Do Singular Ao Plural
26 Devo desistir?
Notas iniciais
Na semana que se seguiu uma notícia bombástica caiu sobre o Congresso Nacional, Nathan Carter o, até então, Secretário de Defesa estava pedindo exoneração de seu cargo. Carter alegava estresse pós-traumático, durante uma reunião entre ele, o presidente, Tony e Norman, soube-se que o major fora o primeiro humano a ser capturado pelos skrulls, portanto foi o que passou mais tempo no cativeiro e viu-se extremamente debilitado após sua libertação.
Soube-se que Carter havia sido capturado logo após a visita que fizera a Tony para falar sobre a tentativa do cadastro de super-humanos. Enquanto, Jeremy Nollan e Melissa Grant, haviam sido capturados quando a filha do presidente desembarcou em solo Americano vindo da Suíça pouco antes do feriado de 4 de julho. Talvez ter ciência de que ficara meses enclausurado num local onde por anos mandou prender prisoneiros de guerra e terroristas contribuiu para o trauma de Carter. Fato é que ele esteve todo o tempo preso em Washington e ninguém nunca notou, a ala onde os skrulls os levaram era onde os presos eram deixados para serem esquecidos, literalmente. Major Carter havia provado do seu próprio veneno e não gastou disso.
Depois de ponderar prós e contras, o presidente aceitou a renuncia de Nathan Carter, mas agora tinha um dilema para lidar: Quem seria o melhor Secretário de Defesa? Tinha dois candidatos. Um mês atrás não hesitaria a indicar Tony ao cargo, mas agora, Norman Osborn mostrava-se apto também, e Fitzgerald Grant tinha um final de semana para decidir entre o homem sob a armadura do Homem de Ferro ou a do Patriota.
Manhatan, Nova York – Indústrias Oscorp
Apenas três horas depois da reunião com presidente, Norman encontrava-se sentado em sua imponente cadeira de presidente das Indústrias Oscorp. Depois que as pessoas conheceram a face do Patriota de Ferro a empresa retomou o seu prestígio e seus lucros, Osborn ganhava de ambos os lados, chegando a colher os louros de uma época em que ele não era o homem sob aquela armadura.
—Preciso de outro favor— sorriu.
—Você já nos deve favores demais, Sr Osborn.
—No entanto estou sendo bastante grato a você e seu ‘exercito’, Srta Zurer— ele responde —A você muito mais.— sorriu.
Nadja Zurer era uma morena de olhos escuros e pele bronzeada, seus traços eram fortes, típico das mulheres do oriente médio. Nadja era filha única de um rebelde israelense morto anos antes em confronto com o exercito americano, e de uma ativista americana. Embora exercesse dupla cidadania, seus atos e a idolatria por seu pai deixava claro a qual nação que ela preferia servir, por isso, após a morte de seu progenitor assumira o comando do exercito terrorista comandado por ele. Exercito esse que Norman chamava de Thunderbolts*.
—Não importa o quão bem estamos nos dando e o quão proveitoso tem sido, Sr Osborn, mais dois atentados e o nosso acordo chega ao fim.— Nadja afirmou.
—E então você vai embora...
—Com toda certeza, não pense em me pedir para ficar.— ela respondeu.
Desde que selara o acordo com Norman, Nadja o havia fascinado, ela era forte, sua voz tinha uma rouquidão peculiar, mas ainda assim era firme, seu corpo escultural e sua pele bronzeada exerciam magnetismo sobre ele. Uma terrorista perigosa que, para todos os efeitos, comportava-se como uma executiva acima de qualquer suspeita. Ele que por anos envolveu-se com Victoria sem nunca se deixar fisgar estava preso ao anzol da bela e perigosa israelense.
Por falar em Victoria Hand, esta estava sendo colocada de lado, já havia percebido que Norman estava apaixonado por Nadja e não gostava nada daquilo, seu orgulho estava ferido e ela sentia que já não devia mais lealdade alguma para aquele homem que não hesitou em substituí-la.
