Do Singular Ao Plural
6 Erva daninha
Notas iniciais
Não consegui segurar esse capítulo até quinta, não vou falar muito sobre o que vai acontecer nele.
A música do capítulo é essa: http://www.youtube.com/watch?v=LxC7luOOBBc Se vcs ouvirem antes ou depois de ler acho que entenderão o motivo.
Vamos ao que interessa.
Quando Tony e Pepper chegaram à oficina o local estava um breu completo. Sem que ele precisasse dizer nada a escuridão deu lugar à luz, ela correu o olhar pelo lugar que parecia mais amplo do que anteriormente.
—Jarvis, acordado?
—Sempre, Sr.— Jarvis respondeu.
—Sempre de hoje em diante, não me deixe mais na mão, amigo.
—Não era minha intenção deixá-lo, Sr, mas...
—Deixa pra lá, Jarvis, já demos um jeito nisso. Tem alguém aqui com saudades de você.— ele disse.
—Boa tarde, Sra Stark.
—Como ele sabe...?
—Acabei de contar pra ele.— Tony respondeu.
—Que saudades, Jarvis.— Pepper sorriu.
—Devo dizer que meu sistema de reconhecimento também sentiu falta das ondas sonoras produzidas pela Sra.
—Isso é saudade, Jarvis.— Tony observou.
—Não creio que seja capaz de tal sentimento, Sr.
—Você é mais capaz do que muita gente por aí, Jarvis.— disse Pepper.
—Fico contente em saber, Sra Stark.
—Jarvis, acesse o meu servidor pessoal e fique a par de tudo o que eu fiz durante as suas ‘férias’, temos muito trabalho a fazer.— disse Tony.
—Você vai transformar a oficina num laboratório mesmo?— Pepper perguntou.
—A principio.— Tony respondeu.
—Sabe, por maior que seja esse lugar ainda me pergunto: De onde surgiram todas aquelas armaduras?
—Porque não mostra a ela, Sr?
—Você quer ver?— ele perguntou e ela assentiu. —Nós vamos descer, Jarvis, quando a Sra Stark digitar o código de acesso faça o cadastramento biométrico dela.— ao entrarem no elevador Pepper estranhou, não havia nenhum andar abaixo do que eles estavam, não que ela soubesse pelo menos. Tony disse um código pra que ela digitasse e logo o começaram a descer, chegaram ao subsolo, uma espécie de bunker. —Aqui é ou era minha colmeia.— ele disse quando a porta do elevador se abriu —Eu trabalhava enquanto você dormia e guardava as armaduras aqui.
Pepper olhou em volta e viu que as estruturas que acomodavam as armaduras, agora eram dezenas de lacunas. Sentiu os olhos lacrimejarem, e tentou conter uma lágrima teimosa que escorreu por sua face.
—Me desculpa?— ela pediu e ele não entendeu o motivo —Me desculpa por fazer você desistir, não era isso o que eu queria. Eu só queria que você entendesse que não era saudável a sua fixação em aprimorar as armaduras, mas elas faziam parte de você...você é um herói não um cientista.
—Pep.— usou o polegar para enxugar a lágrima dela —Eu não desisti de nada eu só dei um tempo nisso de ser um super-herói. Você me disse há alguns minutos que eu posso ser o que eu quiser, não disse?— ela concordou —Agora eu quero ser um cientista. Continuar salvando vidas só que de outra maneira, e ter tempo pra me dedicar a você, dormir e acordar com você.
—Eu amo dormir e acordar ao seu lado. Mas eu não quero que você deixe de ser quem é por mim, e você é o homem de ferro.
—Eu sei disso, meu amor. Daqui algum tempo estarei voando por aí com um míssil nas costas e te deixando aflita novamente.
—Nem brinca.— o abraçou afundando o rosto em seu peito.
—Não é isso que você quer, o herói de volta?— a acolheu em seus braços.
—O herói, não o suicida.— levantou a cabeça para olhá-lo.
—Você é a mulher mais confusa do mundo.— beijou a ponta do nariz dela.
—Se você tivesse um recibo já teria me devolvido?— ela murmurou.
