Notas iniciais
Hiiiiii o/ Finalmente estou de férias e viajei pra outra cidade hoje, por isso não postei o capítulo mais cedo, mas tá aqui, espero que gostem ♥ Vou voltar para casa lá pro dia 10/01, então se eu conseguir terminar o capítulo e postar, eu o farei, se não vcs já sabem o que houve :33 Estarei aguardando os comentários *-* Pra não esquecer: - Atualização a cada duas semanas (esse prazo pode ser estendido caso haja algum imprevisto, peço desculpas se acontecer); - Essa fanfic é apenas BASEADA na história oficial dos personagens, NÃO quer dizer que se manterá fiel ao que o jogo já tenha divulgado ou divulgará. Semelhanças e divergências serão encontradas. - Os personagens pertencem à Riot Games.

Gostaria de ter ido mais cedo, mas estava tão ocupada com os assuntos do reino que só tarde da noite tivera um tempo livre. Dois soldados da Patrulha a acompanhavam sempre que saía do castelo por questões de segurança, apesar de não gostar muito dessa falta de privacidade. A única desculpa que tinha para dispensá-los sem suspeitas era quando estava em companhia de algum outro guerreiro amigo, afinal andar sozinha na cidade pacata parecia ser arriscado demais para uma rainha querida.

Refletiu mais um pouco e suspirou, vencida. O clima de guerra estava no ar e não era prudente virar um alvo fácil para seus inimigos. Queria que isso acabasse logo e todos pudessem viver em paz, finalmente. Mandou que os guardas ficassem do lado de fora e entrou na taverna mais famosa da região. O local estava cheio, à noite o movimento era maior, e muitos dos bárbaros que se mudaram para Rakelstake se reuniam ali para beber, conversar e brigar.

Vários estavam tão bêbados que sequer notaram sua presença; os que perceberam se curvaram e lançaram olhares curiosos. Atravessou o salão e, quando chegou perto do balcão, ouviu uma voz conhecida chamando-a. Sorriu quando reconheceu a cabeleira laranja e o enorme tamanho de Gragas ao canto.

– Majestade — Fez uma reverência, sorridente. — Que bons ventos a trazem aqui?

– Não precisa me chamar assim — Quis apertar suas mãos, mas eram tão grandes comparadas às suas que se contentou com os dedos. — Eu vim lhe dar um oi e aproveitar para comprar uma bebida especial. Bati na sua casa e, como pude notar, você não estava.

– Já vi que sempre sabem onde me encontrar — Riu ruidosamente. — E essa desculpa não me convence, imagino que veio buscar seu marido. Ele está bem ali.

Olhou para o outro lado do salão e viu Tryndamere sentado numa mesa escura e afastada, sozinho. Não havia percebido sua presença até então, tampouco ele a dela. Tinha um olhar vago e uma expressão infeliz no rosto; diversas garrafas vazias se amontoavam sobre a mesa e estava tão ébrio que derramava a bebida sobre si mesmo ao virar o copo na boca.

– Nunca o vi tão para baixo desse jeito — Falou o homem com um suspiro pesaroso. — Quero dizer, ele sempre está zangado e tudo mais, porém nesses últimos tempos ele parecia mais alegre. Eis que hoje, de repente, ele me aparece com essa cara e fica sentado ali o dia inteiro, mal abriu a boca. Não sei o que houve, mas é melhor levá-lo logo; veja só, está desperdiçando a bebida!

– Eu não vim buscá-lo, Gragas, eu nem sabia que ele estava aqui — Na verdade estava quase certa de que ele estava lá quando viu que sumiu o dia inteiro, no entanto não fora para vê-lo. Viera tentar sondar alguma informação útil, em primeiro lugar. — Para mim ele está irritado o tempo todo, com raiva de tudo e de todos. Sabe, às vezes eu chego a ter medo dele… — Mentiu. Nunca chegara a ter medo dele, apenas certas preocupações, queria ver o que o amigo responderia.

