Destinos Cruzados
4 Capítulo IV.
Notas iniciais
NOVA ORLEANS, 1970.
Eu abri as portas do bordel ridículo em que Niklaus se encontrava, simplesmente resistindo à tentação de por fogo a toda aquela espelunca. Eu mandaria tudo pelos ares com o maior prazer.
– Isabella! – Ele abriu um sorriso gigantesco, chamando meu nome com aquele sotaque que me fazia querer socar a sua cara, isso, claro, não significava que era menos sexy.
– Olá Nik. – Minha resposta foi seca e cheia de ácido. Eu queria mata-lo. Lentamente e sofregamente. – Qual é o seu problema? – Perguntei finalmente dando dois passos em sua direção.
Nik era trezentos anos mais velho que eu, mas isso não queria dizer que ele era mais experiente. O grande erro de Niklaus sempre foi estar envolto aos seus ridículos capangas vampiros, e para o azar dele, eu era ótima lutadora.
– Você está chateada. – Ele pontuou o obvio.
Rolei os olhos, trocando o peso da perna. – Você acha?! – Arqueei a sobrancelha.
Niklaus se aproximou dois passos, provavelmente sabendo que eu não arrancaria a sua cabeça. E então inclinou a cabeça levemente para o lado, parecendo genuinamente confuso. Suspirei controlando a vontade de tentar quebrar seus dentes.
– Isso é pelo humano? – Perguntou inocentemente.
– Você matou meu namorado! – Eu praticamente rosnei.
– Sua bolsa de sangue, você quer dizer. – Ele balançou a cabeça parecendo indignado. – Não seja tão hipócrita, você não estava nem aí para o loirinho ridículo.
– Oras Nik. – Eu murmurei com descaso enquanto dava a volta a uma das mesas e observava a cortesã encarando-nos apreensiva. – Tudo isso por ciúmes? Você sabe que isso é meio patético, não sabe? – Eu murmurei arrastando a ponta do meu dedo pelo pescoço da mulher. Notei com satisfação, o colar em seu pescoço.
Oh sim, Niklaus tinha uma bruxa.
– Você precisava aprender com quem estava lidando. – Ele deu de ombros tentando parecer desinteressado e eu abri um sorriso que lentamente se tornou irônico.
Aproximei minhas mãos dos ombros da mulher morena sentada a minha frente e encarei Nik com uma sobrancelha arqueada
– Precisando de bruxas, Nik?
Niklaus travou o maxilar parecendo realmente irritado agora. Sorri satisfeita e subi a ponta dos meus dedos até o pescoço da morena, forçando-os minimamente para a direita. O estralo soou por todo o salão, seguido pelo rosnado monstruoso de Nik.
– Cale-se! – Ordenei irritada e instantaneamente Nik ficou em silencio, somente torturando-me com seu olhar. Aproximei-me o suficiente para sentir seu perfume envolvente. – Eu não aprendo lições, Niklaus. Eu as ensino. E não gosto de alunos irritantemente desobedientes, fique longe do meu caminho. – Eu sorri passando a ponta dos meus dedos em seu rosto, lentamente. – Pode se mexer agora, querido. Aproveite o restante de sua festa. – Gesticulei em direção as cortesãs restantes. – E boa sorte com a nova bruxa.
– Isso terá volta, Isabella.
– Estou esperando por isso, Niklaus. – Eu sorri dando as costas a ele e saindo do bar.
– Sangue frio, está falando sério? – Encarei Charlie reprimindo minha careta e ele riu jogando-me a bolsa.
– Também há esquilos e leões, você sabe. – Respondeu divertido dando-me as costas e saindo de casa vestido com a farda da policia de Mystic Falls. Revirei os olhos e levei a bolsa aos lábios, saboreando o não tão delicioso sangue gelado.
Bufei quando o plástico se tornou vazio e me levantei seguindo em direção à porta. Infelizmente, Mystic Falls era terrivelmente entediante, principalmente, porque aqui não dava para ser a humana boba que ganha o coração de todos os jovens galãs. Então, bem, eu tinha que ser eu mesma.
