Destinos Arranjados
11 A Torre dos Uivos
Notas iniciais
Acordou ainda tonta e precisou de um tempo para assimilar onde estava. Se encontrava em uma cama velha e pouco macia, um lençol puído a cobria do vento frio que entrava por entre as frestas das pedras da construção elevada e circular. Viu um armário estreito junto à cama, cordas e correntes pendiam de ganchos fincados na parede, o fogo aceso numa lareira lateral mais adiante iluminava e aquecia o ambiente e, à frente, havia um pedaço de madeira plana sobre duas pedras pequenas em um improviso de mesa, onde estavam dispostos dois pedaços de barro que deviam ter sido pratos algum dia, um copo grotesco do mesmo material, uma garrafa comprida e uma pequena adaga.
Sentou-se subitamente ao se dar conta de que não estava sozinha naquele lugar desconhecido, mas sentiu uma pontada de dor na nuca e a visão escureceu. Respirou fundo e esperou a vertigem passar. Constatou que permanecia vestida e inteira — um bom sinal, apesar dos arranhões pelo corpo e de uma espécie de curativo em seu punho esquerdo. Só então percebera que aquele machucado estava doendo e dificultava os movimentos. Assustou-se quando a porta atrás de si abriu e um homem entrou sem aviso.
— Ah, você acordou. Como está? — Ao ver aquele rosto conhecido lembrou-se de como fora parar ali. Tryndamere jogou os pedaços de troncos e gravetos que trazia nos braços em um canto e trancou a porta com a enorme chave e uma pesada tora.
— Bem, eu acho — Compreendeu que se não fosse por ele, poderia não estar tão bem assim; sua curiosidade ainda acabaria lhe matando. — Como sabia que… você me seguiu?
— Como se eu fizesse mesmo isso — Bufou, enfiando as mãos em uma bacia de água no chão. — Estava aqui apreciando minha paz quando ouvi o barulho dos lobos e seus gritos. Já estava tarde para voltar, então a trouxe para cá, retornaremos quando amanhecer.
Ficou claro nesse momento que estava dentro da Torre dos Uivos, conhecida assim pela grande quantidade de lobos e outros animais perigosos que rondavam a região à noite em busca de alimento. Esse foi um dos motivos para ter sido desativada — alguns vigias foram mortos na época de funcionamento, inclusive. Imaginou se fora ali que ele se refugiara esse tempo todo e se pretendia mesmo voltar, antes de encontrá-la.
— Tome isso aqui, é para dor — Ele falou, estendendo-lhe um pequeno frasco com um líquido ralo dentro. Abriu e tomou, agradecendo em seguida. Sentou à sua frente e examinou com cuidado o curativo que fizera, certificando-se de que estava bem amarrado. — Finalmente parou de sangrar, mas creio que ainda deva levar uns pontos.
O toque da sua mão em seu braço a aqueceu de um jeito aconchegante e sentiu-se inusitadamente segura. Talvez pelo fato de que correra imediatamente para ajudá-la diante do perigo e cuidara dela com tanto afinco — nem de si mesmo ele cuidava daquela maneira. Pelos últimos acontecimentos, chegou a pensar que ele seria capaz de fazer-lhe mal para satisfazer seus próprios interesses, mas se pegou feliz ao ter mais uma prova de que estava errada.
— Está com fome? — Soltou seu braço e afastou-se, verificando a carne que assava num canto da lareira. Um pensamento fugaz lhe ocorreu ao lembrar o motivo que a levara até aquela parte da montanha, fazendo uma pontada atingir seu peito.
— Você estava com alguém aqui? — Manteve o tom de voz casual, como se fosse uma pergunta qualquer. Ele a olhou confuso antes de responder.
— Não, venho para cá para ficar sozinho, se quisesse companhia não sairia nem do quarto.
— Está dizendo que lhe incomodo? — Deu um leve sorriso de alívio, pelo tom da sua resposta sabia que estava falando a verdade; era provável que a mulher que vira estivesse vindo de outro lugar. Era no que preferia acreditar.
Por fim, indagou-se em silêncio se estava se referindo mesmo a ela quando mencionou companhia. Dirigiu-se ao projeto de mesa e sentou-se sobre o tapete gasto e sujo.
— Às vezes, sim — Tirou a carne do fogo e a colocou sobre um dos pratos, usando a adaga para cortar os pedaços.
— Estou vendo, lhe obriguei a arrumar a mesa e fazer o jantar, sou mesmo uma pedra no sapato — Seu tom debochado o fez dar um vislumbre de sorriso.