– Não há o que temer, ele jamais lhe faria algum mal de propósito. Sabemos que é bem cruel com os inimigos, mas vossa graça não se parece em nada com um — Não vislumbrou nenhum traço de mentira em seus olhos ou fala, embora ainda não estava convencida. Ele fez sinal para que chegasse mais perto e falou o mais baixo que pôde só para ela escutar.

– Acredite, nosso rei já passou por coisas muito ruins nessa vida, seja paciente com esse turrão. Chegou até a ficar menos carrancudo, por isso estou certo de que tem uma afeição por você, mas não diga que eu te contei isso! — Levou o dedo indicador aos lábios e deu uma risada travessa. Ashe se esforçou para rir de volta enquanto guardava as informações.

– Que tipo de coisas ruins? Eu também já passei por muitas dificuldades e nem por isso…

– Você sequer pode imaginar — Interrompeu. — O pior que pensar, ainda não será suficiente. Quando estiver pronto, ele irá lhe contar; por hora, somente esqueça tudo isso, sim?

– Entendi — Agora é que não iria mesmo esquecer, estava ainda mais curiosa. Conhecê-lo a fundo era o que precisava para saber como lidar e manter a aliança em prol do reino, mesmo que não tivessem mais contato íntimo. Estreitar a relação fora escolha de ambos, mas não iria deixar que isso interferisse na política. — Bom, onde está o dono ou atendente? Eu vou querer experimentar o seu melhor vinho doce, vou precisar de alguns barris. O que você vende ao proprietário, Gragas, não esses que se compra em qualquer lugar.

– Estão ocupados, eu mesmo pego para você, já estou quase sócio desse negócio de tanto que fico aqui — E desapareceu por uma porta ao lado do balcão. Olhou mais uma vez para o rei e este parecia ter desmaiado por cima das garrafas. Deplorável. De fato, ele tinha muitos problemas e claramente um dos primeiros era alcoólico.

O sol brilhava e Trynda sequer sabia como havia chegado no quarto de hóspedes, que agora era o seu quarto. Se mudara para lá no dia seguinte ao acontecido, sabia que não tinha o que pudesse fazer e já não teria mais volta. Aprendera a conviver com as culpas que carregava há tantos anos, mas vê-la todos os dias e ter de suportar aquele clima pesado no ar estava consumindo o pouco que restava do seu juízo. Passara os últimos dias mais bêbado do que sóbrio; quando não estava na taverna à noite, levava algumas garrafas consigo para a Torre dos Uivos — há muito abandonada por falta de serventia, no alto de uma colina próxima ao castelo e só voltava ao amanhecer.

Passou a sentir fortes dores de cabeça durante o dia e se concentrar no trabalho de rei estava extremamente difícil, o que só piorava seu mau humor. Tratou de banhar-se e descer para o Salão Real, não prestou atenção em absolutamente nada que o Comandante falou quando voltou de viagem, mas algo lhe dizia que tinha alguma coisa importante para fazer. Entrou pela porta lateral do Salão Real e avistou Ashe sentada no trono, assinando uns papéis e entregando a duas mulheres em sua frente, que fizeram reverências exageradas e saíram em seguida.

– O que aconteceu? Não é normal o salão estar vazio a essa hora – Perguntou à rainha, aproximando-se. Além deles, só havia uma dúzia de guardas espalhados, nem os conselheiros estavam presentes. Quis provocar-lhe dizendo que seu vestido branco e dourado lhe caía bem, mas que a preferia sem ele — no entanto guardou somente para si com um suspiro lento.

A essa hora? E você sabe que hora é essa? Decerto que não — Respondeu com frieza, tornando a escrever em alguns papéis.

– Não sei e, para falar a verdade, nem quero mais saber — Devolveu de pronto, irritado. Sua cabeça latejava de dor e não gostava de ouvir desaforos.

– Olhe aqui — Largou os papéis e virou-se para ele com olhar repreendedor, a voz baixa para que os outros não ouvissem. — Eu te escolhi para governar comigo, não para encher a cara e ficar tropeçando por aí como um inútil. Pelo menos faça o seu papel de rei direito!

