Fevereiro de 1979:

— Tem certeza de que devo ir? — Alisei o vestido em meu corpo, vendo Bas se arrumar atrás de mim.

Iríamos à reunião do Círculo Íntimo e encontraria a pessoa que espalhou boatos que fugi com o meu amante.

Alguns sabiam que o amante em questão era Rabastan, mas Dolohov tinha medo de difamar a família Lestrange que é tão antiga quanto a dele.

E mesmo sabendo que não poderia fugir para sempre, não queria vê-lo.

Nem mesmo queria ver Mephisto que com certeza me falaria coisas horríveis, mas pelo menos minha barriga não estava aparecendo ainda, o que me salvaria de certas palavras.

Bas se aproximou e beijou o topo da minha cabeça, fazendo que meu cabelo se agarrasse a sua barba.

— Merlin, devo raspar a barba? — Alisou o rosto e discordei.

— Gosto dela assim. — Me virou para si e me abraçou. _ Estou com um pouquinho de medo. — Sussurrei e o sinto concordar.

— Não se preocupe tanto, estarei ao seu lado, como sempre. — Agarrei sua camisa e suspirei, certo, não preciso me preocupar. _ E pedirei ao Lorde para matá-lo.

Apenas concordei, mesmo odiando matar alguém, a pessoa em questão merecia.

Dei batidinhas em suas costas e se afastou, me contando algo que ainda não sabia.

— A reunião de hoje é apenas para marcar pessoas que Lucius manipulou em Hogwarts. — Ele era tão bom nisso. _ Nada muito interessante. — Deu de ombros.

— E falando nele, ele não vai arrumar nenhuma companheira? — Desfiz alguns visgos em sua camisa.

— O Lorde é uma pessoa séria que nunca se permitiu a gostar de alguém, ou talvez ninguém seja interessante o bastante para ele.

Infelizmente o Lorde era exatamente assim, ele tinha todos em suas mãos e cada passo que dava era pensado e recalculado para benefício próprio.

Entretanto, poderia ser interessante ver o homem se apaixonar por alguém que o faria repensar em tudo que já fez, ou que planeja fazer.

Porém, como podíamos saber as coisas que passavam na cabeça daquele homem? Ele era misterioso e majestoso, mas cruel e sádico.

Parecia que éramos apenas formigas pensantes em seu formigueiro feito por suas mãos. Acho que mesmo se não odiasse Dumbledore, como passei odiar em 71, teria ido de qualquer jeito para o lado das trevas.

Mesmo que meu sangue não seja puro como ele gostava, ou mestiço que tentava apreciar, sou uma pessoa que apoia sua causa, mas nunca me tornaria uma Comensal.

Não que a tatuagem fosse feia, mas sei que se o Lorde perdesse, Rabastan seria uns de muitos a serem presos ou caçados, e não queria isso, ainda mais que estou gravida.

Porém, isso me entristecia de certa forma, mesmo sabendo que a pessoa a minha frente não era um Santo, sabia que fazia com boas intenções, afinal, ele acredita no que está fazendo.

Então, mesmo estando ao seu lado, só quero apoiar, como fiz em Hogwarts...

— Você está bem? — Alisou minha bochecha, me fazendo parar de pensar em coisas estranhas.

— Sim, apenas estava divagando. — Sorri, entrelaçando as nossas mãos. _ Vamos? — Pegou sua varinha e saímos do closet.

Respirei fundo, tentando esquecer que meus pulmões doíam devido a esse processo e que minhas mãos suavam tanto, que parecia sudorese.

— Bas... — Parei na metade do corredor, faltando pouco para descer a escadaria e ir para a sala, encontrando aquela lareira que não me amedrontava, mas agora, sim.

Olhou-me com aqueles olhos que tanto amava, me dizendo com palavras não ditas o que precisava para avançar nos meus passos.

Ele estava comigo e não sairia do meu lado, mas o beijo em meus lábios foi a confirmação para isso.

Não era o nosso primeiro beijo, mas parecia ser.

— Adiar uma coisa que não desejamos, isso só nos faz temer aquilo que devemos fazer. — Acariciou minha bochecha. _ Não podemos adiar o inevitável. — Beijou minha têmpora.

— Você não existe. — Sussurrei, torcendo para que essa frase fosse mentira e que esse homem realmente existisse.

— Só existo para você. — Apertou minha mão, me fazendo dar o primeiro passo para algo que não queria, mas sei que deveria fazer.

Os degraus, que deveriam demorar alguns segundos para que pudéssemos descer, demoraram milissegundos.

