[Essa é uma AMOSTRA GRÁTIS — O livro completo com 39 capítulos e mais de 295 páginas, esta disponível na AMAZON. Basta acessar o site da Amazon Brasil e procurar por: Dharam Um romance Indiano ]

Os últimos raios de sol do dia invadiam uma pequena livraria de um dos becos centrais de Mumbai. Estressado com os gritos do filho pequeno, de apenas 4 anos, Dharam respirou fundo e levou a mão ao topo da prateleira, alcançando um dos livros infantis em formato de elefante.

— Thank you Baba. Vem, vamos procurar mais livros! — gritou Bhuv puxando o sherwani branco de seu pai.

— Tudo bem, mas não grite nem destrua minha roupa. — disse Dharam removendo a mão do pequeno Bhuv de sua roupa.

— Baba! Eu não quero livros iguais ao do Bhuv. Eu quero livros tipo esse! — disse Anika mostrando um livro de romance.

— “Para todos os garotos que eu já amei”... Se livre disso! Pegue um livro para sua idade. — esbravejou Dharam devolvendo o livro para a menina.

Anika saiu desolada levando consigo o livro e o irmão. As crianças então rodaram a livraria inteira em busca de novidades. Enquanto isso, Dharam se escondeu entre as prateleiras tentando se acalmar. Ser pai solteiro era uma barra pesada nesses momentos. Ele não levava jeito com criança e seus filhos estavam ficando cada vez mais mimados. Enchê-los de presentes era o único jeito de compensar sua ausência durante a semana. Perambular pelas livrarias, ultimamente era o único programa de pai e filhos que eles ainda faziam. Para piorar a situação, seu celular de trabalho não parava de tocar, aumentando seu estresse.

— Vamos embora! Agora. — gritou Dharam no meio da livraria.

A voz dele estremeceu o local. Os funcionários arregalaram os olhos e os pombos que estavam se alimentando próximos da saída voaram. As crianças correram até ele imediatamente, pois já conheciam a personalidade do pai. A paciência havia acabado. Depois de passarem no caixa e pagarem os livros, Dharam tentou dirigir até seu Haveli. Mas acabou sendo convencido pelos gritos insistentes das crianças a passar em uma cafeteria recém-inaugurada.

— Não façam bagunça e tomem cuidado. — disse Dharam apontando o dedo para os filhos em pé a sua frente na porta do carro.

As crianças concordaram e correram para dentro da cafeteria. Como sempre, desapareceram de vista em poucos segundos. Dharam bufou, e balançou a cabeça. Uma estação de rádio tocava música ao fundo trazendo uma leve sensação de caos ao local.

Sem pensar em nada, ele deu um passo adentro de forma imponente e rapidamente sentiu alguém se chocando contra seu corpo. Ele então sentiu um líquido quente escorrendo pelo tecido de seu sherwani. Ele abriu os olhos o máximo que conseguiu a fim de entender o que havia acabado de acontecer.

— Baba! — gritou Anika rindo e apontando para o pai.

— Para de rir. — sussurrou Bhuv puxando o braço da irmã ao notar que seu pai estava transtornado de raiva.

Dharam reconheceu o cheiro forte de café e chacoalhou o braço direito removendo o excesso de líquido. Ele olhou para o centro do próprio peito e constatou estar totalmente encharcado.

— Que diabos você fez?! Como é possível um comércio ter funcionários tão desqualificados assim? Agem como asnos cegos! — gritou ele ainda sem reparar quem estava ao chão recolhendo a bandeja e os copos.

— Desculpa... — soou uma voz frágil e tímida vinda do chão.

Dharam olhou assustado e notou que a causadora do incidente era uma garota. Ele então olhou de relance para sua filha Anika que estava com uma expressão assustada próxima a uma das mesas com Bhuv agarrado a sua cintura. Ele então imediatamente se conteve, pois não queria dar um mal exemplo para os filhos.

— Isso nunca aconteceu antes, eu juro. — disse a garota visivelmente trêmula com um suave sotaque estrangeiro.

Ele prosseguiu sem palavras, pois não queria descontar sua raiva nela. Mas para sua surpresa surgiu um idoso de olhos puxados, que começou esbravejar contra a funcionária.

— Qual o seu problema, garota burra? Não estou te pagando para banhar os clientes de café! Não te ensinaram a ter o mínimo de atenção por onde anda? — gritou o velho.

— Nahin! — balbuciou Dharam tentando parar o velho.

— Só um momento Sir! Pegue suas coisas e saia daqui garota burra! Está demitida! — completou o velho.

— Cale a boca! — gritou Dharam de forma firme.

— Sir Dharam, desculpe! Eu só estava colocando essa garota no lugar dela. — disse o velho se curvando.

— Tire meu nome da boca! Não me importa suas intenções. O erro foi seu de contratar uma pessoa despreparada. — gritou ele.

— Sir, por favor não feche o meu comércio! Eu suplico. — implorou o velho se ajoelhando aos pés dele.