– Já que meu papel de marido eu não sei desempenhar corretamente, certo? — Fuzilou-a com os olhos, não pôde conter o rancor que estava guardado. Sabia que agira muito mal, no entanto não iria ser desprezado e humilhado, seu orgulho não permitia. — Já que está tão ruim, por qual motivo você não arranja outro para ocupar o meu lugar? Afinal de contas, você se casa com qualquer um, não é mesmo?

A viu desviar o olhar, constrangida, e respirar fundo para acalmar-se e medir as palavras antes de continuar.

– Eu não quis dizer isso. Apenas não dá para você continuar assim, não esqueça o real motivo pelo qual nos casamos, isso é mais importante que todo o resto — Deu-lhe as costas e começou a juntar os papéis para se retirar.

– Que seja — Deu de ombros e girou nos calcanhares para sair do salão, mas uma figurava adentrando pelo grande portão o deteve.

– Não me digam que cheguei adiantado demais para a reunião! — Um homem alto e muito forte se aproximava com um sorriso de orelha a orelha embaixo dos tufos longos e espessos que formavam seu bigode. Sua cabeça era desprovida de cabelo e trajava apenas calças, botas e alguns acessórios; trazia sinais brancos desenhados por seu peito e braços descobertos e um escudo gigante na mão.

– Braum! — Ashe exclamou, sorrindo e adiantando-se em sua direção.

Sentiu como se um lobo tivesse enfiado as garras em suas entranhas quando ele abriu os braços e ela o abraçou alegremente.

– Como vai a minha pequena Majestade? — Falou quando a soltou de seu aperto e tomou uma de suas mãos para beijar.

– Ocupada, mas bem. E você? Faz tempo que não o vejo, temi que não voltasse mais!

Temeu? Trynda pensou, ficando cada vez mais desgostoso com aquela conversa. Percebeu que os guardas tentavam disfarçar enquanto olhavam a cena. Aproximou-se dos dois.

– Estive muito, muito longe, mas nunca vou deixar de voltar para o meu lar – O homem notou sua presença quando parou ao lado da rainha, com a cara amarrada, e não desfez seu sorriso incômodo enquanto fazia uma reverência. — Ah, o rei Tryndamere! É uma honra conhecê-lo pessoalmente, Majestade, ouvi falar muito da sua pessoa.

– Eu também já ouvi falar de você, finalmente fomos apresentados — Era verdade, haviam muitas histórias sobre Braum, o Coração de Freljord, porém até então não tivera oportunidade de ficar-lhe cara a cara. Pareciam ter o mesmo tamanho e tipo físico, entretanto o recém-chegado aparentava ser bem mais velho; talvez fosse o grosso bigode e a cabeça lisa.

– Almoce conosco e fique no castelo esta noite, os outros devem chegar pela tarde e ir embora em três dias — Ashe falava de modo tão afável que o incomodava estranhamente.

De que diabos eles estão falando? Quem está vindo? Vasculhava a memória para tentar se lembrar, contudo não conseguia.

– Vou pedir que o levem até um dos quartos de hóspedes, descanse enquanto preparam a refeição. Com licença — Ela se retirou e deixou os dois sozinhos. Um silêncio constrangedor pairou sobre o recinto enquanto se encaravam sem ter o que conversar, até Lesrie aparecer e cumprimentá-los.

– Vossa Graça, preciso que me acompanhe, por favor — Dirigiu ao homem um breve aceno de cabeça e seguiu a mulher até um corredor vazio. O castelo estava cheio de criados correndo e levando objetos para cima e para baixo, e a todo tempo pensava que tinha de recordar com urgência o que de tão importante iria acontecer hoje.

– Bom, é que… foram ordens da rainha, eu não pude fazer nada… não brigue comigo, por favor! — Trazia um ar aflito.

– Fale de uma vez, mulher!

– Suas coisas foram levadas de volta para o aposento real agora há pouco, não poderá usar o quarto de hóspedes — Disse aos atropelos.

Como é? – Vociferou, fazendo-a encolher-se. — Com que direito vocês acham que podem decidir por mim?

