Do Singular Ao Plural

7 Ironias do destino


Notas iniciais
Tava em dúvida quanto ao título pro capítulo, mas esse me parece o mais coerente dentre todos os que eu pensei. Quando chegar ao final dele vcs entenderão.

Tem muita informação aqui, e o capítulo está enorme, dsclp.

Bem, vamos a ele.

Tony viu-se entre as duas ruivas e não ousou dizer nada. Pepper apoiou uma das mãos na cintura e Bethany esboçava um meio sorriso. Era uma ironia do destino fazer com que elas se encontrassem tão cedo, Tony nunca conseguira driblá-lo quando tratava-se de omitir as coisas de Pepper.

Ao ver a outra ruiva na sala confraternizando com seu marido, Pepper simplesmente manteve a expressão cuidadosamente educada e impassível, não conseguia se obrigar a sorrir para a ‘visita’. Media a outra dos pés a cabeça, e percebia que ela fazia o mesmo, analisavam-se. Por um momento sentiu-se em desvantagem, seu cabelo provavelmente estava horrível, seu rosto cansado, vestia uma calça de malha, uma camiseta e tinha os pés descalços, enquanto a outra estava bem vestida e de saltos altíssimos, ainda assim, parecia mais baixa que ela. Logo a insegurança momentânea a abandonou, estava em seu território, aquele era seu marido, não era ela quem tinha que estar desconfortável e sim a outra.

—Suponho que você seja agente do governo?— Pepper perguntou.

—Correto.— Cabe passou por Tony e ficou frente a frente com Pepper —Bethany Camilla Cabe van Tilburg, muito prazer.— estendeu a mão para Pepper.

—Um nome bastante grande.— retribuía o sorriso irônico que não abandonava a face de Cabe.

—Problemas burocráticos, não tirei o nome do meu ex-marido ainda.

—Divorciada?— Pepper mostrou curiosidade.

—Viúva.— respondeu —Portanto me chame apenas de Bethany...Cabe.

—Virginia Potts.— disse enfim conseguindo soltar a sua mão.

—Stark?

—Como é?— Pepper perguntou.

—Seu nome, Virginia Potts Stark.— disse Cabe.

—Ah,...claro, mas eu não costumo sair por aí ostentando o nome do meu marido, por mais que ele esteja bem vivo.— olhou para Tony de soslaio —Me chame apenas de Virginia.

—Sra Stark é melhor, já que não temos intimidade.

—Que seja.

Tony não participava da conversa, na verdade, elas não deram brecha para que ele participasse, era um mero espectador do ‘duelo’ que se formou diante dele.

—Bem, acho que está na minha hora.— disse Cabe —Mais uma vez me desculpe pelo copo, Anthony.

—Não há problema.— ele disse.

—O que não falta em casa são copos iguais a esse.— Pepper completou.

—Geralmente as donas de casa ficam furiosas em ter seus itens destruídos por visitas.— Cabe alfinetou.

—Não sei, é?— Pepper perguntou —Não sou dona de casa.

—É que eu imaginei...

—Esse é o mal das pessoas, conclusões precipitadas.— Pepper a cortou —Eu não costumo estar em casa essa hora, eu tive uma indisposição e..., não vem ao caso agora.

—O que aconteceu, você está bem?— preocupado, Tony se aproximou dela e com a mão livre colocou seus cabelos atrás da orelha, parecia enfim escolher seu lado naquele confronto velado.

—Com certeza é hora de ir.— disse ao ver Tony acarinhar Pepper, como boa agente que era, sabia a hora de recuar —Anthony, retorno na próxima semana para acompanhar a produção das primeiras doses.— cordialmente despediu-se do casal, ele a acompanhou até a saída.

Quando Tony voltou a sua atenção para a sala, Pepper não estava mais lá, ele foi até a lixeira na área de serviço para livrar-se dos cacos de vidro. Sua mão possuía pequenos cortes já em fase de cicatrização, esteve tão tenso que acabou apertando os cacos na própria mão. Encontrou Pepper na varanda da sala.

