Digimon - Crônicas - Paulo E Beelzebumon
2 Ilha Kitsune
CAPÍTULO 073

FLASHBACK ON
Quando Daemon abriu o portal, seu desejo era enviar o máximo de digiescolhidos possível para o Digimundo. E não apenas um local específico, mas vários, espalhados pelo mundo digital, e assim atrapalhar e atrasadar ao máximo. Porém, a sua ideia foi por água abaixo quando Crusadermon e Nashi Zumi atravessaram o portal.
Durante a entrada da dupla através do que parecia ser um corredor cilíndrico cheio de números binários, houve um momento de separação. Enquanto Nashi caía na praia e ficou desacordado por um bom tempo, Kotemon caiu do outro lado do rio. O digimon parceiro estava no território do autoproclamado Kami MadLeomon.
Ao se levantar, o monstrinho ficou olhando para os lados, porém perdera a memória durante o trajeto no portal. Havia sido pego pela influência maligna de Daemon, que afetava apenas digimons (por isso Nashi não foi afetado). Sem saber quem era e sem ter para onde ir, o digimon caminhou por um bom tempo até ao muro de pedra que separava o terreno da pirâmide com o resto da ilha.
— Quem é você? — perguntou um Keramon no topo do muro.
— Não sei. Você sabe quem sou eu?
Keramon ficou se perguntando o que aquele digimon era. Mandou Kotemon aguardar alguns minutos.
O grande portão de madeira abriu. Keramon surgiu como o zelador e falou para o digimon entrar.
— Descobriu quem sou?
— Claro que sim. Entre.
Mas era tudo uma armadilha, pois Keramon era subalterno do MadLeomon. Na verdade, os vilões sequestravam digimons que viviam na ilha para transformá-los em escravos e servirem a MadLeomon.
— Que lugar incrível — disse Kotemon ao ver a grande pirâmide adiante.
— Seu lugar não é lá. Venha.
Keramon levou Kotemon até uma casa onde havia tudo o que um bom escravizado precisava: grilhões. O parceiro de Nashi teve um grilhão preso no pescoço, que poderia explodir caso tirasse.
— Agora sim pode ir para a pirâmide.
— Mal posso esperar para servir ao meu novo mestre!!
— Tá bom. Agora vá com Candmon até o recinto do mestre. Que louco. Feliz por trabalhar forçado.
Um Candmon responsável levou Kotemon para dentro da pirâmide. A entrada era pela base.
— Você tem que demonstrar que é um empregado competente. O mestre já eliminou cinco essa semana por trabalharem mal. Não quer ser o próximo, não é?
— Claro que não. Darei o meu melhor!!!
Na base, um grande recinto que servia para a circulação dos empregados. Um deles era uma Renamon.
— Quem vai levar o almoço? — indagou a raposa amarela.
— O novato — respondeu Candmon.
E foi assim que Kotemon levou a mesa farta para MadLeomon.
FLASHBACK OFF
...
A caverna que Nashi se abrigou era grande. A entrada tinha pelo menos uns dez metros de altura por vinte de largura. Dentro, havia umas pedras no teto que iluminavam o interior escuro.
— Que tipo de pedra é aquela? — Nashi escaneou as pedras com o seu digivice.
A mensagem apareceu. Eram pedras chamadas Solaritas. Pedras feitas a partir dos mesmos dados de um Meramon ou um Coronamon. Enfim, descansou um pouco após comer algumas frutas que catou minutos antes.
Enquanto isso, BushiAgumon surgiu do outro lado da caverna. A segunda entrada era menor e mais cheia de raízes. A pedido de Taomon, o pequeno dinossauro samurai aceitou buscar Nashi e protegê-lo.
Um grito soou por toda a caverna. Isso fez BushiAgumon correr para dentro.
Nashi era perseguido por um Tyranomon rebaixado. Um Tyranomon de 1 metro e meio de altura. Mesmo assim, seria perigoso demais se ele fosse capturado. Topou numa pedra e viu o dinossauro já com a bocarra. Ele fechou os olhos.
— Nem se atreva a mexer com ele — disse o Agumon espadachim ao acertar o Tyranomon.
O digimon vermelho correu com medo.
Nashi viu BushiAgumon na sua frente e lembrou do Agumon do Taichi Yagami.
