Do Inicio ao Fim. O livro da morte
2 Capitulo-2 Um sábado diferente
Notas iniciais
Acordar é a certeza que a vida continua.
Daniel esparramou-se por todo o sofá sem camisa e com o livro em sua barriga, a televisão continuava ligada em volume baixo, seu cansaço nem ao menos deixou perceber que largou o macarrão instantâneo ainda na tigela. Em sua mente a viagem estava longe, e não era sobre o livro, ou nenhum de seus amigos, foi os últimos momentos com sua mãe e seu querido pai, ele nem sempre sonhava com eles, e foi um sonho estranhamente real. No relógio já mostrava duas horas e cinquenta e cinco minutos quando Daniel ouvirá seu nome, baixo, mas aumentando, escutava passos então se levantou para ver o que era. Subiu as escadas para ver se estavam chamando do seu quarto, o som só aumentava e a suplica pelo seu nome era grande.
-Daniel, Daniel. Daniel.
- Quem está aí? -Perguntou Daniel abrindo a porta do seu quarto, e viu sua mãe, parada, na beira da cama, sentada imóvel.
Daniel ficou imóvel, não saía nada de sua voz, nem uma palavra nem um suspiro, nada, exatamente nada. Sua mãe levantou-se foi em direção do garoto, e Daniel acordou assustado do sofá onde estava o livro que cairá de seu colo e a televisão da mesma forma ligada, no relógio o horário continuava o mesmo. Daniel levantou-se e sentou, coçou o rosto e o cabelo, foi então até a cozinha e pegou um copo d’água, desligou a televisão, e foi para seu quarto, onde poderia dormir mais sossegado. Quando foi pela manhã Daniel acordou rapidamente, assustado, pegou seu celular e viu que já era dez da manhã de sábado, continuou por mais um tempo em sua cama tentando voltar a dormir, mas foi inútil, seu sono já havia sido interrompido pela rotina que levava toda semana. Foi então para o banheiro e ficou por trinta minutos tomando um banho do qual ele sabia que podia demorar já que não iria trabalhar. Colocou uma roupa casual e desceu para tomar um café, e ver que na geladeira havia uma mensagem do sábado anterior que ele mesmo deixará para ir ao mercado. Sentou- se então no sofá, pegou o controle e ligou a televisão no canal de esportes, viu que o livro que lia na noite anterior estava caído no chão aberto, com as páginas para baixo. Voltou a ler da parte que lhe havia parado;
I.É terminantemente proibido para a morte, levar aqueles que em sã consciência ainda estão vivos.
II.A morte não pode influenciar seres pensantes para desencarnar.
III.A morte não deve de forma alguma guiar aqueles que tiraram sua própria vida.
IV.A Dor não é a morte.
V.A morte não tem dor
VI.A morte é a vida
VII.A vida é a morte
VIII.A morte não tem fim
IX.O fim não é a morte
X.A morte é um espirito pensante
Daniel parou de ler o livro, fechou e começou a olhar novamente a capa preta de couro com inúmeros arranhões que continham ali, olhando bem de perto reparou com um número que parecia ter sido escrito com algo pontudo, como uma navalha, faca ou algo do gênero, o número era pequeno, foi então pegar uma lupa que havia na gaveta abaixo da estante da televisão. Era o número 911, Daniel ficou pensando em milhões de hipóteses do porque aquele número, mas nada lhe veio à cabeça. Levantou- se então colocou uma calça jeans, calçou o tênis e recolheu sua carteira, celular e cigarro e colocou nos bolsos. Tirou novamente o celular do bolso e ligou para Lucas.
- Tudo bem, já está melhor? — Perguntou Daniel
- Sim já estou; Respondeu Lucas. — Meio lesado ainda, mas já estou melhor, o que manda? Perguntou Lucas.
- Estou passando aí, vamos ao mercado comigo? — Pediu Daniel.
- Vamos, passa aí.
Daniel então deligou a televisão, deixou o livro em cima da mesa, e saiu trancando a porta, um vento então abriu o livro em uma página com a seguinte descrição:
XCI- A morte tem direito a levar vida dos encarnados que não amam sua vida.
XCII- Caso uma vida tire outra vida, a morte não pode mata-lo sem ser julgado.
XCIII- A morte pode guiar aqueles que morreram por culpa de outra vida.