—Amor,...— colocou as mãos nela, mas Pepper esquivou-se.

—Não me venha com amor, porque você não está contente em me ver em casa.— cruzou os braços.

—Na verdade estou preocupado, o que houve?— tentou se aproximar, mas ela recuou —Pepper?

—Não quero falar de mim, Tony, vamos falar sobre você e essa sua mania de me esconder as coisas. Quanto tempo você acha que levaria até eu encontrar com ela?— disse asperamente —Por isso você estava reticente sobre a sua reunião em Washington, não era?

—Era,...mas ela não é ninguém importante ela é só...

—Outro ex-caso. Ou então você não teria omitido.— seu tom era mais alto que o normal.

—Sim,...mas...

—Com ela foi diferente.— Pepper concluiu.

—Você acabou de falar sobre as conclusões precipitadas e agora está tirando as suas.

—Sua expressão de pânico enquanto conversávamos, você nem fez questão de nos apresentar, Tony. A maneira como ela me analisava, como uma concorrente em potencial.

—Não há concorrência alguma, você está imaginando coisas.

—Conte-me quem ela é, e deixe que eu conclua.— disse exaltada —Veremos se é coisa da minha cabeça ou não.— sentou-se numa espreguiçadeira.

Ele se sentou diante dela e iniciou a história sem titubear —Conheci a Bethany há uns 15 anos num desses jantares chatos que detesto ir, e me senti atraído por ela, acabamos deixando e evento antes do final e...

—Você foi você.— o cortou.

—Depois eu descobri que naquela noite ela estava no evento a trabalho, era guarda-costas de um dos empresários presente, mas estava a paisana. Só que como ela saiu do jantar comigo acabou sendo demitida, me senti culpado por isso, e acabei a contratando.

—Que bonzinho.— foi irônica.

—Eu não a contratei por caridade, Pepper, o Happy não era meu funcionário naquela época, eu realmente precisava de segurança, vivia de porre, sofria ameaças constantes, sempre tive um alvo na minha testa mesmo antes de ser o homem de ferro, você sabe disso.— disse impaciente —Bethany possuía conhecimento em diversas artes marciais e atirava super bem, era uma arma secreta camuflada num corpo bonito.— Pepper desviou o olhar do dele.

—Incrível como você nunca soube manter uma relação profissional.— evitava encará-lo.

—A minha história com ela já não tinha começado de forma convencional. Nos envolvemos, mas nunca denominamos o que tínhamos, pra mim sempre foi só sexo, nunca houve sentimento, além de desejo mútuo, até porque nós só nos entendíamos dessa forma, as nossas discussões seja por qual motivo fosse sempre acabavam em...bem.

—Quanto tempo durou essa relação explosiva?— perguntou abraçando as pernas junto ao corpo, a cada informação ela fechava-se mais.

—Seis meses, eu acho.— exasperado, passou a mão pelos cabelos, sentia que Pepper ficava mais distante a cada resposta —Era uma relação estritamente sexual, sem cobrança.

—Você a desejava?— perguntou vacilante, ele balançou a cabeça afirmativamente —Se envolveu com outras mulheres durante essa relação com ela?

—Com algumas, mas era sempre quando nos desentendíamos, nós vivíamos nos confrontando e às vezes nos afastávamos, mas quando nos encontrávamos nos rendíamos ao desejo, era como uma droga.

—Porque acabou?

—Ela achava que o marido estava morto e mudou-se para os Estados Unidos, mas depois de um tempo, descobriu que ele tinha sido sequestrado por uns traficantes, ele tinha inúmeras dividas. A ajudei a saldar as dívidas dele, então ela acabou voltando pra Alemanha, pra ele.

—Mas, ela disse que é viúva...

—Ele deve ter morrido, Pep, o cara era viciado em drogas pesadas, vai saber o que aconteceu depois.

—E então você nunca mais teve notícias dela até agora?

—Ela veio até mim em...2001 se não me engano.

—Eu já trabalhava pra você.— rapidamente fez as contas —O que ela queria?

