Destino
15 Passado... doce passado
Notas iniciais
─O que você tanto escreve aí? – pergunto me sentando ao lado da Lilia.
Estávamos novamente no mesmo parque, no mesmo banco e de frente pro mesmo lago.
─Coisas. – diz sorrindo, dobrando o papel e o guardando no bolso do vestido.
─Coisas... Que tipo de coisas? – digo sorrindo e a abraçando pelos ombros.
─Uma coisa aqui, outra coisa ali, um dia eu termino. – diz me beijando.
─Hum. – não deve ser nada importante. ─Está pronta? – pergunto.
─Quase. – ela diz sorrindo encantadoramente. ─Vamos ficar só mais um pouquinho. – diz se aconchegando no meu peito.
─Ok. – ficamos vendo alguns cisnes nadando no lago, uma brisa suave deixava o clima mais tolerável, já que o sol brilhava acima de nós.
─Sabe por que eu amo o inverno, Hyoga? – ela pergunta do nada.
─Hum? Por quê?
─Porque ele é misterioso, ele é suave, ele chega devagar levando as folhas e trazendo coisas aconchegantes e quentes. Assim como você. – diz me olhando e sorrindo. ─Mas mesmo no inverno, mesmo nos dias nublados o sol está no seu lugar. As nuvens são passageiras. São momentos que surgem e passam. Mas o sol está sempre presente, pronto para trazer luz. O sol não desiste de brilhar nos dias nublados. Ele está acima das nuvens cumprindo sua função. – ela comenta olhando pro céu. ─Você também Hyoga, toda essa marra, frieza, seriedade, mas ainda assim você tem um grande coração, um grande coração que você esconde por trás de uma personalidade tão fria, um coração cheio de amor, ternura e carinho. – ela se volta pra mim colocando uma mão sobre meu peito. ─E é por isso que eu te amo tanto, por causa desse seu grande coração.
Olho sorrindo pra ela.
─Só por isso? – digo insinuante.
─Nãão. Tem outras coisinhas. – ela diz rindo passando as mãos pelo meu corpo.
Rimos juntos.
─Eu não vou fazer nenhum discurso porque você já sabe tudo que eu sinto. – digo me fazendo de difícil.
─Ahh, não vai dizer nada? – ela diz fazendo um biquinho.
─Eu não. – digo rindo.
Olho de soslaio pra ela e sorrio.
─Quer que eu diga o quê? Você já sabe o que eu sinto. Eu te amo, amo muito. – digo rindo e a puxando pros meus braços de uma vez e a beijando intensamente. ─Acho que o Millo tinha razão, gastei todo meu arsenal de palavras ontem à noite e só daqui há alguns milhões de anos pra que eu faça isso de novo. – digo rindo.
Ela me olha sorrindo abertamente.
─Isso já serve, afinal eu não casei com você por causa dos seus discursos criativos. – ela diz rindo.
Sorrio e ela se endireita e voltamos a olhar pro lago.
Lilia sabe que eu a amo imensamente, digo isso a ela o tempo todo e também sei que ela me ama, o problema é que eu não sei expressar tudo isso em palavras, por isso ela quer sempre me forçar a dizer alguma coisa.
─Acha que eles vão gostar de mim? – ela pergunta depois de um tempo.
─Quem não gostaria? – digo.
─Não sei é que...
─Está nervosa? – pergunto acariciando seus ombros.
─Um pouco, é que eles são tão importantes pra você. – ela diz suspirando.
─Você é mais. E é claro que eles vão gostar de você, você é perfeita. – digo beijando sua testa.
─Como é Atena? Ela é muito severa?
─Ela é doce, justa e simpática. – digo sorrindo pra tentar acalma-la.
Estávamos com hora marcada pra pegar o avião pra Grécia. Era o primeiro lugar que visitaríamos em nossa lua de mel, nosso casamento foi no dia anterior.
─A deusa Atena. – ela comenta. ─Quem diria que encarnaria em uma garota japonesa.
─Pois é.
─Vocês vão ficar aí pra sempre? – Adam se aproxima já impaciente, ele estava esperando no carro pra nos levar ao aeroporto.
─Já vamos, mas antes... – Lilia disse já se levantando e pegou a câmera na bolsa. ─Tira uma foto pra gente, Adam. – ela pede.
─Outra? Esse álbum vai ficar imenso. – ele comenta pegando a câmera.
Nos sentamos no banco abraçados e ele tirou a foto.
Ele nos levou pro aeroporto e ficamos procurando o portão de embarque já que o aeroporto estava lotado.
─Acho que é por aqui. – Adam comenta olhando em volta. ─Com licença. – disse chamando uma garota na frente dele.
─Sim? – a garota se virou pra ele sorrindo. Ela tinha os cabelos longos, lisos e castanhos. Era bonita. Parecia estar chegando de viajem, carregava uma mala.
Olhei pro Adam que ficou mudo e abobalhado olhando pra ela. Lilia e eu nos entreolhamos rindo da reação dele.
─Pode nos dizer onde fica a área de embarque pros voos internacionais? – perguntei já que o Adam permanecia mudo e babando pra ela.
─Ah, é por ali. – diz indicando a direção, ela tinha um sotaque diferente.
─Será que já começou o embarque Hyoga? – Lilia me perguntou.
─Talvez. – digo.
─Qual o voo de vocês? – ela pergunta solicita.
─O que vai pra Grécia, Atenas. – digo.
─Ah, avisaram ainda a pouco que o embarque começaria em quinze minutos. – ela informa. ─Lua de mel? – ela pergunta sorrindo.
─Sim, como sabe? – Lilia perguntou.
─Conheço um casal apaixonado quando vejo um. – diz piscando pra nós.
Ficamos sem jeito sorrindo.
─Você está aqui a trabalho?... Desculpe, meu nome é Lilia Yukida e esse é meu marido Alexei.
─E esse aqui é o Adamastor Petrovich. – digo batendo no ombro dele pra tira-lo do transe, mas ele permanece abobalhado.
─Muito prazer, meu nome é Wendy Foxman, estou chegando dos Estados Unidos, pra me apresentar na temporada de um mês em um conserto no teatro de Bolshoi. – diz sorrindo mostrando uma maleta pra violino.
─Nossa você é música, que legal! Sempre quis aprender a tocar violino. – Lilia disse sorridente, nem me surpreendo, Lilia era muito carismática, fazia amizades com facilidade.
─Posso lhe ensinar, nunca se sabe quando nos encontraremos de novo. – ela diz sorrindo. É raro conhecer alguém tão espontâneo em meio um aeroporto lotado, normalmente as pessoas são estressadas. ─E vocês o que fazem? – ela pergunta sorridente, acho que estava tendo um excelente dia pra estar de tão bom humor.
─Somos todos médicos. – Lilia disse sorrindo abraçando a mim e o Adam. ─Você já tem lugar pra ficar? – Lilia pergunta animada.
─Vou procurar um hotel, recomendam algum? – ela pergunta.
─Hotel? Nem pensar, nós vamos viajar e só voltamos em três semanas, você pode ficar na nossa casa enquanto isso. – Lilia diz.
─Lilia? – digo desconfiado, afinal acabamos de conhecer a garota e já vamos abriga-la?
─Não se preocupe Hyoga, o Adam pode ajuda-la a se acomodar, não é Adam? – ela pergunta pro Adam que continua paralisado.
─O-o quê? – ele pergunta finalmente voltando ao mundo real.
─Não quero incomodar, vocês mal me conhecem, vai que eu sou uma psicopata? – ela diz rindo sem jeito.
─Uma psicopata não teria o emblema da Orquestra da Câmara de Los Angeles bordado no blazer. – Lilia comenta sorrindo.
─Eu posso ajuda-la. – Adam diz logo. ─Uma garota tão bonita não pode ficar à deriva em uma cidade tão grande. Podemos nos conhecer melhor, discutir um pouco sobre musica, tenho certeza que vamos nos entender perfeitamente, o que acha? – ele diz sorrindo pra ela. Incrível como ele tem facilidade de flertar do nada.
Ela imediatamente fica vermelha.
─Obrigada Adamastor, mas não quero incomoda-lo. – ela diz sem jeito.
─Pode me chamar de Adam, e não vai ser incomodo algum. – ele diz sorrindo.
No mesmo instante anunciaram pelos autofalantes que o embarque pro nosso voo já ia começar.
─Temos que ir Lilia. – digo.
─Foi um prazer conhece-la Wendy, Adam vai leva-la e acomoda-la em nossa casa. – Lilia diz e pega as chaves na mala e as joga pro Adam que rapidamente as pega.
─Mas... –Wendy ainda tenta protestar.
─E quando voltarmos você vai me ensinar a tocar viu. – Lilia ainda avisa.
Nos despedimos do Adam que já tinha voltado ao normal e até mesmo da nossa nova amiga e pegamos o avião.
O voo só tinha duração de três horas. Chegando a Atenas a primeira coisa que fizemos foi visitar o santuario.
─Como estou? – Lilia disse nervosa ajeitando o vestido e os cabelos quando estamos prestes a subir as escadarias de Áries.
─Está linda como sempre senhora Yukida. – digo sorrindo e a beijando.
─Tem certeza?
─É claro. Peraí o que é isso no seu dente?
─O quê? O quê? É o marshmallow que eu comi no avião? – ela pergunta alarmada.
─Tô brincando. – digo rindo.
─Idiota. – ela diz batendo no meu ombro.
Só faço rir mais ainda.
─Quem é o primeiro?
─É o Mu, o cavaleiro de ouro de Áries. – digo.
Ela inspira profundamente, estava nervosa.
─Não se preocupe, são cavaleiros, mas são pessoas normais assim como eu, o Camus e o Millo. – digo tentando tranquiliza-la.
─Já pensou na proposta do Camus pra assumir aquário? – ela pergunta de repente. ─É uma grande honra.
─Não preciso dessa honraria, se eu aceitar seria obrigado a me dedicar ao santuario e não teria mais tempo pra você.
Ela me olha triste.
─E é claro que eu prefiro ficar com você. – digo a abraçando e ela sorri aliviada.
Já estávamos de frente a primeira casa.
─Pronta? – digo sorrindo antes de fazer menção de entrar.
─Prontíssima. – ela confirma sorridente.
Seguiram-se as casas, todos a adoraram. Quando chegamos à casa de virgem eu encontrei Ikki lá também com o Shaka.
─Olha só, quem é vivo sempre aparece. – Ikki disse sorridente quando me viu.
─E aí frango. – digo indo até ele.
─Faz tempo pato. – ele diz me abraçando, acho que foi um dos raros momentos que tivemos algum contato que não fosse pra brigar. Mas o que posso dizer, ele é meu irmão também.
─Essa é minha esposa, Lilia. – digo a apresentando.
─Oi, você é o cavaleiro de Fênix, o Hyoga me falou muito de você. – ela disse sorridente.
─Minha nossa! – Ikki olha impressionado pra Lilia. ─Você é linda. – disse pegando a mão dela e a beijando. ─O que você viu nesse feioso do Hyoga? – ele provoca.
─Frango imbecil, tira o olho da minha mulher. – digo puxando a Lilia pra mim que só riu.
─Me deixa adivinhar, são recém-casados? – o Shaka pergunta se aproximando.
─Somos sim. – Lilia disse sorridente. ─Você é o cavaleiro de virgem. – ela comenta timidamente.
─Me conhece? Quanta honra. – ele diz fazendo uma reverencia de cavalheiro pra ela.
Ela sorri sem jeito.
Abraço o Shaka também.
─É ótimo te ver de novo também Shaka. – digo.
─Digo o mesmo Cisne. – ele diz bagunçando meus cabelos.
─E o Shun? – pergunto ao Ikki.
─Está ótimo, com inspiração a mil por hora, ano que vem vão publicar seu segundo livro. – ele comenta.
─Ele não está por aqui? – Lilia pergunta ansiosa.
─Não, está no Japão, só às vezes ele vem aqui, acho que já tem uns dois anos que o santuario não designa nenhuma missão pra ele. – Ikki comenta.
─Nós vamos vê-lo Hyoga? – Lilia pergunta.
─Se der tempo sim. O Japão fica muito longe. – digo.
─Eu aviso que você veio aqui. Vão ficar quanto tempo na Grécia? – Ikki diz.
─Só hoje, depois vamos pra França. – digo.
─Beleza, digo pro Shun que você voltou a aparecer. – ele diz.
─Valeu frango, manda um abraço, diz que estou com saudades e desejo todo sucesso pra ele.
─Ok, até algum dia pato.
─Até, tchau Ikki, tchau Shaka. – digo já me despedindo.
─Foi um prazer conhece-los. – Lilia acena sorrindo quando nos distanciamos.
Seguiram-se as visitas, até chegarmos ao templo de Atena. Aumentei meu cosmo pra indicar que sou eu que estou entrando, mas a Saori sabe que estou aqui, ela sempre sabe.
Entrei, mas Lilia permanecia acanhada na porta. Lhe estendi a mão sorrindo e ela sem jeito adentrou o salão.
Saori saiu de uma sala atrás da grande cortina vermelha que ficava trás da cadeira do grande mestre e adentrou o salão com seu tipico vestido branco e eu novamente pude sentir seu cosmo calmo e confortante, definitivamente ela era divina.
