Fevereiro 1979:

Ela dormiu apoiada em meu peito, e apenas pude sorrir por ver isso depois de tanto tempo.

Parecia que continuava sendo seu sonífero e sendo a pessoa que ela podia confiar sua integridade, afinal, nunca a machucaria. Nunca a faria nenhum mal.

Alisei seus cabelos cacheados e quase indomáveis, apreciando o quão macios eram.

Meu cordeirinho era tão pequeno e impiedoso, e estar ao lado dela, me fazia parecer um brutamontes que a sequestrou de sua boa família e a corrompeu.

— Ela é muito areia para o seu caminhãozinho. — Como ela pode ser tão insuportável?

— Preciso fazer alguns exames de...

— O quê? Também está grávido? — Zombou e queria bater nessa garota até que seus miolos explodissem em meus dedos.

Mas apenas apertei Tiny no meu corpo, sentindo-a esfregar suas bochechas gordinhas em minha camisa, fazendo que meu peito inflasse de carinho e não de ódio.

Faço cafuné em sua cabeça, tentando deixá-la confortável nessa posição que parecia desconfortável. Deveria segurá-la no meu colo? Seria atrevido de minha parte?

— Preciso fazer exames, para saber que não tenho nada que a possa prejudicá-la. — Franziu o cenho. _ Muita coisa aconteceu, Lotte.

— Explique-as, somos família e se alguém machucou a esposa do meu irmão, precisa se ver comigo. — Soprou a franja e cruzou os braços.

— Mas não posso, não é de mim que estamos...

— Bas, entenda, sou médica em primeiro lugar e se quer fazer um exame para saber se tem alguma doença transmissível, preciso que me explique o motivo, afinal, sua esposa está grávida. — Que pirralha irritante. _ Mas adoro uma fofoca. — Sorriu.

Não era certo e não iria contar sem a permissão da Tiny, não era de mim que estávamos falando.

Lotte suspirou e apenas apontou sua varinha para mim, fazendo os exames necessários.

As fisgadas em meu sangue e núcleo, me fizeram apertar ainda mais a mulher em minha pose. Sentindo a fraca fragrância de baunilha de seu corpo.

Mesmo passando anos ela continuava com esse cheiro, forçando meus lábios se contraírem em um sorriso.

Beijei seus cabelos, sem me incomodar com eles em meus lábios ou se emaranhando em minha barba.

— Doce demais, terei diabete. — Deveria morrer. _ Você está saudável e pode fazer o que quiser, mas quer eu faça um exame mais detalhado na Destiny? — Concordei. _ Isso você aceita...

Apontou a varinha para Tiny, mas o seu sono não foi perturbado, apenas mexeu os lábios como se estivesse falando com alguém em seu sono.

Observei Lotte franzir o cenho e fiquei confuso, tinha algo com a saúde do cordeirinho que não sei? Talvez a poção tenha dado algumas complicações em sua saúde ou...

Abaixou a varinha e me olhou, tentando saber se suas suposições estavam certas.

— Amortentia. — Descobriu. _ Altas dosagens e poderia fazer que o fígado e o estômago fossem comprometidos, até mesmo parando de funcionar.

— Vá direito ao assunto, sabe muito bem que não sou desse tipo. — Bufou e foi se sentar em sua cadeira.

— Sei, você é muito melhor que a maioria dos meus primos, tirando o Rodolphus, ele tem o meu coração. — Pirralha idiota.

— Lotte...

— Ela está bem, apenas cuide dela. — Falou coisa com coisa. _ Não a deixe ter uma má alimentação e não a deixe tomar poções desnecessárias, ela precisa de repouso para a poção sair completamente.

— Então existe poção ainda. — Concordou. _ Ela pode...

— Não, ela se salvou antes de ter alguma complicação, na verdade, ainda me pergunto como ela está de pé. — Franzi o cenho. _ Estresse pode matar, e posso não ser psicobruxa, mas ela precisará de uma.

Isso já sabia, ela estava aguentando bem e chorar e desabafar, não resolverá tudo que ela passou nesses anos.

As palavras de ameaça, seu sofrimento calado e de suas proibições.

Apenas queria ter percebido isso antes, mas Antonin nunca me deixava me aproximar ou minhas cartas eram respondidas.