— Decerto que sim. Hoje temos lobo assado, sorte que eu trouxe sal para derreter a neve acumulada numa outra ocasião, e uma bela garrafa de rum. Eu pretendia tomar essa última sozinho, porém não tem água limpa e você pode estar com sede.
Estava encantada por ver como tentava agradá-la genuinamente, mesmo após os péssimos dias que tiveram. Sabia que ele se contentaria apenas com o álcool e sequer acenderia a lareira para comer ou se aquecer, nem em seus maiores devaneios iria esperar que ele fosse capaz de se esforçar depois de tudo. Fez questão de mostrar-se grata e amenizar o clima pesado que os rondava, enquanto desfrutava da singela refeição que seu marido preparara – não fora uma das melhores que já tivera, não costumava comer aquele tipo de carne e a bebida queimava sua garganta, no entanto sentiu que era especial de alguma forma.
Conversaram por um bom tempo e, entre as zombarias diversas sobre os integrantes do Conselho e outros conhecidos, notou que um filete de sangue escorria pela lateral do corpo do homem. Alertou-o, espantada.
— Inferno, de novo — Trynda disse para si mesmo, olhando por cima do ombro.
Adiantou-se para ele e, parando de joelhos em suas costas, puxou o ar com força ao suspender o emplastro, que não atentara antes, e ver que um pedaço da sua carne havia sido arrancado por dentes afiados.
Estendeu a garrafa de rum para trás:
— Jogue um pouco disso em cima.
Obedeceu e o viu fazer uma leve careta quando o álcool tocou a ferida. Recolocou o emplastro e desatou a faixa que usava na cintura a fim de enrolar em seu ombro e comprimir para estancar o sangramento. Passou a barra do próprio vestido no tronco largo para limpá-lo. Ele acenou com a cabeça como se agradecesse e a mulher sentiu seu coração dar um salto: se machucara por sua causa e ainda assim fizera tudo aquilo sem que tivesse mesmo obrigação — fizera porque quisera.
Num ímpeto, envolveu os braços em sua cintura, abraçou suas costas e pousou a cabeça no ombro oposto ao ferido.
— O que está fazendo? — Pareceu muito surpreso e permaneceu parado. Levou alguns segundos para que conseguisse responder, sem soltá-lo:
— Obrigada.
Ele deu um pequeno sorriso e continuou silencioso, tocando e alisando levemente o dorso de sua mão. Talvez fosse o rum, a situação ou até mesmo o brilho dourado inebriante que a luz da lareira dava à pele morena do bárbaro, que a levara a conduzir o próprio rosto até a nuca descoberta e beijar-lhe com suavidade.
Os olhos do rei estavam fechados quando ela prosseguiu distribuindo ósculos pelo pescoço e as mãos finas acariciavam o peito que subia e descia lentamente com a respiração comedida. Chegou ao seu ouvido e sussurrou com voz manhosa:
— Eu o quero só mais uma vez.
Não demorou mais do que poucos segundos e toda a hesitação que ele mantinha fora jogada às favas quando se virou para a rainha e a tomou em seus braços, agarrando-a pela cintura e colando seus lábios em um beijo saudoso.
Parou tão abruptamente quanto começara e olhou-a diretamente nos olhos.
— Você não está bêbada, está?
— Estou em plena posse de minhas faculdades mentais, não se preocupe — Respondeu com firmeza; apesar de não beber com frequência, o pouco que provou não fora o suficiente para tanto, apenas a deixara um pouco mais relaxada. Colocou os braços em volta do pescoço do rei. — Só peço que tenha calma, a primeira foi… violenta demais.
— Não vamos falar disso. Bom, vou precisar aprender a fazer desse jeito, então dê uma ajudinha — Estava tão sereno que o sorriso que se formou em seu rosto chegava a ser amoroso. Sentiu derreter-se completamente por dentro.
Passou os dedos lentamente pela linha dos cabelos brancos e os colocou atrás da orelha, alisando o rosto de traços delicados em seguida. Não esperava que fosse perdoá-lo tão cedo e nem sabia exatamente o motivo que a fizera mudar, mas não ligava. Ela estava em seu colo novamente e, por alguma razão desconhecida, sentiu-se alegre. Também estava disposto a tirar a culpa dos ombros compensando-a do jeito que queria. Beijou as bochechas coradas, a ponta do nariz fino, a testa e por último seus lábios carnudos. A retribuição foi doce e suave, acompanhada de afagos na face barbada.
Corria uma das mãos por sua coxa nua enquanto a outra acariciava a nuca fina com o máximo de gentileza que conseguia. Distribuiu beijinhos pelo pescoço e colo até chegar ao busto, mordiscando-o por cima do tecido que o cobria; arrastou as mãos e massageou, sentindo o mamilo enrijecer e a respiração da arqueira acelerar. Com habilidade, desabotoou e retirou o vestido curto; adorava ver as deliciosas curvas de seu corpo, especialmente sem roupas.
