Destinos Cruzados
2 Capítulo II
Notas iniciais
Capítulo II.
“Às vezes parece que o caminho é árduo demais e as coisas dão errado, não importa o que eu faça, de vez em quando é como se a vida pesasse demais. Mas você tem o amor que eu preciso para conseguir superar.”
Clementine — Sarah Jeff.
LONDRES DE 1358.
Havia semanas que mamãe estava ansiosa pela visita de um novo Lorde, claro que para mim, isso não fazia muita diferença, aos doze anos, tudo que eu queria era continuar correndo pelos campos de uva do papai e cavalgar sem ter um esposo a me controlar. Mas, para mamãe, isso era abominável, afinal, o que eu faria, se não casar-me? Ficaria velha e horrível? Trabalhando como governanta em minha própria casa? Oh não! Isso era um destino terrível! Antes casar-se, gerar muitos filhos e dar continuidade a nossa geração.
Os poderosos Swans.
Eu acariciava Cristhor, o cavalo puro-sangue que eu ganhara de papai aos seis anos, Charlie costumava dizer que quanto mais cedo eu aprendesse a cavalgar, mais isso me seria útil durante a vida. Eu nunca contestei sua sabedoria.
– Senhorita Swan! – Suzzanne apareceu na porta dos estábulos, o vestido impecável, assim como os cabelos escuros. Era de bom costume que as damas de companhia andassem sempre bem arrumadas, afinal, elas eram sempre vistas com suas senhoras.
– Olá Suzzanne! – Cantarolei aproximando-me dela e puxando-a para dentro do estábulo, Suzzanne resistiu e ao invés, puxou-me em direção a casa. – O que há? – Meu tom se tornou preocupado. – Algo errado?
– Não senhorita! Mas o Lorde está aí. Ele veio vê-la! – Ela sorriu amplamente me encarando. – Ele é muito bonito, Srta. Swan! Como é sortuda em casar-se com um homem tão belo!
– Suzzanne! – Eu a repreendi, tomada pela vergonha e pelo desgosto. Vergonha por ser tão jovem e desgosto por estar casando-me e não impondo uma espada e lutando pelo meu povo. Porém, era impossível, nem mamãe, nem papai e nem meu povo concordariam jamais com tal possibilidade.
– Vamos Senhorita! Precisa vê-lo! – Suzanne chamou-me animada mais uma vez e eu suspirei rendida, deixando-me levar por ela até os jardins, encontrando assim, mamãe, papai e o cavalheiro conversando polidamente entre si. Tudo que pude ver, observando suas costas, eram os braços fortes e a estatura alta e imponente. Os cabelos eram de um tom bonito de castanho e ele possuía um perfume envolvente.
– Oh! Ela chegou! Aproxime-se, Bella. Cumprimente ao Lorde. – Mamãe ordenou suavemente e eu me aproximei dois passos com a cabeça baixa.
– Olá Senhor. – Eu segurei a barra das saias e flexionei as pernas como mamãe havia me ensinado nos dias anteriores. – Seja bem vindo a residência Swan. É um prazer conhecê-lo.
– Olá, Senhorita Swan. – Sua voz era rouca e suave e instantaneamente eu ergui os olhos encontrando profundos olhos verdes. – É um prazer conhecê-la. Sou Stefan Salvatore.
– Bom dia, bela adormecida. – Charlie sorriu dando duas batidinhas no vidro do carro. Eu me ajeitei sobre o banco e espiei pela janela. Estávamos em frente a um hotel característico de cidade pequena.
– Bom dia, pai. – Eu respondi, abrindo a porta do carro e saltando para fora enquanto esticava as pernas dormentes pelas horas de viagem. – Onde estamos?
– Mystic Falls. – Ele sorriu mais uma vez, e achei que Charlie andava sorrindo muito ultimamente, talvez isso se devesse ao fato de que eu passei metade do caminho chorando. – Você está bem? – Me esticou um copo de café.
– Estou bem, pai. – Respondi calmamente bebericando o liquido quente e amargo. – E como vai ser? Pai e filha, órfãos? Adolescente? Fixa ou de passagem.
Ele deu de ombros.
– Você escolhe, Bells. – Usou o apelido que eu ouvia desde pequena. – Se quiser ficar, posso providenciar uma casa e móveis novos, você sabe.
Eu olhei ao redor da cidade. Estranhamente, eu me sentia mais nostálgica aqui do que já estive em qualquer outro lugar, talvez porque a atmosfera da cidade me lembrasse de casa.
– Acho que quero ficar. – Murmurei finalmente depois de alguns minutos. Virei-me para Charlie e o ajudei a levar nossa bagagem para dentro do hotel. Desde o abandono de Edward, Charlie e eu não conversávamos sobre o ocorrido. Eu sentia como se fosse uma ferida aberta latejando frequentemente, mas era provável que isso logo passasse. Em toda minha existência, coração partido nunca foi a pior coisa que podia me acontecer. Depois de fazer a entrada na pequena pousada, com uma senhora idosa e gorda que achou que Charlie e eu éramos um casal, meu pai se despediu e foi providenciar todas as coisas para nossa estadia. Ele havia feito isso com tanta freqüência nas últimas décadas, que realmente estava mais do que acostumado.
