Notas iniciais
Olá, amores! Estava morrendo de saudades, mas estava sem poder terminar o capítulo (nem os comentários eu pude responder), então resolvi postar o que já tinha pq estava demorando demais e eu realmente odeio deixar vcs esperando. Me perdoem novamente por esse super sumiço, minha vida está uma loucura =/ Está bem pequenininho, foi só para não deixar vcs ainda mais tempo sem nada mesmo =/ Espero que gostem e que continuem comigo! ♥♥♥♥ Vamos lembrar: — Atualização a cada duas semanas (esse prazo pode ser estendido caso haja algum imprevisto, peço desculpas se acontecer); [[[[ Ta difícil cumprir essa parte, perdão T.T ]]]] — Essa fanfic é apenas BASEADA na história oficial dos personagens, NÃO quer dizer que se manterá fiel ao que o jogo já tenha divulgado ou divulgará. Semelhanças e divergências serão encontradas. — Os personagens pertencem à Riot Games.

Se encontrava aflita, sentada no trono que lhe pertencia, esperando Gragas começar a lhe contar tudo o que queria saber; mas, a julgar por sua expressão séria, essa história não seria das melhores.

— Bom, vou lhe resumir os fatos porque perderíamos muito tempo nos detalhes — Começou andando de um lado para o outro, sua grande pança balançando conforme o ritmo das passadas — Você já ouviu falar da lenda do Líder Bárbaro contra o Deus da Guerra?

— Por alto, alguém sempre conta uma versão diferente.

— Pois bem, não é uma lenda — Os olhos do homem a olhavam fixamente, como se esperasse que ela entendesse de pronto — Tryndamere era muito jovem naquela época, você mais ainda, mas ele já era o líder de sua tribo promissora. Venceram batalhas após batalhas e se tornavam cada vez mais fortes. Até aquela noite.

Ashe preferiu permanecer calada e atenta a cada palavra. O ruivo suspirou com pesar antes de continuar.

— O clã foi emboscado na calada da noite, entretanto conseguiram resistir bem aos atacantes e sua vitória parecia certa, quando aquele ser apareceu.

— “Empunhando uma espada vívida e cruel, o Deus da Guerra inspirava uma sede de sangue sem precedentes nos invasores com sua magia sobrenatural, encorajando-os a lutarem com fúria e sem consciência plena de seus atos”, foi assim que me contaram.

— Exatamente. A tribo de Tryndamere foi dizimada em pouco tempo e não havia nada mais a fazer senão aceitar que aquele era o seu fim, porém aquela criatura era tão vil que o feriu de maneira letal, mas não instantânea.

De repente, Ashe se lembrou da enorme cicatriz que seu marido possuía no tórax e de como ele a apertava sempre que tinha alguns de seus misteriosos pesadelos. Até o momento, estava achando aquela história absurda demais, no entanto parecia fazer algum sentido.

— Ficar observando tudo aquilo que lutara para construir ser destruído, e todos aqueles que gostava serem mortos diante de seus olhos, o encheu de uma fúria sobre-humana que o impediu de se entregar à morte; quando se ergueu do chão, ele era imortal.

— Espere — Interrompeu, levantando o indicador, incrédula — Você está me dizendo que Tryndamere é imortal?

— Não, ele não é imortal, por um momento estava imortal, pois sua raiva era tão grande que ele, contrariando todas as expectativas, permanecia vivo. Continuando, estava pronto para lutar contra o seu algoz, mas este sequer se deu ao trabalho de lhe dar atenção, apenas lhe dirigiu um sorriso de desdém e sumiu por entre as sombras. Desde então, nosso rei o tem procurado e treinado para sua vingança, percorreu a tundra derrotando um a um todos os líderes que encontrou, buscando aumentar sua força e se tornou um mestre à moda bárbara; refez sua tribo e hoje é conhecido justamente pela fúria que demonstra em combate.

— Mas essa fúria teve um preço… — Falou mais para si mesma do que para o ruivo, um nó apertando sua garganta. Agora muitas pontas soltas estavam se encaixando.