DIGIMON: BUSHI AGUMON
ATRIBUTO: VACINA
NÍVEL: CRIANÇA
NPD: 12.000
DESCRIÇÃO: UM AGUMON QUE NASCEU A PARTIR DE DADOS ACERCA DOS SAMURAIS. ELE TROCOU SEU FAMOSO CHAMA BEBÊ POR GOLPES COM A ESPADA.
— Obrigado.
— Não precisa me agradecer. Estou aqui porque a minha mestra pediu.
Eles caminharam por algum tempo até entrarem na região do Jardim da Raposa. Uma área no sul da ilha, com um lago cristalino e um templo. Havia digimons vivendo na área, além de outros que praticavam artes marciais.
— Eu não entendo o porquê da sua mestra querer a minha ajuda. Pode me explicar?
— Não tenho que explicar algo que somente ela poderá fazer. Por favor, seja paciente.
Havia também outros Agumons samurais praticando com espadas de madeira (mas esses não se vestiam como o Bushi), outros digimons em fase de treinamento.
— Chefe, o Pagumon pegou a minha espada — falou um Mochimon.
— De novo isso?
— Eu disse pra ele que o senhor o expulsaria se voltasse a vandalizar.
Pagumon chegou em seguida e chamou Mochimon de mentiroso. Mas um Tokomon chegou para tomar as dores do Mochimon e mandou uma bolha no pequeno travesso. Pagumon não gostou e avançou contra Tokomon. Mochimon tentou apartar a briga, mas foi envolvido no caos.
— Melhor irmos logo.
O templo era bem conhecido para o japonês. Ele notou que a região tinha um aspecto igual do Japão. O Agumon samurai, espadas, o Gasamon, algumas árvores nativas. Havia até uma cerejeira rosa ao lado do casarão.
— Bem-vindo — disse Hanimon.
DIGIMON: HANIMON
ATRIBUTO: DADOS
NÍVEL: CRIANÇA
NPD: 6.000
DESCRIÇÃO: UM BONECO HANIWA FEITO A PARTIR DE DADOS DE ARGILA. NÃO É UM DIGIMON QUE BATALHA, E SIM COM PODERES MÁGICOS.
— Eu sou Hanimon, sou o assistente pessoal da Taomon-sama. Ela quer vê-lo sozinha.
Nashi agradeceu a hospitalidade do Hanimon e entrou no templo. No vestíbulo, retirou os tênis e caminhou descalço pelo chão de madeira.
— Entre.
Ele deslizou a típica porta japonesa para o lado e viu a figura de Taomon sentada no meio da sala. Sentou poucos metros de distância.
— Você quer me ver? Por quê?
DIGIMON: TAOMON
ATRIBUTO: DADOS
NÍVEL: PERFEITO
NPD: 135.000
DESCRIÇÃO: UM DIGIMON RAPOSA QUE EVOLUIU E GANHOU CONHECIMENTO ATRAVÉS DOS PERGAMINHOS E PRODUZ TALISMÃS. ATACA COM MAGIA E É UM DIGIMON NATURALMENTE QUIETO.
— Eu soube desde o momento que você chegou na ilha que é aquele que eu busco.
— Espere um pouco. Aqui é uma ilha?
Taomon afirmou e disse que é a menor das três ilhas.
— Aqui é um arquipélago.
— Sei. Mas ainda não me respondeu o motivo de querer me ver.
— Eu rezei para que alguém do seu tipo viesse. Esta ilha antigamente era conhecida como Ilha da Raposa. Eu governava todo o arquipélago. Mas...
— Mas?
— Alguns anos atrás, um grupo formado por digimons inescrupulosos invadiu as ilhas e começaram a governar. Mas eles são criaturas odiosas, que mataram e escravizaram muitos moradores.
— Desculpa, mas você é bem forte. Não tinha como derrotá-los?
Taomon se levantou e foi até uma mesinha ao lado e pegou um bule. Pôs chá numa xícara e deu para Nashi beber.
— Obrigado.
— Eu sou o digimon mais forte da ilha. Entretanto, fui facilmente vencido pela Irmandade Nano, porque eles são uns covardes. Atacaram todos ao mesmo tempo. Eu tive que fugir da ilha principal e me refugiar nesta. Mais tarde, aqueles covardes limitaram os meus poderes de alguma forma.
— Como assim?