—Retomar o nosso caso, mas ela queria ficar comigo e com o marido. Segundo ela, ele a amava e eu a desejava, e ela não podia abrir mão de nenhum de nós dois.— Pepper mostrou-se enojada —Não me olha assim, eu jamais aceitaria tal acordo, nunca me envolvi com mulheres casadas, pelo menos não que eu soubesse, nunca gostei de dividir nada.

—Se ela não tivesse sugerido isso, vocês reatariam?

—Possivelmente, nós tínhamos uma relação de codependência, foi difícil resistir a ela. Mas eu disse não, ela foi embora e eu nunca mais a vi. Foi isso.— ele finalizou.

—O que você sentiu quando a viu semana passada?

—Nada.— foi conciso.

—Não minta pra mim, Tony.

—Não senti nada, eu juro.— colocou as mãos nos joelhos dela.

—Mesmo que vocês não tenham definido qual era o seu grau de relacionamento, foi algo que marcou você e ela também. Desejo é algo inegável e, diferente de amor, pode reascender de uma hora pra outra por ser carnal. Eu não quero ter ciúme do seu passado porque eu não posso mudá-lo.— ela disse —Mas sei que ela vai fazer de tudo pra ter você novamente, nem que seja pra mostrar que ainda mexe com você.

—Para ela me envolver eu tenho que querer e eu não quero.— foi veemente.

—Só me prometa...que se você se sentir atraído por ela será honesto comigo.— deixou as lagrimas rolarem —Em hipótese alguma me traia, ponha um ponto final no nosso casamento, eu vou sofrer,...mas,...por favor, seja leal a mim.— passou as mãos pelo rosto e baixou a cabeça.

—Não há a menor possibilidade de eu me deixar envolver por ela.— levantou o rosto dela, e enxugou as lágrimas —Você me disse uma vez que todo mundo tem um passado. Eu tenho o meu. Um passado sórdido que eu mudaria se pudesse. Mas coloque na sua cabeça que nenhuma mulher que passou pela minha vida antes de você significou algo pra mim.

—Eu me sentia especial quando acreditava que eu fui a única mulher que você amou.— ela fungou.

—Você é.— ele garantiu —Eu nunca amei ninguém antes, nunca ouve cumplicidade, só luxúria. Na primeira vez que eu estive com você percebi a diferença, então, me dei conta de que estava perdido. Você me deu algo que eu nunca tive, sexo e amor juntos. Mesmo quando é algo casual como na empresa, é amor o que nós fazemos.— segurou o rosto dela entre as mãos e com o polegar enxugou as suas lágrimas. —Por isso eu não queria contar nada, você vai ficar pensando besteira toda vez que eu tiver que trabalhar com ela. Se você não estiver confortável com isso eu peço para designarem outra pessoa.

—Com certeza isso atrasaria o seu trabalho, você já deixou de lado as missões e eu não quero que você abra mão de outra coisa por mim. Sem falar que, afastá-la agora fará com que ela acredite que conseguiu nos desestabilizar. Mesmo que eu não confie nela, e que morra de ciúmes todas as vezes que ela vier aqui, eu sinto que posso confiar em você.

—Mesmo?— deu as mãos pra ela.

—Mesmo!— suspirou —Às vezes eu queria te amar menos, porque a menor possibilidade de te perder me deixa aterrorizada.— confessou.

—Você não vai me perder.— a surpreendeu quando ele levou seus lábios ao dela, a envolvendo num beijo ávido, ficaram conectados por muito tempo separando-se apenas pela necessidade de ar. —Então será assim, vou encontrar com uma ex-namorada na sala a cada 3 meses?— arqueou uma sobrancelha.

—A gente pode mudar de endereço.— deu um sorriso amarelo.

—Acho que nem que mudássemos de continente.— foi irônica.

—Você fala como se eu nunca tivesse encontrado com nenhum ex seu, lembra no nosso aniversário de um ano, quando você esbarrou com aquele cara no restaurante?

—Lembro do nosso aniversário, mas não lembro do cara.— ela desconversou.

—Eu lembro, ele te chamava de Ginny.— ele disse —Ginny, você está linda.—ironizou.

