Destinos Arranjados

3 Os Sons da Floresta


Notas iniciais
Consegui postar no prazo, ihuuu o/ Estou super ocupada esses tempos e está difícil adiantar os capítulos, mas faço de tudo pra conseguir pelo menos postar até a data certa :3 Quero agradecer à todos que comentaram e deram apoio nesse início, é muito importante ver que estão gostando tanto e acompanhando! ♥ Eu estou usando três corretores e tomando cuidado para cometer o mínimo de erros possíveis, peço que me perdoem se tiver algum ♥ É sempre bom lembrar: - Atualização a cada duas semanas (esse prazo pode ser estendido caso haja algum imprevisto, peço desculpas se acontecer); - Essa fanfic é apenas BASEADA na história oficial dos personagens, NÃO quer dizer que se manterá fiel ao que o jogo já tenha divulgado ou divulgará. Semelhanças e divergências serão encontradas. - Os personagens pertencem à Riot Games.

A Sala do Conselho estava cheia esta noite, mas o silêncio imperava. O rei e a rainha estavam sentados em suas cadeiras habituais, às pontas da mesa, o Tesoureiro e o Comandante à lateral e o Alto Meistre ainda não chegara. Sem mais tempo a perder, Tryndamere pegou as cartas que ele mesmo amassou e jogou em cima da mesa, lançando olhares fulminantes aos outros dois.

– Vejam, senhores, que bela surpresa. Alguém poderia explicar isso? — Sua voz saiu contida, mas carregada de acusações. Ambos pegaram algumas cartas e leram, ficando cada vez mais estupefatos à medida que avançavam. O Comandante foi o primeiro a se manifestar.

– Vossa Graça, eu juro por minha própria alma que ouvi isso diretamente dos guerreiros das tribos não-aliadas, eles não me viram lá, não tinham como saber que eu estava ali e escutei! Eles não eram Avarosianos, disso eu tenho certeza, e ouvi claramente quando disseram que haveria um ataque hoje — O homem estava visivelmente constrangido e nervoso, temia por sua honra e por o que lhe podia acontecer.

– Está claro para mim que você e todos nós fomos enganados — Disse o tesoureiro ao Comandante, com uma expressão melancólica.

– Disso eu não tenho dúvidas, apenas me resta saber quem fez isso. Ou quem ajudou a fazer — Os olhos verdes do rei analisaram cada centímetro do rosto dos outros homens em busca de sinais de que estivessem mentindo ou escondendo algo. Nada. Ambos pareciam genuinamente abalados.

– Na sua falta, Comandante, um soldado trouxe essas cartas diretamente a mim... — Ashe começou também em tom acusador, mas parou quando ouviu uma batida de leve na porta e a mesma abrir para o Alto Meistre entrar, esbaforido.

– Peço perdão pelo atraso, Majestades, estava atendendo um enfermo, não podia deixá-lo tão depressa — Fez uma reverência quando os reis se entreolharam e sentou-se na cadeira vazia em frente ao tesoureiro.

– Tente não se atrasar da próxima vez — O tom dela foi duro o suficiente para que aquele homem velho e enrugado se encolhesse de leve no assento. Apontou para os papéis. — Como eu estava dizendo, um soldado trouxe essas cartas diretamente do quartel, ou seja, alguém entrou lá e as depositou com facilidade. Me pergunto que tipo de segurança é essa que temos confiado durante todo esse tempo — O Comandante se mexeu inquieto na cadeira, mas não respondeu, limitou-se a permanecer de cabeça baixa fitando o tampo de madeira da mesa. Um silêncio tenso se abateu sobre a sala durante alguns instantes, enquanto os reis estudavam as reações e expressões de cada um. Nenhum deles parecia estar mentindo ou escondendo algo.

– Alguém da Garra do Inverno deve ter se infiltrado na cidade e feito isso, é a única explicação! — O Alto Meistre se manifestou, parecia ficar mais pálido a cada carta que lia. Tryndamere lançou um olhar à Ashe, mas ela falou primeiro.