– Me perdoe, Vossa Graça, mas a rainha disse que não havia lógica em ocupar um quarto à toa quando se tinha tantos hóspedes a receber…

Pelos sete infernos, quais hóspedes?!

– A Reunião do Conselho Consultivo, Senhor, os aliados estão chegando. Não se lembra?

Levou as mãos às têmporas e as apertou para tentar aliviar a dor de cabeça que sentia. A reunião estava marcada há semanas e esquecera completamente. Odiava admitir até para si mesmo, mas Ashe tinha razão, precisava se concentrar no seu papel de rei.

– Certo, Lesrie, agora suma da minha frente e só apareça quando estiver com alguma coisa para enxaqueca. Estarei na Sala do Conselho — Ela concordou e saiu praticamente correndo de lá.

Não viu as horas passarem enquanto lia as atas dos dias que negligenciara por falta de controle em sua vida pessoal. Estivera se corroendo de remorso pelo que fizera e não conseguia disfarçar a raiva que sentia de si mesmo, mas sua esposa mantinha as aparências como ninguém. Se perguntava como ela tinha a capacidade de ser tão fria, e fingir constantemente para tanta gente, quando ouviu batidas na porta e autorizou a entrada.

– Desculpe a demora, Majestade, não achei o Alto Meistre e nenhum dos seus aprendizes para me mostrar qual era o remédio, então eu tomei a liberdade de fazer um chá de camomila — A Intendente depositou na mesa a bandeja e serviu o líquido fumegante de um pequeno bule em uma xícara. — Coloquei algumas gotinhas de limão para potencializar o efeito e dar sabor. Aqui está, certeza de que vai aliviar.

Observou que ela mexia as mãos nervosamente esperando alguma reação.

– Tem medo de mim, Lesrie? — Disparou, sem olhá-la.

– O que quer dizer, Senhor? Claro que não — Gaguejou, desconcertada. Sempre manteve certa distância dele e por diversas vezes pareceu intimidada com a sua presença.

– Então me diga por que você parece tão apreensiva.

– Sinto muito, Vossa Graça, não foi minha intenção, estou muito ocupada com os preparativos e…

– Beba — Interrompeu, estendendo-lhe a bebida quente intocada e a encarando seriamente. Se aquilo era algum tipo de armadilha, não iria cair tão facilmente. Conhecera há pouco tempo e não tinha motivos para confiar totalmente nela. — Você precisa se acalmar um pouco.

– Não… Não devo usar sua xícara, eu vou…

– Não me importo com isso. Vamos, beba, vai lhe fazer bem — Não desviou sua atenção da mulher quando esta sorveu o chá lentamente, segurando o recipiente com mãos trêmulas. Aguardou alguns momentos esperando que tivesse alguma reação típica de envenenamento, mas não houve mudanças. — Sente-se melhor?

– Sim, Senhor, obrigada — De fato lhe pareceu menos aflita, mas ainda estava desconfiado.

– Agora me responda: por qual razão fizera tal gentileza? Alguém lhe mandou?

– Não, Senhor, fiz porque quis ajudar... imaginei que precisasse estar bem para o compromisso de hoje — Respondeu com mais segurança. Não estava convencido, contudo refletiu se estava exagerando; supõe-se que algumas pessoas podiam mesmo ser gentis sem ter segundas intenções.

– Tudo bem, sirva o restante e pode ir — O conteúdo do bule encheu novamente a xícara. — E tente estar mais tranquila no jantar.

Sua intenção era lhe repreender por demonstrar nervosismo tão claramente sem explicação aparente, mas algo em suas palavras a fez sorrir levemente antes de se retirar. Deu de ombros e, voltando sua atenção para os papéis, tomou um gole do chá — o gosto levemente cítrico dera um toque especial, estava realmente bom.

O Salão Real estava apinhado de gente de todo o tipo naquela noite. Várias mesas compridas foram dispostas no espaço para acomodar a enorme quantidade de convidados — ou melhor, convocados — vindos de praticamente todo o país. O líder de cada tribo aliada viera para a reunião geral do Conselho Consultivo de Freljord, requisitada presencialmente apenas em tempos de guerra declarada.

