Notas iniciais
Demorei, mas cheguei!! o/ Desculpem a demora, meus amores! Essa semana foi muuuito corrida pra mim e, como eu tinha avisado no capítulo passado, vai continuar corrida por um bom tempo (preciso me livrar desse TCC, arg!), mas continuarei tentando postar o mais rápido possível :3 Aguardo os comentários de vocês, eles dão um UP poderoso na minha mente e eu amooo saber oq estão achando ♥ Espero que gostem!! Para não perder o costume: - Atualização a cada duas semanas (esse prazo pode ser estendido caso haja algum imprevisto, peço desculpas se acontecer); - Essa fanfic é apenas BASEADA na história oficial dos personagens, NÃO quer dizer que se manterá fiel ao que o jogo já tenha divulgado ou divulgará. Semelhanças e divergências serão encontradas. - Os personagens pertencem à Riot Games.

Estava nevando sem parar há vários dias, flocos grossos se acumulavam no chão e seus pés afundavam na camada branca e fofa que lhe chegava até a metade das canelas. Era complicado se locomover usando a forma de um corpo humano, essa raça era tão limitada e fraca… Já fora humana um dia, mas não fazia questão de lembrar, preferia ser glacinata como os Observadores a tornaram. Pôde viver durante séculos empenhada em fazer com que as pessoas esquecessem tudo de ruim sobre seus mestres e ansiassem pelo seu retorno. Fora um trabalho árduo, anos e mais anos tramando, mentindo e matando para que sua lavagem cerebral fosse o sucesso que é hoje. Assassinou a líder da tribo dos Praeglacius na época e assumiu sua forma para tomar seu lugar; quando a próxima líder fosse assumir o posto, ela novamente lhe tirava a vida e usava sua aparência para que não desconfiassem. Fora assim até que convencesse a todos da tribo que deveriam adorar os Observadores Gélidos em segredo e lutar por eles quando chegasse a hora.

Infelizmente só conseguira Trundle e seu exército de trolls como aliados, precisava de mais soldados para a verdadeira guerra que se aproximava, porém não seria tão fácil conseguir. Fora descuidada quando não deu fim à vida daquele garoto linguarudo que saiu espalhando aos quatro ventos que a Bruxa Gélida estava viva, deixando seus inimigos em estado de alerta. No momento oportuno teria sua vingança. Caminhou mais alguns metros e já pôde sentir o fedor daquelas criaturas à distância, mas sequer se abalou. Prosseguiu até ser abordada por um deles, certamente não a reconheceu naquela forma que pouco usava: uma mulher alta e curvilínea, cabelos castanhos ondulados até o busto e seios fartos; aparentava ter cerca de vinte e oito anos, era jovem e bonita, bastante útil em suas armações e truques de sedução para arrancar informações e favores de homens cegos pelo desejo.

– Quero falar com seu líder — Exigiu calmamente. O troll levou algum tempo para se decidir, mas por fim apontou para uma caverna ao fundo e a deixou passar, observando-a enquanto atravessava o local. Viu as pessoas sequestradas servindo como escravos serem esmurradas e açoitadas por seus capatazes enquanto trabalhavam e estes gargalhavam e berravam insultos à vontade. Mais à frente havia uma gaiola de pedra ampla que abrigava algumas mulheres e uma pequena fogueira; um dos vários trolls que circulavam por ali entrou no cercado, enquanto um outro bloqueava a porta, e agarrou uma mulher magricela e pálida que se encolhia no canto junto com as outras.

– Não, por favor, eu imploro! — Ela começou a chorar e tentar se soltar, mas foi inútil. Aquele ser grotesco deu-lhe um tapa no rosto tão forte que o sangue voou de sua boca e a fez cair ao chão; aproveitou e se ajoelhou sobre a moça, tirando as vestes de seu caminho enquanto a ouvia soluçar e espernear. Virou-a de costas para ele e a suspendeu para que ficasse apoiada nos joelhos e palmas das mãos, mas ela tentava fugir a todo custo. Um erro.

Desferiu um soco em suas costas e o sangue saiu em profusão da sua boca, faltando-lhe ar nos pulmões. Conseguiu segurá-la e colocá-la na posição que queria e, com um grito desesperado, ele a violentou. As outras mulheres choravam baixo enquanto eram obrigadas a ouvir aqueles gritos de dor deprimentes e os grunhidos de satisfação da fera. Ficou ali parada observando a cena sentindo absolutamente nada. Não dava a mínima para o sofrimento alheio, até divertia-se, mas naquele momento não achara graça tampouco tivera compaixão, apenas ficou encafifada ao ver que trolls faziam isso com seres de outras espécies também. Curioso.