—Preciso dar um motivo para ser escolhido como o novo Secretário de Defesa, o que a Srta acha de um atentado a um avião?— Norman perguntou.
—Clichê.— respondeu —Mas o bom dos clichês é que eles funcionam.— a morena sorriu —Em algumas horas você estará a um passo de ser o que você quer.
Malibu, Califórnia
Tony havia chegado em casa há quase 4h horas, e ainda estava em sua oficina. Era 18h de sexta-feira, e Pepper estava chegando do trabalho, estacionou o seu Audi prata no pátio externo e adentrou a mansão. O silêncio dominava a sala, há dias era assim, ou Tony estava recluso na oficina ou no laboratório ou estava fora.
—Jarvis, o Sr Stark...?
—Está na oficina, Sra.— o AI respondeu —Mas ele não quer ser incomodado.
Ao ouvir aquilo ela não disse mais nada, girou nos calcanhares e deixou a casa.
Meia hora depois de deixar sua casa Pepper estava parada sobre o capacho na porta de seu antigo apartamento. Tocou a campainha algumas vezes até que Lauren atendeu.
—Hey, Coração.— a morena sorriu e puxou Pepper num abraço.
Pepper soltou Lauren ao ver Emma em pé atrás da mãe, então pegou a garotinha em seus braços.
—Oi, meu amor.— Pepper disse e ganhou outro abraço, agora de braços mais curtos.
—Oi, dinda.— Emma respondeu.
—Eu precisava levá-la mesmo pra ver você.— Lauren disse ao entrarem —Ela não pode ver uma foto sua que chama por você,...vocês, na verdade. Ela agora só dorme com aquele cachorro de pelúcia.
—Au-au!— Emma exclamou e desceu do colo de Pepper certamente para ir buscar o brinquedo.
—Norah...?
—Sra Benini?— a babá de Emma veio da cozinha.
—Olá, Norah, como vai?— Pepper questionou simpática.
—Bem, obrigada, Sra Stark.— a moça sorriu.
—Norah, por favor, está na hora do banho, você poderia fazer isso por mim hoje?— Lauren perguntou.
—Claro, Sra Benini.— a moça respondeu e foi à procura de Emma.
—Eu atrapalhei, né? Você trabalhou o dia todo e na hora que ficaria com ela eu apareci...Eu vou embora.— disse Pepper.
—Claro que não, coração. Fiquei com ela o dia todo hoje, só não dispensei a Norah porque ela não quis.— esclareceu —Mas então, a que devo a honra da sua visita?
—Só queria mudar de ares, o clima está pesado em casa nos últimos dias.— Pepper respondeu.
—As coisas estão complicadas pro Tony, não é? O tal Osborn está encarando as coisas como uma disputa pessoal, o resto do país não tem nada a ver com isso, é uma briga de egos.— Lauren concluiu.
—Uma queda de braço, literalmente, e por causa disso eu não vejo mais o Tony, ele nunca está em casa, quando está, está enfurnado na oficina, parece um replay do final do ano passado e fui eu quem causou tudo isso.
—Tá maluca? Porque você causou isso?— Lauren indagou incrédula —Você não tem nada a ver com isso.
—Se eu não tivesse engravidado nada disso estaria acontecendo, se nós não tivéssemos sido tão afoitos naquela coletiva o Tony não teria exposto o Norman, isso é uma vingança, será que ninguém vê? Pior de tudo é saber que se nós estivéssemos esperado uma semana estaríamos evitando isso...
—Para de dizer besteiras, coração.— Lauren a cortou —A vida do seu marido é isso, você sempre soube.— Lauren disse veemente —Se não fosse esse Norman talvez o problema fosse outro.
—Mas é esse Osborn que está acabando com ele, a vida do Tony é ser o Homem de Ferro, se isso for tirado dele eu não sei...— Pepper passou as mãos pelo rosto —...Ele gosta de ser um herói, gosta da adrenalina, adora saber que as pessoas sabem que é ele quem está ali debaixo daquela armadura. Tirar isso dele seria como tirar-lhe o ar.
—Coração, mas ele ficou um bom tempo longe das missões, e...