Mas aguentei a sensação de pânico e caminhei para a sala, sem observar ao redor ou pensar no cheiro gostoso que a noite emitia.

Nem mesmo pensei nos grilos fazendo suas estridulações, ou quão bonito estava Rabastan com seu estilo social, porém, o coque em seus cabelos o entregava que não ligava para o porte fino da reunião.

— Sou tão bonito assim? — Concordei, nem precisando pensar, apenas queria ver aquele sorriso de lado que acabaria com o meu juízo.

O que fez logo em seguida quando viramos o corredor e entramos na sala.

Porém, o pânico de antes não veio, apenas a sensação de que tudo ocorreria bem, e mesmo se não ocorresse, teria uma varinha – sim, comprei uma varinha, – e vários amigos para me ajudar.

Respirei fundo mais uma vez e peguei um pouco do flu, caminhando em direção da lareira que nos aguardava.

— Pronta? — Iria negar, mas apenas acenei e falei:

— Mansão Slytherin. — Joguei o pó no chão, sumindo nas chamas verdes que me engoliram como um furacão.

O cheiro foi a primeira coisa que senti ao passar pela barreira, era vinho misturado com um perfume estranhamente atraente.

Entretanto, quando abri meus olhos, nenhum vinho ou pessoa estava ali para nos receber, além do elfo, é claro.

Lembro que o seu nome era Dixy e era sempre pomposo com seu terninho sob medida.

Contudo, antes que pudéssemos dizer alguma coisa, ou até mesmo entregar os possíveis casacos que não estávamos usando.

Alguém passou pela porta, olhando para a lareira enquanto caminhava calmamente para o lugar da reunião.

Entretanto, mesmo que o lugar em que estávamos tivesse uma cor menos sombria e chamativa, aquele homem era o que mais chamava atenção nesse cômodo.

Não era o Lorde que poderia estar trajando um dos seus caríssimos ternos, ou muito menos uns dos meus amigos.

Era apenas...

— Tiny. — Engoli em seco, vendo o homem parar e recalcular a rota que fazia. _ E pensar que os boatos não eram mentirosos.

— E mesmo assim você espalhou para todos. — Rabastan apertou minha mão, me induzindo a reagir, mesmo que fosse um pouco e iria reagir.

Apenas que o medinho que se alastrava em meu estômago, quase me fazendo pensar que deveria usar o banheiro, era bem maior que a minha coragem no momento.

— Não fui eu que raptei a mulher dos outros. — Limpou a poeira inexistente do terno. _ Tiny, venha. — Semicerrei os olhos e deixei as mãos do Bas, o fazendo ficar sem entender.

Caminhei devagar para aquele homem, tentando lembrar como era a sensação de estar sob a poção, algo que não foi difícil.

Apenas que andar em linha reta até aquele homem me dava nojo e até me fez respirar baixinho umas quinze vezes, apenas para não surtar ao decorrer desses segundos.

Parei e fiquei o observando, constatando sua vitória em seu semblante, como se uma poção que não era administrada há semanas, continuasse tendo efeito.

— Senti saudades, querida. — Olhei para baixo e minha mão coçou. _ Vamos... — O tapa ecoou na sala.

Seu sorriso se desfez e seu rosto tinha minhas digitais com perfeição, me enojando por ter tocado em sua pele asquerosa e repugnante.

— Acha mesmo que serei sua cadelinha por quanto tempo, Dolohov? — Bati mais uma vez em seu rosto, o que fez dar um passo para trás. _ Você deve ter esquecido o que fiz naquele dia em Hogwarts.

Sua mão tremia em seu rosto, mas seus olhos castanhos me examinavam como uma pessoa insignificante que acabou com sua noite e espero acabar ainda mais.

Meu medo não deveria prevalecer e tudo que desejei fazer com ele, deveria ser feito e agora!

— Você enlouqueceu, querida? — Minha têmpora tremeu. _ O que você fez com ela, Lestrange? — Agarrou meus ombros, quase como se fosse me proteger do "monstro" atrás de mim. _ Tudo bem, você está segura agora e poderemos marcar uma consulta com...

Apontei minha varinha para a sua jugular, fazendo Bas rir com a minha ação.

— Tire suas mãos imundas do meu corpo, Dolohov. — Queria socar esse rosto mais uma vez. _ Acha que não me lembro de ter sido drogada com Amortentia? Ou de ser traída? — A ponta da minha varinha parecia sangrar em sua pele.