Imediatamente me curvei perante ela, Lilia ainda sem entender fez o mesmo.
─Atena. – digo como um de seus soldados leais.
Ela aproximou-se de mim e estendeu a mão pra que eu me levantasse.
Me olhou e sorriu ternamente.
─Você não envelheceu nenhum dia. – ela disse sorrindo pegando meu rosto em suas mãos, pude ver seus profundos olhos claros que mostravam toda sua pureza. ─Você mudou. Está feliz. – ela comenta ainda me analisando.
─Muito. – confirmo sorrindo. ─Você continua linda como sempre. – comento e ela sorriu e me abraçou com carinho. Era muito bom senti-la tão perto, era confortante. Seiya tem sorte de tê-la.
Me soltou e dirigiu-se pra Lilia que a olhava curiosa.
─Fique de pé criança. – ela disse sorrindo e estendendo a mão pra Lilia também.
Pegou suas mãos e a olhou surpresa e triste.
─Eu lamento muito. – Saori diz triste. Ela é capaz de desvendar uma pessoa apenas com um toque, provavelmente já sabia da doença da Lilia.
─Está tudo bem. – Lilia sorri triste já entendendo a que ela se referia.
─Saori você não pode...? – pergunto esperançoso, um dos motivos de ter vindo ao santuario foi com a esperança que Saori pudesse curar a Lilia.
─Sabe que eu não posso Hyoga. – ela diz me olhando triste. ─Você estava aqui no dia do conselho quando Hermes trouxe o intimativo de Zeus. – isso aconteceu após nossa luta contra Apolo.
Só baixo o olhar triste.
─Não posso cura-la, não posso me envolver no ciclo de vida e morte dos humanos. – ela explica pra Lilia.
─Está tudo bem. – Lilia volta a dizer. ─Estou conformada. – sorri triste.
Saori a olha ternamente. Estranhamente ela aumentou o cosmo e tocou o peito de Lilia fazendo uma luz branca reluzir. O que estava fazendo?
A luz desapareceu depois de alguns segundos, fiquei confuso e preocupado olhando pra Lilia que tocou o próprio peito inspirando profundamente e fechando os olhos.
─Isso prolongara um pouco sua vida, é tudo que posso fazer. – Saori diz olhando pra Lilia.
─Lilia... – digo me aproximando.
─Espero que dure o necessário. – Saori diz me olhando.
─Obrigada. Muito obrigada. – Lilia disse sorrindo depois de um tempo.
─Hyoga!! – Seiya apareceu escandaloso como sempre.
─Seiya. – digo sorrindo, ele é meu irmão mais infantil.
─Senti tanto sua falta. – ele diz me abraçando.
─Também senti a sua, Seiya. –digo retribuindo o carinho. ─Essa é minha esposa, Lilia. – digo os apresentando.
─O cavaleiro de Pégaso. – ela diz sorrindo.
─Esposa? Sério? Não achei que você se amarraria tão cedo. É um prazer. – ele diz a cumprimentando.
─Vocês são...? – Lilia diz olhando pra Saori e pro Seiya.
─Casados? – ele completa sorrindo. ─Não, não posso me casar com uma deusa. Não exatamente. Só se ela fosse apenas Saori Kido. – ele diz espontâneo como sempre e abraçando a Saori que só sorri balançando a cabeça.
─Porque não? – Lilia pergunta curiosa.
─Lilia. – digo a advertindo a não fazer perguntas tão pessoais, mas ainda assim o Seiya responde sorridente.
─Ora, sou um mortal, se tivéssemos filhos eles seriam semideuses e isso é proibido. Por isso eu não sou casado com Atena, só com a Saori Kido. – ele diz rindo da confusão de suas próprias palavras.
─Pra ele eu sou só a Saori. – a Saori explica rindo.
─Ahh.
─Vão ficar por aqui? – Seiya pergunta.
─Vamos embora daqui a pouco. – digo.
─Mas já? Nem pensar, vamos almoçar, conversar, posso te mostrar uns golpes, treinamos, vocês dormem por aqui hoje e... – continuou falando animado enquanto nos levava pro salão adentro, esse é o Seiya, extrovertido e animado.
Do contrario das expectativas dele nós só passamos a tarde com eles, almoçamos com todos os cavaleiros e até treinamos um pouco por causa da insistência do Seiya. Logo depois fomos embora, nossa visita em cada lugar determinado já era cronometrada, pois eram muitos lugares e não tínhamos muito tempo.
─Agora entendo porque você gosta tanto deles, são tão legais. O Ikki é um amor, o Shun é igual a ele? – Lilia diz animada quando já estávamos no avião.
─Ikki e amor na mesma frase? Não combinou. Ikki pode ter muitos adjetivos, mas amor não é um deles. Estamos falando do mesmo Ikki? – digo rindo.
─Ah, para Hyoga. – ela diz rindo também. ─Vocês brigam feitos irmãos, igual você e o Adam. – ela comenta.
─Eu e o Adam não brigamos por qualquer coisa. – digo emburrado.
Ela só ri.
─Shun não é como o Ikki – digo depois de um tempo. ─, na verdade ele é a versão oposta do Ikki, Shun sim é um amor. – digo sorrindo.
─Você sempre fala muito dele. – ela comenta.
─Ele é meu melhor amigo no Japão. – digo sorrindo. Contei pra ela tudo sobre o Shun.
─Entendo o quanto ele é importante pra você. Queria conhece-lo um dia. – ela diz pegando minha mão.
Olho pra ela e sorrio.
─Também quero. Vocês dois são meu anjos preferidos. – digo apertando a mão dela também e ela sorri.
Ficamos quietos por um tempo.
─Foi muito legal conhecer o seu mundo.
─Que bom que gostou. – digo sorrindo, mas ainda estou triste pela Saori não a ter curado, eu sequer tinha contado a Lilia, mas eu tinha tantas esperanças.
Ela me olhou e acho que percebeu minha tristeza.
─O que foi?
─Queria que a Saori tivesse curado você, ela poderia abrir uma exceção.
─Está tudo bem Hyoga, vai durar o necessário. – ela diz sorrindo.
Olho pra ela, como pode estar conformada?
─Lilia... eu queria que durasse pra sempre.
─E vai, ‘pra sempre’ pode querer dizer um sempre diferente, depende dos olhos que observam a eternidade, pra mim vai durar tudo que for preciso. – ela diz sorrindo.
Olho pra ela e sorrio.
─Eu te amo. – é tudo que posso dizer.
─Também te amo. – ela diz sorrindo e me beija carinhosamente.
...
Já é uma hora da tarde e o Hyoga ainda não acordou. Me assustei quando verifiquei sua temperatura e constatei que ele estava ardendo em febre, e depois de comprovar pelo termômetro descobri que estava passando dos 40° C, o que é bastante preocupante já que por ser um cavaleiro do gelo a temperatura dele é sempre a baixo dos 20°C, bem mais baixa que a das pessoas normais, logo chamei o Adam pra vir.
─Tá alto mesmo – ele dá seu diagnostico obvio. ─, mas é só um mal estar passageiro, ainda bem que ele tá dormindo. – ele diz depois de analisar o Hyoga.
─Porque ele ficou assim? – digo preocupado.
─É efeito de dias sem comer, dormir ou descansar, uma hora o corpo não aguenta mais. – suspiro, não tem como negar a teimosia do Hyoga. ─Ele já ficou assim uma vez. – ele comenta olhando pro Hyoga que mesmo com febre continua completamente adormecido.
─Quando?
─No dia da morte da Lilia.
─Ah. – olho triste pra ele.
─Não se preocupe, vou dar um antitérmico pra ele e logo, logo a febre baixa. – ele diz. ─Ah, você precisa aplicar compressas frias no tronco e nos membros dele, depois vista peças de algodão nele e coloque algumas toalhas secas abaixo dele. – ele diz debruçando-se sobre o Hyoga e enxugando o suor do seu rosto e do pescoço com um lenço, o que é outra coisa estranha, o Hyoga nunca soa.
─Eu?
─É, ou quer que eu faça isso? – ele pergunta com um sorrisinho.
─Er, não, deixa que eu faço. – digo logo.
─Ok. – diz rindo. ─E não o acorde, é melhor que ele permaneça dormindo o tempo que precisar, o mantenha hidratado, e quando ele acordar faça-o comer, mesmo que seja amarrado num tronco. – ele adverte.
─Certo, entendi. – acho que agora sim vai começar meu papel na vida do Hyoga.
Pego um copo d’agua e depois fico vendo o Adam inclinar o Hyoga todo mole em seus braços e lhe dar o remédio com grande facilidade sem sequer fazer menção de acorda-lo.
─Que horas ele chegou ontem? – ele pergunta.
─Nem sei direito, ele entrou e eu nem vi, acho que foi lá pelas duas.
─E ainda por cima bêbado. – ele comenta.
─Muito, ele estava atordoado.
─Imagino. – diz suspirando. ─Bom, ao menos vocês já se entenderam, não é? – ele pergunta.
─Hum? Como assim?
Ele dá um aceno indicando o canto do quarto onde os sapatos do Hyoga estão jogados de qualquer jeito junto com nossas camisas. Porque diabos eu me esqueci de guardar aquilo?
─E-eu... er, bom... não é o que você está pensando. Não aconteceu nada e... – digo e acho que estou completamente vermelho.
─É eu sei, ele ainda está vestido com a roupa de ontem. – ele comenta rindo. ─Mas ao menos vocês se entenderam. – diz piscando pra mim.
Esse cara não pode achar que já tem essa intimidade toda pra insinuar algo assim, ou pode? Suspiro.
─É, acho que sim. – digo confessando logo e ele sorri.
Embora eu ainda tenha receio sobre isso, Hyoga foi bem claro quando disse que estava seguro de suas palavras ontem, mas o que posso dizer? Afinal ele estava bêbado, tomara que se lembre de tudo aquilo e que não se arrependa. Tomara que se lembre que me aceitou.
─Muito bem, eu já vou. Cuide bem do meu irmão. – ele diz bagunçando os cabelos do Hyoga e já se levantando.
─Adam, espera. – digo antes que ele saia. ─Como está o senhor Poznanski?
Ele me olhou sério agora.
─Ele vai sair da UTI mais tarde, vamos fazer mais alguns exames e amanhã a noite vai ser a cirurgia.
─Entendo. – digo triste. ─As chances são boas?
─Não – ele diz sem rodeios. ─, mas só podemos ter certeza depois dos exames. – ele dá uma pausa. ─Fique ao lado do Hyoga, ele vai precisar muito de você – ele diz olhando pro Hyoga.
Só aceno positivamente.
─E a senhora Irina? – pergunto.
─Ela perguntou pelo Hyoga, mas eu expliquei que ele precisava descansar então ela se acalmou.
─E a... Annia? – pergunto em tom amargo.
Ele me olha arqueando uma sobrancelha.
─Não se dê ao trabalho de se importar com ela. Já conversei com Annia, então ela vai ficar afastada por um tempo.
─Ok. – digo sério.
─Pode fazer a marra que quiser, afinal ela te detesta na mesma proporção também. – ele comenta.
─Você...
─Annia é minha amiga também. – ele comenta, opto por ficar calado, o que posso dizer?
─Não se preocupe, eu estou do seu lado. – ele diz voltando a sorrir. ─Mas não posso deixar de me sentir mal por ela também. – ele diz suspirando.
─Compreendo. – digo sem jeito.
─Bom, eu já vou. Provavelmente ele vai acordar lá pelas quatro, eu ligo pra conversar com ele.
─Ok. Obrigado por tudo Adam. – digo sorrindo.
─Não tem que agradecer, você já é da família agora. – ele diz sorrindo. ─Tchau, cunhado. – ele diz e sai.
Cunhado? Dou um sorriso bobo e o acompanho até a porta.
Quando retorno já vejo o Miguel subindo na cama do Hyoga. Eu o deixei no quarto dele pra que o Adam pudesse analisar o Hyoga sem interrupções.
Quando acordei de manhã o Miguel estava adormecido entre mim e o Hyoga, deve ter levantado no meio da noite e veio até nós, de certa forma eu fiquei aliviado por mim e o Hyoga não termos chegado tão longe ontem, imagina o Miguel nos encontrando numa situação assim, não quero nem pensar na reação dele.
Miguel ficou a manhã toda ao lado do Hyoga na cama, até dormiu um pouco com ele e até agora está inquieto.
─Acoda papa, vai. Anda papa. – diz empurrando o Hyoga na cama que inclusive tá dormindo pesado mesmo.
─Miguel, deixa seu pai dormir. – digo segurando ele.
─Poquê ele no acoda Shu? – ele diz choroso.
─Ele só tá com sono, Miguel, deixa o descansar que quando ele acordar brinca com você. – digo tentando acalma-lo enquanto olhamos juntos pro Hyoga.
─Mas Shu. – ele resmunga.
─Depois Miguel. Agora vai brincar no seu quarto e deixa o seu pai dormir. – digo bem sério, ele me olha muito surpreso e triste. Acho que é a primeira vez que imponho autoridade com ele dessa forma, na maioria das vezes eu tenho que ficar horas adulando pra fazer ele me obedecer.
