Do Singular Ao Plural
15 Circunstâncias adversas
Notas iniciais
Capítulo longo e cheio de informações.
Enjoy ;)
O final de semana no Canadá foi como Pepper desejou, a temperatura caiu consideravelmente na noite de sábado e o clima ameno continuou durante o domingo, por isso, resolveram voltar apenas na segunda pela manhã. Faltava pouco para decolarem de volta à realidade. Acomodaram-se no jato, então a comissária ligou o aparelho de tv da aeronave, era costume de Pepper assistir ao telejornal matinal quando precisava voar naquele horário, toda a tripulação sabia disso, a moça deixou o controle do aparelho sobre o aparador entre eles.
—Nós combinamos, lembra?— Tony ameaçou desligar a tv.
—Mas,...olha.— chamou a atenção dele para a imagem na tela, nela um homem de meia-idade, provavelmente num anfiteatro, atrás dele uma enorme logomarca das Indústrias Oscorp —Aumente o volume.— ela disse.
Manhattan – Nova York
Norman estava em pé atrás de um púlpito de acrílico, onde havia microfones de diversos veículos de comunicação, Victória estava a alguns passos, já havia explicado aos jornalistas a dinâmica da coletiva.
—Bom dia.— Norman cordialmente saudou a plateia de jornalistas a sua frente —Sem rodeios.— ele sorriu —Como um homem comprometido com a verdade que sou, vou direto ao assunto. Na última sexta-feira o nome da minha empresa foi envolvido numa grande polêmica, na verdade, eu em algum momento fui relapso com o meu patrimônio, e deixei que falcatruas acontecessem bem debaixo do meu nariz, mas agora esse erro já foi reparado.
—O que o Sr quer dizer com isso?— um jornalista mais afoito pronunciou-se.
—Quero dizer que o Bioquímico responsável pela adulteração do Pregnancy Less, já foi encontrado e as devidas providências foram tomadas.
—Então o Sr afirma que não sabia sobre a adulteração do medicamento?— perguntou outro repórter.
—Em hipótese alguma, esse funcionário estava desviando verba da produção do anticoncepcional em questão, e usando matéria-prima de qualidade inferior, mas tudo já foi reparado.— informou Osborn.
—Quem era o responsável?
—Não queria expor meu funcionário, ex-funcionário, no caso, mas dói muito admitir que o Dr Isaac Connors, um dos meus melhores bioquímicos, tenha sido capaz de tal coisa, eu sinceramente não entendo porque agir dessa maneira após tantos anos de trabalho na empresa.— Norman baixou a cabeça deu uma leve olhada para o lado onde Victoria estava, ela sorriu discretamente.
—E quanto ao Ministério da Saúde, porque eles nunca se pronunciaram quanto a isso? Tony Stark afirmou que eles já haviam sido informados sobre a ineficácia do medicamento.— comentou um jornalista.
—Não sei ao certo, mas ao que me parece, havia um funcionário interceptando as denúncias da Associação Médica de Malibu e impedindo que chegassem à alta cúpula do Ministério da Saúde, certamente essa pessoa recebia dinheiro do Connors para tanto.— Norman informou.
—E os outros setores da sua empresa?
—Quanto a produção dos demais medicamentos das Indústrias Oscorp, tudo corre na mais perfeita ordem, eu passei o final de semana vistoriando a empresa pessoalmente e garanto que a falha na composição do Pregnancy Less foi um fato isolado.— garantiu.
—E quanto as acusações de Tony Stark o que pretende fazer a respeito?— Christine Everhart perguntou.