Dharam revirou os olhos ao notar as mãos do velho agarrando seu tornozelo. Irritado, ele se afastou tentando se livrar, mas não adiantou. Ele então se abaixou e puxou o velho pelo braço o fazendo ficar em pé.

— Eu nunca vou usar a minha influência para fechar o comércio de um imigrante medíocre. O que faço agora que estou encharcado de café? — gritou Dharam.

— Ah... Nandi! Nandi! Explique ao Sir o que faremos para resolver esse problema que você criou! — gritou o velho em cima da garota.

— É Nanda, não Nandi. E eu... não faço ideia. — disse a garota de forma rude e amedrontada.

— Você vai lavar toda a roupa dele! E não vai receber nem um centavo por isso! — gritou o velho.

— Eu não sei lavar essa droga de tipo de roupa... — disse a garota.

— Insolente, desbocada. — disse o velho levantando a mão para a garota.

Dharam imediatamente segurou o pulso do velho o olhando incrédulo. Nanda por sua vez levou a mão para proteger o rosto como se aquele tipo de atitude fosse recorrente por ali. Horrorizado com a atitude do comerciante, Dharam em silêncio baixou de forma firme o braço do velho.

— Bater na sua funcionária não vai solucionar o meu problema! — completou Dharam irritado.

— Então leve essa insolente com você! — disse o velho puxando a garota pelo braço e a jogando para cima dele.

Dharam ficou imóvel de mãos para trás enquanto a garota tentava retomar o equilíbrio diante dele. As mãos de Nanda pousaram suavemente sobre o tecido de sua roupa, em busca de um pouco de estabilidade diante da poça de café que havia debaixo de seus pés. Por um momento a cena parecia estar em câmera lenta, os cabelos longos e pretos dela se desfizeram de um coque e esvoaçaram contra o rosto dele.

Ele virou o rosto protegendo os olhos e, novamente, deu de cara com seus filhos assustados diante de toda aquela situação. Ele respirou fundo e voltou os olhos para a garota. Dharam começou a retirar o sherwani esboçando uma certa raiva sem tirar os olhos da garota, ficando apenas com a calça e uma camiseta branca.

— Pegue. — disse ele entregando o traje encharcado de café para a garota.

Nanda apenas obedeceu, sem entender o que estaria prestes a acontecer. Ela estendeu os braços e sentiu o tecido caro pesando sobre seus braços. Dharam com uma expressão decidida segurou na mão de cada um de seus filhos e saíram da cafeteria sem olhar para trás. A garota ficou parada tentando raciocinar se havia entendido certo. O velho então tentou empurrá-la, expulsando ela da cafeteria de uma vez. Ela se desvencilhou das mãos do velho e então correu para alcançar o carro de Dharam.

— Qual o seu problema? — gritou Dharam do lado de fora do carro.

— Eu tenho que ir com você? — disse ela.

— Tem outra opção? Você foi expulsa da cafeteria. — disse Dharam.

— Você é o líder da vila do norte, não é? Não precisa de mim. Deve ter um monte de empregadas mais qualificadas que eu. — disse ela ressentida.

— Fato. Mas nenhuma delas está no olho da rua por um incidente deste. Entra no carro. — disse ele de forma firme.

A garota então desistiu de questionar ao notar o casal de crianças no banco de trás do carro. Tímida, ela acabou se assustando ao notar Dharam abrindo a porta da frente e não a de trás. Desconfiada, ela entrou agarrada ao sherwani e seguiu em silêncio.

— Baba, qual o nome dela? — disse Bhuv.

— Fica quieto... — sussurrou Anika.

Nanda então se virou no banco de forma que conseguisse olhar para as crianças e abrindo um sorriso os olhou com carinho. Dharam disfarçadamente olhou de canto para os três, mas um farol alto o fez retomar o foco na direção.

— Nanda. Meu nome é Nanda. — disse a garota olhando para trás e encarando o pequeno menino de olhos castanhos e cabelos pretos lisos.

— O meu é Bhuv. E ela é Anika. — disse o garoto apontando para a irmã.

— Qual a idade de vocês? — disse a garota.

— Eu tenho 8 e ele 4. — disse Anika bagunçando os cabelos do irmão.

— Nossa mãe morreu, sabia? — disse Bhuv.

— Morreu como?! — disse Nanda chocada.

— Bhuv, chega! — gritou Dharam freando bruscamente.

Nanda apavorada se virou imediatamente para frente. Ela não imaginava que um homem relativamente jovem já fosse viúvo. Era raro encontrar pais solteiros por ali, porém claramente a vida havia sido bondosa com aquelas crianças. O carro do ano, as roupas e os anéis de ouro denunciavam um padrão de vida alto. Apesar de tudo isso, pareciam crianças carentes e dispostas a fazer amizade. Ao contrário do pai delas, que parecia ser um homem duro e de poucas palavras.

[Essa é uma AMOSTRA GRÁTIS — O livro completo com 39 capítulos e mais de 295 páginas, esta disponível na AMAZON. Basta acessar o site da Amazon Brasil e procurar por: Dharam Um romance Indiano ]