Difference In Me - Fabiane
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Giane saiu do chuveiro pendurando a toalha molhada e entrando em seu quarto, se jogou sobre a cama remexendo os cabelos. Mal chegara em casa e seu pai a enchera de perguntas, além de repreendê-la por não ter dado notícias quando encontrou Fabinho. A modelo se desculpou despachando o pai para a casa de Margot com a torta que ele aprontara para o jantar. Quem sabe quando ele voltasse teria notícias dele. A florista abraçou seu travesseiro sentindo seu cheiro misturado ao de Fabinho. Fabinho, bela encrenca.
A moça não tinha muito certeza do porque reagira ao que beijo daquela forma, o Fraldinha deveria estar fulo da vida com ela. Mas se nem ela estava aceitando seu comportamento como o cara o faria?
- Saco viu? – resmungou se cobrindo na tentativa de dormir.
...
Silvério serviu mais um pedaço de torta para Margot.
- Tá mesmo uma delícia. Pena nem o Fabinho, nem a Gianevir se juntar a gente! – comentou a senhora.
- Ixi, aquela chegou em casa toda esquisita. Dispensou a minha torta, só disse que seu menino tava bem.
- O Fabinho chegou do mesmo jeito. Dispensou o jantar, eu até pensei em chamá-lo pra comer, mas duvido que ele vá sair do quarto tão cedo.
- Ele ficou bastante chateado com o negócio da Crash Mídia. Mas não é pra menos...
- O pior é que eu dei a entender que ele podia confessar a espionagem.
- Acho que não é só isso. – Silvério deduziu. – Tem mais coisa ai, duvido que ele e a Giane ficassem com essa tromba toda, por nada.
- Será que brigaram? – chutou.
- Se brigaram eles se acertam. A Giane não é fácil.
- O Fabinho então nem se fala, meu menino é complicado. Mas eu espero realmente que eles se acertem! Afinal desde que a Giane e ele ficaram amigos, meu filho ganhou um brilho, uma paz, sabe? Sua menina faz um bem danado pro meu garoto. – contou animada – Meu coração de mãe, diz que esses dois ainda tem muita história.
Silvério sorriu encabulado, não querendo ser chato. Criar Giane sem mãe havia lhe feito enxergar muito bem sua garota, por mais que ela gostasse de esconder seus sentimentos, como no caso de Bento, o velho sabia reconhecer quando a filha estava diferente. E a relação dela com Fabinho estava deixando o velho em alerta. Ele sempre torcera para que um cara legal aparecesse na vida dela, e a tirasse da sombra daquela paixão utópica pelo florista. Por isso quando Caio apareceu, ele ficou muito feliz com a ideia. Mas tudo indicava que por mais que Fabinho não fosse nenhum príncipe, ou mesmo um cavalheiro, ele não podia fingir que se sua filha fazia bem ao garoto, não era diferente com ela. Fabinho fazia bem a Giane. Quando ela voltava das partidas de futebol com o encrenqueiro, Silvério via uma animação que nem mesmo o sagrado Timão conseguia, e olha que em matéria de animação, o Corinthians sempre deixava sua garota rouca. Mesmo que Giane fosse esperta, e pousasse de durona, o velho sabia que no fundo ela era delicada e sempre seria sua garotinha. Só lhe restava torcer para que se o coração da florista escolhesse o bad boy, que ele realmente fosse bom pra ela. Se é que ela já não o houvesse escolhido.
...
Fabinho fechou a porta de seu quarto depois de ouvir o inicio da conversa de Silvério e Margot na sala. Ele alimentara alguma esperança de que Giane estivesse junto. Mas era mesmo tolo por ficar querendo ver a garota que lhe beijara por pena. Pegou a bola que ela lhe dera se jogando sobre a cama.
“Pena Giane? Você quer que eu acredite que correspondeu ao meu beijo por pena?”
“Desculpa Fabinho, mas seu dia tava sendo pesado, e a gente tava se divertindo, agora quando você me beijou, eu não te afastei porque não queria que você ficasse chateado cara. A gente é amigo...”
“Até porque agora eu to pulando de felicidade, você só não consegue ver porque eu to fazendo isso no modo camuflado. – ironizou – Fala sério Giane!”
“Fabinho, por favor? A gente é amigo, eu gosto muito de você. Quero dizer eu nunca pensei que diria isso, mas você é muito especial pra mim, mas...”
“Mas eu não sou o Bento. – concluiu.”
“Isso não tem nada ver com o Bento, Fabinho”.
“Tá bom, tá bom Giane, vamos embora porque minha mãe deve estar ficando preocupada, e é capaz de alguém achar que eu te sequestrei.”