—Eu sempre admirei o trabalho da família Stark, no que se refere à produção bélica, e acompanhei os progressos no campo de energia limpa, ainda que seja algo pouco disseminado. Sou grande fã do homem de ferro, mas convenhamos que bioquímica e biotecnologia nunca foram o ramo de Tony Stark, ele está mais para um enxerido científico do que pra um pesquisador, e pode ser nocivo meter-se num território desconhecido. No entanto, quero agradecê-lo, não fosse ele a verdade não seria revelada.— Norman segurou forte nas laterais do púlpito, qualquer pessoa um pouco mais treinada saberia que ele não estava confortável em falar bem de Tony —Desejo que o herdeiro Stark, que sem dúvida é o pivô da curiosidade sobre a eficácia do medicamento, nasça com saúde, apesar das intempéries.— sorriu amarelo concluindo e deixou seu posto. Vários jornalistas ainda tentaram se manifestar, mas Victoria foi ao púlpito encerrar a coletiva, depois foi ao encontro de Norman —Então, como eu me saí?— ele perguntou à sua cúmplice.
—Fantástico!— ela exclamou —Você foi fantástico, os votos de saúde ao bebê Stark foram uma ótima cartada, sinal de superioridade. Agora todos falarão bem de você...— deu um beijo suave nos lábios dele —...Mas temos que ficar de olho no Connors, ele não pode dizer nada que te contradiga.
—O Connors não será um empecilho, ninguém é incorruptível, mas confesso que o Stark me preocupa um pouco, se ele se for um obstáculo...
—Transpomos.— Victoria respondeu.
—Até porque, daqui a algum tempo o Homem de Ferro não terá credibilidade alguma.
(...)
Malibu — Califórnia
Pepper chegou com a intenção de seguir direto para a empresa, mas o clima era completamente diferente, fazia um calor digno da Califórnia, viu-se obrigada a ir à mansão para trocar as roupas que vestia.
Sentada à poltrona na suíte, calçava as sandálias quando Tony chegou ao quarto —Precisamos desfazer as malas— ele disse.
—Eu sei, mas não precisa ser agora.— levantou-se alisando a saia cinza na altura dos joelhos que vestia.
—Você sabe que não precisa ir trabalhar hoje.— ele disse jogando-se sobre a poltrona vaga.
—Por você eu não precisaria trabalhar nunca. E então eu passaria o dia em casa sem ter o que fazer, enquanto você estaria trancado na oficina ou no laboratório.— disse vasculhando a caixa de joias —Amor, você viu a minha pulseira?
—Qual? Você tem tantas.
—Aquela com os pingentes. Não estou encontrando.— ela fez bico.
—Está no joalheiro, mandei fazer um upgrade nela.
—Isso significa?— ela se aproximou e ele a puxou para seu colo.
—Significa que você vai saber quando eu a trouxer de volta.— beijou-lhe o pescoço —Quanto aos acontecimentos matinais...
—Eu não vou faltar ao trabalho, porque Norman Osborn resolveu se pronunciar.
—O que você acha que ele quis dizer com tudo aquilo?
—Analisando as entrelinhas, ele quis dizer que você pode se dar mal se continuar a importuná-lo.— observou.
—Sempre muito perspicaz, Sra Stark.— disse Tony.
—Algo muito estranho está acontecendo naquela empresa, e Norman está querendo mascarar, certo é que nenhum medicamento da Oscorp entra mais nessa casa ou no ambulatório da Stark.
—Pep, alguém tem que continuar a investigar, se outros medicamentos estiverem sendo adulterados...
—Você já fez o que tinha que fazer. Inspecionar a Oscorp não é sua obrigação. Você. Não. Pode. Fazer. Tudo.— disse pausadamente com o olhar preso no dele —Agora preciso trabalhar porque eu abuso demais da boa vontade do Richard...
—Por falar no Gilmore, andei pensando...— ela arqueou uma sobrancelha e o encarou, sempre tinha receio das ideias dele —Acho que ele merece...
—A vice-direção da empresa?— perguntou entusiasmada —Porque eu também pensei nisso, aliás, quero que ele se mude para o andar da presidência, a sala do Obadiah está inutilizada há anos...
—Pensamos a mesma coisa.
—Mas, a promoção do Richard não significa que eu ficarei à toa. Sei que vai chegar uma fase onde eu vou ter que trabalhar menos, mas ainda é cedo.— disse firme —Já disse que adorei o final de semana?— mudou de assunto —Vancouver é incrível, tão perto dos Estados Unidos, mas parece tão longe. Amei o hotel, o clima é ótimo, podemos voltar no outono?
