Diferentes idades
12 Viver com Lucas e com… Tânia.
Notas iniciais
Sem me levantar, virei-me para trás e beijei-o, agarrei nos seus cabelos escuros para aprofundar o beijo, senti-me segura e afastei-me. Afinal os braços que senti não eram assim tão grandes, foi apenas... a minha mente a querer que fossem. Mas o que tinha acabado de fazer?! Será que eu sou louca?!
Encostei a minha cabeça no ombro de Robert, algumas lágrimas escorreram pela minha cara, cheguei mais perto dele e abracei-o com força. Ele não fez uma única pergunta.
– Desculpa. — Quebrei o silêncio.
– Porque estás aqui… sozinha… a chorar?
– Nada na minha vida está bem. – Afastei-me e voltei à posição anterior.
– Tu e o Daniel acabaram? — Ele falava com receio.
– Não. – Disse.
Senti-me ainda mais arrependida por ter beijado Robert.
– Estão a dar um tempo?
– Não.
– Ele vai mudar-se? — O receio desapareceu, falava agora afligido.
– Não.
– Vais mudar-te?
– Não.
– Então que raio aconteceu!? — Ele quase gritou.
Levantei-me e corri em direção a casa, parei passado um pouco. Robert nem tentou vir atrás de mim. Não sabia para onde ir, não queria ir para casa, não queria ir ter com Daniel, não podia ir ter com Robert, não podia falar disto com a Sammanta, estava chateada com Anna, Só me restava uma pessoa… a minha tia!
Ia tirar o telemóvel do bolso… mas não tinha telemóvel, e não sabia onde morava a minha tia. Afinal… não me restava ninguém…
Caminhei em direção à praia, triste, acabada, derrotada… usei as minhas últimas forças para chegar à areia.
Deitei-me e fiquei a olhar o céu. Que faço eu aqui? Porque tenho de estar aqui? Porque tenho de existir? Porque não acaba?
(…)
Espreguicei-me, abri os olhos e vi que estava numa cama. Sentei-me assustada. Onde estou? Estou a sonhar?!
– Estarei morta!? — Gritei.
– Espero que não. — Daniel disse ao abrir a porta do quarto.
Tomei mais atenção aos pormenores do quarto, suspirei de alívio. Estava no quarto do meu namorado.
– Como vim aqui parar? — Perguntei já mais calma.
– Deves achar, que eu ia deixar que dormisses na rua!
Esfreguei os olhos. Lembrei-me de uma coisa importante!
Abracei-me a Daniel.
– Parabéns!
– Pensei que te tinhas esquecido. — Ele retribui-o o abraço. — Vem comigo. Quero mostrar-te uma coisa. — Ele levantou-se.
Fomos até à piscina, estava tudo decorado! Com balões, candeeiros, luzes. Estava incrível! Era uma festa digna de um milionário!
– Adoro! Está incrível!
– Ainda bem que gostas.
– Mas não era para passares o dia comigo?
– E vou.
(…)
Eu e Daniel estávamos sentados numa mesa, ao lado da piscina a conversar. Quando chega um carro com música muito alta. Começaram a chegar muitos carros atrás do primeiro, todos eles com jovens da idade de Daniel.
– Agora é que a festa vai começar. Daniel deu-me um beijo na bochecha e foi ligar rapidamente a aparelhagem.
Fomos cumprimentar toda agente. Música aos altos berros, pessoas a beber, a dançar na piscina, uma verdadeira festa!
Daniel começou a jogar ao ‘’bota’’ com os amigos. O ‘’bota’’ era uma espécie de competição entre duas pessoas, quem bebesse mais shots num minuto ganhava, ou seja ‘’bota’’ de ‘’bota a baixo’’, o nome não fazia muito sentido, mas pelo menos é assim que o jogo se chama na Suíça.
Fiquei apenas a ver. Daniel tinha ganho todos os jogos em que entrara. Ao princípio foi divertido, mas depois começou a tornar-se estupido. Estavam todos bêbedos.
Senti um puxam no braço.
– O que que fazes aqui?! – Perguntei-lhe
– Nós precisamos de falar.
– Agora não! Robert, é o aniversário do Daniel!
– Onde passaste a noite? Aqui!? Com ele!? — Ele começou a falar mais alto.
– Robert. — Reprimi-o. — Agora não. Vai-te embora. Falamos amanhã.
– Eu não te vou deixar aqui com ele.
– Ele é meu namorado! Eu estou com ele! Não te metas! — Alguém desligou a música, todas as pessoas ouviram o ‘’Não te metas!’’.
Daniel olhou para nós. E começou a aproximar-se de mim.
– Beijas-me e depois dizes para não me meter! — Robert gritou. Todos ficaram a olhar para nós, eu estava muito envergonhada!
– O quê? — Daniel disse baixo para que só eu ouvisse.
