Diferentes idades

10 Ela ficou grávida


Notas iniciais
Não sei se ficou bem como eu estava à espera, mas espero que gostem! Boa leitura

Abri os olhos devagarinho, tinha Sammanta a olhar-me fixamente.

– Boa tarde!

– Bom dia. — Disse espreguiçando-me.

– Sabes que horas são?

– Não. — Levantei-me da cama e olhei-me ao espelho, estava numa lástima.

– São duas da tarde!

– Nós também nos deitámos tarde. — Soltei um sorriso.

Lembrei-me da noite divertida que tive. Eu e Sammanta estávamos a ficar muito chegadas. Falámos de tudo, rimos, chorámos, dançámos, vimos um filme de terror ‘’Exorcismo no Vaticano’’e ficámos tão assustadas que só conseguimos adormecer agarradinhas. Eu nunca tinha feito nada igual com Anna. Acho que Sammanta era a minha nova melhor amiga.

– Mas eu combinei encontrarmo-nos no centro comercial às três! — Ela estava quase a gritar.

– Porque não me acordaste mais cedo? — Perguntei esfregando os olhos.

– Não sei. Despacha-te! Tens quinze minutos!

– Tão pouco?

– Sim! Vamos a pé.

Ajeitei a roupa (porque não vesti pijama), calcei as sandálias pretas e dirigi-me à casa de banho. Lavei a cara e olhei para o espelho, estava com melhor aspeto. Sammanta entrou na casa de banho e deu-me uma escova de dentes nova.

– E o cabelo? — Perguntei depois de escovar os dentes.

Ela tirou uma escova da gaveta e começou a pentear o meu cabelo. Assim que tirou os nós, fez-me uma trança.

– Não vais tomar o pequeno-almoço?

– Eu calculo que vamos almoçar no centro comercial.

– Então vamos. — Ela disse ajeitando o cabelo.

(…)

Quando estávamos quase a chegar, enviei uma mensagem ao Robert.

Eu: Olá! Quero apresentar-te uma amiga! Quando tiveres um tempinho diz.

Robert: Olá. Ok. Agora não posso…

Robert também era rápido a responder às mensagens.

Chegámos ao centro comercial. Daniel e Rafael estavam à nossa espera à entrada, Daniel era sempre muito pontual. Os dois irmãos não nos estavam a ver, por isso corri até ao meu namorado e tapei-lhe os olhos com as mãos.

– Quem é?

– É a minha linda namorada.

Tirei as mãos e beijei-o, como sempre foi mágico, eu estava loucamente apaixonada por aquele rapaz. Fiquei abraçada a ele.

– Olá Rafa.

– Olá Clarissa. — O seu olhar não era muito afável.

– Ainda estás chateado?

– Não. Quer dizer, eu estou chateado, mas não é por ontem… é por ter de vir às compras com raparigas.

– Olá Daniel. Olá Rafael. — Sammanta ainda não tinha cumprimentado ninguém, ela ficou triste ao ver o meu beijo com Daniel.

– Oi. — Disseram eles ao mesmo tempo.

– Vamos almoçar? — O meu estômago estava a roncar.

– Onde querem comer? – Perguntou Daniel.

– Mc Donalds? — Sugeriu Sammanta.

– Parece-me bem. — Afirmou Daniel.

Ele agarrou-me pela cintura e fomos até ao Mc Donalds.

– Eu pago. — Daniel tirou a carteira do bolso assim que acabámos de fazer o pedido.

Sentámo-nos numa mesa para quatro. Eu fiquei ao lado de Daniel e Sammanta ao lado de Rafael.

Daniel tinha a mão em cima da mesa, a pedir que eu pusesse a minha por cima da dele, não hesitei. A sua mão era macia e quente, tudo nele era perfeito.

– Rafael! Vamos aquela loja ali! — Sammanta saltou da cadeira e puxou Rafael pelo braço.

– Venham connosco! — Rafael gritou para que eu e Daniel pudéssemos ouvir.

Nós fomos, mas não entrámos na loja, ficámos sentados num banco à frente da loja.

Aconcheguei a minha cabeça no seu ombro.

– Daniel. — Ele olhou repentinamente para mim. — Eu amo-te.

Quando falei, senti que era verdade. Ele era tudo para mim. Ele sorriu maliciosamente. Agarrou a minha cara com uma mão e beijou-me, os nossos lábios colaram-se e as nossas línguas começaram a entrelaçar-se uma na outra. Fiquei sem respiração, afastei a minha cara, mas poucos segundos depois, os nossos lábios colaram-se outra vez.

