Destino Cego

6 Sentimentos reprimidos


Pov. Naomi

BigHit, ele dissera. Pensei em pedir ajuda a Shane, mas ele parecia ocupado demais para me dar atenção. Sempre ocupado, desde que discutimos. Acreditava já ser a hora de resolver tudo aquilo. Sunbae havia saido mais cedo aquela tarde. Então eu e Shane ficamos para fechar a loja.

— Oppa! – Quase gritei, chamando a sua atenção.

Propositalmente ou não, ele não parecia ter notado minha sutil forma de chamá-lo. Toquei em seu ombro, e muito lentamente, olhou em minha direção.

— Quer parar de agir assim? – Pedi, cruzando os braços.

— Agir como? – Se fez de desentendido. Suspirei pesadamente. As vezes era muito difícil chegar ao ponto. Nunca fui do tipo que expressava meus sentimentos.

— Você não fala comigo direito desde que te apresentei o Jeon. – Preferi ser direta. Com Shane sempre era mais fácil.

— Eu estou chateado, Naomi. – Confessou. – Você parecia confiante demais com um cara que nem conhecia. Andou até mesmo me evitando nos primeiros dias. Eu so-sou seu melhor amigo.

— Isso tudo é ciúmes? – Perguntei, tentando, de alguma forma, trazer graça para aquele diálogo. No entanto, Shane Oppa continuava sério. – Não seja bobo, Oppa. Você sempre será meu melhor amigo. – Sua expressão continuava séria.

Era engraçado saber que Shane tinha ciúmes da nossa amizade. Um tipo como ele, não parecia se abalar por bobagens. Porque era uma bobagem.

Supsirei, e o abracei de repente. Era um gesto incomum entre nós dois, mas que precisava ser efetuado. Sentia que podia fazer isso.

Era um sensação tão boa, que eu realmente lamentei o afastamento. Shane sempre foi uma referência de proteção para mim. Não pelo seu porte alo apenas, mas pelo seu jeito seguro e decidido.

— Eu gosto muito de você, Naomi. – Ele soltou. Sorri para ele.

— Eu sei. Eu também gosto muito de você, Oppa. – Ele sorriu de volta. – É meu melhor amigo, e nada vai mudar isso.

Por alguma razão, seu semblante mudou novamente. Estava sério, e temi ter dito algo que o tivesse ofendido.

— Naomi... – Antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa. Seu celular tocou.

Resmungando, atendeu a contra gosto. Evitei rir de suas caretas.

Porque não me avisou antes?— Ele dizia ao telefone. – Está bem. Me espere aí.— E desligou. – Hank quer carona de volta pra casa. Ficou até tarde na escola fazendo algum trabalho. – Fez um gesto sem importância com as mãos. – Vamos. Eu vou te levar em casa.

Agradecida, voltamos a fechar a loja. Shane não finalizou o que tinha pra falar, mas também não perguntei. Se ele estava passando por algum problema, ele me contaria no momento certo.

No caminho, enfrentamos uma batalha sobre a música que tocaria naquele momento. E no troca, troca, acabei deixando em uma música aleatória.

— Gosto da voz desse cantor.. – Observei, encantada com a melodia. Não era o meu estilo, mas chamou minha atenção. Meu ouvidos poderiam se acostumar com aquele som.

— É uma música do BTS... – Shane parecia inquieto. – Sabe quem canta essa parte? – Fiz que não. – Jeon Jungkook.

— Jeon.. tem o mesmo nome daquele rapaz. – Lembrei, e levei minha mão ao bolso, verificando se não havia esquecido o papel que seu amigo havia me entregado.

— Naomi... – Novamente, Shane pronuncia meu nome. De algum modo, aquilo já estava me incomodando.

— O que está acontecendo com você? – Perguntei, finalmente desligando o rádio e o encarando.

— C-Comigo? – Perguntou, surpreso com minha repentina abordagem.

— Mais é claro! – Cruzei os braços. – Anda muito misterioso. E acha que não percebi que vem tentando me dizer alguma coisa a muito tempo?

