Diferentes idades
13 Cuidado!
Notas iniciais
Já passou algum tempo… muito tempo… desde que acabei com Daniel. Foi um momento difícil… não tinha Daniel, não tinha Robert, não tinha Anna, não tinha Sammanta, pois ela nunca me perdoou pelo que aconteceu, tentei falar com ela, mas ela apenas disse ‘’ quando o magoas a ele, magoas-me a mim a dobrar’’, Rafael passou a odiar-me, tentei que falasse comigo, mas não correu muito bem… Não conseguia falar de nada com o Lucas, já não era capaz de desabafar. Depois de o meu irmão ter morto o homem, ficou tudo… muito estranho. O meu único ombro era Tânia, a minha relação com ela cresceu muito.
Faz hoje quatro anos que eu e Daniel acabámos. E existem muitos pensamentos que me atormentavam, um deles, a violação…
Sim, é verdade … Eu fui violada recentemente… talvez há duas semanas, por um homem qualquer… Era de noite, estava sozinha na rua, a passar por uns prédios abandonados, a caírem de podre, e um homem gordo, feio e todo maltrapilho agarrou-me… e pronto vocês sabem ele… ele, pronto! Eu tinha combinado encontrar-me com o Lucas perto daqueles prédios, mas quando lá chegou eu não estava lá... Ele ouviu gritos. E… viu-me a mim… ao homem… e passou-se por completo. Ele espancou o homem até à morte, foi horrível ver aquilo… e ter passado por aquilo… O meu caso foi muito divulgado nas notícias, televisão, jornais e queriam fazer-me entrevistas… Tenho tido dificuldades em recuperar, por isso não aceitei.
A minha vida tem sido um inferno! E a escola!? Tem sido muito complicado, acabei por mudar de escola… para não ver Robert, pois eramos do mesmo ano e da mesma turma! Fui para a escola de Daniel… não sei o que era pior… ele apenas me viu por um ano, depois acabou a escola e sabe-se lá o que anda a fazer. O irmão dele mudou de escola também, não sei para onde.
Hoje, eu e o meu irmão vamos dar uma volta por Berna, não sei exatamente onde vamos, ele diz que é surpresa.
Entrámos no carro, pusemos os cintos e liguei o rádio, estava a dar uma música que ambos gostávamos muito. O Lucas aumentou o som do rádio, estávamos a vaguear pelas ruas, a cantar e a rir. Foi um bom momento… A música acabou, diminui o som.
– Então o que vamos fazer?
– Agora que já tens dezassete anos. Vais ter de tirar a carta.
– Vou? – Perguntei intrigada.
– Vais. E vais ter de praticar. – Ele sorriu ao falar.
– Vou? — Um sorriso enorme cresceu na minha cara.
– Vais.
Fiquei muito feliz, só queria apertá-lo e abraça-lo!
O Lucas parou o carro. Olhei para janela e vi um carro a vir a alta velocidade! Na nossa direção!
– Cuidado! — Gritei.
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