Dividida
4 Ciúmes
Notas iniciais
Eu e o Cebola finalmente tínhamos nos acertado, não estávamos namorando, mas estávamos ficando e isso pra mim já era bom o suficiente. Desde aquele dia no shopping nós não paramos de nos ver, ele sempre sabia como me agradar e nossa relação avançava cada vez mais, em todos os sentidos... Na última vez que nos vimos na casa dele, os amassos quase iam longe demais, mas eu ainda achava muito cedo para isso, a gente ainda nem namorava. Só tinha uma coisa com a qual não concordávamos e era em relação a Magali... Ele queria que eu me afastasse dela porque segundo ele isso queimava o meu filme, mas eu não podia deixar a minha amiga que sempre esteve comigo. Aqui estou eu sonhando com o dia em que o Cê vai me pedir em namoro de verdade quando a Magali bate na porta do meu quarto
– Amiga?
– Oi Maga!
– Vim te ajudar, a organizar as coisas, afinal você voltou hoje da casa da sua avó! E vim te lembrar de outra coisa...
– Lembrar-me do que?
– Você esqueceu mesmo, Mô? Não acredito... Hoje é o dia da festa do DC, a chegada do Nimbus!
– Que merda a minha ter esquecido, mas o DC não fala comigo desde aquele dia em que ele surtou no shopping, acho que a última pessoa que ele quer ver sou eu
– Claro que não, amiga! Eu tenho falado com ele e ele só não veio falar com você por vergonha!
– Você jura? Esses dias só não têm sido perfeitos porque a gente tá brigado!
– Juro boba! Ele te ama, mais do que você imagina
– Espero mesmo que sim!
A Maga passou a tarde toda me ajudando a organizar tudo lá em casa, depois meus pais chegaram trazendo um lanche pra gente e quando estava anoitecendo começamos a nos arrumar. Eu não fazia à mínima ideia do que vestir, então esperei a Maga. Quando ela acabou estava deslumbrante, usava um vestido preto que ressaltava seu corpo, saltos altos e seus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo bem diferente.
– Precisa mesmo disso? É só uma festa na casa do DC...
– Claro que precisa, não esquece que a família dele é super rica e que mesmo que fosse um churrasco a gente ia ter que usar a nossa melhor roupa.
– Engraçado né... O DC é tão simples, mas tem tanto dinheiro
– Você vai querer ajudar pra se vestir?
– Vou sim! O que você acha desse? – Apontei pra um vestido vermelho que era o meu preferido
– Lindo, mas não pra essa ocasião. Vamos pensar juntas – reviramos todo o meu guarda roupa até que a Magali achou um vestido azul escuro que realmente era lindo – Esse está ótimo! Agora vamos ver o que a gente vai fazer nesse seu cabelo e com essa sua cara
– O que tem de errado com a minha cara e o meu cabelo?
– Nada amiga, mas é uma festa, a gente tem que se arrumar
– Não sei nem porque to me arrumando tanto, eu não quero impressionar ninguém nessa festa, você eu até entendo, a sua paixão platônica de infância voltando... — dei um sorriso malicioso
– Você tá falando do Nimbus? Aquele garoto magricela e cabeludo que fazia uns truques de mágica e eu vivia escrevendo sobre ele no meu diário?
– Esse mesmo e parece que você lembra bem dele!
– Por favor!! Eu tinha 10 anos e eu mal me lembro dele... Ah e voltando ao assunto VOCÊ, acho que não é só porque o Cebola não tá lá que você não deve arrasar!
– Amiga...
– Calada e vem cá pra te dar um trato!
Depois de muita fumaça, creme de cabelo, maquiagem e pinceis, eu estava pronta pra ver que loucura a Magali tinha feito em mim, provavelmente eu deveria estar parecendo uma palhaça.
– Aqui está a minha obra prima! – ela falou isso e me girou fazendo-me ficar de frente para o espelho.
– Maga, foi você que fez isso? – eu estava divina, meus cabelos curtos estavam um pouco ondulados nas pontas eu usava uma maquiagem forte nos olhos, mas suave nas demais partes do rosto
– Sim, eu mesma!
– Eu to linda! Obrigada amiga. Como a gente vai pra casa do DC? Eu sei que é a duas ruas daqui, mas eu não vou sair a pé e meus pais saíram para jantar
– Relaxa, o homem do ano mandou o motorista vir nos buscar
– O DC tá podendo hein...
