Notas iniciais
Peço desculpa pela demora a publicar o capítulo, tenho andado sem tempo e sem imaginação para escrever. Vou tentar publicar mais depressa os próximos capítulos. Espero que gostem! Boa leitura.

Acordei deitada no peito de Daniel. Tínhamos adormecido no sofá. Passei quase toda a noite a falar com ele, ambos falámos abertamente, estávamos cada vez mais próximos um do outro. Eu estava muito feliz por estar com Daniel e não com Robert, eu iria amar sempre mais Robert do que alguma vez ele me iria amar mim. Com Daniel era diferente, o sentimento era forte e mútuo.

– Foi a nossa primeira noite juntos. — ele riu ao falar.

– Não digas isso a ninguém, se não podem pensar outras coisas. — não saí do seu peito, era confortável.

– Vamos à praia? — ele desviou o assunto

– Deixa-me mudar de roupa.

Levantei-me sem muita vontade, porque eu adorava estar coladinha ao meu namorado. Corri até ao meu quarto, vesti um biquíni azul, uns calções pretos, uma camisola branca larga e calcei as mesmas sandálias pretas do dia anterior. Agarrei numa mala preta e coloquei lá dentro duas toalhas, uma branca e outra azul e o meu telemóvel.

Fui até à sala, Daniel já estava à porta, à minha espera.

– Aguenta mais um bocadinho! Ainda tenho de ir à casa de banho.

Lavei a cara, os dentes e apanhei os meus cabelos num rabo de cavalo.

Fui à cozinha e tirei duas barritas de cereais.

– Não vamos sem comer. — dei-lhe a barrita para a mão.

– Obrigado.

– Eu tenho ali uma escova de dentes nova… se quiseres… — disse apontando para a casa de banho.

– Eu já lavei. — como ele podia já ter lavado os dentes? — Eu tenho sempre uma escova no carro.

– Asseado o meu namorado? — gozei.

– Só agora é que percebeste que eu sou um gato? — ambos rimos.

Terminámos de comer a barrita e fomos para o carro.

– E o teu irmão, como está? — perguntei

– O meu pai tirou quase toda a semana de férias.

– Não devias estar com ele?

– Eu acho que ele não quer a minha companhia.

Fomos o resto do caminho todo em silêncio. Era um pouco constrangedor.

– Está tudo bem lá em tua casa? — perguntei quando parámos o carro.

– Eu tive uma discussão com o meu pai… quando o meu irmão fugiu.

Saímos do carro, eu levei a mala e sentámo-nos na areia. Fiquei à espera que ele continuasse.

– É que… eu avisei-o de que Rafael tinha fugido e ele disse que tinha trabalho. Eu aceitei isso, o que não aceitei foi o que ocorreu no dia seguinte. Eu contei-lhe o que tinha acontecido com o meu irmão e a única preocupação dele foi o Rafael ter estragado as roupas. Eu fiquei furioso. Disse-lhe que ele não se preocupava connosco, que ele só queria saber dos bens matérias e outras coisas horríveis…, mas o pior que eu disse, foi que a minha mãe tinha tido uma vida infeliz ao seu lado. Eu acho que ele nunca me vai perdoar. Grande parte do que eu disse… foi apenas porque estava de cabeça quente…, mas está dito… está dito.

Fiquei a pensar muito bem no que iria aconselhar a Daniel.

– E já lhe pediste desculpa?

– O quê? — ele pareceu surpreendido, não percebi porquê.

– Se já lhe pediste desculpa?

– E o que digo?

– O que me disseste a mim.

– Eu vou tentar…

– Não, não vais. Vais conseguir! Pedes desculpa, dizes que o amas! E que tudo o que disseste foi a raiva a falar. — estava a tentar encoraja-lo.

– Mas… nem tudo o que eu disse… foi a raiva.

– Então… pedes desculpa pelo que disseste sobre a tua mãe. — eu sentia-me uma excelente conselheira.

– Eu não posso. — ele respirou fundo. — Eu não consigo.

– E porquê?

– Porque sei que ele não me vai perdoar, ele já me disse muitas vezes ‘’ não desculpo’’.

Fiquei a pensar no assunto, nunca ninguém disse que não me perdoava.