— Realmente está louca. — Olhou-me com raiva, quase me fazendo sentir o cheiro do veneno que escorria entre seus lábios.

— Prefiro ser louca do que estar casada com um homem como você, que apenas fez o que fez por dinheiro. — Deu um passo para trás, tocando o pescoço para aliviar a dor.

— Você ainda é...

— Casada com você? — Zombei. _ Pensei que tivesse sentido a magia de anulação do nosso casamento, mas acho que você estava ocupado demais fodendo quem quer que fosse.

— Ciúmes? — Ri, o vendo alisar os cabelos para trás, desfazendo a marca vermelha do seu rosto com um feitiço.

— De você? — Girei a varinha entre os dedos, sentindo mãos quentes em meus ombros. _ Nunca. — Isso não terminaria assim, apenas que não tinha tempo adequado para fazer uma boa vingança.

Entretanto, sei que no final da reunião poderia jogar um Crucius em seu crânio para vê-lo espumar por todos os seus ofícios, porém, Mephisto estaria junto.

As duas pessoas que fizeram minha vida uma desgraça iriam pagar, nem que para isso tivesse que ir para Azkaban.

— Isso não ficará assim. — Deu alguns passos para trás, enquanto alisava seu rosto e saiu da sala.

Todo o ar do meu corpo se foi e minhas mãos tremiam pela adrenalina sendo drenadas pelas minhas veias, nem mesmo sabia o que tinha me dado para fazer isso, mas não me arrependia e até queria continuar.

— Você foi bem, gostei de ver isso. — Beijou o topo da minha cabeça, me fazendo rir de toda a situação. _ Porém, antes de você fazer qualquer coisa, posso dar um soco nele? — Concordei, me virando para si.

— Também quero dar um soco nele. — Sorrimos, mas uma tossida nos fez olhar o elfo que nos observava.

— A reunião já vai começar, senhores. — Merda, tinha esquecido completamente do Dixy e aposto que contará para o Lorde e podemos ser julgados por isso.

Contudo, se o Lorde ainda se lembrasse do meu juramento como Represente Líder de Hogwarts, ele me ajudaria, como jurei ajudá-lo.

Entretanto, isso deveria pesar mais que a sua amizade com Mephisto, o que poderia ser impossível, ainda mais que estudaram juntos.

Parei de pensar nisso e apenas concordei, colocando minha mão no braço do meu companheiro.

Não posso ter medo agora, afinal, já fiz tudo que não deveria ter feito – na visão dos outros.

— Vai dar tudo certo. — Tentou me confortar. _ Mesmo que Dixy conte, sei que o Lorde entenderá. — Esperava que sim.

Saímos da sala, caminhando pelo corredor extenso que continha janelas que me mostravam a estufa e quadros que não se mexiam no lado oposto.

A mansão era esplendorosa e iluminada, apenas que não combinava com a escuridão que se impregnava nessas pessoas, principalmente no Lorde.

Acho que se a Ordem visse isso, eles estariam se perguntando se estavam na mansão certa.

Todavia, meus pensamentos mais uma vez se foram com a nossa chegada na sala de reuniões, que era diferente do salão de reuniões que apenas o Círculo íntimo poderia entrar.

Essa noite teria a marcação dos novos Comensais, mas isso era depois do jantar que apenas o Círculo Íntimo teria ‒ era isso que o Bas me explicava baixinho.

Era um jantar para socializar com os outros, conversar sem restrições com o Lorde ou até mesmo pontuar certas coisas que não poderiam ser pontuadas naquele salão.

Era apenas um dia para se descontrair e iria, se não fosse pela família Dolohov.

— Tiny! — Bella se levantou e correu até mim, me abraçando como se fosse morrer se não fizesse isso.

Porém, apenas retribuí o abraço, sentindo todos os sentimentos de culpa e rejeição se alastrando pelo meu coração, mas apenas os afastei, esses sentimentos não deveriam vir.

— Também senti saudades, Bella. — A escutei fungar.

— Você sumiu e só descobri que algo aconteceu quando fui à mansão do Rabastan. — Olhou para o homem ao meu lado, que apenas revirou os olhos. _ Ele não quis explicar o que aconteceu, mas sei que esse não é o momento. — Sorri. _ Onde está morando?

— Pensei que ele tivesse informado. — Franziu o cenho. _ Estou morando na mansão dele. — Sorri, a fazendo piscar algumas vezes.

— Onde os pirralhos estão ficando? — Bas mudou de assunto.

