Destinos Entrelaçados

13 Descuidos e retaliações


Notas iniciais
Olá, eu demorei mais que o normal, mas estou meio enrolada com a minha volta para casa. Sorry! Aproveitem o capítulo.

Ginny admitia a si mesma que tanto rancor não poderia ser bom para ela e racionalmente sabia que não deveria odiar tanto alguém, ainda menos Harry, mas o ressentimento era algo que ela não podia evitar. Havia esperado por ele, largada de lado pela guerra e pelo treinamento especial dele depois disso, reconhecia que tinha procurado consolo com outros homens, mas a solidão a tinha carcomido lentamente, até o ponto em que precisava de um corpo a seu lado na cama para evitar se sentir horrivelmente sozinha. E agora, além de sozinha ela se sentia tão traída, havia visto nos olhos de Harry, ele não a amava mais, nem um pouco, e o que mais doía era que talvez nunca tivesse amado.
– Ginny! Estou falando com você! – Hermione gritou, aborrecida por estar sendo ignorada pela cunhada.
– Estava distraída, qual é o problema? – Perguntou Ginny de sua posição perto da janela, ainda com os olhos perdidos no jardim.
– Eu pensei no que disse ontem... de ter ido ao St. Mungo por causa dos testes do quadribol, mas Ginny, as amostras são recolhidas no estádio.
– E daí?
– Você mentiu. – Apontou Hermione inutilmente.
– Eu não queria responder a verdade e eles nunca parariam de perguntar. – A ruiva deu de ombros.
– Mas isso é errado.
Ginny revirou os olhos.
– Querer um pouco de privacidade é normal Hermione. Sou uma mulher adulta, não uma menininha e principalmente, não tenho que te dar satisfações.
– Isso é relativo, não acha? Afinal de contas é minha amiga e eu defendi você pro Harry e...
– Descobriu que eu não sou tão puritana e perfeitinha quanto você? – Perguntou Ginny amarga.
– Então é mesmo verdade que você traiu o Harry? – Hermione tinha esperança de que fosse uma convicção errônea da parte do amigo.
– Sim, eu o traí, em mais de uma ocasião se quer mesmo saber. E daí? Ele já me deu um fora, nosso relacionamento acabou, o que você tem com isso? Por que todos ficam me cercando com essa história?
– Eu pensei que o queria de volta. Vamos lá Ginny, tem que se desculpar e sei que não vai fazer isso de novo e...
– Cala a boca sua presunçosa! – Ginny perdeu a paciência. – Por que demônios eu ia querer ele de volta? A única coisa que eu quero do Harry é que ele sofra! Eu nunca iria rastejar por migalhas de atenção dele, se ele não me quer eu não o quero também!
Hermione se assustou com a intensidade da raiva de Ginny e não fez nada para impedir a ruiva de sair da sala e subir as escadas.
– Hermione? O que a Ginny quis dizer com isso tudo? – Perguntou a voz hesitante de Ron.
A mulher de cabelos castanhos revirou os olhos. Claro, com a gritaria de Ginny alguém ia acabar ouvindo. Suspirou e se preparou para contar parte da verdade para o marido, sem a parte em que Harry estava babando por Draco Malfoy é claro.

