Destinos Arranjados
1 O Casamento
Notas iniciais
- Os personagens pertencem à Riot Games;
- O primeiro capítulo será curtinho só pra iniciar, os próximos serão maiores;
- Não pretendo fazer uma fanfic muito longa, tenho em mente apenas contar um pedaço de uma história: ela começa em um certo ponto da vida dos protagonistas e terminará em certo ponto;
- Espero que gostem!!
E era chegada a hora do fatídico dia. Lá estava ela com seu traje de rainha, seu vestido azul longo e rodado dava-lhe um ar de superioridade, suas joias reluziam à luz amarelada das arandelas de fogo mágico, seus cabelos agora azuis caiam-lhe soltos pelas costas, longos e cuidadosamente adornados nas pontas por anéis de puro ouro. Mas sua expressão era séria e um tanto triste, apenas pensava em como seria a sua vida daquele momento em diante.
Foi quando ouviu seu nome ser anunciado e entrou no recinto. Todos estavam de pé à sua espera e todos se curvaram diante de si em sinal de respeito. Menos ele. Ele continuava de pé, os olhos fixos em sua direção, mas sua expressão era tão vazia quanto a dela própria. Um acordo político os fez estarem ali naquela cerimônia diante de toda a côrte do reino de Freljord, mas um casamento arranjado não causava estranheza a ninguém, exceto aos noivos.
Seus olhares se cruzaram por alguns segundos antes que ela os desviasse para observar o local e continuar a caminhar em sua direção. Notou que ele também usava seu traje de rei, cheio de pompa e grandeza, seu tecido branco contrastando com sua pele morena e seus longos cabelos negros — que, ela admitia em pensamento, davam-lhe um certo charme.
Chegando ao altar, não trocaram sequer uma palavra, apenas olhares rápidos e suspiros de conformidade. Não haviam pedido nada daquilo, mas sabiam cumprir o seu dever.
- Esta noite, caros nobres — Começou o Ancião, responsável por realizar cerimônias especiais e servir de conselheiro nas horas mais necessitadas — celebramos a união desses dois seres e dessas duas almas como uma só. Celebramos o nascimento de um Rei e uma Rainha, que comandarão Freljord com a mesma sabedoria e dedicação que os seus antecessores.
As palavras do Ancião foram diminuindo aos seus ouvidos quando tentou observar o seu noivo. Olhou de soslaio e notou que ele também não prestava atenção à cerimônia, mas olhava para a janela à sua frente com um olhar vago, perdido em pensamentos. Ela já conhecia a sua fama, era um homem cheio de ódio e fúria e um guerreiro impiedoso, eliminava seus inimigos com poucos golpes da sua enorme e pesada espada. Sua aparência era séria e sombria, seus grandes músculos e considerável altura empregavam-lhe mais medo ainda. Apesar de tudo o que falavam dele, ela não sentia medo, afinal, era uma arqueira muito habilidosa e ele não se atreveria a fazer qualquer mal a ela.
O casamento transcorreu calmamente, com os noivos em silêncio obedecendo aos rituais de maneira quase automática, até que o momento da coroação os despertou de seus devaneios. Ambos receberam o símbolo de sua majestade, coroas douradas adornadas com safiras azuis reluzentes, e foram aplaudidos de pé pela côrte. Sem olhá-la, ele estendeu o braço para ela e, obediente, ela entrelaçou com o seu e caminharam para o grande salão, onde um banquete os esperava.
Todos fartaram-se de comida, vinho e música até estarem cansados demais para continuar, mas ambos se postaram nos seus respectivos tronos de começo até o fim da festa, trocando pouquíssimas palavras e olhares. À madrugada, os novos rei e rainha se despediram dos que ainda resistiam em pé e rumaram para os aposentos reais em busca de um descanso daquele dia longo.
O quarto era amplo e repleto de quadros, tapeçarias e flores, sua grande cama de dossel alto tinha espaço suficiente para caber umas 5 pessoas sem aperto, e sua enorme porta de vitral levava a uma espaçosa sacada com uma belíssima visão do reino em volta do castelo.
- Você não parece feliz com o casamento — ele a despertou dos seus pensamentos.
- Nem você — replicou.
- É, talvez — Ele sentou-se pesadamente na beirada da cama e começou a tirar os sapatos, depois levantou-se para desabotoar os cintos e tirar seu manto branco. Ela o observava de pé, em silêncio, espantada com a naturalidade que ele se despia em sua frente — alguém que há pouco tempo nem o conhecia.
- Rainha Ashe — Chamou sem olhar em sua direção — a senhora está pronta?
- Pronta para quê, Rei Tryndamere? — Respondeu ligeiramente nervosa, virando-se de costas enquanto ele tirava a última camisa e ficava somente de calças. Sentiu sua pele alva do rosto corar. O que ele pretendia? — Pensou.
- Você sabe — respondeu objetivamente, olhando rapidamente em direção às janelas e portas como se verificasse que estavam mesmo à sós.