—Podemos, mas no outono do ano que vem, porque nesse seria inviável, não me enfiaria num hotel na serra com você prestes a dar a luz.— Pepper sorriu e deu-lhe um beijo casto, adorava a preocupação que ele tinha com ela e o bebê —Mas,...já que você gostou tanto, poderíamos ver se há alguma propriedade a venda naquela região.
—Jura?!— mostrou-se empolgada.
—Hum-rum, mas num lugar ermo, detesto vizinhos, você sabe.
—Você detesta pessoas.— ela observou.
—Sempre gostei de você.— ele replicou.
—Você gosta de mulheres.— Pepper provocou.
—Gosto da minha mulher!— segurou-lhe o queixo —Mesmo comendo feito uma maluca, no quatro de julho você poderia participar daqueles concursos de comer cachorro quente.— ele riu.
—Eu quero que a minha barriga cresça logo.
—Por isso a comilança toda?— arqueou uma sobrancelha.
—Não, eu como porque tenho fome mesmo, já me disseram que os esportes favoritos das grávidas são dormir e comer.
—A sua barriga vai crescer, não precisa ter pressa.— afagou o ventre dela —Afinal, são só 11 semanas.
—Entrando na 11ª, sabia que o nosso bebê foi concebido logo depois daquela conversa seriíssima sobre sermos só nós dois? Provavelmente na manhã seguinte. Certamente eu terei que lidar com dois Stark que me dizem uma coisa e acabam fazendo outra.— ela riu.
—Por falar em dizer uma coisa e fazer outra, eu ainda não pedi desculpas por sexta...
—Eu já perdoei você.— afagou o rosto dele.
—Você me perdoa muito depressa, é pra que eu me sinta culpado?
—É porque eu amo você, e não posso perder tempo te odiando, porque eu nunca sei se quando sair você vai voltar, você pode sumir numa caverna, num buraco no céu, ou no fundo do mar...então, procuro aproveitar os momentos que nós temos juntos.— disse com a voz embargada.
—Se eu sumir não se preocupe, dou um jeito de voltar. Eu sempre vou voltar pra você.— Pepper conteve as lágrimas que brotaram em seus olhos e Tony beijou-lhe a testa —Sempre.— beijou-lhe a ponta do nariz —Sempre.— tomou-lhe os lábios num beijo doce.
(...)
Durante a tarde, enquanto Pepper estava na empresa, Tony recebia em casa uma visita que ele preferiria evitar.
—Você precisa aprender a aparecer apenas quando for convidada, Bethany Cabe, na verdade, na minha casa você nem deveria mais aparecer.— disse ao abrir a porta, agradecendo por Pepper ser teimosa e ter insistido em ir trabalhar.
—Acho que agora entendo aquela história da linha tênue entre o amor e o ódio.— ironizou adentrando a mansão, Bethany usava uma calça social preta de cintura alta e uma blusa de seda preta sem mangas e óculos escuros, como sempre seus lábios estavam cobertos por um batom avermelhado.
—O que é que você quer?
—Jura que você não sabe?— tirou os óculos e passou uma mão pelos cabelos.
—Sem joguinhos, Cabe, direto ao assunto.— disse irritado.
—Eu vim dar um recado, já que você ficou incomunicável o final de semana todo. Sabia que há anos Norman Osborn tenta uma parceria com as Forças Armadas?
—Não fazia ideia.— ele respondeu.
—Pois é, e aí vem você do nada e toma o lugar dele.— ela observou —E agora o expôs dessa maneira, ele não deve estar gostando muito de você.
—Eu não tomei o lugar de ninguém, só ofereci algo que era interessante e vantajoso.— Tony defendeu-se —Quanto a gostar de mim, não faço questão que ele goste, quase ninguém gosta.
—Eu gosto de você.— ela sorriu —Mas não foi pra isso que eu vim aqui.— Bethany desconversou —Nós vamos à Base da Flórida no final de semana.
—Nós quem?