—Sempre detestei que me chamassem assim.

—Ele chamava...houve pelo menos mais dois ex em outras ocasiões.

—Mas nenhum deles você encontrou na sala de casa tomando uísque comigo.— assim ela encerrou o debate sobre os ex. Tony se levantou do lugar onde estava —Aonde você vai?

—Dar atenção pra mulher da minha vida.— ele sentou-se atrás dela, Pepper ficou entre as pernas de Tony, tendo o corpo envolvido por seus braços —Agora me conta sobre isso de passar mal no trabalho.

—Foi só um mal-estar.— olhou-o sobre o ombro direito e deu-lhe um beijo.

—Não vejo muita diferença.— murmurou contra os lábios dela.

—Eu estava com uma cólica insuportável, era como se um bebê dinossauro estivesse devorando o meu útero.

—Isso deve doer.

—Você não imagina o quanto.— disse manhosa.

—Passou?— mostrou-se preocupado.

—Abrandou depois que eu descansei.

—Isso não deve ser normal, não é melhor ir ao médico?

—Eu tenho uma consulta na sexta, era só algo de rotina, mas falarei sobre isso, vou pedir pra minha médica me indicar outra pílula porque essa não anda dando conta dos meus hormônios descontrolados.

—Amor, hoje ainda é terça, você não pode ficar passando mal até sexta.

—Cólica é como dor de cabeça, Tony, um dia você tem no outro não, um dia é intensa...— parou o que dizia —Ouviu isso?

—O que?

—A minha barriga roncando. Faz silêncio...ouviu agora?

—Ouvi e senti, deve ser o tal bebê dinossauro.— ele riu.

—Preciso comer alguma coisa.— ela se levantou, e sentiu-se tonta.

—O que foi?— rapidamente levantou para ampará-la.

—Tudo girou.

—Você não comeu nada hoje, não é?— pegou-a nos braços.

—Não consegui, mas agora eu quero macarrão com queijo feito pelo meu marido.

—Você não pode gostar tanto daquele macarrão, é um grude.

—É gostoso.— ela disse —Amor, você já pode me pôr no chão.

Ele não a colocou no chão, a levou em seus braços até a cozinha, ela o assistiu preparar a refeição, que Pepper comeu como se fosse a coisa mais saborosa do mundo.






(...)





Na quarta-feira, ambos trabalharam normalmente. Quando Pepper chegou em casa ao fim do dia, seguiu direto para o seu quarto, livrou-se do blazer e dos sapatos e entrou no closet a procura de algo para vestir naquela noite.




—Vai sair?— perguntou a surpreendendo.

—Vamos. Jantar na casa dos Gilmore, esqueceu?

—Não quero ir.—encostou-se à porta do closet.

—Cancelar pela terceira vez, seria indelicado. A Emily quer oferecer esse jantar desde que nós voltamos de viagem, colabora.— passou por ele, deu-lhe um beijo suave e caminhou para o banheiro.

—É por causa dela mesmo que eu não quero ir.— ele adentrou o banheiro.

—Pare de implicar com ela, Tony, eu gosto dela.— cobriu-se com a toalha.

—Não há nada aí que eu nunca tenha visto.

—Não significa que você tenha que ver quando eu não quero mostrar.— o empurrou para fora.

—Eu preciso tomar banho.

—Tem outros banheiros na casa.— ela fechou a porta.

Depois de quase 1h Tony já terminava de se arrumar, optou por um terno preto, camisa lilás e gravata com listras diagonais roxas e lilás. Pepper escolheu uma blusa preta sem mangas e uma saia azul-marinho de cintura alta e na altura dos joelhos, amarrou os cabelos num rabo-de-cavalo baixo. Tony desceu e ficou a esperando na sala enquanto ela terminava de se arrumar, Pepper não demorou a descer.

—Eu deixaria você pisar em mim usando esses sapatos.— ele disse, ela usava scapins pink —Usando eles e uma lingerie preta.

—Talvez eu goste disso.— inclinou a cabeça para um lado.

—Sério?!

