Deveres Do Coração
8 Capítulo Especial I – Olhos Vendados
Notas iniciais
"Ainda que seja raro, o verdadeiro amor é, no entanto,
menos raro que a verdadeira amizade."
François La Rochefoucauld.
Capítulo Especial I – Olhos Vendados
Naruto chegou em seu apartamento, logo depois de ter saído da festa de arrecadação da família Hyuuga, e viu que a luz da sala de estar estava acesa, indicando que seu namorado já tinha chegado em casa, embora o cômodo, naquele momento, se encontrasse vazio. Ele deu um longo suspiro cansado, enquanto fechava a porta atrás de si com um clique suave e um giro de chave na tranca, e praticamente se arrastou para um dos sofás encostados à parede branca, jogando-se na extensão macia e respirando de alívio ao sentir a extensão dos seus músculos ondularem em relaxamento.
Ele estaria ainda melhor se estivesse nu; sem aquelas roupas sufocantes. Infelizmente, o Uzumaki estava muito mole até para mover um dedo.
— Você chegou cedo. – anunciou Gaara, entrando em seu campo de visão com um Kurama no colo. Ele arranhava carinhosamente o pescoço do gato, que ronronava em prazer e abanava levemente a ponta do rabo peludo e alaranjado.
— Algum motivo em especial que me fizesse voltar muito mais tarde que você? – ergueu uma sobrancelha dourada em questionamento, assistindo a forma preguiçosa de seu animal de estimação se contorcendo para receber mais afagos.
— Você estava com o Uchiha. – deu de ombros, fingindo indiferença.
O Uzumaki olhou o ruivo, tentando ler o olhar em branco do Sabaku. Ele se espantava em como o proprietário da Suna Enterprises Communication era parecido com Sasuke – pelo menos na personalidade, já que em aparência, os dois eram completamente distintos. O homem à sua frente também não se importava com o que os outros pensavam. Quando Gaara queria alguma coisa, ele lutaria por aquele algo, mesmo que todas as pessoas discordassem ou tentassem impedi-lo.
Era uma das muitas qualidades que o psicanalista admirava.
— E o que você achou? Que eu cairia nos braços do Sasuke com a Sakura ali do lado? – indagou começando a se irritar com as insinuações do namorado. – Quantas vezes vou ter que repetir que estou tentando recomeçar? Eu não vou voltar atrás da minha palavra, cansei de ser só o outro, o amante, o substituto...
O ruivo ficou em silêncio. Nos orbes verdes claros tinha um brilho de incredulidade e desconfiança tão intenso, que nem o dono daquele olhar, sendo tão reservado como era, conseguia ocultar. O escritor viu a persona delgada e elegante do homem depositar o felino que segurava em cima do braço do sofá para se sentar ao seu lado.
Kurama começou a lamber a pata, alheio ao clima tenso do casal.
Ele estava vestindo uma calça de moletom preta bastante folgada e uma camiseta branca desgastada, mas que lhe caía muito bem. O empresário parecia tão confortável daquela maneira.
Naruto encostou a cabeça no ombro do Sabaku e inalou o odor almiscarado e amadeirado do atual namorado.
— Desculpa. – resmungou Gaara sem precisar se virar para sentir que as íris azuis o encaravam. – Eu só me sinto um pouco enciumado em ver que ele ainda mexe com você, mesmo depois de tanto tempo separados. Tudo o que envolve o Uchiha parece te transformar em outra pessoa... – envolveu o braço esquerdo em torno do tronco bronzeado ainda vestido impecavelmente pelo smoking branco.
— Eu estou fazendo o meu melhor, mas esse tipo de sentimento não se esquece de uma hora para outra... – soltou um suspiro resignado. "E o fato de Sasuke não me ajudar, dificulta as coisa... Ele continua me procurando, me provocando, me instigando e me chamando para si...", completou em pensamento, sentindo-se amargurado.
— Eu sei que não... – a frase curta e simples lhe deu muito mais significados do que realmente aparentava ter. O ruivo, sentindo o desconforto do loiro, olhou para a face cheia de cicatrizes e tentou dar um sorriso pequeno e tranquilizador, mas o gesto acabou sendo visivelmente forçado.
O gato pulou do sofá e correu até a cozinha, certamente, atrás do seu pote de ração. “Bicho gordo”, o Uzumaki resmungou em pensamento.
