dia todo, mesmo assim respondeu —O Sr Gilmore já começou a mudança?— ela mudou de assunto na primeira oportunidade.
—Que mudança?— Lorelai aparentemente não sabia de nada.
Pepper chamou Gilmore em sua sala e conversou alguns minutos com ele —Mas você já devia estar instalado na sala ao lado, Richard, não precisava adiar isso por causa da minha breve licença.— ela observou, Gilmore havia ficado desconfortável com a mudança após os acontecimentos com Pepper —Vamos logo formalizar isso, vou pedir à Lorelai que redija um memorando para ser entregue no RH, por falar nisso, você deve abrir a vaga para assistente. — disse decidida.
—Tudo bem Sra Stark, é você quem manda. — ele sorriu —Emily vai gostar de saber que você está bem, tive que segurá-la pra ela não ir à sua casa. — Gilmore informou.
—Diga a ela que apareça quando quiser, em casa ou aqui. — disse Pepper.
—Eu vou dizer— Richard sorriu e deixou a sala.
(...)
Tony estacionou o seu Audi no Complexo Hospitalar da Base Aérea de Malibu por volta das duas da tarde, pegou a maleta com as doses do soro no banco de trás e deixou o veículo.
—Tony?— uma voz feminina o chamou, ao voltar a sua atenção viu uma oficial da força aérea, estreitou os olhos —Sou eu, Carolina.
—Tenente Castro, não a reconheci. — ele disse —Uau, você fica diferente fardada.
—Pois é. Maquiagem básica e cabelo preso. — ela sorriu sem graça —A sua esposa está bem? Aliás, vocês estão? Não deve ser fácil passar por isso.
—Estamos— respondeu —Bem, tenho que ver alguns soldados.
—Eu sei. — ela disse, antes de entrar em seu carro.
—Diga ao Rhodey que eu...uh...que eu mandei um alô.
—Direi.— ela disse e arrancou com seu carro.
Tony foi direto para a ala de recuperação dos soldados tratados com o Brave, o Dr Ross estava monitorando os pacientes, havia menos soldados do que na última vez que estivera no local.
—Onde estão os outros? — Tony perguntou.
—Alguns tiveram alta, outros estão na fisioterapia. Estamos só eu e o Eric aqui, não é cara? — o paciente piscou duas vezes para o Dr.
—Quando ele abriu os olhos? — Tony perguntou boquiaberto.
Eric era o oficial em coma no início do tratamento. Ele havia sido desacreditado por todos os médicos, mas Tony acreditava que seu quadro era reversível, não podia desistir de alguém tão jovem. Eric tinha apenas 24 anos e mesmo que não voltasse a defender o país tinha toda uma vida pela frente. Além disso, tinha a certeza de que alguém queria vê-lo de pé, apesar do estado de coma, sua aparência era impecável, alguém sempre aparava-lhe os cabelos e fazia-lhe a barba.
—Faz três dias. A capacidade neurológica dele está em 60%, tenho certeza que logo ele recobra os movimentos e a fala. — O Dr Ross forneceu alguns relatórios a Tony depois o acompanhou a outra ala do hospital para selecionarem novos voluntários —Sinto muito pelo o que houve com a sua esposa. — disse Douglas depois de quase duas horas na companhia de Tony —A ida a Florida foi adiada assim que soubemos. — informou.
Tony sorriu a acenou com a cabeça —Volto para ver os pacientes na sexta.
Logo estava em seu carro, agradecendo por não ter encontrado com Bethany Cabe. Estava feliz com os resultados do tratamento com o Brave, tão feliz que sua mente começou a divagar quanto a expansão do projeto. Saiu do complexo hospitalar e foi até a base, precisava conversar com Rhodes, não podia ficar ressentido por tanto tempo com o seu único amigo de verdade.
—Ei, Rhodey. — disse entrando na sala do amigo.
—Bater na porta seria interessante. — Rhodes disse ao levantar-se.
—A gente não precisa dessas formalidades.
—Ah, não? — Rhodes arqueou uma sobrancelha —Já esqueceu do que você me disse na sua casa?
—Não, não esqueci, inclusive vim pedir...err...desculpa por aquele dia.
—Tony Stark pedindo desculpa, eu devia ter gravado isso. — pegou o celular sobre a mesa e mirou para Tony —Repete, por favor? — ele riu.