Pena era uma palavra que não fazia parte do mundo de Fábio. Ele odiava muita coisa, mas nada mais do que alguém tendo pena dele. Se alguém o quisesse odiar, desprezá-lo, xingá-lo ele podia lidar com isso, mas pena? Pena não.
- Que droga! – lançou a bola sem muita força no chão. O brinquedo que lembrava sua infância quicou duas vezes, antes de ir parar perto da porta. Ele fechou os olhos por algum tempo antes de ir pegá-la de volta. Desde que ganhara aquele presente de Giane sempre dormia com ele por perto. Ele dizia pra si mesmo, que era só porque era igual a que o carro estourara, mas na verdade era porque era presente dela.
...
No dia seguinte na parte da tarde, Malu concluiu seu trabalho apertando o botão para gravá-lo na memória do notebook e no pendrive por segurança, e depois fechou a tela, indo ajeitar alguns desenhos que as crianças deixaram espalhados pela sala, enquanto iam se lavar para o lanche.
- Oi Malu! – Giane saudou.
- Oi Gi – a pedagoga sorriu vendo sua nova amiga, e de longe a mais sincera e companheira. – Que bom ver você! – a abraçou, depois de largas as folhas.
- Eu vim dar uma passada saber, como você tava e também... – coçou a cabeça, apoiando os braços na cintura. – E também bater um papo, pedir ajuda com uns lances ai.
- Uns lances? Aham sei! – a Campana olhou sorrindo, sabendo que ali tinha coisa. – Cê quer conversar lá na minha sala né?
- É melhor, é meio pessoal o que tenho pra falar.
- Giane! – saudou Madá alegre – Chegou numa ótima hora, tem bolo de laranja, suco, e uns lanchezinhos que eu ajudei a preparar, tá de comer rezando!
- Ah, valeu aí dona Mada, mas eu não to com fome!
- Vem faz companhia pra Malu, porque hoje ela não teve tempo nem de almoçar. Quando vê tá desmaiada pelos cantos. – puxou a neta e a modelo pra cozinha da ONG.
...
- Pronto! – Malu encostou a porta de sua sala – Desculpa, minha vó tá sempre de olho se eu to comendo ou não! Ainda o Maurício fica pondo coisas na cabeça dela, aí já viu. Mas você tá ai toda aflita e eu falando besteira. – Malu puxou Giane pra uma cadeira e se se encostou à mesa. – Pode falar sobre os lances.
- Ah, não tudo bem. – a modelo tentou disfarçar sua ansiedade, mas estava a ponto de explodir. – Cê já tá sabendo do Fabinho?
- Do Fabinho? Não, quero dizer eu falei rápido com meu pai ontem, parecia que a Irene tava toda aflita, alguma coisa com o trabalho na Crash Mídia. Você não me explicou direito o que tinha acontecido pra ele sumir, até o Mau me dizer que tinha visto ele no Ibirapuera, mas aconteceu alguma coisa grave? É com a Amora? O Bento?
- Não! Pelo menos dessa a víbora o Bento tão livres. – esclareceu – É sobre o Natan... – Giane explicou todo o ocorrido, a acusação, a demissão que o levara a sumir e depois ele dizendo que não era culpado.
- Então você acha que não foi ele? – a universitária concluiu.
- Claro que não pô. Eu já disse que...
- O Fabinho não seria tolo a esse ponto. E eu também concordo! Você sabe muito bem que quando o Fabinho aprontava eu era uma das que apontava. Mas dessa vez eu to com você. O Natan pode ser pai do Maurício, mas não presta. Ele traiu a Verônica uma mulher que só fez viver pra ele, e se envolveu com a Bárbara, o que já é um claro sinal de gente descompensada. E o Mau sempre me disse que as melhores ideias do publicitário do ano, vinham da cabeça da mãe dele.
- Então é obvio que ele pode ter roubado a ideia da campanha, não é?
- Olha Giane, do Natan eu só espero coisas baixas desse tipo! Ele age como gente da pior espécie. Mas no que exatamente eu posso ajudar pra confirmar a inocência do Fabinho?
- Então, eu não sei exatamente! Mas eu comecei pensando em achar um suspeito...
- Até porque o Natan, não pode ter simplesmente se materializado lá na Crash Mídia e roubado a ideia.
- Claro! Olha o Érico e a Silvia são os criadores da agência, e ambos não são lá muito fã do Natan e nem sabotariam a própria empresa. Ai tem o Jonas e o Vinny, mas eles também são salvos de qualquer suspeita.