Esse era o caso.

Cada líder viera com sua própria comitiva, de conselheiros à guerreiros e intendentes, e apenas as pessoas necessárias estavam dentro do salão; o restante se reunia em volta de uma grande fogueira numa grande área aberta nos fundos do castelo. Centenas de velas dispostas em candelabros trabalhados iluminavam e enfeitavam as mesas, assim como pequenas taças de vidro, talheres de metal polido e pratos de porcelana decorada foram cuidadosamente arrumados entre as bandejas de comida do jantar.

Quando a rainha entrou de braço dado com o rei — desconfortáveis de algum modo, notou — todos se calaram e levantaram, fazendo uma reverência demorada. Seguia os demais porque não havia outro jeito, aprendera a ser muitíssimo paciente e a atuar com maestria durante todos esses séculos em que esteve escondendo sua verdadeira identidade. Graças ao poder que tinha, Lissandra conseguia assumir a forma de quem matasse, com esse intuito, e agora estava infiltrada na casa dos Avarosianos sob o corpo da líder dos Praeglacius, conhecida como a Dervixe de Gelo – uma mulher alta, magra e esguia, de rosto quadrado bem marcado. Divertia-se bastante ao ficar ali, bem debaixo do nariz de todos, sem ser reconhecida.

Um lobo disfarçado entre os cordeiros.

Anivia, a Criofênix, era a única criatura na sala que parecia perceber algo diferente na Dervixe: ficava olhando-a fixamente de tempos em tempos. Ignorou seus olhares, se soubesse de algo já teria tomado alguma atitude há muito tempo. E aquele homem sentado numa cadeira próxima, a quem chamavam de Braum, não lhe era estranho. Teve a sensação de tê-lo visto em algum lugar há muito tempo atrás, embora não tivesse certeza. Poderia ser apenas impressão, vivera centenas de anos e conheceu mais gente do que era capaz de recordar.

– Sejam bem-vindos, amigos — Começou Ashe, imponente com seu traje de rainha e sua coroa de ouro e safiras. — Espero que estejam confortáveis em minha casa. Iniciaremos a reunião agora e logo após poderemos nos servir de comida e bebida. Sentem-se.

Ao se acomodarem em suas cadeiras e tronos, continuou:

– Temos dois pontos importantes a discutir: Sejuani e o sumiço de pessoas — Lissandra empertigou-se, atenta a todos os murmúrios. O que diriam se soubesse que a mandante do crime estava ouvindo e manipulando-os ao seu bel-prazer? Tinha de se esforçar para não cair na gargalhada. — Como sabem, a Garra do Inverno atacou nossas terras, declarando assim uma guerra abertamente.

– Porém, veio com um pequeno número de guerreiros — Tryndamere tomou a palavra, admiravelmente suntuoso em suas roupas reais e coroa igualmente preciosa. — Muitos deles um tanto inexperientes, apesar de bons lutadores, pelo que pude notar pessoalmente; e quando estávamos ganhando, bateram em retirada para sua tribo. Isso só comprova o que suspeitamos de início: estavam testando nossas forças contra as forças deles.

– E, além disso, saquearam com sucesso um armazém, então estou certa de que estão se preparando para uma batalha ainda maior — Ashe concluiu.

– Vossa Majestade quer dizer que aqueles guerreiros impiedosos estão cientes de nossas habilidades, bem alimentados e, portanto, mais fortes para nos atacar com todas as forças? — Lissandra resolveu se sobressair ao burburinho que se formou no salão, alteando a voz e chamando toda a atenção para si. Como gostava daquilo!

– Sim, é isso mesmo — O rei respondeu, sério. — Por isso que, em primeiro lugar, vamos alterar o treinamento dos nossos soldados, deixando-o ainda mais eficaz. Cada tribo aliada receberá representantes que conduzirão inicialmente, a fim de aumentar força e resistência. Em segundo lugar, todos devem estar aptos a lutar quando chamarmos, exceto os que não são fisicamente capazes.

