Destino Cego

5 Interpretações erradas


Já faz uma semana desde o episódio com da discussão com Shane, e desde então, nem eu e nem ele, trocávamos mais que duas palavras. Eu estava me sentindo mal por isso, e imaginava que ele também. Contudo, sempre que tentava conversar com ele, o mesmo estava sempre ocupado e preocupado pelos cantos da loja. Sunbae não queria me dizer o motivo. E também comecei a perceber que tanto pai, quanto filho não estava se comunicando muito bem.

— O que pretende tocar hoje? – Sunbae Yon perguntava, tirando a minha atenção do computador da loja. Mas na verdade, eu nem ao menos prestava atenção no que estava fazendo.

— Hã.. – Pensei um pouco. – Talvez eu toque algo animado. – Sorri.

Por incrível que pareça, eu estava começando a me acostumar a tocar para as pessoas. E o mais incrível ainda, era que a cada dia, aumentava o número de clientes. Seja pela “apresentação”, seja por que realmente encontravam o que queriam em nossa loja. De um jeito ou de outro, eu estava bastante feliz.

Observei Shane de longe, dando algumas instruções de compras para alguns clientes. Talvez, se eu tocasse alguma música que ele gostasse, eu poderia chamar sua atenção e voltarmos a conversar. Sentia falta de sua risada e piadas sem graças.

Me dirigi ao piano, certa da música que tocaria naquele dia. E tão logo, as pessoas me rodeavam, cantarolando a mesma música. Eu me sentia estranhamente confortável.

Pov. Park Jimin

Eu tinha absoluta certeza que o Maknae me mataria por isso, mas não posso evitar. Virei aquela conhecida esquina. Andei alguns passos e cheguei na loja que a alguns dias estávamos.

Classic 1981.

Era uma nome um tanto quanto incomum, mas interessante. Olhei ao redor, certo de que havia uma aglomeração de pessoas o redor de uma piano. Talvez seja a pessoa que Kook comentou.

Me aproximei o suficiente para ver de quem se tratava. E pela forma como todos pareciam entretidos, imaginei que era alguém bastante talentoso.

Ou era a própria Naomi...

Não sei por quanto tempo fiquei parado e abismado com o que eu via. Não poderia ser uma pura coincidência. Lá estava ela. A baixinha que distraía nosso Maknae e que nem ao menos sabia disso.

Esperei que aquela demonstração talentosa finalizasse, para enfim, chamar a Naomi para uma conversa. Por breves minutos, esqueci meu real objetivo.

— Oi... – Toquei em seu ombro, quando ela se despedia das pessoas e se dirigia até o balcão, onde estava sozinha.

— Hey.. – Ela parecia me reconhecer. Seus olhos pularam em interesse e curiosidade. Vagou para detrás de meu ombros, talvez procurando por Jungkook. – Você é o amigo de Jeon. – Completou, por fim.

— Sim. – Respondi, soltando um breve riso. – Sei que esperava vê-lo... – Não pude deixar de notar que ela corava. – Eu vi o que fez ali. – Apontei para o piano. – E tenho uma proposta pra você.

— Um-Uma proposta? – Parecia desconfiada. Com a sobrancelha erguida e um bico de curiosidade, percebi do porque Kook ter gostado dela. Era encantadoramente fofa.

— Gostaria que participasse de uma audição na BigHit. Estamos em busca de um Prodígio Musical, e vi que você tem talento suficiente. – Busquei em meu bolso o celular, pedindo para que ela anotasse o endereço e uma data.

— Mas... – Parecia confusa. – Uma audição?

— É! – Me animei. – Tenho certeza que você é o que procuramos. – Completei.

Ela parecia indecisa. Encarava o papel a sua frente, como se sua vida dependesse disso. Por um longo minuto, esperei que me fitasse, e quando o fez, tinha uma interrogação enorme em seu rosto.

— Eu nem sei seu nome. – Disse. Tive vontade de rir da afirmação. Ela realmente era bastante fofa.

A melhor parte, ela ainda não sabia quem éramos, e terá uma enorme surpresa quando descobrir.

Mais uma vez, pensei em Kook e na possibilidade de está morto até o fim do dia quando ele souber o que eu havia feito.

— Park – Falei, não sendo completamente sincero. Ela sorriu. Era incrível como nem ao menos questionava a situação. Era tão o oposto do nosso maknae.

— Ow... – Ela pós as mãos no queixo. – Foi pra isso que veio até aqui?

— É... K-Jeon me falou sobre alguém talentoso aqui na loja. Só não esperava que fosse você. – Não era uma completa mentira, novamente.

— Ele é bastante talentoso também. Vai participar da audição? – Perguntou, e seus olhos brilhavam.

Ela ainda não sabia quem eramos, o que me deixava chocado. Não pelo suposto amigo dela ainda não ter dito, mas por viver aqui e não conhecer nem mesmo os membros de grupos Kpops. Aparentemente, eu não percebia qualquer defeito nela. Talvez seja uma questão de inteligência. Afinal, não existia ninguém perfeito, não é mesmo?

Pobre moça...

Jungkook precisava saber disso.

— Nós trabalhamos na empresa. – Dei uma tossidela. – Não podemos participar. – Menti.