—Foi uma escolha dele ficar longe, mas agora ele está sendo jogado para escanteio, tem muta diferença.— Pepper observou.
—É...realmente, mas, coração, você não pode se culpar por isso.— Lauren levantou e foi até a cozinha. Voltou minutos depois com dois matinis —Você já sofreu demais por tudo o que aconteceu e agora que você superou não pode se culpar por qualquer outra consequência de meses atrás.— entregou uma taça a amiga.
—Eu não posso beber, estou dirigindo.— Pepper colocou a taça sobre a mesa de centro.
—Não estou sugerindo que você tome um porre.— a morena pegou a taça de volta e devolveu para a amiga e sentou-se novamente —Vamos beber um pouco, e falar sobre daqui duas semanas, você tem planos?
—Você sabe que eu nunca tenho, e acho que esse ano ele não vai nem lembrar.— Pepper respondeu antes de dar um gole em sua bebida.
—Tenho certeza que ele vai.— a morena respondeu —Mas durante o dia você é nossa, minha e da Sarah, a não ser que à noite role uma festa e nós sejamos convidadas.— Lauren sorriu.
—Não estou no clima.— a ruiva fez bico.
—É uma tradição desde os tempos da faculdade nós comemorarmos o aniversário uma da outra de alguma maneira, e tradições não podem ser quebradas.— Lauren lembrou.
—Acho que nós quebramos alguns anos atrás.— Pepper observou.
—Não se prenda tanto aos detalhes, coração.— disse Lauren.
—Eu achei que tudo seria tão diferente esse ano.— Pepper suspirou. —Tinha tanta expectativa pra esse aniversário, eu estaria com cinco meses, já saberia o sexo do bebê, e...no fim sou a mesma do ano passado.
—Definitivamente você não é a mesma do ano passado.— Lauren observou —E quanto a gravidez, você pode engravidar aos 36,...e aos 38.
—Não é prudente.— Pepper murmurou baixando a cabeça.
—O quê...? Dois filhos? Ah, sei lá, acho que vocês dariam conta.
—Nenhum filho.— Pepper respondeu —Se não aconteceu é porque não era pra acontecer, quando engravidei a nossa vida parecia tomar um rumo diferente. Mas agora,...e daqui pra frente, eu não sei como vai ser... É ingenuidade minha achar que dá pra criar um filho assim. Não vou colocar uma criança no mundo pra viver sob essa inconstância que é a minha vida com o Tony.
—Acho que você está novamente dizendo besteiras.— Lauren a repreendeu —Ele está distante, você está magoada, mas acho que você não pode desistir de algo que sempre quis. Além disso, é uma fase, quantas dessas vocês já viveram desde que estão juntos? Os inimigos vêm e vão e a relação de vocês permanece.
—Eu sei...
—Então para de agir como se fosse algo constante, não queira sacrificar a vida toda por causa de um ou dois meses ruins.— era incrível como Lauren tinha o dom de entender e aconselhar Pepper.
—Como não amar você, Lauren Graham?
—É meio impossível, mas tem gente que consegue.— Lauren gracejou.
—Preciso voltar pra casa.— Pepper a abraçou.
—Nada disso você vai jantar com a gente.— Lauren levantou do sofá e caminhava em direção da cozinha com a sua taça na mão —Aceito ajuda.— ela gritou do outro comodo. Pepper deixou a sua bolsa sobre o sofá e foi ao encontro da amiga.
(...)
Quando Pepper voltou para casa passava das dez da noite, ao sair da garagem não passou pela sala, pegou o elevador e foi direto para sua suíte.Tony não estava no quarto, não esperava que ele estivesse. Não perguntou por ele. Jogou sua bolsa na poltrona, livrou-se das sandálias, e caminhou para o banheiro, tirou a saia e a camisa que vestia, as roupas intimas e entrou no banho. Deixou-se molhar por completo, lavou os cabelos e quando ensaboava o corpo Tony surgiu.
—Droga, Tony. Que susto!— disse ao percebê-lo parado em frente a pia.