—Você, o Dr Ross e Eu, e lá encontraremos com o Major Carter.— informou —Após analisar o pregresso com os soldados daqui, Washington decidiu que está na hora de expandir o tratamento com o Brave.
—Washington decidiu, e eu sou avisado assim?— mostrou-se indignado —O Carter esteve aqui há uma semana e não me disse nada.— observou indignado.
—Você estava incomunicável, esqueceu?
—Não sei se irei à Florida assim de supetão, não vou deixar a...
—A primeira dama tem autorização para nos acompanhar, se for esse o problema.— Bethany revirou os olhos.
—Você e a Pepper juntas num voo até a Florida?— ele riu —É capaz de não chegarmos vivos lá.
—Ninguém disse que vocês têm que voar no avião da Força Aérea, você só tem que estar lá às 14h de sexta-feira.
—Isso é tudo?— ele perguntou.
—Sim.— respondeu caminhando em direção à porta —Não fui tão desagradável hoje, fui?— perguntou e Tony absteve-se da resposta —Talvez eu mereça um beijo por isso.— deu um passo na direção dele e ele se esquivou —Acho que isso significa não.— disse sem graça —Mande um ‘alô’ para a primeira dama em meu nome.— Cabe caminhou pelo pátio em direção aos portões da mansão.
No final do dia, na empresa, Pepper estava em sua sala conversando com Gilmore, ainda não havia dito nada sobre a promoção, mas já falava sobre seus planos em trazer o escritório dele para a sala ao lado da sua.
—Eu agradeço, Virginia, mas...
—Você vive desempenhando a minha função, Richard, é normal que eu o queira mais perto.— argumentava —E você sabe que em breve eu terei que me ausentar. O Tony herdou isso tudo, mas nunca teve tato pra administrar a empresa, eu a assumi sem experiência alguma...
—Você tem talento nato para a função que desempenha.— ele disse.
—Agradeço.— sorriu —Você foi o único que sempre acreditou em mim, pensa como eu, e sabe a minha forma de conduzir as coisas, eu só confio em você para administrar a empresa na minha ausência. Você sempre mereceu aquela sala.— ela o olhou como quem busca consentimento para seguir em frente.
—Tudo bem, você venceu.— Gilmore sorriu.
—Você tem carta branca para mudar a decoração a seu gosto. Quarta-feira quero oferecer um jantar em casa para você e Emily, tudo bem?
—Tudo...— mostrou-se receoso —Tudo bem.
—Ótimo.— Pepper sorriu, fosse com Tony ou com qualquer empresário da Stark ela sempre conseguia o que queria, mesmo que demorasse, mas, às vezes as negociações levavam apenas alguns minutos. Seguiu para o estacionamento na companhia de Richard, então despediram-se.
Um determinado quilômetro do percurso entre a empresa e a mansão estava intransitável, viu-se forçada a tomar outra direção. Em sua nova rota passou por uma avenida tradicionalmente comercial e a vitrine de uma loja especial chamou a sua atenção. Minutos depois, saiu da loja com um sorriso bobo nos lábios, era a primeira compra para o bebê, a primeira de muitas, ela pensava.
—Jarvis, o Sr Stark está no laboratório ou na oficina?— perguntou eufórica, queria mostrar a ele o que havia comprado.
—Na suíte.— Jarvis respondeu a surpreendendo.
Quando ela chegou à suíte, Tony estava no banho, colocou a sacola e a bolsa sobre a cama, livrou-se das sandálias e entrou no banheiro na ponta dos pés, ele estava de costas para a porta. Ficou alguns minutos encostada a pia, deleitando-se com a visão da água correndo pelo corpo másculo e perfeito de seu marido, até ele virar-se e flagrá-la.
—Plateia.— sorriu malicioso —Você sabe que pode fazer mais do que ficar só assistindo.
—E-eu, sei.— disse com o rosto queimando de vergonha —Que novidade é essa?
—Tomar banho é algo que eu costumo fazer. Mas acompanhado é muito melhor.— disse a chamando para dentro do box.
—Não vou entrar aí, e eu estou falando do horário, você nunca sobe tão cedo. Combinamos algo e eu esqueci?