Ele fez um biquinho, mas quando achei que ele ia chorar ele simplesmente desceu do meu colo e foi pro quarto dele. O segui depois de um tempo e o vi no quarto brincando mesmo, inacreditável, eu deveria ter registrado o momento pra poder provar depois.
Voltei pro quarto e observei o Hyoga adormecido. O silencio do quarto me permitia ouvir o ressonar calmo dele, seu semblante era tão tranquilo, tão livre de preocupações. Nem parecia que estava com uma febre tão alta, e por falar em febre tenho que fazer o que o Adam falou.
Compressas frias, o que isso quer dizer? Logicamente que eu tenho que esfriar o corpo do Hyoga, mas tinha que ser compressas? Seria mais fácil leva-lo lá pra fora e enterra-lo na neve, ou coloca-lo na banheira com agua bem gelada. É isso!
Vou pro banheiro e encho a banheira de agua bem fria, como é o Hyoga então ele nem vai sentir, pra um cara que suportou o zero absoluto o que seria uns dez graus abaixo de zero? Com certeza ele vai se sentir bem melhor.
Depois de fazer isso eu voltei pro quarto, tirei a camisa do Hyoga, mas suspirei mais tenso antes de livra-lo do cinto e da calça, desabotoei devagar com o receio de que ele pudesse acordar a qualquer momento e achar que eu estou abusando dele. Fui tirando devagar e revelando a boxer branca, ele se remexeu um pouco e eu logo afastei minhas mãos dele, olhei pra ele e permanecia em sono profundo. Suspirei aliviado, nem sei por que, afinal acho que agora eu tenho passe livre não é?
Por fim o tirei da vestimenta revelando as pernas fortes e brancas. Ele parece mais pálido do que nunca, somente o rosto estava um pouco corado por causa da febre.
Não se espantem, não vou tirar a boxer dele agora, até porque eu vou ter muitas oportunidades no futuro. Levei-o pro banheiro, mas ele estava leve, coloquei-o na banheira com cuidado, deixando apenas a cabeça de fora. Ele inspirou um pouco mais forte, mas logo em seguida voltou à expressão tranquila e calma, não falei? Ele nem sentiu o frio.
─Shun. – ouço-o murmurar.
Me surpreendi, ele estava sonhando comigo? Esbocei um sorriso grande e bobo vendo-o ali. Ele lembra.
Me aproximei e beijei de leve seus lábios, a barba por fazer já espetava um pouco e dava um tom loiro bem claro em seu rosto. Peguei um pouco da agua com as mãos e aos poucos fui molhando seu cabelo fazendo o loiro escurecer, joguei as mechas pra trás enquanto afagava seus cabelos macios, seria melhor se ele deixasse assim, grandes e cheios, como antigamente, mas ele sempre acaba cortando.
Deixei-o lá por uns vinte minutos até baixar a febre, é claro que eu aproveitei pra explora-lo. Toquei sua pele, mas ele estava rígido e frio, se não fosse pela respiração qualquer um iria achar que estava morto, nem quero pensar em como ele está lá em baixo.
Em seguida o tirei de lá e o vesti, eu já nem aguentava mais pega-lo molhado e gelado, estava frio demais, achei que meus braços congelariam a qualquer momento. Agora ele estava completamente nu, antes de vesti-lo dei uma boa olhada no instrumento, e devo dizer que já até pressinto a dor que vou sentir quando finalmente chegar a hora de... vocês sabem, e olha que ele nem estava excitado. Fiquei tentado a toca-lo, mas não sou tão pervertido assim... quer dizer, não muito.
Coloquei as toalhas como o Adam disse, a febre baixou, mas ele voltou a suar muito e olha que estávamos a vários graus abaixo de zero. Eu deveria chamar o Camus pra vir esfria-lo direito.
Bom, não posso fazer mais nada, só me resta aguardar até que ele acorde, e tomara que acorde bem melhor.
Sento-me na poltrona que tem ali de frente pra cama e pego no criado mudo o álbum de fotos que o Hyoga estava vendo ontem à noite, o encontrei quando fui recolher aqueles cacos de vidro do copo que ele atirou, olho pra ele adormecido e tranquilo, em pensar que ele estava fora de si ontem.
Suspiro e começo a folhear o álbum, são fotos mais antigas, algumas de até quando ele e Lilia ainda estavam na faculdade.
Fiquei distraido vendo as fotos quando um vento forte abriu a janela do quarto com violencia e com um alto baque, rapidamente deixei o album de lado e fui fechar a janela na tranca, o vento deixou o frio entrar e até bagunçou algumas coisas, fora que fez outras voarem de seus lugares, olhei pro Hyoga que sequer se mexeu.
Fui arrumar a bagunça, quando voltei pro album vi que o vento tinha-o aberto várias paginas depois da que eu estava, ia fecha-lo, mas a unica foto da pagina me chamou atenção. Os dois sentados abraçados em um banco perto de um lago, estava no verão, dava pra perceber que era um dia perfeito, uma arvore próxima fornecia-lhes proteção e a agua clara cintilava com o brilho do sol. Olho pra Lilia sorrindo abertamente, será que sou digno mesmo de substitui-la? Tiro a foto do plástico pra ver melhor, mas assim que a tiro percebo alguma coisa atrás dela, verifico e encontro uma carta, a única coisa escrita no envelope é: H&M. Eu já ia abrir, mas me detive, estava tão bem escondida, será que o Hyoga tem conhecimento de sua existência? Bom, de qualquer forma não posso ficar xeretando no que não é da minha conta. Guardo a carta pra que o Hyoga possa ler depois.
...
Sinto meu corpo dormente, aos poucos vou despertando, só há a luz vinda da janela e pelo que vi já estava de dia.
Sinto algo perto de mim, me viro e vejo o Miguel adormecido e encolhido ao meu lado. Sorrio alegremente só de vê-lo.
Acaricio seu rostinho infantil, mas ele vai despertando quando faço isso.
─Papaaa. – ele diz com a voz estridente e todo sorridente.
─Filho. – digo sorrindo quando ele me abraça pelo pescoço. Aquele cheirinho de bebê é bastante aconchegante. Quem diria que esse pequeno garotinho é meu.
─Acordou. – Shun diz sorrindo da porta.
─Oi. – digo sorrindo. ─Que horas são? –pergunto já me sentando na cama com o Miguel no meu colo.
─Cinco e meia.
─Ainda? Mas já tá claro. – digo olhando pra janela.
─Cinco e meia da tarde, Hyoga. – ele diz sorrindo e sentando perto de mim na cama.
─Quê?! – digo surpreso e penso um pouco. ─Eu dormi por mais de quinze horas? – pergunto incrédulo.
─Pois é. – ele confirma sorrindo.
─Papa domiu muito, muito, né Shu? – Miguel disse fazendo um biquinho.
─Céus. Tudo isso. – digo suspirando. ─ Alguém me ligou? – pergunto.
─Sim, a Irina e o Adam. Adam perguntou se você já tinha acordado, ele me falou que o Andrey sai da UTI hoje à noite, a Irina só perguntou se você estava bem, não se preocupe, ela achou muito bom que você esteja descansando.
─Ah. – fico pensativo.
─Você teve febre quase o dia todo Hyoga. – Shun comenta preocupado.
─Hum?
─Tive que chamar o Adam aqui pra ver o que você tinha. – ele continua.
─Febre? Sério? – digo estranhando, eu estava ótimo agora, sequer estava com dor de cabeça, toda a dor muscular que eu tinha há dias desapareceu, me sentia leve e saudável. Nunca estive tão bem como agora. ─Estranho, eu estou ótimo. – digo sorrindo.
Foi a primeira vez a tempos que eu não tenho qualquer pesadelo. Nada, absolutamente nada. Nunca me senti tão livre e leve.
─Tem certeza? Está melhor mesmo? – ele pergunta preocupado e se aproxima tocando minha testa.
─A febre baixou de vez. – ele comenta depois de verificar.
─Eu falei. E o Adam ficou aqui por muito tempo? – pergunto.
─Não muito, ele só te deu um antitérmico e conversamos um pouco.
─Sobre o quê? – pergunto desconfiado.
─Nada demais. – ele diz simplesmente, mas nem ligo.
─Estou faminto. – digo, só agora eu percebo meu estomago reclamando.
─Que ótimo. – Shun diz sorridente. ─Vem, pode se levantar sozinho? – ele pergunta me oferecendo a mão.
─É claro, não estou tão mal assim. – digo ainda com o Miguel no meu colo e vou levantando.
Olho pras minhas roupas e estranho que sejam outras.
─E isso? – digo confuso.
─Isso o quê? – ele pergunta.
─Essa roupa, eu não estava com ela. Quem me trocou? – pergunto e ele me olha extremamente vermelho.
─Er... fui eu.
─Ah, sim, pensei que tinha sido o Adam, senão... Peraí, foi você? – digo e acho que estou ficando vermelho também.
─É, eu precisava esfriar seu corpo por causa da febre, então eu te levei pra banheira com a agua gelada. – ele se explica nervoso coçando atrás da orelha. Só agora que eu percebi que meu cabelo estava úmido, só não sei se era pelo suor ou por esse banho que ele disse que me deu.
Olho desconfiado pra ele.
─Ahh Hyoga, eu sou capaz de digitar um livro inteiro de olhos fechados, cozinhar de olhos fechados, ou até derrotar um inimigo de olhos fechados, então eu sou perfeitamente capaz de simplesmente trocar sua roupa sem ter a necessidade de olhar. – ele se defende. ─Não tô dizendo que eu não olhei, mas... – diz pendendo a cabeça. ─Que eu sou capaz eu sou. – diz cruzando os braços, zangado e sem jeito ao mesmo tempo, estava uma graça.
─Tá bom, calma. – digo sorrindo. ─Obrigado. – digo sem jeito, é estranha a sensação de saber que ele já me viu nu.
─Hunf. Vai tomar um banho e desce que eu vou preparar sua comida. – ele diz pegando o Miguel dos meus braços e saindo orgulhoso, mas envergonhado ao mesmo tempo.
Só rio da reação dele, estava adorável.
Vou tomar um banho, estou muito suado, consequência da febre, acho que isso tinha que acontecer mesmo, eu não andava me cuidando direito. Bem que a Mayuri falou que eu ia acabar adoecendo.
Deixo a agua correr pelo meu corpo, realmente me sinto mais leve, e até sem preocupações, no entanto eu logo me lembro do Andrey, bom, ao menos ele vai sair da UTI hoje, então isso quer dizer que já melhorou, ao menos um pouco pra fazer a cirurgia. Tomara que dê tudo certo.
Raspo essa barba que já tá me incomodando, tenho que tirar um tempo pra cortar esse cabelo também, já tá descendo pelo meu pescoço, pego uma mexa e olho pro espelho do banheiro, assim que vejo meu reflexo me sinto estranho, aquele sou eu mesmo? As olheiras que eu tinha desapareceram, mas definitivamente tenho que cortar esse cabelo, tô parecendo um moleque.
Visto só um roupão e desço logo, estou mesmo com fome, nem lembro quando foi a ultima vez que comi alguma coisa.
Entro na cozinha e já vejo o Shun dando algum lanche pro Miguel. Ele me olha e sorri.
─Vai ficar assim? – ele pergunta me vendo só com o roupão. ─Não está com frio?
Só olho indiferente pra ele.
─Ah claro. – ele diz revirando os olhos pela situação óbvia.
─Aqui. – diz pegando um prato no micro-ondas e colocando na minha frente quando me sento a mesa. ─Come tudinho. – diz sorrindo e me dando um beijo na bochecha, me arrepio só de sentir os lábios quentes dele na minha pele.
─Obrigado. Foi você que fez? – pergunto ainda sem jeito.
─Foi. – ele diz sorrindo e se virando pro Miguel.
A comida estava ótima, definitivamente o Shun cozinha divinamente, ou sou eu que estou com muita fome mesmo.
Observo o Shun nos minimos detalhes. É inacreditavel o quanto eu quis possui-lo ontem. Será mesmo que eu estava em meu juizo perfeito pra chegar aquele ponto?
Não me lembro a ultima vez que perdi o controle daquele jeito. Talvez quando... Sim, foi com ela. Céus, como eramos incriveis na cama.
Certa vez, quando fomos jantar com Millo e Camus em uma de suas raras visitas, Lilia me surpreendeu ao usar um vestido vermelho-sangue superdecotado e supercolante em todos os lugares certos. Eu não conseguia tirar os olhos dela, meu olhar se demorando mais que o habitual nas curvas e contornos familiares daqule corpo esbelto e rijo, nas saboneteiras das claviculas à mostra, na superficie alva e acetinada da sua pele. Desejei-a precisamente da forma como em geral não se deseja alguem com quem se vem dormindo a quase dois anos. Vi-me ponderando as implicações praticas de escapulir da mesa para encontra-la no banheiro para uma rapidinha, imaginei-me trancado com ela lá mesmo, nós dois rindo de nossa audacia entre beijos intensos, eu a imprenssando contra a parede, o vestido vermelho levantado até a cintura e aquelas pernas macias e nuas me envolvendo, me puxando pra dentro dela.