– Não temos como ocupar tanta gente, precisamos de construtores, padeiros, lavradores e tudo mais! — Um homem da tribo do sul bradou, exasperado, sendo apoiado por boa parte dos presentes.

– Concordo, como se já não bastassem esses sumiços! As tribos menores não têm como disponibilizar tanto assim — Falou um outro e o ruído de vozes aumentou.

– Calma, senhores — A rainha teve de esperar alguns momentos até que diminuísse a exaltação. — Essa parte será acordada de maneira devida nesses dias que estarão aqui, terão tempo para se organizar. Sobre os desaparecimentos, creio que Sejuani não está por trás disso. Recebi uma carta de próprio punho ameaçando tomar providências nada agradáveis se não parássemos de sequestrar o povo dela.

– E quem garante que aquela mulher esteja falando a verdade? Pode ser um golpe — Uma loira sentada atrás de si falou, remexendo-se no assento.

– Pelo que conheço de sua personalidade, não usaria truques traiçoeiros para conseguir algo; simplesmente viria e tomaria à força, mostrando a todos sua suposta superioridade — Ashe estava certa, Sejuani gostava mesmo de se exibir. Uma tola. Muito mais efetivo era ficar atrás das cortinas puxando as cordas das marionetes de acordo com sua vontade e fazer uma entrada triunfal no momento certo. — Além do mais, se as pessoas da Garra estão sumindo, supõe-se que outro alguém está por trás de tais atos.

Sim, meu bem, este alguém sou eu: A Bruxa Gélida. Prazer em conhecer!, pensou satisfeita consigo mesma. Teve de morder a língua para não proferir tais palavras, apenas para ver a cara de choque daqueles imbecis.

– Fontes seguras relataram ter visto trolls em diversas regiões; o que é muito suspeito, já que não costumam ir muito longe — Percebeu que o rei tomou cuidado em não falar abertamente sobre os dois que encontrara praticamente no quintal da sua casa.

– Eu e mais três líderes recebemos relatos de que alguns trolls estavam muito próximos dos locais pouco antes dos indivíduos desaparecerem — A loira tornou a falar. Malditos sejam aqueles estúpidos, não conseguem fazer nada direito!, pensou. Tinha de intervir de alguma forma:

– Verdade, ouvi dizer que havia dois aqui na floresta e fizeram duas vítimas antes de serem mortos — Muitos dos que ainda não sabiam olharam dela para os reis com expressões interrogativas no rosto. Os viu ajeitarem-se nas cadeiras, levemente desconfortáveis. Tryndamere abriu a boca para responder, mas Ashe fora mais rápida.

– Sim, está correta, Dervixe. Fora antes dos raptos e nunca mais ousaram se aproximar. De qualquer forma, acredito que os trolls tem alguma participação nisso, conto com o apoio de todos para investigarmos melhor; capturem e interroguem se os virem, mandem relatórios e reforcem seus muros.

Apesar de contornar rapidamente a situação, a rainha não conseguira retirar totalmente a semente da discórdia que Lissandra plantou ao revelar uma pequena e proposital falha de comunicação entre a coroa e seus aliados. Usaria essa chance para conseguir trazer mais deles para o seu lado por debaixo dos panos.

Mais alguns momentos de conversa se seguiram antes de darem os assuntos importantes por encerrados e o banquete ser servido. Observava com interesse cada uma das pessoas ao seu redor, enquanto estas bebiam barris e mais barris de vinho — a começar por aquele ruivo esquisito chamado Gragas, e enchiam a barriga alegremente.

Finalmente aquele longo dia estava terminando.

Ashe sentia-se exausta e tudo o que queria fazer era dormir por três dias seguidos, se fosse possível. Estava aliviada por não ter havido nenhum tipo de problema durante e após a reunião; temeu quando o rei e seus comparsas começaram a beber além da conta, mas conseguiu contornar toda a situação dispersando os que permaneciam sóbrios para se lembrar caso algo acontecesse.

