Destinos Cruzados

3 Capítulo III.


Notas iniciais
Oi gente! Olha eu aqui! Tô tentando me manter fiel a coisa de uma postagem a cada fim de semana. Mas, não posso prometer nada! Preciso dizer que eu amei os comentários, sério. Fiquei muito surpresa por vocês terem gostado tanto. Isso me faz mega feliz. Afinal, meu prazer é escrever, é bom saber que as pessoas gostam. Enfim, chega de papo, vou mandar o capítulo logo.

Capítulo III.

“Está tentando me dizer algo com os seus olhos? Tudo que quero fazer agora é me deitar e morrer, se você vai fazer isso é melhor fazer direito ou meu coração não vai parar de inchar.”

Eu inspirei profundamente o seu perfume, meu rosto se escondia entre o vão de seu pescoço e eu estava na ponta dos pés para isso. Stefan sempre fora mais alto que eu.

– Stefan. – Eu sussurrei me afastando e encarando. – Eu... Achei que estivesse morto! Meu Deus!

Eu sorri passeando a ponta dos meus dedos pelo seu rosto, observei quando Stefan franziu as sobrancelhas e me encarou parecendo sem jeito.

– Desculpe, nós nos conhecemos? – A voz saiu baixa e rouca, exatamente como eu me lembrava. No entanto, ele não parecia lembrar de mim, isso era possível?

Pisquei dando um passo para trás.

– Você não se lembra? Não se lembra de mim? Sou eu, a Bella. – Minha voz saiu chocada, com uma pontinha de estridência que quase nunca aparecia nela.

Ele balançou a cabeça, os olhos verdes encarando-me sinceramente.

– Desculpe, Bella. – Meu nome saiu lentamente por seus lábios, como se o estivesse testando. – Mas, eu não conheço você. – Afirmou com certeza.

– Não é possível. – Eu pisquei balançando a cabeça. – Stefan!

Ele continuou encarando-me seriamente.

– Eu não consigo acreditar. – Franzi as sobrancelhas dando dois passos para trás e ergui a cabeça novamente, encarando-o nos olhos. Eu podia ver, através das iris verdes. Ele não se lembrava mesmo, isso era horrível e assustador. Como ele podia não se lembrar?

Eu suspirei, perdida por um momento, sem saber realmente o que fazer, por fim resolvi que parecer uma louca em frente a meio bar não iria resolver a situação, então me recompus e sorri em desculpas. – Já que é assim, desculpe o transtorno. Devo ter feito alguma confusão. – Dei de ombros e sai em disparada no meio da multidão.

Ainda pude ouvi-lo chamar meu nome, mas isso não me parou, eu corri até alcançar algum lugar seguro o bastante para parar e respirar. Ao contrário dos outros vampiros, o tempo não me deixou mais dura ou mais fria, nem mesmo sarcástica por natureza, na minha opinião, deixou-me somente mais experiente. Eu já vira muita coisa, sentira muita coisa, mas não me começara a odiar o mundo e as pessoas nele. No entanto, naquele momento, eu odiei o que quer que estivesse acontecendo, odiei ter ido parar em Mystic Falls e ter encontrado alguém com o mesmo nome a mesma aparência do Stefan que eu conheci e ele não se lembrar de mim. Eu não conseguia encontrar uma solução para toda a história.

Teria sido ele hipnotizado? Teria sido enfeitiçado? Passei minhas mãos pelos cabelos, um claro gesto de nervosismo e em seguida me levantei, ajeitando a postura e caminhando novamente em direção a casa que Charlie havia comprado para nós. Antes que eu pudesse dar dois passos para fora do beco fui encurralada por Stefan, Elena Gilbert, o moreno que eu me lembrei se chamar Damon, Caroline Forbes e a bruxa Bennett.

Franzi as sobrancelhas confusa, mas ergui o queixo encarando-os.

– Hello, Bella. – Damon cumprimentou-me com sarcasmo gotejando cada letrinha do meu nome.

– Olá, Damon. – Eu arqueei uma sobrancelha e mudei o peso da minha perna. – O que os trazem a esse frio e úmido beco, a essa hora da noite? Espero que não estejam aqui por mim. – Dei de ombros displicentemente. – Eu já estou de saída...

– Não tão rápido, bonitinha. – Ele se adiantou jogando meu corpo na parede e pressionando meu pescoço com os braços. Eu rolei os olhos entediada e o empurrei em direção a parede oposta. Damon olhou-me atônito e então franziu os lábios em desgosto avançando outra vez em minha direção. Dessa vez eu quem o pressionei contra a parede, literalmente. Meus dedos circulavam seu pescoço e eu rosnei irritada.

