Destinos Arranjados

5 Moldada pelo Inverno


Notas iniciais
Hiiii, amores, consegui adiantar a fic alguns dias (poucos, mas ta valendo) ♥♥ Espero que gostem e estou super ansiosa pelos comentários! *--* TEM AVISOS IMPORTANTES NAS NOTAS FINAIS DO CAPÍTULO, POR FAVOR, LEIAM. E o de sempre: - Atualização a cada duas semanas (esse prazo pode ser estendido caso haja algum imprevisto, peço desculpas se acontecer); - Essa fanfic é apenas BASEADA na história oficial dos personagens, NÃO quer dizer que se manterá fiel ao que o jogo já tenha divulgado ou divulgará. Semelhanças e divergências serão encontradas. - Os personagens pertencem à Riot Games.

As semanas se arrastavam lentamente naquele lugar gelado e inóspito. Apenas os mais fortes sobreviviam àquelas temperaturas baixas, até o ar era mais difícil de respirar na região montanhosa em que seu povo vivia isolado dos demais, se tornando cada vez mais fortes para as batalhas que planejavam travar.

Fraqueza não era aceitável ali.

Quem não pudesse aguentar seria deixado para morrer, essa era sua condição. Não tinha paciência para velhos e crianças, eram um atraso para os seus ideais. Trabalhara com afinco para se tornar o que é hoje e quem quisesse continuar com ela que fosse resistente o suficiente. Sejuani era uma mulher muito valente e intempestiva, submetera-se a diversas provações durante anos como treinamento e a friagem impiedosa a endurecera a ponto de se tornar líder de uma tribo de bárbaros sanguinários chamada Garra do Inverno, rival dos Avarosianos. Fora a única dos seus irmãos a sobreviver à fome e ao frio quando criança, conheceu de perto todas as penúrias que o destino poderia lhe trazer e não se deixou abater. Não iria jogar fora tanto tempo de dedicação e superação para abaixar a cabeça perante uma rainhazinha qualquer em troca de comida e de um lugar no Conselho Real Consultivo de Freljord. Se sentira ofendida e ateara fogo aos grãos que lhe foram enviados como um presente de conciliação sem pestanejar — porém aquilo lhe saiu mais como uma armadilha, visto que centenas de seus soldados debandaram para o lado oposto aceitando aquela mulher como sua rainha.

Eram todos uns tolos.

Inclusive aquele bárbaro que ela tomara como marido. Ele vivera naquelas bandas do Norte, era um guerreiro extremamente forte e mesmo assim fora lamber o chão que Ashe pisava, levando consigo os fujões da sua tribo. Então que ficassem por lá refestelados, queria ver o que aquele provo fraco e combatentes enferrujados fariam quando ela chegasse para dominá-los. Esperava obstinada o dia em que finalmente iria tomar à força o que deveria ser seu e se alegrava ao saber que não faltava muito. A situação estava tão ruim nesses tempos com a falta de comida e a frieza de congelar a alma que estava certa de que seu contingente seria novamente diminuído, mas resistiram com bravura e permaneceram de pé até aquele momento.

Por isso iria se permitir relaxar aquela noite.

Não tinha o costume de acender a lareira para se aquecer, apenas gostava da luz amarelada que iluminava praticamente todo o pequeno chalé onde morava, gostava de observar as sombras compridas e trêmulas que eram projetadas dos poucos móveis e objetos que possuía. Não precisava de nada além do necessário, somente o seu javali iria junto consigo para onde quer que fosse. Bristle era um animal enorme, tão forte e feroz quanto ela própria e seu único amigo fiel. Passava horas montada no dorso daquela criatura, a visão de ambos juntos fazia qualquer um tremer de medo. Deixara-o descansando no cômodo adjacente que construíra para abrigá-lo como merecia e encostou a porta, pondo-se a esperar o convidado da noite.