Então, apenas criei suposições em minha mente, afinal de contas, ela sempre dizia amar Dolohov e mesmo sabendo que nunca abandonaria seus amigos, me fiz acreditar.

Como sou idiota, como pude deixar Tiny nas mãos daquele desgraçado?

— Seja um bom pai e marido, irmão. — Provavelmente já criou uma história em sua cabeça. _ E quero convite para os eventos.

Peguei a Tiny no colo, arrumando seu vestido com a minha magia. Sua mãozinha agarrou minha camisa, como se não quisesse que eu fosse embora.

Nunca abandonaria.

— Vejo vocês no próximo mês. — Abriu a porta com sua magia e nos expulsou de seu consultório. _ E na próxima, espere que eu diga para entrar.

— Não. — Caminhei pelo corredor, esperando os olhares.

Mas Tiny não se importava e devo me importar menos, o que importa neste momento era a sua segurança, e como acabarei com a raça de Dolohov.

Continuo caminhando, pensando nas possibilidades de Destiny não me contar sobre o que estava passando e continuar naquela mansão, pedindo socorro.

Nem queria imaginar, mas minha cabeça gostava de me fazer sofrer, mesmo estando em uma felicidade extasiante.

Parei na lareira e com um pouco de maestria, peguei um pouco de pó para sairmos desse lugar cheio de olhares estranhos.

Aquele comentário de retirar todos os olhos dessas pessoas, não era uma brincadeira e nunca seria.

Entro na lareira, tomando cuidado para não machucar Destiny ou acordá-la, ela estava cansada, tanto física e mentalmente.

As chamas verdes nos engoliram, me fazendo dar um suspiro em alívio por chegar em casa, pensei que Antonin apareceria e acabaria fazendo Destiny ficar brava.

Sempre observei cada canto daquele hospital, tentando saber se tinha olhares conhecidos ou se o som dos passos daquele homem estava presente.

Felizmente, tudo foi em vão e tudo saiu bem.

Saio da lareira, indo em direção do segundo andar, mas meus passos foram parados com a chegada do elfo ao meu lado. Eles tinham uma mania irritante de aparecer sem avisar.

— Meu senhor, a sua família o aguarda no escritório. — Merda.

— Os avise que irei. — Compreendeu e se foi, me fazendo retomar os meus passos.

Esperava que Bella não estivesse aqui, ou os gritos poderiam acabar com o sono pacífico da minha mulher, me fazendo estrangular uma de minhas amigas de longa data.

Abro a porta do meu quarto, tentando não pensar que ela poderia imaginar que estou indo rápido demais em nosso relacionamento não estabelecido, mas não queria deixá-la se deitar em um quarto qualquer.

Esse lugar era mais confortável com uma boa ventilação e era espaçoso, os lençóis eram macios e não causaria alergia...

Quem queria enganar? Apenas queria que ela ficasse nesse quarto e dormisse comigo para todo o sempre.

A depositei na cama, a cobrindo com lençol limpo que havia acabado de ser dobrado.

Seus olhos tremeram quando sentiram falta de algo e sua mão tentou me alcançar.

— Bas... — Sussurrou e semicerrou os olhos.

Ajoelhei-me no chão e segurei sua mão, a beijando.

— Estou aqui. — Sorriu e fechou os olhos. _ Meus pais estão no escritório, você está no meu quarto...

— Tudo bem, vai lá, só preciso dormir um pouco para comer aquele bolo. — Ri e concordei. _ Poderia fechar as cortinas?

— Tudo bem. — Beijei sua testa e me levantei para fechar as cortinas.

Provavelmente estava cansada não apenas pela poção saindo de seu corpo ou pela gravidez e estresse, mas por dormir ao lado de seu abusador, tentando saber quando ele iria agir.

E isso fez que sua mente não descansasse...

Apertei a cortina em meus dedos e respirei fundo, acho que devo torturá-lo primeiro e depois matá-lo.

Dou alguns passos em sua direção e deixo o abajur em uma iluminação baixa, que não a incomodasse.

— Estou no andar debaixo, qualquer coisa é só me chamar. — Resmungou e se afundou ainda mais no travesseiro.

Saio dali, pensando em como expulsaria minha família para poder cuidar da Tiny, mas sabia que não seria tão fácil.