– Se ele não te perdoar… ele é que perde. Mas tu tentaste. — sorri, sentia que o estava a ajudar e isso fazia-me feliz.

– Tens razão.

– Eu sei que sim. — atirei-lhe um pouco de areia ao ombro.

Ele atirou-me uma bola de areia à barriga. Levantei-me e atirei-lhe uma grande bola de areia ao cabelo, foi uma declaração de guerra. Comecei a correr para longe, mas ria enquanto fugia. Ele fez uma outra bola e atirou-me às costas, eu virei-me para reclamar e ele atirou-me uma bola à cara. Eu estava a perder a guerra!

– Já vais ver! — corri até ele com duas bolas na mão.

Atirei-lhe uma à cara e outra à barriga. Cheguei-me mais perto dele e beijei-o. Estava a divertir-me apesar de as minhas roupas estarem todas sujas. Ele pegou em mim como se eu fosse uma noiva e começou a correr em direção à plataforma. Percebi o que ele ia fazer.

– Não! Pára! Pára! — eu gritava e ria ao mesmo tempo. — Estou vestida!

Ele estava a chegar ao fim da plataforma, sabia que não ia conseguir nada, por isso agarrei-me ao seu pescoço.

Ele saltou! A água estava gelada. Por isso apertei-o com mais força, porque ele estava quente. Viemos os dois ao de cima respirar, afastamo-nos.

– Tu és louco! Não podíamos ter tirado as roupas primeiro? — estava quase a gritar, mas o sorriso não desaparecia da minha cara.

– Se fosse assim… qual seria a piada? — ele tinha razão.

Ele tirou a sua camisola e as calças e atirou para a plataforma. Eu ri. Nunca tinha visto ninguém se despir dentro de água.

Ele puxou os meus braços para o seu pescoço. E já que eu não tinha pé… entrelacei as minhas pernas na sua cintura.

Ele beijou-me e eu não disse que não, era o momento perfeito. Ele começou a puxar a minha camisola para cima. Ele tirou a sua roupa por estar molhada, e queria fazer o mesmo com a minha. Era apenas isso, certo?

As suas mãos desceram até à breguilha dos meus calções. Ele queria apenas tirar também os calções, não era?

Eu já só estava em biquíni e ele, como não tinha trazido calções de banho, estava em boxers, e os nossos corpos continuavam juntinhos. Os meus braços no seu pescoço, as minhas pernas na sua cintura e as suas mãos nas minhas pernas. Os seus lábios começaram a descer para o meu pescoço. Ele nunca tinha feito isto antes. Os lábios dele continuaram a descer quase até ao meu peito. Ele tirou uma das mãos da minha cintura e colocou nas minhas costas, aquela mão começou a subir até ao laço que prendia a parte de cima do meu biquíni.

– Daniel. — disse baixinho, eu até queria sentir como era, mas eu ainda não tinha idade para isso. Ao pensar na idade, fiquei triste… eu não tinha idade para Daniel.

Ele tirou a mão das minhas costas e afastou os nossos corpos. Subiu a plataforma e estendeu-me a mão para me ajudar a subir.

Ficámos sentados um ao lado do outro na ponta da plataforma.

– Desculpa. — ele disse levando a mão à cabeça e mexendo nos cabelos. — Eu… não — ele estava muito atrapalhado, (entendia-se porquê).

– Não tens de pedir desculpa. Eu sou tua namorada. Mas eu acho que não estou pronta. — sentia-me um pouco envergonhada.

– Claro que não estás! Eu não sei o que passou na minha cabeça…

– Também não precisas de falar assim…’’Claro que não estás!’’. — fiquei triste por ele ter dito aquilo, eu já me estava a sentir mal comigo própria antes.

– Clarissa! Tu tens apenas treze anos! — ele destroçou-me com aquelas palavras, mas ele tinha razão, eu tinha apenas treze anos.

– Não fales assim para mim… eu sei a idade que tenho… não me quero chatear contigo por causa de um número! — estava praticamente a esfregar-lhe na cara o que ele me tinha dito.

Eu não sei bem qual foi a intenção dele. Ele deitou-me para trás, e sem eu dar conta, estava em cima de mim e os nossos lábios estavam colados. O calor do seu corpo era muito confortável. Talvez ele me quisesse dizer que me amava e que a idade era mesmo apenas um número.