Já estava impaciente quando ele aparecera entrando cauteloso pela porta da frente após dar-lhe permissão. Na primeira sala havia uma mesa disforme feita com restos de troncos e várias cadeiras à sua volta, diversas reuniões importantes aconteciam naquele local tão vazio. Alguns passos adiante a lareira acesa crepitava em frente a uma pele de Urso-cinzento-das-montanhas que fazia as vezes de tapete e uma espécie de divisória entre a sala de estar e a cozinha — que na verdade não passava de um balcão de pedra grosseira com prateleiras embaixo e um pequeno tanque cheio d’água pregados à parede, usava a própria lareira como fogão. Ao fundo estava o vão que levava ao quarto da líder, peles rasgadas de lobos e raposas foram penduradas no lugar da porta para que pudessem dar-lhe certa privacidade e visibilidade ao mesmo tempo. Sabia que ela o observava, podia ver aproximando-se do quarto por entre as frestas. Afastou as peles e entrou.

– Está atrasado — Seu tom era intimidante. Ajoelhou-se imediatamente aos pés da cama e fez uma reverência, temeroso.

– Perdão, Senhora, não pude evitar. Eu tive que...

– Cale-se — Interrompeu, descendo da cama e caminhando até o homem, que não se atreveu a suspender o olhar. — Me pergunto o que seria mais importante do que um chamado meu.

Nada, minha Senhora! — Balbuciou nervoso. — Um dos animais se soltou do cercado e... — Fora interrompido novamente por uma mão que agarrara a gola de suas vestes fazendo-o levantar-se de súbito e o peso de uma outra mão se chocar contra seu rosto.

– Já mandei calar-se! — Vociferou irritada. Encarou os olhos cor de mel do loiro bem-apessoado à sua frente. Respirou fundo e sorriu maliciosamente. — Apenas faça o seu trabalho e compense a demora.

O nervosismo do rapaz parecia diminuir à medida que ela o beijava com avidez enquanto arrancava suas roupas com violência, chegando a partir os tecidos mais finos que usava por baixo das grossas camadas de pele de lobo. Logo notou que aquela mulher o deixaria em farrapos tamanha sua pressa para despi-lo. Tratou de retribuir rasgando a única e fina peça de roupa que ela usava aquela noite, sequer tivera tempo de notar o que era desde que chegou. Pelo gemido que ouviu seguido da mordida dolorosa que recebera em seu lábio inferior, Sejuani estava gostando.

Sentiu as mãos calejadas do homem percorrerem seu corpo musculoso, porém magro, e apertar suas nádegas enquanto deslizava a boca pelo pescoço até chegar aos seios — não eram tão grandes, mas ninguém se importara até então. Chupou-os com cada vez mais vontade à medida que ela enterrava as unhas curtas em suas costas e braços. Puxou-o pelos cabelos desgrenhados e o jogou na cama, parando alguns segundos para observar melhor o convidado. Era apenas um pouco mais alto que ela, mas bem mais largo e troncudo; seu peito era cheio de pelos claros que seguiam abaixo até suas pernas. Atentou para o que realmente lhe interessava e gostou do que viu: o pênis comprido do homem estava rígido à sua espera.

Pulou para a cama e ficou por cima dele, esfregando sua vagina úmida no membro quente e pulsante enquanto lhe dirigia um olhar provocante, como se o desafiasse. Inclinou-se para frente sem perder a fricção e distribuiu diversas mordidas na orelha e no pescoço do homem, vendo-o arrepiar-se e tentar revidar mordiscando seus mamilos. Gemeu mais alto com aquela dorzinha fina que tanto apreciava e ele se empolgou: suspendeu uma das mãos e desferiu um forte tapa em sua bunda empinada. O gemido que saiu fora ainda mais sonoro que o anterior e, no calor do momento, devolveu o tapa acertando seu rosto.

O homem assumiu uma expressão alarmada e tentou balbuciar um pedido de desculpas, como todos os outros. Gostava de selvageria e viva entre bárbaros, mas nenhum dos que mantivera relações sexuais parecia capaz de tomá-la como de fato ansiava há algum tempo, todos temiam a grande líder da tribo e não se atreviam a ousar demais. O problema era que procurava justamente essa ousadia, alguém tão voraz quanto ela própria e que não se contivesse diante de seu poder e status para que lhe servisse adequadamente como um objeto de prazer.