– Eu gostava dessa blusa. – Sussurrei ameaçadoramente perto do seu pescoço. – Escuta aqui, garoto. Não abusa da minha paciência, ao longos dos anos ela foi ficando bem curta. E eu não gosto muito de agressividade, faço o estilo mais romântica. – Sorri ironicamente e soltei-o no chão. Ele levou as mãos até o pescoço massageando, porém não disse nada ou tampouco admitiu que eu havia vencido essa.

– Você disse que se chama Bella, não é? – Perguntou Bonnie Bennett, e Elena Gilbert deu um passo a frente e observei ela lentamente caminhar até Damon e verificar se ele estava bem. O olhar de Stefan a acompanhou e rapidamente eu entendi o que estava acontecendo. Franzi os lábios sentindo-me incomodada e sentindo certa aversão por Elena Gilbert.

– Isabella. – Respondi somente, e então ela se adiantou, dando um passo em minha direção. Eu inclinei a cabeça levemente e ela ergueu as mãos em sinal de rendição.

– Entenda, Isabella. Nós não queremos problemas.

Encarei minhas unhas entediada.

– Eu também não, mas até onde eu sei, eu quem fui encurralada em um beco por quatro crianças vampirinhas.

Bonnie suspirou pacientemente e então balançou a cabeça olhando-me com atenção.

– Você é tão velha assim? – Ignorei sua pergunta, porque realmente, não era da sua conta. E ela suspirou mais uma vez. – Pode nos dizer de onde conhece Stefan?

Ergui o olhar, encarando-o. Tentando encontrar qualquer coisa do antigo Stefan nesse. Não havia nada senão a semelhança física. Eu suspirei, pela primeira vez abaixando a guarda diante daqueles adolescentes.

– Nós fomos casados. – Eu respondi finalmente e Stefan me encarou franzindo as sobrancelhas, ele se aproximou o bastante para que houvesse um palmo de distância entre nós. Sem medo algum, talvez por confiança demais ou presunção demais. No entanto, eu deixei e encarei seus olhos verdes.

– Fomos casados? – Ele perguntou com uma expressão que eu não soube identificar, mas no momento em que ele aproximou tanto de mim, tudo que eu pude fazer, foi mais uma vez me sentir presa em minha bolha particular que era Stefan Salvatore.

– Por algumas horas. – Eu murmurei baixo. – Éramos jovens e de reinos diferentes. Estávamos destinados a nos casar desde que nascemos. Um acordo entre os reinos. Eu não queria, você era alguns anos mais velho, no entanto, assim que nos encontramos... Eu me apaixonei e você também, vivemos felizes por alguns anos. Mas então... – Eu franzi os lábios com a lembrança. – Tudo acabou.

– Acabou? – Ele perguntou em voz baixa.

– Você foi tirado de mim. – Eu voltei a murmurar. – Brutalmente assassinado pelo reino inimigo. – Dei um passo em sua direção, levando minhas mãos até seu rosto, passeando meus dedos pela pele macia, os lábios bem desenhados e as sobrancelhas grossas. – Eu o vi morrer, Stefan Salvatore. Na manhã seguinte a nossa noite de nupcias. – Eu pisquei com a lembrança. – No dia em que me tornei Isabella Salvatore.

LONDRES DE 1364.

Eu encarei o corpo caído no chão e engasguei com meu próprio ar. Seus olhos verdes estavam fechados e o sangue dele cobria toda a camisola que eu vestira naquela manhã. Eu nem mesmo tivera tempo de sair dos aposentos, tudo acontecera tão rápido, eu não conseguia entender. Eu só sabia, ele não estava mais lá. O sangue era tanto.

– Stefan, por favor, Stefan, volte. Por favor... – Eu murmurava entre soluços e lágrimas. – Você prometeu Stefan, prometeu que não me deixaria.

Mas era em vão, ele havia partido, e eu sabia disso. Alguém se aproximou retirando-me de cima de seu corpo flácido e gélido enquanto eu esperneava e me debatia querendo estar ali. Eu não podia. Não conseguiria existir em um mundo onde Stefan não existisse. Eu não conseguiria. Não conseguiria. Era o que eu murmurava repetidamente para ninguém especifico.

