Destinos Arranjados

15 Sob a Neve Branca


Notas iniciais
Olha quem voltou: a fic de Ashe e Trynda mais badalada de todos os tempos o/ sapoekapseokapoeksapoekapseokap Como eu expliquei em alguns comentários, postagens e no meu perfil aqui, dei essa sumida pq estou passando por uma fase difícil na minha vida, com diversos problemas pessoais (só para vocês terem uma ideia, minha mãe chegou a capotar o carro voltando de viagem e o ônibus coletivo em que eu estava foi assaltado, o cara apontando a arma e o outro dizendo que ia explodir cabeças, credo), então estava sem tempo e sem cabeça para escrever, me desculpem por fazê-los esperar tanto tempo =/ A propósito, eu e minha mãe estamos bem, não se preocupem. O capítulo não ficou muito grande pq eu estava querendo postar logo para não deixar vcs na mão por mais tempo, não me matem e nem me abandonem, por favor T.T Como essa nota ficou grande, não vou colocar as considerações que estão presentes todas as vezes, mas vocês já sabem, não é mesmo? =] Espero que gostem!! ♥_♥

A noite gelada parecia se estender mais do que o normal naquela ocasião e o silêncio era tão abundante que podiam ouvir os barulhos distantes trazidos pelo vento. A investigação resultou em boas informações: os trolls sequestravam pessoas para que fossem obrigadas a trabalhar para eles confeccionando armas e acessórios de combate, mas esses últimos eram pequenos demais para o tamanho normal de um troll, pareciam armaduras para humanos. Desconfiou-se que os próprios escravos seriam obrigados a lutar, mas certamente de que isso não era uma boa decisão, afinal, na primeira oportunidade fugiriam ou seriam mortos sem dificuldade. A certeza que ficou é de que alguma tribo grande se aliara aos trolls, só restava saber qual.

Essa informação nem mesmo aqueles seres estranhos pareciam saber, pois os investigadores não obtiveram pistas que indicassem o destino daquelas peças, só estavam armazenando um grande estoque em diversas cavernas. O chefe da tribo atendia pelo nome de Trundle, um exemplar raro de sua espécie, esperto demais para um, mas vez em quando se referia a uma terceira pessoa como se devesse cumprir suas ordens, chamando-a apenas de “ela”. Chegou a cogitar que “ela” fosse Sejuani, mas a julgar pela sua expressão intrigada e repúdio a seres que considerava tão inferiores, afastou momentaneamente a hipótese. Levou horas a fio listando mentalmente as pessoas suspeitas e tinha uma pequena lista, a Dervixe de Gelo encabeçando ela.

Nunca fora com a cara daquela mulher, tinha uma sensação estranha perto dela, como se tudo o que falasse fosse falso e frio, por mais que sorrisse e se mostrasse amigável. Com certeza ordenaria uma investigação minuciosa quando voltasse para casa.

Agora tinha que se manter focado na batalha que estava por vir. Adiantou-se em passar todas as informações para Ashe por uma Voz do Vento, meio de comunicação tão seguro que não podia ser violado, mesmo que fosse interceptado. A mágica poderosa de Anivia só permita que o próprio destinatário da mensagem autorizasse sua reprodução e o tempo de viagem também era reduzido em dias, visto que a pequena ave de gelo não precisava parar para descansar ou caçar.

O cerco estava armado a vários metros da tribo, muito bem escondido, esperando romper a aurora para que os trolls se recolhessem; tinham o costume de despertar à tarde, mas, dessa vez, acordariam mais cedo.

Quando o sinal foi avistado no horizonte, o primeiro pelotão avançou o mais quieto que pôde; eram responsáveis por resgatar os prisioneiros e tirá-los de lá em segurança. O segundo pelotão avançou em seguida, se responsabilizando pelo apoio da fuga, prestando guarita e socorrendo os mais necessitados. À frente do primeiro grupo estavam Tryndamere e Olaf, Sejuani seguia comandando o segundo. Foi inflexível ao exigir que ela não tomasse a dianteira, pois certamente faria algo fora dos planos; também não a queria sozinha com Olaf lá atrás, seria muito fácil armar uma emboscada ou o abandonar à própria sorte.