Descemos as escadas e assim que eu abri a porta o motorista já estava lá. Não sei o porquê, mas eu estava muito nervosa pra chegar, acho que era pelo fato de que nós estávamos brigados e eu queria logo me resolver com ele. A ida pra casa dele foi rápida, afinal era tão pertinho.
Apesar de ser uma festa pra poucos convidados era tudo muito organizado, chique e animado. Assim que chegamos o segurança perguntou nossos nomes de maneira muito engraçada, assim que ele confirmou na lista, nós entramos. A primeira coisa que eu notei é que o Nimbus ainda não havia chegado e a segunda foi o DC encostado numa pilastra e meu Deus, ele estava muito gato! Usava uma calça jeans preta, uma camisa social branca um pouco mais desabotoada do que deveria, seus cabelos estavam bagunçados de uma maneira sensual e com um pouco de gel e ele olhava pra baixo como se estivesse entediado;
– Vamos Mô, olha o DC ali!
– É, eu vi... – estava em choque, nunca tinha observado o DC daquela maneira, ele era realmente muito bonito, muito gostoso, muito tudo!
– Bom, acho que está na hora dos dois cabeças duras se resolverem! – ela falou nos deixando
– Oi... – eu falei meio sem jeito
– Oi, baixinha!
– Baixinho é seu pinto! Vai tomar no cu – mesmo me chamando de baixinha, eu não conseguia sentir raiva dele
– É, eu também estava morrendo de saudade de você, esses dias sem falar contigo foram uma tortura
– Eu sei que eu faço falta — sorri
– Idiota! – ele me abraçou e eu pude sentir seu cheiro, eu normalmente nunca reparava no perfume do DC, mas hoje ele estava extremamente cheiroso
– Você tá muito cheiroso – merda, deixei escapar
– Eu sei, tudo isso é para a menina mais bonita da festa – ele me deu um sorriso sedutor
– Se foi pra mim, não precisava, sou quase comprometida
– Eu não tava falando de você – que babaca, merda, idiota
– E de quem então?
– Da Amanda
– Quem é Amanda?
– A da praia. Você não lembra?
– Lembro, mas o que ela tem a ver com isso?
– A gente tá ficando e ela está bem ali – ele apontou pra uma garota exuberante que usava um vestido vermelho igual ao que eu pretendia usar
– Bom, ainda bem que eu não vim de vermelho né – que coisa mais idiota pra se dizer Mônica! Você devia ter mandado ele tomar no cu
– Gatooooooo! – a Amanda (vadia) saiu gritando por toda a festa e beijou o DC antes que eu pudesse falar alguma coisa menos idiota pra ele
– Oi, minha linda – ele falou de uma maneira muito doce, mas perai... ELE FALOU MINHA LINDA? MINHA LINDA? EU ERA A ÚNICA MENINA A QUEM ELE CHAMAVA ASSIM!
– GENTE, GENTE... TODO MUNDO SE ESCONDE! O NIMBUS TÁ CHEGANDO COM O PAI DO AEROPORTO! — os gritos interromperam a minha crise mental de... ciúmes
Salva pelo gongo, pelo menos agora eu poderia enfiar minha cabeça de baixo da terra e ninguém ia achar estranho, mas ao invés disso recuperei minha dignidade e sai através do povão procurando a Maga. Finalmente a achei atrás de um sofá e as luzes se apagaram.
– SURPRESAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA! – todos gritaram em uníssono
– Caralho que gato! – eu olhei pra o lado espantada porque foi a Maga quem tinha dito, então virei de novo pra porta onde estava parado um rapaz musculoso de longos cabelos pretos e um sorriso encantador
– Amiga, eu não posso deixar de concordar!
– Venham meninas, venham falar com o Nimbus – não sei porque, mas meu impulso era de mandar o DC se fuder e ir pra longe de mim, mas eu não podia fazer isso, não tinha motivo, pelo menos não um que ele soubesse
– Vamos sim! – a Magali tava toda empolgada
– Então Nimbus, essas são as duas meninas que eu tanto te falo, a Mônica e a Magali!
– Oi Mô – ele me deu dois beijinhos e foi cumprimentar a Maga – Oi Ma... Perai, eu me lembro de você! Você era aquela menina que me dava chocolates e bilhetinhos na escola quando eu tinha uns 12 anos – a Magali não sabia onde enfiar a cara, ela ficou parecendo um tomate
– Bom, as pessoa crescem não é Mister X? – ela soube se sair bem
– Crescem e como crescem – ele tava olhando a Magali de cima pra baixo
– É... Acho que to com fome
A Magali esperou a gente ficar a uma distancia segura dos meninos pra falar
– Ele tá muito gato, nem parece aquele menino magricela!