Daniel foi então até a casa de Lucas pegou o cigarro do bolso e o ascendeu, foi caminhando e viu Caio amigo que moravam na mesma rua, e cresceu com ele e Lucas. Caio era moreno vestia bermuda e camisa regata com óculos escuro preso na cabeça. Estava ele lavando um carro cinza e uma criança brincava na parte de trás em uma pequena piscina redonda.
- Fala Caião, Tudo bem? -Perguntou Daniel ao amigo.
- Fala Dan, está sumido em? – Respondeu Caio. – A última vez que te vi, foi há três semanas.
- Trabalho e faculdade estão matando. — Respondeu Daniel. — E esse mulecão só está crescendo. A Clarinha está bem? Perguntou Daniel sobre a esposa de Caio. Caio Daniel, Lucas e Clara cresceram juntos no mesmo bairro desde que nasceu, mas Caio casou-se cedo com Clara uma garota negra, lábios grandes, magra e com cabelos bem cacheados. Tiveram o pequeno Natanael, que já tinha três anos de idade.
- Pois é já está dando trabalho. – Respondeu Caio. — A Clara foi na mãe dela, provavelmente vão ao mercado.
- Bom, vou indo preciso ir ao mercado também, abraços, Saiu Daniel indo para o outro lado da rua e jogando fora o cigarro que tinha acabado.
Foi na casa de Lucas, era uma casa simples, assobradada com um pequeno jardim na frente, bateu na porta e uma senhora com cabelos amarrados atendeu, meia idade, um pouco gorda, com casaco listrado mesmo com o sol que estava.
- Oi Dan, tudo bem? Perguntou à senhora
- Tudo sim, Tia Rose, tudo bem com a senhora? Respondeu Daniel a senhora perguntando logo em seguida.
- Estou bem filho, entra o Luquinha já está descendo. – Disse a mãe de Lucas convidando Daniel a entrar. Luquinha era o nome carinhoso que a mãe de Lucas chamava ele. – Já tomou café filho? Perguntou a senhora a Daniel.
- Já sim tia, muito obrigado. – Respondeu Daniel
Lucas desceu as escadas e o encontrou.
- Mãe, vou ao mercado com o Dan e depois volto.
Os dois então saíram e foram ao mercado e não demoraram muito para que voltasse com sacolas na casa de Daniel, Lucas pegou um pacote de salgado e começou a comer e sentou-se no sofá onde viu o livro aberto em cima da mesa de centro. Lucas pegou o livro e começou a folhear, vira às mesmas descrições que Daniel viu na noite passada, Lucas voltou a se sentir mal quando tocou o livro e o deixou novamente em cima da mesa.
- Cara esse livro é muito estranho. – Indagou Lucas.
- Eu estava vendo ele ontem, achei meio brisa, algumas ideias de louco. Disse Daniel sentando no sofá e entregando uma garrafa de cerveja a Lucas e brindando com o amigo. – Hoje vi uma descrição de nove, um, um na capa de trás. Disse Daniel pegando algo dentro da caixinha de cigarro. – Afim de fumar um baseado? –Perguntou Daniel
- Mas é claro meu caro! Exclamou Lucas.
Os dois começaram a jogar vídeo game e fumar a maconha que Daniel tinha, os dois ficaram meio lerdos e desnorteados, mas não muito alto quando Lucas jogando um jogo de guerra reparou no número 911 nas ambulâncias do jogo e começou a lembrar de que o número de emergência no norte do mundo era aquele. Lucas ficou imaginando milhões de possibilidades a hora foi passando e passando quando os dois viram que já era por volta de dezoito horas, e o celular de Daniel começou a tocar, e era Carol, que enviara uma mensagem dizendo: 19 e 30 no metro Santa Cruz, espero vocês.
- A Carol mandou uma mensagem, vai nos esperar dezenove e trinta no metro. Disse Daniel a Lucas.
- Bom vou indo em casa tomar um banho e me arrumar e depois passo aqui. — Disse Lucas
- Faz o seguinte eu passo lá depois e já vamos de direto. Respondeu Lucas.
Daniel Tomou um banho arrumou a bagunça na sala e recolheu as garrafas de cerveja, e colou tudo em um saco, subiu no seu quarto e pegou sua mochila colocou uma blusa, um guarda chuva desceu e viu o livro que continuava na mesa de centro, e pôs dentro e saiu trancando a porta, e foi para a casa de Lucas que o esperava já na porta.
- Dan, você não sabe o que aconteceu, tia Celinha foi atropelada e está em coma. — Disse Lucas.