—Não.— respondeu fechando a chuveiro, saiu do box e enrolou-se numa toalha branca —Eu só queria estar cheiroso quando você chegasse— ele chegou mais perto encostando seu peito molhado ao dela, beijou-lhe o pescoço e depois os lábios.
—Hummm...Tony— murmurou contra os lábios dele —Você...está...me...molhando.— disse entre beijos.
—E...?— mordiscou-lhe o lábio inferior, e abriu os primeiros botões da camisa azul-clara que ela usava.
—E...nós não vamos chegar onde você quer, garotão, pode sossegar.— o empurrou e deixou o banheiro, Tony passou por Pepper caminhando em direção ao closet —Pega algo pra mim, pra que eu possa tirar essa roupa úmida, por favor.— pediu Pepper.
Tony logo voltou, vestindo uma calça de moletom preta e uma camiseta regata da mesma cor, entregou para ela um short jeans e uma camiseta amarela que caía sobre um dos ombros, que Pepper prontamente vestiu.
—Olha o que eu comprei.— sorriu ao pegar a pequena sacola sobre a cama —Não é fofo?— perguntou com um par de sapatinhos de lã branca sobre a palma da mão.
—É...muito...pequeno.— sentou na cama, boquiaberto.
—É...não, é? Imagina o tamanhozinho de pé pra caber aqui.
—Porque branco?— Tony perguntou.
—Porque ainda não sei se será menino ou menina, na verdade eu tinha planos de não comprar nada até saber, mas passei em frente à loja e não resisti.— ela explicou —O que foi?— estranhava a reação dele, Tony parecia em choque.
—Ele...ou...ela vai nascer muito...— engasgou —E se eu não souber lidar com alguém tão pequeno?— perguntou assustado a fazendo rir.
—Você vai saber, até porque, você já tem certa experiência, lembra que você me contou que se deu muito bem com aquele garotinho que te emprestou a garagem, como era mesmo o nome dele?
—Harley. Mas é diferente, ele não era tão pequeno.
—Você é ótimo com a Emma.— ela argumentou.
—É diferente, amor, você não está me entendendo.
—Claro que eu entendo, mas quando você estiver com o bebê nos braços saberá exatamente o que fazer, você será um pai incrível e o nosso bebê vai te amar muito.— ela disse e o abraçou.
—Eu vou proteger vocês.— ele disse e ela julgou que tivesse a ver com os últimos acontecimentos —Eu sempre vou proteger vocês.— a apertou contra si, enquanto seu rosto estava na curva do pescoço dela.
—Eu sei disso.— afastou para olhá-lo —Nunca duvidei disso.— beijou-lhe os lábios.
—Tenho uma coisa pra falar, sobre o trabalho com o Brave.
—Tenho certeza que é importante, mas pode ser depois do jantar? Porque eu também tenho algo pra falar, mas queria deixar pra depois, porque eu estou com fome.
—Não é tão importante.— levantou-se da cama e estendeu a mão para ajudá-la —O que nós vamos jantar hoje?
—Não sei.— pendeu a cabeça para a direita —Mas até chegarmos lá em baixo eu decido.
Depois do jantar, Pepper contou sobre a conversa com Gilmore e sobre o convite que fez, Tony aprovou a ideia. Então chegou a hora dele contar como havia sido o seu dia, Pepper não gostou da novidade, mas garantiu que iria com ele à Florida, sabia que podia confiar nele, mas jamais arriscaria deixá-lo a mercê de Bethany Cabe em outra cidade, mesmo que fosse por poucas horas.
(...)
A terça-feira passou sem que nada fosse divulgado sobre o escândalo das Indústrias Oscorp, a não ser especulações sobre pedidos de indenizações, o que fez Norman acreditar que sua estratégia havia dado certo, mas a possibilidade de perder dinheiro ao ser obrigado a pagar indenizações o irritava profundamente.
(...)