A família Lestrange tinha um pequeno defeito, ser intrometidos ou roubar a mulher dos outros. Não que tenha feira isso, mas os meus antepassados eram outro caso.

Continuo descendo a escadaria e penso em algo, mesmo não sendo o primogênito e herdeiro do meu pai, ainda era um Lestrange e tinha dinheiro suficiente para comprar um assento na Suprema Corte, ou até mesmo criar um sobrenome.

Mas nunca achei necessário e ainda acho desnecessário, odiava burocracia e meu irmão era melhor isso que eu, a pessoa que sempre foi fascinado por inventar coisas.

Desço os últimos degraus, encontrando um elfo carregando um vaso de flores para colocar no corredor dos hóspedes. Parei no último degrau e falei:

— Poderia pedir ao chefe para fazer bolo de chocolate para o almoço? — O elfo me observou e concordou com uma mesura.

Passo pelo corredor contendo alguns quadros, tentando não ver os sorrisos de alguns e cochichos de outros.

Esqueci que existiam fofoqueiros em minha residência, que eram piores que a própria Charlotte, que deve estar neste momento escrevendo uma carta para toda a nossa família.

Deveria tê-la matado...

Entro no escritório e fico estático no lugar, merda! Por que minha família tinha quer ser tão unida?

— Filho, não fique parado na porta. — Mamãe tomava seu chá e sorria, aquele sorriso era tão predatório.

Fechei a porta e dei alguns passos para perto daquelas quatro pessoas sentadas que tomavam chá.

— Você continua sendo um garotinho com medo da mamãe? — Desgraçado, vou fazer você engolir esse biscoito. _ Um passarinho me contou...

— Dolphus. — Mamãe o observou com aquele olhar frio. _ Não irrite seu irmão, olhe a sua idade.

— Não fiz nada. — Revirei os olhos e me sentei no sofá. _ Apenas falei que descobri algo.

Mais irritante que a Lotte só podia ser ele, meu irmão, Rodolphus/demônio, ou para os mais íntimos, a pessoa que domou Bellatrix, a louca de nossa família.

— Filho, seu irmão pode ser assim, mas ele é direto e...

— Rabastan. — Olhei para o papai, que coçava a barba bem-feita e semicerrava os olhos verdes. _ Você sequestrou Destiny? Nossa família não tem uma reputação ótima com sequestro, mas...

— Você deveria ter me chamado, poderia ter ajudado na fuga. — Olhamos para Bella que sorria. _ Não pedirei desculpas por minhas palavras. — Jogou os cabelos cacheados para trás.

O idiota que chamo de irmão, cutucou a bochecha de sua esposa, a fazendo morder seu dedo... Dois loucos.

Respirei fundo e não poderia apenas deixar que eles fizessem julgamentos sobre a integridade do meu cordeirinho, mesmo não contando toda a verdade, deveria contar o básico.

Mesmo Tiny querendo que todos fofocassem ao seu respeito, isso não incluía minha família, a sua possível família.

— Não sequestrei ninguém. — Comentei, os fazendo me olhar. _ Ela veio e conversamos, ela me contou coisas que me fez entender alguns sentimentos passados.

Mamãe colocou a xícara no pires e cruzou as pernas, esperando uma resposta melhor que a dei, mas não poderia.

— Não direi mais nada, as respostas que vocês querem devem ser dadas pela Destiny, e não por mim.

— Querido, apenas me diga uma coisa. — Concordei. _ Antonin provavelmente vai querer explicações por todas as fofocas que circulam por aí, o que vai fazer?

— Espere. — Franzi o cenho e falei: ­_ Que fofocas? — Olharam-se.

— Estávamos no Beco e uma senhora começou a praguejar coisas sem sentido, então a Bella a perguntou e ficamos sabendo que Destiny foi raptada por você.

Aquela senhora realmente tem problemas mentais e deveria estar internada em algum hospício.

— Você ainda não contou o que irá fazer com o Antonin.

— Bater nele. — Ficaram chocados, mas Bella riu. _ E matá-lo. — Sorri e mamãe suspirou, apertando a mão do papai.

— Querido, Destiny é uma mulher casada e não acho coerente você pensar em algo além da amizade. — Divorciada. _ Amo a Destiny, e a acho uma mulher excepcional, mas não viva apenas um amor em toda sua vida.