— Estão no outro salão. — Deu de ombros e tentou continuar a conversa anterior.

Mas antes que pudesse dizer alguma coisa, o Lorde chegou pela porta dos fundos, nos fazendo sentar nos nossos lugares indicados pelo segundo elfo mordomo, Troy.

Bella estava sentada a minha frente ao lado do seu marido, mas Narcisa e Lucius estavam nas pontas da mesa, mas conseguia vê-los perfeitamente.

Entretanto, a família Dolohov estava ao lado do Rabastan, o que quase me fez suspirar.

— Boa noite. — O Lorde sorriu e se sentou, dessa vez não precisávamos nos levantar e fazer uma mesura. _ Espero que essa noite seja agradável para todos. — Sorriu. _ Mas isso não será possível, já que descobri algo.

Olhou para cada um com aqueles olhos vermelhos iguais ao vinho em nossas taças, cruzando as pernas em seguida.

— Não gosto de fofocas, mas essa deveria ser trazida para que todos saibam o seu devido lugar. — Engoli em seco, apertando a mão do Bas embaixo da mesa.

— E qual seria essa informação? — Lucius foi cordial.

Apenas olhei para o vinho que não poderia tomar e vi pelo reflexo da taça que o meu senhor estava me observando.

— Destiny, seu belo tapa foi magnífico. — Alguns se engasgaram, pensando que bati no Lorde. _ Porém, ainda não entendi o contexto por estapear o seu marido.

— Ex. — Comentei, fazendo que todos me olhassem. _ Ele me drogou, meu senhor. — Levantou a sobrancelha. _ Amortentia. — Sua taça explodiu, fazendo que vários caquinhos voassem pela sala.

Sua risada foi fria e me arrepiou, mas seu olhar caloroso de antes fez que todos prestassem atenção na taça, sentindo o poder do nosso senhor.

— Amortentia... — Zombou. _ Mephisto, deixe-me perguntar, qual foi a educação que você deu para o seu filho? — Sua magia nos fazia prender a respiração. _ Responda-me!

— A melhor que pude. — Quase soluçou. _ Meu filho não está bem, está fora de si. — Isso era verdade. _ Contudo, meu senhor, Destiny o traiu...

— Nunca! — Falei sem me importar com os olhares. _ Em 71 realmente me apaixonei pelo seu filho, mas ele estava beijando uma garota, então, com o passar dos dias e meses, comecei a ver Rabastan com os outros olhos e...

— E? — O Lorde insinuou para continuar.

— Iria falar com o Rabastan sobre os meus sentimentos em 72, apenas que Antonin usou Imperius e me forçou a tomar a poção. — Bella quase se levantou e Genevieve tremia. _ Fazendo que quase sete anos fossem manipulados.

Os dedos calejados do Bas alisavam a minha mão, me dando forças para continuar a contar a minha história e contei.

Contei sobre tudo que passei nas mãos dessa família de hipócritas, até mesmo contei que não era apenas Antonin que me dava poções.

Até que chegou à parte de dizer como que me livrei disso, dessa farsa.

— Ele estava me traindo e esqueceu de me dar a poção. — Sorri.

— Quando tomou consciência e posse do seu corpo? — Genevieve segurava um lenço perto dos lábios.

— No baile. — Sentia meu nariz formigar. _ Porém, tive que...

— Isso é mentira! — Antonin se levantou, não se importando com as suas ações. _ Ela que está me traindo com esse Lestrange! — Ridículo.

— Se estou mentindo e o traindo, por que está tão nervoso? — Piscou. _ A anulação do nosso casamento já aconteceu e você continua tentando se convencer de que isso tudo é apenas uma alucinação causada pela minha cabeça.

— E, não é? — Bateu as mãos na mesa. _ Por isso que você precisa ser internada, você está louca e... — Caiu no chão, tremendo com o raio vermelho que saia da ponta da varinha do Lorde.

O Crucius foi silencioso, apenas se tornando real quando a pessoa caiu.

Esse era o tamanho poder do Lorde, e o porquê tantos o temia e o glorificava.

Contudo, o sorriso do Rabastan não passou despercebido, ele estava gostando de ver aquele homem ser punido e não posso dizer que não estou.

Porém, queria que fosse eu lançando o feitiço e não o meu senhor.

— Continue. — Apenas uma ordem e todos se voltaram para mim, entretanto, o feitiço não parou e os gritos de súplicas foram silenciados pela minha voz.