- Seja mais claro, por gentileza — seu nervosismo aumentara e resolveu se aproximar silenciosamente de uma penteadeira onde havia um enfeite de cabelo de metal pontudo como uma pequena adaga, não era afiado, mas poderia perfurar. Ele podia ser seu marido agora, mas não o deixaria sequer tocá-la tão facilmente. Ouviu os passos pesados do homem vindo em sua direção e se preparou para o ataque. Sentiu-o parar atrás de si e aproximar-se de seu rosto. Apertou com força sua pequena arma de defesa.
- Pronta para defender nossas torres no ataque de amanhã, o que descobrimos a emboscada. Não devemos falar isso alto, as paredes têm ouvidos — sussurrou sem tocá-la, olhando novamente para os cantos. Por um momento o perfume dos seus longos cabelos azuis o distraiu, jamais havia sentido um cheiro tão doce e agradável, mas se recompôs rapidamente e voltou sua atenção para algo que ainda não havia notado.
- Ah, sim, claro. Certamente, sempre estou pronta para defender o meu reino.
- Ótimo, bom saber — e com um rápido movimento segurou com força a mão que ela agarrava o enfeite antes que ela pudesse reagir. Assustou-se tanto com o movimento tão brusco que procurou algum outro objeto que pudesse se defender com a mão livre, mas ela fora agarrada também. Os braços fortes do homem seguravam seus pulsos finos com firmeza. Tentou se soltar, mas foi inútil, ele puxou seus braços para trás e os segurou em suas costas. Ela mirou um chute em seu joelho, mas ele afastou as pernas dela com as suas próprias e a deitou por cima da penteadeira, colando seu corpo contra o dela para que não se mexesse. Sentiu o corpo quente e pesado daquele homem sobre si e lamentou não estar com seu arco e flecha nesse momento. Jamais deveriam ter se casado, ele era um bárbaro cheio de ódio e, pelo visto, não se importaria em machucá-la e humilhá-la.
- Escute bem, querida esposa, só vou lhe perguntar uma vez. O que você pretendia fazer com aquela pequena arma? Furar meus olhos ou garganta enquanto eu dormia? — Sua voz era séria e sombria.
- Pretendia me defender exatamente do que você está fazendo agora e do que fará depois — Sua raiva era completamente notável.
- Vejo que não deu certo. E eu não iria lhe tocar em momento algum. Diferente de você eu não escondia algum tipo de arma para lhe atacar e nem pretendia fazer qualquer coisa contra você. Para que fique bem claro a partir de hoje, eu não vou sequer encostar um dedo em você se você não for uma ameaça para mim. Espero que não pense em me atacar novamente se quiser continuar viva — seu tom era carregado de ódio.
Ela deixou o enfeite cair de sua mão e bater com estrépito no chão, percebeu que não deveria ter agido daquela maneira.
- Desculpe, eu achei que você quisesse...
- Achou errado — interrompeu — se eu quisesse fazer o que quer que seja, eu já teria feito. Não repita.
Ele soltou seus braços e se afastou rapidamente, entrando no quarto de banho e batendo a porta com força. Ashe sentou-se pesadamente sobre a cadeira macia em frente a penteadeira e sentiu uma pequena vontade de chorar. Um homem orgulhoso como ele não iria aceitar facilmente uma desconfiança como aquela. De fato, ele não tinha dado sinais de que iria atacá-la, mas seu nervosismo a fez agir por instinto. Agora teria de conviver com um homem que possivelmente a odiava. Sua aliança amanhã no campo de batalha era de extrema importância e ela estragara tudo. Deu um longo suspiro antes de começar a despir-se.
Quem ela pensa que é? Pensou, sentado numa grande banheira de pedras coloridas e água quente, contornada por arandelas, sais de banho e tecidos macios para se enxugar. Ninguém tenta me atacar dessa maneira, ninguém, muito menos ela. Não vou permitir que essa mulher me desrespeite dessa maneira. Se fosse qualquer outra, eu já teria arrancado a cabeça.
O calor da água e o vapor o fizeram distrair-se e acalmar-se, fazendo-o pensar na batalha de amanhã. Tudo deveria ser feito para eliminar os inimigos, mas já não tinha certeza se deveria confiar na mulher com quem acabara de se casar. Com um suspiro pesado, terminou seu banho, enxugou-se e saiu para o quarto do jeito que estava, sem roupa alguma para cobri-lo, não se importava com isso.
Ela estava sentada em uma poltrona comprida aos pés da cama e, pelo fino roupão que usava, estava à espera de sua vez no banho. Ela olhou em sua direção assim que ouviu a porta abrir, mas com um gritinho abafado virou-se rapidamente de costas, corando furiosamente. Jamais havia visto um homem sem roupas e, mesmo sendo o seu marido, era extremamente constrangedor e assustador. Ele achou graça da reação da moça, mas não deixou transparecer, ainda estava bravo. Desforrou uma das extremidades da cama e enfiou-se debaixo das cobertas. A última coisa que viu foi um corpo magro e esguio envolto em tecidos esvoaçantes correndo para o quarto de banho antes de adormecer.
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