Notas iniciais
A morte é uma dádiva e a vida um aprendizado.

O barulho do despertador ecoou pela casa de Daniel pela manhã anunciando que já eram oito horas, Daniel levantou-se da cama ainda de olhos fechados em direção ao banheiro, tomando um banho e escovando os dentes. Daniel era um garoto branco com cabelo liso e franzino, magro parecia que não se alimentava, porém demonstrava uma ótima saúde para um jovem de vinte e três anos. Arrumou-se sem pressa para o trabalho, pegou sua bolsa na cozinha, uma torrada, e saiu correndo, nada anormal para um jovem que trabalhava nove horas por dia e quase não via o acontecia no mundo. Chegando ao ponto de ônibus encontrou sua amiga Carolina uma bela garota, cabelos longos, morena, queimada do sol e vestia uma roupa social com meio salto, que ali estava aguardando o coletivo também. Os dois se cumprimentaram com um beijo no rosto entraram os dois no ônibus que os levará à estação de metro Santa Cruz, conversavam sobre o cotidiano e a faculdade. E todos os dias Daniel fazia a mesma coisa, casa, trabalho e faculdade, mesmo aos finais de semana quando encontravam seus amigos tirava de sua cabeça como a rotina o matava, e o mantinha em uma vida sem sentido, mesmo que não tivesse algum familiar para conversar, já que seus pais haviam morrido em um acidente de carro, e poucas vezes expressava seu sentimento a alguém.

Daniel tinha seus grandes amigos Carlos, Lucas e João que toda quarta-feira quando possível juntavam-se para assistir futebol, entre conversas e cervejas que iam aos montes. Sua casa quase não se reconhecia, mas era algo cativante que Daniel gostava de fazer.

– E a Carol, nada ainda com ela? — Perguntou Carlos discretamente para Daniel. Carlos era careca usava óculos, moreno e com um estilo alternativo de roupa com gravata fina.

– Sinceramente ainda não sei, ando meio distraído, mas penso nela sempre. — Respondeu Daniel. – Mas ela não demonstra estar afim de mim, categoricamente falando. — Completou Daniel gesticulando com uma das mãos, já que na outra estava com uma pequena garrafa de cerveja.

– Entendeu. Mesmo assim você deveria tentar alguma coisa, à Julia me ligou semana passada.

- Sério? — Perguntou Lucas, eufórico, um garoto serelepe, branco com cabelos espetados, olhos verdes claros e com um humor pouco visto nas pessoas. — Você deveria investir ela é sensacional. Completou Lucas.

- Respeita minha garota. Pediu Carlos.

- Olha o cara querendo a garota do amigo. — Disse João, o cabeça da turma, estudioso, mechas loiras, moreno claro e desajeitado.

- É brincadeira. Disse Lucas.

Daniel pensou mesmo naquilo ele sentia algo pela Carolina desde criança e quando estudaram juntos no ensino médio.

Numa noite depois saindo da faculdade Lucas e Daniel foi ao bar ao lado da universidade tomar uma cerveja, lá fora a chuva caia forte. Raios estavam por todo o céu seguido de trovões aleatórios. Lucas já não estava tão bem, e começara a falar de sua vida, como as coisas não estavam indo muito bem e quanta raiva ele estava.

– Toda vez Dan, meu chefe briga comigo sem motivo algum tenho vontade de explodir tudo naquela merda de empresa. – Lucas falava alto por culpa da bebida que já fazia efeito e demonstrava que seu dia não foi dos melhores.

– Fica calmo meu caro, não vá fazer merda. Disse Daniel.

Lucas e Daniel já se conheciam há muito tempo desde a pré-escola, faziam tudo juntos, mesmo depois que os pais de Daniel morreram Lucas estava lá presente, para consolar o amigo que na época estava com 19 anos, mas Lucas era diferente de Daniel, sempre muito raivoso mesmo para um amigo cômico, seu trabalho em uma grande empresa o deixava estressado, nada para ele estava certo. O mundo era pura conspiração e nada era por acaso.

– Melhor irmos embora Lucas, a chuva não vai parar e tenho que acordar cedo, para ir ao mercado. Falou Daniel levantando o amigo no braço.

– Sim vamos, já estou mal.

- Só segura minha bolsa, vou ao banheiro e já vamos. — Levantou Daniel derrubando a bolsa e indo ao banheiro.

Lucas foi recolher as coisas do amigo que se espalharam pelo bar, quando um livro diferente lhe chamou a atenção, um livro médio com capa preta bem velha e com um tipo de couro diferente. Não era um livro normal, marcas de arranhões e um título escrito pelo que parecia ser por uma faca dizia: O Livro Da Morte, Lucas ficou por um tempo vendo o livro, mesmo não pegando em suas mãos, sentiu algo diferente, o ar ao seu redor ficou pesado, não conseguia se mexer, era como se a pressão ao seu redor fosse te sufocar. Ele preferia a morte. Foi quando Daniel apareceu voltando do banheiro, guardou o livro e tocou no amigo como se o acordasse de um sonho, uma ilusão.

- Você está bem? Perguntou Daniel a Lucas. – Você parou do nada, vamos embora?

- Sim vamos, vamos... — Estou um pouco cansado e com sono. — Disse Lucas coçando os olhos e pegando sua mochila e colocando nas costas.

A chuva já havia cessado um pouco, as ruas estavam encharcadas, outras pessoas saiam da universidade, onde encontraram João e Carlos. Lucas e Daniel estudavam o mesmo curso, Carlos e João cursavam outros, mas na mesma instituição;

- Saíram mais cedo? Perguntou Carlos.

-Sim, saímos e viemos tomar uma cerveja, só que um Lucas tomou um pouco mais.

