Devaneios

2 Sonhar Acordado


Notas iniciais
nossan q rapido capitulo um já sldjslkds

— Finalmente vocês chegaram! Érwin, Elizabeth! Estou muito feliz em vê-los, já se fez tanto tempo desde a primeira vez — recebeu-nos nossa tia. Era uma mulher alegre até então, supostamente de bem com a vida.

— Obrigado, tia — Agradeci, conduzindo minha mãe em meio a trilha de tijolos que se designava em aspiral até a casa. — Se for muito incomodo, podemos voltar até Nova Orleans novamente.

— Que nada. Então... Sua mãe está mal ao ponto de realmente não falar nada? — Ela indagou, franzindo o cenho como se realmente estava na dúvida sobre isso.

— Só às vezes — respondi de forma curta, pois aquela pergunta me deixava verdadeiramente desconfortável. Continuamos a trajetória em total silêncio, não era um caminho longo, entretanto, minha mãe se movia devagar, devido as suas circunstâncias. A casa era alta e era totalmente feita da mais pura madeira, com entalhes desenhados por certamente artistas profissionais, estava envolta de vinhas altas, onde possuía o lar de centenas de insetos.

O silêncio angustiante não durou por muito tempo, pois nossa percussão havia finalmente acabado. De frente ao pavilhão feito de madeira rústica, se encontrava uma garota com aproximadamente minha idade. Ela era um pouco mais baixa que eu, e possuía cabelos loiros de um tom tão claro que eu poderia confundi-los com grisalhos.

— Bem, bem, chegamos! Queria lhes apresentar minha convidada de há pouco mais de uma semana, seu nome é Judie. Ela está passando um tempo aqui devido seus pais estão em uma viagem de "negócios", e Judie, este é meu sobrinho, Érwin. E ela é minha irmã, Elizabeth — Ela se pôs a frente da garotinha, batendo levemente com o palmo em suas costas finas.

— Muito prazer, Judie — Cumprimentei-a com uma segunda voz me acompanhando. Era minha mãe, ela havia se manifestado.

— Prazer é todo meu — forjou um sorriso fraco, sem tirar sua atenção de seu afazer.

— Está esfriando, é melhor entrarmos — falou minha tia numa tentativa de quebrar o gelo. Nunca entendi o porquê desse clima todo em apenas uma visita de familiares, apesar de que visita nem é mais uma palavra válida para todo esse contexto, porque iríamos passar certo tempo aqui.

— Não tem problema, Ellie. Você sabe muito bem que acho o frio acolhedor — Minha mãe a repreendeu, ajeitando o casaco posto em seu corpo. — E além do mais, você sabe mais que qualquer uma daqui que não somos bem vindos.

— Mãe, cheg—

— Cale a boca, peste — expressou um olhar de desprezo, direcionado diretamente a mim.

— Chega Elizabeth! Não quero discutir com você, muito menos na frente das crianças, tenha consciência! — Colocou-se minha tia, superior diante da situação, pois sabia como isto terminaria.

— Você tem medo — transmitiu um sorriso maldoso, levantando-se da cadeira de rodas. Minha tia apenas a ignorou, entrando em sua casa com um ar de frustração, sua irmã tentou acompanha-la, porém segurei seu pulso, visando intercepta a briga que poderia acontecer.

— Solte-me! — Ela gritou tão alto que atenuou minha audição momentaneamente, continuei a manter a força em meus dedos. — Solte-me!! — Aumentou seu tom de voz, proliferando um zumbido em meio aos meus ouvidos.

Pude ver sua mão se erguendo lentamente na direção de meu rosto, e parecia que o mundo havia parado. Ela nunca precisou me bater, nunca. Contudo, eu sequer senti a dor se manifestar, até por que ela não havia chegado. A garota anteriormente apresentada estava de pé a minha frente, tomando a dor em meu lugar.

— Você está louca garota?! Isso não é da tua conta. — Rastejou seus olhos pelos fios esbranquiçados a menina, tentando julga-la como sempre faz. A resposta ficou ao ar, pois ela não disse uma palavra, apenas saiu dali e continuou o que estava para fazer.

