Notas iniciais
Não pretendia voltar a escrever tão cedo, mas Fabinho e Giane andam me tirando o sono --' shuahs Eles são muito fofos juntos, eu já queria os dois juntos desde o começo da novela, só não sabia como iria rolar. Agora não vejo a hora de acontecer. Espero que alguém leia :)

A pedra ricocheteou sobre a água antes de afundar. Fábio estava repetindo o mesmo gesto nos últimos minutos numa tentativa falha de se livrar da raiva que sentia. Ele ouviu seu celular vibrando novamente no bolso. O nome de Giane apareceu na tela. Ele desligou o aparelho e o meteu no bolso irritado demais para atender. De todas as pessoas que ele não queria ver ou falar, naquele momento a florista ocupava o topo da lista.

- Ô, fraldinha, eu to te ligando faz o maior tempão, e você não atende. – a modelo o pegou de surpresa. — Qual foi, mané?

- Ah, não. – revirou os olhos – Fala sério, maloqueira ! Como foi que me achou?

- O Maurício viu você, e avisou a Malu que me deu um toque. Porque se dependesse de você, eu ia ficar que nem louca vagando pela cidade. – o repreendeu.

- Que foi agora, todo mundo cuidando da minha vida é? Ninguém tem uma louça pra lavar? Umas florezinhas pra colher?

- Cê é mesmo um idiota, né? – a garota se segurou para não explodir. – Larga de ser bezerrão e ficar aí choramingando que nem mulherzinha.

- Ou o quê? – desafiou. – Porque até onde eu sei a minha vida tá uma merda. Acho que eu tenho o direito de reclamar. Ou eu sou ruim demais pra isso? Justamente quando eu resolvo ficar na minha, alguém arruma um jeito de me ferrar. E claro que ninguém vai desconfiar de outra pessoa, a não ser do o otário aqui!

- Acabou com o show? – ela o encarou com os braços cruzados sobre o peito.

- Você é louca mesmo. Mas quer saber se veio dar sermão, vá se catar! – ele deu de ombros começando se afastar.

- Ô, palhaço... – a garota chamou – É muito chorão mesmo, quem tá falando que nem uma matraca aqui é você. Você merece uns tapas, mas é porque não para de falar. – Fabinho se deteve, mordendo o lado interno da boca.

- Qual foi a tua então? Vai me dizer que não sabe da última que o Fabinho aprontou? – indagou voltando pra ela.

- A campanha do Natan? – deu de ombros.

- O quê... Vai dizer que acredita em mim? – desdenhou esperançoso. A resposta de Giane era importante pra ele. De algum jeito a mais importante. De uma hora pra outra, ele percebera que não queria decepcioná-la. Mas será que ela continuaria a defendê-lo?

- Fabinho, – ela segurou os ombros dele com as mãos, dando um aperto decidido. – Olha dentro dos meus olhos e diz... Foi ou não foi você?

- Não. Não fui eu! – se exaltou, sob aquele olhar atento e desconcertante – Por que eu daria uma ideia e depois passaria pra concorrência? Eu odeio o Natan, eu não seria trouxa a esse ponto. Mas por que você acreditaria? – seu tom era desgostoso, enquanto ele gesticulava impaciente e explosivo, características de um cara que sempre vivia no ataque, mesmo que só quisesse se defender.

- Dá pra calar a boca? – ordenou ela. – Se você diz que não foi você, pronto eu acredito! – deu de ombros — Aliás, tu tinha que ser muito otário mesmo pra dar uma dessa, bem agora!

Fabinho hesitou por um instante, incerto se ouvira realmente aquilo. As palavras da florista fizeram com que toda a raiva por ter sido acusado e demitido injustamente da Crash Mídia, parecesse algo sem sentido. Tudo o que precisava era que alguém acreditasse nele. E esse alguém ser exatamente Giane, o enchia de um contentamento estranho.

- Desde quando você virou minha fã número um? – suspirou aliviado, desviando o rumo. Ele não queria e nem fazia parte da sua natureza agradecer.