O mais velho encarou os olhos azuis cerúleos determinados e se lembrou de como ele e Naruto tinham se conhecido: em um simplório orfanato onde foram deixados quando pequenos. Os dois tinham um passado sombrio e solitário, por esse motivo, logo formaram um vínculo forte e inquebrável. Naquele tempo, aos oito anos de idade, quando se trombaram pela primeira vez no balanço da área de recreação de Konoha Village, o ruivo era uma criança amargurada e violenta – parte causada pela perda prematura da mãe e outra parte pelas agressões que sofreu do pai quando ainda era um bebê. Gaara foi mandado para a casa de órfãos quando uma de suas vizinhas, cansada de ouvir os choros e os gritos do garoto, denunciou o homem para a polícia. O Sabaku não tinha outros familiares vivos, dessa maneira, as autoridades foram forçadas a deixá-lo em um abrigo infantil.
O coração do menino logo foi conquistado pela alegria e espontaneidade do Uzumaki, que mesmo passando pelo o que passou, jamais deixou de mostrar um sorriso no rosto. A princípio, o rapazinho de cabelos vermelhos tentou se afastar daquele “ser brilhante” e "alegre demais para o seu gosto", mas não conseguiu resistir a sua própria necessidade de ter alguém por perto que pudesse compreender, pelo menos um pouco, o que ele mesmo experimentou no decorrer daquela época.
Como Gaara, o loiro também perdeu os pais, mas em circunstâncias diferentes. Quando ele ainda era um recém-nascido, o senhor Namikaze e a senhora Uzumaki foram assassinados um mês depois de a última ter dado a luz. O casal estava voltando para casa, depois de um passeio tranquilo, quando foram abordados por um grupo de assaltantes.
Minato e Kushina, como eram chamados, foram forçados a entrar em um furgão preto, que rodou por toda Tóquio até uma estrada deserta que ligava a cidade com a província de Chiba. Os sequestradores obrigaram o patriarca da família a fornecer todas as suas informações bancárias e a autorizar todas as transações financeiras para o nome de alguém que, secretamente, coordenava uma organização criminosa; tudo em troca da segurança de sua família. Ledo engano. Depois de concluído todo o estelionato, o casal foi morto da maneira vil e jogado para apodrecer em um matagal na beira do corredor de carros, além de terem torturado a criança pequena, desenhando com algum tipo de canivete ou faca, bigodes de raposa nas bochechas rechonchudas.
Naruto foi deixado ainda vivo ao lado dos pais sem vida para morrer lentamente.
Quando a polícia os encontrou, o menino já estava em estado debilitado, devido à falta do leite materno e dos cuidados básicos dados a um guri de sua idade. O bebê foi levado para uma maternidade e tratado adequadamente por uma enfermeira chamada Senju Tsunade, que imediatamente se apaixonou pela criança. Ela tentou adotar o garoto, mas como era uma mulher solteira, todas as suas tentativas foram infrutíferas. Contudo, mesmo distante, ela sempre fez questão de acompanhar o desenvolvimento do “moleque”, como costumava chamar, visitando-o quase todos os finais de semana no orfanato.
Gaara foi adotado com 11 anos por um casal formado por uma mulher japonesa e um homem turco. Eles já haviam adotado outras duas crianças, Temari e Kankurou, e queriam outro filho, já que não podiam conceber de forma natural. O menino fez questão de não perder o contato com o seu melhor amigo, insistindo aos seus novos responsáveis para que pudesse visitar o Uzumaki sempre que podia. Ambos, naquela época, tinham a necessidade de estarem – em quase todos os momentos – juntos, pois era somente desta forma que se sentiam mais compreendidos e menos solitários.
Assim que o loiro completou 13 anos, Tsunade, que sempre ansiou em cuidar de Naruto, se casou com um simpático senhor chamado Jiraiya e, assim sendo, conseguiu a guarda do garoto.
Justamente nessa época, a família que adotou o menino ruivo, mudou-se para o país de origem do patriarca: Turquia. Os dois amigos ficaram separados por anos, mantendo contato apenas por raras cartas e ainda mais raros telefonemas, até que, na adolescência, ambos decidiram juntos que fariam faculdade na mesma instituição de ensino. Foi justamente nesse tempo em que os sentimentos do mais velho começaram a mudar, pois, com a convivência constante – os dois dividiam um apartamento em Yamanashi – e as demonstrações de afeto do outro, o Sabaku percebeu que a amizade não era exatamente o que sentia.