– Eu também te amo.

Deitei a minha cabeça no seu colo.

– Não queres ir ter com eles?

– Se quiseres ir, vamos.

Levantei-me do banco e levei-o pelo um braço.

Sammanta e Rafael estavam nos provadores. Sammanta entrava e saía com roupas para Rafael, e ele limitava-se a experimentar as roupas.

– Então maninho? Gostaste de alguma coisa?

– Sim.

– Saí cá para fora, eu quero ver. — Estava curiosa.

Ele saiu e não parecia o mesmo. Tinha umas calças de ganga pretas justas, uma camisola de mangas cavas branca com uma caveira preta e azul e tinha calçados uns vans pretos. Sammanta ajeitou o cabelo escuro de Rafael. Ele olhou-se ao espelho e um sorriso cresceu na sua cara, os seus olhos castanhos brilhavam de encanto, ele estava feliz, sentia-se bem consigo próprio. Nunca tinha reparado que o corpo de Rafael era bastante evoluído para a sua idade. Os seus braços sobressaiam na camisola e notavam-se todos os músculos das suas pernas naquelas calças justas.

– Está jeitoso não está? — Sammanta deu-me um empurram.

– Oh, se está.

Daniel lançou-me um olhar surpreso, eu ri.

– Tenho mais sete conjuntos para experimentares. — Sammanta colocou toda a roupa dentro do provador.

– Daniel fica com ele, nós vamos dar uma volta. — Sammanta puxou-me por um braço até à porta da loja.

– Queres dizer-me alguma coisa? — Perguntei.

– Sim. Não consigo ver-te com ele.

– Sammanta…

– Estou a falar a sério.

– Vamos a uma loja só nós as duas.

Comecei a olhar em volta, para escolher a loja.

– Clarissa, Clarissa. — Sammanta estava a sussurrar. — Olha aquele rapaz! É tão lindo… — Ela estava praticamente a babar-se.

– Sabes quem é? — Arregalei muitos os olhos por conhecer o rapaz.

– Não faço ideia, mas se conheceres, apresenta-me.

– Anda. — Foi a minha vez de a puxar.

Dei um grande abraço ao rapaz.

– Robert, esta é a Sammanta. Sammanta, este é o Robert.

Os olhares deles ficaram presos. Como poderia aquilo estar a acontecer? Eles conheceram-se agora. Não era possível, será que o amor à primeira vista existe?

– Eu vou deixar-vos sozinhos. – Disse eu afastando-me.

Voltei à loja onde os dois irmãos estavam. Daniel estava a pagar as roupas, eu esperei por eles à porta.

– A Sammanta? — Perguntou Rafael.

– Está ocupada. — Sorri ao pensar que estava com Robert.

– E nós que vamos fazer? — Daniel parecia um pouco aborrecido.

– Vamos para casa. — Sugeriu Rafael.

– E a Sammanta?

– É melhor ficarmos aqui, não a vamos deixar sozinha. — Disse vendo-a ao longe com Robert.

– Vamos à joelharia no fundo do corredor. — Daniel sorriu e começou a dirigir-se à joelharia.

Fui atrás dele, mas Rafael sentou-se no banco onde tínhamos estado minutos antes, à nossa espera.

Daniel entrou na loja e começou a falar com a rapariga atrás do balcão. Enquanto ele falava, a rapariga só se babava, eu não estava a gostar muito dela. Entrei na loja e abracei Daniel, para marcar posição, ele pós uma mão à volta da minha cintura. Eu adorei a cara da rapariga.

A rapariga deu uma caixa ao meu lindo namorado, ele pagou e saímos da loja.

– Posso saber o que é?

– É um presente para ti.

Daniel abriu a caixinha, tinha lá dentro uma linda pulseira em ouro com uma chave.

– Eu não posso aceitar. — Disse enquanto admirava a pulseira.

Ele tirou a pulseira da caixinha, pegou na minha mão e pós a pulseira.

– Tens a chave do meu coração.

– Que lamechice! Eu adorei. – Coloquei-me em biquinhos de pés e dei-lhe um beijo.

(…)

Eu e Daniel estávamos sozinhos em minha casa, eu já tinha visto a dele, por isso ele veio ver a minha.

Antes de irmos embora do centro comercial fomos os cincos comer um gelado, eu, Daniel, Sammanta, Rafael e Robert. Depois, Sammanta e Robert foram sair, Rafael foi ao parque com o senhor Micas e eu e Daniel fomos para a minha casa.

Estávamos os dois sentados no sofá., deitei a minha cabeça no seu colo.