—Jamais!— ele a apertou mais contra seu corpo e Pepper gemeu incomodada —O que foi, machuquei você?— perguntou ao soltá-la.
—Não é só...meus seios estão um pouco sensíveis, prelúdio daquela época chata do mês.— sem graça, ela torceu o nariz.
—Por isso a oscilação de humor.— beijou a testa dela —Teve uma hora durante a mudança que eu achei que você iria me bater.
—Na hora de trocar as persianas?
—Tinha esquecido isso das persianas, foram duas vezes então.— ele riu —Vamos subir, está com fome?
—Um pouco.— ela respondeu.
—Estou com muita fome, estrearemos a cozinha nova ou vamos jantar fora?
—Vamos estrear a cozinha nova.— disse animada.
—Está sorrindo por quê? É você quem vai cozinhar.— a segurou pela cintura a guiando para o elevador.
—Eu não te contei a novidade, né?— ela disse ao saírem do elevador na sala.
—Que novidade?
—A Lauren está de volta à Califórnia.
—Napa Valley?
—Como você sabe?
—A família do marido dela é produtora de vinho, é meio óbvio, Pep.— ele disse —Ou então você diria: A Lauren está de volta a Malibu.
—Tanto faz.— ela deu de ombros —Amor, acho que quero comer frango xadrez.
—Dá um trabalhão pra fazer, vai demorar pra ficar pront...
—A gente pode pedir.— ela o cortou.
—E assim você não precisa cozinhar, é impressionante o seu dom de fugir.
—Por favor?— ela fez bico.
—Detesto quando você faz essa cara.— fingia irritação.
—Eu sei que você não resite ao meu charme.— ela piscou —Vou ligar pro restaurante, depois vou tomar um banho, você recebe, tá?— caminhou para longe saindo do seu campo de visão. Depois de algum tempo, Pepper já estava de banho tomado, vestia um baby doll confortável e chinelos, encontrou Tony na cozinha. —Você nem me esperou?— disse emburrada.
—Você demorou, eu disse que estava com fome— ele justificou, ela não disse nada, pegou a caixinha do restaurante os hashis e começou a comer também —Vai ficar emburrada porque eu não te esperei pra jantar?
—Não estou emburrada.— disse com cara amarrada.
Preferiu não debater, o humor de Pepper era uma montanha russa por natureza e ficava ainda pior dependendo da época do mês. Jantaram. Passava das nove da noite quando subiram para o quarto, ela escovou os dentes enquanto ele tomava banho. Quando Tony saiu do chuveiro, Pepper já estava na cama, ele vestiu a calça do pijama e deitou-se. Ela o sentiu distante, chegou o corpo próximo ao dele, pegou seu braço e envolveu a própria cintura. Ele beijou-lhe os cabelos.
—Eu gosto de dormir assim.— ele murmurou.
—Eu sei.— afagou a mão dele sobre seu ventre.
Ao acordar na manhã de domingo procurou por Pepper na cama e não a encontrou. —Jarvis, que horas são?— perguntou esfregando os olhos.
—São exatamente 08h52min, Sr.— respondeu —A Sra Stark deixou a mansão há exatamente 49min.— complementou.
Estranhou não perceber a ausência dela antes ou ouvi-la se arrumar e sair, ela não tinha falado sobre nenhum compromisso. Levantou, fez a sua higiene pessoal, vestiu uma regata e desceu até o laboratório, fez uma lista do que precisaria trazer da empresa para que pudesse começar a trabalhar em casa, depois subiu para a cozinha. Pepper havia deixado as coisas do café sobre a bancada. Quando ele terminava a refeição ela surgiu, trajava um short preto de tecido leve próprio para praticar exercícios, uma camiseta branca folgada caindo sobre um ombro exibindo um top preto, e tênis de corrida, tinha os cabelos presos num rabo de cavalo.
—Bom dia.— ele disse.
—Bom dia.— foi até ele e lhe deu um beijo casto —Acordei de mau humor e decidi sair.— ela explicou, ele diria que ela já foi dormir de mau humor, mas não era necessário, no fundo ela sabia disso —Fui correr, ver o mar, o dia está lindo, podíamos almoçar fora hoje.— ela disse ao pegar algumas uvas que ele comia.