—Eu estava esperando você na sala, onde você estava até agora?— ele perguntou com a expressão séria.
—Na Lauren.
—Você foi pra lá direto da empresa?
—Não, eu passei em casa, perguntei ao Jarvis por você, e soube que você não queria ser incomodado, então eu saí. Eu não estava a fim de ficar sozinha, mais um jantar, mais uma noite...
—Posso entrar aí?— fez cara de pidão e encostou a testa ao vidro do box.
—Pra quê?
—Pra conversarmos.— ele respondeu.
—Nós estamos conversando...
—Sinto sua falta.— ele disse e desenhou um coração com os dedos no vapor do box.
—Você tem 30 segundos pra tirar a roupa e entrar...1, 2, 3...29...Jurava que você não conseguiria.— ela envolveu os braços ao redor dele.
—Não me subestime, não quando se trata de estar com você.— ele tentou beijá-la, mas ela se esquivou —Não fuja de mim, não quando estamos tão perto assim.— ele pediu.
—Odeio quando você não divide as coisas comigo.— ela o abraçou e deitou a cabeça ao ombro dele enquanto a água morna molhava ambos —Você me pede pra não fugir, mas fica trancado lá em baixo e não me deixa me aproximar.
—Me desculpa.— pediu afastando o cabelo do rosto dela —Você sabe que eu sou complicado, que eu não sei lidar com a pressão, eu nunca quis isolar você, não existe um segundo em que você não seja a pessoa mais importante na minha vida, mas...é muita coisa. Ninguém leva em consideração o quanto eu já fiz, todo mundo só mensura o agora. E esse imediatismo é injusto.
—Você escolheu ser o que é, e ser um herói é lidar com a pressão, Tony. Quando você salvou o mundo ninguém lhe prometeu gratidão eterna. Lidar com pessoas requer sabedoria, conviver com a ingratidão, você precisa aprender quem gosta mesmo de você, e quem só quer algo de você.— disse Pepper.
—Você gosta mesmo de mim?— ele apoiou sua testa à dela.
—Mais do que gosto, eu amo você.— ela respondeu e ele a beijou, um beijo sofrego, urgente, ainda a beijando ele desliza uma das mãos entre as coxas dela, Pepper gemeu e abriu os olhos ao sentir os dedos dele tocarem sua intimidade, ela mordisca o lábio inferior dele —Eu amo você, mas agora você está me fazendo querer algo de você.
—O que você quer?— ele moveu sua pélvis em direção a dela —Basta pedir, e eu te dou.— beijou-lhe o pescoço.
—Quero que você me ame...aqui, agora.— ela pediu.
Tony a pegou nos braços fazendo com que Pepper envolvesse as pernas ao redor da sua cintura, seu membro roçou ao sexo dela, e então a penetrou com uma investida certeira fazendo Pepper gritar. Ele levou as mãos ao traseiro dela para segurá-la já que estavam longe da parede, Pepper envolveu os braços ao redor do pescoço dele e arranhou as costas de Tony, enquanto ele a movia ditando o ritmo. O som dos corpos se chocando contra a água os consomem totalmente, ela fecha os olhos e se deixa levar pelos ruídos luxuriosos.
—Olhe pra mim, meu amor.— ele pede.
Ao abrir os olhos ela vê sua mandíbula tensa, e seu olhar castanho a hipnotiza, ela é incapaz de desviar os olhos dos dele outra vez. Seu olhar diz muita coisa naquele momento, coisas que não poderiam ser ditas em palavras. Ambos estão chegando ao limite suas expressões dizem isso, e quando ela chega ao orgasmo, crava as unhas nos ombros dele, soltando um grito agoniado, mas cheio de luxúria. Seus espasmos internos dão prazer a ele, e Tony também chega ao clímax, e após uma estocada feroz ele sai de dentro dela, Pepper o escuta soltar o ar entre os dentes cerrados. Quando Pepper sente os pés tocar o chão, ambos estão ofegantes enquanto a água desliza por seus corpos.
—Não importa se as pessoas irão desacreditar de você ou não, se elas irão hostilizar você ou não. Você tem a mim.— ela garantiu —Você sempre terá a mim. — foi enfática.