– Concordo, quero que uma investigação seja iniciada para descobrir quem é esse impostor, Comandante Também quero que todos fiquem atentos a quaisquer sinais e que nos comuniquem imediatamente quando descobrirem algo, por menor que seja. Amanhã bem cedo espero encontrar todos os relatórios de hoje sobre a mesa quando eu chegar — Os três conselheiros concordaram com reverências, desconfortáveis com o tom áspero dela. Discutiram por mais algumas horas sobre a situação do reino, como a guerra que há tempos existia estava minando o que havia de bom naquele lugar, a comida, a paz e até a alegria. As histórias que rondam Freljord são muitas, mas de longe a mais contada até hoje é a de como seus líderes do passado se enfrentaram em uma rebelião feroz e culminaram na fragmentação e devastação do enorme império. A população ainda sussurra a interessante lenda de As Três Irmãs e dos Observadores Gélidos.

Há centenas de anos, essas terras frias eram lideradas pelas Três Irmãs, Avarosa, Serylda e Lissandra, que receberam uma proposta de seres muito poderosos chamados Observadores Gélidos. Ninguém sabia exatamente o que eles eram ou de onde vieram antes de habitar este lugar, mas isso não pareceu interessar a ninguém, apenas o poder que eles poderiam compartilhar era importante. Deram magias como presentes às irmãs e as tornariam imortais caso aceitassem prestar serviços e dar sua lealdade em troca; elas prontamente aceitaram e serviram de bom grado durante um bom tempo, erguendo um reino vasto e glorioso e uma grande fortaleza.

Mas algo deu errado.

Uns dizem que a ambição de Lissandra pôs tudo a perder antes, outros dizem que foram Avarosa e Serylda que começaram a se rebelar primeiro em busca de liberdade. O fato é que, ansiando por mais poder e mantendo-se fiel aos Observadores, Lissandra deixou de ser humana como suas irmãs e se tornou um ser maligno e corrompido, aliando-se a eles mais do que era aceitável e deixando sua tribo à mercê de tais criaturas para enfim ser capaz de dizimar a terra com uma terrível nevasca e ascender seu império vil, sufocando a todos com frio e gelo.

Contudo, é claro que as outras duas mulheres não deixariam que seguisse adiante. Convenceram a horda de Glacinatas, seus servos poderosos, a se voltarem contra os seus reais mestres e iniciaram a revolta. A guerra se estendeu por dias e mais dias, causando centenas de mortes, até que os Observadores foram finalmente vencidos no Último Confronto na Ponte e foram jogados aos gritos no que hoje é conhecido como Howling Abyss, uma fenda sem fim situada na mais cruel e fria parte de Freljord.

Contam que Avarosa matou o glacinata Greyor para que seu espírito ficasse encarregado de guardar o local por toda a eternidade e tocasse o berrante para avisar caso os mestres voltassem daquelas profundezas. Outros ainda afirmam que, se chegar até a estreita Ponte das Batalhas Sangrentas — como foi apelidada posteriormente — que corta o abismo e prestar bastante atenção, pode-se ouvir os gritos dos derrotados uivando com o vento.

O que aconteceu depois é um verdadeiro emaranhado de informações desconexas, os poucos que ainda se lembram de mais partes da história não sabem dizer ao certo os motivos concretos que levaram à Guerra das Três Irmãs logo após subjugarem os mestres, apenas se sabe que lutaram entre si para comandar aquelas terras e findou sem vencedor, com a divisão dos povos e a morte de Avarosa pelas mãos de Lissandra. Desde então, as tribos vivem em constante conflito, como se vê até hoje. Ninguém sabe dizer o que aconteceu com Serylda, acreditam que morrera de velhice, já Lissandra desapareceu sem deixar vestígios e há séculos acreditava-se que estava morta também. Porém, há alguns anos, uma criança xamã e um Caminhador Espiritual a viram muito viva por estas bandas; Ashe, Tryndamere e mais alguns aliados não duvidavam daquelas informações e até acreditavam nelas, algum tipo de aura perversa se aproximava cada vez mais, podiam sentir e não a descartariam.

