Notas iniciais
Helloooo, meus amores ♥ Aqui está mais um capítulo, fiz bem grande por dois motivos: 1- Compensar o atraso, claro paoskepaose 2- A fic está se encaminhando para o fim, pelo meu cronograma atual ela já passou da metade e, embora isso possa mudar, eu espero que não, porque não quero que se estenda demais em muuuitos capítulos, acaba cansando. No mais, é isso, não vou explicar novamente os motivos do atraso porque vocês já sabem kkkk Espero que gostem e comentem, por favor, ajuda muito a continuar escrevendo ♥ E como já era de se esperar: — Atualização a cada duas semanas (esse prazo pode ser estendido caso haja algum imprevisto, peço desculpas se acontecer); — Essa fanfic é apenas BASEADA na história oficial dos personagens, NÃO quer dizer que se manterá fiel ao que o jogo já tenha divulgado ou divulgará. Semelhanças e divergências serão encontradas. — Os personagens pertencem à Riot Games.

Lesrie estava parada, completamente confusa, tentando assimilar o que a rainha acabara de dizer.

— Como… Como assim, majestade? — Gaguejou.

— Agora tudo se encaixa… — Ela falava mais para si mesma do que para a outra. Preferiu aguardar em silêncio, não tinha realmente o que dizer, Ashe não estava falando coisa com coisa.

Depois de alguns longos momentos, muito lentamente, suspendeu seus olhos azuis assustados até encontrar os seus castanhos pelo espelho. Estava pálida feito um fantasma, os lábios levemente abertos e a respiração pesada.

— Meu marido é um assassino, Les — As palavras saíram de sua boca não mais do que um sussurro falhado, como se sua voz estivesse sumindo.

Sustentou o olhar por mais algum tempo, buscando as palavras para responder algo que sequer conseguia entender. Aquilo não tinha o menor cabimento.

— Bom… desculpe minha ignorância, senhora, mas… eu achava que todos os bárbaros gostavam de matar… — Encolheu os ombros, temendo que estivesse falando alguma bobagem. — Vosso rei é conhecido por sua fúria e impiedade em batalha…

— Exato! — Ashe levantou-se subitamente, surpreendendo-a. — Em batalha! Por que diabos ele mataria uma pessoa inocente deliberadamente?

O tom de voz da rainha havia se alterado, aumentando rapidamente, o que a deixava nervosa.

— Não sabemos o que ela fez, senhora, poderia não ter sido inocente… — Falou a primeira coisa que veio à sua cabeça, ainda não conseguia entender por qual motivo ela o estava acusando daquela maneira.

— Claro que era, Les! — Podia notar nitidamente raiva em suas palavras. Deu as costas à intendente e passou a andar de um lado para o outro, inquieta. — Você mesma disse que ninguém tinha motivos para matá-la, que era uma boa pessoa, então por que ele cometeria uma barbaridade dessa? POR QUÊ? — Seu grito fez a moça se encolher ainda mais, angustiada. Nunca a vira daquele jeito, num instante assombrada e num outro enfurecida, seu corpo inteiro tremia e seu rosto assumira um tom forte de rubro.

Talvez a falta de resposta por sua parte a tivesse irritado ainda mais, pois avançou sobre a penteadeira e derrubou todos os objetos que arrumara com tanto esmero. Deu um pulo e vários passos para trás, espantada.

— Calma, Majestade, por favor!

— CALMA? — Virou-se para encará-la, seus olhos estavam vermelhos e marejados, assustadores. — Eu acabo de descobrir que o homem com quem dormi todas essas noites é um sádico cruel e um impostor, COMO POSSO TER CALMA, LESRIE?

— Por favor, não grite, todos vão ouvir! — Clamou em voz baixa, apertando com força o cabo da escova. — Como assim um impostor?

— Agora ficou tudo muito claro — Baixou um pouco o volume da voz como se estivesse pensando alto, voltando a caminhar em círculos. — Não foi à toa que cheguei a desconfiar dele quando aquelas cartas apareceram no quartel, mas logo o descartei, que burra eu fui! Desde que Tryndamere chegou aqui, coisas bem ruins vêm acontecendo. Ora, vejamos a súbita aparição dos trolls dentro da capital, coisa nunca vista antes e ele não pareceu tão surpreso! Depois, Sejuani resolve nos atacar cheia de audácia, e quem foi lá para impedi-la? ELE! Ah, não acabou… também houve mais mortes e desaparecimentos sem explicação; tais criaturas que nunca nos deram muito trabalho, repentinamente, resolvem sair por aí sequestrando pessoas e, como se não bastasse, concordou que era uma boa ideia fazer uma breve aliança com aquela maldita. Agora entendo por que ele facilmente atendeu à suposta exigência dela, tudo não passava de um plano muito bem arquitetado para me enganar, Les. E CONSEGUIRAM! Como eu pude ser tão cega? MALDITOS!

Em um ímpeto furioso, Ashe suspendeu um dos lados do pesado móvel de madeira e o atirou ao chão, estilhaçando o espelho oval com o baque. Retirou as gavetas, objetos e tudo o mais que alcançou e arremessou com toda força na parede à frente, quebrando em vários pedaços. Les correu para se esconder dentro da sala de banho, primeiro lugar seguro que encontrou; a rainha estava completamente descontrolada.