Eu separei uma troca de roupa das malas, um jeans escuros e uma blusa de mangas curtas preta e uma sapatilha clássica também preta. Então me preparei para tomar um banho e logo após, talvez conhecer a cidade e quem sabe, fazer novos amigos. No inicio, Charlie achava repugnante a ideia de se relacionar com os humanos, no entanto, era mais do que solitário viver uma eternidade acompanhada somente de seu pai.
Assim que saí do banho, passei pela senhora idosa e ela me encarou curiosa. Revirei os olhos, porém sorri gentilmente em sua direção.
Caminhei por alguns bons metros até encontrar uma lanchonete. O nome não me parecia muito original, o lugar era lotado e parecia ser a única lanchonete da pequena cidade. Eu empurrei as portas do Mystic Grill e me aproximei do balcão. Um garoto loiro fazia malabarismos para servir bebidas, e ainda assim, conseguia conversar com uma garota morena que agora estava sentada ao meu lado.
– Oi, o que vai querer? – O garoto se aproximou de mim com um pano nos ombros.
– Hum, me vê uma dose de qualquer coisa. – Eu murmurei e ele arqueou uma sobrancelha, soltando um assobio que certamente eu não deveria ouvir. Senti os olhos de alguém em mim, e virei o rosto notando a garota morena me olhar duvidosa. Ela tinha cabelos levemente cacheados e estatura mediana. – Aqui está. – Ele pousou o copo na minha frente.
– Obrigada, Matt. – Sorri agradecendo-o.
Ele arregalou os olhos instantaneamente e seu coração deu pulo.
– Como sabe meu nome?!
Franzi as sobrancelhas confusa com sua reação exagerada e em seguida ri baixo, apontando para o crachá em seu peito. Matt Donovan corou como um pimentão e a garota ao seu suspirou parecendo aliviada. Eu franzi as sobrancelhas estranhando o ato, mas não resolvi comentar, certamente não surtiria efeito positivo.
– Bom, você já sabe meu nome. – Ele deu de ombros. – Posso saber o seu?
– É Isabella.
– É um prazer, Isabella. – Ele esticou a mão e eu o cumprimentei. – Seja bem vinda ao Mystic Grill e a Mystic Falls também. Você é nova por aqui, não é?
Dei de ombros. – É o que parece. – Virei o resto do liquido do copo, liquido este que continha uma pequena dose de verbena, ao menos o suficiente para denunciar um vampiro. O que era estranho. O que diabos esse bar fazia distribuindo verbena nas bebidas da cidade? Será que por acaso, haviam tantos vampiros assim por aqui? Isso não era bom. Eu tinha gostado de Mystic Falls, mas não queria atenção sobre mim. – Bom, obrigada Matt. Até mais.
Eu me virei e dei as costas em direção as portas do bar. Mas antes disso, ainda pude notar a garota morena que descobri ser Elena Gilbert e Matt Donovan, comentar com outros dois adolescentes e outra garota loira, o quão estranha e comum eu era.
E eu não gostei nada disso.
You Got The Love - Florence And The Machine.
Mais tarde, naquele dia Charlie me questionou sobre ir embora da cidade ou realmente continuar nela. Eu pedi para ficar, primeiro por algum motivo que eu não sabia qual, mas depois me convenci que os amigos de Matt Donovan não seriam um problema. Principalmente para mim e Charlie, estávamos acostumados demais a nos passar por humanos, nem verbena e nem soleiras de portas podiam nos denunciar. E isso era um alívio completo.
– Bom, está tudo pronto, então. Podemos nos mudar amanhã pela manhã, inclusive, você pode começar as aulas. – Charlie sorriu de canto enquanto levava uma bolsa de sangue aos lábios, sugando-a.
– Eca. – Eu resmunguei. Tanto pelo sangue frio quanto pela escola. – Isso é mesmo necessário?
– Você parece ter dezessete anos, Bella. Precisamos manter as aparências. – Ele repetiu o que sempre dizia quando eu me lamuriava sobre o colegial. – E ainda terá um pai xerife.
Franzi as sobrancelhas.
– Já não tem uma xerife aqui?
Ele assentiu. – Tem. Muito bonita por sinal, Xerife Forbes. Vamos trabalhar juntos. – Deu um sorriso quase sacana.
– Eca pai! – Eu apontei para minha própria boca, como se estivesse prestes a vomitar, e eu realmente estava. O cheiro de sangue frio estava me enjoando profundamente. – Eu vou dar uma volta. – Gesticulei com o indicador. – Enquanto você toma... Isso. – Fiz uma careta e Charlie riu.
– Cuidado, Bells. Nada de chamar atenção. – Alertou encarando-me sério.