Após finalizarem os assuntos, os conselheiros se levantaram e curvaram as cabeças ao mesmo tempo em que a rainha levantava do seu assento, jogava sua capa sobre o braço e se dirigia para o lado de seu marido. Tentou fazer uma expressão menos dura quando tocou aquele ombro largo e nu com delicadeza, sentindo a pele quente sob sua palma fria. A questionara mais cedo, mas ele próprio vivia com o peito descoberto à mercê do frio, suas roupas só lhe cobriam da cintura para baixo. Costumava usar uma espécie de calça de linho grosso como primeira peça, por cima colocava um tipo de cota de malha em forma de saiote que lhe chegava à panturrilha e sobre essa uma peça grande de armadura de metal que contornava seu corpo do abdômen até as coxas, adornada com diversas camadas sobrepostas. Ele ainda usava um cinto grosso cuja parte da frente trazia o desenho de uma caveira sinistra com um brilho esverdeado por dentro, bem como ombreiras, joelheiras, elmo e outras partes da sua veste que apresentavam algumas pedras com essa mesma luz. — Me acompanha?

Ele a olhou com estranheza segundos antes de concordar com a cabeça. Levantou-se e tocou suas costas como se a conduzisse pelo aposento, mas na verdade praticamente a empurrou tamanha era sua falta de delicadeza. Saíram juntos, os olhares intrigados dos homens os acompanhando. Seguiram naquela posição em silêncio pelos corredores até estarem fora das vistas de todos.

– Então, o que você achou? — Ele perguntou, retirando a mão grande e áspera das costas macias e parcialmente descobertas da mulher.

– Eles pareciam falar a verdade, pelo menos eu não consegui identificar nenhum traço de mentira em suas faces e gestos — Notou que a mão dele era tão quente que agora sentia uma leve frieza onde ele a tocara. Desde que começou seus treinos para se tornar a arqueira mestra que é hoje, Ashe se obriga a enfrentar o frio para que ele se torne sua fortaleza, expondo sua pele para que se acostume com as temperaturas a ponto de não sofrer de hipotermia como tantos outros. — Você disse que Lissandra devia estar por perto, acredita mesmo nisso? Quero dizer, ainda não temos certeza de que seja verdade.

– Eu sei, mas não acredito que Udyr iria inventar uma história absurda por nada. Ele era uma criança, mas já era treinado pelo Caminhador Espiritual e não costumam mentir. Alguma verdade tem, melhor estarmos preparados para tudo.

– Estou de acordo, mas se a Bruxa Gélida tiver retornado, receio que teremos que unir nossas forças com Sejuani para derrotá-la — O homem deu um muxoxo e esboçou uma expressão desdenhosa ao ouvir aquelas palavras.

– Você acha mesmo que ela vai aceitar? E se aceitar, você acha seguro confiar? Se aquela mulher passar em minha frente eu lhe corto a cabeça antes que tente cortar a minha — Seus punhos se cerravam toda vez que falavam da líder da tribo rival chamada Garra do Inverno. Ele não tinha o menor apreço por ela, a queria morta o quanto antes possível, mas sabia que a líder dos Avarosianos não era a favor de carnificinas, pregava o pacifismo para unir todas as tribos em uma nação forte e poderosa. Quando a princesa dos Praeglacius, logo após assumir seu trono em decorrência do falecimento da princesa anterior, jurou lealdade a Ashe com um belo discurso que emocionou a todos, Sejuani negou essa união e isolou-se com seu povo, deixando a entender que estaria armando uma guerra em segredo. A partir deste dia, todos viviam em alerta constante.