— AQUELES FILHOS DA PUTA DEVEM ESTAR RINDO DE MIM AGORA! DEVEM ESTAR PENSANDO EM COMO SERIA FÁCIL ME MATAR E TOMAR MEU REINO, TUDO SEMPRE FOI UM PLANO E EU CAÍ! IDIOTA, IMBECIL! — Sem ter mais o que jogar pelo ar, saiu a rasgar todo tecido que encontrou pela frente e destruir tudo o que podia para descontar sua raiva. Não demorou muito tempo para que batessem à porta.

— Majestade, o que está acontecendo? Abra a porta! — Um dos guardas da ronda certamente ouviu o barulho e veio verificar.

— VÁ EMBORA! — Gritou, sem parar o que estava fazendo.

— Estou ouvindo gritos e barulhos, Majestade, o que está acontecendo? Deixe-me ajudar!

— NÃO É DE SUA CONTA, EU JÁ MANDEI IR EMBORA!

Lesrie não soube quanto tempo ficou parada ali, sentada atrás da porta, aflita, pedindo aos Deuses que a acalmassem antes que fizesse alguma besteira. Jamais pensou que ela pudesse reagir daquele jeito ao que quer que fosse, não entendia como pudera chegar a tal ponto, afinal, não havia nenhuma prova até o momento.

Quando tudo ficou em silêncio por longos momentos, tomou coragem para abrir a porta devagar e sair na ponta dos pés, mas não imaginava que fosse encontrar uma cena tão lastimável.

O quarto se encontrava bastante bagunçado e, entre o que podemos chamar de destroços, estava sentada uma Ashe arrasada, descabelada, quieta e ensanguentada.

Sentia-se como em um estado de torpor. Não percebia seu corpo, não possuía mais os sentidos, só sabia que estava ali oscilando entre a consciência e a imaginação.

Alguém a chamava, contudo mal conseguia ouvir, a voz estava muito longe; um vulto foi se aproximando devagar e o som foi aumentando pouco a pouco, insistente. Queria mandar ir embora, seja lá o que fosse, mas não conseguiu mover os lábios. Foi quando algo tocou seu ombro delicadamente, como um afago.

— Majestade? — A voz chamou. A menção dessa palavra fez algo escorrer pelo seu rosto, que já parecia molhado antes. — Fale comigo — O aperto em seu ombro ficou mais firme, assim como o volume de sua fala. — Por favor…

Juntou forças suficientes para virar a cabeça na direção de quem falava, porém tudo estava borrado, dificultando sua visão. Levou alguns segundos para assimilar o rosto triste de Lesrie olhando-a e, quando finalmente a reconheceu, toda a realidade caiu sobre si novamente, ainda mais pesada do que antes.

— Como ele pôde, Les? — Quase não ouviu a própria voz, de tão falhada que estava. Um nó lhe apertava tanto a garganta que sentia como se fosse sufocar; seus olhos ardiam e transbordavam sem sua permissão, como se não pudesse mais conter.

— Senhora… não pode ser verdade, só pode ser um engano — Sabia que tentava lhe consolar e queria acreditar naquelas palavras, entretanto tudo o que estava guardado precisava sair.

— Deixe-me sozinha.

— A senhora cortou os pés e, pelo visto, as mãos também. Precisa de curativos, vou fazê-los.

Durante todo o tempo que levou para retirar-lhe os cacos de vidro da sola dos pés, das costas das mãos, limpá-los e enfaixá-los, a intendente ficou em silêncio. Volta e meia a olhava com um ar preocupado, mas nada dizia. Agradeceu internamente por isso enquanto lutava com a vontade imensa de cair no choro como uma criança. Apenas ficou ali parada, olhando para um ponto qualquer à frente, sentindo as grossas e quietas lágrimas rolarem sem maiores impedimentos. Pouco depois, seu corpo foi erguido e carregado até sua enorme cama.

— Perdoe-me, mas só vou embora depois que adormecer – Falou, sentando-se no chão bem ao seu lado. — Tudo vai ficar bem.

— Não vai. Fui enganada durante todo esse tempo, não vejo outra explicação para isso — Apressou-se em completar quando a outra abriu a boca para responder. — Eu liguei os pontos, foi tudo uma armação. Que ele era um homem explosivo e perigoso eu já sabia, no entanto jamais imaginei que fosse desse jeito. Eu deveria ter acabado com tudo quando senti na pele o que ele era capaz de fazer.

— Como disse? Sentiu na pele? — Les pareceu intrigada e espantada ao mesmo tempo, mas Ashe fingiu não ouvir.

— Eu o perdoei, achei que ele se importava comigo. E estávamos tão bem! — Sua voz foi se tornando mais aguda à medida que a vontade de chorar se intensificava. — Me sinto tão mal, estava me entregando a alguém que só brincou comigo, que só me fez de idiota! Ai… Minha cabeça dói tanto, parece que vai explodir.