Fiz como todos estavam fazendo, apenas a deixei aí, indo para qualquer lugar fora daqui. Vejo-me dentro da casa, era muito mais bela do que fora. Os cômodos eram pintados das cores mais diversas e distintas, era fácil de ver móveis antigos, entretanto, havia outros que acabavam com o estereótipo de “apenas uma casa antiga”. Ellie, minha tia, estava fazendo um de seus típicos almoços, ela murmurava para si própria algumas palavras nas quais eu não podia entender.

— Ei, menino — sussurrara tão baixo que se tornou difícil localizar de onde teria vindo, ou quem teria dito. Bastaram apenas alguns segundos que finalmente identifiquei Judie, ela estava com as duas mãos escondidas atrás das costas, indicando com a cabeça para que fosse de encontro a sua pessoa. — Quer brincar? — Continuou com uma das mãos escondidas, libertando uma para que pudesse ajeitar uma mecha de cabelo.

— Quero — tentei manter um tom positivo na voz, vidrando meus olhos nos seus.

— Venha! — O contato visual durou pouco, pois ela se virara para a porta dos fundos. Sua imagem desapareceu após a fechada da porta, porém, ainda era capaz de ser através do vidro seu corpo se sentando na grama um tanto que úmida. Acompanhei sem muitas delongas, sentando de frente a ela. — Olha, é bem simples: irei por algumas cartas no chão e você deve puxar apenas uma, tudo bem?

O Sol se pondo a fora parecia iluminar exclusivamente seu rosto, balancei positivamente a cabeça, demonstrando estar plenamente de acordo com o proposto. Colocou as cartas uma por uma, de cabeça para baixo, onde continha o desenho do sol e da lua sobrepostos, possuía também algumas linhas esbranquiçadas envolta do desenho dos astros, sinalizando o brilho emitido por cada um.

— Pode puxar uma, sir — Apoiou seu corpo nas duas mãos, alternando seu olhar para o movimento em que minha mão fazia diretamente para a carta que mais me parecia atrativa naquele momento. Ergui lentamente o papel que havia agarrado, colocando-o de forma que pudesse enxergar completamente a figura de seu conteúdo. — Uaau! De acordo com a dona Ellie, está é uma carta que sinaliza algo interessante para crianças como nós, pois demonstra que muitas aventuras estão por vir!

O desenho posto na carta era um garoto que certamente se encaixava no adjetivo de jovem, ele vestia roupas típicas de um bobo da corte, com traços de tons diversificados. A sensação que o cartão me propusera era de deja vú, não como se eu já o tivesse visto, mas sim ouvido as palavras que foram ditas a este pequeno objeto.

Xxx

Glóbulos de luz postos a frente de holofotes altos e multicores, pessoas com sorrisos estampados em face por todo lado. Danças em movimentos diversos, conversando alegremente com a pessoa mais próxima. Meus amigos se reuniam em um circulo ao meu redor, fazendo disputa de quem aguentava mais beber um copo inteiro de vodka. Gritos de agitação envolviam-nos em uma barreira de som estridente, onde as ondas sonoras chocavam-se contra os tetos a prova de som e voltavam com uma prepotência maior. As outras pessoas não se importavam com o que estávamos a fazer, era apenas cada um curtir seu momento, e lá estávamos nós, soltando risadas abobalhadas com as caretas que nossos parceiros formulavam a cada gole dado.

— Vamos lá, Sam! Beba esta merda como um macho! — Exclamou minha amiga, Lizz, pondo os dois palmos ao redor de seus lábios para que sua voz adquirisse um volume maior até Sam.

— Com prazer, mocinha — Degustou do conteúdo liquido que havia dentro de seu copo, mantendo a expressão facial com um pouco de dificuldades.

Esse momento de alegria durou por muitas horas a seguir, porém a noite não terminou aí. Lizz e eu tivemos que voltar sozinhos, pois o carro havia lotado, já que apenas fomos trazidos por outros amigos que tiveram de ir mais cedo, a sorte era que morávamos perto Ela era uma garota legal.