H♥D


Harry descobriu que namorar Draco era muito agradável, na verdade, depois do primeiro encontro em Paris os dois tinham se aproximado ainda mais e já fazia quase um mês desde aquilo. Naquele dia Andrômeda iria voltar para casa e ele tinha a difícil tarefa de dizer ao veela que tinha que deixar o bebê voltar para a avó, só de imaginar o tamanho do escândalo que Draco faria ele tinha vontade de enfeitiçar Andrômeda para continuar deixando o loiro feliz. Assim que se deu conta de seus pensamentos Harry sorriu torto, estava ficando tão retorcido quanto as serpentes com que andava. Já tinha terminado seu turno, mas ainda faltava um pouco para poder pegar a avó de Teddy no hospital, por isso, resolveu passar pelo Beco Diagonal e tomar uma cerveja amanteigada no Caldeirão Furado. Mal entrou no local e teve vontade de sair, Ron e Hermione estavam numa mesa com cara de enterro. Ele ainda estava bravo com ela e sabia que Ron não poderia estar contente com o fato de ele ter gritado com sua esposa, mas não resistiu ao ver o amigo tão cabisbaixo.
– Ei companheiro, que cara é essa? Sei que está com saudades de mim, mas não é para tanto.
Ron deu um meio sorriso pra ele e Hermione parecia envergonhada.
– Oi Harry. – Ela disse. – Te devo um pedido de desculpas há algum tempo, mas não queria mandar uma carta e não te vi por lugar nenhum.
– Estive ocupado com alguns julgamentos e casos importantes, mas acho que podemos falar disso depois. – Disse por causa da presença de Ron.
– Eu já sei desse rolo tem um tempo. Sabe como são as duas quando estão bravas, não são exatamente discretas.
Hermione deu um chute nada discreto na canela do marido, coisa que fez Harry rir.
– Mas então, por que essas caras?
Os dois amigos trocaram um olhar, Hermione abaixou a cabeça parecendo culpada e Ron soltou um suspiro.
– Tem mais ou menos um mês que a Mione me contou essa história toda de porque você terminou com a Ginny e bem, como eu disse, elas estavam gritando, mamãe também ouviu a parte de que ela te traía e...
Harry gemeu audivelmente. Já não morria de amores por Ginny, mas nunca quis expor o relacionamento dos dois desse jeito.
– ... você conhece a mamãe, ela não ficou contente, estava exigindo que a Ginny te pedisse desculpas e todo mundo foi entrar pra dar palpite e o Bill ficou muito irritado também porque ela tinha mentido sobre o negócio do St. Mungo...
– Resumindo, ela saiu de casa e não sabemos dela há um mês. – Completou Hermione.
Harry arregalou os olhos, se bem conhecia Molly Weasley ela deveria estar inconsolável.
– Molly não está bem, não é? – Ele concluiu.
– Não. Na verdade, ela fica fingindo que não se importa, mas dá pra ver que ela está muito mal. Ela e a Ginny brigaram bastante a sério amigo, não sei como minha irmã teve coragem de falar algumas coisas pra mamãe...
– Foi culpa minha... eu me meti de novo e deu tudo errado! – Hermione reconheceu. – Eu só achei que se falasse com a Ginny vocês poderiam se acertar e ela ficou muito brava.
Harry mordeu a língua para não concordar com Hermione, mas sabia que se o fizesse ela ia desmoronar e chorar ali mesmo e ele não tinha tempo para acalmá-la.
– Olha Ron, tenho certeza que ela está bem, mas se deixa a Molly mais tranquila vou procurar a Ginny pra vocês.
– Valeu amigo, mas Bill já contratou um detetive e até agora não deu em nada.
– Ei! Estou ofendido aqui! Sou um auror de elite, posso achar a Ginny rapidinho. Me comparar com um detetivezinho de nada... um insulto! – Disse brincando.
Ron riu e Hermione revirou os olhos.
– Ok companheiro, você ganha. Ficaremos todos eternamente agradecidos se você nos disser por onde anda a Ginny, nem no time ela deu notícias, estamos preocupados de verdade.
Harry também começava a se preocupar, conhecia Ginny e se tinha uma coisa que ela levava a sério era sua carreira no quadribol. Pediu uma cerveja a madame Rosmerta e ficou ouvindo as outras novidades de Ron, já que Hermione estava estranhamente calada. O ruivo parecia calmo fora a preocupação com a irmã, o que demonstrava que Hermione não tinha chegado a falar de Draco pra ele.
– Mas e então Harry, já deve estar feliz de poder devolver o bebê pra Andrômeda, não é? Auch! Isso doeu Hermione! – O grandão reclamou esfregando o braço onde tinha recebido um grande beliscão.
– Não dê atenção a ele Harry, é um bruto insensível.
– Ah amor, não me culpe, mas o Harry vai me dar razão. Agora que ele está solteiro deve querer sair e se divertir e...
Harry engasgou de tanto rir ao ver com o grande homem ruivo ia empalidecendo sob o olhar feroz de Hermione.
– Boa jogada amigão! – Provocou.
– Ah amor, sabe que não é o que eu faria, sou um homem muito feliz e te amo. – Se defendeu o ruivo.
– Por que eu ainda aguento esse seu jeito troll de ser é um mistério Ronald!
Harry sentiu-se feliz de compartilhar mais algumas risadas com os amigos, mas Ron o havia lembrado de ir buscar Andrômeda e se preparou para o inferno vir abaixo em Malfoy Manor logo, logo.