Eu mordi o lábio, fechei os olhos, e virei a cara para o outro lado. Ele percebeu que era verdade.
Ouviu-se um grande estrondo. Foi o punho de Daniel na cara de Robert! Robert caiu e Daniel sentou-se em cima dele e começou a bater-lhe mais ainda. Will puxou Daniel e ficou a agarrá-lo.
Robert levantou-se, todos pensaram que se iria embora, mas não. Chegou-se perto de Daniel, que estava preso e não se podia defender, e deu-lhe um grande soco.
Ainda mais furioso que antes, o meu namorado, empurrou Robert, mas em seguida levou um empurram de volta. Daniel dá-lhe um grande soco por baixo do queixo e Robert cai no chão.
Will já tinha chamado uma ambulância, porque sabia no que isto ia dar. As sirenes começaram a soar alto, a ambulância chegava mesmo a tempo.
Os paramédicos vieram a correr com uma maca para transportar Robert, Daniel estava especado a olhar para o que tinha feito.
– Não era ele que devia estar assim! Eras tu! Tu! Tu é que me traíste! Tu é que estavas comigo! Não era ele! – Daniel começou a gritar comigo muito furioso, até tive medo.
– Vais fazer-me o mesmo? – Confrontei-o.
– Era o que merecias! Saí! Saí daqui! – Ele continuava a gritar.
Fez-me um olhar que dizia, ‘’O que estás à espera?! Sai!’’
Eu olhei em volta, todos olhavam para mim e mostravam desagrado. Vi a maca a entrar na ambulância. Olhei mais uma vez em volta, estavam todos à espera que me fosse embora. Fiquei triste, mas não dei parte fraca, corri até à ambulância e fui atrás com Robert. Antes de fecharem as portas Daniel olhou-me nos olhos, vi o quanto estava magoado.
Apesar de eu ter agido mal, acho que Daniel não tinha razão para agir daquela maneira, aquilo era o álcool a falar. Eu e Robert beijamo-nos … Quer dizer … eu beijei o Robert… e depois fui ter com Daniel… mas foi apenas um beijo… Mas o que se passa comigo?!
(…)
Robert estava deitado numa cama de hospital e eu sentada numa cadeira ao seu lado, à espera que acordasse.
– Parece que se calhar não era mesmo boa altura… — Ele falou baixinho.
Puxei a cadeira para mais perto dele, pus os braços em cima da cama e depois deitei a cabeça.
– Ainda bem que estás bem. — Disse quase em sussurro.
– Ele fez-te alguma coisa?
– Não é que não quisesse… mas não me tocou.
– Acabaram?
– Acho que sim… pelo menos ele expulsou-me da festa, e fiquei com a impressão de que ele nunca mais me queria ver… por isso… sim acho que acabámos.
– Estás bem?
– Se eu estou bem? Tu é que estás numa cama de hospital por minha causa.
– Mas comigo está tudo bem.
– Não, não está. Os médicos disseram que tinhas uma costela partida e que tiveste um traumatismo craniano.
– O traumatismo foi grave? – Ele perguntou um pouco assustado.
– Nem por isso. — Sorri um pouquinho.
– E… nós… como estamos? – Ele falou com receio.
– Eu acho que amigos.
– Amigos?
– Sim… — Estranhei a forma com falou.
– Clarissa, eu não consigo ser teu amigo.
– Por favor, não faças isso…
– Não faço o quê?
– Não te afastes por não podermos ser só amigos.
– Desculpa, mas vou ter de o fazer.
– Robert, eu não tenho ninguém! — Estava quase a suplicar-lhe.
– Todos os que estão perto de ti acabam magoados! — Ele começou a exaltar-se.
– Isso não é verdade. – Disse num sussurro.
– Ai não? – Começou a gritar. – Olha para mim! Para o Daniel! Para Lucas! Para a Anna! O que fazias à Sammanta passar quando estavas com Daniel! Olha para o teu pai! – Ele acalmou-se, respirou fundo e mudou o tom de voz. – Simplesmente, todas as pessoas que se aproximam de ti e se preocupam contigo, acabam magoadas.
– Então não te aproximes!
Levantei-me da cadeira e fui-me embora.
Tive de ir a pé até casa, sem dinheiro e sem telemóvel, não havia muito a fazer. E por mais que custasse… tinha de ir para casa… não tinha mais lado nenhum para ir…
(…)
Eu e Lucas discutimos assim que cheguei a casa. Ele estava irritado e chateado comigo, mas acabámos por fazer as pazes, é mesmo uma coisa de irmãos.
Ele contou-me tudo o que aconteceu com o meu pai, afinal ele está mesmo melhor… fisicamente, mas não o vemos, nem falamos com ele porque está internado… num manicómio, ao que parece não é a primeira vez que se tenta suicidar.
Eu daqui para a frente iria viver com Lucas e com a… Tânia.
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