Os sentinelas que deveriam alertar seus companheiros sobre o ataque iminente, estavam dormindo em seus postos, como já era de se esperar; sequer sentiram quando as lâminas dos guerreiros com mais destreza abriram um rasgo extenso em seus pescoços e o sangue jorrou à frente. Prosseguiram com facilidade até o local onde os prisioneiros ficavam e essa foi, de longe, a pior parte até então.

Uma grande quantidade de pessoas esqueléticas e muito pálidas se amontoavam em um canto para evitar o frio, as poucas peças puídas que usavam não eram o suficiente para se aquecer; puderam notar muitas manchas de sangue em seus corpos e uma quantidade considerável de fuligem acumulada em suas peles e cabelos. No outro canto relativamente próximo, aqueles que não suportaram e morreram foram jogados em uma pilha e nem mesmo tanta frieza era capaz de abafar o cheiro de putrefação, bem como o mau odor dos excrementos humanos que se encontravam numa outra pilha ao lado.

Os que estavam em melhores condições foram avisados da fuga e prepararam os outros, desse modo, a maioria deles estavam acordados quando chegaram. Pouco a pouco foram saindo pela abertura na grade que fizeram antecipadamente, andando o mais silenciosamente que podiam. Tryndamere observava de longe a movimentação e se mantinha alerta a qualquer sinal de problema, mas não foi preciso nenhuma medida emergencial; todos conseguiram sair e se afastar o suficiente sem dificuldades.

Ordenou que uma parte dos guerreiros se apressassem em encontrar o pelotão de Sejuani para que estes levassem tantos debilitados para um local seguro, o mais afastado possível daquela tribo, e que os alimentassem imediatamente. Logo pôde notar que aquelas pessoas vieram de diferentes lugares de Freljord e ficou muito curioso em saber se também havia praeglacius ali. Mas isso teria de ficar para depois, agora tinha outro assunto para resolver.

Quando não se podia mais ver os prisioneiros no horizonte, avançou em marcha para a entrada da tribo junto com os vários soldados da aliança. Ao passar pelo portal, começou a gritar.

— Trundle! Acorde, seu verme. Acorde!— Os seus começaram a fazer barulho para despertar os trolls adormecidos, ainda levou alguns minutos para que entendessem o que estava acontecendo. Continuou quando avistou o líder das criaturas em frente à caverna mais ao fundo do local. — Quem você pensa que é para sequestrar o nosso povo desse jeito? Vocês sequer sabem cuidar de si e do seu lar!

Não tiveram de esperar muito mais para que os trolls saíssem um tanto atordoados e começassem a se espalhar com tacapes em mãos. Um menor cochichou algo ao líder, sua expressão era apreensiva. Trundle logo respondeu:

— Ora, se já levaram o que vieram buscar, porque não nos deixam dormir em paz?

— Por que vocês devem receber uma punição por tais atrocidades. Eu, Tryndamere, o Rei Bárbaro, os condeno à morte por sequestrar, torturar, mutilar e matar dezenas de pessoas inocentes.

— Você não tem autoridade aqui, bárbaro — Retrucou Trundle, com petulância — Vá embora e os deixaremos viver.

Gargalhadas irromperam por entre o pelotão invasor, parecia que todos partilhavam o mesmo pensamento. Estavam em menor número, mas suas habilidades superavam, e muito, as das criaturas.

— Vamos, guerreiros, isso vai ser um grande massacre! — Trynda gritou, levantando a espada pesada, gesto que foi seguido pelos demais — Vamos à batalha!

— Finalmente! Um pouco de diversão — Olaf gritou ao seu lado, disparando em frente montado em seu cavalo-urso, já brandindo o machado de guerra.

O que se viu foi um banho de sangue. Trolls golpeavam e esmurravam tudo o que alcançavam, mas muitas lâminas eram mais rápidas que seus braços pesados. Fêmeas e até mesmo alguns filhotes entraram na briga; ninguém se importava, estavam em um frenesi sedento de morte.

— Ei! — Uma voz feminina se fez audível diante da batalha — Bristle parece estar com fome hoje, não esqueçam de nós!