Andrômeda sempre foi perceptiva e sabia desde que viu Harry em St. Mungo que ele estava incomodado, para dizer o mínimo. Esperou até estar finalmente em casa para dizer:
– Diga logo qual é o problema.
– Problema? Que problema?
A mulher mais velha revirou os olhos.
– Esse que obviamente está te fazendo agir como um garotinho de seis anos de idade que quebrou um vaso caríssimo e não sabe como dizer.
– Ah, vocês slytherins e essa coisa de saber quando estou mentindo.
– Porque você faz isso tão mal querido.
– Que seja, bem, eu vou trazer o Teddy daqui a pouco.
– Sim, estou morrendo de saudades do meu netinho! Ele estava tão alegre ontem quando foi me ver no hospital.
– Sim, mas o Draco vai ficar insuportavelmente triste quando eu tirar o bebê dele. – Harry confessou passando as mãos pelos cabelos e bagunçando-os mais do que o normal.
– Ah, então está preocupado com seu namorado veela. – Ela concluiu.
– Sim, ele vai ficar triste e então vou ter uma morte lenta e dolorosa, cortesia do pai psicopata e do padrinho superprotetor dele.
– Que exagero.
– Não é verdade, eu sei que eles podem me matar, como eu e o Draco ainda não somos vinculados ele sobreviverá a minha morte. – Disse dramático.
– Por Merlin rapaz! Não sei como Lucius Malfoy ainda não cortou sua língua.
– É que o Draco pediu muito carinhosamente, mas agora não adianta mais porque meu veela bonito vai ficar triste, vai jogar meia dúzia de vasos na minha cabeça e depois se não estiver satisfeito vai pedir aos dois psicopatas pra me matarem devagarzinho.
– Harry, já chega! Não faça dramas, o rapaz vai sobreviver. E eu nunca disse que ele não poderia ver o Teddy, eventualmente.
– Mas eu pedi no hospital e você não quis conhece-lo. Draco disse que isso é um mau sinal vindo de uma Black.
– Oh, quer dizer que ele sabe que eu sou irmã...
– Claro, acho que Lucius o fez decorar todas as árvores genealógicas do mundo antes dos cinco anos.
A mulher mais velha permitiu-se um pequeno sorriso.
– Seguindo as regras da velha escola então, mas não se preocupe, eu não pretendia conhece-lo num hospital, mas pode trazê-lo para o chá da tarde junto com meu neto.
– Sério? – Perguntou Harry esperançoso. – Mas não vai ser malvada com ele, não é?
– Vou fazer meu melhor.
Harry entrecerrou os olhos ameaçadoramente, mas preferiu não ir contra a avó do afilhado. Não iria fomentar inimizades com Andrômeda a menos que ela atacasse ao veela diretamente.
– Muito bem, voltarei mais tarde.
Assim que o jovem moreno saiu Andrômeda soltou um suspiro resignado e olhou para a foto trouxa de Tonks e Remus.
– Esse rapaz já está amarrado ao menino Malfoy e nem percebe o quanto. Se Sirius estivesse vivo certamente teria um enfarte. – Riu para si mesma.
Depois de arejar e limpar o pó que havia se acumulado na casa ela sentou-se para esperar a chegada de seu neto e sobrinho. Ouviu os risos de Teddy antes mesmo de Harry abrir a porta, o menino entrou segurando a mão de Draco e só o largou para correr para os braços da avó.
– Vovó! Daco veio também. – O menino apontou.
Andrômeda sorriu e percebeu que o neto tinha o cabelo tão loiro quanto os do Malfoy, quando ia vê-la no hospital ele tinha o costumeiro tom de azul, por isso era uma novidade para a mais velha.
– Estou vendo meu querido, vai mostrar seu quarto e seus brinquedos pra ele mais tarde, não é? Mas agora é a hora do chá.
O menino assentiu e correu de volta para o loiro que o pegou no colo por instinto.
– Ah, não creio que já tenham sido apresentados formalmente. – Disse Harry para quebrar o gelo. – Andrômeda Tonks, esse é Draco Lucius Malfoy, meu namorado, ele cuidou do Teddy pra mim enquanto eu trabalhava.
– Muito prazer meu jovem. Agradeço pela ajuda com meu neto. – Disse a mais velha formalmente.
– O prazer é todo meu, minha senhora. Seu neto é encantador e eu adorei cuidar um pouco dele.
– Posso ver pelo cabelo que ele leva agora.
Draco corou levemente.
– Ele fez isso sozinho, a magia dos bebês...
– Tende a reconhecer e se ligar com a da família. Eu também sou sangue-pura rapazinho, sei as regras tão bem quanto você. – Ela espetou.
– Não foi minha intenção ofender.
– Eu sei, sente-se logo, o chá vai ser daqui a pouco.
Harry sorriu para o loiro, dando-lhe um pouco de apoio. Andrômeda foi para a cozinha e Draco pareceu mais a vontade, colocou Teddy no chão e o bebê foi até a salinha onde a avó costumava deixar seus brinquedos, trazendo para a sala de estar uma caixa mágica de onde começou a tirar alguns blocos.
– Daco ajuda? – Chamou o pequeno ao terminar de pegar os blocos.
– Claro meu menino bonito. – Disse o loiro sentando-se no tapete e deixando Teddy ficar entre suas pernas para brincar com os blocos.
Quando Andrômeda voltou os dois estavam sentados no chão empilhando os blocos e Harry percebeu o olhar satisfeito da mais velha para a cena. Quando os dois descendentes dos Black começaram uma conversa amena sobre os cuidados com um bebê e as particularidades de Teddy, Harry sorriu, Draco poderia continuar babando sobre seu afilhado.