— Continuei na mansão Dolohov. — Engoli em seco. _ E tentei, de todos os modos, não demonstrar melhora na minha condição. — Mordi meus lábios. _ Dormindo ao lado desse homem, correndo para não encontrar Mephisto e tentando entender o porquê de isso tudo acontecer.

— E descobriu? — Semicerrou os olhos.

— Dinheiro, tudo foi por dinheiro, já que ele não teria sua herança se não se casasse comigo. — O motivo do Mephisto falar isso ainda não sabia.

O feitiço parou e nem mesmo olhei para aquele ser no chão, apenas continuei observando meu senhor, tentando entender seus pensamentos que nem mesmo o meu futuro marido entendia.

Sua respiração alta ficou evidente e apenas pegou a nova taça que Dixy havia deixado ali.

— Mephisto. — Não completou a frase, mas ficou subtendido. _ Não sou de me meter em assuntos privados dos meus Comensais, porém, Destiny não é uma Comensal e sim, uma líder.

Rabastan ficou sem entender e Bella ficou surpresa, sabia que ela era uma Representante também, mas nunca tive oportunidade para dizer isso a ela.

— Então, o que me diz? — Zombou. _ Foi por isso que a chantageou? Já que a Bella já estava casada com Rodolphus, e a melhor escolha seria Destiny. — Estalou a língua. _ Apenas, como você sabia que ela era uma líder?

Antes que pudesse responder, Rodolphus perguntou algo que a maioria não sabia.

— O que é um líder?

— Bom, para dizer sobre isso é necessário dizer sobre os Representantes escolhidos por Hogwarts para representar suas casas e debater o que devem intervir para benefício dos alunos. — Respondi.

— Então o líder lidera essas pessoas? — Concordei.

— Esse líder recebe um chamado de Hogwarts e recebe suas funções, e mesmo saindo de Hogwarts podemos entrar e sair da sala que temos as nossas reuniões. — Estava ficando com sede. _ Temos um juramento de sempre ajudar o Lorde, e se não fizermos isso...

— Morreremos, ou sofreremos as consequências. — Bella terminou as minhas palavras. _ Há cada ano tem um novo líder, em 69 fui a líder.

— Fui em 72.

— Entendi sobre isso, mas por que Mephisto quer isso? — Rabastan voltou ao tema principal.

— Para me chantagear. — Respondeu o Lorde, fazendo que todos entendessem o grau de toda a situação. _ Ele sabe que tenho uma grande afeição com os Representantes e que os procuro para estarem na minha causa.

Isso não sabia, pensei que o resumo de tudo fosse o dinheiro, mas vejo que isso era apenas a ponta do iceberg.

Entretanto, não me surpreendeu tanto quanto imaginei, já que isso era do feitio desse homem, principalmente se isso for para benefício próprio.

— Mas se existe a Bella. — Pela primeira vez desde que tudo começou, Severus abriu a boca. _ Por que ele precisaria da Destiny?

— Porque apenas eu e os Representantes sabem sobre quem são os Representantes Líderes, e se ele tivesse a Destiny, ele saberia quem são os outros. — Seus olhos vermelhos ficaram mais intensos. _ Hogwarts me escolheu para comandar os alunos e eles têm a obrigação de...

— Ajudar e proteger. — Falei. _ Porém, como sabia que sou uma líder, se nem mesmo Dolohov sabia sobre isso?

Sua boca parecia um túmulo e ele não falaria sem um pouco de tortura, ou foi isso que todos pensaram antes que o homem que se portava com dignidade se ajoelhasse no chão.

Respirei fundo e prendi a respiração, será que finalmente saberia sobre o motivo de viver anos sendo uma Dolohov?

— Desde que Destiny começou a frequentar a minha mansão ou até mesmo a mansão dos Lestrange, percebi que o senhor tinha um carinho por ela. — Apertei os dedos do homem ao meu lado. _ Então, pensei que se ela fosse a minha nora você beneficiaria mais a nossa família.

— E? — Girou o vinho em sua taça.

— Fiquei sabendo que ela era uma Representante Líder quando a escutei conversando com a Millicent Bagnold em 1972, quando fui à Travessa do Tranco.

Merda, lembro dessa conversa, mas nunca pensei que estivéssemos sendo escutadas.

— Lembro que Destiny estava irritada porque a ex-Corvina dizia que ela poderia ter sido uma Representante Líder, mas nunca ajudaria o senhor, e a Destiny deveria fazer o mesmo.

— Sei que tem mais.

— Se ela tivesse uma filha... — Meu sangue gelou e minha cabeça latejava, antecipando as próximas palavras. _ A daria como um presente para que a nossa família se tornasse uma.