A moça prontamente se levantou avisando que iria buscar um remédio e saiu porta afora. Queria parar de pensar, mas não conseguia afastar o turbilhão de imagens e conversas que enchiam sua mente e lhe davam mais certeza de que fora friamente traída. Sempre fora uma boa pessoa, sempre tentara ajudar o máximo que podia e tudo o que mais queria era que as guerras acabassem e os habitantes vivessem em paz uns com os outros; não sabia o que tinha feito para merecer tanta desgraça em sua vida.

Talvez esse fosse o problema, era boazinha demais. Quantos mais estariam mentindo à sua volta? Quantos mais estariam arquitetando planos às suas costas? Não podia mais confiar em ninguém, agora estava por si só e dessa vez não iria passar em branco.

— Vai ter troco, Tryndamere — Prometeu, ameaçadoramente.

Ainda não tinha esquecido de como era aquela região e sentia-se grato por não mais morar lá. Para onde olhava, só se via neve, gelo, algumas coníferas e pouquíssimos animais à luz do dia; muito diferente da próspera Rakelstake e demais locais do reino.

— Quantos dias de viagem faltam para chegarmos? — Perguntou à Sejuani, que seguia ao seu lado montada no javali gigante, como de costume.

— Acredito que uns três dias, a depender do clima — Sabia o que ela queria dizer, eram comuns tempestades de neve e granizo que dificultavam ainda mais o caminho. Olhou para trás por alguns instantes e completou. — Os animais parecem cansados, vamos acampar por dois dias, se necessário. Sei que tem uma caverna logo à frente.

A mulher, de fato, conhecia bem a região, motivo pelo qual fora solicitada para essa empreitada. Tryndamere não estivera muitas vezes naquele ponto do Leste, portanto, estava um tanto quanto perdido, a falta de pontos de referência visuais deixava qualquer um confuso; entretanto, permanecia muito atento, não confiava naquelas pessoas.

Quando chegaram a uma abertura larga na base de uma encosta, faltava pouco para escurecer. Estavam em pouco mais de cem guerreiros, a maioria trazidos pelo rei, e todos conseguiram se abrigar em volta da fogueira que acenderam próximo a entrada; isso os manteria aquecidos e longe de animais perigosos.

Falou pouco durante o tempo que levaram para preparar os próprios leitos e fazer uma refeição moderada com carne de cervo, caçada há poucos dias, castanhas torradas e muita bebida. Observou, mais uma vez, que sempre se sentavam em grupos bem separados automaticamente; primeiro, uma leve distinção entre todos os seus e os da Garra do Inverno; depois, os Bárbaros do Norte com alguns avarosianos mais chegados; ainda um pouco mais afastados ficavam alguns soldados de Ashe menos amigáveis e, por último, ele próprio, buscando um lugar onde pudesse observar a todos em silêncio.

Viu Olaf se aproximar com mais um prato de carne e uma grande garrafa de rum, lançando olhares e sorrisos maliciosos às mulheres em seu trajeto, sendo correspondido pela maioria delas.

— Você não está servido, não, certo? — Falou enquanto sentava-se no chão ao seu lado, estendendo o prato com ar jocoso.

— Não, mas vou comer só para lhe contrariar — Rebateu, pegando um pedaço qualquer.

— Então nem vou oferecer meu rum.

— Bom, para provar-lhe que ninguém, por acaso, possa tê-lo envenenado, irei fazer o favor de beber primeiro — Tomou a garrafa das mãos do homem e levou à boca, dando longas goladas que desciam queimando e aquecendo sua garganta.

— Muito esperto, devo dizer. Mas não beba tudo, preciso deixar uma quantidade para aquela gostosinha ali — Apontou com a cabeça para uma das guerreiras da Garra que bebia e gargalhava com mais outras três perto da fogueira. — Se eu chegar de mãos vazias, não rola.

— Dá para entender. Feio como é, tem mesmo que compensar dando presentes — Riu, devolvendo-lhe o frasco e rasgando a carne fibrosa com os dentes.

— Falou o “bonitão”, que só pega alguém porque pensam que é rei — Gargalhou, levando à boca um pedaço maior do que o necessário.

— Cara, não tem o que discutir, eu pego a rainha— Sorriu de canto e sentiu uma satisfação enorme ao ouvir sua própria fala, uma sensação nova que o acalorava por dentro e o deixava alegre.

— Tudo bem, você pode até ter ganhado nessa, mas ainda a acho muito franzina para o meu gosto, muito delicada. Prefiro as mais fortinhas, pelo menos não vão reclamar e “se quebrar” por qualquer coisa.

Tryndamere sorriu com satisfação, olhando para um ponto qualquer adiante, recordando as mais diversas imagens de sua esposa nos mais variados momentos. Como ela conseguia ser tão interessante assim, para habitar seus pensamentos com tanta frequência?

— Se é o que pensa… Para o meu gosto, ela é a melhor — As palavras saíram sem que ele percebesse nitidamente o que dizia, tampouco notou o olhar de estranheza que o ruivo-alourado lhe lançou de canto antes de suspirar e mudar de assunto.