Ele afastou-se um pouco de mim.

– Tens razão. — ele disse baixinho e eu sorri.

– Ainda não me contaste, o que vais fazer amanhã? — queria desviar o assunto das idades.

– Vou passar o dia todo contigo, depois vamos jantar a minha casa e tu dormes lá.

– Durmo? — ao pensar em dormir lembrei-me de que não tinha avisado Lucas de nada.

E por pensar em Lucas fiquei um pouco triste, ele estava a fazer de tudo para ser o irmão mais velho perfeito. Com o meu pai no hospital e a minha mãe sabe-se lá onde… Lucas sentia que tinha de tomar conta de mim…

– Não queres?

– Eu vou pensar no assunto. — sorri.

Levantei-me e pus-me a olhar para as roupas molhadas.

– O que vou vestir?

– Por em quanto andas assim, quando formos embora já devem estar tudo seco. — um sorriso malicioso cresceu na sua cara.

– E tu? Vais andar em boxers?

– Porque não?

Fui buscar a mala, tirei as toalhas. Limpei-me na branca e entreguei a azul a Daniel. Peguei no telemóvel e vi que tinha duas mensagens.

Lucas: Já cheguei a casa.

Lucas: Onde estás?

Liguei para Lucas.

Eu:

– Olá. Estou bem não te preocupes.

Lucas:

– Onde passaste a noite?

Eu:

– Em casa. Vim agora à praia com o Daniel.

Lucas:

– Porque não me avisaste?

Eu:

– Esqueci-me.

Lucas:

– Ele foi logo de manhã buscar-te a casa?

Eu:

– Sim.

(Achei melhor mentir).

Lucas:

– Convida-o para jantar hoje em nossa casa. Vou levar uma pessoa lá a casa e não quero que faças de vela.

Eu:

– Por mim tudo bem. A que horas é para estar em casa?

Lucas:

– Às sete.

Eu:

– Até lá!

Lucas:

– Porta-te bem!

Desliguei o telemóvel.

– Hoje vamos jantar em minha casa.

– Excelente, quanto mais tempo juntos melhor. — disse ele agarrando-me pela cintura.

– Não abuses!

– Queres ir embora?

– E para onde vamos?

Ele fez uma cara maliciosa, eu gostava daquela cara, era muito sexy.

Depois do sucedido… eu fiquei com muita pena da idade… eu tinha mesmo curiosidade de o ter de uma forma diferente… para ser sincera… eu apenas me lembrei do que os outros iriam pensar. Sabia que não o iria ter dessa forma depois do avisar, mas tê-lo junto a mim já era bom.

Estávamos muito juntinhos, ele ainda me agarrava pela cintura, estiquei-me um pouco e beijei-o. Hoje parecia que não fazíamos outra coisa. As nossas línguas estavam um pouco irrequietas e sentia o nervosismo de Daniel, não queria que ficasse constrangido comigo, por isso afastei-me.

– Desculpa. — disse afastando-me dele e com um ar triste.

– E estás a pedir desculpa porquê?

– Não quero que fique um ambiente estranho entre nós.

– Eu não… — ele não queria admitir que tinha ficado nervoso, mas olhei para ele com uma cara ‘’Tu não, o quê? Pensas que me enganas!’’ — eu sinto que tenho de ter cuidado contigo só isso.

– E eu acho que parecemos o casal do crepúsculo! — disse um pouco irritada, mas isto levou a uma grande gargalhada de Daniel.

Ele fingiu morder-me, comecei a gritar e a espernear e caímos os dois na areia.

Ficámos a brincar e a rir durante muito tempo, almoçamos um gelado cada um, nenhum de nós tinha fome. Passámos o dia todo na praia. Eram seis e meia, pedi a Daniel para irmos andando para casa

Há porta de minha casa estava um Ferrari azul, era incrível, a rapariga que o meu irmão trouxe era rica ou o marido era rico. Do lado do velante estava uma rapariga com cabelo azul e no banco do pendura estava o meu irmão. Quem seria a rapariga?

Fui até ao carro azul de mão dada com o Daniel, bati no vidro.