– Cale a porra da boca e a use para algo mais interessante antes que eu me arrependa de tê-lo chamado — Engoliu em seco com o tom raivoso da mulher e obedeceu sem pestanejar quando ela engatinhou até posicionar seus joelhos em volta da cabeça dele e aproximar a genitália do seu rosto. Lambeu-a como se sua vida dependesse daquilo — e talvez dependesse mesmo. Alternava entre sugadas fortes e lambidas frenéticas em seu clitóris, descendo de tempos em tempos para chupar o restante da sua vulva e enfiar a língua em sua cavidade. Estava um tanto quieta quando começara, mas agora gemia alto e por vezes apertava tanto o rosto dele contra suas pernas que quase o sufocava. Vendo que não a satisfaria completamente sozinho, levou os próprios dedos à sua região mais sensível e passou a estimulá-la cada vez mais rápido, enquanto ele ainda se ocupava em lamber e engolir o líquido viscoso de sua excitação, até o orgasmo tomar conta de seu corpo.

Antes que a sensação entorpecente se dissipasse por completo ela já estava procurando por mais, ainda não fora o suficiente para liberar toda a tensão acumulada. Posicionou-se novamente em cima do pênis e esfregou-se rapidamente, lambuzando-o. Sem poder se conter por mais tempo ele sentou na cama, a suspendeu e encaixou a glande na entrada da sua vagina, puxando-a para baixo com um tranco e a penetrando com força. Ela rebolava com voracidade sentindo toda a extensão daquele membro dentro de si enquanto seus cabelos lisos, curtos e muito claros eram puxados pelo homem, que soltava gemidos graves e algumas obscenidades que ela adorava ouvir, beijando-a com luxúria e deixando marcas roxas de chupões onde podia alcançar. Empurrou-o rudemente para que se deitasse novamente, gostava de ficar ali montada, por cima, dominando — porém deixou que ele segurasse sua cintura curva e finalizasse o trabalho, metendo rapidamente enquanto a via masturbar-se e praticamente gritar de prazer enquanto gozava pela segunda vez, pouco antes de despejar seu próprio gozo dentro dela.

Deitou-se ao lado do sujeito e deixou o corpo relaxar, ainda sentindo seus músculos se contraírem involuntariamente. Ele a olhava como se não soubesse mais o que fazer e esperasse uma ordem. Pousou a mão sobre o abdômen rígido e um tanto definido de Sejuani, afagando-a desconcertado. Ela aproximou-se e deu-lhe um beijo frio nos lábios, se comparado aos que lhe dera quando chegara.

– Fez um bom trabalho hoje, está dispensado — Falou em rodeios. Era a primeira vez que usava aquele guerreiro em suas sessões de prazer, então quanto antes se acostumasse a suas regras, melhor. Sem dizer uma palavra ele se vestiu, acenou com a cabeça e a deixou.

Descera apressada naquela manhã para o treino, se distraíra enquanto se arrumava e acabou por perder o horário. Deixou seu marido dormindo feito uma pedra sob o efeito do chá concentrado que fizera para ele na noite anterior, era muito cedo para acordá-lo; o sol sequer havia raiado e sabia que precisava descansar adequadamente visto que tinha sonos agitados e pesadelos com certa frequência. Por vezes tentou entender o que dizia enquanto estava preso aos sonhos, mas não teve sucesso, apenas ouviu o próprio nome algumas vezes. Achou graça por estar sonhando com ela e chegou a sondar do que se travava, no entanto ele desviou do assunto sem responder.

Talvez fossem os mesmos que os dela.

Acordou corada nas três ou quatro ocasiões em que seu inconsciente a colocou em momentos ardentes com seu esposo, certamente culpa dos amassos que trocavam aqui e ali por causa da falsa lua de mel. Na verdade, já nem sabia ao certo se ainda faziam isso pelo plano ou por querer, não estavam mais sendo seguidos atualmente e tinham obtido o êxito que almejaram de início, porém ambos pareciam concordar silenciosamente em continuar com a farsa por garantia. Farsa? Refletiu.

Afastou os pensamentos daquele assunto quando viu que já a esperavam no campo de treinamento, ele estava habitando sua mente com mais constância do que gostaria. Lesrie estava recolhendo algumas flechas caídas no chão quando se aproximou, seu longo cabelo ondulado castanho-claro estava preso em uma trança que lhe chegava aos quadris; a calça e o gibão de couro de carneiro feitos por ela mesma a mantinham aquecida e não limitavam seus movimentos. A sua perna levara quase um mês inteiro para se curar por completo, a mobilidade não fora afetada e tudo o que restou foi uma cicatriz enorme que não a incomodava. Era uma mulher muito alegre e agradecida, aceitara de pronto o convite de Ashe para ser sua intendente e morar no castelo, ansiosa em retribuir os cuidados que recebera. A rainha afeiçoou-se muito a ela nesses três meses que se passaram desde que a salvou dos trolls e estava satisfeita com o seu trabalho, era prestativa, disciplinada e inteligente. Além de tudo, era uma boa amiga.