Por reflexo, provavelmente proveniente da ruim experiência anterior, ela usou um dos braços finos para cobrir os seios fartos — sem muito sucesso. Voltou a beijá-la e alisá-la gentilmente até que a sentisse menos tensa. A julgar pelo seu temperamento e pela maravilha que se encontrava quase que totalmente nua em seus braços, merecia um prêmio por manter-se bem contido; sequer sabia como estava conseguindo, apenas pensava em Ashe e em como queria tê-la daquela forma lasciva todos os dias.
Passou a massagear suas carnes com mais desejo e a morder de leve seus lábios antes de seguir novamente até os seios, arranhando a pele com a barba. Tomou-os em sua boca com ganância, notando que aqueles suaves gemidos femininos pareciam lhe pedir por mais prazer; A delicadeza que tentava manter se esvaía proporcionalmente ao avanço que fazia em seu corpo, apertando o que estava a seu alcance com intensidade quando ela entrelaçou os dedos em seus cabelos e os tencionou.
Suas pernas reagiram por instinto quando a grande mão escorregou do seu peito para a última peça que ainda vestia, abrindo-se o suficiente para facilitar a remoção. Não houve aviso dessa vez, ele a tocou diretamente no sexo e friccionou sem cerimônias. Iria lembrá-lo de manter a calma, mas estava tão bom que esqueceu. Gemeu e agarrou-se a ele no pouco tempo em que as carícias duraram, pois agora o homem parecia ter pressa.
A deitou no chão com pouco cuidado e, antes que pudesse dizer alguma coisa, afastou-lhe as pernas e enterrou o próprio rosto entre elas. A língua quente e inquieta lambia a fenda avermelhada continuamente, a boca ávida em provar seu sabor. Os pelos de sua face davam uma sensação estranhamente prazerosa quando pinicavam a pele sensível, fazendo seu corpo arquear e abrir-se ainda mais para os lábios vorazes que a chupavam de maneira muito deliciosa.
Sem perceber, desceu o olhar em sua direção e viu que as contas verdes a miravam diretamente enquanto introduzia a língua em sua cavidade; sentiu o rosto queimar no mesmo instante, uma parte por timidez – tal ato exigiu uma intimidade inesperada, e uma parte pelas faíscas que saíam de suas órbitas selvagens, levando-a a desejar ainda mais ser completamente tomada por ele.
Não demorou muito e no minuto seguinte já estava arrancando com veemência as poucas peças que vestia e pondo-se por cima dela, roçando o pênis por sua vulva molhada em busca da entrada.
Foi quando se lembrou do episódio anterior.
— Trynda, espere — Encolheu-se e escapou de baixo do seu corpo, esquadrinhando à sua volta em busca de algo que pudesse lhe ajudar.
— O que houve? — O moreno perguntou com cautela, certamente devia estar se questionando o que tivera feito de errado.
— Nada, eu só… Já sei! — Levantou-se, sorridente, para apanhar uma corda que estava pendurada numa parede próxima. — Vou amarrar suas mãos, assim me sinto mais segura caso se descontrole novamente.
Ele a olhou com incredulidade, talvez não gostasse da ideia, mas não ofereceu muita resistência quando juntou os punhos grossos à sua frente e os atou com nós firmes. Achou por bem amarrar seus pés, precaução, e, antes que o bárbaro começasse a protestar, virou-se de costas e inclinou o corpo, dando-lhe uma bela visão enquanto demorava-se com os laços. Sua tática dera certo, pois tudo o que ele fez foi se dobrar para dar-lhe uma série de mordidas nas nádegas empinadas enquanto a estimulava com os dedos — de repente não sabia mais como amarrar direito, então largou pela metade o que fazia e voltou-se para seu marido, o abraçando e beijando fogosamente.
A imobilização o deixou desajeitado, embora não o impedisse totalmente de apalpá-la. Deitaram-se no chão, um de frente para o outro, e as duas mãos se ocuparam em lhe agarrar como podiam, enquanto jogava uma das pernas por cima dos quadris do homem e rebolava, esfregando-se em seu membro rígido, chamando-o. Gemeu mais alto quando ele a penetrou, o calor daquela corpulência a envolvendo completamente, e colou seus corpos o máximo que podia para senti-lo todo dentro de si. A respiração ofegante em seu ouvido e a movimentação inicialmente lenta a arrepiava; não foi preciso esperar muito tempo para o ritmo acelerar e se tornar intenso.