E ser eu mesma significava alimento de qualidade.
Caminhei ao redor da cidade sentindo o ar frio do começo de noite. Fechei os olhos procurando atentamente algum sinal de adolescentes bêbados ou algo do tipo. Mas, Mystic Falls era realmente muito parada. Nada como Nova Iorque, Orleans ou até mesmo Canadá, onde você encontra uma presa a cada esquina.
Suspirei resignada e caminhei com certa animação até o bar do grill, que como sempre, estava lotado de pessoas, em sua maioria jovens. Esquadrinhei o local com os olhos e não encontrei nenhum dos vampiros que eu conhecera mais cedo, o que me deixou satisfeita. Sem dúvida, eu não queria meia dúzia de crianças no meu pé.
Aproximei-me do balcão e Matt gatinho se postou em minha frente com o jeitinho prestativo que os clientes adoravam.
– Uh, você. – Ele praticamente gemeu.
– Falarei com seu chefe. – Batuquei minhas unhas impacientemente no balcão. – Não é jeito de tratar uma cliente, e muito menos uma dama. Que horror. – Fiz uma expressão teatral e ele suspirou arqueando uma das sobrancelhas. – Como é chato Matt. – Sorri. – Que tal uma dose de uísque? Puro e do melhor que você tiver nessa espelunca de cidade.
– Mau humor? – Perguntou tentando ser engraçadinho.
Passei a língua pelos lábios, deixando minhas presas a mostra minimamente. – É o que acontece quando eu fico com fome.
Ele engoliu em seco saindo da minha frente e eu bufei irritada.
– Garotos idiotas.
– É o que eu sempre digo, mas ninguém parece me entender. – Virei-me para o lado dando de cara com Damon Salvatore. Resolvi ignora-lo e peguei o copo que Matt pousou em minha frente. – E então, vovó, o que faz aqui?
– Vovó? – Arqueei minha sobrancelha debochada.
– É, você já tem sei lá, uns seiscentos anos? – Deu de ombros parecendo desinteressado e eu sorri enquanto descia do meu banco e me aproximava ainda mais de Damon. Levei a ponta dos meus dedos até seu rosto, passeando-os pela barba rala de seu queixo.
– Não é da sua conta – Apertei seu queixo entre meus dedos. – A propósito, mande um beijinho para Stefan, já estou com saudades do rostinho lindo dele. – Pisquei.
Deixei uma nota de dez dólares sobre o balcão e me levantei caminhando até uma mesa onde um homem de aproximadamente vinte cinco anos bebia sozinho, ele me seguira com os olhos quando me aproximei e não era de todo o ruim, afinal.
Cabelos castanhos, olhos verdes, sorriso sacana. Exatamente meu tipo.
Sorri em sua direção enquanto indicava a porta da saída e assim como eu esperava, ele me seguiu, como já era noite, arrastei-o em direção ao beco aos fundos do bar e ele sorriu vitorioso.
– Como é seu nome, gatinha? – Perguntou passeando as mãos pela minha cintura. Homens!
No entanto, eu suspirei ao sentir o cheiro delicioso de sangue. – Isso importa? – Dei uma lambida em sua clavícula e ele gemeu.
– Na verdade não. – Murmurou. – Mas, eu sou James.
– É um prazer James. – Eu me afastei para olhar em seus olhos. – Você parece delicioso. Por isso, não grite e não corra.
Ele assentiu hipnotizado e eu aproximei meus dentes de seu pescoço com satisfação.
O sangue escorreu por minha garganta quase como mel e eu gemi de satisfação por finalmente saborear algo digno de mim. Não se passaram mais do que dois minutos quando o cara em meus braços começou a amolecer e ainda que contra a vontade, eu peguei seu rosto fazendo-o esquecer-se de mim. Sem cura-lo, no entanto.
Limpei minha boca em um lencinho que trazia na jaqueta e joguei o cabelo para trás saindo do beco escuro.
– Ora, ora. – Eu encarei um Damon Salvatore displicentemente encostado no muro ao redor do beco. Ele trazia um sorriso divertido e presunçoso nos lábios. Revirei os olhos, ignorando-o deliberadamente. – Você até que é interessante.