(...)
Era 4h da madrugada quando Jarvis acordou Tony, dizendo que terroristas haviam sequestrado um avião que seguia rumo ao aeroporto de La Guardia em Nova York. Sem pensar duas vezes Tony vestiu sua armadura e deixou a mansão.
—Dê-me as coordenadas, Jarvis.— pediu enquanto voava pelo céu de Malibu ao encontro do avião.
—É um boing 747, Sr, decolou de Sidney, Austrália, há 2h, tinha pouso previsto para as 4:45h, mas teve sua rota desviada durante o voo. A torre de controle suspeita que seja um atentado terrorista...
—Suspeita, Jarvis?!— perguntou exasperado, já começava a acreditar que aquilo era uma nova armação para desviá-lo de uma ameaça real.
—O Sr está há 5min da aeronave.— informou o AI.
Tony intensificou a potência dos propulsores e logo estava voando ao lado da aeronave, o voo estava lotado visto que era madrugada, voos nesse horário sempre eram mais cheios por causa das promoções das companhias aéreas. Algumas janelas estavam fechadas, era obvio que aquela hora a maioria dos passageiros dormiam, mas pelas janelas abertas, pode ver o interior do avião, e não viu nada de anormal. Mesmo assim, invadiu o sistema de bordo para falar com o comandante, que informou que a mudança na rota foi uma manobra para queimar combustível e diminuir o peso da aeronave. Tony praguejou diante da informação, e pediu que o piloto entrasse em contato com a Torre de Comando.
Tony fazia o caminho de volta para casa quando Jarvis informou sobre outra aeronave, esta, caía vertiginosamente. Seu alvo era o Pentágono em Washington. Por mais que colocasse toda a potencia em seus propulsores não conseguiria chegar a Washington a ponto de frustrar o atentado, mesmo assim, precisava tentar.
—Estamos voando com potência máxima, Sr.— Jarvis alertou —Não há mais nada que o Sr possa fazer.
—Eu sei Jarvis, estou exigindo demais da armadura, mas eu preciso tentar, estamos a 40km do Pentágono.
—Não há nada mais que o Sr possa fazer— Jarvis repetiu —O Patriota de Ferro acaba de interceptar o avião e...
—Não precisa dizer mais nada, Jarvis.— Tony parou no meio do caminho, mais uma vez havia caído na cama-de-gato, armada por Norman Osborn, e sabia o que viria a seguir.
Sábado, 10 de agosto de 2013
Nas primeiras horas da manhã a imagem de Fitzgerald Grant entrava nas casas dos cidadãos americanos através dos aparelhos de tv. Ele falava do ataque ocorrido naquela madrugada, e agradecia ao herói que mais uma vez havia prosperado sobre um inimigo da nação.
—O povo tem um herói para protegê-lo, um herói que ostenta as cores da nossa bandeira, e não hesita quando o assunto é o bem-estar de qualquer cidadão americano. Vida longa ao Patriota de Ferro.— com essa frase concluiu seu pronunciamento.
Na oficina, Tony desligou o aparelho de tv.
Desde que Tony saiu no meio da madrugada, Pepper não pregou o olho, levantou por volta das 8h da manhã, tomou banho, arrumou-se vestindo um short jeans e uma camiseta branca, até onde acreditava aquela era uma manhã normal de sábado como outra qualquer. Desceu as escadas em direção à sala e ligou a tv em busca de alguma notícia.
“—Mais uma vez o Patriota de Ferro salvou a Pátria. E a minha pergunta é: Por onde anda Tony Stark? Estaria de férias novamente?— questionou o âncora do jornal —Desde que sofrerá um atentado em Washingthon há pouco mais de um mês, Tony Stark não cumpre mais com o seu papel de herói, fato é que parece que o Homem de Ferro só é eficaz quando está acompanhado, salvou o mundo uma vez ao lado de uma grupo de super-heróis anônimos, e outras vezes ao lado do Patriota de Ferro. No entanto, agora a situação é outra, o Patriota, cujo a pouco descobrirmos tratar-se de Norman Osborn vem agindo por si, e tem obtido êxito em seu trabalho individual...” — Pepper desligou a tv.