Mas, mesmo enquanto a imagem mental me excitava a ponto de me causar incomodo sob a mesa, percebi logo que aquilo não iria acontecer. Primeiro porque não havia jeito de escapulirmos discretamente, Camus é atento, Millo mais ainda, principalmente pra sacanagem. Depois, embora eu soubesse que nossa vida sexual era boa, provavelmente melhor do que a da maioria dos casais, rapidinhas em banheiros publicos já não se faziam parte do nosso repertorio. Na verdade, nunca haviam feito, já que tenho certa fobia de germes, e a ideia de partilhar fluidos na presença de todas aquelas bacterias aleatorias sempre me pareceu intoleravel.
A caminho de casa, minha mão foi subindo cada vez mais pela extensão cor de baunilha daquelas coxas macias e nuas, e quando entramos na garagem, não havia mais volta. Arranquei o vestido dela no escuro e a deitei sobre o capô do carro, ainda quente. Então, enlouquecidos, nos transformamos novamente em adolescentes, com a diferença de que eramos bons de transa e donos do carro.
Ao entrar em casa pouco depois, Lilia e eu subimos para, delirantes, violar todas as regras de boa conduta, beijando, lambendo, sorvendo e devorando com paixão renovada um ao outro. Como se não houvesse amanhã.
Não me imagino tendo uma vontade enlouquecedora como aquela com o Shun. Ele é atraente, sim ele é, mas não o desejo tanto quanto devo, tanto quando desejei Lilia. Talvez eu goste apenas de seu jeito meigo, suas atitudes autruistas, o jeito carinhoso e delicado que ele lhe dá com tudo em volta, bom, pelo menos a maior parte do tempo. Talvez eu goste apenas de sua personalidade.
Shun fica distraído e sério enquanto prepara um suco. Olho pra ele, está todo encapotado, aposto que tem umas três camisetas por baixo daquele moletom. Está com os cabelos um pouco bagunçados e presos, mas frouxos, deixando que caíssem um pouco pelas costas. O rosto um pouco corado por causa do frio, os olhos verdes asiáticos, o lábio inferior mais cheio e avermelhado, um pouco da franja cobrindo os olhos quando ele abaixa. Sua pele é tão lisa que nem parece que cresce barba nele.
Vou descendo o olhar, a calça moletom cinza e folgada, está de meias, aposto que são varias também. Apesar de toda aquela roupa dava pra ver todos os contornos do seu corpo, ele tem mesmo um belo corpo. Parece um garoto, não dá pra acreditar que tenha mesmo vinte e sete anos, não dá pra acreditar que já se passaram catorze anos, pois o Shun ainda parece o mesmo garoto que eu protegi tantas vezes.
Fiquei pensando se não teria alguma brecha naquela roupa que mostrasse ao menos um pouco da sua pele, que inclusive eu tive todo acesso ontem, e céus, era maravilhoso toca-lo, suas mãos eram cálidas e eu sentia todo meu corpo queimar quando ele me tocava, mas eu queria toca-lo primeiro, por isso o imobilizei pra que ele não me distraísse enquanto eu fazia isso, apreciei cada segundo, cada toque. Porque diabos eu não consegui? Ah é...
Shun é atraente, agora eu admito. Eu o quero.
─Que foi? – ele pergunta quando percebe que estou o observando analiticamente.
─Nada. – digo sério desviando o olhar tentando e esconder meu constrangimento.
Ele me olha curioso e baixa a cabeça, vejo-o esboçar um sorriso.
Lembro-me do que o Adam disse quando viu o Shun e começou a falar besteira, logo fico envergonhado porque é isso que estou imaginando agora. Não é hora pra pensar nessas coisas.
─Você não sente calor com toda essa roupa? – pergunto tentando mostrar indiferença.
─Tá brincando? Aqui tá frio pra caramba. – ele diz esfregando os braços.
─Hum. – não sei do que ele está falando, a temperatura está ótima pra mim.
Alguma coisa mudou, sinto cada vez mais afeto pelo Shun. Bom, eu o aceitei, agora ele vai fazer parte da minha vida, mas ainda me sinto estranho com essa situação. Será que vai dar certo?
─Tem sobremesa se você quiser, patrocínio das suas vizinhas. – ele comenta balançando a cabeça quando termina de fazer o suco e coloca um copo na minha frente. ─Olha só. – ele abre a geladeira e mostra a geladeira mais cheia do que quando vi da ultima vez.
─Oow. – digo surpreso.
─Elas vêm quase todos os dias, duas já vieram hoje de manhã e trouxeram um bolo. – diz apontando pra uma bandeja dentro da geladeira. ─Já que ainda não te viram vivem passando aqui pra tentar a sorte. – ele comenta aborrecido, está com ciúmes?
Só faço rir.
─Tá rindo do quê? – ele pergunta aborrecido.
─Você tá com ciúmes. – digo.
─É claro que não, só estou... hãã... Entediado com essas visitas constantes. – ele tenta inventar uma desculpa pouco convincente.
─Entediado, sei. – digo ainda rindo.
─Não sei não, tenho a leve impressão que você gosta de toda essa atenção. – ele comenta desconfiado.
─A tia Zy que troxe papa. – Miguel comenta.
─Tia Zy? – Shun pergunta.
─Zylia, é a vizinha aí da frente. – explico.
Zylia era uma mulher robusta de uns trinta e sete anos que vive sorrindo pra tudo e todos, falava mais que a boca, tinha uma coleção inteira de gatos, mas apesar de tudo era muito simpatica.
─Ah, essa Zylia tem vindo todos os dias, às vezes ela trás algumas amigas, mas como você nunca está então eu tenho a desculpa perfeita pra não deixa-las entrar. – ele diz irritado.
─Poxa Shun, você deixou a pobre senhora congelar lá fora? – digo rindo.
─Claro que não Hyoga, ela só pergunta por você, deixa alguma coisa e vai embora logo em seguida. – ele se defende.
─Sei. – digo sorrindo, mas ainda desconfiado.
─Hunf. – ele fica todo orgulhoso quando está com raiva. Sorrio vendo-o fazer um biquinho.
Termino de comer e até repito, depois pego o bolo que Zylia trouxe e como junto com o Miguel no meu colo. Tenho que passar mais tempo com ele pra compensar esse afastamento.
Fico distraído fazendo isso, penso na Mayuri, ela iria gostar de passar uns momentos assim, ela era sempre tão simples, sinto falta dela. Como pode estar agora? Tenho que ligar pra ela.
Fico divagando e só depois de um tempo eu percebo o Shun debruçado na mesa me observando.
..
Hyoga parece bem melhor. Não parecia tenso. Estava mais tranquilo, pude perceber desde que ele acordou.
Imaginei que a primeira coisa que ele perguntaria seria se alguém ligou pra ele, então eu tratei de explicar pra tranquiliza-lo. Logo depois ele percebeu a roupa que vestia, imediatamente fiquei envergonhado, era estranha a sensação de ele saber que eu já o vi nu.
Assim que ele desce percebo que ele cortou a barba, eu gostava do jeito que estava, mas beijar o rosto liso dele é melhor ainda, e foi a primeira coisa que fiz quando ele se sentou. Senti-o estremecer só com esse simples toque, ele é tão sensível a qualquer contato físico.
Ele começou a comer e enquanto isso eu fui preparar um suco pra ele. Depois de um tempo percebi o olhar dele preso em mim, me analisando, fiquei bastante satisfeito com aquilo. Perguntei o que ele tanto olhava e ele imediatamente ele ficou constrangido e vermelho, ficava um graça quando estava envergonhado.
Ele perguntou se eu não sinto calor com essa roupa toda, inacreditável como ele estava com um simples roupão, mas eu não sou tão resistente assim. Pra ele isso não é nada demais, mas pra mim o frio estava insuportável. No entanto se ele estiver tão incomodado com minhas roupas eu poderia solicitar a tirar tudo só pra ele, desde que ele mesmo me aqueça, é claro, mas como ele estava sério resolvi não mencionar nada indecente.
Voltou a ser o Hyoga sério de sempre, pelo menos era o que eu achava até ele começar a rir dizendo que eu estava com ciúmes das vizinhas dele, logicamente, mas não vou admitir nem em um milhão de anos.
Hyoga terminou de comer e até repetiu, realmente estava com fome, fiquei feliz em não ter que obriga-lo a comer, se demorasse muito ele ia acabar desaparecendo, ele sempre teve muita facilidade pra emagrecer.
Depois ele pegou o bolo que a tal da Zylia, aquela ‘papa anjo’, trouxe pra ele e começou a comer com o Miguel, estava lindo.
Hyoga ficou distraído de repente. No que estaria pensando?
─Que foi? – ele pergunta quando percebe que estou o observando.
─Hyoga... você lembra de ontem? – tive que perguntar, ele sequer tocou no assunto, então eu achei melhor confronta-lo logo pra que o assunto não seja esquecido como tantos outros, ainda mais um assunto tão sério como aquele, afinal ele me aceitou, não quero que ele se esqueça disso.
─Hum? Ontem? – ele diz confuso com o que eu me referia. ─Ah, ontem. – ele diz se tocando.
Fico esperando enquanto ele fica pensando no que dizer.
─Vai brincar lá na sala querido. – ele diz pro Miguel e o coloca no chão lhe entregando um pedaço do bolo.
Miguel sai, e o Hyoga me olha. Fiquei ansioso, em expectativa com o que ele ia dizer, estava sério demais.
─Lembro-me de cada segundo. – ele diz sério, só suspiro aliviado. ─Desculpe pelas palavras duras que eu lhe disse, desculpe o trabalho que eu dei e... – ele começa a falar envergonhado.
─Nada disso interessa Hyoga, estou falando de nós. – digo impaciente.
Ele fica sério em silencio.
─Nós... – ele fica relutante. ─Eu estava bêbado – ele diz e já me sinto angustiado, suspiro triste a coloco minhas mãos no rosto balançando a cabeça, droga! Lá vou eu outra vez pro ponto de partida. Nunca confie nas palavras de um bêbado. ─, mas eu disse que estava seguro das minhas palavras. – ele completa e eu imediatamente volto a olhar pra ele.
─Vamos tentar. – ele diz e me olha sorrindo.
Fiquei de boca aberta sem saber o que dizer.
─E-eu... er, é sério? – digo sem conseguir expressar minha felicidade, não dava pra acreditar.
─Claro. – ele diz e vem pra perto de mim, ficou na minha frente, eu permanecia com a cabeça baixa sem conseguir encara-lo, nem sei por quê.
Meu rosto ficava na altura do seu pescoço, e eu via a pele um pouco exposta por trás do roupão, eu quero toca-lo, e agora eu posso, mas estou nervoso, estou sem reação.
─Quer fazer o favor de olhar pra mim, Shun. – ele pede.
Ainda nervoso eu o olho, estava tão perto.
─Qual o problema? – ele pergunta. Idiota, tá brincando comigo.
Fico calado e volto a olhar pro seu peito, finalmente volto a respirar e lentamente aconchego minha cabeça em seu peito, com os braços suspensos como se eu me atrevesse a agarra-lo de uma única vez ele pudesse fugir, então eu me aproximava e o tocava bem devagar. Coloco minhas mãos sobre ele, insinuando os dedos a entrar e tocar a pele pouco exposta por baixo da vestimenta.
─Nada do que você já não tenha visto. – ele comenta sorrindo. Imediatamente fico vermelho, gostaria de me bater com um taco pra tirar essa vergonha súbita que se apossou de mim.
─Vai me dar mesmo uma chance? – pergunto, eu queria tantas quantas confirmações fossem possíveis.
─Sabe Shun, a Lilia me fez superar a morte da minha mãe, acho que você é quem vai me fazer superar a morte dela agora. E não precisa fazer nada, apenas seja você, do jeito que é, porque eu gosto de você assim. – ele diz e me pega pelos ombros. ─Confesso que a situação é estranha pra mim. Mas eu gosto de você, o suficiente pra arriscar tudo. Porque afinal e contas eu nem posso mais viver sem você. – ele diz tocando meu rosto e me fazendo o olhar nos olhos.
Minha lagrimas começam a cair.
─Droga! O que eu disse de errado? – ele pergunta preocupado.
─Você disse tudo certo. – digo finalmente o abraçando.
─Ainda bem, não sou muito bom com as palavras. – ele comenta aliviado.
Só sorrio. O olho e começo a acariciar seu rosto, ele me olha ternamente. Agora ele é meu. Nos aproximamos, mas quando estou prestes a beija-lo senti ele se afastar, demoro pra entender que tem algo puxando o Hyoga pra longe de mim.
Olhamos pra baixo e era o Miguel resmungando.
─Sai Shu, saiiii. – diz puxando a perna do Hyoga e me empurrando.
─Que foi Miguel? – Hyoga pergunta pegando o filho no colo, já tinha arruinado o momento mesmo.
─É meu. – Miguel resmunga abraçando o pescoço do pai. ─MEU papa. – ele diz me olhando irritado. Acho que era a primeira vez que ele nos vê tão próximos, quando estávamos no hospital ele sequer notou que íamos nos beijar porque estava ocupado em lamber todo o glacê do bolo que comia.
Só cruzo os braços em desgosto com aquela interrupção.
─Mas você não gosta do Shun, Miguel? – Hyoga pergunta.
─Mas o papa é só meu. – ele resmunga pro Hyoga.
─Querido, você vai ter que aprender a dividir meu amor. – Hyoga diz.
─Não.
─Shun eu estava falando com o Miguel. – Hyoga diz me olhando.