– Oh! – Entreabri os lábios em surpresa e irônica. – Estou sinceramente lisonjeada, não consigo acreditar que reparou em mim!
Foi a vez dele de revirar os olhos. Idiota.
– Uh, você precisa de um homem. – Ele fez uma careta teatral e eu dei um sorriso diabólico em sua direção, aproximei-me o bastante para sentir seu perfume. Era necessário confessar, Damon Salvatore era um pedaço, belos olhos, belo sorriso, belo físico.
Era uma pena que ele falava.
– Porque, querido? Você se prontifica? – Minha voz soou quase indecente, quando eu me aproximei o suficiente para roçar a ponta dos meus dedos em seu rosto. Ele parecia quase em choque, os olhos cheios de uma surpresa incrédula. Eu ri, me afastando imediatamente.
– Velha idiota. – Ele resmungou irritadiço e eu jurava que um pouco constrangido.
– Uh, você precisava ver a sua cara. – Eu mudei o peso da perna, cruzando os braços e sorrindo ainda divertida. – Homens! Não perdem uma. – Balancei a cabeça, desacredita. – Enfim, Damon Salvatore, se me der licença, eu preciso ir. Afinal, eu tenho um dia cheio amanhã.
– Ah, é? Do que? – Arqueou uma sobrancelha, debochado.
– Sabe como é. Conquistar o capitão do time, fazer amigos, visitar a biblioteca, coisas normais de adolescentes. – Pisquei em sua direção e dei as costas e ele e seu olhar completamente debochado.
LONDRES DE 1361.
– Isso é um absurdo, senhor Salvatore! Não pode realmente pensar que eu concordaria com um disparate destes!
– Veja bem, Senhor Swan. Estamos em uma guerra, achas mesmo que temos a opção de escolha?!
– Não irei permitir que isso aconteça. Não a Isabella, não a minha filha. Entende-me? – Ouvi a voz de papai se elevar mais alta do que jamais tinha ouvido em toda a minha vida. Franzi as sobrancelhas sem entender sobre o que eles falavam.
– Oras, Charles! O que acha que acontecerá com Stefan quando ele não partir?
– Não sei o que pensa que acontecerá. Mas não terei em meu lar uma filha desamparada e viúva. Não há uma guerra acontecendo e sabemos disso, é um completo absurdo fazer com nossos filhos, nossos homens e cidadãos partam em uma missão suicida! Deixe o reino do Oeste onde está!
– Não! – O rugido do Sr. Salvatore foi animalesco. Tremi mais uma vez assim que a palavra foi proferida. Violentamente e decidida. Ele planejava atacar o reino do Oeste? Mesmo depois de um tratado de paz ter sido assinado? Como ele podia fazer isso? O que havia de errado com meu sogro?
– O que está dizendo, Henry? – Papai perguntou em voz baixa, ponderada.
– Estou dizendo que haverá uma guerra, Charles. Quer você a aceita ou não. E Stefan participará dela.
Pisquei, espantando mais uma das minhas lembranças. A lembrança de Henry Salvatore decretando a morte do meu Stefan. Na época, me parecera absurdo, eu não acreditara realmente que ele faria isso. Até Stefan precisar ir, foi um alivio quando ele voltara para mim. Inteiro e vivo. Pronto para o nosso casamento. Mas, então, uma armadilha, uma maldita armadilha e tudo havia se perdido. Dois dias depois, meu marido estava morto, eu era uma viúva de quinze anos, e semanas depois começava minha vida imortal.
Soltei os ombros, afastando-me dos pensamentos sombrios e encarei a praça de Mystic Falls. Não havia mais muitas pessoas na rua, o que me deixou até satisfeita. Assim eu poderia pensar com clareza, já que amanha seria um novo dia. E eu realmente conquistaria o capitão do time. Ou seja lá qual fosse a posição que Stefan Salvatore ocupasse. Porque sim, eu sabia que ele ocupava uma.
Ah, Mystic Falls.
A pequena cidade da fofoca!
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