— Certamente, é aí que chegamos a Meliza. Hoje quase ninguém sabe que ele é o protagonista da lenda, não é algo que ele faça questão de contar, a perda o deixou muito abalado. Imagine o que é ter toda a sua família e amigos do seu lado e no momento seguinte todos jazerem ao chão e você ser obrigado a vagar completamente sozinho nessa região gelada e inóspita.

O tom nas palavras de Gragas soava um tanto acusador, como se ele a estivesse condenando por pensar mal do rei. Mas que opção tivera? Também não estava feliz por saber que o homem que tanto se afeiçoou sofreu dessa maneira, tampouco isso apagaria o que ele fez.

— Meliza foi a primeira mulher que ele pareceu gostar de um modo diferente depois do seu encontro com Aatrox. Sim, o nome do Deus da Guerra é Aatrox. Há muitos anos ele só acumulava ira no coração, contudo Meliza era a única que aplacava um pouco sua dor. É bem verdade que ela prestava esse serviço para qualquer um que lhe pagasse, era uma prostituta bondosa e querida na tribo, porém havia algo nela que o deixava um pouco melhor, talvez fosse sua serenidade e outros dons.

— Imagino — Respondeu em tom seco para mudar de foco, não queria de fato imaginar o que ambos faziam juntos — Agora deixe-me adivinhar: Durante um acesso de raiva, ele a estuprou e matou. Certo?

— Pelos Deuses, não! Como pôde pensar que ele seria capaz de tal atrocidade? — Gragas parecia chocado — Ele não fez nada disso de caso pensado, entenda que ele não tem controle sobre si mesmo quando entra nesse estado, ele sequer se lembra do que faz. Trynda não queria agredi-la, jamais quis! Ele estava triste pelas mortes que chegaram aos seus companheiros naquela noite e procurou alento em seus braços, ela se deitou com ele porque quis, não foi obrigada.

— Contudo, em algum momento, ele surtou e a enforcou até a morte — As palavras saíram sem controle, não fazia ideia do motivo pelo qual estava falando daquele jeito, algum tipo de frustração crescia em seu peito. Se ele era assim tão ruim, porque seu coração doía tanto?

— Ele teve, sim, um surto, mas não é algo que ele possa controlar, não é algo que faça parte de sua vontade. Aatrox o perturba e domina de um jeito sobrenatural, possui sua alma e toma conta de suas ações, é como se fosse uma doença. E você não pode culpar um doente, ele não sabe o que faz.

A rainha permaneceu em silêncio durante alguns momentos, refletindo. De fato, se o surto se manifesta contra a sua vontade e o leva a cometer atos dos quais não deseja, está isento de culpa, não deve receber punição e sim tratamento.

— Quando voltou à consciência, já estava longe do bordel e, ao saber da notícia, correu a tempo de ainda achar seu corpo nu e frio deitado sobre a cama. Soube no mesmo momento o que causara sua morte e mal conseguiu abraçá-la tamanha a raiva que sentia de si mesmo e do seu inimigo que havia levado mais um de seu afeto. Desde esse dia, ele prometeu que jamais tocaria em uma mulher novamente, para não mais correr o risco de ceifar a vida de um inocente.

O pesar e a verdade daquelas frases a invadiram como uma onda violenta invade uma casa de praia, derrubando e arrastando o que estiver no caminho.

A frustração deu lugar ao remorso ao se dar conta do quanto seu marido sofreu calado todos esses anos, o tamanho do fardo que ele carregou, nada do que já tivesse passado na vida se comparava aquilo. A perda da sua mãe aos seus quinze anos fora arrasadora, entretanto sequer podia mensurar como seria perder todos a quem amava, vê-los morrer diante de si e matar um deles com suas próprias mãos sem querer. Imaginou o quanto Tryndamere deve ter remoído essa dor e lembrou-se do quanto ele tentou não lhe fazer mal.