Para o jantar da quarta-feira, Pepper contratou os serviços de um cozinheiro particular, optou por um cardápio tipicamente italiano, sugerido por Lauren. Havia deixado e empresa mais cedo naquele dia para receber o rapaz na mansão, quando ele começou seu trabalho ela subiu para a suíte.
Tony chegou ao quarto, e Pepper já havia se banhado, procurava algo para vestir —Tem um homem estranho na nossa cozinha.— ele disse.
—Um cozinheiro, você quer dizer?— perguntou ao pegar um cabide.
—Cozinheiro, homem e estranho. Você não pode deixar um desconhecido assim livre pela casa.— ele disse, quando ela desfez o laço do hobby.
—Ele me foi muito bem recomendado, e todos os passos dele estão sendo vigiados. Você sabe que ele não saiu da cozinha.— deixou o hobby cair e colocou-se dentro e um vestido preto com detalhes em bege nas laterais —Fecha o zíper pra mim, por favor.— virou-se de costas para ele.
—Foi bem recomendado por quem?
—Pela Lauren, o pai dele é cliente do Paolo, a família dele é dona daquele restaurante italiano que a gente adora, aquele no centro.
—O Civello’s?
—Isso. O rapaz lá na cozinha é o Luca, o mais novo dos Civello’s informou.
—Você conhece todos eles?— perguntou cismado.
—Amor, o zíper.— chamou-lhe a atenção e ele enfim fechou-o —Não, eu não conheço todos eles.— virou-se e envolveu seus braços ao redor do pescoço dele —Acho esse seu ciúme tão divertido.— beijou-lhe os lábios.
—Não é ciúme, é cuidado.— colocou o cabelo dela atrás da orelha.
—Tá bom, meu marido zeloso e nada ciumento.— ele sorriu —Vá tomar um banho porque as visitas estão prestes a chegar.— disse soltando-o.
Quarenta minutos depois, quando Tony chegou à sala, Pepper já estava na companhia de Richard e Emily —Desculpe a demora.— disse ele.
—Nós chegamos um pouco adiantados, creio eu.— Richard levantou para cumprimentá-lo —Como vai, Anthony?
—Bem, obrigada.— Tony respondeu —Sra Gilmore.— acenou para Emily que retribuiu o cumprimento.
Os casais conversaram por um bom tempo até que Pepper não aguentou e teve que revelar a Gilmore o motivo do jantar.
—Eu...não sei o que dizer.— Richard disse aturdido.
—Diga que aceita.— Tony pronunciou-se.
—Você sabe quais são os meus motivos e o quanto confio no seu trabalho.— Pepper completou.
—Eu...aceito, claro que aceito.— Gilmore respondeu.
—Vamos brindar.— Tony pegou as taças e uma garrafa de champanhe —Amor, suco pra você— disse ele.
—Mas há uma condição...— Pepper disse após o brinde —Lorelai continua comigo, você vai ter que contratar sua própria secretária.— Gilmore concordou.
O jantar foi servido, e logo depois a sobremesa. Pepper deixou os homens conversando na sala e foi à cozinha com Emily, agradeceu a Luca pelo jantar, depois o dispensou.
—Podia jurar que ele era seu funcionário.— Emily comentou.
—O contratei apenas essa noite, nós não temos funcionários, quer dizer, temos, mas não alguém que cozinhe. Nós quase não paramos em casa, raramente recebemos alguém...é mais pratico assim, poucos empregados.
—Por enquanto.— Emily observou.
—Pois é, daqui uns meses terei que me preocupar com babá, mas ainda há tempo.— disse Pepper —Até lá vou preparando o Tony, ele parece muito despojado, mas detesta ter o seu espaço invadido, tem que chegar de mansinho, ele é muito metódico, cheio de manhas e manias.
—Você fala dele com uma propriedade surpreendente, parece um casamento de anos.— Emily comentou.
—Resultado de uma convivência de mais de dez anos, que nem sempre foi fácil e ainda não é, mas eu escolhi viver com ele. E desde que nós decidimos apostar em nós, tem sido uma escolha diária.— Pepper disse a passos lentos de volta à sala.