- Sobraram a Tina e a Júlia. A Tina tinha um plano maluco contra a Barbara e não ia com a cara do Natan, então só sobrou a Julia.
- Essa Júlia trabalhava na Class Mídia antes, não trabalhava?
- Trabalhava. E, aliás – ponderou — Gi o Mau sempre me disse que a Júlia é o tipo de garota que se joga pra cima de qualquer um, teve até uma época que alugou o Xande sabe, o garoto que a Luz é afim?
- Sei, sei o meio irmão do Felipinho!
- Esse mesmo! A gente não pode sair acusando ninguém sem provas, mas que pode ter sido ela pode! A gente só precisa arranjar um jeito de descobrir.
- Esse é o problema, como fazer essa garota falar se ela for a culpada?
- Vamos dar um jeito, eu prometo. Chega de ferrarem o Fabinho, já basta a Amora dissimulando e se fazendo de santa pro Bento!
- E ele caindo que nem uma anta – completou.
- É tão chato, saber que o Bento meu irmão, uma pessoa tão do bem se deixou cegar por essa paixão de criança. Ele vê pureza onde não tem.
— De pureza a Amora só tem o veneno, porque de resto aquilo é mais podre do que sei lá...
- Escuta Giane, era só isso mesmo? Cê não tem mais nada pra me contar? Não sei, mas to sentindo que você precisa desabafar.
- Como assim? – tentou fugir, era obvio que ela queria desabafar sobre o beijo com alguém. – Não tem nada mais não, quero dizer... Nada demais...
- Anda Giane me conta? – pediu. Giane torceu as mãos, mexeu nos cabelos, andou de um lado pro outro, até mandar a real e contar sobre o que tinha acontecido. – Caraca! – Malu pôs a mão da boca sorrindo largamente. – Não acredito, cê tá de brincadeira não é?
- Pô Malu, cê acha que eu to de zoação? Poxa vida eu não queria falar pra ninguém, ai eu venho aqui e você fica debochando?
- Calma Giane, eu não to debochando. Pelo contrário... Eu to surpresa. Quero dizer você e o Fabinho juntos?
- Não tem ninguém junto, não!
- Giane cê tem noção do que isso significa?
- Que eu vou embora, antes que eu perca a paciência e acabe com a nossa amizade.
- Larga de ser esquentada. Eu to louca de felicidade! O Fabinho tá afim de você, isso é ótimo!
- Ótimo? O Fabinho deve estar de zoação!
- Giane presta atenção. O Fabinho é todo fechado dentro de si. Na faculdade a gente aprende a identificar crianças assim, sabe? O Fabinho é o cara que até pouco tempo era julgado incapaz de sentimentos, principalmente desse tipo de sentimento.
- Quê cê quer dizer com isso?
- O Fabinho tá amando!
- Que amando o quê! Pirou né Malu?
- O melhor jeito é perguntar pra ele. Quero dizer não é uma boa ideia, o Fabinho não é o tipo de cara que sabe abrir o coração, sabe? Mas eu notei que ele precisa de um empurrão. O problema é que pelo jeito você não sente nada em relação a ele. – jogou um verde.
- Não é que eu não sinto nada. Mas é que, estamos falando do Fabinho né gente?
- Um cara que aprontou muito, mas que graças a você tá mudando.
- Graças a mim nada. Você também deu maior força pra ele.
- Eu dei mesmo. E o tempo que o Fabinho passou fugindo, fez ele se dar conta que mais cedo ou mais tarde ele ia se ferrar. E quando você o acolheu, ele começou a deixar o cara legal que ele é transparecer. Cê me entende Gi? E se você quer minha opinião sincera, você sente alguma coisa por ele.
- Eu amando o Fabinho? – disse pensativa.
- Tá vendo? Eu não falei nada sobre amor – sorriu — O Fabinho é só uma criança assustada que precisa de amor. Sabe por que amiga? Quando a gente ama alguém, não queremos que ele se machuque. Que ele sofra injustiças. E eu aposto que isso faz toda a diferença. Você acreditar no Fabinho desse jeito, é a prova de que tá rolando algo muito especial entre vocês. E eu acredito que tem toda a cara de ser você a pessoa certa pra ele.
- A Malu, por favor, né? – a verdade era que ela só precisava que alguém desse voz ao que ela mesmo já tinha concluído. E Malu havia cumprido essa função perfeitamente.
Notas finais
Obrigada por todos os comentários *.* Mas continuem me deixando saber se to agradando!
Beijos e até :)
Só eu to em contagem regressiva pra sábado? Espero que seja milhões de vezes mais lindo do que eu consigo pensar!
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