- Ha-ha-ha. Mas ele se acha muito! – Giane caçoou revirando os olhos cheios de ironia. – Nunca fui tua fã, pelo contrário sempre achei que merecia uns bons tapas.

- Merecia? – ele riu se sentindo mais leve. – Você nunca perdeu a chance de me encher de porrada. Nunca vou entender como uma magrela desse jeito pode ter mão tão pesada. – provocou.

- Magrela é a vó, palhaço! – rebateu. – Como eu tava falando, antes de você começar com a palhaçada, eu não apoio injustiça. E apesar dos pesares, eu sei que sobre o incêndio na Toca, e da campanha você é inocente! – afirmou. — Só precisamos arrumar um jeito de provar!

- Engraçado é que nem a Margot acredita em mim, ela disse que podia entender, caso eu tivesse feito outra bobagem. – ele confessou.

- Não é como se você tivesse sido o filho mais santo! – provocou, cutucando-o com o ombro, já que estavam lado a lado encarando a água. Fabinho deixou um sorriso escapar do canto dos lábios, enquanto observava a maneira que ela estreitava os olhos devido ao sol.

- Falou o filho exemplar do Silvério! – devolveu, não deixando passar despercebida a provocação.

- Filho? – repetiu ela lançou um olhar indignado, mas depois pensou melhor – É pode ser, pelo menos eu não sou um bebê chorão que não sabe chutar uma bola em linha reta e ainda torce pro São Paulo. – deu de ombros segurando a risada.

- Ah! Fala sério, maloqueiro. São Paulo é bem melhor e não demorou cem anos pra ganhar uma Libertadores, quer falar o quê? – continuou.

- Mais é besta mesmo? Perdeu a noção do perigo? Timão demorou, mas quando ganhou foi bonito. Aposto que ficaram tudo de cara no chão, mesmo secando os jogadores, eles foram lá e fizerem a festa.

- Depois de cem anos, tinha que fazer alguma coisa. Já tava ficando feio né?

- Feia vai ficar essa sua cara, depois que eu amassar ela com os meus punhos. – ameaçou.

- Então vem então... – cutucou-a, empurrando-a. A corintiana que não era boba, saiu em disparada atrás do provocador, que correu em disparada, gargalhando com a decisão dela em capturá-lo. O Ibirapuera ficou pequeno diante de tanta cumplicidade dos dois ali. Alternaram a responsabilidade da caçada. Fabinho alcançou a modelo no meio da grama, agarrando sua cintura e suspendendo-a no ar, enquanto a girava.

- Me põe no chão idiota. – usou as mãos para acertá-lo, ele atendeu depois de um tempo. Sentaram-se na grama exaustos e ofegantes. – Paspalho.

- Eu sou paspalho? – ele riu – Quem foi que disse que o bebê daquela mulher era bonito? – mordeu o dedão, enquanto esperava a resposta.

- Bebês são bonitos.

- Tá de palhaçada, né? Bebês têm cara de joelho. Tudo igual, o máximo que muda é o tom de pele, de resto... – debochou.

- Que nem a sua, mané. – riu.

- Eu? Eu sou lindo minha filha! — envolveu os ombros de Giane, chacoalhando-a.

- Besta! – riu ela empurrando-o. Depois deitou na grama encarando o céu, a temperatura havia começado a subir, a Primavera já fazia uma prévia do que seria o Verão. As pessoas já retomavam a vida esportiva, ocupando suas horas vagas ao ar livre. Fabinho a olhou por um segundo, sentindo uma estranha admiração. Pouco tempo atrás, ele não queria cruzar com ela, mas a presença dela fizera seu humor melhorar exponencialmente. A moleca mal acabada lhe fazia um bem danado, só que de mal acabada ela não tinha nada. – Que foi essa cara de coxinha?