Naruto sempre foi uma pessoa afetuosa e, para alguém com o interior tão frio, não havia maneiras de resistir àquela sensação quente que tomava, pouco a pouco, uma grande parte de si. O proprietário de Suna Enterprises Communication entendia muito bem o que levou Uchiha Sasuke a se apaixonar. O psicanalista era o único que, com um sorriso escancarado e bobo, mexia com as estruturas de Gaara.
Quando os dois terminaram o curso de graduação, Sabaku voltou para Turquia a fim de coordenar a empresa do pai adotivo.
Ele demorou anos para assumir adequadamente o que sentia e, assim que decidiu se declarar, Naruto o rejeitou e confessou que estava tendo um caso com um empresário casado.
O ruivo logo percebeu o quanto o homem estava sofrendo e – mesmo que tenha sido por um propósito egoísta –, logo tentou fazer o loiro ver que este relacionamento não levaria a nada, deixando bem claras as consequências do que este ato causaria ao atual CEO da Sharingan Corporation, caso fosse descoberto. Mas, mesmo depois da conversa, o escritor parecia receoso em abandonar o moreno.
Até que a mídia começou a publicar matérias sobre o possível romance entre o Uzumaki e o príncipe Uchiha. Na hora, o psicanalista percebeu o inevitável: para proteger a imagem do homem que amava, teria que terminar o envolvimento proibido.
Ele ainda temeu o rompimento. O mais novo avaliou todos os prós e contras de se estar junto com Sasuke e, sem conseguir fugir da realidade dura, deu-se conta de que não tinha nenhuma vantagem em viver sendo sempre a segunda escolha. O moreno sempre deixou claro que não se divorciaria de Sakura por causa de sua família e empresa. Foi nesse momento que o loiro decidiu se dar uma chance para viver um amor real, mais tangível e menos complicado. Naruto aceitou se envolver com o melhor amigo e deu a oportunidade que o ruivo tanto queria de lhe fazer feliz.
Gaara não era Sasuke, mas lhe fazia muito bem.
— Por que a gente não pode simplesmente escolher quem devemos nos apaixonar? — perguntou com amargura.
Sabaku sempre foi um homem íntegro e honrado, sereno e tranquilo, compreensivo e companheiro – toda a qualidade que ele pediu em um parceiro ideal, o homem ao seu lado possuía. “Além de ter uma aparência formidável”, pensou encarando o namorado de soslaio. O ruivo era tão bonito e tão exótico, que raramente o seu aspecto passava despercebido no meio de uma multidão; toda a sua figura denotava uma fragilidade que não condizia com sua personalidade dominante e forte. Gaara tinha feições delicadas harmonizadas com um corpo de músculos definidos, mas magros. Às vezes, o psicanalista sentia vontade de guardar o administrador em um pote e escondê-lo de tudo o que pudesse prejudicá-lo.
Naruto deveria começar a protegê-lo de si, visto como o rapaz de cabelos vermelhos estava sofrendo ao tentar fazê-lo se esquecer do Uchiha.
— Porque se viver um grande amor fosse fácil, as pessoas não saberiam como amar... – deu de ombros. – É o que eu acho... – pausa reflexiva. – Muitas pessoas matam ou morrem por esse sentimento, e isso, não deveria ser assim. O amor deveria nos proporcionar paz para, consequentemente, levar tranquilidade às pessoas amadas; o amor também deveria nos transformar em pessoas melhores e, ainda assim, há pessoas que amam e agem com propósitos e motivos errados. Se viver um grande amor fosse fácil, também não seria um ensinamento.
O psicanalista parecia avaliar seriamente o que ouviu. Ele fez um bico, direcionando o seu olhar à TV desligada sem realmente vê-la. Gaara deu um sorriso mínimo para a careta pensativa do namorado, antes de levar a mão pálida para acariciar os fios curtos e dourados.
— E não é que, depois que eu entrei no seu caminho e iluminei a sua vida, você começou a ser muito mais coerente?! – exclamou o loiro com uma expressão brilhando em realização, fazendo o outro revirar os olhos em impaciência. "Idiota...", pensou o Sabaku.
— Fico feliz que tenha entendido... – resmungou com ironia.
— A partir de quando começamos a trocar as profissões, hein?! Que eu saiba, eu sou o psicanalista dessa relação... – brincou, lambendo os lábios secos.
— A partir do momento em que você se tornou ainda mais baka¹ que o normal. – retrucou com a familiar voz aveludada.
— Hey! – gritou em indignação. — Você não pode dizer essas coisas pro seu namorado, sabia? – brigou com o cenho franzido em aborrecimento fingido.