─Hunf. – ele tem o tempo todo com o pai dele e agora que eu consigo conquista-lo ele não quer me deixar nem ao menos beija-lo. ─Egoísta. – digo olhando pro Miguel que continua abraçando possessivamente o pai. Quem diria que depois de tudo eu teria que competir com o Miguel pelo Hyoga.
─Vai levar um tempo. – Hyoga diz me olhando.
Só olho irritado pra ele, sei que tem razão, sei que o Miguel vai demorar bastante pra se acostumar comigo fazendo esse papel na vida do pai dele, mas não posso deixar de me sentir frustrado, poxa, eu esperei tanto.
─Bom, eu tenho que voltar pro hospital. – Hyoga diz.
─Mas já? – digo surpreso.
─Sim, Irina está sozinha lá. – ele comenta e se retira, e eu o sigo de perto.
Subimos e o Hyoga colocou o Miguel no quarto dele e depois foi se trocar. Fico no quarto com o Miguel que pega uns brinquedos e fica distraído brincando, estraga prazeres.
─É meu papa, Shu. – ele diz me olhando ainda irritado. ─Meu.
─Disso eu já sei Miguel, mas você não pode ficar preso ao seu pai pra sempre. – digo como se ele pudesse me entender.
─Hum, hum. – ele balança a cabeça negando não sei o quê.
Suspiro e o deixo lá. Entro no quarto do Hyoga, ele está separando uma roupa pra vestir.
─Você sabe que vai demorar pra ele se acostumar com isso, então é melhor que evitemos contato na frente dele. – Hyoga comenta enquanto procura uma camisa.
─Eu sei, mas não posso esperar tanto. — digo manhoso.
Somos interrompidos, dessa vez pelo celular dele.
─Oi Adam. – ele diz depois de olhar quem era. ─Acordei faz pouco tempo... Já passou sim, já me sinto melhor... Já, já comi também. – ele diz revirando os olhos. ─Como está a Irina?... Entendo... Vai sair que horas?... Certo, já estou indo pra aí... Ok, até logo Adam. – diz e desliga.
─Vai voltar mesmo? – pergunto de braços cruzados e irritado na frente dele.
─Já descansei o suficiente. Adam disse que Andrey sai da UTI lá pelas dez. Tenho que estar lá, vai haver uma reunião dos médicos responsáveis pelo Andrey pra ver o que pode ser feito por ele, e eu quero acompanhar.
Suspiro, ele tem mesmo que ir.
Ele vai até o guarda-roupa e volta a vasculhar uma gaveta a procura de roupas.
─Em primeiro lugar você vai ter que prometer que vai se cuidar melhor. – digo iniciando meu discurso e indo de um lado pro outro. ─Em segundo, vai ter que vir todos os dias em casa pra eu ter certeza que você está bem. Vai ter que ligar pra dar noticias e... – fico mudo vendo-o tirar o roupão e joga-lo em uma cadeira, estava de costas pra mim e se vestia sem o mínimo de constrangimento.
─E o que mais? – ele pergunta ainda de costas distraído vestindo a boxer e em seguida as calças.
Céus, não me lembro de ser assim quando eu o vi nu da primeira vez, estava mais... nem sei dizer. Posso vislumbrar cada curva do seu corpo perfeito. As costas largas, a bunda durinha que dava vontade de apertar só de olhar, a pele clara como leite. É uma pena que esteja de costas.
─Shun? – ele finalmente se vira pra mim enquanto abotoa a calça. Em pensar que a alguns dias ele sequer queria se trocar na minha frente.
─Hã? – digo vendo seu olhar confuso. ─Er... bom, eu... humm... eu dizia que, que...
─Que eu tenho que manter contato, só isso? – ele diz pegando o cinto no guarda-roupa.
Fui até ele e peguei o cinto de suas mãos recebendo um olhar confuso dele. Passei o em volta de sua cintura aproveitando pra me aproximar mais de seu tronco.
Ele me olhava atentamente enquanto eu fazia isso. Apertei a calça folgada terminando de ata-lo. Segurei sua cintura com as duas mãos e finalmente o olhei.
─Obrigado. – ele diz sorrindo.
─Hyoga?
─Hum? – diz começando uma caricia no meu rosto, fechei os olhos e aproveitei a sensação.
─Agora nós somos um casal? – pergunto voltando a olha-lo.
Ele fica sério por um tempo.
─Acho que sim. – diz pensativo e volta a sorrir. ─Você está estranho, não era isso que você queria? – ele pergunta.
─É que... é difícil de acreditar. – digo.
─Acredite. –se aproxima pra me beijar de novo, quando já íamos novamente nos beijar a campainha toca, mas que saco!
─Que merda! – exclamo irritado. Ele me olha surpreso e começa a rir.
─Vai lá atender, não precisa de pressa, meu anjo. – ele diz sorrindo me dando um beijo rápido nos lábios.
Só suspiro ainda irritado, essas interrupções já estão me dando nos nervos, da próxima vez temos que ser mais rápidos. Desço e abro a porta, saco, é a vizinha de novo.
─Oi filho, o Alexei está aí dessa vez? – ela pergunta sorrindo. Não adianta, não vou perdoa-la por ter me interrompido.
─Ele... – eu já ia falar que o Hyoga não está quando o imbecil vem descendo as escadas.
─Shun, você viu meus óculos...? – ele finalmente vê a visita na porta o observando e fica surpreso e sem jeito.
─Por Deus filho, não está com frio? – ela pergunta vendo o Hyoga vestido com a camisa ainda aberta, idiota, ele só pode aparecer assim na minha frente.
─Frio? – ele pergunta e leva um segundo pra perceber. ─Ah sim, frio. Sim, estou com frio. – diz encenando e esfregando os braços.
─Vai acabar se resfriando. – ela diz passando por mim na porta e se aproximando do Hyoga.
─Como vai Zylia? – ele diz sem jeito e acanhado, mas a mulher o puxa pra um abraço na mesma hora, sufocava o Hyoga em seus seios gigantes.
─Estou ótima, e vejo que você também. – diz se separando do Hyoga que respirava com dificuldade por causa do sufocamento de seios, ficou encolhido perto dela que praticamente o comia com os olhos. Vizinha tarada. ─Céus, você emagreceu. – ela diz surpresa. ─Mas pelo menos os músculos ficaram né. – ela diz insinuante passando as mãos pelos braços e abdômen dele.
─Lamento pelo seu sogro estar tão doente. – ela comenta.
─Er... eu também. – ele diz sem jeito tentando tirar os dedos roliços dela de baixo da sua camisa, como se estivesse fazendo alguma caricia descente.
─Eu nem vi quando você chegou Alexei, devia cumprimentar a vizinhança viu. – ela diz aborrecida.
─É que eu tive pouco tempo desde que cheguei. – ele diz sem jeito.
─Bom, de qualquer forma fico feliz que esteja aqui. Gostou do bolo que eu fiz? – ela diz cheia de si.
─Sim, estava ótimo.
─Hyoga já vai voltar pro hospital, né Hyoga? – digo indo até ele e o puxando pra longe dela e me colocando entre eles.
─Mas já? – ela diz aborrecida.
─Sim, sim, tenho que ficar lá com a Irina. – ele diz rápido.
─Que pena. – ela diz triste. ─Eu volto mais tarde então.
─Não sei se estarei aqui, tenho ficado quase o dia todo no hospital. – ele comenta.
─Bom, então apareça lá em casa quando puder. – ela diz com um sorrisinho.
─Vou tentar. – ele diz sem jeito.
─Então tá, até outro dia Alexei. – ela diz e ele a acompanha até a porta.
─Ok, até.
─Não vai lá coisa nenhuma. – digo irritado assim que ele fecha a porta suspirando.
Cruzo os braços pra mostrar que não gostei nenhum pouco daquilo.
─Você é dramático demais Shun, ela só veio fazer uma visita, às vezes ela é pegajosa demais mesmo, mas é uma boa mulher.
─Se você não percebeu Hyoga, ela estava praticamente te agarrando. – digo irritado.
─Não diga bobagens, está interpretando tudo errado. – ele diz indiferente.
Fico pasmo com a completa falta de inteligência dele pra esses assuntos.
─Você é um imbecil, sabia? – digo. ─Tô achando que você adora esse tipo de atenção.
─Céus, você está impossível. – ele diz revirando os olhos. ─E você viu ou não viu meus óculos? – ele diz já subindo e evitando a continuação daquela discursão.
─Você não vai fugir dessa conversa Hyoga. Volta aqui. – digo irritado.
Por alguma razão ele parou e virou-se olhando fixamente pra mim, deu um sorrisinho balançando a cabeça.
─Déjà vu. – ele disse rindo.
─O que?
─Nada... – diz ainda sorrindo e já subindo sem dar a mínima pra minha irritação, não entendi nada do que ele disse.
─Ah, tem outra coisa que eu percebi – continuo discutindo enquanto o sigo até o quarto ─, tem várias garotas naquele hospital que vivem se derretendo pra você, aposto que você dá motivos.
─Ah claro, eu canto todas elas. – ele diz sarcástico. ─Não fique dizendo bobagens Shun, tomo isso como uma afronta. – ele diz parecendo um pouco aborrecido agora.
Alexei Hyoga não ficava puto. Ele ‘era afrontado’.
─Estou falando sério Hyoga, acho bom você esclarecer de uma vez pra todos que você já está comprometido. Quer saber, você vai fazer que nem o Shiryu e vai ficar cego pra essas mulheres assanhadas. – digo já muito irritado tirando os óculos dele do meu bolso e balançando na minha frente.
─Ah, tá com você, me dá ele aqui.
─Não. – digo irritado colocando de volta no meu bolso.
Ele me olha e começa a rir.
─O que é tão engraçado? – digo bufando.
─Senti falta disso. – ele comenta ainda rindo.
─O quê? – digo confuso, ele endoidou por acaso?
De súbito ele me puxou pra ele e me jogou na cama e ficou sobre mim prendendo minhas mãos.
Estava a centímetros do meu rosto. Seus olhos azuis brilhando e seu sorriso estampado no rosto.
─Acredita mesmo que eu ficaria com qualquer garota? Como você mesmo disse, elas dão em cima de mim o tempo todo, não sou idiota, é claro que eu percebo toda essa atenção. Se eu realmente quisesse teria ficado com qualquer uma delas há muito mais tempo... mas eu escolhi você. – ele diz sorrindo. ─Não há motivos pra ter ciúmes.
Bom, aquilo era mesmo verdade. Suspirei.
Nos olhamos ternamente, em pensar que a alguns dias eu acharia aquele olhar impossível.
Ele se aproxima mais do meu rosto. Umedeço meus lábios à espera dele. Quando novamente senti vontade de amaldiçoar o universo quando o celular dele voltou a tocar.
─Não atende. – o advirto.
─Mas... – antes que ele protesta-se mais, livrei-me de suas mãos que me prendiam e o puxei pra mim num beijo autoritário.
─Hmm? – ele resmunga em meio ao beijo pelo susto e ainda protestando.
Ele ainda resmungou por menos de dois segundos até se entregar ao beijo como eu queria.
O beijo se tornou intenso rapidamente, mas o celular continuava tocando.
Nos separamos e ele olhou pro celular no criado mudo.
─Deve ser o Adam de novo. – ele comenta.
─Atende então. – digo aborrecido.
Ainda sobre mim ele pega o aparelho e logo fica surpreso.
─É o seu irmão. – ele comenta e logo me sobressalto batendo minha testa na dele.
─AI! – dissemos juntos massageando o ponto do impacto.
Sento na cama de frente pra ele e ainda com minhas pernas em cima das suas.
─Pra quê tudo isso? – ele pergunta a razão de eu estar alarmado, fazendo um biquinho adorável, gostaria de beija-lo mais ainda. ─É só o Ikki, não precisa se alarmar. Ele sabe que você está aqui, não sabe? – ele pergunta.
─Err... não. – digo acanhado.
O celular para de tocar e eu suspiro mais aliviado.
─Não disse a ele? – ele diz surpreso.
─Ele ia brigar comigo se eu dissesse.
─Por Deus Shun, é seu irmão, ele deve estar muito preocupado. – ele me censura.
O celular começa a tocar de novo.
─Fala com ele, e se explica. – ele me adverte com o celular na mão esperando que eu o pegue.
─Mas...
─Fala logo, tô mandando! – ele diz aborrecido. Digamos que ele sabe intimidar quando quer, então eu o obedeci.
Relutantemente pego e atendo.
─Alô! – digo acanhado enquanto ele me olhava sério.
─Pato? – Ikki diz confuso do outro lado da linha.
─Sou eu nii-san. – digo acanhado.
─SHUN! Pelos deuses, tem ideia do quanto estou preocupado com você? – ele diz extremamente irritado.
─Desculpa Ikki, eu... eu não queria te preocupar, mas...
─Você está a mais de quatro dias desaparecido, estava quase pra acionar a policia, só não chamei ainda porque dá pra sentir seu cosmo de longe, onde você tá? Fui até seu apartamento milhares de vezes, e o que houve com seu celular que você não atende essa porcaria? Droga! – ele diz extremamente irritado.
─É que... – tento argumentar, mas é o Ikki, é meu irmão, mas ele intimida mesmo qualquer um só com aquela voz autoritária.