— Acho que essa missão silenciosa não vai dar certo, não somos sorrateiros. Sejuani e eu pensamos que deveríamos chegar já chutando o rabo daqueles trolls fedorentos.

— Acredite, eu concordo com você. E é o que faremos depois de uma boa observação, não podemos esquecer que temos de descobrir o que eles estão planejando, qual a razão dos sequestros, essas coisas de praxe. Aqueles cinco avarosianos ao lado daquela rocha grande ali, são especialistas nisso. Eles irão na frente com uma pequena escolta e nos trarão informações úteis, tenho certeza.

— Então só vou dar o ar da minha graça quando for para parti-los em três bandas — Riu novamente, dando tapinhas em seus grandes machados de guerra.

— Não vou esperar menos de você, Berserker.

— Aposto que mato mais do que você, cabelinho. O que me diz? — Seu tom era empolgado e desafiador.

— Que você não tem chance alguma — Estendeu a mão e Olaf a apertou, selando o trato.

— Feito.

Levaram algum tempo em silêncio, cada qual com seus pensamentos, quando a mulher que Olaf apontara se aproximou pisando firme e sentou-se de pernas abertas no colo do berserker, de frente para ele, e o indagou quanto tempo mais demoraria para ir satisfazê-la. A resposta que teve foi um sorriso malicioso, um tapa audível na bunda e a cabeça puxada para um beijo feroz.

— Mas que porra… Precisavam vir fazer isso bem do meu lado? Vão embora, andem — Tryndamere falou, emburrado.

— Não precisa ficar com ciúmes, Majestade — A bárbara falou em tom irônico, sorrindo para ele enquanto Olaf mordia-lhe o pescoço e descia em direção aos seios, já desabotoando o cós da calça que ela usava. — Se quiser, pode se juntar a nós.

— Fica para a próxima — Devolveu com sarcasmo, levantando-se e puxando seu saco de dormir para um canto mais afastado do casal animado. Bebeu um gole de água do seu cantil e lavou o rosto antes de enfiar-se no seu leito e tentar adormecer.

Não demorou muito tempo para que os gemidos de ambos ficassem tão altos que o incomodavam cada vez mais.

— Puta que pariu, fode mais baixo aí, tem gente tentando dormir aqui! — Esbravejou, mas não obteve muito sucesso. Aquele desgraçado fazia de propósito para importuná-lo. E conseguia.

— Chateado porque não está fazendo esse tipo de coisa também, Tryndamere? — Sejuani surgiu ao seu lado como um poltergeist pronto para perturbá-lo. Talvez fosse mesmo esse o motivo por tanto incômodo, sua rainha não estava presente para aquecer suas noites. Ou talvez não querer fazer sexo com outras mulheres além dela fosse o motivo real que o deixava ainda mais zangadiço. Nunca teve problemas em deitar-se com mulher alguma antes do incidente que o levou à sua promessa, no entanto, agora que a quebrara, havia algum tipo de barreira que o fazia hesitar e acabar evitando.

— Cale a boca — Respondeu de mau humor, fazendo-a rir com chacota.

— Vejo que acertei na mosca. Já lhe disse que não precisa ficar se segurando... — A mulher sentou-se bem encostada a ele e deslizou a mão em seu peito parcialmente desnudo pelas cobertas, seguindo rapidamente para baixo. — Podemos nos divertir um pouco juntos...

Com um reflexo, agarrou o seu antebraço, sentindo os dedos mornos poucos centímetros adentro da calça grossa que usava. Percebeu que, a cada dia, ela se tornava mais ousada; na primeira vez em que chegou se insinuando muito claramente, achou que era um plano bizarro para lhe fazer algum mal; mas agora, depois de vários dias insistindo, passou a cogitar que ela fosse completamente biruta.

— O que você pretende com isso? – Perguntou, forçando a mão dela a sair dali, pois não gostou de sentir seu sangue esquentar quando começou a acariciar os pelos de sua virilha.

— Diabo, eu já te disse! Só quero trepar contigo, o que tem demais? — Pareceu se irritar por um momento, mas logo voltou à expressão maliciosa e, espantosamente, pôs-se a despir-se devagar.

— Que desgraça, tem tantos homens aqui, por que não faz com um deles?

— Porque eu quero fazer com você, ora. Isso está se tornando repetitivo — Suspirou entediada, já lhe fizera essa mesma indagação nas ocasiões anteriores.

— Quantas vezes vou ter que repetir que não vou com a sua cara? Nem adianta ficar nua porque eu não a quero — Retrucou impaciente com a persistência dessa pessoa que não tinha a menor afeição, muito pelo contrário.

— Não estou mandando gostar de mim e sim botar esse pau para fora e enfiá-lo onde quiser no meu corpo, muito simples — Falou sem rodeios, livrando-se das calças de tecido espesso e revelando uma pequena e rudimentar roupa íntima, que lhe deixava de fora praticamente todo o quadril.

— Não estou interessado.

Ela conseguiu afastar o que ele usava para se cobrir e o montou com rapidez, fazendo questão de mirar e encostar seus órgãos genitais. Não podia negar que era uma mulher bonita e provocante, tal visão lhe causava uma certa excitação, afinal, ela exalava um fogo selvagem que agradaria qualquer homem. Um dos problemas estava no simples fato de ser Sejuani.