– Ela não é tão ignorante assim, espere e verá. Eu disse há pouco que queria os relatórios amanhã bem cedo, mas não estarei lá, quero que vá no meu lugar — Ele a olhou franzindo o cenho, enquanto passavam por mais um dos inúmeros corredores do castelo, repletos de tapeçarias e quadros a enfeitar o ambiente. — Quero que diga que fui verificar um chamado importante na cidade sobre um dos impostores, apenas isso. Veja como se comportam, ficarei atenta caso mandem alguém me seguir. Enquanto isso, tentarei reunir informações e tranquilizar as pessoas.

– Certo, nos encontraremos ao meio-dia na entrada da floresta, vamos averiguar se há algo estranho por lá e diremos que estávamos caçando caso vejamos vistos — Ela concordou com um aceno de cabeça e abriu a porta do quarto com a chave que levava sempre consigo, entrando e trancando-a em seguida. Não estava tarde, mas preferiram se recolher logo.

Tryndamere depositou sua espada ao lado da cabeceira da cama e começou a despir-se ali mesmo, jogando suas armaduras e vestes em cima de uma poltrona próxima. Ashe, que fora trocar de roupa atrás do biombo, se deteve ao dar de frente com seu marido tirando as últimas peças. Não sabia se virava de costas para dar-lhe privacidade ou se continuava olhando.

Já que ele não se importava, decidiu que preferia observar.

Ela o via de perfil: seu peito era estufado e sua postura imponente; seu braço esquerdo deveria ser da largura de uns três ou quatro braços dela, mas o direito era ainda maior e mais musculoso por causa do peso da sua arma; o abdômen era completamente definido e liso, os pelos começavam a se formar logo abaixo do umbigo e desciam em uma linha reta, perdendo-se por dentro da calça. Um calor repentino tomou conta do seu rosto e espalhou-se, descendo como água quente pelo resto do seu corpo quando ele começou a desamarrar a calça e baixá-la. Se segurou para não desviar o olhar, definitivamente precisava se acostumar àquelas visões. Pôde reparar que seus pelos escuros estavam em maior quantidade na região da virilha e chegou a apurar a vista quando o membro daquele homem começou a aparecer pelo cós da roupa, mas o braço dele atrapalhava sua visão.

Achou que o tempo estava passando devagar demais, pois aquela última peça continuava no mesmo lugar que estivera há vários segundos atrás. Suspendeu o olhar e deparou-se com aqueles olhos verdes apontando diretamente para ela. Sentiu-se envergonhada pela atitude, mas manteve-se firme.

Ele a olhava intrigado, fora pego de surpresa sendo observado daquele jeito. Estava distraído pensando nos problemas do reino quando notou que sua esposa estava parada feito uma estátua em um canto, seus olhos azuis fixos em suas partes íntimas. Parou e levou alguns segundos para assimilar que ela estava mesmo fazendo aquilo. Quando seus olhos se encontraram, ele percebeu que o rosto dela ficara levemente corado, mas não o desviou nem sorriu para ele como as outras mulheres que já se relacionara costumavam fazer. Tinha dificuldades em interpretar as intenções daquela em especial, ela lhe parecia um enigma constante. Achava isso interessante.

– Gosta do que vê? — Perguntou por fim, formando um leve sorriso no canto da boca e virando-se de frente. Queria ver até onde iria aquela situação.

– Um pouco — Permaneceu no mesmo lugar, tentando não apresentar emoções.

– Então não viu o suficiente... — E soltou de vez a calça. A peça folgada escorregou direto para o chão, revelando o que faltava. Não pôde evitar olhar por alguns momentos para o pênis largo e de tamanho considerável que ele exibia: era moreno como ele e sua glande apresentava um tom escuro de vermelho. Ainda estava flácido, mas parecia começar a mudar de forma rapidamente, ficando rígido e maior. Ashe sentiu o calor aumentar e começou a andar em direção ao seu lado da cama, fixando-se em algum ponto que não fosse aquele que mais lhe chamava a atenção.