— Não? – simulou ingenuidade sobre o assunto. – Achei que nós precisamos ser sinceros com quem amamos... – levou os dígitos que afagavam os fios macios e dourados para soltar o velcro que prendia a gravata borboleta no pescoço bronzeado e depositá-la no encosto do sofá.
— Também, mas tem que ser uma sinceridade mais sutil, do tipo que... – uma pausa longa, enquanto ele refletia e movia os lábios de um lado para o outro. – Enfim, você não tem que dizer coisas como essas! – voltou a resmungar, ainda mais indignado, apontando o rosto pálido com o dedo indicador em risque.
— Tudo bem, então, o que tenho que fazer para me redimir? — embora não houvesse nenhum sorriso nos lábios finos, os olhos verdes claros continham um pequeno brilho divertido. Gaara agarrou o pulso bronzeado do braço que estava direcionado para sua face.
Os dois esqueceram completamente sobre o assunto sério que conversavam.
— Primeiro: você tem que me pedir desculpas; segundo: você tem que retirar o que disse... – foi interrompido.
— Isso eu não posso fazer... – retrucou o ruivo.
— Por quê? – franziu a testa em confusão.
— Porque eu não faço as coisas só para agradar as outras pessoas, lembra? – deu de ombros com indiferença.
— Mas esse caso é diferente... – o loiro respondeu em um tom de obviedade.
— Diferente como? — indagou, mordendo a língua para se impedir de rir, pois ele via uma leve coloração cor-de-rosa de indignação tomando conta das maçãs das bochechas normalmente bronzeadas.
— Argh! – gritou, empurrando o homem que estava praticamente em cima de si. — Pare de fazer isso, você está abusando da minha paciência. Não é porque você é um desgraçado insensível e eu um psicanalista, que tenho de aturar a sua inaptidão em ser legal com o seu namorado! – rosnou, irritado.
"Naruto é tão impulsivo e temperamental...", pensou o ruivo com diversão.
— Baka... — murmurou com carinho, puxando o Uzumaki para si em um beijo lento, mas necessitado.
As sobrancelhas douradas ainda permaneceram vincadas por um tempo, embora Naruto não tentasse mais se afastar de Gaara. Ele ainda se sentia um pouco bravo; menos, mas ainda assim, irritado. A língua que invadia a sua boca fazia questão de distraí-lo em uma carícia tão terna e sensual que, logo, o escritor se entregou ao toque e se inclinou em um mudo pedido para que o empresário lhe desse mais do que precisava. A sensação era boa e nublava tanto os sentidos, que ele tinha de se atentar para não visualizar quem queria no lugar do ruivo. O loiro não estava disposto a gemer o nome de Sasuke como acontecera da primeira vez em que ficaram juntos; precisava evitar brigas desnecessárias, ainda mais agora, quando o relacionamento dos dois estava cada vez mais frágil.
As mãos pálidas corriam pelo tronco ainda vestido pelo smoking, apalpando os músculos por cima do tecido e fazendo com que o outro ofegasse audivelmente sobre o contato. Os lábios leitosos do ruivo passaram a deslizar pela pele do maxilar até chegarem ao lóbulo da orelha e sugarem a carne macia, enquanto afastava o paletó pesado do corpo esculpido. O Sabaku não conseguiu controlar o próprio gemido, ao sentir o homem tão próximo de si e o familiar cheio cítrico de laranjas que o embriagava. O psicanalista era como um vício.
Um vício que já estava começando a prejudicá-lo...
Naruto afundou os dedos nos fios vermelho-sangue, bagunçando-os. Ele soltou um suspiro alto quando sentiu a língua do namorado se arrastar pela concha do seu ouvido. O som que a carícia provocara, molhado junto a respiração pesada do empresário, fez com que sua cútis se arrepiasse em excitação; ele lamentou baixinho quando sentiu sua calça ficar cada vez mais apertada sob as ministrações aquecidas.
Gaara sentiu o volume entre as pernas do outro com júbilo quando empurrou a pélvis de encontro ao do outro. Ele se mudou em uma velocidade impressionante para pressionar a boca na saliência inferior ainda coberta pelas roupas em um beijo reverente, fazendo o Uzumaki contrair o corpo em antecipação. Puxando a camisa branca com certa pressa para desnudar o homem e sentir a pele contra a pele, o empresário desabotoou a peça que cobria o tronco definido e a empurrou do dorso bronzeado, fazendo questão de correr as palmas pelo peito tonificado e ombros.