Sejuani e metade do seu pelotão corriam para se juntar à luta e, por um longo período de tempo, perfuraram e deceparam tudo o que viram pela frente. Corpos formavam pilhas cada vez maiores pelo chão e os dois homens contabilizavam cada vida tirada aos risos, até que um vulto estranho desviou a atenção do moreno.

Por uma fração de segundo, viu uma figura alta, esguia, de longa trança branca a lhe cair pelas costas e uma espécie de chapéu lateralmente pontudo passar como um raio por entre os morros mais baixos em direção a montanha logo acima. Apurou sua visão, mas a tal criatura havia sumido. Foi quando avistou Trundle próximo ao pé da montanha, seu bastão de Gelo Verdadeiro tingido de vermelho; não havia tempo a perder.

Partiu em sua direção urrando sob o calor da luta, mas um tremor peculiar o fez parar a poucos metros do seu alvo, procurando a fonte de tal perturbação. Olhou para cima e novamente vislumbrou a figura pitoresca no pico, antes de perceber a imensa avalanche que ganhava forma em sua direção.

Todos os outros devem ter visto neste exato momento, pois se iniciou uma verdadeira corrida para o mais longe possível, entre berros desesperados de alerta.

— Tryndamere — Sejuani gritava, bem mais adiantada — Mais rápido!

O rei atiçou o cavalo, que já cavalgava desenfreadamente para fugir da morte, mas toda a sua agilidade não foi páreo para a imponência da neve que descia como uma fera monstruosa engolindo tudo o que achava pelo caminho. Sentiu seu corpo ser arremessado quando o terror os alcançou, fazendo as patas do animal afundarem e suas costas baterem com força contra o chão antes de tudo se tornar escuro e o peso acima de si ficar insuportável.

— Tome esse chá de camomila, senhora, vai lhe fazer bem — Lesrie insistia, segurando uma xícara de porcelana branca com detalhes em alto relevo pintados de dourado, uma peça delicada do enorme e raro conjunto que ganhara de presente de casamento de um mercador bem-sucedido — segundo ele, pertenceu a uma rica família de Demacia, um país lindo, florido e de alegria contagiante.

— Não quero, já não faz mais efeito — Desde que tivera um mal pressentimento repentino há quase duas semanas atrás, se sentia inquieta demais para relaxar. Seu sono era perturbado por pesadelos e seus dias eram uma profusão de problemas.

Como se não bastassem todos os seus conflitos internos, a cidade caminhava para uma divisão nada amistosa após o corpo sem vida da vendedora de verduras ter sido encontrado no mato e um bárbaro detestável ser o principal suspeito — tão suspeito que estava foragido. O povo bárbaro era difícil de se lidar, orgulhosos e esquentados, a maioria gostava de resolver tudo à base de porradas; já os avarosianos eram mais calmos, porém não gostavam de ouvir desaforos e tratavam com arrogância e desprezo quem os irritasse. Era um ciclo vicioso.

O número de reclamações dos avarosianos sobre o comportamento dos bárbaros estavam aumentando e, sem a ajuda de Tryndamere, ficava complicado dialogar e buscar uma solução amigável, nunca lidara com tanta gente teimosa e briguenta sozinha. E pensar que não poderia mais contar com o auxílio de seu marido a deixava ainda mais exasperada. Quando ele voltasse, teria de fazer o que era certo: tratá-lo como um suspeito de alta traição, interrogá-lo e, se fosse provado, condená-lo à forca.

Uma parte de si desejava loucamente que suas suspeitas não passassem de paranoia e que ele continuasse a ser o homem que ela aprendeu a gostar, entretanto, uma outra parte de si tinha certeza de que ele tivera a coragem de enganá-la por todo esse tempo. Não podia deixar de pensar no quanto fora ingênua e descuidada.

Foi por isso que minha mãe morreu: descuido, pensou ao recordar a decisão errônea que levou ao fim a vida de sua amada progenitora. Preciso voltar a mim e ficar ainda mais atenta, não posso vacilar agora.

— Tudo bem, dê-me aqui este chá — Tomou a xícara das mãos de Les e bebeu em dois goles apressados, voltando a caminhar de um lado para o outro — Alguma notícia de Tryndamere e os outros?

