Digimon - Crônicas - Paulo E Beelzebumon
1 Arquipélago Tri-Cookies
ARCO: IRMANDADE NANO
CAPÍTULO 072

Havia um arquipélago constituído por três ilhas chamado Tri-Cookies, que ficava numa região fronteiriça do Digimundo. Essa região ficava perto do chamado "lado oculto" do planeta digital. E, como tal, fenômenos estranhos aconteciam, haja vista uma boa parte do Oceano Net não estava finalizada. Por isso, era comum observar dados em formas de números binários no ar.
Nashi Zumi acordou numa das ilhas. Era a menor, mais simples e que a população era pouca. Ele viu os 0 e 1 no horizonte. Até a água do oceano era diferente, com a cor mais escura do que o normal.
— Kotemon! Kotemon pode me ouvir? — gritava enquanto caminhava pela faixa de areia.
Mas ninguém respondeu. Ele se sentou e ficou pensativo. Teria como reencontrar o seu parceiro, recuperar os seus aparelhos e voltar para casa?
— Tenho que entrar em contato com os outros. Apesar de que não vai ser fácil. O que é isso? Uma ilha? Uma costa continental?
Ele se levantou e parou de lamentar. Ficar parado e triste não era a melhor coisa a se fazer.
Durante a caminhada, algo surgiu de um arbusto. Era uma câmera. O objeto parecia ter saído do chão e se comportava como periscópio, filmando o garoto a cada passo que dava.
...
Em algum lugar do arquipélago, alguém observava o visitante inesperado. Na sua sala HiTech, o sujeito olhava o monitor. A imagem do humano surgiu a todo o momento desde que caiu na ilha.
— Que criatura mais estranha. Não parece um digimon — falou um segundo sujeito logo atrás. Ele tinha aparentemente dois olhos vermelhos brilhantes.
— Kikikiki... E por acaso você possui cérebro para diferenciar digimons de outras criaturas? — A outra pessoa ficava no teto, de ponta-cabeça.
— O que disse? Você quer levar pólvora?
— Ui! Estou morrendo de medo.
— SILÊNCIO!!! Bando de jecas que não sabem sobre a dinâmica do Digimundo. Aquilo andando na praia é uma criatura chamada "humano".
— Humano? — perguntaram ao mesmo tempo.
— São criaturas que diferem dos digimons. Posso dizer que são seres sem graça nenhuma, pois não possuem dados suficientes para terem poderes como a gente.
O líder do trio estava sentado numa cadeira giratória no centro do salão. Um pequeno robô com uma cúpula de vidro no lugar da cabeça, um olho esquerdo orgânico e um cibernético olho esquerdo amarelo. Possuía longos braços mecânicos. Seu nome era Nanomon.
O segundo do trio era um digimon centauro ciborgue, com boa parte do corpo com armadura mecânica e armas de grosso calibre nos braços. Seus olhos reais eram tampados por um tipo de óculos vermelhos. Ele tinha um capacete vermelho e uma máscara que cobria toda a face. Seu nome era Assaultmon.
A terceira da gangue era uma digimon humanoide feminina, com uma armadura rosa que cobria o peito, os braços e as pernas (e muito pouco as virilhas). Seu cabelo azul possuía um par de asas da mesma cor. Ela tinha um par de asas maiores de cor castanho em suas costas. Seu nome era Shutumon.
Eles eram os líderes da Irmandade Nano. Uma gangue criminosa que invadiu o arquipélago e governavam como ditadores. Também exerciam influência nos chamados Kamis, governantes de cada ilha.
— Por ora vamos observar até onde o humano vai. Provavelmente não vai muito longe — disse Nanomon.
...
Sem digimon, digivice ou brasão, Nashi se via impotente. Não tinha nenhuma informação sobre o local em que caiu, nem que tipo de digimons viviam ali. Apenas continuou a caminhar pela areia da praia até chegar no limite.
— Acho que esse é o fim da linha pra mim.