—Acho ótimo.— concordou —Depois irei à empresa, tenho que começar a trazer os meus materiais pra cá.
—Posso ir com você?
—Pode— deu de ombros —Se você está disposta.
—Foi ótimo liberar endorfina nessa última hora, o desconforto que eu estava sentindo ontem passou. Estou muito disposta.
—Relaxada?— perguntou reparando no brilho que o suor do exercício físico dava a pele dela, as sardas estavam mais evidentes pela exposição ao sol.
—Muito.— ela tirou a camiseta e passou lentamente pelo colo e pescoço —E precisando de um banho.
—Quer companhia?— questionou malicioso.
—Não.— deu-lhe um beijo suave e se afastou, Tony não insistiu, continuou sentado onde estava —Amor?— ela voltou à cozinha.
—O que foi?
—Você já foi mais insistente.— fez sinal com o dedo chamando por ele.
—E você já foi menos dúbia.— ele se aproximou e a tomou num beijo —Se a sua intenção é me deixar maluco está no caminho certo.
—A minha intenção agora é tomar um banho, e preciso de você para esfregar as minhas costas.— envolveu a camiseta ao redor do pescoço dele puxando-o em direção à escada.
(...)
Na segunda-feira Tony terminou a mudança de seu laboratório da empresa para a mansão, Pepper tentava disfarçar, mas estava triste com o fato de não poder mais vê-lo a hora que bem quisesse durante o dia, porém, sempre soube que quando ele tivesse o seu canto na mansão de volta ele não ficaria mais na Stark.
Assim que instalou todos os equipamentos necessários no novo laboratório, Tony enviou um comunicado ao secretário de defesa, que respondeu dizendo que enviaria Bethany Cabe para supervisionar as instalações, e logo que ela retornasse seu primeiro relatório ele poderia começar a produção das doses do Brave, no dia seguinte ela estaria lá.
Na terça-feira, Pepper acordou indisposta, mesmo assim, seguiu o seu ritual normal, e minutos depois de levantar estava pronta. Escolheu uma calça social preta com corte reto, uma blusa de seda champanhe que formava um laço frontal no pescoço, e scarpins pretos, prendeu os cabelos num coque e fez uma maquiagem básica ressaltando os lábios. Pegou as suas coisas e encontrou com Tony na cozinha, deu-lhe apenas um beijo rápido.
—Gostei da roupa.— ele disse, ela agradeceu —Não vai tomar café?
—Eu tenho uma reunião em 45min, se parar pra tomar café chego atrasada, peço pra Lorelai buscar algo pra eu comer na cafeteria perto da empresa.— caminhava em direção a porta —É hoje que o representante do governo vem inspecionar seu laboratório?
—Eu comentei sobre isso com você?— ele foi ao encontro dela.
—Por alto.— respondeu no limiar da porta principal —Deduzi que fosse hoje porque você acordou primeiro e foi direto ao laboratório. Não precisa se preocupar, dá pra realizar uma cirurgia naquele lugar de tão bem aparelhado.— ela observou —Mesmo assim boa sorte, vejo você ao entardecer.— recebeu um beijo suave nos lábios.
Indústrias Stark
Pepper chegou à empresa e foi direto para a sala de reuniões, ela e os acionistas debateriam as propostas feitas por uma empresa do ramo energético que queria investimento da Stark em troca de participação nos lucros, embora, tipo de energia produzida pela empresa não fosse o mesmo, parecia interessante fazer alianças.
A reunião se estendeu por horas e ao final não entraram num consenso. Sugeriram que os advogados da Stark investigassem as verdadeiras condições da empresa interessada antes de dar continuidade ao negócio. Passava do meio dia quando Pepper dispensou os acionistas. Recebeu um convite para almoçar ao lado de Richard e Lorelai Gilmore, prontamente aceitou. Durante o almoço, participava pouco da conversa, o que provocou estranheza em Lorelai. Logo terminaram a refeição voltaram para a empresa.