– Tu querias saber da minha ex-namorada, não é?

– Só quero que me contes se achares que estás pronto. — Eu estava a morrer de curiosidade, mas eu tinha de o respeitar.

– Eu acho que devias saber. — Ele fez uma pausa. — O seu nome era Susana. Tínhamos a mesma idade. Eu estava apaixonado e ela dizia sentir o mesmo por mim. Namorámos durante dois anos. Eu pensava que ia casar com ela. – Ele estava a conter as lágrimas, sentei-me direita e olhei para ele, estava a ficar preocupada.

– Eu não quero que fiques triste. — O meu coração batia rápido ao pensar que ele estava a sofrer.

– Tens de saber. — Ele respirou fundo. — Depois de dois anos ela traiu-me, com o meu melhor amigo. Ela fez com ele o que nunca tinha feito comigo antes. Mas eu perdoei-a, ela parecia arrependida. Uma noite, depois de vermos um filme, ela levou-me a sua casa. Eu perdi a minha virgindade nessa noite, com a rapariga que eu amava. Não parecia crime nenhum. O único problema foi ela ter engravidado, mas eu tinha apenas quinze anos.

– És pai? — Uma lágrima escorreu pela minha cara.

– Deixa-me acabar. — Ele enxugou a lágrima da minha cara. — Eu não sabia o que fazer. Eu queria muito trabalhar e sustenta-lo, mas eu não podia, ainda não tinha idade. E o meu pai disse que só iria sustentar a criança, depois de um teste de paternidade. Ela concordou em fazer. — por momentos eu queria muito que a criança fosse do melhor amigo de Daniel, se não eu estaria a namorar com um rapaz que é pai. — O bebé era meu.

– Daniel, eu acho que não quero saber mais. — Só de imaginar o Daniel com um filho… e de o ver com outra rapariga… eu sentia-me a morrer por dentro.

– Podes não querer estar comigo… depois de saberes. — Ele estava quase a chorar.

– Eu vou querer-te sempre.

– Clarissa. — Ele fez uma pausa. — Ela pediu-me que eu assinasse um papel, eu confiava nela por isso, assinei. Mais tarde, vim a descobrir que era uma permissão para abortar. Eu permiti que matassem o meu filho. — Uma lágrima escorreu pela sua cara. – Mesmo depois do que ela fez, eu perdoei-a, estava cego de amor. Voltámos a namorar e ela voltou a trair-me com o meu melhor amigo, como um ciclo… Ela dizia estar apaixonada por Will. — Eu fiquei chocada, não esperava que o melhor amigo fosse Will. — Mas traiu Will também, desta vez com uma rapariga.

– O quê?

– Sim. Ela estava a experimentar coisas novas. Ela estava a crescer, a perceber o que queria. Ela veio a descobrir que era lésbica. Ela e essa rapariga estão noivas.

– Já entendo! Tu querias conhecer alguém mais velho, alguém que soubesse o que queria.

– Sim. Era essa a minha intenção.

– Isso quer dizer que eu não sirvo para ti. – Estava a tentar não chorar, mas deixei escapar duas ou três lágrimas. — Toda esta história… foi para me explicares que não me queres?

– Eu não sei. — Ele olhou para o chão.

– Não sabes?! — Levantei-me do sofá, estava quase a gritar.

– Não quero sofrer. — Vi uma lágrima na sua cara, senti um ardor no meu peito.

Coloquei-me de joelhos à sua frente. Levantei a sua cabeça de modo a que me olhasse nos olhos.

– Eu sei o que quero, tu!

– Mas tu ainda não sabes o que queres.

Beijei-o, foi o beijo mais apaixonado que já demos. A cada segundo eu sentia que o amava mais ainda, os nossos lábios a tocarem-se, as nossas línguas entrelaçadas. Ele ficou sem respiração e afastou a sua cara, mas desta vez eu queria mais, inspirei e voltei a beijá-lo. Eu pensava que era impossível amá-lo mais, mas parece que não.

– Percebes? Eu estou apaixonada por ti. — Eu queria dizer que o amava, mas não achei que ele fosse acreditar.

– Desculpa. Eu não sei porque disse isto agora.

– Não tens porque pedir desculpa.

– Tenho sim.

– Está bem. — Sentei-me de novo ao seu lado. — Tens de me contar melhor essa história.

– Estás a pensar no Will? — Ele leu-me os pensamentos.

– Sim. Como continuaram amigos?

– Fomos os dois enganados. E ele estava bêbedo quando tudo aconteceu.

Notas finais
Comentem muito! Leitores fantasma....