H♥D


Depois que saíram da casa de Andrômeda, Harry resolveu levar Draco para um passeio pela Londres trouxa.
– Mas Harry, alguém pode nos ver.
– Besteira, além disso, podemos te disfarçar um pouco. – O moreno disse. – Sei que está louco para fazer compras desde que fomos a Paris.
Draco não resistiu e cedeu diante da insistência do namorado. Harry sorriu, feliz por animar o loiro, tinha partido seu coração ver como o veela murchava enquanto se despedia de Teddy, os olhos acinzentados tinham brilhado com lágrimas e Harry considerava seu dever apagar a tristeza daquele rosto bonito. Por isso, armou-se de coragem e foi fazer compras com Draco.
Apesar de estar pronto para sofrer horrores indizíveis vendo o namorado entrar de loja em loja, Harry tinha que admitir que foi divertido ver Draco se surpreendendo e rindo como uma criança ao achar algo trivial do mundo trouxa muito exótico e divertido. Ele foi obrigado a comprar um par de tênis que pisca para Teddy porque Draco achou que iria divertir o menino, quem ligava se isso faria do pequeno um mimado sem limites? Draco com certeza não.
Harry estava tão distraído pelo clima feliz que demorou a perceber que estavam sendo seguidos. A sensação era inconfundível e seus sentidos aguçados o fizeram localizar um vulto que o seguia na multidão. Para sorte do herói, Draco usava roupas trouxas e um par de óculos escuros, o glamour havia transformado os cabelos loiros em castanhos e ninguém do mundo mágico associaria o rapaz cheio de sacolas a Draco Malfoy.
– Amor? – Ele chamou segurando o braço do veela que olhava outra vitrine.
– Sim?
– Tem alguém nos seguindo. Quero que entre na loja e vá para o provador, aparate direto na mansão, ok?
– E você?
– Não se preocupe, sei me cuidar e preciso saber quem é. Pode ser só um jornalista.
Draco fez uma careta, como já tinham capturado todos os comensais restantes, era provavelmente um fã ou a imprensa.
– Papai vai ficar furioso se for um jornalista. Você me beijou só pra irritar aqueles trouxas que nos olharam feio. – Draco lembrou.
– Bem, eu beijei um lindo desconhecido, não Draco Malfoy. Agora, faça o que eu mandei. – O moreno empurrou-o para a loja com um beijinho rápido.
Harry era muito bom em rastreamentos, mas nem mesmo os feitiços que murmurou, nem seus olhos foram capazes de localizar quem quer que o tenha seguido. Ou havia sido impressão sua ou a pessoa tinha ido embora antes que ele começasse a procurar, ele apostava na segunda hipótese, mas como diabos o perseguidor sabia quando ir embora?

H♥D
Era um pouco ridículo conhecer alguém tão intimamente quanto ela conhecia Harry, ainda mais quando não se é nada para a outra pessoa. Ginny tinha sido capaz de ler a postura alegre e descontraída de Harry passar ao modo protetor em menos de um minuto, mas o pouco tempo que pôde vê-los juntos foi o suficiente para algumas fotos. Agora já podia começar sua vingança, era algo a longo prazo, mas que devia começar desde já. Ela não era uma tola e sabia que seu namoro tinha terminado porque Harry estava interessado em outra pessoa, ela só não sabia que era um homem, mas não fazia diferença, na verdade ajudava, sua família e Harry teriam uma surpresinha pela manhã. Era hora de ligar para Lavender, era ótimo ter uma amiga que trabalhava no Profeta, não era?