Estava virando a esquina para tomar o corredor do andar que levava aos seus aposentos quando viu a cena ao longe que a fez parar de súbito: Tryndamere estatelado na escada que ligava a ala Leste com a Oeste e Lesrie ajoelhada ao seu lado. Fez menção de chamá-los e aproximar-se, mas parou quando viu que ela tentava levantá-lo, cambaleando com o peso do corpo que o homem jogava em cima de si para apoiar-se, completamente embriagado.

Escondeu-se na quina da parede e ficou observando um dos braços compridos de Les abraçando a cintura do seu marido com firmeza e uma mão apertando o punho do braço musculoso que ela colocara em seus próprios ombros enquanto tentava seguir caminho, provavelmente até o quarto real mais à frente. A sensação de formigamento no rosto lhe era completamente estranha; tão estranha quanto seu maxilar cerrado involuntariamente.

– Ah, esses criados… — Ashe virou-se para trás com um sobressalto, estava tão concentrada à sua frente que não percebera a Dervixe de Gelo parada atrás de si. — Sempre fazendo de tudo para agradar os seus superiores…

Podia sentir, por seu suspiro exagerado, que estava fazendo algum tipo de zombaria. A raiva se espalhou rapidamente pelo corpo, no entanto controlou as emoções e lhe lançou o olhar mais frio que tinha.

– Do que está falando? Afinal, é o trabalho dos criados, não é? — Também estava tentando convencer a si própria disso.

A mulher alta fez cara de intrigada.

– Então por que você estava aí escondida? — A rainha não soube responder sua pergunta. Não fazia ideia do motivo pelo qual preferira olhá-los das sombras e muito menos de onde vinha a irritação que estava sentindo bem antes de ouvir as palavras que a mulher lhe dirigira. Com seu silêncio, a Dervixe sorriu com indisfarçável sarcasmo e tocou-lhe a face como quem consola uma criança.

– Oh, minha querida, ainda bem que vocês não se casaram por amor, não é mesmo? — Deu as costas e saiu cantarolando pelo corredor oposto antes que pudesse lhe dar alguma resposta.

Ficou parada ali pelo que lhe pareceu uma eternidade, com um nó na garganta, desejando que as palavras não tivessem lhe faltado quando mais precisara delas; certamente que fora culpa da sensação esquisita que os dedos gélidos daquela mulher deixaram em sua pele. E com que direito se intrometera na sua vida daquela maneira? Ela era uma pessoa de modos peculiares, todos sabiam, mas não era justificativa para tal.

Deu conta de que ainda estava de pé no meio de corredores desertos e ansiou por sua cama macia. Pôs-se a andar rapidamente, tentando afastar os sentimentos ruins que se acumulavam dentro de si e os pensamentos inoportunos, preparando-se psicologicamente para manter-se completamente tranquila quando encontrasse o cachaceiro que desposara praticamente desmaiado em cima do seu leito sagrado.

Qual não foi sua surpresa ao entrar vagarosamente pelas grandes portas de madeira entalhada e não o encontrar onde geralmente estaria e, em vez disso, ouvir vozes saindo pela porta aberta do banheiro lá dentro. Sem fazer barulho, aproximou-se e não colocou mais do que metade do rosto através do vão para ter uma boa visão.

O que viu fez seu sangue subir para o rosto de maneira tão repentina que podia jurar que estava queimando de dentro para fora.

Fora a sensação mais inusitada que já tivera na vida e não fazia ideia por que motivo a sentia ao ver as roupas do rei no chão e este sentado dentro da banheira, com Les de pé do lado de fora, despejando um balde de água fria em cima de sua cabeça e em seguida esfregando seu braço mais próximo com uma esponja macia.

Aquela noite estava totalmente fora do comum.

Notas finais
Vixi Maria, mainha! Keke ta contesseno? :v palespsaokepaoskepasoe Meus amores, queria desejar a vocês um ótimo natal e um ano novo maravilhoso, obrigada por acompanharem minha história com tanto carinho, amo vcs! ♥ Bjs e até o ano que vem ! ;D apseaplwápselapseksap