— Nada, senhora, também estou achando estranho, faz tempo que não mandam relatórios, não é? O que pode ter acontecido?

— Alguma coisa deu errado, certamente. Se estivesse indo como o planejado, já teriam mandado um parecer. Talvez os trolls tenham interferido e causado sérios problemas…

— Não tem como tentarmos entrar em contato com eles?

— Já tentei mandar uma Voz do Vento para Tryndamere e para o líder do grupo especial de investigação, mas ambas não alçaram voo, veja com seus próprios olhos — Ashe apontou para uma das prateleiras da Sala do Conselho e Les pôde observar duas pequenas aves de gelo completamente imotas, como se fossem algum tipo de enfeite.

— O que isso significa?

— Que a ave não pode encontrar o destinatário. Mas porquê? É o que eu não sei explicar. Será que estão tão perdidos no Leste que nem a Voz consegue achá-los? Que tipo de lugar terrível é esse? — Parou e olhou para a intendente como se somente agora tivesse se dado conta de algo importante — E que espécie de rainha eu sou se nem conheço direito as terras que tento governar?

Lesrie preferiu manter-se em silêncio, sabia que nada do que dissesse a faria mudar de ideia; reclamava tanto do rei, mas, às vezes, era tão cabeça-dura quanto ele.

— Já mandei algumas tropas da Torre da Fronteira patrulharem a região próxima a fim de obter respostas e ajudar em alguma coisa. O prazo normal para imprevistos está se acabando; se continuar sem contato, vou mandar tropas de busca para o leste.

Mal tinha fechado a boca quando uma Voz do Vento entrou pela janela e parou em seu ombro. Ambas se sobressaltaram e trocaram olhares ansiosos. Ao dar o comando, a pequena moeda que a ave deixou sair em sua mão trazia o símbolo dos Sentinelas da Fronteira.

Saudações, Vossa Majestade— Começou a voz do chefe dos Sentinelas — Este é o relatório que me foi dado para que a informasse: A missão fora completada, todos os prisioneiros foram libertados e estão sendo escoltados de volta para suas casas. Uma pequena equipe adiantada deve chegar na capital em breve, mas não levam boas notícias. Estaremos à vossa disposição.

Dito isso, o pássaro se desfez em uma pequena bolinha azul.

— O que ele quis dizer com “não levam boas notícias”, senhora? — Les parecia alarmada.

— Certamente tivemos baixas, alguma batalha deve ter acontecido. Já era de se esperar, trolls e bárbaros juntos… — Tentava disfarçar o nervosismo aventurando convencer a si mesma de que não eram notícias tão graves, mas algo lhe dizia ao contrário.

O sol do terceiro dia estava baixo no horizonte e o céu pintado em tons de vermelho e laranja quando a reduzida equipe chegou ao castelo e solicitou a presença da rainha, que lia e assinava montes de papéis na Sala do Conselho. Les seguiu em seu encalço, quase correndo para acompanhá-la; estava aflita demais para esperar. A primeira coisa que notou ao entrar na sala do trono foi a falta de uma figura alta, musculosa e de longos cabelos negros ali. Esquadrinhou à volta e não havia mais ninguém além dos três homens que a aguardavam.

— Onde está Tryndamere? — Seu coração estava estranhamente disparado e as palavras saíam de sua boca sem controle.

— Majestade… — Eles ajoelharam-se e fizeram uma longa reverência. O mais velho continuou — Estávamos lutando contra os trolls quando houve uma avalanche e… nós sentimos muito, não pudemos fazer nada… — Retirou um objeto da sacola em que carregava e o entregou a Ashe.

Lesrie levou a mão à boca e abafou uma espécie de grunhido pasmado.

A dor que atingiu seu peito ao constatar que aquele era mesmo o elmo do seu marido fora tão grande que suas pernas perderam a força e seu corpo desabou em cima do trono. De repente, uma coisa tão simples como respirar parecia muito difícil. Seu coração havia parado de bater e sua alma devia ter saído do corpo, porque não ouvia, sentia ou via mais nada. Estava sentada completamente imóvel, o olhar fixo no que segurava frouxamente, lutando para continuar levando ar para os pulmões. Sua mente era uma grande tela em branco, se lhe perguntassem, não saberia nem dizer o próprio nome; estava em um estado de choque tão grande que nem viu quando Gragas entrou no recinto, vociferando:

— Ele é meu amigo! Eu exijo saber que história é essa de que Tryndamere não voltou com os soldados, estão comentando pela cidade inteira!