— Não parece que está tão desinteressado assim, pelo o que posso sentir aqui embaixo… — Sorriu com ar vitorioso enquanto rebolava e friccionava-se vagarosamente, tentando instigá-lo.

— Ele tem vida própria, endurece quando quer, inclusive todas as manhãs quando estou com muita vontade de mijar — Revelou, com sua melhor expressão apática, para desmotivá-la, mas não adiantou. Ela se inclinou para frente, sem perder o contato, e sussurrou em seu ouvido:

— Então ele gostou de mim, só falta você me deixar usá-lo — E mordeu com um pouco de força a sua orelha. A essa altura, estava difícil discernir que ela era sua inimiga e que talvez a sua aliança com Ashe fosse prejudicada se a tomasse, embora nunca tenham conversado sobre esse assunto.

Um dos juramentos que fizeram durante o matrimônio foi de serem fiéis um ao outro, mas não foi especificado em qual sentido. Não era um homem apegado às regras e tampouco ela fizera alguma exigência desse tipo, afinal, casaram-se por interesses unicamente políticos. Tudo bem que consumaram o casamento e com o tempo passaram a usufruir um do corpo do outro, no entanto parecia que era apenas algo carnal; não sabia dizer se ela possuía algum sentimento, pois tudo o que faziam se resumia unicamente a sexo. E isso pode-se fazer com qualquer um.

— Vamos, tenho certeza de que a magrela não irá se importar… ela sequer precisa saber — Falou enquanto enterrava o rosto em seu pescoço e levava a mão até seu pênis, apertando-o e estimulando-o por cima da calça.

Com um impulso, agarrou suas coxas e as apertou, sentindo a carne firme sob seus dedos. Como resposta, a mulher aumentou a fricção e mordeu seu ombro; prosseguiu e correu as mãos até sua bunda parcialmente descoberta e lhe desferiu um forte tapa em um dos lados, apertando ambos em seguida. O gemido alto que ouviu indicava que estava gostando e queria mais, por isso levou uma das mãos aos seus cabelos e os puxou sem gentileza; contudo, sentiu falta dos fios compridos que costumava enrolar em seu punho, estes estavam curtos demais.

Deu-se conta novamente de que não era uma mulher qualquer e muito menos sua esposa que estava ali, era a pessoa cuja arrogância e teimosia o deixava irado, a pessoa que queria tomar todo o reino que agora também era seu e que seria capaz de matar ele próprio e a sua Ashe sem pestanejar.

Esperou que abrisse os olhos para que visse sua expressão desdenhosa enquanto dizia com um meio sorriso:

— Você não é tão boa quanto ela, já pude constatar isso. Não vou perder meu tempo com o que não presta, pode sair.

Viu o rosto acima de si ficar cada vez mais vermelho de raiva até seus braços se mexerem para lhe atingir socos poderosos. Desviou-os e, segurando seus punhos pesados, derrubou-a no chão e a imobilizou com dificuldade, usando seu peso, suas mãos e pernas para segurá-la.

— Pare de se fazer de doida, foi você quem procurou!

— Seu filho de uma puta, vai me pagar caro. Eu ainda vou foder com você até que implore para que tenha um descanso, então vamos lutar e vou derrotá-lo na frente de todos, mostrando para eles o quão fraco você é, reizinho de merda!

Fez questão de rir com desdém de suas ameaças para deixá-la ainda mais raivosa.

— Vá sonhando. Agora ande, vá logo embora daqui — Saiu de cima de Sejuani e voltou a cobrir-se enquanto a via catar suas roupas e sair batendo os pés, fumegando.

Respirou fundo várias vezes até sentir o sangue esfriar e voltar a fluir normalmente. Em outras épocas, não veria problema algum em dar o que ela queria, mesmo sendo de lados opostos, mas há tempos tudo havia mudado: desde a promessa e mais ainda após alguns meses atrás.

Ashe, Ashe… quando eu voltar… pensou, sorrindo maliciosamente, admirando um ponto qualquer no teto escuro da caverna.

Não se lembrava da última vez em que se sentira tão cansada quanto nas últimas semanas. Sua mente estava em constante alerta e dormir tranquilamente já não parecia mais possível, não se sentia completamente segura dentro de sua própria casa. Uma das primeiras medidas que tomou foi começar a evitar comer e beber qualquer coisa que não fosse trazida por Lesrie em pessoa, a trancar as portas dos aposentos em que se encontrava e a interpretar com outros sentidos todo o tipo de conversa alheia que chegava aos seus ouvidos.

Decidira que precisava ouvir, mais uma vez, a história de Meliza direto de sua fonte. Mesmo com os protestos de Les, mandou que chamassem o bárbaro e a mulher morena ao seu encontro; ambos agora estavam parados diante de si, sentada imponente no seu trono enfeitado, olhando atentamente as feições dos dois.