– Bom dia, majestade — Falou sorridente fazendo uma pequena reverência.

– Bom dia, Les — Sorriu de volta. — Vejo que já começou e que tem melhorado a mira mesmo com tão pouca luz.

– Sim, senhora, ainda é difícil para mim, mas creio que vou conseguir pelo menos acertar o centro do alvo um dia — Riu. Sua determinação era algo bonito de se ver, estava sempre tentando fazer o melhor que podia e sabia como se manter paciente até conseguir.

Decidira lhe dar algumas aulas de arco e flecha para que pudesse se defender melhor, todo cuidado era pouco depois do que lhe acontecera e era bom ter uma companhia enquanto treinava. Vez ou outra Tryndamere se juntava a elas para se manter ativo, viva reclamando que nada de interessante acontecia naquele lugar e que não via a hora de arranjar uma briga de verdade para extravasar sua fúria. Concordava que tudo estava estranhamente calmo por tempo demais depois dos atentados, mas sabia que alguma coisa estava por vir. Reforçara a segurança e mandara o Comandante viajar com alguns de seus homens para colher informações que lhe pudessem ser úteis acerca dos trolls e das cartas — ainda não conseguiram descobrir quem as colocou lá. Já havia descartado a participação dos conselheiros e de alguém do seu convívio, estava convencida de que não morava ali quem estava por trás disso.

– Tente manter o punho firme enquanto se movimenta, Les — As horas passavam rápido e o treino era produtivo. A rainha era uma professora pacífica, a incentivava positivamente e não zombava da falta de habilidade da aluna mesmo que a própria o fizesse para descontrair. — Agora que já está bem claro, quero que corra em linha reta enquanto dispara contra o alvo. Vou demonstrar — Afastou-se para tomar impulso e correu em paralelo ao objeto pintado com círculos, atirando com rapidez e precisão. Quando passou da mira deu uma pirueta e disparou em pleno ar, acertando o centro como todas as outras vezes e aterrissando de pé com suavidade. Lesrie arregalou os olhos admirada e abriu a boca para falar, mas um som de palmas atrás de si a calou e fez virar-se.

– Parabéns, já pode trabalhar no circo — O rei se aproximava com uma expressão de escárnio no rosto.

– Aquele mesmo de onde você saiu? — Devolveu com chacota. A intendente teve que levar a mão à boca para disfarçar o riso baixo que lhe escapou ao ouvir a resposta da rainha.

– Sempre afiada, gosto assim — Apontou com a cabeça na direção de onde viera, chamando-a, e se afastaram alguns passos.

– Dormiu bem? Parece animado — Não era habitual aquele bom humor, geralmente distribuía grosserias à vontade quando não estava pensativo em algum canto ou quebrando a mobília.

– Como um anjinho, aquele chá realmente fez efeito. Mas não é por isso que estou aqui, vim avisar-lhe que Gragas voltou de viagem, estou indo visitá-lo.

– Já vão beber tão cedo? — Não era uma repreensão, era uma constatação. — Quando estiver livre eu farei uma visita, mande lembranças por mim.

– Espero que ele tenha novidades úteis também. Mais tarde nos falamos — Já tinha dado duas passadas quando parou e virou-se novamente, somente agora havia reparado. — Você está loira?

– Ah, sim, estou. Tingi hoje, quis mudar um pouco — Ficou levemente surpresa por ele reparar, homens não costumam se ater a esses detalhes. Hoje também mudara o vestido, o modelo era o mesmo de sempre, mas a cor era verde-mata com detalhes dourados e marrons.

– Ficou bonita — Chegou bem perto e abaixou o tom de voz. — Tanto que vou me divertir com você esta noite.

Como disse?– Sussurrou sobressaltada, não esperava por aquelas palavras no momento.

– É só uma brincadeira, não precisa fazer essa cara tão feia — Zombou. O elogio fora sincero de fato, até sentiu vontade de lhe dar um beijo demorado, lhe apalpar e outras coisas mais, entretanto controlou-se e foi-se embora.