Deu as costas e seguiu seu caminho.

Quando chegou à entrada da caverna avistou a figura de Trundle, o esperto líder dos trolls, sentado ao lado do seu porrete de Gelo Verdadeiro que nunca derrete, presente que ela mesmo lhe dera, ditando ordens para os escravos novatos. Ergueu-se ao vê-la entrar e dispensou a todos.

– Senhora Lissandra? — Indagou quando estavam a sós, surpreso.

– Meu nome é lindo, eu sei, porém já lhe disse para não me chamar assim quando não estiver em minha verdadeira forma. Quem mais entraria neste lugar por espontânea vontade? — Sua voz era bonita e melodiosa mesmo quando estava insatisfeita. Era como uma cobra traiçoeira que chega devagar e quando a vítima dá por si está sendo sufocada e devorada.

– Perdão, Senhora, só quis confirmar — Fez uma reverência desengonçada. — O que a traz aqui?

– Nada demais, apenas queria ver de perto o que anda fazendo. Você sabe que se muita gente sumir eles virão atrás, não é? — Analisava as paredes da caverna escura quando levou a mão ao rosto e abriu a boca em um falso espanto antes que o troll pudesse responder — Oh, me esqueci que você é um estúpido, que cabeça a minha.

– Vamos tomar mais cuidado, Senhora, prometo — O temor estava presente em sua voz rouca e grave desde quando a viu. Sua presença ali sem aviso não poderia significar boa coisa, geralmente ele ia ao seu encontro.

– Ashe e Tryndamere sabem que aqueles dois estiveram lá. Demorei, mas consegui umas boas informações — Sentou-se empoleirada no lugar de Trundle.

– Achei que não lhe importaria se já estivessem mortos, como pensei que estavam uma vez que não voltaram mais. Fizemos como mandou e não nos aproximamos tanto de lá novamente.

– Está correto, contudo fique ciente de que foram os próprios reis quem os mataram — Lissandra não previra, mas gostara muito dessa ajuda que o destino lhe dera; a culpa cairia sobre os trolls e quanto mais invisível ficasse aos olhos dos seus rivais, melhor. — Por algum motivo estavam lá na hora exata e tomaram providências. Fique atento, a segurança foi reforçada e eles não devem ficar parados esperando por muito tempo.

– Sim, Senhora.

– A propósito, preciso de um novo corpo. Agora quero uma avarosiana que as pessoas não saibam que está morta. Imagine qual não foi o espanto de um dos mercadores ao me reconhecer, vagando muito viva e alegre pelos cantos escuros da cidade — Os olhos castanhos da mulher fuzilaram a criatura.

– Ela estava bem longe de lá quando a capturamos, achamos que…

– Acharam errado — Interrompeu, levantando-se e caminhando para a saída do covil – Era para ser apenas um corpo qualquer na floresta, não repita mais esse erro. Por sua culpa eu tive de matá-lo e sair de lá mais cedo do que pretendia. Que lástima, um homem tão bonito… Ao menos me serviu para dar uma última informação: sabia que “eu” tenho uma irmã?

Ser rei nem sempre era divertido, continuamente tinha muito com o que se ocupar e em sua maioria eram problemas. Dos mais tolos, como disputas de terras mal calculadas e dívidas a serem pagas, aos mais preocupantes — como alguns desaparecimentos sem explicação. Quatro pessoas que residiam na capital e mais seis das vilas sob o domínio dos reis sumiram sem deixar rastros nos últimos meses. O único ponto em comum era que a maioria deles saiu em viagem e nunca mais voltou, sem importar o motivo ou a direção.

Como se já não bastasse, há duas semanas a Patrulha trouxe a notícia de que um dos mercadores fora encontrado morto sob condições suspeitas nos fundos de sua casa. Sua garganta havia sido cortada em três partes pelo o que todos concordavam ter sido garras afiadas, porém nenhum lobo, raposa ou urso fora visto rondando a área e era muito improvável que deixassem o abrigo calmo das florestas e montanhas para se aventurar entre os humanos caçadores.

Desconfiaram que fosse obra de algum troll novamente, no entanto a espécie não possui garras, tampouco tão finas, e não deixariam o restante do corpo intacto – sabiam que eles gostavam de espancar até a morte. Descartaram a hipótese, mas nenhuma outra pista fora encontrada até o momento; a Patrulha se empenhava em investigar o caso e todos os caminhos levavam à lugar nenhum: era um homem solteiro e galanteador, não apresentou desavenças com nenhuma das mulheres com quem se envolveu, não possuía parentes vivos nem filhos, trabalhava vendendo tecidos no mercado e não se tinha conhecimento de que fizera inimigos ou desafetos.