Levantei-me da cadeira e a deixei cair no chão, pouco me importando com o som ou se todos temiam a minhas palavras.

Apenas que não queria mais pensar sobre tudo que descobri até o momento, só queria eles fossem embora e que nunca mais voltassem. Talvez se eles morressem agora tudo poderia voltar ao normal...

— Cordeirinho. — Apertou minha mão.

— Você venderia meu filho para aumentar a glória de sua família? — O riso saiu dos meus lábios. _ Você enlouqueceu? — Tombei a cabeça, balançando meus cachos no processo. _ Olhe para mim, Mephisto! Diga-me que você não faria isso...

— Faria. — Olhou-me. _ Mas você nunca ficou gravida, até nisso você é uma inútil. — Peguei minha varinha na manga do vestido e apontei para o seu rosto odioso e asqueroso, proferindo o feitiço que nunca ousei falar.

O jato vermelho e verde se tornou um, mas a morte que deveria ser indolor se tornou algo inesperado e perturbador.

Sua alma estava se quebrando gradualmente e o sangue que pingava de seus orifícios eram um lindo quadro, que deveria estar sendo pitado por outro pintor e não por mim.

Os gritos ficaram ocos e secos em sua garganta sem pele, seus olhos explodiram de dor e tudo que fiz foi continuar o feitiço, mesmo tendo pessoas tentando me deter.

Ele venderia meu filho... Meu filho seria vendido como se não fosse nada, se continuasse naquele estado letárgico de Amortentia.

— Corde... Cordeirinho! — Pisquei e observei os olhos verdes que tanto apreciava. _ Você está bem? — Segurava minha mão que tremia com a minha varinha e concordei. _ Você fez bem. — Beijou minha testa e o abracei, vendo que Mephisto não existia mais, apenas era um montinho de cinzas.

Os olhos do Lorde ficaram em mim, me fazendo observá-lo com algum significado que ainda não sabia.

Mas sei que aquele sorriso era tudo que precisava no momento para saber que não morreria.

Até mesmo sua taça brindava ao ar... Sério, ele precisava ser menos sádico.

— Alguém quer matar mais alguém? — Restava o Antonin. _ Menos mais um dos Dolohov. — Revirei os olhos. _ Então, vamos continuar o que estávamos fazendo, ainda preciso marcas os meninos que vieram.

A cadeira que derrubei já estava no lugar e tudo que precisava fazer era continuar sentada e falar quando queria.

O que era o oposto, já que matei uma pessoa e todos estavam agindo como se nada tivesse acontecido, até mesmo recebia sorrisos dos meus amigos e sogros.

Acho que se não estivessem na presença do Lorde, eles já estariam correndo até mim, me parabenizando por cometer assassinato.

Isso quase me fez rir, era ótimo ter meus amigos de novo e ter pessoas de confiança para qualquer loucura que pudesse fazer, e amava que tinha alguém que sempre estaria ao meu lado para tudo.

Porém, algo me veio à mente e minha boca foi mais rápido do que pude perceber.

— O senhor não se sente solitário? — Rabastan se engasgou e Bella gargalhou, fazendo Narcisa fechar os olhos. _ O senhor já tem tudo, mas deve ser solitário continuar sentado no trono que fizemos para o senhor, enquanto observa todos os seus aliados sendo felizes de seu modo.

— Sinto. — Isso pegou todos de surpresa. _ Mas quem seria louca o suficiente para dormir e acordar ao meu lado? — Ele tinha sentimentos! _ Não existe essa pessoa.

— E se vier a ter? — Ficou confuso. _ Se o senhor realmente quer alguém ao seu lado para ser sua companheira, amiga e esposa, então é só pedir. — Semicerrou os olhos e negou.

— Não acredito nos Deuses desse mundo.

— Peça com sua magia. — Estranharam. _ Talvez ela caia do céu quando o senhor estiver precisando. — Bebeu o líquido carmesim.

— Pensarei a respeito.

Encerrou o assunto com uma promessa não dita, deixando-o suspenso como uma incógnita no horizonte do destino.

Mas sei que nada era impossível nesse mundo, talvez faltasse poucos anos para uma mulher cair nesse mundo e amasse o coração frio e atormentado do nosso Lorde.

Espero estar viva para ver isso...

Notas finais
Fiz um pequeno capítulo do beijo (333 palavras), que seria antes desse capitulo, mas não sei se posso colocar nas notas, então, aqui vai ficar sem.