Estava com tamanho fogo circulando por suas veias que não se dava conta da força com que enterrava os dentes nos ombros, pescoço e lábios de Tryndamere, tampouco com as unhas marcando de vermelho suas costas largas e onde mais alcançasse.
Ambos se movimentavam freneticamente sem parar e, quando notou que apertava seus quadris com bastante força, viu novamente aqueles mesmos olhos vidrados. Acertara ao amarrá-lo, poderia se desvencilhar facilmente se quisesse — mas não queria.
Dessa vez não sentia dor, o que machucara teve tempo suficiente de sarar, e constatou que gostava assim; o que não gostava era a surdez que o atingia. Chamou seu nome por duas vezes, de uma maneira tão sensual que mal parecia a sua voz, e estava prestes a chamar a terceira quando ele despertou do transe sozinho — parecia se esforçar para permanecer consciente, embora pouco tempo depois tenha sido dominado de novo. Não mais fez questão de tentar acordá-lo já que não poderia fazer-lhe nenhum mal, pelo contrário, estava lhe fazendo muito bem.
Fechou os olhos, sua mente estava vazia e tudo o que sentia era pele sobre pele, mãos fortes e toda a extensão flamejante do órgão viril escorregando para dentro e para fora com facilidade. Apertou ainda mais a perna sobre o moreno quando uma excitação diferente aumentou de maneira rápida e enrijeceu seus músculos; ele devia estar sentindo o mesmo, pois, quando a mulher chegou ao ápice e seu corpo inteiro arqueou e estremeceu, derramou-se dentro dela entre estocadas brutas e pausadas.
Continuaram largados ao chão por longos minutos, abraçados, ambos os peitos subindo e descendo depressa, arfando. Encarava os olhos azuis cheios de vida, havia neles um brilho que nunca vira antes. Na verdade, nunca vira Ashe daquele jeito antes: despenteada, suada, afogueada, suja de fuligem e sorrindo meigamente. Achou-a, de longe, muito mais atraente naquele momento do que jamais fora com sua aparência sempre tão limpa e alinhada, certinha, inabalável, inacessível.
Quis beijá-la até lhe faltar o ar e foi o que fez. Ela, por sua vez, o mantinha tão junto de si que ainda permaneciam encaixados, movimentando-se lentamente como quem finaliza uma dança aos poucos. Quando voltou a olhá-la, um pensamento repentino o fez rir sem querer.
— Qual é a graça? — Perguntou, fazendo cara de confusa.
— Quem diria que a Rainha de Gelo teria tanto fogo debaixo das saias, não é? — Piscou, fazendo-a rir.
— Talvez você tenha despertado um monstro — Piscou de volta, acarinhando seus cabelos negros.
— Então é minha responsabilidade cuidar disso — Murmurou ao seu ouvido, cheirando e beijando o pescoço comprido. Correu a mão pela cintura fina e sentiu um incômodo. — Dá para me desamarrar agora? Quero te agarrar direito.
— Primeiro eu gostaria de saber porque tive que te prender assim.
— Por que você é uma sádica e eu facilmente influenciável? — Não parava de acariciar onde alcançava.
— Vamos, é sério! Vai ser sempre assim? — Olhou-a por bastante tempo antes de responder, afastando-se ligeiramente.
— Eu não sei. Não é exatamente algo que eu possa controlar com facilidade, mas creio que estou melhorando nisso. Digamos que despertei bem a tempo de apreciar o seu grand finale — Lançou um olhar maroto e um sorriso de canto, satisfeito com o rubor que viu aumentando em suas bochechas.
— Você… — Levantou-se, sorrindo sem jeito, para apanhar a adaga e cortar as cordas.
Observou seu corpo esbelto e bem feito de cima a baixo, a pele alva refletia a luz amarelada da lareira e parecia brilhar como uma escultura de ouro, deixando-o hipnotizado.
Ao estender os braços para que fosse liberto, percebeu diversas marcas avermelhadas em sua própria pele e, olhando com mais atenção, elas se espalhavam por seus ombros e peito, acompanhadas do que deviam ser dentadas e chupões.
— Penso que sou eu quem deve lhe amarrar na próxima. Veja só o que você fez, mulher! — Não estava tão surpreso, logo na primeira vez vira o gosto da arqueira por prazeres animalescos e, reforçando o que já sabia, não o deteve em momento algum desde que intensificou o sexo esta noite.
— Se não está aguentando, eu paro — Ergueu uma das sobrancelhas e torceu a boca em zombaria.
Gargalhou ruidosamente, jogando as cordas para o lado antes de responder em tom desafiador:
— Vamos ver quem vai aguentar menos.