“Eu sempre estarei ao seu lado, minha Bella.” Ele dissera naquela noite, depois de fazermos amor e consumarmos o tão esperado casamento. Eu não podia estar mais feliz e a felicidade me fora arrancada sem piedade. O quão cruel a vida e o destino podiam ser? “Eu irei te amar, Bella. Através do tempo, da vida, da morte, seja onde for, onde eu estiver, eu irei te amar.” Eu rira e negara, minha cabeça apoiada em seu peito, suas mãos acariciavam minhas costas nuas e eu não podia estar mais em paz do que naquele momento. “E se você não se lembrar de mim? Eu posso estar diferente, com cabelos loiros e olhos azuis como o rio de Chestweer. “ Fora o que eu respondera e Stefan riu. Seu corpo tremeu abaixo do meu. “Eu me lembrarei, olharei em seus olhos, sejam eles da cor que for, e eu me lembrarei. Porque você é meu destino, Bella. Seja como for. Você é meu destino. E eu te amarei para sempre.”

Stefan me encarou, os olhos fixos aos meus. Eu não contei a ele a memória, porque, ele me olhou e não se lembrou de coisa alguma. Parte de mim se sentiu realmente boba por acreditar em algo tão sonhador. Mas, em um mundo em que uma mulher pode viver mais de 700 anos, é realmente fantasia acreditar em um amor verdadeiro que atravesse as barreiras do tempo e das gerações?

– Eu sinto muito, Bella. – Ele disse finalmente, os olhos encarando-me compadecidos, eu balancei a cabeça, um sorriso pequeno espalhando-se pelo meu rosto.

– Agora, se puder me dar licença, eu gostaria de ir para minha casa e superar o fato de que o amor da minha vida não voltou para me encontrar.

Stefan riu suavemente e eu retribui seu sorriso, era impossível não o fazer, ele me cativava, sendo ou não, meu Stefan.

– Hum, ok. – A voz de Damon soou em algum ponto atrás de Stefan e nós nos afastamos constrangidos com a recente distração. Eu me esquecera completamente que haviam mais pessoas no beco. – Isso foi, bizarro. Você e Stefan. – Ele olhou para Stefan. – Irmão, você só arruma mulher louca. – Ele então se aproximou encarando-me de cima abaixo. – Você não está mentindo, está? Porque se estiver, eu vou torcer o seu pescoço e arrancar seu coração.

Eu revirei os olhos, sorrindo presunçosa.

– Se estivesse, você não saberia. E não conseguia nem mesmo me tocar, garoto. – Joguei meu cabelo para trás e passei por ele e Elena Gilbert, ela me olhava com um misto de ciúmes e preocupação. Eu havia deduzido que ela namorava Damon, mas observando bem de perto, os olhares que ela lançava a Stefan não eram muito comuns.

Eu odiava vampiras presunçosas que gostavam de levar o mundo aos seus pés. Mas, resolvi não julgar, de qualquer forma, eu ainda não conhecia Elena Gilbert.

– Você irá sair da cidade? – Stefan perguntei e eu girei meu corpo, encarando-o. Ele parecia enigmático demais. Uma surpresa e tanto.

– Eu acabei de chegar. – Dei de ombros e sorri. – Vejo você na escola amanhã, Stefan Salvatore de 1860?

– 1847. – Respondeu com um sorriso.

Eu assobiei.

– Você é bem velhinho.

– Tenho a impressão de que você é mais. Apesar de que, eu tenho que admitir. – Ele balançou a cabeça levemente, os braços cruzados. – Está bem conservada.

Eu não pude evitar soltar uma gargalhada.

– Me sinto agradeciada com o elogio, senhor Salvatore. Nos vemos em breve. – Fiz uma reverencia como mamãe havia me ensino na época e saí caminhando para fora do beco. Ainda puder ouvir a voz irritante de Damon Salvatore perguntar desde quando ele flertava com vampiras psicóticas milenares. Me senti terrivelmente ofendida.

Eu não era milenar. Só centenária.

Assim que cheguei em casa, Charlie abaixou o livro que estava lendo e me encarou parecendo preocupado. Então com um suspiro, ele indicou-me a poltrona a sua frente, e eu me joguei sobre ela. A lareira crepitava baixinho, deixando uma luz reconfortante invadir o lugar. Lembrando-me mais uma vez de casa. Nós costumávamos sentar a beira do fogo, mamãe ficava bordando, enquanto papai tratava sozinho dos próprios negócios. E eu ficava lá, observando-os, maravilhada em ser a princesa do reino de Berkishire.