– Olá! Eu sou a Clarissa a irmã do Lucas e este é o Daniel o meu namorado. — eu talvez estivesse a interrompe-los, mas fingi não pensar nisso.

– Eu sou a Tânia. — ao virar a sua face vi quem era! Eu não podia acreditar! Eu devia ter percebido logo pelo azul.

Entrámos todos em casa, não sei do que tinha mais medo, do meu irmão namorar com a médica do meu pai! Ou de Lucas estar demasiado perto de Daniel, tinha muito medo de bocas ou observações da parte do meu irmão.

Eu não larguei a mão de Daniel por um segundo, eu sentia me nervosa, e a sua mão deixava-me mais calma. Sentámo-nos no sofá. Calculei que o objetivo fosse explicar o porquê de Tânia estar aqui. Mas ninguém disse nada.

– Lucas… está tudo bem? O pai está bem? – os minutos de silêncio fizeram-me pensar que o meu pai poderia estar pior.

– Não, na verdade ele está a melhorar. — quem respondeu foi Tânia.

Que raio estaria ela a fazer aqui?

– Ela está aqui para te conhecer melhor… — Daniel parecia um pouco atrapalhado -Ela é minha namorada.

Um sorriso de satisfação cresceu na minha cara, Lucas encontrara alguém.

– Mas não é médica? – perguntei.

–Trata-me por tu. E sim sou. – ela fez uma pequena interrupção — Porque perguntas?

– Porque para ser médica, precisa de já ter acabado o curso… — comecei a pensar na idade, eu só podia ter algum problema!

– Estás a pensar na diferença de idades… eu tenho 23, sei que é sou um pouco nova para ser médica, mas eu sempre fui boa aluna e passei alguns anos à frente… mas faz-te confusão?

– O que me haveria de fazer confusão?

– A diferença de idades. — Tânia falou num tom que me fez sentir estupida, não estava a gostar muito dela.

– Não.

O ambiente tornava-se constrangedor.

– Vocês têm a mesma idade? — Tânia estava a começar a irritar-me.

– Não, eu vou fazer dezassete amanhã e a Clarissa tem treze anos. — ainda bem que foi Daniel a responder, eu não estava a gostar muito da conversa.

– Voltando ao meu pai… eu não o tenho ido visitar. Como é que ele está? – queria ver se Tânia me dava alguma informação que eu desconhecia.

– Sim, já consegue falar, as feridas estão a sarar e está a ter acompanhamento psicológico.

– Acompanhamento psicológico?! — que raio se passava com o meu pai?

– Sim, depois do que aconteceu… — Tânia foi interrompida por Lucas.

– Já chega de conversa. O jantar já está pronto, eu e a Tânia vamos por a mesa. – o meu irmão levantou-se e Tânia foi com ele.

Há medida que se afastavam comecei a ouvir cochichos, mas não consegui perceber. Acho que isto não estava a correr como Lucas esperava. E não percebi porque convidou o Daniel! Lucas nem gostava dele!

– Não sei se este jantar vai correr bem... — disse baixo para Daniel.

– Então porquê?

– Eu não gostei nada dela.

– Ainda não a conheceste. Como podes dizer que não gostas dela?

– Eu achei a convencida.

– Eu achei simpática.

– Se calhar até é, mas eu fiquei atingida com a pergunta das idades.

– Ela não fez por mal.

Ficámos em silêncio por alguns minutos.

– O que achas que aconteceu com o meu pai?

– Queres mesmo saber o que eu acho?

– Não sei… eu acho que estamos a pensar o mesmo.

– Que ele se tentou suicidar. — dissemos ao mesmo tempo.

Dissemos alto demais. Lucas ficou a olhar para nós preocupado.

– Achas que ele era capaz? — comecei a sentir os olhos a arder, estava quase a chorar.

– Eu não conheço o teu pai, mas acho que não. — ele não pareceu sincero.

– Venham para a mesa! — Lucas chamou.

– Sentas-te ao meu lado. — disse quando já estávamos a chegar à mesa.

Olhei para as nossas mãos, continuavam juntinhas.

O jantar era bifes com cogumelos e natas acompanhado por arroz branco.

Todos se serviram.