—Alguma notícia do Tony, Jarvis?
—O Sr Stark encontra-se na oficina, creio que a Sra deva ir até lá.— apesar da voz sempre serena de Jarvis, Pepper sentiu o coração apertar, rapidamente desceu até a oficina. Quando chegou ao local tudo estava um breu.
—Luzes, Jarvis.— ela pediu.
As luzes se acenderam e ela viu que não precisava digitar o código de segurança, pois a porta de vidro que impedia a passagem não existia mais. A oficina estava uma bagunça, lembrava a época em que ele começou os testes com a primeira armadura e não tinha domínio algum sobre o poder de fogo dela.
Pepper adentrou a oficina pisando nos estilhaços de vidro, a mesa de projetos também estava uma bagunça, os robôs responsáveis pela organização do local estavam desligados aparentemente. Deparou-se com Tony sentado ao sofá, ao seu lado direito estava uma das novas Mark, não tinha ideia de que número era aquela, mas era semelhante a antiga Mark 42. Do seu lado esquerdo uma garrafa de uísque quase vazia, assim como seu olhar. Doeu vê-lo daquela maneira, olhar vazio e expressão de derrota.
—Amor...?— ela chamou com a voz embargada, despertando sua atenção.
—É o fim da estrada, Pep, é o fim do Homem de Ferro, acabou. É hora de sair de cena.— jogou a cabeça para trás novamente. Pepper foi até o sofá, tirou a garrafa de cima do móvel para que pudesse sentar, ele prontamente deitou a cabeça ao colo dela jogando suas pernas sobre a armadura —Eu não devia ter voltado, a nossa vida era boa, não era? Quando eu abri mão disso? Tudo estava nos eixos, nós teríamos um bebê, e então...
—Não diga mais nada.— ela colocou os dedos nos lábios dele —Eu não vou deixar você desistir, o fim não é quando a estrada acaba...
—Claro que é, Pep, não há mais para onde ir se não existir estrada.— ele disse.
—Isso seria o pensamento de uma pessoa normal e você não é normal, você é brilhante, a sua estrada vai além do que se pode ver, porque você pode voar.— ela afagava os cabelos dele enquanto falava. Tony estava abrindo mão, deixando derrotar-se e ela não podia deixar isso acontecer —Eu entendo que você esteja baqueado, mas não vou entender se você desistir. O meu marido não é um homem que desiste, o herói que eu admiro jamais desistiria.— ela enxugou as própria lágrimas —Eu aceito que você saia de cena por uma semana, duas...um mês que seja, mas não vou admitir que você desista de ser quem você é.— ela disse firme.
Ele levantou a cabeça do colo dela e a olhou nos olhos —Eu sei que o seu maior medo era criar o nosso filho em meio essa vida maluca que eu levo, se eu abrir mão de ser o Homem de Ferro nós podemos...
—Ser o homem de ferro é a sua vida, se você está abrindo mão disso como eu posso arriscar formar uma família com você?
—É diferente...
—Não, não é.— ela disse —É comprometer-se com algo. É ter um propósito. Se hoje você desiste dessa fase da sua vida, um dia você pode desistir de mim, do nosso filho que ainda nem existe. Por mais que eu te ame, por mais medo qe eu tenha, sei que não devo deixar você abrir mão disso.
—Eu estou exausto.— ele suspirou.
—Eu imagino.— Pepper respondeu —Por isso nós vamos subir, você vai tomar um banho e vai descansar. Não se preocupe com nada agora.
Depois de seu banho, Tony deitou-se em sua espaçosa cama, Pepper estava lá, ao lado dele para confortá-lo. Ele deitou a cabeça ao peito dela e envolveu o braço em sua cintura.
—Sei que você ficou furiosa a primeira vez que eu disse isso, mas você é mesmo o meu anjo.— ele sussurrou.
—E você o meu herói.— Pepper respondeu.
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