– Pai, eu tenho quase 700 anos. Isso é mesmo necessário? – Revirei os olhos e Charlie deu de ombros.
– É sempre bom repetir. Tenha cuidado, querida. E divirta-se. – Eu assenti inutilmente e me aproximei dando-lhe um beijo na bochecha. Voltei a abrir a porta do quarto de hotel e caminhei novamente até o Mystic Grill. Talvez se eu fizesse amizade com Matt Donovan, ele me apresentasse as coisas divertidas dessa cidade.
LONDRES DE 1360.
– Feliz novo ano! – Stefan sussurrou ao pé do meu ouvido e meus poros se arrepiaram com seu hálito frio.
– Feliz novo ano, Stef! – Eu sorri virando-me em sua direção e jogando meus braços em torno de seu pescoço. Não havíamos nos casado tão rapidamente como eu julgava, o que me deu tempo o bastante para conhecer Stefan e apaixonar-me por ele. Stefan Salvatore sempre seria o amor de minha vida, naquela época, tudo que eu mais desejara era desposar-me dele. – Faltam poucos meses.
Ele sorriu, um sorriso que iluminou seus olhos verdes e que aqueceu meu coração.
– Sim, minha querida. Poucos meses e então, estaremos juntos sem reservas. – Ele se aproximou roçando o nariz na pele desnuda do vão entre meu rosto e pescoço. – Não vejo a hora que isso aconteça. Eu te amo, Bella.
Eu sorri.
– Eu te amo, Stefan.
Balancei a cabeça para espantar as lembranças. Tudo isso já fazia muito tempo e não era uma coisa da qual eu gostaria de reviver, assim como Edward, Stefan era um fantasma do passado, porém, um muito mais agressivo para minha sanidade.
Eu mais uma vez naquele dia abri as portas do Mystic Grill, como de manhã, os amigos de Matt Donovan estavam lá, e todos, sem excessão encararam-me quando eu atravessei o local até o balcão.
– Oi! – Uma garota loira surgiu na minha frente e eu recuei dois passando, colocando uma distância entre nós. – Eu sou Caroline Forbes! Você é Isabella, isso?
– Sim. – Arqueei uma sobrancelha em sua direção, mas isso não pareceu intimida-la.
– Gostaria de conhecer meus amigos? – Ela abriu um sorriso maior ainda e eu ponderei por alguns minutos, por fim, dei de ombros e aceitei, ela puxou-me em direção a mesa em que eles estavam sentados, então apresentou um por um como uma locutora de rádio.
– Essa – Ela apontou para uma garota morena, os cabelos iam até os ombros e eram levemente cacheados. – É Bonnie. – Bonnie acenou simpaticamente e eu retribui seu gesto. Já conhecera uma Bennett na vida e fiquei surpresa por existir uma bruxa em Mystic Falls, fazia algum tempo que eu não encontrava uma. Ela apontou para a próxima garota, Elena Gilbert, a amiga de Matt Donovan. – Essa é Elena. – Eu acenei para ela e ela sorriu. Ela indicou o garoto ao lado dela. – Esse é Jeremy, ele é irmão da Elena. E esse – ela indicou o moreno que estava do outro lado de Elena, julguei que eles fossem namorados, primeiro porque seu braço pousava sobre o ombro dela e segundo porque ele me encarava como se eu fosse uma ameaça e estivesse prestes a arrancar a cabeça dela. – É o Damon, ele não é muito legal, mas faz parte da turma.
– Valeu loira. – Ele fez um sinal de positivo e sorriu com sarcasmo.
Caroline se sentou e eu a imitei, sentando-me entre ela e Jeremy Gilbert.
– Por nada, você sabe que é verdade, Damon. – Ela sorriu não se importando em ofende-lo.
– Bom, é um prazer conhecer todos vocês. – Eu sorri para eles e Damon apoiou os cotovelos sobre a mesma, me encarando com uma sobrancelha arqueada e um sorriso debochado.
– É, acho que sim. Então... – Ele arrastou a palavra. – De onde você é, Isabella?
Eu sorri igorando suas atitudes.
– Londres.
Caroline bateu palmas animada e só então eu notei que não era para a minha recente resposta. Ela olhava para algo atrás dela e assim que eu acompanhei seu olhar, meu coração perdeu uma batida.
– Stefan – Ela gritou animadamente enquanto corria até ele e o abraçava. Meus olhos se arregalaram e por um momento o ar pareceu pesado demais para adentrar meus pulmões. – Você veio! Vem, deixa eu te apresentar alguém. – Ela o puxou até mim, e eu varri sua expressão com os olhos. Meus olhos marejaram instantaneamente. Caroline se aproximou o bastante para que eu pudesse vê-lo mais claramente. O mesmo cabelo, os mesmo olhos, os mesmos lábios. Era ele. Era...
– Stefan... – O nome saiu como um sussurro dos meus lábios e antes que eu pudesse reprimir meus movimentos, joguei-me com força em seus braços.
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