—Deixa de ser cretino. — tomou o aparelho das mãos do amigo e recebeu um abraço.
—Eu entendi você— Rhodes o soltou —Pela primeira vez eu entendi você.
—Não era um momento fácil, se eu tivesse poder, jamais teria deixado que ela passasse por isso... — Tony perdeu as palavras.
—Desculpa por não te ouvido quando você precisava, é que são anos ouvindo as merdas que você faz e dando conselhos que você nunca ouviu.
—Ei, vamos com calma, eu também já te aconselhei._ ele o cortou.
—Mesmo? Não me lembro.
—Eu também não, mas devo ter te aconselhado pelo menos uma vez. — deu um sorriso de canto.
—Conselhos do tipo ‘Rhodey, você tem que ser menos careta’ não valem. — Rhodes disse fazendo-o rir —E como vocês estão? Tentei entrar em contato, mas você me ignorava— disse depois de algum tempo.
—Superando, a Pep fez questão de voltar ao trabalho, eu voltei ao trabalho...com o tempo as coisas vão voltar aos eixos.
—Vocês vão tentar novamente?
—Provavelmente, é o que ela quer, e eu descobri que é o que eu quero, por mais que o fato de ser responsável por alguém tão pequeno me aterrorize. Mas, tenho que deixar um Stark no mundo.
—Duvido que não haja pelo menos meia dúzia de Stark espalhados pelo mundo. — Rhodes provocou.
—Eu era promíscuo, mas nunca fui idiota, Rhodey.
—Tenho certeza que você tremeu na base quando a Maya apareceu na sua porta. Confessa. A possibilidade de um herdeiro foi a primeira coisa que passou pela sua cabeça.
—Err... — fez uma careta.
—Sabia! — Rhodes deu um soquinho no ombro de Tony.
—Eu vou embora— disse ao olhar o relógio.
—Também estou indo, vou passar na Carol, não a vi o final de semana todo.
—Eu a vi no hospital da base. — Tony comentou —Quase não a reconheci fardada, mas ela é linda mesmo de uniforme, curvas incríveis, você se deu muito bem.
—Eu sei, mas não precisa enfatizar os atributos da minha namorada. Incrível que mesmo comprometido você não deixa de ser Tony Stark. Talvez a Pepper deva saber disso.
—Não precisa ter ciúme, foi só uma observação, estou comprometido, mas não sou cego, no entanto, não troco a minha mulher por nenhuma — deixavam a base —Precisamos marcar um jantar, assim que eu sentir que a Pep está mesmo bem.
—Como assim? — questionou Rhodes.
—Ela parece meio bipolar, uma hora ela me ama e me quer perto, na outra ela me odeia e me afasta. Tem sido assim o tempo todo, mas sei que é só uma fase e eu preciso ter paciência.
—Por mais que você sofra a perda, pra ela é mais difícil era ela quem tinha conexão com o bebê, dê tempo ao tempo. — Rhodes disse, no fundo Tony tinha a consciência disso, por isso evitou discutir com ela pela manhã.
Despediram-se e cada um entrou em seu carro e seguiu o seu rumo. Tony chegou em casa por volta das 18h, com certeza Pepper já havia chegado, estava ansioso para saber como havia sido o dia dela, já que o dele foi bastante proveitoso. A bolsa e a pasta dela estavam sobre o sofá na sala. Como não a viu ali ou na cozinha foi em direção à suíte. Tropeçou nos sapatos dela ao entrar no cômodo escuro e praguejou, antes de acionar o sistema de iluminação. Pepper havia apenas tirado o blazer estava deitada, algo estava errado, ele sabia disso.
—Amor? — chamou debruçando sobre ela —O que houve? — afastou os fios de cabelo do rosto dela e viu que ela chorava ou talvez tivesse chorado.
—Estava indo tudo tão bem... — ela fungou —Mas na hora que eu saí eles estavam lá.
—Quem estava?
—Os jornalistas. Insinuando que foi tudo armado, me fazendo as perguntas mais absurdas. Porque eles simplesmente não acreditam, porque eles não me deixam em paz? Eu perdi o meu bebê, ainda dói. Como eles podem ser tão cruéis? — falava entre soluços —Odeio todos os jornalistas.