Lembrou-se do quanto ficou abalado quando não se controlou na primeira vez em que se deitaram, agora podia entender melhor porque se deixou afogar em tantas bebidas e até mudar de quarto. Lembrou-se de quando a salvou dos lobos e de todo o zelo que tivera na Torre dos Uivos, naquela noite se convencera de que pessoas cometem erros e, se arrependidas, merecem ser perdoadas. Por último, lembrou-se de todas as vezes em que estiveram juntos e do sorriso sereno que ele exibia ao seu lado ultimamente, estava bem menos carrancudo e aos poucos mais carinhoso, sempre tentando ajudá-la, protegê-la e fazê-la sentir-se bem.

Se até seus pesadelos haviam diminuído consideravelmente, era sinal de que a perturbação causada pela criatura maligna estivesse enfraquecendo. Notou, com uma pontada de alegria, que ela seria a sua libertação.

Todavia, suspeitava-se que ele estivesse morto.

— Ashe… — Gragas chamou, aproximando um enorme dedo indicador para lhe enxugar uma lágrima silenciosa que escorreu por sua face pálida — Ele ainda pode estar vivo, não é a primeira vez que a fúria o salva, dessa vez não será diferente.

— E se falhou? — Seus olhos azul-piscina marejados fitaram os cristalinos do homem.

— Aquele ali é duro na queda, esteja certa disso — Tentou sorrir para lhe tranquilizar, mas a mulher se dobrou por cima dos joelhos e desatou a chorar, como se não pudesse mais segurar o que estava sentindo.

— Me desculpe por todas as besteiras que falei, você sempre foi um bom amigo, um aliado fiel, jamais deveria ter lhe dito aquelas coisas…

— Tudo bem, já passou — Ele pôs uma mão em seu ombro e a acariciou — Eu sei que você está se desculpando a ele também — Hesitou por um momento antes de continuar — Ora, às favas com esses segredos estúpidos, ninguém tem mais nada a perder, então fique sabendo que Trynda a ama, de verdade.

A menção daquelas palavras lhe causou um grande arrepio por cada centímetro de pele, nunca tivera certeza dos sentimentos dele — para falar a verdade, também não tinha dos seus próprios — e, a julgar pelo tom de revelação, não parecia ser mentira.

— Ele te disse isso?

— Nem precisou, está escrito em sua enorme testa “estou apaixonado pela minha rainha”.

— Eu vou atrás dele — Uma animação tomou conta de si e a fez levantar-se, enxugando as lágrimas; se ainda havia uma chance de salvá-lo, não deixaria passar. Precisava encontrá-lo novamente e dizer tudo o que estava entalado, tudo o que no fundo quisera dizer, mas nunca conseguira.

— Não, majestade, deve ficar para controlar os ânimos por aqui. Com a notícia do sumiço do rei, podem ver como uma boa oportunidade para atacar, então a capital precisa ter a sua figura de liderança firme para manter as outras cidades no lugar. Uma equipe já está a caminho e eu mesmo vou até lá, partirei agora — Antes de virar-se completamente para sair da sala, olhou novamente para Ashe — Eu o trarei de volta, prometo.

Assentiu com a cabeça e o observou ir com determinação. Juntou as mãos no peito e rogou aos Deuses que Gragas estivesse certo e que seu amado ainda estivesse vivo.

— Trynda, por favor, volte para casa. Para mim.

A paisagem estava toda tomada de branco naquela região do Leste, tempestades de neve caíam aos montes sobre as casas da pequena Vila dos Desgarrados; vivia ali toda a sorte de desertores das outras tribos, bem como mercenários e bandidos foragidos que procuravam um lugar isolado para se abrigar, afinal, o local era de difícil acesso e não oferecia nada além de teto para dormir, lareira para se aquecer e um único bar que também fazia as vezes de bordel.

Um vento gelado entrou pela porta quando esta foi aberta por novos visitantes, fazendo tremular as chamas que ardiam na madeira e balançando seus cabelos agora loiros; respirou fundo e não pôde deixar de sentir o prazer que aquele frio causava em seu corpo. Se recompôs e andou lentamente até a mesa que os dois homens haviam escolhido para sentar.

— O que desejam essa noite, senhores? — Perguntou com um sorriso simpático.