—Você está bem?— Lorelai perguntou ao entrar na sala de Pepper —Quase não se pronunciou na reunião. Esteve estranha durante o almoço, nem tocou direito na comida.— observou.
—Estou com uma cólica insuportável, meu período nunca foi um mar de rosas, mas esse mês está surpreendentemente desagradável, e é só o segundo dia.— suspirou —Mas já passa.
—Quer que eu vá ao ambulatório buscar um remédio pra dor?
—Você faria isso?— Pepper perguntou.
—Claro, volto já.— Lorelai deixou a sala.
A assistente não demorou a voltar com o comprimido, buscou também um copo d’água, Pepper ingeriu o remédio desejando que o afeito do medicamento fosse rápido. Uma hora se passou e o mal-estar persistia, então decidiu voltar pra casa. Sabia que nada de relevante aconteceria na empresa durante a tarde, mesmo assim pediu que Richard ficasse em seu lugar e tomasse as rédeas caso algo acontecesse.
Mansão Stark
Era quase três da tarde, Tony estava entediado a espera de Bethany, decidiu criar algo para passar o tempo, desceu até o local onde antes guardava as armaduras, talvez ali fosse o melhor lugar para montar uma nova oficina, e não misturar ciência e tecnologia. Embora ambas andassem juntas quando se tratava dele. Abriu um servidor em seu sistema de dados e começou a trabalhar em seu novo projeto.
Pepper chegou à mansão, meia hora depois de deixar a empresa, não viu Tony pela casa, concluiu que ele estivesse em seu laboratório, preferiu não avisar que estava em casa, ele ficaria preocupado à toa. Subiu para o quarto, tomou um banho vestiu roupas confortáveis e deitou em sua cama, sabia que ficar em repouso com as luzes apagadas seria mais eficaz do que o remédio que ela havia tomado.
Tony manuseava as suas ferramentas, quando a voz de Jarvis ecoou na oficina —A agente pela qual o Sr aguarda, encontra-se na sala.— Tony abandonou o seu projeto, limpou as mãos numa flanela e caminhava para o elevador —O Sr não nomeou o projeto ao salvá-lo no servidor, posso criar um nome aleatório?— Jarvis perguntou.
—Nomeie como...Mark 1.0, não consigo pensar em nada melhor agora.— respondeu.
Tony saiu do elevador no laboratório, depois subiu as escadas em direção à sala, deu de cara com Bethany Cabe sentada ao seu sofá, parecia confortável. Ao vê-lo ela se levantou, alisou as mãos pelos quadris ajeitando a saia lápis cinza que vestia, usava uma camisa num tom azul-claro, e scarpins pretos altíssimos, seus cabelos vermelhos estavam soltos.
—Boa tarde.— ela disse —Eu não quero parecer inconveniente, só me sentei por que o seu mordomo virtual disse que você estava ocupado e que eu poderia aguardar.
—Imagina.— ele se aproximou dela —Então, você deseja algo antes de começar a sua inspeção, um copo d’água, suco, um café?
—Não, estou bem.
—Que ótimo, porque não tem nada disso, quer dizer, só água.
Bethany sorriu baixando a cabeça, ao olhar para ele novamente afastou a franja dos olhos —Você está mais velho, mas seu humor continua o mesmo.
—Velho?
—Mais maduro, eu diria, mas você não me ofereceu algo que há alguns anos você com certeza me ofereceria— Tony a olhou desconfiado —Uma dose de uísque ou qualquer outra bebida destilada.— ela disse.
—Posso te servir o uísque, mas depois que você fizer o seu relatório, vai que você fica confusa, nem todo mundo tem boa tolerância ao álcool.
—Eu sei disso.— pegou a pasta que trazia consigo e deu um passo mais próximo dele.
—Chega de enrolação, vamos ao que interessa, por aqui.— disse apontando a direção que ele deveria seguir.
No laboratório, Bethany analisava as instalações, vez ou outra fazia perguntas, prontamente respondidas, e anotava as informações num aparelho eletrônico, no entanto, fazia observações positivas, Tony sabia disso, pois rackeava o dispositivo.