A notícia do assassinato se espalhou como um rastilho de pólvora e estava difícil acalmar os ânimos da população abalada com a perda de uma pessoa tão bem quista. Ashe fora pessoalmente à sede da Patrulha verificar se informações relevantes haviam sido descobertas e pedira que ficasse em seu lugar na sessão de ouvidoria matinal que ocorria em dias alternados durante a semana. Sentia-se impaciente ao ficar sentado no trono real ouvindo as reclamações e reivindicações de cada uma daquelas pessoas, sem mencionar que seu forte não era apaziguar situações com sabedoria e sim resolver tudo na base da porrada.

Já estava no último solicitante do dia quando um dos Sentinelas das Torres entrou correndo pela porta lateral próxima ao trono e pediu para ficar a sós com o rei. Dispensou os outros e fez sinal para que falasse.

– Vossa Graça, as luzes foram vistas, seremos atacados! – Falou aos atropelos. Tryndamere levantou-se de súbito e agarrou sua enorme espada com uma expressão séria no rosto.

– Passe as coordenadas. Quantos disparos foram? – Começou a andar apressado, o Sentinela acompanhando-o.

– Oeste, torre da Fenda do Desfiladeiro. Três disparos, senhor – Ao ouvir a resposta o rei cerrou o punho e os dentes. Já sabia o que significava aquele sinal: Sejuani.

– Guardas! — Chamou. — Vão buscar Ashe imediatamente, tragam-na até a Sala do Conselho. Vocês três, venham comigo — Dirigiu-se aos dois conselheiros que estavam esperando do lado de fora do salão e ao jovem mensageiro. Encaminharam-se para o cômodo de costume a passos largos, o rapaz explicando aos outros homens o que acontecera. A preocupação estava estampada na cara de todos eles quando fecharam a porta.

– O que dizia a Voz do Vento que receberam? — Perguntou desenrolando um mapa de Freljord em cima da mesa comprida. O moço abriu e leu um papel que levava consigo.

Garra do Inverno há um dia de viagem, cerca de cinco mil guerreiros. Quatrocentos soldados na primeira torre, cem na segunda. Mandem reforços. Apenas isso, Vossa Graça.

– Certo, aguarde nossas ordens lá fora — Esperou que o Sentinela se retirasse para localizar e sinalizar no mapa o posicionamento das tropas amigas e rivais com pequenos símbolos de madeira entalhada. — Sejuani está aqui, deve atacar esta torre amanhã assim que o sol raiar.

– Temos um regimento de três mil soldados avarosianos há quase um dia de viagem da segunda torre, é o mais próximo — O tesoureiro falou enquanto apontava para o local desenhado.

– Vamos acionar, não irão detê-los, mas devem atrasá-los. O segundo mais próximo é um regimento de quatro mil guerreiros, quase todos bárbaros... — O rei calou-se ao ver a porta abrir e sua esposa entrar apressada e batê-la com estrépito, parecia que tinha corrido até ali.

Três disparos? — Sua expressão era de descontentamento. Percebeu os olhares intrigados dos homens enquanto se aproximava. — Encontrei o Sentinela no corredor, ele já me informou. Precisamos agir imediatamente, enviaremos o regimento mais próximo para impedi-los de avançar por enquanto.

– Não vai segurá-los, Sejuani tem cerca de cinco mil guerreiros, três mil dos nossos não serão suficientes.

– Cinco? Só isso? Tem alguma coisa errada… — Olhou para a peça de madeira em formato de machado que indicava a posição da adversária no mapa. A resposta veio como um relâmpago de tão rápida. — Ela não veio tomar o reino como pensávamos, veio buscar alimento!

– Mas é claro, tem um grande armazém logo após a segunda torre que abastece todas as vilas próximas, como não pensei nisso antes? — Disse o Tesoureiro.

– Acreditam mesmo que aquela mulher veio para roubar nossa comida? — Foi a vez do Alto Meistre falar. — Ela incendiou os grãos que Vossa Graça mandou de tão orgulhosa que é!

– Como você acha que eles sobrevivem por lá? Sempre saquearam de tribos mais fracas. Dessa vez foi além e veio nos desafiar, quer mostrar que pode tomar o que é nosso quando bem entender — Tryndamere cruzou os braços na frente do peito, mal-encarado.