— Duas garrafas de rum bem forte e… — O homem fez uma pausa olhando-a de cima à baixo com malícia — Você e uma amiga, mais tarde.

— Como quiser, senhor — Manteve o sorriso enquanto eles a observavam e se dirigiu ao armário de bebidas, suspirando entediada quando ninguém mais podia ouvi-la. Não era uma atividade das mais agradáveis, mas os homens sempre falam mais do que deviam diante de uma bonita mulher nua. Novamente: ossos do ofício.

Arrumou garrafas e copos na bandeja, ensaiou um falso sorriso e voltou para servi-los.

— Estou lhe dizendo que meu amigo está lá, foi ele mesmo quem me contou! — O que parecia ser mais novo aparentava estar frustrado — As coisas estão saindo do controle, estão falando até de guerra civil!

Se fosse um animal, certamente estaria de orelhas erguidas agora. Esse podia ser um assunto interessante, precisava ouvir mais. Demorou-se o quanto pôde para abrir as garrafas e despejar o líquido nos recipientes.

— Em Rakelstake? Duvido! Aquele lugar é uma chatice até para isso — O barbudo gargalhou, tomando um dos copos e virando de uma só vez.

— Não estou inventando essa conversa, é verdade. Os bárbaros estão muito agitados desde a morte do rei, você bem sabe como eles são facilmente inflamáveis — Imitou o companheiro e bebeu o rum em um gole antes de continuar — Claro que não iriam ficar satisfeitos, o fim que teve foi muito suspeito, não acha?

— De fato, os Avarosianos e os Garra do Inverno sempre foram inimigos e, de repente, resolvem se unir contra os trolls… — Falou pensativo, sem notar que a mulher ainda estava ali, movendo-se mais lentamente que uma lesma.

— E, justo nessa missão, o rei morre. Aliás, é dado como morto, pois o corpo nunca foi encontrado nesses sete meses que se passaram.

— Ouvi dizer que foi devorado por lobos ou ursos, pois haviam várias pegadas no local, pedaços de membros rasgados por dentes e garras e vários outros corpos também desaparecidos. Sabemos que isso acontece com muita frequência por aqui.

Antes que a percebessem, virou-se até a lareira próxima e fingiu remexer a madeira vagarosamente, os ouvidos bem atentos.

— A questão não é essa, eu até acredito que ele realmente foi devorado por animais, mas o que estão especulando lá na capital… — O homem baixou o tom de voz e se inclinou sobre a mesa, como se fosse algum segredo — é a participação da rainha nisso.

— Macacos me mordam, estão achando que a rainha mandou matar o rei? — Mesmo sem ver sua expressão, sentiu que o barbudo estava confuso ao invés de chocado — Que sentido isso faz, afinal?

— Dizem que ela pode estar querendo fazer alguma nova aliança através do casamento e usou Sejuani para dar cabo de seu marido. Se não o fez conscientemente, foi descuidada o bastante para deixar que armassem uma emboscada.

— Portanto, para os bárbaros, a culpa sempre será dela.

— Exatamente. O que acha de aproveitarmos essas rachaduras e reunirmos nossos comparsas para uma série de saques?

O barbudo riu com satisfação.

— Assaltar a cidade, bem debaixo do nariz da rainha, será emocionante. Ei, mulher, venha até aqui.

Ele a chamava dando batidinhas na coxa, onde sentou sem pestanejar. Dessa vez não se importou com as mãos que percorriam seus quadris, tampouco com o mau hálito que invadia suas narinas, pois tudo o que causara lhe saíra melhor do que previra, nada poderia diminuir o deleite que sentia agora com as notícias.

Estava na hora de Lissandra voltar para a capital.

Notas finais
É, foi pequeno, mas os próximos voltarão ao tamanho normal :3 Vou responder todos os comentários que ainda não respondi e estou esperando os novos para saber que vcs ainda estão me apoiando, já é difícil fazer com apoio, imagine sem T.T Obrigada pela paciência, amores, obrigada mesmo! Bjs e até a próxima ♥♥