- Vocês podiam esperar, mas agora já está tarde. Disse João

O celular de Daniel começou a tocar e atendeu, era Carolina que acabará de sair de outra faculdade.

- A Carol está nos esperando no metro, ela e a Julia. ­- Disse Daniel guiando todos em direção à estação.

Lucas seguiu no caminho com os amigos pensativo, algo não estava bem, sua cabeça estava pesando, seu corpo cansativo diferente do que ele está acostumado quando ele bebe.

Pensava consigo — Que livro era aquele? — Não era um livro comum, era algo estranho, que corroía sua mente.

Todos então encontraram Carol e Julia. Julia uma menina com cabelos cacheados bem loiros, olhos bem verdes, e com um sorriso realmente lindo. Juntos se cumprimentaram e entraram na estação, Carlos sentou- se ao lado de Julia, e foram conversando e enquanto Lucas sentado com a cabeça na janela e Carol ao seu lado, conversava com Daniel e João que foram em pé.

- Que surpresa te encontrar na biblioteca central antes de ontem em Dan? — Perguntou Julia á Daniel que fez uma cara de surpresa.

- Verdade tinha até me esquecido. -Lembrou Daniel, mesmo dizendo que tinha esquecido.

- Você em uma biblioteca? — Perguntou Carol. — Virou leitor ávido agora?

- Fui só buscar um livro que não estava encontrando na biblioteca da faculdade e não comprei, pois, estou economizando. — Completou Daniel.

- Bom já vamos descer pessoal. -Disse Julia á Carlos e João. – Vamos marcar algo para amanhã, sábado? -Perguntou Julia levantando-se e indo em direção à porta.

- Vamos naquele novo bar próximo a Paulista? – Perguntou Carol entusiasmada.

- Ótima ideia, fechado então. -Respondeu Julia e todos menos Lucas que continuava com sua cabeça na janela. Julia desembarcou com Carlos e João e na estação seguinte Carol e Daniel carregando Lucas desembarcaram na próxima estação Carol deu um tchau aos meninos e seguiu para pegar o ônibus enquanto Lucas e Daniel foram caminhando pela rua do bairro onde poucos carros passavam, já que era quase dez horas. Lucas parou por um momento, colocou sua mão no joelho abaixou sua cabeça e começou a vomitar.

- Você está bem? — Perguntou Daniel a Lucas. – Bem que eu disse para você não beber demais.

- Estou bem, só preciso chegar à minha casa. – Respondeu Lucas que continuava a vomitar. – Que livro estranho era aquele na sua bolsa? Perguntou Lucas levantando a cabeça e continuando a andar.

- Nada demais, só um que achei interessante na biblioteca e peguei para ler. Respondeu Daniel, fingindo ser só mais um livro.

- Muito estranho ele, parece que fiquei mal só de chegar perto. Disse Lucas que caminhava ainda cambaleando.

- Isso tem outro nome, Álcool. – Ambos começaram a rir.

Lucas ficou em casa e Daniel foi para onde ficava sua casa. Trocou de roupa rapidamente, ligou a televisão e caçou algo na sua quase vazia geladeira, preparou rápido um macarrão instantâneo e sentou no sofá. Mudou bastante de canal antes de achar algo que prestasse para assistir, e fuçou por diversas vezes o celular, que continha uma mensagem da Carol com a Seguinte mensagem: Não se esqueçam do nosso bar amanhã, beijos e boa noite. Uma pequena mensagem que deixou Daniel esperançoso já que decidirá daquele momento falar de vez com Carol, sobre seus sentimentos, tinha ele certeza que aquela era a hora. Momentaneamente quando ia deitar-se no sofá, derrubou sua bolsa no chão da sala, onde viu o livro e pegou para ler. O Livro da Morte. Abriu o livro e dizia na contra capa: A morte é uma dádiva e a vida um aprendizado. Virando novamente a página deparou-se com a seguinte descrição:

Neste livro contêm as mil cento e dezenove regras que devem ser seguidas pela morte e como deve agir para com os espíritos encarnados que vão desencarnar, seguindo exatamente cada item, seguindo ordens supremas, para a continuação da vida na Terra. Este livro deve ser guardado seguramente, sendo proibido cair em mãos humanas para o próprio bem do mesmo. O mundo de onde veio este livro é totalmente diferente do seu mundo, podendo lhe causar sério problemas já diagnosticados futuramente e no passado pelo seu mundo. Se mesmo assim quiser continuar daqui rezamos para que seja uma boa pessoa sempre iluminada e lembre-se sua consciência é teu guia, teu anjo e pode ser até seu irmão, escute-a ela só vos dá argumentos.

Daniel parou momentaneamente de ler, pois olhou para algo que para ele parecia interessante na televisão. Bocejou pela primeira vez enquanto atentava-se ao que passava e bateu o olho em seu celular e em seu cigarro do qual pegou um para fumar, ascendeu e continuou a ler a página seguinte que dizia:

Escrito em 21 de Novembro de 2032...por...

O nome da editora estava apagado, junto com o nome de quem o escreveu, mesmo assim Daniel continuou a ler e na primeira página dizia.

I: É terminantemente proibido para a morte tirar uma vida pensante, seu dever é apenas guiar.

Daniel parou por um momento sentiu-se estranho e com os olhos embaçados, viu que o que assistirá já havia acabado, e que já passavam das onze e meia, só queria ir dormir, pois os pensamentos em seus pais começavam a brotar em sua cabeça. Queria mesmo era sua cama bagunçada e se esticar, mas sem perceber já estava em um sonho, deitado em na sala com a televisão ligada e com o livro aberto.