— Ouvi dizer que vocês andam comentando sobre uma história estranha e antiga, quero saber o que têm a me dizer acerca disso — Seu tom era frio e autoritário, mesmo calmo; seu olhar era penetrante e a perna que cruzava sobre a outra balançava em um ritmo lento e compassado.

— Não sei do que está falando — O homem respondeu com ar arrogante.

— Dirija-se a mim como vossa Majestade, como lhe estou solicitando educadamente… desta vez — Podia-se notar claramente uma ameaça em suas palavras contidas.

— Como quiser… vossa Majestade — Repetiu, com certa relutância.

— Vou refrescar a memória de vocês: o que tem a me dizer sobre essa tal de Meliza?

Viu o homem girar o globo ocular em direção à mulher ao seu lado e apertar as pálpebras em acusação, ao passo em que ela assumia uma expressão amedrontada e evitava encontrar seu olhar. Pelo visto, era mesmo tudo verdade.

— Majestade, é… é só uma historinha boba que ninguém mais dá importância… — A morena gaguejava.

— Faz muitos anos e sequer aconteceu aqui em seu território, no que isso lhe traz interesse? — Não levou mais do que dois segundos para que completasse — Vossa Majestade.

— Nada em especial, apenas curiosidade, afinal é uma história macabra e intrigante — Inclinou-se e apoiou o cotovelo no joelho, segurando o queixo com a mão. — Me digam, quem matou essa mulher, finalmente? Não preciso dizer que isto é uma ordem.

— Ninguém sabe — Responderam em uníssono. A baixinha se retraiu ao encontrar a expressão raivosa que o homem lhe dedicava. Ele continuou sozinho — Talvez a senhora possa nos dizer.

Ashe arqueou uma das sobrancelhas, sem se mexer.

— E o que te faz pensar que eu tenha essa resposta?

— Considerando que vossa intendente tinha algum conhecimento dessa história, mesmo sendo tão jovem e com tão pouco contato com nosso povo, só posso supor que vossa Majestade está com a informação que falta para encaixar as peças.

Surpreendeu-se com a astúcia desse homem de aparência tão rude e simplória, porém sabia bem como manter seu rosto inexpressivo.

— Receio informar que você supôs errado. As pessoas que menos imaginamos sabem e falam mais do que sequer possamos mensurar.

— Disso eu não tenho dúvidas — Essa resposta não foi para a rainha e sim para a mulher que mantinha a cabeça baixa. Notou que aquele bárbaro tinha um ar muito feroz, como um lobo que observa antes de atacar sua presa, e fez sinal para que um dos guardas se aproximasse.

Iria lhe dar instruções para que o vigiassem a fim de evitar que fizesse mal à outra, mas um barulho alto vindo do saguão desviou sua atenção. Apurou os ouvidos para tentar distinguir a voz que vociferava irritada algo como “saiam da frente, eu vou entrar”, e logo soube a quem pertencia. Tinha consciência de que sua revolta não iria demorar a aparecer, era exatamente com isso que contava.

— Você está dispensado, bárbaro — Virou-se para o guarda de modo que a mulher também ouvisse — Acompanhe-a ao saguão e aguardem, ainda não acabei com ela. Abram...

Não teve tempo de autorizar a entrada do homem alterado, este empurrou as pesadas portas que se escancararam rangendo e atravessou o salão bufando como um búfalo bravo.

— Mas o que a senhora pensa que está fazendo? — Seu tom era carregado de desdém.

Mandou que todos saíssem da sala, inclusive os guardas que costumavam manter a segurança durante as reuniões, e fechassem todas as portas.

— É assim que você fala com sua rainha, Gragas? — O meio sorriso que esboçou estava longe de ser aquele carinhoso que lhe dirigia de costume, esse era completamente sarcástico e esnobe.

— É assim que eu falo com quem eu achava que era uma amiga — Colocou o barril que carregava no chão com estrépito para melhor gesticular, o rosto vermelho em cólera. — Por que colocou guardas para me vigiarem dia e noite há quase duas semanas? Me toma por um traidor, é isso?

— Há pouco tempo descobri que vosso rei, meu marido, não é exatamente quem eu pensava ser — Estudou atentamente a sua reação e este pareceu surpreso, como se não esperasse que fosse revelado, ao invés de uma expressão confusa de quem sequer saberia do que estava falado. — Curiosamente, vocês eram amigos de longa data e sua pessoa deu o maior apoio, informando, inclusive, que era um homem valoroso, um guerreiro nobre.

— Eu não menti sobre isso.

— Então sobre o que mentiu? — Tamborilou os dedos no braço do trono, esperando uma resposta que demorou a vir.

Eu jamais menti sobre qualquer coisa que tenha dito dele. Seja lá o que tenha descoberto, eu não tenho nada com isso, acha que fiquei feliz em ver guardas me rondando como se eu fosse um criminoso?

— Será mesmo que você é mesmo tão inocente assim? Não é o que diz esse bilhete... — Tirou dos seios um pequeno pedaço de papel velho e amassado que achara dentro do baú de roupas de Tryndamere quando procurava algum tipo de evidência ou pista dos seus planos; abriu-o e leu em voz alta — “Não o encontrei por aqui, ninguém sabe dele. E não fique me metendo nisso, você sabe que não concordo. Ass: Ggs”.