– Já vi o bastante, agora vamos dorm... — Parou de falar quando Tryndamere subiu ligeiro na cama, atravessou com três passos e pulou na sua frente, aterrissando com um som pesado a abafado dos seus pés descalços no tapete. A cabeça dela estava a alguns centímetros do seu peito, sendo ele tão mais alto que ela mal chegava ao seu pescoço. Fitou de cima aqueles globos azulados que o encaravam como se pedissem licença em silêncio, e em seguida os lábios rubros, pequenos e carnudos. Esperou que se afastasse, mas ela não se mexeu. Estaria o desafiando? Não tinha certeza.

Quando ele deu mais meio passo em sua direção, não se conteve em prender a respiração ao sentir o membro rijo roçar de leve em sua virilha por cima da sua roupa de dormir. A adrenalina e a excitação pareciam percorrer cada parte do seu corpo, anuviando seus pensamentos. Parte dela queria parar com seja lá o que fosse aquilo e evitar grandes aproximações, não possuíam um sentimento amoroso que justificasse aqueles atos. Mas a outra parte dela estava deveras curiosa para experimentar um pouco, afinal tivera apenas um ou dois namoricos há muito tempo e não os levara adiante. Refletiu por mais alguns longos segundos, sem despregar os pés do chão e os olhos do rosto bonito e másculo em sua frente. Que mal poderia haver em um beijo? Pensou.

O rei estava cada vez mais ansioso para saber até em que ponto poderia chegar e, como não houve recusa, decidiu avançar mais um pouco. Colocou uma das mãos naquela cintura fina e com a outra ajeitou devagar as madeixas brancas para trás da orelha da mulher, entrelaçando os dedos grossos por seus cabelos até segurar sua nuca. Estava tão próximo que a rainha podia sentir a respiração quente e forte dele batendo contra seu rosto. Aquelas sensações novas se apoderavam de tal maneira da sua mente que sequer percebeu quando ficou na ponta dos pés e cortou a ínfima distância entre eles.

Fecharam os olhos. Os lábios colaram-se por alguns segundos e foram abrindo-se aos poucos à medida que o beijo progredia. O moreno alisava suas costas ao mesmo tempo que massageava sua nuca com uma suavidade que ela não esperava de um brutamontes como ele. Sua mente estava completamente vazia naquele momento, apenas sentia o quão quente era aquele corpo e como estava ficando úmido por entre suas pernas à medida que era pressionada de leve contra o órgão viril. Pousou suas mãos pequenas sobre os ombros largos e retribuiu os afagos.

Fora o suficiente.

O bárbaro começou a beijá-la com mais vontade e menos gentileza, segurando seus cabelos com cada vez mais força, deslizando a mão por debaixo da sua camisola e apertando suas carnes. Pediu vacilante que parassem por ali para não se excederem demais, mas ele mordeu-lhe o lábio inferior e desceu, arranhando o pescoço alvo com a barba espessa, puxando a cabeça dela para trás rudemente e desferindo uma dentada. A dor a fez despertar para o que estava acontecendo. Seu marido parecia entrar em alguma espécie de estado eufórico no qual não conseguia ter muita consciência do que fazia e isso a assustou. Chamou-o, mas ele não ouviu — ou fingiu não ouvir.

Tentou se desvencilhar, mas seus punhos foram segurados com apenas uma mão e sua cintura inteira envolvida por um braço que a suspendeu facilmente. Debateu-se e o chamou novamente, sem resposta. Um temor instintivo tomava conta de si. Tentou acertá-lo com dois golpes, mas ele desviou. Foi então que sentiu suas costas e cabeça baterem contra a parede de pedra ao lado da cama.

A visão escureceu e tudo girou.