A expressão indignada do homem se desfez quando seu olhar recaiu sobre o elmo no colo de Ashe.

— Não… Não pode ser… — Gaguejou — O que diabos aconteceu?

— Estávamos em uma batalha contra os trolls quando uma avalanche caiu sobre nós. Foi muito rápido, quando vimos a neve despencando, corremos todos para longe, mas o rei estava próximo da montanha e não deu tempo…

— Conversa! — O ruivo interrompeu — Isso não seria o suficiente para matá-lo! — Sua voz falhou, pensar nessa possibilidade era terrível.

— Foi um volume muito grande de neve, Gragas, havia troncos e pedras pelo meio — O mais novo se manifestou, um olhar tão triste quanto o dos seus companheiros — Levamos vários dias o procurando e a única coisa que achamos foi o elmo.

— Decerto que não procuraram direito! — O gordo gesticulava, muito nervoso — Vocês cavaram? Colocaram animais para farejar?

— Sim, é claro! Até Sejuani ajudou a…

Sejuani? — A menção desse nome despertou Ashe do seu torpor.

— Exatamente, senhora. Ela ordenou que os seus homens nos ajudassem, até aquele javali que ela monta tentou farejá-lo.

— Que interesse ela teria em salvá-lo? Afinal, são inimigos, não são? — Voltou-se diretamente para o ruivo, cerrando os olhos. Uma fúria começava a crescer dentro de si, misturando-se aos outros sentimentos.

— Obviamente que um bárbaro prefere derrotar seu inimigo com as próprias mãos, minha rainha— O tom do homem nas últimas duas palavras era irônico.

— Será mesmo? — Devolveu, levantando-se. Mudou o tom de voz antes de se dirigir aos seus soldados — Vocês fizeram mesmo tudo o que podiam para encontrá-lo?

— Sim, senhora, procuramos em todos os lugares possíveis, mas a camada de neve era muito grossa e densa. Os poucos corpos que achamos estavam mortos, então… não tem como o rei ter sobrevivido. Eu sinto muito…

— Tudo bem, vamos preparar um funeral simbólico e…

— Pare com isso! — Gragas estava visivelmente vermelho de raiva — Ele não morreu!

— Senhor Gragas, por favor… Todos estamos abalados com a notícia, tenha calma — Les começou, mas o homem sequer tentou escutar.

— Ora essa, não me diga o que fazer, menina, cale a boca!

— Cale-se você! — Ashe perdeu a paciência, já estava farta daquela petulância — Não tem o direito de falar assim com ela, muito menos de entrar no meu castelo, ofender a todos e proferir idiotices.

— Idiotice é aceitar uma coisa dessa tão facilmente e não fazer nada, NADA!

— E o que mais você quer que eu faça? ELE ESTÁ MORTO!

— NÃO, ELE ESTÁ VIVO, EU SEI QUE ESTÁ! MANDE UM GRUPO MELHOR EQUIPADO PROCURAR NOVAMENTE!

Os gritos de ambos reverberavam pelas paredes da sala, fazendo os outros se encolherem e prenderem a respiração com a tensão no ar.

— ISSO É PERDA DE TEMPO E DE RECURSOS, ELE ESTÁ SOTERRADO HÁ DIAS! SE NÃO MORREU COM O IMPACTO, MORREU DESIDRATADO, CONGELADO!

— POR QUE VOCÊ INSISTE EM ACEITAR ISSO? — O ruivo partiu para cima dela, agarrando seus braços finos e sacudindo seu corpo magro como uma boneca. Só agora Ashe notou que os olhos do homem estavam cheios de lágrimas — PORQUE ESTÁ DESISTINDO?

Os três homens sacaram suas espadas, e até mesmo Les sacou uma adaga, e apontaram para Gragas.

— Solte a rainha — O mais velho falou calmamente — Não queremos fazer isso.