H♥D


Harry preferia não estar tão preocupado com aquele observador da tarde quando chegou à casa de Ron e Hermione para o jantar. Sua amiga o leu assim que saiu pela lareira.
– Qual o problema? – Ela perguntou depois de abraça-lo.
– Nada realmente importante, só que tive a impressão de que alguém estava me seguindo hoje no mundo trouxa.
Hermione franziu o cenho.
– Avisou a Central? Sabe que tem que manter sua unidade informada sobre essas ameaças e...
– Calminha Mione, não foi algo perigoso, acho que era um jornalista. – Ele deu de ombros. – Só fiquei preocupado mesmo porque Draco estava comigo.
Dessa vez ela não conteve uma exclamação de espanto.
– Então ele está mesmo usando você pra recuperar a imagem dos Malfoy! Garanto que ele mesmo avisou o jornalista, temos que...
– Quer parar de neurose, por favor? – Harry cortou-a com voz firme. – Ele estava disfarçado, e acredite a última coisa que Draco quer é a imprensa atrás dele.
– Como pode ter tanta certeza?
– Como você acha que conhece ele mais do que eu?
– Porque obviamente você não está pensando com a cabeça de cima. – Ela foi incisiva.
Harry nem se deu ao trabalho de responder, só revirou os olhos.
– Até essa mania irritante você pegou! – Ela acusou.
– Eu me recuso a conversar sobre meu namorado com pessoas preconceituosas como você. – Ele informou.
A amiga dele empalideceu.
– Eu não sou.
– Sim, você é. Você está baseando suas loucas suposições em impressões que teve de quando estudamos, éramos umas crianças, e o resto, tudo vem da sua cabecinha cheia de preconceitos porque ele é slytherin e foi comensal.
– Você acha pouco?
– Acho que foi numa situação impossível pra ele.
– Ele quem? – Ron perguntou saindo da lareira.
– Draco. – Harry informou.
– Malfoy? O que tem a doninha?
– Eu estou saindo com ele. – Harry disse num fôlego só.
Ron primeiro arregalou os olhos, depois começou a rir.
– Boa piada amigo, você e a doninha... muito bom! – O ruivo quase engasgou de rir antes de ir para o quarto.
– Ele não me levou a sério.
– O que esperava? Eu mesma ainda não acredito, mas vou falar com ele.
– Eu agradeço, prefiro não estar por perto quando ele chagar a conclusão de que eu falo sério.
Hermione soltou um suspiro.
– Quer dizer que não vai ficar para o jantar?
– Acha que fará algum bem pra nós? Nesse clima duvido que sequer consigamos manter uma conversa civilizada e com o Ron... não estou muito certo de querer entrar numa briga com ele hoje.
Harrry aparatou e Hermione se jogou no sofá, irritada. Odiava dar ouvidos ao que ele dizia, mas será mesmo que devia dar uma chance ao atual namorado do amigo?
– Cadê o Harry? Eu ia dizer pra ele que tem uns amigos do Charlie que podem querer sair com ele se estiver levando a sério isso de sair com homens.
– Mas ele está com o Malfoy. Sério mesmo Ron.
Hermione quase podia ver as engrenagens no cérebro do ruivo funcionando até que ele ficou abrindo a boca sem palavras. Logo antes de explodir em fúria... iria ser uma longa noite.