– Não é apenas por esse motivo… Com certeza estão passando fome por lá, ela está usando a necessidade como pretexto para algo, talvez queira testar as nossas forças. Vai matar dois coelhos com uma machadada só — Todos a olharam como se suas palavras fossem a luz que precisavam para enxergar.

– Então vamos seguir com o meu plano — Apontou para o mapa. — Acionaremos o primeiro regimento para atrasá-los na segunda torre e o segundo para derrotá-los antes que saqueiem tudo e cheguem à terceira, considerando o tempo de viagem. Reunirei vinte dos meus homens para partirmos ainda hoje.

– Estou de acordo, mandarei que Les prepare as provisões para nossa viagem com urgência.

Nossa viagem? Eu liderarei a tropa de bárbaros, Ashe, é melhor que você fique aqui.

– Não vou me esconder, não tenho medo, quero enfrentá-la cara a cara e mostrar o motivo pelo qual eu sou a rainha nomeada e ela não — Seu olhar era de pura determinação. Sentiu orgulho da líder que escolhera e da mulher com quem se casara, ainda que não vivessem como marido e esposa carnal e sentimentalmente.

– Majestade, escute vosso rei, a senhora não deve ir para qualquer campo de batalha, a cidade precisa se manter segura também e ninguém estará protegido se ambos estiverem longe — A fala mansa do velho Meistre parecia sábia, mas seu desejo de lutar era grande.

– Pode ser uma armadilha, inclusive — Começou o outro conselheiro. — Tentando afastá-los para tomar a capital com o resto de seus soldados.

Levou mais alguns momentos para que fosse convencida a não ir, estava relutante. Abriu a porta de um dos armários e retirou uma pequena caixa branca que continha algumas pedrinhas azuis. Colocou uma das pedras na palma da mão e, ao proferir as palavras “Voz do Vento”, ela transformou-se em uma ave de médio porte feita de gelo; uma magia que Anivia lhe proporcionara para comunicar-se mais rapidamente quando houvesse necessidade.

– Para: Tenente do Regimento da Fenda — Falou para o pássaro imóvel em sua mão. — Sejuani está chegando com poucos homens pela Fenda do Desfiladeiro, deve atacar a primeira torre ao amanhecer, dirijam-se para lá de imediato com o regimento inteiro. Reforços serão acionados. Evacuem os aldeões se precisar. Essa é uma ordem de Ashe, rainha de Freljord — Depositou o pequeno selo real em formato de moeda no bico da Voz do Vento e deu-lhe impulso para que alçasse voo. A ave voaria sem parar até que chegasse ao seu destinatário, que ouviria o som da sua voz sendo reproduzida pelo pássaro. Entregou uma pedrinha ao rei e ele fez o mesmo para acionar a segunda tropa.

Seus vinte convocados estavam esperando-o do lado de fora do estábulo, prontos para partir. O sol em breve iria se pôr no horizonte e viajariam noite adentro para chegar o quanto antes à batalha. Todos pareciam extremamente animados por finalmente ter algo decente para lutar; brigas de bar e treinos não eram o suficiente, precisavam de adrenalina e sangue para se sentirem realizados.

Ele próprio estava ansioso para liberar sua fúria e destroçar os inimigos, por isso fizera questão de ir em pessoa para o combate, sentia-se em êxtase quando estava batalhando e nada mais importava naquele momento. Verificou se a sela do cavalo-urso estava firme e os suprimentos seguros. Aqueles animais eram uma espécie insólita que vivia apenas em regiões geladas, sua diferença para os cavalos comuns eram os pelos maiores e mais abundantes para se protegerem do frio, a resistência mais elevada em longas distâncias e a grande quantidade de peso que podiam carregar.

Lesrie trouxera água e comida para a viagem, desejou-lhe sucesso na empreitada e prostrou-se na porta a conversar com o Tesoureiro. Ashe alisava o focinho do animal distraidamente, o olhar perdido.

– Não precisa chorar, minha senhora, eu vou voltar — Caçoou, fazendo-a voltar a si e dar um sorriso amarelo.

– Voltando ou não, eu não chorarei – Devolveu. — Mas eu sei que vai voltar. Estava pensando que Sejuani está dando o primeiro passo para a guerra e você sabe o quanto eu não desejava isso.

– Entendo. Você tentou, ela não quis, então agora não há outra saída a não ser lutar. E os Deuses sabem como eu preciso de uma boa ação.

– Você sim, mas não o povo. Gragas não vai contigo?

– Não, falei com ele que prefiro que fique aqui para lhe servir caso ataquem a cidade.