Um grito abafado escapou dos seus lábios e, tão de repente quanto começara, ele parou. Ashe respirou fundo, ainda levemente tonta, quando o peso do corpo dele parou de pressionar suas costelas.

Afastou-se dela ofegante e um tanto assustado.

– Essa brincadeira foi longe demais, não deveria ter começado — Disse apressando-se em achar sua calça e vestir-se. Tudo acontecera muito rápido e ambos ainda não haviam assimilado com precisão. Um pouco do medo que sentira de não conseguir se soltar e ser machucada ainda não havia se dissipado, mas algo no modo como ele ficou perturbado chamou sua atenção. Era um homem bruto, tinha consciência disso, porém suas reações foram inesperadas desde o começo.

– Para onde vai? — Esfregou a cabeça sentando na cama, olhando-o calçar os sapatos.

– Mantenha nosso combinado de amanhã. Boa noite — Jogou uma manta de lã grossa sobre os ombros e se foi sem olhá-la.

Os dias se passaram com aparente calma, apesar dos acontecimentos. A rainha fez diversas visitas à cidade, reforçando que tudo estava bem e sob controle, mas a história das cartas acabou se espalhando entre uma parte da população e o burburinho era inevitável. Tentou abafar como pôde os boatos e esperava que seu esforço surtisse efeito. Não notou nenhum indício de motim, a maioria parecia feliz em vê-la ali preocupando-se com todos. Passou as últimas semanas verificando pessoalmente os suprimentos e medicamentos dos estabelecimentos, tomando nota das necessidades do seu reino e por onde passava era aclamada e reverenciada. Seu povo a amava e ela sentia orgulho do que estava construindo.

Naquele dia estava visitando uma escola, as crianças permaneciam enfileiradas para recebê-la, seus rostinhos felizes e bochechudos conseguiam colocar um lindo sorriso caloroso em seu rosto costumeiramente frio. Discursou sobre a importância de aprender a ler e escrever e incentivou cada um a seguir seus sonhos, assim como ela seguira o de transformar aquele lugar em algo melhor. Atendeu aos pedidos dos pequeninos em dar uma breve aula de arco e flecha, divertindo-se com o modo desajeitado com que aquelas criancinhas manuseavam as minúsculas armas que eles mesmos fizeram nas aulas anteriores. Fez algumas demonstrações da sua incrível pontaria e destreza, arrancando barulhos de admiração da plateia. Podia acertar alvos móveis com precisão, bem como se esquivar e atirar ao mesmo tempo sem errar. Conseguia ser corajosa, habilidosa, gentil e dedicada, além de passar uma segurança que poucos conseguiam, principalmente em tempos difíceis.

Já estava quase na hora de se encontrar com o rei e apressou-se para não deixá-lo esperando. A relação deles estava estranha desde que se beijaram há quase quatro semanas atrás. Ele não voltara mais naquela noite, não fazia ideia de onde teria dormido, mas soube pelos criados que ele tivera um ataque de fúria e destruíra um dos quartos de hóspedes com os próprios punhos. Preferiu ignorar e fingir que nada aconteceu. Tryndamere voltara a dormir no quarto com ela três dias depois, entretanto não mais se despia completamente, passara a usar uma calça clara de algodão fino todos as noites. Quis questionar quais eram os motivos para tal atitude repentina, mas imaginou que se estava cobrindo era porque não queria que olhasse.

Nas semanas seguintes mal se viram, ela passava mais tempo na cidade e ele no castelo, cada um ocupado em descobrir pistas sobre o tal impostor e somente à noite discutiam as novas informações — quando ambos se encontravam acordados. Restringiam os assuntos ao que fosse realmente importante e ele parecia evitá-la de propósito.

Chegou à entrada da floresta e ele já estava a sua espera. Era a quarta vez que se encontravam ali para mapear o local e tentar descobrir algum indício que os levassem ao autor da falsa emboscada. Acharam várias pegadas humanas e de animais, mas nada que fosse muito fora do comum. Iriam juntos uma última vez. Cumprimentaram-se e passaram a caminhar calados, com as armas em punho, até as copas das árvores brancas começarem a se juntar.