Um rio grande que desaguava no mar era o impedimento para que o moleque prosseguisse. O rio tinha muita correnteza e a largura de pelo menos uns cinquenta metros.
Pouco tempo depois, o guri entrou na floresta de coqueiros e caminhou por alguns metros até achar alguém suspeito. Parecia uma criatura dentro de um chapéu de palha japonês (amigasa). Nashi se escondeu atrás da árvore.
— Hoje vou fazer um banquete kikiki — disse a criatura ao juntar ovos sobre uma folha caída do coqueiro.
Nashi observou que o monstrinho era pequeno, tinha tentáculos e segurava uma espada.
— O quê? — ele viu o digivice junto com os ovos.
— Quem tá aí? Apareça ou eu vou atrás de você até os confins do mundo.
O rapaz saiu de perto. Quase foi descoberto. Mas o mais importante era que havia encontrado o seu aparelho.
Algum tempo passou, o digiescolhido voltou ao local. Não viu o tal digimon por perto. O seu aparelho continuava juntos dos ovos. Ovos esses que não eram digitamas, e sim de animais digitais que pareciam muito com os da Terra.
— Achei você — disse com o brilho nos olhos.
— Maldito! — falou a criatura.
— E-espera. Eu só quero o meu digivice. Pode continuar com o lanche.
Mas não foi suficiente para convencer a criaturinha. Iniciou uma perseguição. Nashi corria como se não houvesse amanhã, enquanto a criatura o caçava com a espada.
— Me deixa em paz!
O aparelho apitou. Ele viu os dados do monstrinho.
DIGIMON: GASAMON
ATRIBUTO: VÍRUS
NÍVEL: CRIANÇA
NPD: 8.000
DESCRIÇÃO: UM MOLUSCO ESPADACHIM QUE VIVE NUMA CONCHA IGUAL UMA AMIGASA. SUA ESPECIALIDADE É ATACAR DE FORMA IMPREVISTA.
O próximo passo era achar um esconderijo e o seu parceiro. 8 mil não era muito para o seu Kotemon, mas fatal para um humano desarmado.
— Eu... devia deixar de ser sedentário... — falou ao não aguentar mais correr.
O Gasamon seguiu o menino até uma região que mais parecia uma savana africana. O campo era grande, com algumas árvores maiores e digimons quadrúpedes pastando.
Nashi tropeçou e rolou num campo em declive. Viu um bando de Monochromons pastando. Ele ficou quieto, fingindo de morto, enquanto os dinossauros caminhavam tranquilamente.
— Cadê você!!! — gritou Gasamon.
O escândalo do digimon molusco deixou os Monochromons irritados e partiram para cima dele. Gasamon fugiu na mesma hora.
Sol a pino. Os Monochromons saíram dali e deixaram Nashi deitado. O garoto teve que aguentar 30 minutos torrando no sol para não chamar a atenção. Ele saiu dali e caminhou até uma parte mais fresca, local em que havia mais árvores.
— Uma caverna...
O arqueólogo mirim aproveitou um pouco para descansar na entrada da caverna. De repente, o seu digivice tocou. Havia uma mensagem escrita de Gennai.
— Gennai? Tá me escutando?
A comunicação entre Nashi e Gennai era ridiculamente fraca. O sinal sempre caía. Levou quase 1 hora para que o digiescolhido finalmente falasse com o homem.
— Como você está?
— Gennai, por favor, me diga onde estou. Até agora não sei que lugar é esse.
— Você... provavelmente está... — o áudio deu uma chiada. — ainda no Digimundo... Nashi?
— Sim, ainda estou aqui. É que a função do meu digivice está ruim.
— Você deve ter sido enviado para algum lugar muito longe no Digimundo. Tão longe que certas partes ainda não foram concluídas.
— E Daemon?
— Ele já foi derrotado. Os seus colegas estão se reunindo antes de eu enviá-los para casa. Agora preocupe-se contigo.
Nashi pediu ajuda para saber exatamente o local em que estava. O homem prometeu enviar um documento com um mapa completo da região.