— Ow, entendo. – Torceu o nariz. – Pensarei a respeito. – Apontou para o papel

— Com carinho, por favor. Tenho certeza que Jeon, ficará feliz em vê-la lá. – Era pura chantagem emocional, eu sabia, mas não me arrependeria disso. Naomi, mesmo com a aparente inteligência fraca, era preciosa para o nosso evento da primavera. Eu não poderia deixar isso passar.

— Você é engraçado. – Ela disse, sorrindo e guardando o papel. Estava corada. – Prometo pensar com carinho.

Logo após me despedi, andei com passos lentos até o dormitório. Era assustador saber que uma moça tão bonita e talentosa, pendia para a ignorância musical e social. Só esperava que isso não prejudicasse sua preparação para o evento, por que ela, com toda certeza, era o que procurávamos.

Imaginei o que Kook dirá sobre essa descoberta. Talvez ela nem fosse boa o suficiente pra ele, que respira música. Naomi, definitivamente, não era o melhor par romântico para o nosso Maknae. Eu estava completamente errado em incentivá-lo a sair com ela sem antes conhecer a moça.

“Bendita hora que ele saiu daquele dormitório.” – Pensei. – “Mas bendito seja a sorte de ter encontrado um prodígio.”

Pov. Jungkook

— (...) Você fez o que?! – Minha voz era um nítido sinal de desespero. Se eu estava com raiva? Não precisava nem mencionar isso.

— Eu fui até a loja e conversei com Naomi, e você não vai acreditar no que eu descob... – Interrompi Jimin, que não parecia nem mesmo temer minha ira.

— Eu não quero ouvir! – Gritei. – Você quer me constranger?! – Não esperei que respondesse. – Sabia que eu posso lidar com isso sozinho?!

— Kook, você não entendeu, eu... – Novamente pedi para que ficasse quieto.

— Vocês vivem me subestimando. Acham que não sou capaz de lidar com uma garota? – Continuei. – Estão sempre querendo tomar partido dos meus assuntos. – Andei de um lado para o outro. Irritado demais para olhar para Hyung.

Se eu parecia está desrespeitando o mais velho, eu não me importava, porque minha irritação era bem maior que qualquer respeito naquele ambiente.

— Eu não o subestimei. Eu só queria ter certeza que ela não era nenhuma aproveitadora. – Soltou. Bufei.

— Eu sei muito bem o que estou fazendo. – Foi a última coisa que eu disse, antes de saí em disparada até o quarto e bater a porta com bastante força.

— Jungkook! Não é legal bater a porta na cara do seu Hyung! – Ouvi Jimin bater a porta. – Vamos conversar.

— Me deixe em paz! – Gritei de volta, até perceber que ele não insistiria.

Se eu estava curioso sobre sua descoberta. Sim, eu estava, e não era pra menos. Queria realmente saber o que os dois conversaram. Mas no momento, eu estava furioso.

Sentei na beirada da cama. Bufando como nunca. Travei o maxilar de modo que a junção dos dentes doessem. Me sentia uma idiota. Insegura. Incapaz. Não era a melhor definição de uma Golden Maknae.

— Droga! – Joguei o primeiro travesseiro que vi pela frente, em um canto longe do quarto. Na verdade, eu gostaria muito de quebrar coisas.

Talvez, depois dessa, eu tivesse dificuldades para vê Naomi novamente. Dificuldades de conversar com ela. Porque eu tinha algo que atrapalhava completamente as minhas chances. Orgulho e timidez.

Eu não sabia o que o Hyung havia descoberto, e pela sua expressão, parecia ser algo que o deixava preocupado e ao mesmo tempo, ansioso.

Minha mente trabalhava a mil por hora, e diversos pensamentos se acumulavam para colaborar com a minha paranoia.

“Naomi sabia todo esse tempo que eu era um K-Idol, o que me deixava irritado por ter sido enganado.”

“Naomi tinha namorado, cujo rapaz era o mesmo que eu provocara.”

“Naomi se interessou por Jimin. Pelo meu melhor amigo.”

Eram esses os pensamentos que brotavam e fixavam em minha mente. Nada de realmente menos ofensivo ou menos ruim substituía aquela angustia. Porque eu me sentia assim em relação a uma pessoa que eu só tinha visto duas vezes?

Era no minimo estranho esse sentimento. Eu jamais fui de me levar pela emoções. Sempre fui prático e objetivo. Se possível, sempre evitava qualquer situação que me trouxesse o desconhecido. Era mais fácil de ignorar e seguir em frente.

No entanto, cá estava eu, sofrendo por antecipação, e por nervosismo, justamente por não saber enfrentar o que me esperava. Eu queria muito ouvir o Hyung, mas tinha bem mais medo de saber o que ele tinha para dizer. De me arrepender do que quer que eu tenha deixado acontecer.

E se ela fosse um erro? Talvez, se eu pensasse desta forma, seria mais fácil ignorar tudo e fingir que não conheci a única garota, até agora, que fez meu coração bater mas rápido com meros gestos. Ela não podia ser a única e última!

— De qualquer forma, seria algo impossível de acontecer, mesmo. – Lamentei. A fama tinha suas consequências.

“Bendita hora que saí deste dormitório”. – Pensei.

Notas finais
Oiiii gente!!! O que acharammm?? Temos algumas coisinhas que não se encaixam aí, e logo vamos descobrir!! Bjs e até o próximoo!!