- Mas como isso aconteceu? – Perguntou Daniel
- Não sei bem, mas um carro a atropelou próximo ao mercado e não prestou socorro. Foi o que disse minha mãe. – Completou Lucas.
- Coitada da Clarinha, deve estar muito mal. – Murmurou Daniel.
- Vamos visitar a tia Celinha amanhã com certeza, mas agora temos que ir, pois estamos atrasados.
Lucas e Daniel encontraram Carol na estação e a mesma pediu desculpas os meninos, pois, não queria esperar sozinha no ponto de ônibus. Eles entraram na estação onde a plataforma não estava muito cheia e por incrível que podia parecer naquele dia estava vazia. O trem parou na estação e Lucas ficou olhando o número do carro em que eles entraram 1342, Lucas sempre teve uma mania observadora, e estratégica sobre as coisas, sempre foi bem na escola, um garoto criativo e sempre gostou de coisas lógicas. Na Estação seguinte eles encontraram com Julia, Carlos e João que entraram no mesmo trem, no banco Lucas levantou-se para que Julia senta-se, pois Carol e Daniel estavam em um banco, no outro um rapaz lia o jornal com a data anterior na parte do horoscopo. Todos então se cumprimentaram e conversavam sobre coisas distintas, havia um casal quase no fim do vagão beijando-se, a mulher com blusa vermelha e cabelos longos, e o rapaz que aparentava ser mais alto que ela. O metro parou novamente na próxima estação e mais algumas pessoas entraram. Duas garotas e um rapaz, o trem ficou por cerca de um minuto parado e fechou suas portas enquanto o maquinista anunciou que a próxima estação era Paraiso, o trem então foi em uma velocidade acelerada e pouco vista nos dias de semana, muitas pessoas estavam indo para curtir a noite de sábado. O trem então acelerou mais e chacoalhava, quando as luzes se apagaram e o barulho dentro do túnel ficou muito mais alto e tudo, exatamente tudo, se silenciou e as pessoas voavam em cima das outras, Carlos segurou Julia que saltou do banco, mas os dois caíram no chão o rapaz sentado batera sua cabeça no ferro do de apoio ao lado do banco e Lucas e João voaram para frente do vagão. Carol não parava de gritar e Daniel a segurava forte, mas não foi de adianto já que os dois voaram por cima do rapaz desacordado tudo então se apagou e um clarão tão forte quanto a luz do sol silenciou o momento e deixou todos desacordados.
O trem simplesmente parrou em uma plataforma vazia sem nenhuma pessoa presente, e abriu suas portas que permaneceu ali parado, sem ninguém embarcar ou desembarcar. Dentro do vagão estavam Lucas, Carol, Daniel, Julia e João caídos e com algumas feridas, os outros passageiros estavam ali também desacordados, alguns sangrando mais que os outros, mas todos muito feridos, e não se escutava nada, era o silêncio que dominava o local, as escadas rolantes da estação continuavam subindo e descendo o relógio da plataforma parou e não dava sequência.
Lucas então tentava abrir os seus olhos, não conseguia se mover e nem ao menos ver como estava os amigos, em sua cabeça estava tudo nebuloso e não conseguia se lembrar de como tudo havia acontecido. Foi tentando se levantar aos poucos e conseguia ver agora Daniel tentando se erguer e ver os outros, foram todos aos poucos tentando levantar, Daniel então ajudou Carol a sentou no banco que estava na plataforma, Lucas ajudou João a carregar Julia pelos braços pois a mesma continuava desacordada, e voltaram para dentro da plataforma, para ajudar os outros passageiros quando escutaram um grito berrante de uma das passageiras que acabará de acordar. Todos então correram junto para ver o que acontecia e se ela precisava de ajuda. Uma mulher loira que havia entrado com mais uma amiga e um amigo, cabelos longos, uma camisa regata branca, saia preta e salto alto. A camisa estava cheia de sangue não parava de chorar.
- Não consigo encontrar meus amigos não consigo encontrar eles, eles estavam do meu lado. – Chorava a garota.
Daniel se lembrará de vê-la entrando com os dois amigos que realmente não se encontravam juntos aos outros, o homem no fundo dizia o mesmo.
- Minha namorada também sumiu não esta aqui. — Disse o homem alto, que vestia calça Jeans, camisa longa, branco com cabelo topete preto.
Daniel então saiu do vagão olhou para a plataforma e voltou para onde estava sentando, e reparou que Carlos e o rapaz com o jornal havia também desaparecido.
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