─Onde você tá? Esse é o telefone do Hyoga, não é?
─Sim, estou com ele.
─Com ele? Como assim?
─Estamos errr... na Rússia. – digo.
─O quê?!
─Me dá aqui. – Hyoga vê meu dilema em tentar conversar com meu irmão nada compreensivo e pega o celular de mim e coloca no alto falante.
─Oi frango. – ele diz bastante calmo.
─Pato? O que está acontecendo? O que o Shun faz aí com você?
─Pedi pra ele vir comigo. – ele diz extremamente calmo. Fiquei surpreso, porque ele estava mentindo por mim?
─Por quê?
─Segui seu conselho, lembra? – Hyoga diz, do que estava falando?
─Seguiu? Como assim...? Ahh, entendi. – por incrível que pareça o Ikki se acalmou. Acho que o Hyoga é um dos poucos que não tem medo do Ikki, e assim ele pode lidar melhor com meu irmão. ─É sério?
─Sim.
─Finalmente. – Ikki diz.
─O que...? – digo confuso olhando pro Hyoga e esperando que ele explicasse pra mim.
─E o que fazem aí na Rússia? – Ikki pergunta.
─Essa é uma longa historia. – Hyoga comenta e começa a relatar tudo ao Ikki.
─Ahh, entendo. Eu sinto muito. – Ikki diz, nem parece que estava tão irritado a alguns minutos.
─Tudo bem, desculpe não ter te avisado antes, mas o Shun está ótimo, não se preocupe.
─E porque esse ingrato não me avisou que estava aí com você? – Ikki pergunta, não deve saber que o celular estava no alto falante.
─Pergunte você mesmo a ele. – Hyoga diz me olhando inquisidor, parece estar substituindo o olhar do Ikki.
─Tive medo que você brigasse comigo por eu ter vindo atrás do Hyoga. – digo. ─É que você falou pra que eu parasse de me iludir e... – Hyoga me olhou surpreso depois desse comentário.
─Tá brincando? Eu não fiz o pato ir atrás de você naquela boate à toa. – Ikki diz.
─O quê? – digo confuso.
─Foi o Ikki que me mandou ir atrás de você aquele dia. – Hyoga comenta.
─Ué? Você não sabia? – Ikki pergunta.
─Não. – digo olhando aborrecido pro Hyoga, porque ele não me disse aquilo antes? Era importante, afinal achei que o Ikki era contra minha insistência com o Hyoga. Se bem que ele me mandou parar com as birras de ficar evitando o Hyoga, mas achei que era só um pretexto pra me fazer parar de encher a cara.
─Bom, fico feliz que já tenham se entendido. – Ikki comenta. ─Cuida bem do meu irmão, pato.
─Vou cuidar sim, ele vale ouro. – Hyoga diz sorrindo e me olhando ternamente.
Em pensar que sou eu que estou cuidando dele.
─Bom, vou desligar, estou mais tranquilo agora. – Ikki diz.
─Obrigado irmão. – digo sorrindo, não sabia que ele estava apoiando tanto esse relacionamento.
─E tenham boas noites, o Shun precisa faz algum tempo, pra deixar de se estressar tanto. – Ikki comenta e eu imediatamente fico atônito com aquele comentário fora de hora. Esse meu irmão é mesmo um imbecil.
Hyoga me olhou, acho que estou muito vermelho, ele começou a rir.
─Ikki seu imbecil! – grito.
─Que é? É verdade ora. – ele diz indiferente como se fosse uma coisa que se diz rotineiramente.
─Mas o Hyoga não precisava saber. – digo aborrecido. ─E cala boca Hyoga. – digo irritado com ele que não parava de rir.
─Vocês estão na mesma. Bom, vou deixa-los transar agora, afinal acho que foi por isso que demoraram tanto pra atender, né? – Ikki comenta displicente de novo.
─Cala boca Ikki! – dissemos juntos.
─Tô vendo que é verdade então. – ele diz rindo.
Hyoga pegou o telefone e desligou logo.
Suspiramos aliviados em nos livrar do Ikki.
─Seu irmão é impossível. – Hyoga comenta aborrecido.
─Devia estar acostumado. – digo rindo.
─Não dá pra acostumar com isso.
─O que mais eu não sei sobre aquela noite? — pergunto logo.
─Nada demais, dei uma surra no babaca do Hayato e...
─Quê?!
─Não lembra disso também? — ele diz indiferente.
─Não, você bateu mesmo nele?
─Ele merecia.
─Sim, mas...
─Esquece isso... Bom, não podemos ficar aqui o dia todo, preciso me apressar. – ele diz me dando um beijo rápido e levantando-se.
Antes ele balança o óculos dele na minha frente.
─Quando você pegou isso? – digo surpreso apalpando meu bolso pra ter certeza.
─Você é distraído. – ele comenta sorrindo.
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Quase me esqueci daquela carta, será que devo dizer a ele?
─Err... Hyoga.
─Hm. — diz ainda distraído.
─É que... bom, eu...
Ele me olha estranhando.
─O quê?
─Eu encontrei uma coisa... não sei se você já tinha conhecimento dela... eu encontrei por acaso e...
─Encontrou o quê Shun? — ele diz já impaciente.
─É que... eu... bom, você já parece bem melhor e... não quero te preocupar com outra coisa...
─Fala de uma vez, o que você encontrou? — ele diz levantando e colocando as mãos na cintura impaciente.
Suspiro e vou até a cômoda e pego o álbum de fotos. Abro e tiro a carta de dentro dele.
─Isso. — digo entregando pra ele.
Ainda confuso ele pega o envelope.
─Pra quê isso? — ele pergunta confuso.
─Eu achei aqui. — digo mostrando o álbum.
Ele olha de mim pro envelope, o vira e logo percebe, ficando muito surpreso.
Sua expressão muda de confusa pra surpresa e em seguida como se recordasse de algo pra depois ficar surpreso de novo, tudo isso em um átimo de segundo.
─Onde exatamente encontrou isso? — ele diz sério olhando pra mim e pro álbum em minhas mãos.
─Bem aqui. — digo folheando até encontrar a foto onde encontrei a carta. ─Atrás dessa foto.
Ele pega o álbum da minha mão e olha sério pra foto por alguns segundos, parecia perdido em pensamentos.
─É dela não é? — pergunto.
─É... a caligrafia dela. — ele diz pensativo olhando pras iniciais H&M escrita atrás do envelope.
─Você sabia?
Ele fica sério ainda olhando pra foto.
─Hyoga. — chamo, mas ele continua olhando fixamente pra foto.
─Hyoga! — volto a chama-lo.
─Hm? — volta a me olhar.
─Você sabia que essa carta estava aí?
─Não.
Suspirou e sentou-se na cama olhando pro envelope. Fico apreensivo olhando pra ele, nunca quis dar outra razão pra que ele se lamentasse dela.
─Não vai abrir? — digo depois de um tempo.
─Tá ficando tarde, é melhor eu ir andando.
─Mas...
─Não quero perder a reunião de que o Adam falou. — ele diz colocando a carta em uma gaveta do criado mudo.
─Não está curioso com a carta? — digo confuso.
─Terei bastante tempo pra ler isso depois. — ele diz deixando o álbum de lado e levantando. ─Eu ligo caso haja alguma novidade. — ele diz sério antes de se retirar sem me dar a oportunidade de consterna-lo.
Obviamente a existência daquela carta o perturbou. Sou um idiota, eu deveria ter mostrado pra ele só depois que tudo isso acabasse.
Bom, agora não há mais o que fazer. Olho pra gaveta onde ele guardou o envelope. Tomara que não tenha nada de ruim nessa carta.
...
Aquela foto... lembro-me que ela sempre escrevia alguma coisa, naquela ocasião ela estava fazendo isso também. "Um dia eu termino." foram as palavras dela, um dia... quando foi que ela terminou? Nunca imaginei que seria algo destinado a mim.
Ela estava tão feliz aquele dia da foto. Foi o dia em que ela conheceu meus amigos, o dia em que ela realmente conheceu o meu mundo. Já não havia mais qualquer segredo, a partir dali ela fez completamente parte da minha vida.
Isso é tão estrando, eu folheei aquele álbum milhares de vezes, mas nunca encontrei aquela carta. Como o Shun encontrou?
De qualquer forma não quero ler agora. Já foi com grande esforço que pude falar dela ontem, não quero ter mais motivos pra lagrimas. Ela não vai voltar, então em quê uma carta poderia me ajudar além de simplesmente lembrar-me dela e me fazer voltar a lamentar? Chega disso, estou farto de sofrer.
.
Tive que pegar um taxi já que o deixei o carro do Adam naquele bar ontem a noite.
Não vou nem comentar com ele que deixei seu precioso carro em qualquer lugar. Tomara que ele não pergunte.
Busquei o carro, que por sorte estava intacto, e me dirigi pro hospital.
Assim que cheguei fui logo pro quarto do Andrey e avisto Irina conversando com ele, que apesar de estar fraco ainda conseguia murmurar.
─Hyoga. – ele diz com uma voz muito fraca quando me vê.
─Filho, que bom que está de volta. – Irina diz sorrindo.
─Que bom que já saiu da UTI, Andrey. – digo sorrindo e me aproximando. ─Desculpe não estar aqui quando você saiu. – digo arrependido.
Ele faz um sinal que não tem problema.
─Não se preocupe, filho. Fico feliz que você tenha descansado, você precisava, e muito. – Irina comenta.
─Agora já estou bem melhor, e você Irina? Descansou?
─Sim, uma hora depois que acordei trouxeram o Andrey pra cá. – ela diz sorrindo, parecia mais aliviada, eu a compreendo, ter seu marido por perto a tranquilizava.
─E você, como se sente Andrey?
Ele faz outra expressão e um gesto como se estivesse entediado de estar ali. Sorrio.
─E agora Hyoga? O que vai ser feito? – Irina pergunta preocupada.
─Preciso contar uma coisa pra vocês.
Da melhor forma possível eu expliquei a ambos sobre a cirurgia e eles logo ficaram preocupados, tentei explicar a situação, e os procedimentos, e apesar de não compreenderem termos médicos eles pareciam entender os riscos de tudo aquilo, então concordaram em deixar as decisoes em minhas mãos.
Pouco depois que os exames ficaram prontos a reunião começou. Adam e mais dois médicos, mais o diretor do hospital iam decidir como seguiria a cirurgia. Acompanhei tudo.
Em pensar que há uns dois meses atrás eu era chefe de toda aquela equipe de cirurgiões. O diretor só acompanhava pra não ter nenhum dano legal nas decisões.
─O ultimo ataque dele dificultou bastante as coisas, ele está com insuficiência pancreática exócrina, estamos ministrando vitamina E com Ephynal. – Edike comenta.
─Suspenda, Andrey já havia se queixado que a dor torácica estava aumentado bastante, por isso ele tinha simulado tantas vezes a dor do infarto, o refluxo gastroesofágico está afetando, ele tem hérnia de hiato, ministre Creon, ele tem um revestimento de ácido mais resistente. O suco gástrico não pode ir parar dentro dos pulmões, mais essa ele não suportaria. – digo.
─Entendido, mas e quanto à cirurgia? Acredito que a ressecção endoscópica da mucosa é uma boa solução. – Fredek comenta enquanto olhamos pra ultrassonografia do Andrey no painel.
─Ele avançou pro estágio dois desde esse ultimo ataque, não sei se essa medida vai ser suficiente. – Adam comenta.
─Não é um linfoma, senão teríamos visto pela ultrassonografia. – Edike comenta.
─A ultrassonografia é inócua, e não dá os detalhes específicos que queremos, melhor fazermos uma radiografia e uma espectroscopia pra pegar mais detalhes dessa área aqui. – Adam comenta apontando pra alguns pontos na tomografia no painel. ─Acredito que a maior parte dos gânglios linfáticos que estão inchados e inflamados está por aqui.
─Seria melhor uma ressonância magnética. – Edike volta a opinar.
─Independente disso, estão fugindo do foco aqui. – digo impaciente. ─Já sabemos que a doença está localizada na parte superior do estômago, próximo do esôfago. A gastrectomia total é a melhor chance que ele tem.
─Mas Alexei, precisamos dos detalhes da localização desses gânglios, na gastrectomia total, é removido todo o estômago, linfonodos próximos e o omento. – Fredek comenta. ─E pra piorar pode incluir, ainda, a remoção do baço e partes do esôfago, intestino, pâncreas e outros órgãos adjacentes. É melhor fazermos uma ressecção endoscópica.
─Se boa parte dos linfonodos afetados estão na parte superior do estomago então fazer uma cirurgia paliativa só vai aliviar os sintomas, mas não se espera que cure a doença. – digo incomodado, o que esperam? Que Andrey passe o resto da vida nesse dilema? Com dor e sofrimento? Desse jeito é melhor morrer de vez. ─Fora que assim as chances de ele desenvolver a síndrome de dumping são maiores. – digo.
─Por acaso esqueceram-se do ataque cardíaco dele? – Adam volta a falar. ─Ele já está debilitado, é arriscado, as chances dele sobreviver a gastrectomia total são mínimas. – aquilo me deixou angustiado, Adam tinha razão, Andrey não suportaria uma cirurgia desse risco.