Estavam se aproximando nesses últimos meses e construindo uma relação de amizade, no mínimo, interessante. Quando não estavam discutindo por causa do seu temperamento ruim, faziam troça um do outro, conversavam e até riam, coisa um tanto incomum para ambos: ele vivia carrancudo e irritado, ela era fria e contida. Há muito tempo Tryndamere não sabia o que era dar uma risada despreocupada e ter momentos divertidos. Todavia a parte que mais gostava era, sem dúvidas, a das intimidades.

Conseguiram convencer o Tesoureiro de que seus comportamentos estranhos eram frutos de uma lua de mel e ele parou de bisbilhotar logo após a quinta vez que os viu juntos, quando o rei disse que sabia que alguém os estava seguindo e quando descobrisse quem era cortaria a cabeça sem pensar duas vezes. Mesmo sabendo que não havia mais uma real necessidade de sustentar o plano, não conseguia parar. Não era tão fácil ficar perto dela e não querer lhe agarrar e fazer sexo, tinha pensamentos obscenos com extrema frequência e não poder fazer o uso adequado daquele corpo o deixava ainda mais irado a maior parte do tempo. Fazia um esforço sobre-humano para resistir.

Chegou à porta do amigo e bateu com força. Esperou, sem resposta.

– Abra a porta, seu bastardo, sou eu! — Gritou batendo novamente. Ouviu vozes dentro da casa e o som de grandes pés se arrastando até a entrada.

– Mas quem é o desgraçado que me acorda uma hora dessa? — Ralhou antes de abrir a porta. — Ah, claro, só podia ser esse desocupado! Entre logo de uma vez — Seu tom era sempre debochado, dificilmente falava sério. Entrou e sentou-se no sofá sem cerimônias.

– Ande, sirva logo uma bebida, o que trouxe de novidade dessa vez? — Antes que o ruivo respondesse, uma mulher seminua saiu do quarto, parecia tonta e perdida. Seus cabelos escuros estavam desgrenhados e a pintura borrada; a blusa se perdera em algum lugar e a saia branca que lhe servia de roupa íntima continha diversas manchas amareladas; seu corpo era cheio e bem feito. Começou a falar palavras desconexas com a voz embolada, mas Gragas interrompeu.

– Por favor, querida, me espere lá dentro, irei logo. Vou conversar um pouco com meu amigo — A mulher ainda demorou alguns momentos para assimilar, concordar e se retirar cambaleando enquanto servia um líquido branco espumoso em dois copos grandes e entregava um deles ao visitante.

– Essa daí até que é bonita para você, a embebedou para que pudesse se aproveitar?

– Quase isso. Ela geralmente recebe em dinheiro, mas gostou tanto das minhas bebidas que decidiu que essa seria a moeda de troca. Estava sóbria quando sugeriu, que fique claro — Largou-se sobre uma grande e macia poltrona à frente, rindo. — Não sou assim bonitinho como você para conseguir diversão gratuita, dei sorte em encontrar essa, o que mais tenho aqui é álcool.

– Também já paguei muito por esse tipo de diversão, não comece — Tomou um longo gole do fluido doce e frio que segurava, apesar de seu amigo não ter uma aparência muito atraente, não havia em todo o mundo alguém que fizesse bebidas melhores. Era careca no topo da cabeça e na altura das orelhas surgia uma profusão de cabelos ruivos alaranjados que lhe chegavam aos ombros; sua imensa barba era dividida em três partes e na maior delas havia uma trança bem larga tamanha a quantidade de fios que quase alcançavam seu umbigo de tão longos; o nariz avermelhado tomava boa parte do seu rosto e mal se via seus olhos azuis de tão fechados que eram; sua única peça de roupa habitual era uma tanga puída. — Isso são trajes para receber o rei? Vá trocar esse trapo, não quero continuar a ter essa visão ridícula.

– Sinto muito, Majestade, no seu castelo o senhor acorda com uma bela visão, porém aqui na minha casa o que vai achar é isso — Deu dois tapas na enorme pança e soltou uma risada alta. — Por falar nisso, como andam as coisas entre vocês?