— Estou. – Suspirou. – Estou tentando dizer... – Um toque no celular. – Dizer que... – De novo. – Droga!

— Oppa! – Ralhei o palavreado. Ele atendeu, ignorando.

Era muita falta de sorte a dele e a minha por mais uma vez, nada ter sido dito. Eu estava curiosa. Agora, ainda mais.

— Desculpa... – Disse, quando desligou o telefone. – Hank não sabe esperar. – Rimos.

— Tudo bem. – Falei. – De qualquer forma, já chegamos. – Sorri apontando para o prédio onde eu morava.

— Depois conversamos melhor. – Shane disse, abrindo a porta do carro e permitindo a minha saída.

Me despedi, mesmo a contra gosto, ciente de que passaria o final se semana remoendo de tanta curiosidade.

Quando entrei, joguei minha bolsa de lado, notando que Luide, meu gatinho, dormia pacientemente no sofá.

— Gato folgado. – Brinquei, me dirigindo ao quarto e me jogando na cama.

Não havia percebido que estava tão exausta. Vasculhei em meu bolso o papel. Fitei aqueles números e endereço.

Domingo. O que será que me esperava?

Queria ter dito a Shane Oppa da audiência. Mas ele parecia alheio a qualquer outra coisa, se não a seus próprios problemas. Suspirei. Eu não tinha nada a perder, a não ser minha capacidade de falar, o que seria irônico.

Prodígio musical, ele disse...

Jeon estará lá. Ele me veria? Ele iria gostar?

Eram tantos pensamentos a cerca dele, que comecei a cogitar a possibilidade de enlouquecer. Jeon era muito bonito. Me chamou atenção. Tinha talento, e não parecia fazer mal a uma mosca. Ainda sim, eu não o conhecia o suficiente. E eu queria?

É claro que eu queria! Ele era aquele sentimento que brota em momentos mais intensos. Era inexplicável.

Estou enlouquecendo, definitivamente.

Suspirei.

— “O que se usa em uma audiência?”

***

POV. Shane

— (...) Você demorou muito, Hyung! – Hank batia impaciente com o pé na calçada, antes de entrar no carro.

— Se tivesse me avisado que ficaria até mais tarde, eu teria me programado melhor! – Retruque. Ele se calou.

— Eu não sabia que ia ficar até mais tarde... – A voz de Hank falhou, e o encarei, certo de que ele havia aprontado alguma.

— Não acredito que ganhou uma detenção de novo! – Soltei, e Hank se sobressaltou. – Já é a terceira vez essa mês, e se Appa ficar sabendo, irá puni-lo. Você sabe, não sabe? – Optei por tentar apelar para a paciência.

Desde que Omma havia morrido, Hank passou por diversas fases incomuns na sua vida. Entre elas, a rebeldia, que persistia até os dias atuais. Quase sempre, ocultava boa parte dessa desobediência do Appa, por que sabíamos ficaria decepcionado. Além disso, Appa já ameaçou mandar Hank para uma escola militar, caso o mesmo não mudasse os hábitos incertos.

— Dessa vez eu não tive culpa... – Sua voz voltou a falhar. Suspirei.

— Você nunca tem culpa. – Estava sendo sarcástico, é claro. – Sinceramente, já estou cansado de tudo isso.

Percebi de relance, que Hank me encarava assustado. Ainda sim, por mais medo que tivesse de alguma decisão minha em dizer ou não para o nosso Appa, ele era orgulhoso demais para implorar que eu não o fizesse.

Pensei no quão forte meu irmão era, mesmo com tão pouca idade. Ele sabia enfrentar seus problemas melhor do que eu. E por problema, eu estava passando por um extremamente sério, e talvez por este motivo, não estava tão inclinado a dizer ao Appa que Hank andava somando detenções na escola. Não queria ser o responsável por fazer meu Appa infartar.

— Você contou pra ele? – Meu olhos pousaram nos seus, significativos.

Eu sabia que ele estava se referindo as suas detenções. Mas eu estava tomando aquela pergunta o tanto quanto pessoal.