Mamãe sempre foi protetora e dizia o que gostava ou não, mesmo se doesse. Talvez se Destiny não tivesse vindo aqui hoje, não saberia como responder as suas palavras.

Mas agora tinha a mulher da minha vida, o amor que sempre pensei ser impossível de conquistar com palavras e com poucas ações.

Mesmo amando minha mãe, e respeitando suas decisões, não faria nada que estava me pedindo.

Destiny pode perceber que não sou o homem perfeito que sua cabeça está a fazendo pensar, mas posso ser o cara imperfeito que cuida dela com todo o cuidado possível.

Sempre a amei, e continuo amando, e se ela dissesse que apenas me quer como amigo, não iria retrucar, mas pegaria meus sentimentos e continuaria ao seu lado, como prometi.

Tiny estava quebrada e deveria dar o devido espaço a ela, mesmo que meu coração quisesse quebrar esse espaço e torná-la minha, como sempre desejei.

— Não. — Crispou os lábios. _ Destiny não está mais casada e ela me deu liberdade de cortejá-la, o assunto é delicado e não posso entrar em detalhes.

— O quê? — Bella se levantou e começou a andar pelo escritório. _ Se você quer bater no Dolohov, isso quer dizer que algo aconteceu e é grave. — Ela era mais inteligente que muitas pessoas. _ Ajudarei, é só você me chamar.

Estalou os dedos e meu irmão apenas concordou, mesmo o odiando, ele gostava da Destiny... Todos gostavam dela, como não poderiam?

Papai olhou para sua esposa e apenas suspirou, ele sabia que não faria nada o que me pedissem.

— Por que vocês da família Lestrange gostam de complicar minha vida? — Tentamos não revirar os olhos. _ Olha a confusão que me arrumaram!

Papai apenas olhou para baixo e Dolphus alisou os cabelos para trás, tentando ser invisível.

Mas apenas ajoelhei-me no chão, segurando as pernas de mamãe, como fazia quando quebrava os brinquedos do meu irmão.

— Mamãe, você sabe que desde os meus onze anos, meu coração sempre foi de Destiny. — Bufou. _ E agora que tenho a oportunidade de expressar meus sentimentos, você quer acabar com o meu romance?

Papai deu um joinha e Dolphus apenas revirou os olhos, um dia sufocarei esse homem até que ele me peça misericórdia.

— Um divórcio é um trabalho demorado, mesmo se a pessoa não ama mais o parceiro, isso...

— Eu sei. — Agarrei sua saia. _ Mas, mamãe, entenda, talvez a Destiny tenha se casado por obrigação e seus sentimentos nunca foram para aquele rato. — Bella riu do apelido.

Ficou desconfiada e papai me salvou dos olhos azuis gelados da mamãe, odiava esse olhar, poderia ser congelado em segundos.

— Um homem de 25 anos temendo a própria mãe, que coisa desagradável de ver. — Levantei-me e fui até ele, batendo em sua cabeça. _ Vou te matar!

Empurrou-me no chão e o puxei, o fazendo se soltar do meu aperto e quase socando meu rosto. Como poderia ter um irmão tão agressivo assim? E ainda nos chamam de gêmeos!

Iria chutá-lo, mas com apenas uma tossezinha de mamãe, tudo acabou e nosso corpo ficou rígido.

Ajoelhamos no chão, como todas às vezes que fazíamos isso e éramos pegos, isso me fez rir.

— Para de rir, idiota. — Cutucou meu braço e olhou para mamãe. _ Foi ele quem começou. — Bufei. _ Você viu, não viu, mamãe?

— Dolphus! — Bebericou o chá. _ Você é o irmão mais velho e deveria dar o respeito. — Bem-feito. _ Bas! — Merda. _ Você é o irmão mais novo, mas se quer tanto se tornar alguém digno para Destiny, tenha modos, vocês não têm mais sete anos.

— Sim, mamãe. — Dissemos.

— E espero Destiny em nossa mansão, quero ver minha nora. — Sorria e apenas suspirei em alívio, tudo estava caminhando bem. _ Mande uma carta para a residência dela e diga que teremos um jantar, ela pode escolher o dia.

Acho que pensei cedo demais, mas eles continuaram sem saber que o motivo de nossa conversa estava no meu quarto, dormindo como um anjo.