Os olhos azul-cristalinos do ruivo encararam por algum tempo os olhos azul-piscina da mulher antes de soltá-la. As palavras dele a afetaram mais do que deixou transparecer; se Tryndamere era um traidor e não merecia o seu esforço, porque seu coração doía tanto?

— Me desculpe, fiquei fora de mim — Falou cabisbaixo, massageando as têmporas com um suspiro — Por favor, Ashe...

— Deixem-nos a sós — Todos obedeceram sem contestações. Quando fecharam a porta, continuou — Você ouviu o que eles disseram, é impossível que ele tenha sobrevivido.

Não, não é impossível! Eu sei que ele pode estar vivo, acredite em mim.

— Como você tem tanta convicção disso? Vai continuar me escondendo coisas mesmo depois da morte do seu amigo? Ele era o… — meu marido, o homem de que eu gostava, pensou, mas não conseguiu dizer. Engoliu em seco antes de completar — … o rei. Não pense que estou feliz com essa notícia.

— Não me parece estar triste também — Gragas não pôde se conter — Quem o ouvia falar, achava que vocês estavam apaixonados. Vejo agora que isso só dizia respeito à parte dele, você só pensa no reino. Mesmo num momento como esse, é dura e fria feito uma pedra de gelo — Sentou-se no chão elevado onde ficavam os dois tronos e coçou a cabeça como se sentisse dor.

Ashe abriu a boca para responder, mas lhe faltaram as palavras. Não se abalou com a ofensa, afinal não era de todo mentira, mas sim com a revelação que ele fazia. Seu peito estava tão apertado que chegava a sufocar, um nó comprimia sua garganta com força e todo o seu corpo formigava com tanta tensão acumulada. Sua voz não foi mais do que um sussurro fraco quando tomou coragem para perguntar:

— Tryndamere disse a você que estava apaixonado por mim? — Seu tom soou incrédulo.

— Não com essas palavras, no entanto a gente percebe essas coisas.

— Então você deve ter percebido errado — Não sabia se estava falando para convencer o homem ou a si mesma. Pensar que ele era um crápula dava a impressão de abrandar a dor, mas a realidade era que ela só piorava conforme suas próprias convicções caíam por terra.

— Isso também não importa mais, para você ele já está morto e enterrado, não está? Pois esteja certa de que para mim não está — Levantou-se para sair de lá, estava perdendo um tempo precioso, seu amigo precisava de ajuda.

— Por que você diz isso? Fale logo de uma vez! Como você espera que eu confie se insiste em me esconder algo?

Gragas parou no meio do caminho para as grandes portas, refletindo. Depois de alguns momentos, suspirou pesadamente e deu meia volta.

— Tudo bem, Ashe. Nós não temos muito tempo, então mande uma equipe agora para lá e preste bastante atenção. Eu vou lhe contar tudo.

Mesmo depois das baixas em uma parte do seu exército, Lissandra se sentia muito satisfeita. Estava de volta à sua casa nas ruínas da antiga Freljord, um ambiente escuro, extremamente frio e decorado com várias estalactites e estalagmites de Gelo Negro que ela mesma providenciara. Teria de passar um tempo ali para refazer seus planos e esperar a poeira baixar; não tinha pressa, tempo era uma coisa que não lhe faltava.

Mandara Trundle levar os trolls que sobraram para uma outra tribo da mesma espécie ainda mais ao leste, carregando as armaduras que conseguiram recuperar após a saída das tropas de Ashe e Sejuani do local. Era verdade que não planejara o que aconteceu, mas não podia estar mais feliz com o acontecido.

— O grande e maravilhoso Rei Bárbaro, morto por uma avalanche!— Lissandra gargalhava, nada poderia deixar aquele povo mais embravecido do que seu líder não ter uma morte considerada digna por eles; e essa certamente não era uma delas — Sua rainhazinha será ainda mais fácil, querido. Quem viver, verá.

Notas finais
Que triste, viu, minha gente? =/ Muitos conflitos, muitos... Espero que tenham gostado, estou aguardando os comentários, to morrendo de saudade de vcs!! ♥____♥ Bjs e até o próximo!