Na companhia de seus maridos, conversaram um pouco mais, passava dez da noite quando o casal Gilmore deixou mansão.
—Eu gosto dos Gilmore, aliás, Emily está menos arredia comigo, percebeu?— Tony perguntou, livrando-se do blazer que vestia.
—Ela parece um pouco antissocial, mas é um amor, sempre foi atenciosa comigo.— Pepper comentou, livrando-se dos sapatos —Me ajuda com o zíper novamente?
—Quem é que não gosta de você?— perguntou abrindo o vestido dela lentamente.
—As suas ex e todas as outras que queriam ser futuras ex?— questionou irônica. Pepper trocou de roupa, foi ao banheiro escovar os dentes e tirar do rosto a leve maquiagem que fizera —Você não vai deitar?— perguntou ao ver que ele ainda vestia as mesmas roupas.
—Daqui a pouco, preciso ajeitar umas coisas no laboratório.— disse ele.
—Promete não demorar?— perguntou ao deitar-se.
—Prometo, mas tenho certeza que mesmo que eu demore dez minutos a hora que eu voltar você estará dormindo.— caminhou até a cama e deu-lhe um beijo —Boa noite, eu amo você.
—Também te amo.— murmurou —Não demora— o ouviu deixar o quarto.
Meia hora depois Tony voltou ao quarto e Pepper estava em sono profundo, começava a acreditar que não era mito a história de que as grávidas sentiam mais sono e mais fome que o normal. Trocou as suas roupas escovou os dentes e juntou-se a ela. Como sempre aconchegou seu corpo ao dela, podiam separar-se durante a noite, afinal, a cama era enorme, mas ele gostava de pegar no sono assim, junto dela. Beijou-lhe os cabelos e fechou os olhos.
Em seu sono, Tony ouviu um grito aflito de Pepper e acordou num sobressalto, julgava ser um sonho até ouvi-la novamente, chamando por ele ainda mais forte que antes, não era um sonho. As luzes do quarto se acenderam. Pepper estava encolhida como uma bola com as mãos ao ventre.
—Está doendo muito, Tony.— disse com dificuldade.
—O que foi?— Tony perguntou preocupado.
—Uma pontada lancinante.— gemeu —Estou com medo.— ela entrava em pânico e ele também.
Tony já havia levantado e calçado os chinelos, então pegou-a nos braços —Você vai ficar bem, eu prometo.— correu em direção ao elevador.
—O meu bebê...
—Nada vai acontecer com ele.— disse quando o elevador chegou à garagem.
Colocou-a no carro e tomou a direção, ela chorava e suplicava, pedindo que suas suspeitas não se confirmassem. Tony dirigia o mais rápido que podia exigindo o máximo do motor do automóvel.
—Eu não posso estar perdendo.— chorava —Deus, não, por favor.— clamava aflita.
—Você não está, não pense nisso.— ao tentar acalmá-la oscilava o olhar entre a estrada e a sua esposa, tentando não deixar transparecer que estava tão apavorado quanto ela.
Pepper sentiu algo quente escorrer entre suas pernas, introduziu a mão sob a camisola e sentiu sua lingerie úmida, entrou em desespero. Estava sangrando. —O nosso bebê, Tony, estou perdendo o nosso bebê.— tremia olhando para os dedos sujos.
Quinze minutos depois de deixarem a mansão, Tony entrava com Pepper nos braços no amplo saguão do hospital, por coincidência, ao contatar a Dra Eva, ela estava no hospital.
—Quando as dores começaram?— Eva perguntou quando Tony deitou Pepper numa maca.
—Há uns vinte minutos.— atormentado, seguia a Dr e outra médica que a acompanhava —Ela vai ficar bem, não vai?
—Agora ela fica comigo, você espera aqui.— Eva disse para Tony antes de adentrar uma área restrita.
Tony viu-se obrigado a soltar a mão de Pepper, mesmo que seu olhar suplicasse para que ele fosse com ela. Deixou-a aos cuidados da Dra, queria fazer algo, mas naquela situação ele era impotente, naquele território os heróis eram outros, ele era só um homem comum.
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