— Então, Bennn, por que você quase nunca se manifesta em meio das outras pessoas? Tipo, sei que você é tímido e tudo mais, mas sei lá, se solte, homem! Somos todos amigos, e você é até engraçado na maioria das vezes — enrolou meu nome como se tivesse se tornado uma palavra difícil a se dizer.

— Ah, é que meio que... vocês todos já se conhecessem há um tempão, e eu fico por fora de algumas piadas internas dita por vocês — era mentira, eu sabia disto, o verdadeiro motivo é que eu realmente gostava dela demais para dizer idiotices na frente dos outros e fazê-la passar vergonha.

— Nem sempre fazemos piadas deste tipo, é interagir e já era — após ter dito, escorou diante de uma parede próxima, vomitando um pouco do conteúdo bebido anteriormente na festa.

— Você está bem? — Perguntei como se eu realmente se importasse com seu bem estar, e me importava mesmo.

— Estou... Só bebi um pouco mais do que estou acostumada a beber — limpou a sujeira na manga de blusa, retomando a caminhada. Estávamos passando por um beco escuro demais para aquela hora da noite. Era possível se escutar alguns passos a rua do lado, um tanto que fortes demais, como se houvesse cerca de dez pessoas apressadas para um compromisso único. — ‘Tá escutando?

— Sim — ela parou em frente a divisa que o beco oferecia para a próxima rua, ficando em silêncio para que pudesse captar o som melhor.

A caminhada daqueles que pareciam estar em grupo cessou estranhamente. O único som que era capaz de se ouvir era o de nossos batimentos cardíacos, que tomava uma frequência maior a cada segundo que se passava.

— Acho que par— Os blocos da casa na lateral de Lizz se forçaram para frente, revelando uma criatura com cerca de duas vezes mais que meu tamanho. — Merda!

Não se pôde pensar duas vezes, pois o imenso ser que havia se manifestado investiu contra o pequeno e aparentemente frágil corpo da garota, colidindo seu punho ao tórax dela, impactando-a contra o muro já frágil da pequena construção atrás.

— Corre, Ben! Eles me querem, foge! — Era de se surpreender que ela ainda continuava em pé diante do golpe levado, o que me levava a pensar de que eu também era capaz. Aproveitei o breve momento de distração do monstro para efetuar um soco em sua jugular. O resultado já era de se esperar: o golpe doeu mais em mim do que nele, contudo, dado as circunstâncias, isso apenas enfureceu ele, o que o fez chutar meu estômago com tanta força que me jogou para o amontoado da lata de lixos como um nada. Eu me via rodopiando em diversas piruetas ao ar, até finalmente, perder a consciência.

Xxx

— ... aí eu disse para ela que isso estava errado, aquela carta não representava isso mesmo. E ela me disse que eu tinha um talento e tanto, pois, mesmo nunca ter ouvido falar desses papeizinhos aí, eu era capaz de identificar o significado de cada uma. Eu me senti estranha, mas acho que foi uma reação normal, você se sentiria como? — As palavras ditas por Judie saíram um tanto que distorcidas até chegar em meus ouvidos, parecia que eu havia acabado de sair de um transe ou algo do tipo. — Ei, menino! Estou falando com você!

Estalou os dedos a frente de meu rosto, tentando despertar-me de volta ao nosso mundo. Voltei minha atenção a seus fios loiros que balançavam conforme a brisa suave se locomovia para algum lugar do mundo.

— Preciso ir... fazer alguma coisa — ergui o corpo em direção a casa novamente, debatendo os palmos em minhas roupas para que pudesse afastar os pequenos amontoados de terra molhada que se juntaram entre as frestas do tecido.

— Mas nem terminamos de brincar! — Ela se levantou juntamente, empinando seus lábios para que formulasse um bico de birra. Apenas ignorei-a, procurando um caderno qualquer dentro da casa de minha tia, para que pudesse anotar o pequeno “sonhar-acordado” que acabara de ter.

Relatei detalhadamente naquela folha o que eu havia visto agora há pouco. Esses sonhos costumaram a aparecer com certa frequência nos últimos meses, o por que? Eu realmente não sei.

Notas finais
Melhorias? Shipps? Quero saber tudo~
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.