O loiro ainda mantinha os dedos presos nos cabelos rubros, acariciando-os, enquanto assistia de camarote as ações necessitadas e urgentes. Ele viu as mãos pálidas se moverem para desfazer o botão de sua calça e descer o zíper para, assim, ter melhor acesso ao pênis túrgido ainda protegido pela boxer branca. Olhos azuis se fecharam e seu dono gemeu com a sensação áspera do tecido contra a sua masculinidade. O psicanalista sentiu o toque entrar pela parte traseira de sua cueca e espreitar pela fenda da sua bunda com uma perícia habilidosa, fazendo-o remexer o quadril em busca de um contato mais estimulante.
O dígito circulou a entrada enrugada em uma massagem instigante, excitando ainda mais o escritor, que chiou ao mesmo tempo em que se contorceu em agonia. Aquela lentidão do Sabaku o matava e ele estava impaciente, remexendo-se de forma hiperativa. O mais velho riu baixo, antes de descer as peças que ainda cobriam as pernas delgadas.
— Pare de enrolar ou eu começo sem você! – exclamou irritado.
— Não seria má ideia se me deixasse ficar observando... – retrucou, alisando as coxas bronzeadas e os poucos pelos dourados.
— Tem certeza que vai querer ficar só olhando? – ergueu uma sobrancelha e deu um pequeno sorriso de lado, divertido com a possibilidade de torturar um pouco o namorado.
Naruto pegou o membro rígido e começou a bombeá-lo diante do olhar faminto. Ele cuspiu na palma para facilitar a masturbação e voltou a fazer movimentos de sobe e desce em sua própria intimidade. O mais novo abriu as pernas e gemeu com o efeito prazeroso que percorreu todo o seu corpo; tornando-se distraído com a avalanche de sensações extasiantes. Ele perdeu a língua cor-de-rosa do homem lamber o próprio beiço na ânsia de saciar a sede de tocá-lo.
Gaara não conseguiu se conter por muito tempo, inclinando-se, levou os braços para baixo da pélvis do outro, a fim de se sustentar e conseguir espalhar pequenos beijos na parte interna das coxas torneadas. O Uzumaki bufou um riso pequeno, levando a mão livre para afagar os cabelos macios e vermelhos.
— Eu sabia que você não seria capaz de se segurar... — murmurou com a voz ainda mais grave e rouca.
Gaara nem respondeu a afirmação provocativa, apenas encarou os orbes azuis cerúleos com um brilho de diversão indisfarçada e levou os lábios para acariciar o saco escrotal de forma suave. O loiro puxou uma respiração profunda e assistiu – enquanto ainda movia sua mão sobre o pênis rijo – o namorado sugar uma de suas bolas, com certa delicadeza para não machucar. Ele gemeu e inclinou a cabeça para trás das inúmeras almofadas pequenas às suas costas.
O empresário tomou o som como um incentivo bem-vindo, pois intensificou o carinho ao massagear os testículos com a língua ao mesmo tempo em que seus dígitos percorriam toda a lateral do outro corpo até conseguir beliscar os mamilos empinados. Sentindo-se ainda mais ousado pelas exclamações necessitadas do namorado, ele correu com a boca até a entrada enrugada e a lambeu experimentalmente, fazendo o psicanalista arquear as costas e erguer a pélvis para facilitar o acesso às ações prazerosas.
O escritor largou os fios ruivos para agarrar o tecido que cobria o estofado salmão; sua masturbação se tornou irregular e desesperada à medida que a tensão se construía em seus músculos, ao sentir o homem explorar a sua traseira pela via oral e o nariz comprimir o seu períneo. A estimulação dupla fazia com que sua mente se nublasse para qualquer outro pensamento coerente que não fosse o desejo crescente.
Gaara espalmou as bochechas da sua bunda e as espalhou para ter melhor acesso ao canal apertado. A posição incômoda de ambos não os impediam de aproveitar a situação quente e sensual. Naruto rebolava o quadril, procurando incessantemente acabar com a agonia que crescia em seu baixo-ventre. Os pequenos lamentos do loiro e o som de movimentos molhados pareciam aguçar ainda mais os sentidos do casal.