– Normais, temos convido bem no geral, mas aquela mulher vai me deixar maluco, certeza que vai — Tomou outro gole. — Trocamos alguns beijos por aí, as circunstâncias não vêm ao caso, e no primeiro deles me excedi e bati a cabeça dela contra a parede quando comecei a perder o controle, porém retomei a tempo. Nos seguintes eu me mantive resistente.

O rei riu por dentro ao lembrar que não fora tão resistente assim, todas as vezes escorregara suas mãos para os seios, coxas e glúteos da rainha, apertando e alisando instintivamente. Ela sempre o impedia de continuar, mas a cada vez parecia demorar mais para repreendê-lo. Na última ocasião estavam na Sala do Conselho sozinhos e ela resolvera subir numa escada para apanhar arquivos antigos no alto da estante e pediu para que ficasse próximo segurando os papéis. Simplesmente não pôde evitar olhar por baixo do seu vestido curto por alguns minutos antes de desviar o rosto, contudo fora tarde demais; ela percebera. A cena ainda estava gravada em sua memória.

– Gosta do que vê? — Perguntou enquanto descia da escada e lhe dava as costas, levando alguns documentos para a mesa. Soube no mesmo instante que ela estava lhe provocando como ele próprio fizera na primeira vez em que se beijaram.

– Não, não faz o tipo de que gosto — Mentiu. A verdade é que não possuía um tipo definido, bastava ser uma mulher bonita aos seus olhos para que lhe despertasse o interesse e beleza ela tinha de sobra. Aproximou-se por trás e colocou os apontamentos sobre o tampo.

– Que pena, isso é mesmo lamentável — A ironia era perfeitamente notável em sua voz. Remexeu as anotações que ele entregara procurando por alguns dados.

– Mas talvez eu possa abrir uma exceção para lhe fazer esse favor — Sussurrou ao seu ouvido encostando seus corpos e mordendo de leve sua orelha direita.

A sensação a fez arrepiar-se completamente.

– Não creio que seja necessário tanto sacrifício — Sua voz saiu tão baixa que o moreno mal escutou. Continuou mordendo seu pescoço e esfregando-se, alisando seu quadril e apertando seus seios macios. Esperou que o detivesse, mas não foi o que aconteceu: ela deixou escapar um gemido baixo quando a apalpou com mais intensidade e isso o animou ainda mais. Levou uma das mãos aos seus cabelos e puxou-lhe a cabeça para trás com força, fitando os olhos azuis e o rosto afogueado. Beijou seus lábios com volúpia ao mesmo tempo em que ela acariciou sua nuca, entrelaçando em seus fios grossos e fazendo-o eriçar-se com o toque suave de sua pele fria.

Afundou os dedos na parte interna da coxa deixando marcas avermelhadas na pele clara e foi subindo devagar até chegar à sua genitália. Tocou-lhe por cima da peça íntima e sentiu-a quente como brasa; jamais haviam chegado tão longe. Travou um conflito interno durante os poucos momentos em que pôde acariciá-la antes que a mesma resolvesse a situação: segurou sua mão e a retirou de lá, descolando seus corpos.

– Não precisa se empolgar tanto, não quero que nos vejam em uma situação constrangedora como essa – Declarou aparentemente incomodada com a exposição. Não sabia se agira bem ou mal, ela parecia gostar de cada parte assim como ele gostava, talvez fosse receio de que se descontrolasse novamente. Estava tão excitado ainda que seu pênis latejava e seus testículos doíam. Deu-lhe uma desculpa qualquer para sair da Sala do Conselho e entrou na primeira sala de banho que encontrou; acumulara por muito tempo, teria que descarregar sozinho.

A risada sonora de Gragas o fez despertar de suas lembranças.

– Que progresso, uns quatro meses de casamento e vocês apenas se beijam de vez em quando. Você já foi melhor, meu amigo...

– Os tempos eram outros — Respondeu de cara amarrada. Também não gostava daquela situação, mas não havia muito o que fazer.

– Eu realmente acredito que você deveria tentar. Conte tudo para ela e resolvam juntos, tenho certeza de que vão superar.

– Você ficou louco? Ela vai se afastar completamente se souber. Não vou falar nada e não permito que você conte.

– Está sendo cabeça dura, como sempre. Ela é mais compreensiva do que você imagina — Depositou o copo vazio no chão ao seu lado com um longo suspiro. — Não vai ser agora que quebrarei minha promessa, mas continuo acreditando que seria muito menos sofrido se você mantivesse uma vida normal de casado e parasse de se sabotar tanto. Isso já levou tempo demais, você precisa relaxar como fazia antigamente. Disse-me ainda há pouco que conseguiu resistir, sinal de que já consegue se controlar de fato.