— Mas agora você precisa ficar calmo e sobreviver a qualquer adversidade que, porventura, apareça.
— Eu já fiz isso uma hora atrás. Só preciso encontrar o Kotemon. Ele simplesmente sumiu.
— Certo. Daqui a pouco eu enviarei o mapa da tua localização.
O garoto agradeceu e desligou. Por enquanto, estava sozinho. Sobreviver não era uma opção, e sim uma mecessidade obrigatória. Portanto, saiu da caverna e foi até o rio a fim de beber água e achar alguma fruta para comer.
...
Gasamon voltou para Kitsune Temple, arrastando uma folha grande com ovos.
— Aí está você! — disse alguém já atacando com uma espada.
— BushiAgumon!!
Um Agumon vestido com roupa de samurai surgiu e atacou Gasamon. Era um espadachim do templo junto com o molusco. Seu nome era BushiAgumon.
— Taomon-sama pediu que fosse imediatamente ao templo. Onde você foi? — BushiAgumon era diferente do Agumon comum. Ele tinha um coque samurai na cabeça e um graveto na boca.
— Não tenho que te dar satisfação. Quer lutar? Eu aguento muito tempo.
Gasamon e BushiAgumon puxaram as espadas e se prepararam para o duelo. Mas outro digimon se meteu no meio e avisou que Taomon puniria ambos se continuassem uma batalha entre si. Seu nome era Hanimon, um digimon fantoche feito de argila.
— Só porque Taomon-sama mandou. Se não eu faria picadinho de molusco.
— Não se ache tão forte assim. Temos praticamente o mesmo nível de poder.
— Okay... vamos ao templo? — falou Hanimon.
O Templo Kitsune era um casarão verde de madeira em estilo oriental no meio do jardim e em frente a uma lagoa cristalina. Era a morada da antiga governante do arquipélago Tri-Cookies.
Taomon surgiu meditando no meio de um salão repleto de velas e incensos.
— Taomon-sama, Gasamon chegou — falou Hanimon.
— Obrigada, Hanimon. Aproxime-se, Gasamon.
— Sim, mestra.
— Você atacou alguém que estava destinado a nos salvar. Verdade?
— Co-como assim? Eu ataquei sim, mas foi um ladrão. Ainda estou muito furioso.
Taomon se levantou e avisou que o tal ladrão era o escolhido para salvar o país. Mesmo assim, o pequeno molusco continuou não acreditando.
— Dá pra parar de ser chato!! — gritou BushiAgumon.
— Agumon... por favor. Gasamon certamente se confundiu. Mas eu já sabia que alguém como aquela criatura apareceria. Precisamos dele para enfrentarmos a Irmandade Nano. Aonde ele foi?
— Acho que ele foi para o Campo Kiiro. Mas eu tive fugir porque os Monochromons se revoltaram.
BushiAgumon ficou indignado por Gasamon ter espantado o unico que poderia acabar com os vilões. Mas Taomon pediu ao pequeno dinossauro que tivesse mais paciência. A questão era achar o humano.
— Nós vamos oferecer qualquer coisa que ele desejar. Será uma troca justa, não?
— Taomon-sama, a senhora acha que ele terá a capacidade de atacar a Pirâmide Raion? — perguntou Hanimon.
Mas Taomon não respondeu de imediato.
...
No norte, após o rio, havia uma região fora do controle de Taomon. Era a região controlada pela Irmandade Nano. Havia uma pirâmide azteca que servia como base central.
— Cadê a minha comida?!!! — gritava o governante. Era um digimon chamado MadLeomon.
Quem servia a comida para o MadLeomon era Kotemon, que estava servindo como empregado à força pelo vilão. O parceiro de Nashi estava acorrentado pelo pescoço. Levou uma mesa com rodinhas repleta de carnes.
— Isso! Isso mesmo. Comida é o que não me falta!!! Agora pode ir, escravo!!
Kotemon havia perdido a memória quando saiu do portal. E não passava pela sua mente que poucas horas antes era um Crusadermon lutando contra o imperador das trevas. O que acontecerá com ele?
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