- Ah, fica na tua! – brincou ele, envergonhado por ter sido flagrado. Deitou-se ao lado dela encarando as nuvens. Ultimamente ele vinha olhando muito para o céu. “Aproveita e faz um pedido pra lua, um amor pra ver se amolece esse coração ai”, riu da lembrança, até porque quem estava no céu aquele momento era um sol escaldante e brilhante. Deslizou a mão que estava sobre a barriga, enquanto a outra apoiava sua cabeça. Giane fez o mesmo sem combinarem, então suas mãos roçaram, e antes que a florista pudesse recuar, o encrenqueiro se viu agarrando a mão dela. Sem ter exatamente certeza do motivo, ele simplesmente fez. De uma hora pra outra, ele sempre sentia vontade de tocá-la, se agarrava a qualquer desculpa para fazê-lo.

Seu coração começou a dançar num ritmo diferente, meio desconhecido. A respiração se tornando acelerada. Se ele não estivesse tão absorto em suas próprias reações, teria notado que Giane estava no mesmo estado. A morena engoliu em seco, agitada demais. Levantou-se sentando e puxando a mão, torcendo para que ele não percebesse sua perturbação.

Fabinho fechou os olhos, com medo do que aquilo significava. Não o fato de ela ter se afastado, mas o fato dele estar desconfiando que não estivesse mais normal, alguma coisa havia mudado. Sentou-se sem encará-la.

- Giane...

- Fabinho... – disseram ao mesmo tempo.

- Pode falar! – disse ele.

- Não, fala você – pediu atrapalhada.

- O problema é esse...

- Que problema? – ela piscou os olhos que estavam arregalados numa agonia estranha.

- Eu não quero falar. – explicou ele. – Eu quero... – A mão dele foi de encontro ao rosto da jovem, que fitou o gesto sentindo sua garganta secar. Quando voltou a olhá-lo, viu que ele estava muito perto.

A expressão dela era tão agoniada quanto a dele, ele fechou os olhos selando seus lábios. A modelo demorou algum tempo assustada demais com o que estava acontecendo. Então antes de recuar ele sentiu a mão dela tocar seu rosto, e o medo que havia sentido, antes dela corresponder se foi. O temor anterior a ela se agarrar ao tecido de sua camisa na região do ombro e acariciar sua nuca e prender seu cabelo entre os dedo. Agora ele estava em paz, mesmo que seus sentidos estivessem aguçados, seu coração martelando loucamente, sua respiração em ponto de colapso, ele nunca se sentira tão bem, tão vivo, tão feliz...

A preocupação que a invadira ao encontrá-lo desmaiado no canteiro de flores, a decisão firme de acreditar em sua inocência mesmo que isso colocasse em risco sua amizade com Bento. E que defendê-lo fizesse com que todos na Casa Verde questionassem sua sanidade. Tudo isso vinha se transformando em algo maior... Em amor. Amor pelo fraldinha.

A rixa infantil que se transformara em aversão por parte dele, que nunca perdia uma oportunidade para provocá-la. O fato de ter sido pego de surpresa, quando ela não só o socorrera, mas também o abrigara e cuidara de suas mazelas, a confiança que ela depositava nele. Mesmo que não fosse a única, a diferença entre Giane e Malu era gritante. Ainda que Maria Luisa lhe tivesse despertado gratidão, Giane mexia com ele de forma distinta. De forma romântica. Ele estava apaixonado pelo moleque de rua.

Quando o beijo se findou, ambos ficaram algum tempo absorvendo o ocorrido, e normalizando seus corpos, antes que se encarassem. Quando os olhares se encontraram por fim, pareciam repletos do mesmo sentimento.

Giane não sabia o porquê justamente ele havia despertado algo tão forte dentro de si, mas ela não podia negar que mesmo que aquilo a assustasse, ela se sentia assustadoramente feliz.

Fabinho não sabia o porquê justamente ela havia despertado o amor dentro dela. Mas o estado que seu coração ficava quando ela estava por perto, era completamente avassalador. As pessoas andavam dizendo que Fabinho estava diferente, mas a única coisa que havia de diferente nele era ela.

Notas finais
Beijos