—Se eu puder usar um chicote também, já que é pra machucar vamos fazer direito.

—Você não está falando sério.— pegou as chaves do carro, sobre a mesa.

—Não sabia que você gostava dessas bizarrices. Tony, jantar, lembra?— disse impaciente.




(...)








Chegaram à mansão dos Gilmore um pouco atrasados, não mais atrasados do que outro convidado que aguardavam, por isso, tomavam alguns drinques à espera do namorado de Lorelai.





—Ele chegou.— Emily revirou os olhos ao ouvir um ronco de motor, Lorelai correu em direção à porta.

Lorelai voltou para a sala trazendo pela mão um rapaz alto, de pele clara e olhos verdes, cabelos castanho-claros curtos e barba por fazer, vestia jeans, sapatos e uma camisa branca.

—Pepper, esse é Jack Potter. Jack, essa é minha chefe, Virginia Potts Stark.— Pepper apertou a mão do rapaz.

—A Lorelai fala muito da Sra.— ele disse.

—Me senti com 50 anos.— ela sorriu —Me chame de você, por favor.— ele assentiu.

—Jack, esse é Tony Stark.

—Eu sou seu fã.— Jack disse ao estender a mão para Tony.

—Eu tenho muitos fãs, mas cara, você dirige um Chevy Impala 67, me dá um abraço, eu sempre quis ter esse carro.— disse deixando o rapaz desconsertado.

—Acho que o Jack arrumou um amigo.— Lorelai sussurrou para Pepper.

—Também acho.— Pepper respondeu.

—Era do meu pai, mas como sabe o modelo, a marca?— o rapaz mostrou-se surpreso.

—Pelo barulho do motor, é único.— Tony respondeu.

—Meninos e seus brinquedos.— Emily comentou.

—Mamãe e papai você já conhece.— Lorelai disse, o rapaz cumprimentou os sogros.

—O jantar já pode ser servido, Rudolph.— Emily disse ao mordomo.

Conversaram um pouco mais e depois jantaram, a sobremesa servida era um bolo de chocolate com recheio trufado e framboesa. Emily explicou para Pepper que receita original levava morangos, mas que Lorelai havia informado sobre a alergia dela, então a cozinheira substituiu a fruta.

—Então, o que achou do Jack?— Lorelai foi perguntar a Pepper que conversava com Emily.

—Ele é um rapaz adorável, educado e muito bonito.— Pepper respondeu.

—Ele é mesmo lindo, não é?!— Lorelai olhou para o namorado que conversava com Tony e Richard em outro canto da sala de estar —Mãe, hoje eu vou dormir no Jack, ok?

—Não entendo porque vocês nunca ficam aqui.— Emily replicou.

—Porque você faz questão de mostrar que não gosta dele, mas essa noite até que se comportou.— observou —Vou arrumar a minha bolsa.— disse e deixou-as.

—Vocês têm uma relação difícil?— Pepper perguntou.

—Ela diz que eu a sufoco.— Emily suspirou —Eu sei que eu não posso mantê-la em casa pra sempre, mas eu demorei tanto pra tê-la, foram duas gravidez frustradas antes dela.

—Eu sinto muito.— Pepper disse.

—Eu a quis tanto, e agora ela escapa pelos meus dedos, não é que eu não goste do rapaz, mas é ele quem está a tirando de mim. Quando você tiver os seus filhos você entenderá.— ela disse —O Richard diz que eu devo deixá-la ir, porque só quando ela estiver distante saberá dar valor pro que tinha em casa.

—Pela minha experiência de filha, acho que ele tem toda razão.— Pepper comentou.

—Eu sei, mas jamais admitirei pra ele.— Emily esboçou um sorriso —Mas por falar em filhos, Lorelai comentou que você andou passando mal no trabalho...

—Não tem nada a ver com bebês.— logo esclareceu.

—Mas há algo diferente em você.— Emily mostrou-se desconfiada.

—Err...eu vou ver como andam os rapazes, você se importa?

—Claro que não.— ela sorriu.

Quando Pepper chegou até os homens, Tony conversava animadamente com o namorado de Lorelai —Amor, o pai dele tem um bar e é ele quem administra.