H♥D


Harry foi para Malfoy Manor e não se surpreendeu de encontrar as três serpentes na sala de visitas de Lucius. O menor dos três estava deitado no sofá com a cabeça apoiada no colo do pai.
– O que eu disse sobre tirar o bebê do meu filho Potter? – Lucius ralhou.
– O que queria que eu fizesse? Ela é a avó...
– Pessoas desaparecem, não é?
Harry fez cara feia enquanto Severus e Draco sorriam.
– Ele não contou que já conquistou a tia? Ele vai poder ver o Teddy o quanto quiser.
– Mas não é a mesma coisa Potty! Eu quero o meu bebê. – Draco resmungou com um muxoxo.
– Acho que deve se apressar e dar logo um pirralho para ele cuidar Potter. – Snape brincou.
– Ah, por mim podemos providenciar agora mesmo. Vocês dois serão avôs, não vai ser lindo?!
Lucius e Severus fizeram caretas, mas Draco riu.
– Não é que o nosso pequeno gryffindor está aprendendo a ter um viés de serpente?
– Um o quê?
Draco revirou os olhos.
– Não sei se posso ter filhos com você, seus genes incultos vão contaminar minha descendência. – Disse Draco se levantando.
– Você me ama mesmo assim. – Harry brincou abraçando-o.
– Por Merlin, vocês dois vão me fazer passar mal de tanto açúcar. – Reclamou Severus.
Antes que Harry ou Draco pudessem responder uma coruja bicou o vidro da janela e com um movimento de varinha Lucius abriu-a. O pacote era para o patriarca da família que a pegou sob o olhar azedo do amante.
– O que ele quer a essa hora? – O pocionista perguntou.
– Quem? – Perguntou Harry.
– Augustus, só ele deixa o meu padrinho tão irritado.
Lucius tinha ficado silencioso, mas quando um raio acertou o bonito traseiro de Harry perceberam o quanto ele estava irritado.
– Auch! Isso doeu sogrinho, eu não fiz nada! – O moreno reclamou.
– Ah não?! Então por que diabos estou vendo uma foto sua beijando um trouxa qualquer?! Eu vou arrancar seus olhos seu leão traidor dos infernos! – Esbravejou o loiro.
Harry arregalou os olhos e Draco ficou na frente do namorado.
– Calma papai, esse sou eu. – Confessou Draco envergonhado pela foto.
Lucius baixou a varinha, mas continuou com o olhar furibundo.
– Levou o meu filho para o meio desses trouxas selvagens e deixou te fotografarem examinando as amígdalas dele?
– Foi uma pequena distração, eu reconheço, mas ele precisava se distrair depois de deixar o Teddy com a Andrômeda e...
– Não há fúria no inferno como a de uma mulher rejeitada, não é Potter? – Disse Snape que havia recolhido o jornal.
– O que quer dizer? – Perguntou Harry.
– Melhor ler por si mesmo. – Severus entregou o jornal para o herói.
As três serpentes viram como o gryffindor ia lendo e seu semblante ia carregando até ficar assustadoramente ameaçador. Draco se pendurou no ombro do namorado e leu:


Don Juan desconsiderado:
O outro lado de Harry Potter
Há semanas que o mundo mágico se pergunta o que ocasionou o fim do relacionamento entre Harry Potter e a jogadora estrela das Harpias Ginny Weasley. Pelo flagra no mundo trouxa, podemos adivinhar que o herói já não está chorando pelo fim do longo namoro, que muitos apostavam que daria em casamento, afastada da mídia e mesmo da comunidade mágica há algum tempo a jovem Ginny concedeu-nos uma entrevista exclusiva para explicar seu sumiço e o fim se seu namoro. Mais detalhes na pág. 8.


Draco queria seguir lendo, mas parecia que o moreno já estava suficientemente irritado.
– Ela... maldita filha de uma puta!
– Molly Weasley não ia gostar de ouvir isso Potter. – Argumentou Snape.
– Foda-se, ela é mesmo uma filha da puta. Essas coisas que ela disse... eu pareço um maldito conquistador barato que a largou pra se divertir.
– Se pensarmos bem, você se diverte mais comigo.
– Isso não tem graça Draco, ela está atacando a minha imagem. Não sei o que ela pode estar querendo com isso.
– Vingança meu tolinho, vingança. E nem foi tão mau assim, eu poderia não ter usado glamour, ai sim seria um circo.
– Nisso ele está certo Potter. – Lucius concordou com o filho. – Além disso, o que ela fez foi colocar a si mesma numa posição de vítima. Não sabia que as mulheres gryffindor também podiam ser tão distorcidas. – Disse pegando o jornal de volta. – Aqui na entrevista ela diz o quanto está sofrendo e que nem mesmo pensa em voltar a jogar de tristeza, porque começou no quadribol por sua causa... muito mau Potter, os fãs das Harpias vão querer sua cabeça.
Harry passou a mão pelos cabelos bagunçando-os ainda mais.
– Tudo o que eu precisava.
– Não é tão ruim, vamos jantar. A comida de Tink vai te animar. – Draco puxou o namorado para a sala de jantar.
– E por que ele te mandou isso?
– Porque é o momento perfeito para Lara McNair sair do lado do Ministro e insuflar o povo contra o regime anti sangue-puros. E ele tem acesso ao Profeta porque é um dos acionistas do jornal.
– Oh, você e suas articulações políticas... me faz querer te castigar. – Snape sussurrou junto ao ouvido do loiro.
– Mas eu ainda nem fui um menino mau. – Protestou Lucius antes de sair para a sala de jantar também.

Notas finais
Então, o que acharam? Lembrem de deixar um comentário com sua opinião.