Ficou de pé e deixou que ela o olhasse languidamente, sentada sobre as próprias canelas à sua frente, antes de se dirigir até o pé da escada que subia em espiral pela parede até uma pequena porta no alto.
— Venha, quero lhe mostrar uma coisa.
Sem questionar, tateou em busca das vestes e fez menção de colocá-las quando se aproximou, no entanto foram tomadas de suas mãos e arremessadas na cama.
— Não vai precisar disso.
— Mas deve estar frio lá fora!
— Não vai sentir frio. Primeiro as damas — O meio sorriso que ostentava já indicava suas intenções e, por ela, não precisariam ir até lá para executá-las, portanto fez questão de empinar-se e rebolar da maneira mais sedutora que podia enquanto subia as escadas, provocando-o sem piedade.
Não era uma torre muito alta, bastavam apenas três voltas para ir do chão ao topo, e o calor da lareira ainda podia ser sentido de leve no último lance. No entanto, quando destrancaram a porta e saíram, uma lufada de vento frio caiu sobre eles, mesmo com a proteção do telhado em forma de cone para evitar acúmulo de neve; as pedras sob seus pés descalços estavam gélidas como a água congelada dos lagos menores e sabia que, se ficasse muito tempo parada, seus dedos poderiam vir a ser apenas uma lembrança; como era de se esperar, o bárbaro não parecia sentir coisa alguma. Olhou para onde ele apontava, por sobre a borda, e abriu levemente a boca, maravilhada.
Apoiou-se no peitoril que lhe chegava ao busto e contemplou a cidade que se entendia à sua frente, várias janelinhas iluminadas formavam um verdadeiro mar de luz entre as sombras das montanhas. O castelo parecia ainda mais incrível, grande e suntuoso, entalhado no meio dos rochedos. Soube no mesmo instante por que Trynda escolheu aquele local: os problemas pareciam não existir ali. Tudo de ruim era reduzido a nada diante da grandeza do que estava construindo com tanta dedicação.
Seu reino, seu povo, seu lar.
— É tão lindo — Ashe conseguiu dizer, por fim.
— Imaginei que fosse apreciar a vista — Respondeu às suas costas, encostado na porta fechada.
— Sinto uma paz tão grande, queria ter visto há mais tempo.
— Se eu soubesse que a companhia seria tão prazerosa, a teria convidado antes.
Chegou mais perto e a abraçou por trás, envolvendo os braços em sua cintura e beijando levemente sua orelha.
— Não pensou mesmo em ir embora, não é? — Afastou as madeixas brancas, para que ele prosseguisse por sua nuca, e movimentou o quadril tentando se aconchegar melhor; foi o suficiente para empolgá-lo.
— Se cogitei uma besteira dessas, garanto que não o farei mais.
Levantou os pés pequenos do chão e os pôs em cima dos seus próprios, talvez para evitar que perdessem a circulação visto que estavam preocupantemente arroxeados, e lhe afastou as pernas o suficiente para acomodar o pênis endurecido entre elas. Ficou na ponta dos pés a fim de ganhar altura e encaixar-se da maneira mais adequada para esfregar-se nele — adorava isso. Pressionava as coxas contra o membro enquanto mexia o corpo e era retribuída com apertos em suas carnes macias e puxões de cabelo excitantes.
Estava pronta para recebê-lo quando foi virada abruptamente e jogada contra a mureta gelada. O frio que atingiu suas costas aquecidas sumiu rapidamente quando recebeu um beijo molhado de tirar o fôlego. Sentiu o joelho esquerdo ser agarrado e erguido até apoiar-se em seu quadril e o rei introduzir-se em si com gosto. Gemeu tão alto que mais lhe pareceu um grito.
Seu corpo foi suspenso e a borda lhe chegava à cintura quando prendeu as duas pernas em volta do homem e agarrou-se ao seu pescoço como se sua vida dependesse disso. Trocavam carícias ardentes enquanto a estocava com vigor e crescia o ritmo. As pedras arranhavam sua pele e o vento frio balançava os cabelos de ambos, mas nada parecia ser capaz de fazê-los parar. Fazia tanto barulho que estava grata por não ter ninguém por perto e, quando explodiu de prazer pouco antes dele, teve a impressão de que toda a cidade poderia ter ouvido.
— Se eu soubesse… — Ashe começou depois de alguns momentos, ofegante, ainda encostada na parede. — Que seria tão bom assim… teria vindo mesmo sem convite.
— Não tenho dúvidas disso — Sorriu, colando seus lábios e levando-a de volta para dentro da torre, mantendo-a agarrada em si.
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