—Lorelai já havia me contado.— Pepper falou.

—Meu pai devia ter tido um bar, eu gostaria muito mais de administrar um bar do que a empresa.

—Se você administrasse um bar estaria falido, e ainda bem que você tem a mim pra administrar a empresa, porque senão você também estaria falido.— disse, fazendo-os rir.

—Tenho muita sorte de ter você e não é só por causa da empresa.— beijou o rosto dela.

—E eu tenho sorte de ter o Richard pra me auxiliar na empresa.

—O mérito é todo seu, Virginia.— Richard replicou depois de agradecer.

—Estão falando de trabalho, claro.— Emily juntando-se a eles.

—Amor, vamos?— Lorelai perguntou.

—Vamos.— Jack consentiu —Sr e Sra Gilmore, prometo cuidar bem dela. Sr e Sra Stark, garanto que ela não chegará atrasada ao trabalho amanhã.— Lorelai também se despediu e deixou-os.

—Eu jamais reagiria bem a essa cena. Deixar a minha filha sair assim com um marmanjo num carro maneiro.— Tony comentou.

—Não há como evitar, meu amigo, as crianças crescem.— Gilmore disse.

—Claro que há, basta não ter filhos.— Tony rebateu.

—Acho que é hora de irmos também.— Pepper mostrou-se desconfortável.

—Tudo bem.— Tony deu de ombros.

—Eu tenho algo pra você.— Emily disse a Pepper, deixou-os e depois retornou com um embrulho —É bolo, eu sei que você gostou.

Pepper ficou sem graça, mas acabou agradecendo a atenção de Emily, os anfitriões acompanharam Tony e Pepper até a porta principal, onde se despediram.

—Você gosta mesmo dela, não é?— Gilmore perguntou à esposa ao ver o carro do casal Stark se afastar.

—Gosto, e, por favor, seja bom com ela. Prevejo problemas no paraíso.

—O que você quer dizer com isso?— Richard indagou.

—O Anthony não quer filhos.

—Qual o problema? Muitos casais optam por não ter filhos.

—Ela já está grávida, ainda não sabe, mas está.— Emily deixou o marido na varanda e adentrou a mansão.





(...)









—Amor, você está bem, abre a porta?— ele batia, mas Pepper não respondia nada de dentro do banheiro —Pep...?




—Que droga, Tony, eu não posso nem passar mal em paz.— irritada ela abriu a porta.

—Eu sabia que você não devia ter comido todo aquele bolo que trouxe pra casa. Agora está aí.

—Você vai mesmo ficar me controlando, Anthony?!

—Não, eu só...

—Obrigada, eu estou bem, agora eu posso me arrumar pro trabalho?!— impaciente apontou a porta do quarto.

—Você fica insuportável todos os meses, mas esse mês está de parabéns!— ele ironizou.

—Sai, Tony!

Ele a deixou, e ela, que já estava de banho tomado, apenas escovou os dentes e logo estava pronta para o trabalho, escolheu um vestido cinza sóbrio e sapatos pretos, prendeu os cabelos num coque. Desceu, pegou as suas coisas e deixava a mansão.

—Não vai se despedir de mim?— ele surgiu de um dos cômodos quando ela abria a porta.

—Pra ouvir que eu sou insuportável?— perguntou sem virar pra ele.

—Você está chorando?— caminhou até ela.

—Não.— ela fungou.

—Pepper, eu não falei aquilo sério.— aflito parou diante dela.

—Eu sei.— o abraçou —Acho que é a minha vez de ficar maluca.

—Você devia em casa hoje.

—E ficar mais malucar por não ter nada pra fazer? Eu já estou bem.— ela disse —Vejo você à noite.

Tony ficou preocupado, mas não a impediu de ir, Pepper trabalhou normalmente o dia todo, e por volta das quatro da tarde deixou a empresa para encontrar-se com Lauren, que estava em Malibu a trabalho.

—...E então eu ficarei de segunda à quinta aqui, e no resto da semana volto pra Napa Valley.— Lauren terminava de explicar a sua nova rotina para Pepper.