—O secretário de defesa está recebendo as informações em tempo real.— ela informou, Tony aquiesceu.
—Quer estabelecer uma vídeo conferência?
—Não é necessário.— continuou com as suas observações e anotações, depois de quase meia hora encerrou o relatório.
—Pronto?— Tony perguntou visivelmente impaciente, com as mãos apoiadas à mesa de projetos, sobre o móvel ainda havia algumas variedades de plantas usadas durante a pesquisa.
—Sim, você tem o respaldo para continuar.— ela respondeu da outra extremidade.
—Não tinha dúvida disso.— ele se gabou.
—Sempre presunçoso.— ela murmurou —Por que essa mudança brusca de ramo de atuação?— perguntou caminhando até ele.
—Não vejo como uma mudança brusca.— foi veemente —Continuarei salvando vidas e ajudando pessoas.— respondeu.
—Eu sei, é louvável o que você está fazendo, mas por que deixar de ser o homem de ferro? Eu sei que você é capaz de conciliar as duas coisas. O Major Carter disse que você deixou as missões por causa da sua mulher, é verdade?
—Pelo bem da minha relação, quero ter mais tempo para me dedicar a ela.
—É isso o que você almeja, uma vida pacata? Marido, esposa, filhos futuramente, passear com o cachorro, cuidar da grama. Nunca imaginei ver você se tornar um homem comum, você não nasceu pra ser comum, nasceu pra ser grande e pelo que parece essa mulher diminui você.— destilou o seu veneno.
—Não ouse insinuar nada sobre a minha esposa, você não sabe o quão grande ela me fez.— disse em tom exaltado.
—Você...a ama, mesmo?— Cabe perguntou.
—Mais do que a mim, daria a minha vida por ela.— foi enfático.
Cabe baixou a cabeça absorvendo as palavras dele, há muitos anos durante o seu relacionamento com Tony esperou o ouvir dizer isso dela, mas nunca conseguiu. A tensão sexual que tinham era avassaladora, uma conexão inegavelmente luxuriosa, nada além disso, principalmente da parte dele. Nunca conseguiu nem que ele assumisse a relação que tinham, sempre foi vista apenas como sua guarda-costas. Mais um de seus casos.
—Incrível, é isso mesmo que você está fazendo, abrindo mão da sua vida por ela.— disse sarcasticamente —Eu vi as matérias sobre a sua última missão, você salvou a vida do presidente, tem noção do seu prestígio? Eu acompanhava o que você fazia, era brilhante.
—Acompanhava o que eu fazia?— perguntou perplexo.
—Eu nunca deixei de me preocupar, acompanhava seus passos mesmo distante.— ela colocou uma mão sobre a dele —E ficava feliz em saber que você não voltaria a ser a pessoa destrutiva que você foi um dia.
—O nome disso é stalkear.— ele tirou a mão da dela.
—Zelo, eu diria.— ela replicou —Você tem ideia de como eu fiquei quando soube do seu sumiço no Afeganistão anos atrás? Mas você voltou, ressurgiu das cinzas, você é a Fênix, Anthony.
—Engraçado você surgir depois de 15 anos dizendo que sempre se preocupou comigo, no entanto me deixou quando eu mais precisava, no meio da minha pior fase de dependência.
—Você estava se destruindo, eu não podia ficar assistindo.— ela rebateu.
—A sua função era me proteger.— ele disse duramente.
—Eu era a chefe da sua segurança, a minha função era guardar a sua vida, te proteger de assassinos, ameaças externas, e não da sua personalidade autodestrutiva.— ela justificou —Eu te ajudei diversas vezes, fiquei ao seu lado, você parecia superar, mas sempre arrumava motivo pra uma recaída, mesmo que fosse um projeto malsucedido. Eu não podia ver você definhar, Anthony, não podia.— disse com a voz vacilante —Você sabia que eu havia vivido situação semelhante com o Alexander, eu estava entrando de cabeça em outra relação de codependência com você e nem me dava conta. Eu não podia deixar você me consumir.
—E então você foi embora.