– Já é a segunda vez que você me fala isso!
– Eu sei amiga, mas não tem como parar de repetir. É beleza demais pra eu ficar calada!
– É, mas não vai se fuder como sempre né, tem calma
– Eu sei, só o achei bonito! Não vou ficar pulando no pescoço do irmão do DC. Mas me diz... Pq esse mau humor todo?
– Não to de mau humor! Mas você sabia que o DC tava ficando com essa tal de Amanda?
– Sabia sim, eles não são fofinhos juntos? Ele se arrumou todo pra ela
– Fofinho pra mim é o sansão, o resto é resto
– Acho que alguém tá com ciúmes...
– Claro que não! To muito bem com o Cebola! — eu não queria admitir, mas estava prestes a explodir de tanto ciúme
– Se tá dizendo...
O resto da noite foi um lixo, a Magali não parou de falar o quanto o Nimbus tava lindo, mas que não ia sair pulando em cima dele e eu fiquei de cara feia o resto da noite olhando o DC e a Amanda trocando caricias e se beijando e de vez em quando ele vinha falar comigo perguntando se eu tava bem e se queria alguma coisa, mas eu me limitava a dizer não e ficar mais emburrada ainda e isso se repetiu até que deu meia noite quando comecei a inventar a desculpa de que já tava tarde e amanhã ia ser o último dia de férias que eu queria aproveitar muito, então o DC mandou o motorista nos levar em casa.
– Bom... Acho que isso é tudo por hoje garotas – ele sorria
– Pra mim já foi mais que o suficiente
– Obrigada DC, a festa foi ótima, o Nimbus é muito divertido e tá um gato...
– Eu sabia que você ia gostar Maga, tanto dá festa quanto do Nimbus . Você com certeza será a primeira da lista das minhas preferidas a virar minha cunhada – Maga riu, mas eu continuei emburrada – Ei estressadinha, não vai vir me dar uma abraço?
– Não, não vou!
– O que eu te fiz?
– Nada DC, só não quero te abraçar – antes que eu pudesse fazer qualquer coisa ele me puxou e me abraçou
– Ninguém nega um abraço meu e eu me esqueci de dizer que você está linda
– Obrigada
Não tinha como ficar com raiva dele, eu o abracei de volta e dei um leve beijo na bochecha, não aconteceu a mesma coisa daquele dia na casa da minha avó, mas eu não podia negar que naquele momento meu desejo era que ele se virasse e me beijasse. Assim que cheguei em casa, sabia que a minha volta as aulas seria muito mais conturbada do que eu estava imaginando e parece que a Maga adivinhou isso
– Mô relaxa... Segunda você vai ver, vai ser tudo normal – eu sabia que ela não achava isso, mas queria me acalmar
– Eu é que tenho que te acalmar magricela, nem queira tirar minha atenção de você
– Eu sei me cuidar sozinha – ela deu uma leve pausa e perguntou – Mô, você sentiu ciúmes do DC?
– CIÚMES? VOCÊ TÁ LOUCA? É CLARO QUE NÃO! – Tentei falar o mais alto que pude pra ver se me convencia que eu realmente não estava sentindo ciúmes, mas eu já tinha quase certeza de que se eu tivesse demorado mais uma hora naquela festa a cara da Amanda não ia mais estar inteira
– Não é o que parece – falou calmamente
– As aparências enganam
– Posso te dar um conselho?
– E se não pudesse você não daria?
– Daria do mesmo jeito – ela riu- Se a desculpa que você tem para não ficar com o DC é o fato de não ter certeza do que sente por ele, você também não devia estar com o Cebola, pelo que vejo, não é por ele que você fica vermelha de ciúme.
– Eu já disse que não fiquei com ciúme! QUE MERDA!
– Ok ok, não tá mais aqui quem falou
– Vamos dormir! – falei antes que ela começasse com o interrogatório
Assim como minha volta as aulas, minhas noites de sono depois do dia de hoje não seriam fáceis, eu estava realmente dividida entre o DC e o Cebola. Será que eu gostava do DC e não queria admitir, porque estava acostumada a sempre correr atrás do Cebola? Ou será que isso que eu senti era só ciúme de amiga? Eram muitas dúvidas e depois de muitas horas de insônia eu decidi que se eu não tenho certeza do que sinto por nenhum dos dois, eu não devia ficar com nenhum, ou seja, eu iria terminar o que nunca começou com o Cebola e por minha cabeça no lugar, antes que fosse tarde demais.
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