– Vim beber com um amigo, mas creio que entrei por engano numa tenda para conselhos amorosos — Riu e esvaziou o copo. Talvez Gragas tivesse razão, no entanto não queria pensar nesse assunto agora. — Deixe de conversa fiada e me fale sobre as notícias importantes.

– Estive bem distante à procura de novos ingredientes e, me informando aqui e ali, não há notícias sobre o paradeiro dele. As pessoas o veem mais como uma lenda, não consegui sequer uma pista de que o tivessem avistado recentemente.

– Aquele maldito... — Seus dentes se cerravam de raiva sempre que lembrava ou falava do seu maior inimigo. — Sumiu sem deixar rastros para que eu não o encontrasse, pelo visto.

– Essa é outra coisa que você deveria deixar para lá, és um rei agora e não há tempo para correr atrás de vingança.

– Cale-se! — Seu tom era raivoso. — Não me diga para esquecer, eu jurei que me vingaria e por todos esses anos esse foi o meu maior objetivo. Tenho outras prioridades agora, mas não hesitarei em partir para cumprir minha promessa.

– Tudo bem, acalme-se. Faça o que achar melhor, contudo não deixe de pensar nas consequências. Vamos, sirva-se de mais copo, estou-lhe oferecendo gratuitamente minha mais nova bebida feita com elementos raros e de excelente qualidade vindos de terras longínquas. Aproveite porque amanhã será pago. — Não pensaram duas vezes antes de encher os copos novamente e conversar por mais algumas horas.

Os guerreiros chegaram logo após o seu chamado, reunindo-se à frente do amontoado de pedras altas que lhe servia de trono. Esperou que fizessem silêncio para se levantar e começar a falar.

– Soldados da Garra do Inverno, todos sabemos os obstáculos que passamos nesses últimos tempos e o quanto está sendo difícil superá-los, mas vejo que nos mantemos firmes há cada dia que passa e isso me enche de orgulho. Apenas os fortes sobrevivem aqui e são merecedores de Freljord. Os que estão lá embaixo são um bando de bastardos e cabe a nós os colocarmos em seus devidos lugares! — Gritos de concordância se fizeram ouvir entre a plateia. — Entretanto não somos burros. Estamos em menor número e praticamente sem mantimentos, não precisamos nos arriscar à toa neste momento, não temos como sofrer mais baixas. Por isso vim convocar alguns de vocês para um plano ousado e útil: atacaremos um dos depósitos de mantimentos dos Avarosianos, o mais afastado, com o pretexto de saqueá-los, porém estaremos testando nossas forças contra as deles e observando suas habilidades. Vamos estudar melhor o nosso inimigo e conhecer suas fraquezas, assim cada um de vocês valerá por vinte deles!

Suas palavras causaram frisson entre os bárbaros que ansiavam por sangue e luta, inclusive a si mesma. Não via a hora de enfrentar Ashe cara a cara e quebrar aquele nariz empinado com seus próprios punhos.

– Ouçam! — Continuou levantando a mão para que se calassem. — Os escolhidos serão avisados e faremos uma reunião para detalhar o planejamento, atacaremos dentro de duas semanas. Nossa ascensão está próxima, guerreiros, nossa força prevalecerá!

O coro ensurdecedor a fez sorrir satisfeita, em poucos dias sairiam do seu isolamento para o início de sua glória.

Notas finais
Que Sejuani é essa, minha gente? :v Só teve safadeza nessa capítulo e eu quero é mais, tá pouco ( ͡° ͜ʖ ͡°) posekpsaokepoakepa AVISOS IMPORTANTES: A greve da minha faculdade acabou e minhas aulas retornam essa semana, já sei que tenho um trabalho gigante para fazer até dezembro (fora que em três fins de semana de novembro eu vou participar de eventos na região como atração convidada), então quero avisar a vocês que é bem provável que alguns capítulos sofram atraso, mas que vou fazer DE TUDO para postar no prazo, eu prometo! ♥ Caso atrase, já peço mil desculpas, espero que entendam e que não me abandonem T.T Beijos e até o próximo ♥