─Que tal uma gastrectomia subtotal? –comento. ─Com esse procedimento só iriamos remover apenas uma parte do estômago, ocasionalmente, junto com uma parte do esôfago ou a primeira parte do duodeno. A seção restante do estômago é então religada. O omento é removido, bem como os linfonodos adjacentes, e, possivelmente, o baço e, se for o caso, partes de outros órgãos próximos. Não seria uma total, mas a essa cirurgia ele suportaria melhor.
─Tem razão Alexei, fora que a alimentação se torna mais fácil se apenas uma parte do estômago é removida em vez de todo o órgão. – Edike diz.
─E a quimioirradiação seria mais apropriada e menos agressiva. O importante é que os linfonodos vão ser retirados definitivamente. – Adam conclui.
Tínhamos uma solução, mas a cirurgia para câncer de estômago é delicada, e podem ocorrer complicações, como sangramento cirúrgico, coágulos sanguíneos e danos aos órgãos próximos, durante o procedimento. Raramente, as novas ligações efetuadas entre as extremidades do estômago ou do esôfago e o intestino delgado podem vazar, mas todo cuidado é pouco. Andrey ainda vai ter dias bastante complicados.
─Então Alexei. – o diretor dá a palavra pela primeira vez. ─Você aprova esse procedimento? – normalmente não se permite que os parentes acompanhem esse tipo de reunião, pois ficaram ansiosos e poderiam atrapalhar as decisoes, mas como já fui medico daqui então sou um caso a parte.
─É o jeito, não temos opções melhores. – comento ainda angustiado olhando pras ultrasonografias no painel.
─Tem certeza?
Suspiro e o olho.
─Tenho.
─Entendo. E quem você escolhe pra comandar a cirurgia? – ele pergunta.
─O Adam, obviamente.
─Quê!? – Adam diz surpreso.
Olho confuso pra ele, achei que não havia duvidas quanto aquilo.
─Qual o problema? – pergunto a ele.
─É que... eu... eu não sei se... – ele estava nervoso.
─Alexei já decidiu, mas se tiver algum problema com isso é melhor dizer logo Adam. – o diretor adverte.
Olho pro Adam e ele parece indeciso e angustiado.
─Tudo bem, Isidor. Vamos conversar e depois lhe digo minha decisão. – digo ao diretor.
─Tudo bem então, terminem os exames e me avisem a decisão ainda hoje. – ele diz e se retira.
Fredek e Edike se retiram pra terminar os exames mais específicos.
─Qual o problema Adam? -digo quando já estamos a sós.
Adam sentou-se na cadeira tenso, e evita me olhar nos olhos. Me aproximo dele e me encosto na mesa de frente pra ele.
─É seu sogro Hyoga. – ele diz nervoso.
─Hum?
─Tenho medo de cometer algum erro. – ele confessa com a cabeça baixa.
─Sabemos que os riscos são grandes, Adam, mas sei que você é um ótimo medico, por isso estou colocando em suas mãos, confio em você. – digo tocando seu ombro.
Ele me olha ainda angustiado.
─E se acontecer alguma coisa errada? Se eu errar?... Você iria me odiar. – ele diz baixo e logo desvia do meu olhar.
─Hum? Você... – ah, entendi.
Suspiro e me abaixo pra olha-lo nos olhos já que ele estava evitando isso.
─Acha mesmo que eu faria algo assim? Se acha mesmo então você não me conhece tão bem quanto pensa. – digo.
Ele rapidamente volta a me olhar.
─O que tiver que acontecer vai acontecer, não vai ser culpa sua, Adam. Eu nunca poderia odiá-lo. Você é meu irmão, amo você de coração, e sei que você nunca me faria mal intencionalmente, por isso eu confio tanto em você... está tudo bem, vai dar tudo certo irmão. – digo sorrindo.
Ele me olha e inspira profundamente, já ficando com os olhos marejados me puxou de repente pra um abraço apertado.
─Amo você também Hyoga, realmente considero você como meu irmão, sabe disso não sabe? – ele pergunta enquanto me aperta contra ele.
─Eu sei, obrigado Adam. – digo retribuindo ao abraço, era raro termos momentos assim. Normalmente não sou acostumado com afeto constante, mas ultimamente, desde o Shun voltar a aparecer, eu não me importo mais em retribuir a tudo isso. Especialmente pra alguem tão proximo com o Adam.
Ficamos um tempo assim até eu ouvir um baixo fungar do Adam.
─Ah, para com isso Adam, não precisa de tanto. – digo rindo, normalmente ele não é tão emotivo assim.
─Desculpe, é que... você nunca é assim tão carinhoso, tenho que aproveitar. – ele diz rindo. ─Realmente o Shun está modificando você. – ele diz sorrindo ternamente.
Logo fico sem jeito.
─Isso tá esquisito. – digo enquanto ele ainda me aperta contra ele.
─Um pouco. – ele diz. ─Mas não se preocupe, não vou te beijar, seria como beijar um espelho e eu não sou narcisista. – ele comenta rindo quando nos separamos.
─Você é um imbecil sabia? Deveria haver pesquisas direcionadas a desvendar seu universo egocentrico. – digo sarcastico.
─Não é egocentrismo. Além do mais acho que até tenho mais chances do que a Annia. – ele comenta rindo.
─Ora, cala a boca! – digo, mas acabo rindo junto com ele.
O olho e ele parece bem mais tranquilo.
─Então, você vai aceitar fazer a cirurgia?
Ele inspira profundamente e acena positivamente.
─Tudo por você irmão. – ele diz sorrindo. ─Farei o melhor que eu puder.
─Confio em você. – digo sorrindo.
Adam já ia acabar o expediente dele, então decidimos tomar um café antes de ele ir pra casa.
─Você já está melhor agora? – ele pergunta.
─Sim, a febre baixou totalmente, estou muito melhor agora. – digo sorrindo.
─Isso é otimo, mas não volte a se descuidar novamente. – ele adverte.
─Ok. – digo sorrindo fazendo continência.
─Falei com a Annia. – ele diz depois de um tempo, rapidamente fico sério, depois de ontem ainda estou zangado com ela.
─E então?
─Não sei Hyoga, ela ainda gosta de você, poderia tentar enxergar pelo lado dela. – ele diz empatico.
─Sabe que eu não a amo.
─Não é disso que estou falando, não precisa retribuir aos sentimentos dela, mas ao menos lhe dê uma explicação.
─Onde ela está?
─Pedi a ela pra se afastar por um tempo. – ele diz.
─E ela concordou com isso numa boa? – pergunto desconfiado.
─Claro que não, mas eu a convenci. Certamente ela está ciente que passou dos limites também, então resolveu deixar a poeira baixar.
─Entendo.
─Soube que você encheu a cara ontem. – ele diz aborrecido.
─Só um pouco. – digo desconfiado.
Ele me olha desconfiado também.
─Onde tá meu carro? – droga, ele lembrou.
─Não se preocupe, ele tá intacto. – digo revirado os olhos.
─O que deu em você pra voltar a encher a cara de novo? – ele diz aborrecido, ótimo, já iam começar as broncas.
─Foi um momento de fraqueza, não vai acontecer de novo.
─Sei, acho bom. – ele diz desconfiado. ─Ainda bem que você tem o Shun pra cuidar de você.
─É. – digo sorrindo.
─Então quer dizer que ontem vocês não fizeram nada? — Adam pergunta do nada.
Falto engasgar com o café.
─O-o quê? — digo surpreso. Como ele sabia?
─Ah Hyoga, não se faça de desentendido. Eu sei que aconteceu alguma coisa, só fiquei curioso do porque vocês não seguiram adiante... ou seguiram? — ele pergunta curioso.
Olho pra ele, bom, parece que não adianta fingir que nada aconteceu, se eu não contar logo ele vai ficar o tempo todo me atormentando.
─Tá Adam, nós... nós íamos sim, mas eu... eu não consegui seguir até o fim. — acabo confessando.
─Mas porque não?- ele diz parecendo até decepcionado.
─Bom é que... eu acabei... err.... falhando.
─Puts. Que vacilo Hyoga. E o Shun?
─Ele levou numa boa, o fiz entender.
─Cara você brochou com o Shun. — ele diz balançando a cabeça.
─Também não precisa falar assim né. — digo aborrecido.
─Mas também né Hyoga, eu sabia que isso ia acabar acontecendo, faz tempo que você não...
─Cala boca. -digo logo. ─Aconteceu ora, isso não faz de mim menos homem. — digo indignado.
─Eu não disse isso, só que eu achei que depois de tanto tempo você deveria estar subindo pelas paredes, todo homem é assim, nem sei como você aguentou por tanto tempo. Eu nem aguento mais de uma semana. — ele comenta.
─Eu não sou um tarado pervertido que nem você. — digo indiferente.
─Sim, mas... poxa! Porque você não conseguiu, o que houve?
─Me lembrei da Lilia. — digo sério.
─Ahh, agora tá explicado. E agora?
─Agora o quê?
─O Shun. O que vai fazer com relação a ele?- ele pergunta.
Fico em silencio por uns segundos.
─Vamos tentar. — digo por fim.
Adam me olha muito surpreso pra em seguida abrir um largo sorriso.
─Sério? Vai tentar um relacionamento com o Shun?
─Sim. Ele é importante pra mim... muito importante. — digo sorrindo ao lembrar do Shun.
Adam me olha e sorri.
─Fico feliz por você irmão. — ele diz tocando meu ombro.
─Obrigado Adam. Você é o único que sabe disso até agora. Então quero que guarde segredo, pelo menos até eu achar que é hora de contar à Irina e ao Andrey.
─Não se preocupe com isso, vou ficar quieto. Nem quero imaginar a reação deles. Boa sorte. — ele diz suspirando.
─Obrigado. Vou precisar mesmo.
─Entããoo. — ele volta a falar desconfiado.
Olho indiferente pra ele, com certeza vem coisa aí.
─Quando vão tentar de novo? – ele pergunta.
─Idiota, não fique aí perguntando coisas estranhas. Isso não é da sua conta. – digo mais envergonhado do que aborrecido.
─Ah, diz aí Hyoga. Estou curioso. – ele ainda insiste.
─Nem pensar. Esquece.
─Hunf. Bom, ao menos tenha cuidado.
─Como assim?
─Ah você sabe. Da pra ver que o Shun é frágil, mesmo sendo um homem.
─E o que tem isso?
─Ora, você não faz sexo há algum tempo e...
─Cala boca Adam, não fique falando coisas desnecessárias.
─Só estou dizendo que é melhor você ir com calma quando chegar a hora.
─O que quer dizer?
─É que... o Shun é um homem.
─Isso é obvio.
─Sim, então está claro que sexo com ele não é muito convencional.
─Convencional?
─Você é lerdo heim Hyoga. — ele diz impaciente. ─Você já fez sexo anal? — ele pergunta sem rodeios.
Imediatamente fico sem fala. Porque o Adam tem esse dom de me constranger? Estou com vontade de esgana-lo agora mesmo. Será que ainda é ilegal fazer uma autópsia em uma pessoa viva?
─Ah não faz essa cara, tá parecendo um tomate. — ele diz impaciente. ─E responde logo.
─Err, não... nunca fiz.
─Sério?- ele diz surpreso.
─Bom, só uma vez quando a Lilia estava gravida, mas não foi uma boa ideia, ela sentiu muita dor, então eu desisti.
─Entendo. — ele diz pensativo. ─O Shun é homem, mas ainda acho que vai doer nele também... bom, eu já prestei atenção em você quando vamos ao banheiro, Shun vai sofrer.
─Adam!
─É sério, dependendo do tamanho...
─Adam! Cala boca. Não acredito que você prestou atenção. Todo homem sabe que não se deve sequer olhar pros lados nessas ocasiões.
─Sou curioso ora.
─Fica quieto, não quero ouvir mais nada. — digo irritado por ele sempre ter a proeza de me constranger.
─Tá, tá, mas de qualquer forma tome cuidado, afinal você pode não se importar agora, mas dado seu tempo sem sexo, quando estiver na hora você pode se animar demais e perder o controle e ir rápido demais e pode acabar machucando o Shun.
─Eu nunca machucaria o Shun. — digo indignado.
─Sei que não é sua intensão, mas é uma coisa do corpo Hyoga, você querendo ou não.
Fico pensativo, será que eu perderia o controle assim? Ontem eu estava mesmo ansioso, não me importei em prepara-lo ou algo do tipo, sequer pensei.
─Droga! Coloquei minhocas na sua cabeça né? — ele diz arrependido.
Olho sério pra ele.
─Colocou sim seu idiota.
─Seu idiota ingrato, só te alertei pra você não machucar seu namorado.
─Afff. Cala boca idiota.
─Coitado do Shun, bonitinho, mas parece só um garoto frágil, você vai acabar com ele em uma única noite.
─Você anda reparando demais nele. — digo aborrecido.
─Tá com ciúmes? — ele diz rindo.
─Claro que não, idiota. Eu não sinto ciúmes. — digo indignado cruzando os braços.
─Nunca? — ele diz irônico.
─Nunca. — repito.
─Tem certeza? O Shun é bastante atraente. E todo mundo diz que eu me pareço com você, dependendo da luz ele pode acabar me confundindo com você, daí eu posso fazer o que eu quiser com ele. — ele diz com um sorrisinho safado.