—Eu não queria passar a minha vida me dedicando a você em troca de migalhas, a nossa relação durou meses, mas você só me procurava quando era conveniente. Se você me quisesse ao seu lado teria me pedido pra ficar.
—Você voltou para a Alemanha, para o seu marido foi viver a sua vida e eu continuei vivendo a minha. Fim.— disse firmemente.
—Você sabe que eu não te esqueci, quando eu voltei anos atrás, tentei me reaproximar, mas você...
—Eu sempre fui promíscuo, mas jamais aceitaria o que você me propôs.— ele a cortou —Chega, Bethany, acabou. Não foi você quem disse que não era pra deixarmos o passado atrapalhar o meu projeto?
—Se você quiser, eu posso dizer ao Carter que você prefere outra pessoa para te supervisionar.
—Para mim seria indiferente, mas acredito que até encontrarem alguém que eles confiem para te substituir eu não conseguirei dar continuidade ao meu projeto, prefiro que você não diga nada.
—Você quer que eu fique?— esboçou um sorriso.
—Já disse que é indiferente.— respondeu impassível —Com certeza acabamos aqui.— seguiu em direção à escada, sendo acompanhado por ela.
Ao chegarem ao andar superior Tony guiava Bethany em direção à saída, quando ela parou bruscamente. —Aceito aquele uísque agora.— deu um meio sorriso, Tony não escondeu o descontentamento —Vamos, Anthony, não seja malcriado.
—Não serei malcriado se você não for desagradável.— ele replicou.
—Prometo não ser.— cruzou os dedos indicadores nos lábios vermelhos em sinal de juramento —Uma dose de uísque e brindamos a nossa boa convivência, deixando o passado para trás.
Tony deu-se por vencido, caminharam até um canto na sala onde tinha montado um minibar, pegou dois copos e os preencheu com uísque, não perguntou se ela queria gelo em sua bebida, serviu como se estivesse servindo a si mesmo.
—Aqui.— ofereceu o copo a ela.
—Depois de anos e você ainda se lembra que eu prefiro puro?— ergueu um brinde.
Tony se lembrava bem das preferências e da forma dela agir, Bethany era diferente das demais mulheres, talvez, por viver num mundo dominado por homens, sabia ser muito rude, mas era extremamente feminina quando lhe convinha, além de ser muito bonita, o que era uma fator positivo, ninguém supunha que alguém tão bela e aparentemente frágil era tão boa em combate. Ele só não podia se deixar envolver por ela. Bebeu seu uísque de uma só vez, enquanto ela o fitava com seu olhar verde enigmático através da borda do copo a cada gole que sorvia.
—Desde a hora que eu entrei aqui, reparei na decoração, é sofisticado, mas o que me chamou atenção foram os porta-retratos sobre alguns móveis. É coisa dela, com certeza, você nunca foi um saudosista.— Bethany comentou.
—Não queira fazer esse tipo ‘Conheço tudo sobre Tony Stark’, Bethany Cabe, o Anthony que você conheceu não existe mais, eu sou outro, literalmente.
—A maioria das pessoas se encaixa bem nos padrões formais, mas não você, é desperdício de potencial.— tentava envolvê-lo.
—Você voltou a ser desagradável, é hora de ir embora.— ele tentou tirar o copo da mão dela, mas ela se esquivou e acabou derrubando o objeto.
Na suíte, Pepper havia despertado do seu breve cochilo, já se sentia melhor, mas ainda preferiu continuar deitada. O barulho do copo se espatifando no chão da sala fez com que se levantasse, em poucos segundos ela apontou na escada.
—Me desculpe.— Cabe disse a Tony que estava agachado diante dela para pegar os cacos de vidro —Me desculpe.
—Você já disse isso.— Tony disse irritado ao se levantar.
—Não estou falando com você, estou falando com ela.— Bethany apontou, quando Tony olhou, Pepper estava em pé atrás dele.
Notas finais
Primeiro encontro do nosso triangulo amoroso(?), vamos ver no que vai dar.
Quem quer dar uns tapas na Cabe? Podem formar a fila. Hahaha
Beijos, até qq dia ;)
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