FlashBack on

Há mais ou menos dois mês, eu havia conhecido um rapaz chamado Taeyan. Ele era muito divertido e inteligente. Em poucas vezes que aparecia na loja, quase sempre vinha até mim pedir opinião ou simplesmente para conversar bobagens sobre música. Dizia ser muito solitário e de poucos amigos.

Não demorou muito para eu descobrir que, assim como Naomi, ele gostava dos clássicos.

“- Tinha razão, sua amiga tem um ótimo gosto para clássicos. – Dizia eles, com um largo sorriso e me apontando o cd de Unsuk Chin, uma violinista famosa. “

Ele era um tanto quanto, peculiar. Estava sempre lançando-me sorrisos e de um jeito ou de outro, esbarra suas mãos nas minhas. Era quase como se o fizesse de propósito. Aquele situação era desconfortável. Nunca imaginaria que a partir dali, iriam surgir sentimentos inexplicáveis.

Por um bom tempo, imaginei que estivesse imaginando coisa em relação a Taeyan. Quer dizer... eu sempre me considerei Hetero, chegando a pensar está apaixonado por Naomi.

Fiquei surpreso quando, certo dia, ele me chamou para conversar em um canto afastado da loja.

— Você está bem, Taeyan? – Perguntei, preocupado com sua expressão nervosa. Afinal de contas, ele havia se tornado meu melhor amigo.

— Eu preciso dizer isso, antes que eu enlouqueça. – Sua voz saiu tão apressada, que tive um pouco de dificuldade para entender o que de fato ele queria me dizer.

“Eu gosto de você!”

Essas foram as palavras que ecoaram naquele pequeno espaço onde estávamos. Suas mão seguravam as minhas de tal maneira, que eu nem mesmo havia percebido o gesto. Meu coração parou naquele exato momento, e nem mesmo tive tempo para responder, porque Appa estava logo a nossa frente.

Eu não tive como adivinhar o que se passava na cabeça do meu Appa depois do que acabara de ouvir e ver. Eu só lembro de ter abandonado Taeyan naquele canto e acompanhar Appa porta a fora daquela loja. Eu não estava pensando direito.

Appa tinha acabado de receber uma ligação da escola de Hank, informando que meu irmão estava sendo suspenso por mal comportamento, ganhando também bons machucados por causa de uma briga.

Nenhum de nós dois falamos no assunto. Nenhum de nós dois tinha coragem para iniciar uma conversa sobre aquele momento.

Foi o dia mais longo da minha vida. Foi o dia em que Hank fora ameaçado pelo nosso pai, em matricular ele em uma escola militar, e eu sabia que Appa jamais faria isso se não estivesse de fato muito irritado. Mas eu duvidava muito que essa ameaçava serviria apenas para Hank. Eu sabia que estava sendo incluído nisso, caso envergonhasse seu nome. Estava bem claro em suas expressões alteradas, direcionadas para mim.

E eu nem ao menos tinha respondido a suposta declaração de Taeyan. Meu pai, com toda certeza, havia percebido igualmente o meu interesse pelo rapaz, antes mesmo de mim.

Eu sentia o mesmo? Se sentia, eu teria que reprimir. Mas por quanto tempo?

Sim, eu sentia.

E me sentia também envergonhado por isso. Estava me sentindo culpado. Precisava desabafar. Precisava conter.

Lembro de reprimir meu sentimentos, de alguma forma, tentando flertar com Naomi. Aquela demonstração ridícula de ciúmes não me causara nenhuma esperança de mudança. No fim das contas, eu era um babaca que não tinha coragem alguma para expor quem eu era. Faz mais de duas semana que não vejo Taeyan, e desde então, eu não conseguia pensar em mais nada.

FlashBack Off

— Não. – Foi a minha resposta para Hank, depois de um longo minuto.

Eu precisava de ajuda. Eu precisava de apoio, e somente Naomi poderia me dar esse apoio. Eu só tinha que parar de agir como uma idiota egoísta.

Notas finais
Oiiiii! Me perdoem a demora... tive alguns probleminhas de saúde, e ainda fiquei um bom tempo sem internet. Tive alguns probleminhas com o PC também... enfim. Essa semana foi uma loucura!! Bjss e até o proximooo