– Fez bem. Se apresse, já estão lhe aguardando — Viu-o pendurar no pito da sela o elmo de metal adornado com chifres que usava costumeiramente e encaixar um dos pés no estribo para subir. Olhou para o Tesoureiro na porta e chamou-o antes que se impulsionasse para cima do cavalo-urso. Desceu a perna apoiada ao vê-la aproximar-se. — Acha que esperam que nos despeçamos?

– Já estamos nos despedindo.

– Não desse jeito. Considerando que somos um casal que supostamente mantém uma relação amorosa em segredo e estamos um tanto escondidos atrás desse animal, acredito que será estranho que você parta sem nos despedirmos direito– A rainha olhava fixamente para ele. Não conseguiu identificar o que estava por trás daquela expressão vazia, mas arriscou um palpite.

– Mais estranho é você desejar isso e ficar justificando para parecer que não. Se quer fazer, então faça – Fora um tanto rude, mas a julgar pelo silêncio dela, acertara na mosca. Levou alguns segundos refletindo antes de suspirar com ar cansado e abraçá-lo, encostando a cabeça em seu peito e pousando as mãos frias em suas costas nuas. Envolveu-a pela cintura e a apertou com cautela.

Até então não haviam dado um abraço sequer fora do plano e precisava admitir que era algo esquisito de tão diferente. Soltou-a e esperou que se afastasse, porém Ashe ficou na ponta dos pés, levou uma das mãos até seu rosto e colou seus lábios em um impulso. Tryndamere correspondeu de imediato, suspendendo-a do chão e dando-lhe um beijo molhado com anseio. Não sabia exatamente o motivo de estar fazendo aquilo, mas se deixou levar sem questionar.

– Não ouse perder — Falou para ele quando se separaram.

– Nem sei o que é isso — Montou no cavalo peludo e, com satisfação e determinação estampadas no rosto, saiu portão afora.

Podia avistar a torre e o enorme muro de pedra gelada com clareza daquela distância, faltava pouco para a batalha começar e a adrenalina pulsava em suas veias com o nascer do sol. Viu os disparos na manhã anterior e já sabia que os reis seriam avisados e partiriam ao seu encontro.

Mal podia esperar.

Acordou os guerreiros para que fizessem um desjejum rápido e nada farto, pequenas porções de caça abatida e água, e prosseguissem a marcha. Todos estavam muito animados, ansiavam um confronto tanto quanto ela, eram movidos a carnificina e passaram muito tempo em abstinência. Armaram-se e levantaram acampamento.

Chegaram aos pés do paredão por volta do meio-dia e ouviram o soar de uma trombeta vinda da torre. Um homem forte e bem vestido apareceu próximo à borda e usou uma espécie de cone para amplificar sua voz.

– Vocês estão no limite das nossas terras, vão embora ou iremos atirar.

– Deixe-nos passar e lhe daremos uma morte rápida como agradecimento — Os bárbaros riram do sarcasmo de Sejuani, que se mantinha atrás de uma linha de guerreiros com escudos. O alarme tocou novamente.

– Último aviso, saiam.

– Foi você quem quis assim. Garra do Inverno, em frente! — Os gritos retumbaram e os bárbaros avançaram, recebendo uma saraivada de flechas afiadas vindas da muralha. Poucos homens caíram, alguns deles até levantaram, e começaram a tentar arrombar os portões e escalar as paredes.

A força daquelas pessoas era incrível, homens e mulheres que enfrentavam a falta de comida todos os dias tinham uma sede de sangue tão grande que os tornava verdadeiras máquinas de guerra. Quando o portão caiu, Bristle apenas esperou a sua confirmação para correr e esmagar quem permanecesse em sua frente, mordendo e arrancando pedaços dos combatentes por diversão. Firmou as pernas no dorso do javali gigante e brandiu seu mangual de Gelo Verdadeiro em volta de si, quase partindo um soldado inimigo ao meio e ferindo mais dois. Sangue avarosiano jorrava ao seu redor e o cheiro de suas mortes a alegrava mais do que havia imaginado.

Notas finais
Seguuura, peão!! :v É Liss armando de cá, Seju atacando de lá, ta difícil namorar assim e.e Mas sacomé, né? Sempre tem um jeitinho... aspesaokepaoekapasokpsoe Tenho uma boa notícia: tive um surto de criatividade e já escrevi mais de 2 mil palavras do próximo capítulo, pretendo postá-lo antes do prazo, weeeee *--* To esperando os comentários, seus lindos! Beijos e até o próximo ♥