Os olhos azuis nada enxergaram quando as entranhas se retorceram em êxtase. O sobe e desce frenético de sua mão bronzeada sobre o seu membro deu uma paragem brusca para que ele pudesse apreciar com mais atenção à sensação do orgasmo eminente. O Uzumaki abriu a boca em um grito mudo de deleite, enquanto sentia se derramar em sua palma. O ruivo ainda continuou o analingus até que sentiu os espasmos do outro corpo abrandarem e os músculos relaxarem sob sua palma.
O escritor tombou sobre o sofá, respirando pesadamente. Ele ergueu as pálpebras, que até, então, não tinha percebido que havia fechado e encarou as familiares íris esverdeadas. Ele queria tanto amar o homem diante de si... Puxando-o pela camiseta desgastada, depositou um beijo suave nos lábios, agora avermelhados, ao mesmo tempo em que empurrava as peças de roupa que o namorado vestia para fora do corpo esculpido.
Chutando a calça moletom e a cueca, o Sabaku sibilou baixinho quando o ar gelado do apartamento atingiu a sua pele quente. O psicanalista nem ao menos esperou para que ele terminasse de se despir, antes de espalmar a mão direita no sexo do amante, apalpando e esfregando a carne rígida e grossa, fazendo com que o ruivo revirasse os orbes. Naruto estava em modo automático e seu corpo se movia como se tivesse vida própria. O desejo era existente, mas nada se comparava com o sentimento de ter Sasuke.
Seus pensamentos estavam tão focados no homem de cabelos negros, que mal percebeu quando a ponta do pênis do namorado espreitou e forçou a sua entrada. Quando a dor incômoda subiu pela sua lombar, ele mordeu o lábio inferior com força para se impedir de reclamar. Gaara estava o penetrando sem o uso do lubrificante e mesmo o analingus e o orgasmo anterior não foram suficientes para prepará-lo. O loiro tinha quase certeza que o administrador percebeu seu olhar distante e como forma de lhe chamar a atenção e retaliá-lo, fez questão de tornar o ato doloroso.
Ele nem o esperou estar pronto para começar a estocar profundamente e agressivamente – levando, tanto um, quanto o outro, a rosnarem, tamanha era a violência com que seus corpos se chocavam. O ruivo tentava apagar, naquela união, qualquer vestígio do amor doentio que o seu namorado sentia pelo Uchiha. Ele sabia, porém, que qualquer tentativa seria em vão. Inclinando-se, mordeu o ombro do Uzumaki, procurando marcar como seu a pessoa que era o motivo de sua insônia e de seu sofrimento.
— Eu te amo... – murmurou de forma ofegante, aumentando ainda mais a força do vai e vem contínuo. – Eu te amo tanto... – respirou em um só fôlego. – Eu esperei tanto tempo para te ter... – continuou a declaração apaixonada. – Eu não quero te perder...
Olhos azuis se apertaram, enquanto o loiro abraçava o homem sobre si. Sua mão direita agarrou os cabelos rubros da nuca do outro e a esquerda correu pelas costas pálidas em uma carícia que esperava ser reconfortante. Em um único movimento, o Sabaku ergueu ambas as pernas bronzeadas para seus ombros, fazendo com que a nova posição atingisse a próstata e, consequentemente, melhorasse a dor e o incômodo.
Gaara sentiu seu interior se embolar com o aperto em torno do seu membro e a construção do seu gozo; se fosse possível, ele teria aumentado a intensidade dos golpes. Naruto mordia a carne do próprio pulso tentando segurar os sons vulgares que saia pela sua boca, mas não conseguia se impedir de choramingar toda vez que o empresário atingia seu ponto mais sensível. Ele tornou a masturbar seu membro negligenciado, procurando naquele contato a saciedade do prazer agonizante.
Ambos sentiram a familiar sensação de tensão nos músculos e das entranhas se retorcerem em desespero, fazendo-os murmurar palavras desconexas e procurar por qualquer coisa para se agarrar. Dedos pálidos afundaram no quadril do Uzumaki e, este último, agarrou os bíceps do amante como se ele fosse um sufrágio que pudesse prolongar o sentimento único da liberação. Os dois, ao mesmo tempo, chegaram ao clímax e relaxaram sobre o estofado de pelúcia.
Cansados, suados e com as respirações curtas, o casal se aproveitou do momento de descuido para poderem se recompor.
— Eu te amo... – sussurrou a voz aveludada no ouvido do loiro.
O psicanalista optou pelo silêncio, tentando distrair a mente nebulosa do ruivo com carícias suaves. Só havia uma pessoa no coração do loiro e, infelizmente, ela estava longe do alcance de Naruto naquele instante.
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