– És magrinha, mas comes bem. – Daniel brincou comigo.

– Tu é que devias comer melhor, se não nunca às de ficar assim. – levantei o braço e fiz força, todos rimos, pois o meu braço era super pequeno em comparação com o de Daniel.

– Andas no ginásio? — Tânia dirigiu a pergunta a Daniel.

– Sim.

– Frequentas muito regular-me?

– Desde que entrámos de férias não, mas geralmente sim.

– Notasse. — nem eu nem Lucas gostámos da cara de Tânia, estava praticamente a babar-se.

– Ele já tem dona. — comecei a brincar, queria conhecê-la melhor, e parecia um bom momento.

– Talvez seja velho demais para ti. — Lucas atacou, percebi o porquê de ter convidado Daniel, e preferia não saber.

– Então e porquê? — perguntou Tânia antes de eu poder dizer alguma coisa.

– Têm quase quatro anos de diferença… — Lucas largou os talheres, ele estava a falar muito a sério.

– E nós temos cinco. — não podia acreditar, Tânia estava a defender-me! Começava a subir na minha consideração.

– Mas nós somos adultos.

Tânia também largou os talheres e olhou séria para Lucas, eu e Daniel apreciávamos o espetáculo.

– Não vejo qual é o problema. Lá por serem menores de idade têm menos direitos?

– Não têm menos direitos, mas não sabem o que estão a fazer.

– Eu com quinze anos namorava com um rapaz de vinte e correu tudo bem.

– Mas não tinhas treze anos, tinhas quinze! — Lucas estava bastante exaltado.

– Devias confiar mais na tua irmã. — Tânia começou a perceber que a discussão não iria chegar a lado nenhum.

– Não se zanguem por minha causa. — pedi.

– Podias ter falado mais cedo! Agora já estamos chateados e a culpa é toda tua! — ele pegou nos talheres e começou a comer.

– E tu podias não ser parvo. — fui um pouco arrogante ao falar.

– Porquê?! Não é verdade?!

– Não! — gritei — Quem começou com as bocas foste tu! E eu não sei o que passou pela cabeça para organizares este jantar! Querias ofender o Daniel à minha frente e da Tânia?! Para o puderes envergonhar?! — comecei a ficar irritada.

– Não me faltava mais nada! — ele estava a gritar outra vez, comecei a sentir-me envergonhada, parecia que não tínhamos regras em casa. — A minha mãe é uma cobarde que abandona os filhos com o marido! O meu pai tenta suicidar-se e deixar os filhos sozinhos! E agora, a única pessoa que me restava, está contra mim e acha que já manda!

As lágrimas começaram a cair pela minha cara, vi a expressão arrependida do meu irmão. Mas fiquei mesmo magoada e triste. O meu pai tinha se tentado suicidar! Ele nem pensou em nós! Comecei a sentir um vazio que não sentia há muito tempo. As paredes da minha vida estavam a desmoronar. Senti a pedra do desgosto a cair na minha garganta, aquela pedra impedia-me de dizer fosse o que fosse. O Daniel apertou a minha mão e olhou para Lucas com uma expressão de desaprovação. Nem Daniel me confortava. Eu sentia que não tinha ninguém que me amasse. E senti ódio por todos os que me rodeavam e por todos que eu conhecia.

Levantei-me da mesa. Atirei com telemóvel e as chaves de casa para à mesa de entrada. Saí de casa e bati a porta atrás de mim. Ainda pensei em ficar sentada encostada à porta, mas eu queria estar sozinha.

Corri. Sem saber para onde, mas corri.

Eu chorava sem parar, tinha frio, medo, sentia-me perdida. Eu estava mesmo perdida.

Sentei-me no passeio em posição fetal. Encostei a minha cara nas pernas, de modo a que ninguém visse a minha cara. Já não eram só lágrimas, eu estava a chorar a sério.

Passaram se muitos minutos, talvez meia hora. Eu estava a ficar com sono, tinha frio e fome. A única coisa que tinha comido hoje fora um gelado.

Senti dois grandes e quentes braços a abraçaram-me.

Notas finais
Até ao próximo capítulo. Espero que tenham gostado! Comentem muito! Leitores fantasma... apareçam