– Em que está pensando? – Papai me perguntou e eu tirei meus olhos da chama, encarando-o. Quando tudo aconteceu, quando perdemos mamãe, eu sei que Charlie nunca superou, ele simplesmente decidiu não me abandonar. Eu não sabia o que era, quem era. Não sabíamos o que Renné era. Quando invadiram o reino, naquele dia e descobriram seus livros, eles a mataram, bruxaria. A jogaram na fogueira. Iam jogar-nos também, mas alguma coisa os fizeram mudar de ideia, então amarraram pedras em nossos pescoços e jogaram-nos ao rio. Nem Charlie e nem eu sabíamos que Renné vinha nos envenenando diariamente com sua mistura de ervas, mistura essa que nos tornou o que somos hoje. Naquela noite, quando eu acordara no meio de uma ilha deserta, eu não sabia o que fazer, nem como fazer. Eu só conseguia sentir a queimação deixando-me descontrolada. As lembranças da morte de Stefan, da morte de Renné, elas me atordoavam, me atormentavam. Eu estava perdida, desesperada e assustada.

E eu matei. Uma vila inteira. Uma sede absurda de sangue. O liquido descia pela minha garganta doce e suave. Acolhedor. Como se fosse tudo que eu sempre quisera na vida. E depois viera a culpa. Mulheres, crianças, maridos, avós. Eu matara todos. Sem piedade, sem controle. Um ano depois, eu encontrei Charlie, surpresa, assustada e receosa, eu achava que era uma fantasia da minha mente, que ele estava morto e voltara para me buscar, levar-me para o inferno como a igreja tanto pregava, então Charlie me abraçou e acolheu-me cuidadosamente, levou décadas até que eu finalmente aprendesse a me controlar. Mas eu aprendi. E depois de um tempo, Charlie e eu superamos os acontecimentos do passado. Ou ao menos, tentávamos nos enganar que sim.

– Há alguém na cidade, um vampiro. Na verdade, eles são crianças, jovens ainda. – Eu comecei e Charlie encarou-me atencioso. – Mas existe um, ele se chama Stefan Salvatore.

– Stefan Salvatore? Impossível, Bella. – Eu desviei os olhos do fogo.

– É igual a ele, pai. Os mesmos olhos, o mesmo sorriso, o cabelo, a voz. Eu me senti tonta ao olha-lo, faz tanto tempo. – Minha voz saiu baixa, porém não frágil. – Eu não sei como me sentir a respeito.

Meu pai respirou fundo e então, depois de vários minutos aproximou-se, ajoelhando-se na minha frente e segurando minhas mãos.

– Fique longe dele, Bella. – Pediu.

Eu uni as sobrancelhas e seus olhos castanhos me encaravam derrotados. Tanto eu quanto Charlie sabíamos que essa era uma missão impossível.

– Você ficaria? Se fosse a mamãe?

Charlie fechou os olhos lentamente e então os voltou a abrir, ele não disse nada, somente beijou minha testa carinhosamente, e deu meia volta caminhando em direção as escadas. Eu me recostei sobre a poltrona e fechei meus olhos.

– Você é a garota mais estranha que eu já tive o prazer de conhecer, Srta. Swan. – Ele sorriu atrevido enquanto acariciava Cristhor, e eu me senti quase traída por meu puro sangue. Como ele podia permitir que o abusado Sr. Salvatore se aproximasse tanto? Quando eu tivera um trabalho dos infernos para doma-lo por mim mesma?

Praguejei em alto e bom som.

– Oras, veja! E você é um maricas, Sr. Salvatore. Provavelmente morre de medo dos insetos da caverna. – Eu ergui minhas saias e passei a caminhar pelo campo lamacento. Oras, veja. Como ele tinha a ousadia de chamar-me de estranha? Tudo se devendo ao fato de que eu não ficava suspirando e soltando risinhos patéticos como as outras moças? Era um absurdo!

– Espere, ei! – Ele me chamou e eu virei rapidamente. Stefan Salvatore era realmente um homem belo, aos 18 anos, era o mais belo que eu já conhecera, mas afinal de contas, eu só tinha 14. Quantos homens eu já vira em minha vida? Bem, não importava. Eu podia olhar os olhos verdes do Sr. Salvatore e me sentir completamente satisfeita. – Perdoe-me. – Ele correu os dedos pelos cabelos castanhos e aparentemente macios. – Eu não quis ofendê-la. Na verdade, eu gosto.

Olhei-o desconfiada por um instante. – Gosta?

Ele então sorriu para mim, o sorriso mais lindo que eu já vira. – Gosto da sua estranheza, Srta. Swan.

Eu não poderia ficar longe de Stefan. Seja lá qual fosse o mistério que o rodiava, o atraia para mim e eu não fugiria disso.