As sobrancelhas ruivas se arquearam novamente em surpresa e seu olhar se dirigiu ao chão, pensativo. Tivera razão em desconfiar, algo claramente estava sendo escondido.

— Quem é “ele”? — Indagou, levantando-se e pondo-se a caminhar de um lado para o outro sem lhe desviar os olhos. — Com o que você não concorda?

O gorducho respirou fundo antes de responder com tom infeliz:

— Não posso dizer.

— E ainda me pergunta porque pus meus homens de olho em você. Fui tola por confiar — Sua voz demonstrava uma mistura de raiva e decepção que fez Gragas a encarar, exasperado.

— Não diga isso, está entendendo tudo errado! Nunca lhe dei motivos para tal desconfiança, em muito me ofende quando acusa dessa maneira.

— Então porque se recusa a me dizer quem é essa pessoa que ele estava procurando e por qual motivo você não o queria fazer?

— Porque é um assunto pessoal de Tryndamere, não sou eu quem tem de lhe esclarecer isso, é ele! Pergunte-o quando estiver de volta.

— Gragas… — Encarou-o, suspirando. — Sabe que eu posso prendê-lo por conspirar contra a coroa, não sabe?

Como é?— A boca do homem abriu-se em espanto e sua voz ficou mais alterada. — Mas o que diabos você está pensando? Eu não fiz nada!

— Pois muito bem. Senhor Gragas, O Badernista, tem uma semana para refletir melhor e decidir me contar tudo o que sabe, caso contrário será levado à prisão e submetido a interrogatório, investigação e julgamento. Também está proibido de sair da cidade sob qualquer pretexto e lhe asseguro que não conseguirá se tentar.

— Está louca, Ashe? — Vociferou em alto e bom tom, dando um tapa com força em seu barril. — Se acha que pode me fazer de bode expiatório para qualquer tipo de sandice que sua cabecinha tenha inventado, fique sabendo que está muito enganada!

— Meliza não é invenção minha, seria ótimo se fosse.

— Agora entendi — Pela reação que teve, esse era outro que sabia do caso; pouco surpreendente, são tão amigos. — Escute bem, não sei quem te falou sobre isso, mas também não é problema meu. Resolva-se com seu marido, estou de saco cheio de ser metido nas merdas que vivem fazendo. Não tenho nada para lhe dizer e, se insistir nessa idiotice de me prender, saiba que não irei sem lutar.

Agarrou o barril, pôs debaixo do braço e saiu tão enfurecido quanto chegou, sem esperar qualquer resposta.

Sentou-se e massageou as têmporas, sentindo-se mentalmente exausta. Era doloroso ter de ameaçar alguém que considerava tanto, mas lhe doía mais ainda saber que também estava sendo enganada por ele esse tempo todo. No fundo, não queria jogá-lo numa cela fria e suja no calabouço, mas o que precisava fazer pelo seu reino, seria feito.

Pelos ânimos alterados, Lissandra pôde perceber que a rainha e seu amiguinho haviam brigado feio. Não conseguiu distinguir totalmente o que diziam, mas pôde entender que ela acusava o balofo de algo bem ruim. Pena que estava cercada de guardas, senão teria dado um jeito de se aproximar para escutar melhor.

Quando foi levada novamente à presença de Ashe, observou que uma coisa parecida com um pássaro de gelo transmitia uma mensagem na voz do próprio rei, mas já estava no final:

O resgate será ao amanhecer, quando estarão dormindo, o ataque também. Logo voltaremos, até breve.

O pássaro se desfez e virou uma bolinha azul pequena na mão da mulher, que a entregou a um homem jovem e desajeitado que mandou se aproximar, certamente um serviçal inexperiente. Guardou bem o seu rosto para tentar descobrir que ataque inusitado era aquele assim que saísse dali.

— Vi que aquele seu namorado, ou seja lá o que for, é um homem agressivo, portanto vou designar um guarda para que a escolte durante uns dois dias, tudo bem?

— Agradeço muito, Majestade — Fez uma reverência, pensando rápido em como se livrar desse vigia indesejável. — Mas creio que se ele for fazer algo contra mim, irá aguardar que eu não esteja mais protegida. Me sentiria mais segura se seu guerreiro vigiasse ele, assim poderia impedi-lo se tentasse me machucar enquanto a poeira não baixar.

Fez sua melhor expressão de coitada para convencê-la.

— Tem razão, que seja. Pode aguardar um tempo no saguão, se quiser, para que o guarda possa encontrá-lo antes. Está dispensada — Era notável que a rainha estava diferente; mais fria do que de costume, a sensação era de que uma nuvem negra pairava sobre sua cabeça, ameaçando derramar uma tempestade.

Agradeceu novamente e saiu o mais rápido e disfarçadamente que pôde, se esgueirando pelos corredores vazios do castelo quando não estava mais à vista dos homens da Patrulha. Levou um par de horas até que encontrasse o jovem que vira no salão, limpando diversas pratarias expostas em uma sala ampla. Alisou o vestido, suspendeu os seios para que ficassem mais à mostra no decote e começou o seu teatro.