— Não sei. Toda a vida que eu saía do sul da Ilha da Raposa, meu poder diminuía consideravelmente. Até mesmo uma excursão para o norte me custou uma derrota ao autoproclamado Kami. MadLeomon.
Nashi ouvia tudo enquanto bebia o chá.
— A irmandade não só está instalada na ilha principal. Eles possuem governantes em cada uma das três. Nesta há um MadLeomon cruel que vive numa pirãmide no norte. Ele que dita as regras fora do meu alcance.
— Quer dizer que além do rio, há um domínio dessa tal irmandade? Mas assim... Vocês têm muitas terras. Eu passei por um grande campo. E tem floresta.
Taomon explicou que as terras do norte eram mais férteis por causa da intervenção da irmandade. Mas ela não sabia dizer o que causava o desequilibrio na ilha.
— Isso tem cara de instalação de algum Malware.
— Perdão?
— Essa tal irmandade deve ter espalhado um vírus em todas as ilhas. Não sei muito bem dos termos técnicos. Conheci um digiescolhido inteligente nessas coisas (Jin), mas o básico que eu sei é que aqui no Digimundo dá para criar vírus de computador. Muito provavelmente essa tal Irmandade criou um vírus que limita os teus poderes. E deve ter criado mais outro para dividir a ilha. Assim, o norte é mais próspero do que o sul.
— Eu não sei de muita coisa, porque fui criado para ser um digimon tradicional. Mas eu tenho certeza que você e aquele que busco. E é por isso que peço que nos ajude a reconquistar as nossas ilhas.
A raposa humanóide se debruçou diante de Nashi e colocou o seu rosto rente ao chão. O menino pediu que ela não fizesse tal pose. Ele era um digiescolhido e era o dever dele salvar o mundo digital.
— Mas tem uma coisa que eu preciso que me ajude.
— Peça-me.
— O paradeiro de um certo digimon.
...
Enquanto isso, Kotemon limpava o chão com um esfregão. Havia um guarda chamado Fugamon que sempre fazia bullying com os escravos. Era um digimon muito parecido com o Orgemon, exceto a sua pele avermelhada, quase um laranja. além de vestir uma tanga de cor de pele de tigre.
— Trabalhe mais. Você e preguiçoso, por acaso?
— Mas eu já limpei todo essa pátio — reclamou Kotemon já cansado.
— Não resmungue — Fugamon bateu com o seu porrete de osso na cabeça do pequeno. — Por caso quer ser morto pelo mestre MadLeomon?
Kotemon voltou a esfregar.
No lado de fora, Renamon capinava a grama. Desde que vira Kotemon, sentiu que aquele era um digimon diferente de qualquer um. Não parecia ser morador da ilha.
Kotemon voltou para a base da pirâmide com vários galos na cabeça. Agora já não estava mais com vontade de trabalhar como antes.
— Estou morto.
— Você não devia tentar a sorte com o Fugamon. Ele é braço direito do mestre MadLeomon — falou um Gabumon.
— Não fale "mestre". Aquele lá não é nada nosso. Ele é apenas um impostor — reclamou uma Floramon.
— Mas eu só disse para não sofrer uma punição. Esqueceu da semana passada?
— O que houve? — perguntou Kotemon.
— MadLeomon é terrível. Ele matou cinco de nós só porque estavam cansados demais. Fico me tremendo só de imaginar.
— Você é um covarde, Gabumon. Eu ainda tenho fé que sairei daqui.
Uma Lalamon apareceu e aparentava estar doente. A coitada caiu ainda com a vassoura na mão. Floramon e Gabumon foram acudi-la.
— Eu... não aguento mais!
— Cala a boca. Você quer ser pego pelos Troopmons? — falou Floramon.
Kotemon percebeu que alguém vinha para o recinto e mandou os dois esconderem Lalamom em algum canto. Quem apareceu foi um Troopmon.
...
Na sede da irmandade, Nanomon adorava ouvir música de vitrola e pôs uma sinfonia bem antiga. Shutumon apareceu na sequência e perguntou o motivo do líder estar tão feliz.
— Já concluí o projeto principal.
Shutumon ficou feliz.
— Vamos evoluir?
— É claro. Já imaginou nós três na forma extrema?
— Uhulll. Maravilhoso. Chefinho, lindo — disse ela beijando Nanomon.
Que tipo de projeto era esse?
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