—É meio irônico visto que a sua melhor amiga é jornalista.
—Menos ela. — Pepper sentou.
—Sabia que assim que você colocasse os pés na empresa horas depois haveria uma porção de repórteres lá, devia ter falado pra você deixar o carro na garagem subterrânea. Evitaria isso.
—Eu não devia ter voltado para o trabalho.
—Claro que devia— afagou a bochecha dela —Você mesma falou que o dia correu bem, até a hora da saída. Amanhã vai ser diferente, eles não estarão lá, pode ter certeza.
—Porque você não me falou sobre a sua suspeita da imprensa aparecer na empresa? — o abraçou afundando o rosto na curva do pescoço dele.
—Porque eu não tive tempo, você estava muito determinada em sair de baixo das minhas asas.
—Tenho medo de ficar insuportável, e você me abandonar. Prometo deixar você cuidar de mim. Não vou mais reclamar. — ela disse
—É claro que você vai, mas vou cuidar de você mesmo que você não deixe. — sorriu e deu-lhe um beijo casto. —Tenho que te devolver uma coisa— ele levantou da cama e foi até o closet e pegou uma pequena caixa numa gaveta.
—O que é isso? — mostrou-se curiosa.
—Abra. — quando ela abriu a caixa viu a sua pulseira com outros dois pingentes além dos que já tinham.
—Torre Eiffel— ela disse passando o dedo pelo novo pingente —Lua de mel em Paris?— Tony assentiu —E o símbolo do infinito?
—Não pensei em nada melhor para simbolizar o nosso relacionamento. Cada coisa marcante na nossa vida vai ganhar um pingente. — ele disse.
—Então, se nós tivermos um bebê... — ele a calou com um beijo.
—Quando nós tivermos um bebê, ele ou ela certamente terá um pingente.
—Você é tão perfeito, eu te amo tanto. — ela disse com os olhos cheios d’água e o beijou antes que ele pudesse responder. Foi um beijo longo, doce e carinhoso no início, tornando-se mais urgente e um tanto possessivo. Então afastaram-se ofegantes sem nunca desviarem seus olhos um do outro, e olhando-a fixamente, Tony sabia que Pepper não seria mais a mesma depois de tudo, mas ela jamais deixaria de ser a mulher que ele amava.
(...)
Na terça-feira, Pepper tinha consulta médica, mas antes disso teria todo um dia de trabalho pela frente. Ao chegar à sua sala encontrou sobre a mesa um arranjo com girassóis olhou o cartão e viu que era uma lembrança de Emily Gilmore. imediatamente ligou para agradecer, conversaram por alguns minutos e combinaram de almoçar juntas.
Por volta do meio dia Pepper foi até o Golfe Clube de Malibu, era um lugar incrivelmente arborizado e Emily havia elogiado muito o restaurante, e não ficava tão longe da empresa. Fazia calor, e antes de deixar seu carro, Pepper livrou-se do blazer, ficando apenas com seu vestido nude sem mangas. Ao chegar ao local marcado encontrou com Emily trajando uma roupa esportiva, nunca imaginou ver a Sra Gilmore em tais vestes.
—Fiquei feliz por ter aceitado o meu convite— Emily disse ao cumprimentar Pepper.
—Fiquei feliz por você ter me convidado— Pepper respondeu, sentaram-se a antes de pedirem a refeição Emily explicou o motivo do local, a Sra Gilmore participava de um torneio de golfe beneficente.
—Eu queria ter ido vê-la, mas Richard não achou prudente. — ela disse.
—Teria sido ótima a sua visita...bem...você sabia pelo que eu estava passando.
—Na verdade ele estava certo, num momento como este o que menos queremos e gente por perto. — Emily disse, ela compreendia Pepper por já ter vivido a mesma experiência que ela —Não é porque eu já vivi essa situação que eu seria uma boa companhia, experiências são diferentes para cada pessoa em cada fase da vida. Mas devo reconhecer que você tem uma força incrível, na primeira vez eu fiquei quase um mês remoendo a minha perda.
—Estou tentando ser forte, mas ainda dói. — Pepper falou.
—Eu sei, é uma ferida que demora para cicatrizar.
—Quando deixa de doer? — Pepper questionou.