—E a Emma?— Pepper perguntou.

—Fica na ponte aérea comigo, junto com a babá, claro.

—Acho que não teria esse desprendimento, deixar o Tony assim, ainda mais agora.— Pepper disse.

—Complicado isso da ex, mas ele ama você, coração. Essa mulher não vai conseguir nada com ele. Eu sei e você também sabe.— Lauren afirmou, Pepper esboçou um sorriso.

—Como o Paolo reagiu a sua nova rotina?— Pepper quis saber.

—Normal, mesmo que ele não aceitasse, teria que aceitar.— ela riu —Não abrirei mão da minha carreira pra que ele se dedique a dele.

—Vinhedos na Toscana e agora em Napa Valley, alguém se deu muito bem na vida.— Pepper brincou.

—Um belíssimo golpe do baú, mas não melhor do que o seu.— Lauren rebateu a provocação —Aliás, preciso alugar um apartamento, se souber de algo...

—Eu sei de um apartamento já mobiliado e num bairro bacana.

—Defina bairro bacana? O aluguel deve ser nas alturas.

—Uma pechincha.

—Onde é esse lugar, coração?

—Meu apartamento.— Pepper respondeu.

—Achei que você já tinha vendido ele.

—Jamais, foi a primeira coisa que eu conquistei na vida.

—Tá, mas eu faço questão de pagar aluguel.

—Nem pensar.— Pepper disse.

—Mesmo que seja algo simbólico.— Lauren insistiu.

—Tudo bem. Agora podemos ir?

—Devemos, porque eu não aguento mais as caretas que você faz cada vez o que o garçom passa por nós.— Lauren disse —Não sei por que você marcou aqui, se está enjoando com cheiro de café. Quando você vai abrir o jogo comigo?

—Sobre?

—Você me contou sobre seu ciclo desregulado, as oscilações de humor, se acabar de comer bolo de madrugada, acordar enjoada. Eu sou ótima em deduções, coração, mas quero ouvir você dizer: eu estou grávida.

—Eu...não...— parou pra pensar em todos sintomas descritos por Lauren —...Eu não posso.

—Não me lembro de você ser estéril.

—Eu não sou.— Lauren iria comentar algo, quando Pepper continuou —Ele também não.

—Então você está, meu Deus, você está!

—Impossível, eu tomo pílula regularmente.

—Coração, nenhum método contraceptivo é 100% eficaz, você vai fazer um exame agora.— pagaram a conta da cafeteria. Passaram numa farmácia e compraram o exame, Pepper preferiu ir para o seu apartamento. —Preciso ligar pra Sarah.— Lauren adentrou o apartamento pegando o celular.

—Pra falar o quê?— Pepper perguntou.

—Ela precisa participar disso...alô, Sarah, você está no viva voz, tá?

—Tá, mas por quê?—Sarah perguntou.

—Porque eu estou empurrando a Pepper para o banheiro com um teste de gravidez.

Aaaah, meu Deus! Deu positivo, ou negativo?!

—Espera, nem xixi ela fez ainda.— Lauren disse.

—Não conseguirei fazer nada com plateia.— ela disse, Lauren a deixou a vontade. —Pronto.— Pepper chamou a amiga de volta, seguiu todas as instruções da embalagem do teste.

—E então?!—Sarah perguntou de algum tempo.

—Deu...— Pepper tremia segurando o bastão do exame, não conseguia responder.

—Positivo!— Lauren exclamou ao pegar o exame das mãos dela.

Pepper levou as mãos ao ventre e chorou. Então um pensamento veio a sua mente: Como Tony reagirá?

Notas finais
A roupa que a Pepper usa no jantar é essa http://cdn04.cdn.justjared.com/wp-content/uploads/2011/03/kerr-paltrow/gwyneth-paltrow-miranda-kerr-balenciaga-01.jpg Eu amei esse sapato.

Falei que era muita informação pra um capítulo só.

Taí, Morgs, o que vc tanto esperava.

Hahahahaa, até quinta ;)