— Olá… Pode me ajudar, por favor? Acho que me perdi — O sorriso meigo que mantinha, aliado ao corpo bem desenhado, fez as bochechas do homem corarem.

— Claro, senhora, vou lhe mostrar…

— Senhorita, por favor. Ainda não encontrei o homem dos meus sonhos — Riu timidamente, acompanhando-o.

— É… é mesmo? Uma senhorita tão… tão bonita… — Gaguejou, sem jeito.

— Obrigada, que gentil — Fingiu tropeçar e soltou um gritinho, agarrando-se ao braço do rapaz. — Opa, me desculpe! Poxa... penso que machuquei meu tornozelo.

— Quer que eu a leve à enfermaria? — Ele parecia realmente preocupado.

— Não, já vai passar, quero ir para casa descansar, posso me segurar em você?

Acenou positivamente, acanhado. Fez questão de encostar o seio inocentemente em seu braço, divertindo-se ao pensar em como ainda tinha gente que caía nesse truque.

— Trabalha em que aqui no castelo?

— Faço de tudo: limpo, carrego coisas, entrego recados…

— Ora, está sendo modesto — Interrompeu, aconchegando-se mais. — Eu vi quando a rainha lhe entregou a mensagem sobre o ataque, tem de ser uma pessoa confiável para que lhe entregasse algo tão importante. Espero que os avarosianos nos tragam mais uma vitória!

— Com certeza! Ganhar já é certo, se for mesmo contra os trolls, como ouvi dizer.

Teve de se controlar para não dar na vista o breve espanto que sentiu. Se já estavam lá para uma batalha, certamente já haviam descoberto alguma coisa. Amaldiçoou aliados tão estúpidos, sequer podia imaginar o que faria se aqueles energúmenos tivessem comprometido seu disfarce e plano de centenas de anos.

— Então vamos comemorar novamente, que ótimo! Ali está minha carroça, já me sinto um pouco melhor, agradeço a ajuda.

— Não há de quê, senhorita, quem sabe poderemos nos ver novamente… — Não estava mais dando atenção ao que o homem dizia, adiantou-se para montar e estalar as rédeas, dirigindo-lhe apenas um breve aceno.

Partiu o mais rápido possível para a casa da mulher cuja aparência estava usando, arquitetando um plano de última hora.

Proferiu vários xingamentos quando entrou na residência escura, o sol já estava baixo quando finalmente conseguiu encontrar e despistar o guarda que seguia o bárbaro dando-lhe um golpe na nuca com um pedaço de madeira; depois certificou-se de que ainda estava vivo, apagou suas pegadas pequenas e deixou a arma ao lado do homem.

Abriu a portinhola que levava a um pequeno porão embaixo da sala de estar e retirou um corpo morto envolto em um cristal de Gelo Negro. O rosto que via à sua frente era o mesmo que refletia no gelo, praticamente invisível sob o capuz e as sombras da noite que se aproximava com rapidez.

Colocou-o em sua carroça e o cobriu com cuidado, fazendo gestos para que o invólucro se desfizesse magicamente. Escolheu o caminho mais deserto até o pé da Montanha Inclinada e arrumou a defunta como se tivesse sido jogada entre alguns arbustos baixos e ralos após ser assassinada por seu amante bárbaro, afinal, ele não mais possuía um álibi, também se assegurara dessa parte.

Quando escalou cerca de um quarto da montanha e não poderia ser vista por ninguém além de vegetações e animais, a figura baixa e voluptuosa se transformou em uma muito alta e esguia, com longos braços finos que pareciam ser feitos de Gelo Negro, trazendo um brilho fantasmagórico azulado nas extremidades; os cabelos escuros se tornaram brancos como a neve, presos em uma trança comprida e larga que saía do adorno de cabeça em um formato que lembrava uma bigorna, pulsando uma luz igualmente azul. Seus olhos estavam cobertos, mas não precisava enxergar, apenas sentir: o vestido preto seguia até o chão, onde rochas escuras se emaranhavam em torno de suas pernas, movendo-se à sua vontade, permitindo-lhe alcançar uma velocidade impressionante. Respirou fundo o ar frio da altitude, satisfeita por estar de volta em seu corpo imortal de glacinata, muito melhor do que as frágeis cascas humanas que usava para se disfarçar.

Inclinou-se levemente para frente e pôs-se a deslizar com destreza, focada em seu objetivo, a boca moldando-se em um sorriso ardiloso.

Aguentem, seus trolls inúteis. Lissandra está chegando, pensou.

Notas finais
Rapaaaaz... Quantos babados :v Primeiro, quero que vocês me digam oq estão achando de Seju e Trynda, to doida pra saber! ( ͡° ͜ʖ ͡°) Segundo, tão gostando das tretaaas?? (Siiim, tia Tsukamoto, bota mais!! Ihuhuhu) aposekpsaoekpaoesa Obrigada pela paciência a cada demora e por sempre me acompanharem e apoiarem, vocês são lindos e eu os amo ♥ Bjs e até a próxima!! o/