—A dor ameniza e a ferida cicatriza. Muita gente acredita que ter outro filho ajuda, não é assim, eu só consegui engravidar novamente quando eu parei de tentar preencher o vazio que ficou em mim depois da perda, você não pode encarar como uma substituição, porque não é.
Conversaram por mais algum tempo, até que o almoço foi servido, logo em seguida Pepper voltou para a empresa. Ao aceitar o convite, não imaginava o quanto precisava dessa conversa com Emily, por mais que dissesse a Tony como se sentia ou conversasse com suas amigas ninguém havia passado pelo que ela passou. Apenas Emily. Desde que Pepper a conheceu nutriu uma simpatia por ela, apesar de sua sinceridade excessiva, viu-se diante de uma mulher transparente. Inconscientemente, Emily Gilmore despertava em Pepper uma referência materna que há tempos ela não tinha.
(...)
Ao chegar à clinica Pepper tinha a certeza que depois daquela consulta não voltaria a pisar no consultório da Dra Eva por muito tempo. Quando casou com Tony, começou a divagar sobre a possibilidade de viver uma vida normal. Na pratica o home de ferro já não existia mais, mas meses depois deparou com uma gravidez inesperada, a volta do super-herói, e a perda do bebê. Talvez um filho não fizesse parte da realidade dela, passou o dia nutrindo tal pensamento.
Já no consultório da Dra realizou alguns exames e ouviu que seu estado era ótimo, no que dizia respeito ao físico. Seu emocional ainda estava uma bagunça. Sentada diante de sua médica ouvia as últimas recomendações.
—70% das minhas pacientes que sofreram aborto engravidaram novamente em até seis meses, só não é recomendável engravidar logo em seguida, você deve esperar pelo menos dois ciclos. — informou a Dra —Enquanto isso você deve escolher um novo método contraceptivo que você melhor se adapte. — a Dra apresentou à Pepper alguns métodos até que ela escolheu, então recebeu instruções de como de como utilizá-lo.
Minutos depois Pepper deixava o consultório da Dra Eva e acabou cruzando com o Dr Chase num dos corredores da clínica, trocaram algumas palavras e Robert acabou a convidado para um café, já que não teria nenhum paciente em menos de 30min. Foram até a cafeteria da clinica, ela pediu um suco de frutas e um croissant, ele pediu apenas um café.
—A única coisa que me provocou enjoo nos últimos meses foi justamente café, e agora eu não sinto nada. — Pepper observou, o aroma de café que dominava o local entrava por suas narinas e ela não manifestava mais nenhum desconforto —A Dra Eva dizia que a minha gravidez era muito tranquila — esboçou um sorriso —É irônico algo que te transforma ser tão tranquilo.
—Em breve você vai tentar novamente, e verá que não será nada tranquilo. — ele levou a mão sobre a dela e afagou-lhe os dedos.
—Tentar— ela suspirou —Acho que eu não quero mais, porque eu não tenho certeza de que isso seja pra mim, na verdade, o meu medo é de fracassar novamente.
—Você não fracassou, Ginny, não era algo que você poderia evitar, por isso se chama fatalidade. Agora, abrir mão de algo que você quer por medo é uma forma de fracasso. — ele pegou a mão dela que acariciava e levou aos seus lábios plantando um beijo nos dedos dela —Você pode estar pensando nisso agora, mas sei que você não vai desistir. A Virginia que eu conheci jamais desistiria, era um tanto hesitante, mas nunca desistiu. Ela casou-se com o homem que ama, é extremamente doce, mas surpreende a todos ao usar um vestido de couro supersexy— Pepper riu da observação —A questão é: a Virginia que eu conheci ainda existe?
Pepper não respondeu a pergunta de Chase, não era algo que pudesse responder imediatamente, no fundo não era algo que ele quisesse saber, mas sabia que a pergunta que fizera a faria pensar. Despediu-se de Robert e durante todo o caminho até em casa, ela pensou. E, durante o banho, pensou um pouco mais. Havia sido tantas num curtíssimo espaço de tempo, que qualquer um se surpreenderia. Mas a essência permanecia. Pepper sonhou, sorriu, caiu e chorou, era hora de levantar, voltar a lutar, mesmo que ainda não soubesse pelo o que lutar.
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