Devaneios

1 Arcano Maior: O louco


Notas iniciais
Queria dizer que esse capítulo foi mais voltado pra um pseudo-prólogo, porém beeeem curto mesmo tb n sei pq

vejo vcs nas notas finais~

O louco

Sorrisos contornados por mascarás artificiais. Rodas de taças do mais caro vinho, rodelas de limão com uma pintada de sangue.

Três, dois, um...

Pegara minha mão em um aperto como se fosse o último, eu podia ver a mais bela das risadas a minha frente. A personificação da beleza e do proibido possuía cabelos negros e longos, torneado com leves reflexos azuis. Seria amor aquele misto de sentimento que latejava no fundo de meu peito?

Não, não era.

Aquele cenário de semi catástrofe fazia meus hormônios fervilharem acompanhados de um arrepio pela espinha. Onde ele estaria agora? Eu realmente estava perdida perante a toda aquela bagunça. Mal sabia o que havia acontecido, e sequer saberia algum dia. As últimas lembranças daquela noite ainda estavam a percorrer pela minha mente.

"Era meu último dia naquele maldito emprego, seria a última vez em que eu veria rostos indesejados por toda minha vida. Os serviçais daquela puta estavam erguendo a cortina no Sol, pois o demônio de sua criança havia sujado-a para por a culpa em mais outro empregado. Eu odiava toda aquela família, e sabia perfeitamente a desgraça do destino que lhes aguardavam. O relógio tocou às três horas da tarde em ponto, o que sinalizava a chegada dele.”

Esta foi à última cena em que me recordo completamente. O resto são apenas fragmentos vazios, sem qualquer importância. Passo a mão pelo o que sobrara de minhas vestes, sentindo a vida que latejava dentro de meu útero cada vez mais intensa. Ela estava próxima para ganhar vontade própria e começar, finalmente, a trilhar seu caminho pelo vasto universo.

Caio no sono antes que percebo, em meio de uma pilha de destroços empoleirados. Sempre que durmo, nunca tenho certeza do quanto tempo que perdi, pois a noção do tempo já não faz mais sentido pra mim. Tudo deixou de ter um sentido sequer desde a minha relação com ele. Provavelmente, se passou muito tempo, pois a minha barriga que outrora aparentava estar com um pouco mais de cinco meses, agora estava com a imagem de uma de sete, significava que eu poderia finalmente dar a luz, a qualquer momento. Qualquer um. Eu tinha medo de ser A peste, pois de acordo com as lendas dos profetas próximos daqui, alguém a criaria dentro de sua própria casa, sem ter consciência disto. Mas não podia matá-la, não sem antes ter um aviso do que este bebê se tornaria após seu nascimento.

Era a hora. A bolsa havia estourado de uma forma brutal, como se aquilo realmente não fosse um ser humano. Tinha que ser. Não seria eu que criaria um demônio, não poderia tomar aquele peso sozinha.

— A-gh...! — Suspiros de dor escapam dentre meus lábios. A criança que estava para nascer estava saindo sem qualquer esforço meu. Mas doía, doía muito. Doía ainda mais saber que aquilo seria o fim de todos.

Xxx

Acordo arfando de alívio após perceber que era apenas um sonho. Pergunto-me o que teria sido aquilo, ou quem era aquela mulher. Minha mente passou a me pregar peças há muito tempo, é difícil distinguir após fechar os olhos o que é real ou não. Ergo o corpo para ver se ainda me encontro no ambiente em que eu tinha sido deixado, percorro o olhar com o local, perpassando os olhos por cada detalhe inóspito.

O cômodo estava preenchido por diversos caixotes de mudança, lembrando-me para onde eu teria que ir após essa longa noite.

Notas finais
Já estarei postando o capítulo um, pois já foi escrito e postado no animespirit, e quero deixar aqui acompanhando lá, beijinhos ♥