Olho irritado pra ele.
─Você não se atreveria.
─Não espere pra ver. — ele diz em desafio. ─Você tem mesmo bom gosto, e com todo respeito, a Lilia era a maior gostosa.
Ele diz e dou um soco no braço dele.
─Ai Hyoga! — ele resmunga massageando o braço.
─Você merecia, tem sorte de eu não ter usado nem metade da minha força.
─Só tô dizendo que o Shun é mesmo muito bonito, muitos iriam querer ele.
─Shun é meu. — digo o advertindo.
─Se isso não é ciúme então o que é Hyoga? — ele diz rindo.
─Tá bom, tá bom. — digo suspirando.
Ele começa a rir.
─Oh Adam, percebeu o que disse? — digo com um sorriso irônico.
─O que eu disse? — ele diz já parando de rir, sabe que eu tenho um trunfo.
─Que nos parecemos... sabe, a Wendy é muito bonita também.
─Aonde quer chegar? — ele diz desconfiado.
─Os seios dela são tão redondos, dá vontade de apalpar, será que são tão macios quanto aparentam? — digo pensativo.
─Seu imbecil. — ele diz dando um soco no meu braço também.
Só faço rir.
Ele me olha irritado e desconfiado.
─Sempre me pergunto por que você nunca sente dor quando eu bato em você. — ele diz pensativo. ─Bom, deixa pra lá. E para de falar assim da minha mulher. -diz indignado.
─Você que começou. — digo.
─Mas o Shun...
─Sabe Adam, nunca deixei de me interessar por mulheres. — digo com um sorriso irônico antes que ele comece a falar do Shun de novo.
─Tá, tá, já entendi. Vou parar.
─Acho bom.
Ficamos quietos um tempo.
─Hyoga.
─O que é agora? — digo suspirando.
─Você vai me contar todos os detalhes depois né? — ele diz suplicante.
─Afff.
...
Já era noite, arrumei o Miguel e fui pro hospital, queria fazer uma surpresa pro Hyoga, afinal tenho que ter certeza se ele estava se cuidando tanto quanto devia.
Vou até o quarto do sogro do Hyoga e já vejo de relance pela brecha da porta eles conversando, a senhora Irina e o Hyoga. O sogro dele estava acordado, mas quieto, estava abatido, mas mesmo assim ele sorria tranquilamente.
Bato na porta e o Hyoga vem atender.
─Shun? – ele diz surpreso.
─Papa. – Miguel diz já pedindo colo do pai e logo é atendido.
─Oi. – digo sorrindo.
─Entra aqui. – ele diz sorrindo.
─Err... melhor não. – digo sem jeito, aquele era coisa só pra família, eu não tinha o direito de estar ali.
─Vem logo. – ele diz puxando minha mão e logo já estávamos dentro.
─Miguel. – a sogra do Hyoga diz sorridente e o pega do Hyoga. ─Oi filho, que bom que veio. – ela diz pra mim.
─Oi, como estão? – digo sem jeito, mas logo me arrependo, que pergunta idiota pra se fazer.
─Estamos bem. – ela responde. ─Vem, sente-se aqui conosco, mal tivemos tempo pra conversar. – ela diz solicita.
─Bom, é que...
─Senta Shun. – Hyoga pego uma cadeira no canto do quarto e colocou perto da sogra dele pra que eu me sentasse.
─Mas...
O sogro do Hyoga fez um gesto pra que eu me tranquilizasse e sentasse pra conversar com eles. Ele devia estar muito fraco, mal falava.
─Fale um pouco de você Shun. – a sogra do Hyoga pede.
Hyoga sentou-se perto também e ficou me ajudando a progredir com um dialogo.
A sogra do Hyoga fazia perguntas o tempo todo, e pelo que pude notar o Hyoga ainda não tinha comentado nada sobre nós, eu compreendo, não era o melhor momento pra revelações daquele tipo.
Até o sogro do Hyoga, mesmo fraco participava da conversa. Não sei se por causa da sua situação, mas ele parecia mais simpático do que aparentava. Acho que toda aquela cara emburrada era só fachada mesmo.
Continuamos conversando animadamente. Até o senhor Andrey adormecer e a senhora Irina também depois de um tempo.
Quando já eram umas onze horas nós fomos embora. Convenci o Hyoga a me acompanhar, afinal amanhã seria a cirurgia e ele teria que estar bastante desperto e integro.
Conversamos por um tempo sobre a cirurgia.
Olho pro Miguel que já está adormecido na cadeirinha.
─Ele dormiu. – digo e me inclino pra ajeita-lo melhor.
─Já é tarde. – Hyoga comenta.
─Seus sogros são um amor. – comento sorrindo.
─Que bom que acha isso. – ele diz sorrindo.
─O senhor Andrey parecia bastante abatido.
─Não é pra menos... se Deus quiser amanhã vai dar tudo certo. – ele diz apreensivo.
─Vai dar. – digo sorrindo ternamente pra ele.
Percebo que ele fica corado. Tinha algo estranho, desde que cheguei ao hospital percebei que ele estava evitando me olhar nos olhos, e principalmente evitava qualquer contato físico, o que há de errado?
Chegamos em casa e ele levou o Miguel e o colocou pra dormir. Fui tomar um banho enquanto isso.
Quando termino vou até seu quarto e já vejo o Hyoga deitado em sua cama olhando perdido pra aquela foto onde encontrei a carta, que inclusive estava em cima da cômoda, porem ainda estava fechada. Suspiro, ele está tão perdido em pensamentos, não quero incomoda-lo.
Como foi que as coisas foram esfriar tão rápido entre nós? Porque ele está me evitando? Ele estava tão quente mais cedo. De qualquer forma não vou pressiona-lo, não teria a mínima graça se a iniciativa não partisse dele.
Volto pro quarto de hospedes, ele não vai querer nada comigo hoje, obviamente. Passo pelo corredor e a luz daquele quarto está acesa. Entro, tudo é como antes.
Lembranças... Hyoga construiu tudo em sua vida, fez tudo acontecer... sem mim. Tudo que está aqui é fruto de suas lembranças. E eu não estou nelas.
Suspiro triste.
Adentro o quarto e novamente me sinto angustiado. Os pertences dela... Será que ela era tão perfeita assim, que ninguém mais pode substitui-la? Porque é tão difícil ser aceito pelo Hyoga? O que Lilia tinha de tão especial?
Eu o entendo. Ela pode não ter sido a pessoa mais perfeita do mundo, mas foi perfeita pra ele e isso já basta.
Olho em volta e avisto algo bastante familiar em cima de um móvel, coberto por um cobertor branco, vejo um boné verde. Parece com... É o mesmo? Deve ser, afinal tem os mesmos pontos da minha constelação. Como isso é possível?
Fico pensativo com o objeto em mãos e encosto no móvel, porem levo um susto com o ruído que ele produz quando me encostei.
Teclas? Retiro um pouco do cobertor e me surpreendo por descobrir que se tratava de um piano. Qual deles tocava? Lembro-me da esposa do Adam comentando algo sobre isso, ela disse que tentou ensinar violino ao Hyoga, e ele disse que tinha aprendido outro instrumento. Teclado.
Tirei o restante das caixas que tinha em cima dele e o descobri por completo. Era de calda, longo e preto. Acho que era um daqueles bem caros. Gostaria de ouvir o Hyoga tocar.
Puxo um banco que tinha embaixo dele e me sento. Silenciosamente levanto a tampa das teclas. Olho pensativo pro teclado. Tem umas folhas de notas sobre sob ele, não entendo nada de musica, mas aquilo parecia mais um rascunho de notas. Será que é dele?
Algumas folhas caem das minhas mãos e eu descuidadamente acabo encostando em muitas teclas de uma só vez fazendo um barulho alto. Droga! Fico paralisado de repente pensando se o Hyoga teria ouvido. Demorou uns minutos, então eu suspirei aliviado por não ouvir ninguém se aproximando. Ele iria me dar uns cascudos por eu estar xeretando de novo.
...
Estou pensativo olhando pra aquela carta. Devo abrir de uma vez? Será que ela tinha algum segredo?
De súbito ouço um barulho, o piano? Levanto e fico sentado na cama esperando ouvir mais alguma coisa, mas o silencio se prolonga. Não é possível que tenhamos ratos por aqui, nunca tivemos, quem pode estar mexendo nele?
Depois de alguns minutos quieto me levanto e vou verificar. A luz está acesa. É o Shun? O que ele faz ali?
Entro silenciosamente e o vejo de frente pro piano, quieto e pensativo com minhas folhas de notas em mãos.
─Oi. – digo quando me aproximo atrás dele.
─Ai! Pelo amor de Deus, Hyoga! – ele diz alarmado com o susto.
─Que foi? – ele estava tão distraído assim?
─Você tem passos leves demais, sabia? – ele reclama.
Sorrio, ele sempre fica adorável quando está corado assim.
─Gostou da melodia? – pergunto tocando em seu ombro, ele estava tenso.
─Ah, eu não entendo nada de musica. – ele diz sem jeito. ─Err... desculpe, eu não devia estar mexendo por aqui. – ele diz envergonhado.
─Tudo bem. – digo sorrindo.
─Mas é que... eu... é melhor eu sair. – ele diz nervoso e se levantando.
─Qual o problema? – digo confuso, ele age assim às vezes, como se estivesse fazendo algo terrivelmente errado que eu pudesse me zangar, o que ele pensa? Que vou me irritar por qualquer coisa?
─Não é nada Hyoga, é melhor eu ir. – ele diz sem jeito.
Seguro a mão dele antes que saia.
─Você sempre faz isso Shun. – digo sério o olhando. ─Eu não vou ficar zangado por você estar aqui. Aliás, eu quero que esteja, quero que a conheça, em todos os detalhes.
Ele me olha ainda apreensivo.
─Quer me perguntar alguma coisa? Algo que eu já não tenha dito sobre ela? – ele fica tenso me olhando. ─Fale Shun, você se sente intimidado com minhas lembranças da Lilia?
Vejo-o engolir o seco. Estava alarmado, provavelmente fugiria se eu não estivesse segurando sua mão.
─Eu... eu sinto como se tudo nessa casa fosse um santuario dela, e cada lugar que esbarro, cada coisa que toco, é como se eu estivesse cometendo algum sacrilégio. – ele diz baixando o olhar. ─Sinto como se fosse um mero intruso.
Olho surpreso pra ele, então é assim que ele se sente. Nunca quis que a estadia dele aqui fosse uma experiência ruim, na verdade eu sequer procurei garantir que ele estava confortável com essa situação. A presença da Lilia o intimida tanto assim?
─Desculpe. Sou o responsável por isso, nunca perguntei como você se sentia. Provavelmente deve estar sendo difícil. – digo arrependido.
─Como poderia ser culpa sua Hyoga? – ele diz com um sorriso. ─Fui eu que escolhi vir, você nunca me pediu isso. Além de estar passando por tanta coisa, você não podia perder seu tempo se importando se eu estava confortável. – ele diz sorrindo sem jeito.
─Mas eu me importo, se você quiser, se te incomoda tanto, podemos ir pra outro lugar.
─Está tudo bem Hyoga, apesar de tudo isso você ainda me aceitou, o que mais eu poderia querer?... Sabe, a presença da Lilia sempre vai ser um incomodo pra mim, não se trata exatamente do lugar em si. Eu te amo, e ao mesmo tempo sei que você ainda a ama. – ele diz suspirando. ─Mas eu nunca poderia pedir mais do que você é capaz de me dar, por enquanto estou satisfeito com isso. Só por saber que você me aceitou já me deixa extremamente feliz, o que posso fazer é tentar lidar com o resto. – ele diz e aperta a mão que eu o seguro.
─Você é realmente um anjo. – digo sorrindo e me aproximando mais e encostando carinhosamente meu rosto no dele. ─Eu nunca escondi de você o que sinto por ela. Você sabe que eu ainda a amo... mas o tempo passa, e eu sei que vai ser difícil de esquecê-la, mas também sei que vai ser extremamente fácil começar a te amar, Shun. Porque você é tão perfeito quanto ela... O dia que eu disser que te amo, tenha plena certeza, vai ser a mais pura verdade. – digo dando um beijo carinhoso em seu rosto.
Ele me olha com os olhos marejados e sorrindo.
─E eu vou esperar ansiosamente por esse dia. – ele diz e eu encosto meus lábios nos dele e começamos um beijo lendo e cheio de ternura.
Nos separamos e ele abre um largo sorriso, parece que cada mínima iniciativa minha o deixa mais animado. Ele encosta seu corpo no meu e se aninha no meu peito. Às vezes temos a sensação de que estamos no lugar certo, no momento certo. E que nada mais importa, é ali que devemos estar. Era assim que eu me sentia naquele momento, era ali que eu deveria estar, com o Shun.
Fui acariciar seu rosto e só agora percebi que ainda estou com aquela carta e a foto na mão.
.
Sentir o Hyoga tão perto, tão carinhoso, e tão suscetível me animou. Afinal achei mesmo que ele estava me evitando. Mas agora ele voltou a me confirmar tudo que me disse.
Ele me beijou, e pude sentir que ele fazia aquilo de todo coração. No entanto quando ele ia me acariciar percebi que ele estava com aquela carta. