Dividida
5 Primeiro Dia de Aula
Notas iniciais
Acordei antes de o despertador tocar, eram 5 horas da manhã e normalmente eu só teria que acordar as seis, mas eu não consegui voltar a dormir. Infelizmente o primeiro dia de aula tinha chegado... Por que as férias não podem ser eternas né? Ter que voltar a aturar gente como a Carmem, a Denise e a Maria Mello não seria fácil, mas eu suportei minha vida toda, então eu conseguiria suportá-las até o fim do colégio. Levantei da minha cama e a festa de sábado na casa do DC ainda vinha na minha cabeça, ele e aquelazinha da Amanda se beijando, mas o pior não foi isso, o pior foi no dia seguinte quando eu falei com ele, ele demorou mil anos para responder quando respondeu ele falou
“Desculpa Mô, agora to ocupado. A Amanda vai embora hoje de noite e eu queria aproveitar um tempinho com ela se é que você me entende. Abraço, mais tarde eu te ligo”
Que coisa ridícula é essa de ao invés de mandar beijos, manda um abraço no final da mensagem? E ele ainda mandou esse “se é que você me entende” idiota! Passei meu último dia de ferias em casa pra não correr o risco de encontrar com os pombinhos. Hoje será o grande dia, eu acertarei as coisas com o Cebola, irei esfriar as coisas pra botar minha cabeça no lugar e decidir o que eu realmente quero, espero que ele entenda de boa, afinal quero que continuemos amigos. Resolvi tomar um banho, pra me dispersar desses pensamentos, queria tanto que banhos além do corpo lavassem a alma, assim eu ficaria muito mais leve.
Fui pro meu banheiro e passei 30 minutos lá, quando sai entrei no skype pra ver se a Maga tava on e graças a Deus ela estava, afinal ela tinha me ajudar a escolher o look do primeiro dia de aula
“Oi Maga, animada?”
“Se animada pra você é estar com uma vontade incontrolável de cortar os pulsos, então sim, estou animada”
“Deixa de drama!! Sei uma coisa que vai te animar...”
“O que? Se for uma torta bem grande de chocolate eu acho que você está começandobcerto”
“Não tava pensando nisso, tava pensando em você me ajudar a escolher a minha roupa pro first day!”
“Sem torta de chocolate?”
“Eu levo um pedaço da torta da mamãe Magali”
“Agora sim você está falando minha língua. Bom, não é difícil escolher sua roupa, é só pensar que você tá indo pra um enterro”
“Nada disso! E vai logo, se não eu vou me atrasar!”
“Calma, ainda não são nem seis horas, a aula só começa as sete e dez, a gente mora super perto do colégio. Acho que você devia usar aquela calça jeans justinha, uma camisa folgada, tênis e mochila”
“Tão simples? Você vai como?”
“A gente tá indo pro colégio, não pra uma festa na casa do DC kkkkkkkkkkkkk. Vou no mesmo estilo, só que de short”
“Nem me fala em festa na casa do DC”
“Ok. Passa aqui antes de ir pro colégio? Não quero chegar sozinha”
“Certo, beijo, até já já”
“Beijo, baixinha”
Magali está offline
Arrumei-me seguindo as dicas que a Maga tinha me dado, resolvi deixar meus cabelos lisos como sempre e passei um pouco de corretivo e blush no rosto para esconder as marcas de uma noite mal dormida. Desci para tomar café, minha mãe e meu pai não estavam acordados, normalmente eles só levantavam depois das sete da manhã. Resolvi comer uma coisa leve, um pouco de cereal, um suco e peguei o pedaço de torta que havia prometido para a Magali. Quando olhei no relógio ainda eram 06h30min, resolvi ir logo pra casa da Maga. Sua casa ficava na rua da frente então não demorei nem cinco minutos para chegar, toquei a campanha e ela rapidamente atendeu.
– Oi vaca!
– Como é bom começar o dia com elogios!
– Entra! Quer comer alguma coisa?
– Acabei de comer Maga, valeu
– Acho que é hoje que eu viro uma bola!
– Calma – eu acho que eu dizia isso mais para mim mesma do que para ela
– Não sou eu que pareço nervosa
– Imagina se parecesse? — sorrimos — Você já tá pronta?
– To sim, agora é só esperar dar 06h50min pra gente ir pro enterro
– O DC vem?
– Não... Ficou de encontrar com a gente no colégio. Por que tanto interesse?
– Porque ele é meu amigo! Posso?
– Pode sim, eu te permito
Olhei meu relógio era a hora de ir pro abate, seis e cinquenta, chamei a Magali, pegamos nossas mochilas e fomos andando, quando chegamos ao colégio, ele já estava lotado, pude ver alguns alunos novatos, inclusive uma menina muito bonita de cabelo longos e cacheados e uma garota gordinha e loira. Depois de notar os novatos vi a mesma galera de sempre, a Carmem totalmente fresca com medo de que algo acontecesse ao seu cabelo, os meninos do terceiro ano, Titi e Jeremias, a Maria Mello e o Xaveco que pelo que eu observava estava procurando por alguém que deveria ser a Denise
– OI GAAAAAAAAAAAAATZ!! – falando no diabo...
– Oi Denise
– Que tal uma foto das mais novas fracassadas do colégio? Digam loser! — ela tirou a foto nos deixando cegas com o flash – Cadê o seu amigo gato, o Do Contra?
– Tá ai uma coisa que você finalmente não sabe e nem eu. Ele não anda com um rastreador
– Eu to aqui Denise – era o DC que havia acabado de chegar e olhava pra ela com cara de nojo – XAVECOOOOOOOOOOOO, A DENISE TÁ TE CHAMANDO! – ele gritou
– Você me paga, seu... – ela não pode terminar, pois antes disso o Xavevo a puxava para longe
– E ai minhas gatinhas – abraçou a mim e a Magali – Como vocês estão?
– Bem... Mal – a Magali falou e eu pude notar que ela estava olhando para alguma coisa e era exatamente para o que eu temia, ela olhava para o Cascão e a Cascuda que haviam acabado de chegar
– Maga, ninguém vai te fazer nada de mal, eu to aqui pra te proteger!
– Obrigada, não sei o que seria de mim sem você! – eles se abraçaram
– Ei, eu to sobrando! – então eles me abraçaram também
– Por acaso vocês viram uma menina de cabelos cacheados e longos? Bem bonita e tal...
– Vi sim, ela está bem ali – a Maga disse
– MAAAAAAAAAAAAAAAAAAARINA! – ele gritou e a menina veio correndo abraçá-lo
– DO COOOOOOOOOOONTRA!
– Enganando mais uma pobre moça DC? – eu falei em tom de deboche depois que toda a cena de amor entre os dois já tinha passado
– Quem me engana todos esses anos é ela, ficando mais bonita a cada dia que passa. Essa é minha prima a Marina e Marina, essa é minha simpática amiga Mônica e essa coisa linda aqui é a Magali!
– Prazer meninas! Como DC já disse, eu sou a Marina e essa é minha amiga a Isa – ela apontou pra menina gordinha e loira que eu tinha visto mais cedo
– Desculpe Marina... Eu não sabia! Sejam bem vindas
– Bem vinda. Qual vai ser sua sala? – perguntou Magali
– Eu sou primeiro ano A e vocês
– Que sorte a sua, todos nós somos de lá também!
– Ainda bem, assim não começo sozinha. Dc, o Nimbus não vem?
– Não, ele disse que estava muito cansado da viagem e que não vinha
– Bem típico dele
Depois de alguns minutos de conversa o sinal tocou, mas logo eu vi que se formava uma multidão e então passou um garoto dizendo:
– MÔNICA SOUSAAAAAAA
– Eu mesma! Pq? – respondi o chamado
– Tem um garoto te chamando lá na frente
– Como assim?
– Vai lá e você vai descobrir, deixa de ser boba!
Sai correndo e pude notar que o DC vinha logo atrás de mim, assim que cheguei eu vi que o menino de que tanto falavam era o Cebola! Mas como assim? Ele estava segurando um buque de rosas e um megafone e chamava pelo nome, o menino que me chamou me empurrou para o centro da multidão
– OLHA ELA AQUI, AQUI ESTÁ ELA!!
– Desculpe interromper a aula de todo mundo, mas é tudo em nome do amor. Desde que eu tenho seis anos eu sou apaixonado pela mesma menina e apesar de muitas burradas de ambas as partes, o nosso amor com o tempo só fez crescer e eu espero que ainda seja assim por muito tempo. Quero pedir desculpas na frente de todos por tudo que a fiz sofrer, mas finalmente eu cresci o suficiente pra notar que ela é o amor da minha vida. Mônica Sousa, eu estou aqui de joelhos para fazer o que eu já devia ter feito há muito tempo, te pedir em namoro. Você aceita namorar comigo?
– ACEITA ACEITA ACEITA ACEITA – a multidão todo gritava isso
Meu Deus e agora? Eu não podia dispensar o Cebola assim na frente de todo mundo, ele nunca me perdoaria! Eu tinha que pensar rápido, ele estava parado esperando uma resposta e o colégio todo gritava, então eu tomei a decisão que qualquer pessoa em pânico tomaria
– ACEITO! – ele me puxou para um beijo e a última coisa que eu pude ver foi o DC correndo e a Maga indo atrás dele
Finalmente todo mundo tinha ido embora e eu e o Cebola pudemos ir para sala. Em pensar que se isso tivesse acontecido há um mês seria o dia mais feliz da minha vida, mas agora eu estava totalmente em pânico. Como eu iria resolver isso? Eu nem sabia se amava mesmo o Cebola! Agora eu já tinha aceitado e pra mim essa continuava sendo a decisão mais correta a se tomar na hora. Quando entramos na sala soltamos as mãos e eu fui pra perto do Do Contra, tentar falar com ele
– DC...
– Não precisa me dizer nada Mônica, você não me deve satisfação! Mas quando ele te magoar outra vez, não venha atrás de mim para desabafar, cansei de servir de step! – a calma nele me assustava, mas seu olhos transmitiam uma fúria ainda mair do que no dia do shopping
– Está certo então DC, eu venho aqui com a melhor das intenções e é assim que você me trata? Espero que ele nunca me magoe pra eu não precisar choramingar – dei as costas e fui sentar perto da Marina, Maga e a Isa
O professor havia chegado, era o Louco, ninguém merecia aula dele justo no primeiro dia de aula, ele era totalmente pirado como o próprio nome dizia. Ninguém prestava atenção na aula dele, sem falar que era nessa aula que eu sempre trocava mensagens com o DC
– Olá queridos alunos, desculpe decepcioná-los, mas sua primeira aula do dia não será comigo
– UFAAAA – a sala falou em coro
– Engraçadinhos! Continuando... Eu vim aqui apresentar o novo professor de vocês, o professor Franja! Como vocês podem notar, ele é muito novo, apenas 3 anos mais velho que vocês, ele é um verdadeiro gênio e ajudante do museu do bairro, então resolvemos contratá-lo para ensinar as duas novas matérias: arqueologia e computação
– Bom dia alunos, como o próprio diretor disse, eu sou o Franja e sou apenas 3 anos mais velho que vocês, mas não vai ser por isso que não vou exigir respeito em minhas aulas – nesse momento eu virei pro lado pra observar o DC, mas outra coisa me chamou atenção, era a Marina, ela simplesmente não piscava, estava vidrada no professor novo
– Marina? Você está bem?
– Ele é tão lindo — não acredito que além da Magali agora eu ia ter que aguentar outra amiga apaixonada por professor, pelo menos esse não era 15 anos mais velho
– Primeiramente eu gostaria de pedir a ajuda de um assistente que pudesse ficar aqui até depois do horário das aulas para me ajudar e ir até o museu comigo escolher as peças que serão estudadas para a aula de arqueologia.
Ninguém levantou a mão, a não ser a Marina! Só ela devia ser louca, (eu diria até apaixonada se ela não tivesse conhecido ele hoje) o suficiente para ficar no colégio mais tempo que o necessário.
– Então vai ser a mocinha de cabelos cacheados? Ninguém mais se candidata? – ele esperou um tempo – Bom, acho que não. Você pode ficar quinta que vem até mais tarde?
– P-p-p-osso sim! – Marina se você abrir a boca mais uma vez até ele vai notar.
Antes que eu pudesse continuar minha avaliação sobre o comportamento da Marina uma mensagem chegou para mim, com certeza devia ser o DC pedindo desculpas.
“Oi amor, que tal você ir lá pra casa hoje depois da aula?”
Era o Cebola
“Acho que não vai dar amor, primeiro dia de aula, ainda não me acostumei, devo ficar cansada!”
“Poxa... Primeiro dia de namoro e você já tá me negando? :’(“
“Tudo bem, eu vou... Mas a gente só vai assistir a um filminho viu?”
“Certo... um filminho tá ótimo!”
Aceitei mesmo o pedido do Cê, afinal eu não tinha nada a perder.
O primeiro dia de aula nem estava sendo tão ruim, ninguém havia xingado nem a mim, nem a Magali, conhecemos a Isa e a Marina que eram super gente boa. Finalmente o intervalo tocou, mas a Magali saiu antes que eu pudesse chamá-la... Será que tinha acontecido alguma coisa? Só me restou ficar com o Cebola que me levou pra uma cantinho mais afastado pra nós conversarmos.
– Vai mesmo hoje né?
– Vou sim, eu já disse que vou!
– Calma, eu sei um jeitinho de te acalmar quando a gente chegar lá em casa... – ele deu um sorriso malicioso
– Como assim?
– Você vai ver
Na realidade eu não tava nem ligando para o que o Cebola tava falando, eu só prestava atenção no DC do outro lado do pátio junto com o Toni, a Marina e a Isa. Ele não parecia abalado, muito menos triste. Será que eu estava gostando do meu melhor amigo e namorando outro? Mas algo me preocupou antes que eu continuasse pensando só em mim e na minha vida amorosa... Se a Magali não estava com o DC, com quem ela estaria? Será que tinham feito algo com ela? O sinal tocou, resolvi ir pra sala e esperar, se ela não chegasse, eu ia surtar procurando por ela. Dirigi-me até a sala e para o meu choque quando cheguei lá a Maga estava sentada conversando com o Nimbus! Eu não acredito, será que minha amiga já tava dando em cima do irmão do DC?
– Vou indo, Maga. Qualquer coisa, fala comigo ou com o DC – o Nimbus saiu assim que me viu chegar
– A gente tem muita coisa o que conversar mocinha... — aposto que ela tinha ficado com o Nimbus
– Não, agora não... Não preciso de mais julgamentos – será que hoje era o dia das pessoas me magoarem?
– Tá – respondi secamente, mas ela nem ligou
A segunda parte do dia estava sendo muito pior que a primeira, o DC não falava comigo, a Maga tava parecendo que tava em outro mundo e para piorar a última aula seria de educação física, ou seja, eu iria toda suada para a casa do Cebola.
Cada vez eu ficava mais curiosa sobre o que o Cebola queria me mostrar na casa dele, mas essa curiosidade não duraria muito tempo, o sinal para saída tocou e depois de 10 minutos o Cê saiu do vestiário e nós saímos. Tive a impressão de que escutei alguém chamar meu nome, mas não pude ver se alguém tinha mesmo, porque ele saiu me puxando com pressa.
Assim que chegamos a sua casa, eu perguntei logo que filme a gente ia assistir
– Cê, que filme a gente vai assistir?
– Filme nenhum... Você tá toda suada, vamos tomar um banho...
– Banho? Como assim vamos?
– Eu e você, juntos...
– Mas Cê... – antes que eu pudesse falar algo ele me beijou, era um beijo quente, forte e eu não pude resistir, ele me guiava com facilidade pro seu quarto e quando eu fui notar já estava na sua cama e ele passava a mão por todas as partes do meu corpo, segurava meus seios com força e eu dava leves gemidos, logo ele tirou minha camisa me fazendo ficar apenas de calça e sutiã
– Você é perfeita Mônica foi o que ele disse...
– MÔNICAAAAAAA, MÔNICAAAAAA! – era alguém me chamando e agora eu tinha certeza
– Espera ai Cebola, tem alguém me chamando
– Não é ninguém Mô, impressão sua! – ele continuou me beijando
– Eu tenho certeza! – parei o beijo
De repente, eu ouvi um estrondo vindo lá de baixo, parecia que a porta da casa do Cebola tinha sido arrombada! Quem será que entrou na casa? Um medo invadiu nossos corpos!
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