– Novidades? — Ashe quebrou o silêncio pesado que a incomodava.

– Sim, mas não muito importante — Esperou por alguns momentos antes de continuar. — Ouvi o Alto Meistre e o Tesoureiro conversando aos cochichos pela manhã. Consegui ouvir sem que me notassem.

– O que diziam?

– Que estávamos estranhos, em certas horas parecíamos distantes, outras horas ficávamos muito tempo juntos e sumidos. Como agora, por exemplo. Se perguntaram o que isso poderia significar.

– Ninguém nos seguiu esse tempo todo, mas tenho que dizer que esse interesse deles é estranho. Creio que devíamos retomar nosso plano inicial para despistá-los — Desde o incidente não haviam sequer conversado sobre a falsa lua de mel.

– Não sei mais se é uma boa ideia — Permaneceu sério.

– Tudo bem então, não insistirei — Suspirou, cansada. — Vamos nos separar, qualquer novidade mando um sinal.

Ele concordou com um aceno e partiu para o lado esquerdo da floresta; ela, por sua vez, foi para o direito.

A esta distância a floresta estava densa e quase não se via mais o céu, formando grandes e escuras sombras ao seu redor. Andou pelo o que lhe pareceu cerca de duas horas, atenta aos barulhos e vestígios. Iluminava o caminho com sua flecha de gelo encantada, a luz azul refletia fantasmagoricamente no chão claro e nos cristais de gelo nas cascas das árvores. Deteve-se em uma delas para analisar o que acabara de notar. Partes do tronco desta e de mais duas próximas estavam um tanto afundados, como se alguém o tivesse socado com força. Não era muito comum a presença de pessoas ou outros seres naquela parte da mata, então Ashe seguiu para onde as marcas apontavam. Há alguns metros à frente viu vários galhos baixos quebrados e a neve remexida. Apurou os sentidos para identificar qualquer coisa que estivesse ao seu alcance, conseguindo ouvir vozes muito distantes trazidas pelo vento. Apressou-se em seguir os rastros e os sons foram aumentando à medida que se aproximava.

O que viu a seguir fez seu coração gelar.

Um corpo jazia ensanguentado ao chão totalmente desfigurado, parecia ter sido espancado até a morte. Chegou mais perto para tentar reconhecer, mas não pôde ver nada além de uma mistura de carne esmagada e sangue congelado, apenas identificou uma silhueta feminina por entre a roupa rasgada. Apontou sua flecha para o céu para mandar um sinal a Tryndamere, mas um grito agudo não muito distante a fez mudar de planos.

Baixou seu arco e correu em direção dos sons, se embrenhando mais ainda na floresta. Os berros em agonia ecoavam cada vez mais fortes e constantes e seu coração batia acelerado em seu peito. Parou de súbito ao vislumbrar os vultos em meio à escuridão daquele lugar. Não via mais o céu, as folhas altas cobriam praticamente toda a luz que tentava adentrar. As raízes eram altas e muito retorcidas, não era um bom lugar para se aventurar. Escondeu-se atrás de um tronco tão largo quanto o comprimento de um cavalo e posicionou-se. Respirou fundo para se concentrar, mas um cheiro fétido encheu suas narinas, fazendo seu estômago revirar. Então prendeu a respiração, preparou sua enorme flecha encantada e atirou antes que notassem o brilho que dela emanava.

Notas finais
Vixi Maria, mainha! =O E tem gente q é indecisa mesmo pra certas coisas, heim? :v osakepaoekpaoksep Amores, tive que encerrar por aqui para o capítulo não ficar gigante, espero que tenham gostado ♥ Obrigada por ler! Já tinha esquecido dos créditos da imagem de capa do capítulo: "LoL Ashe by Jcok" Deviantart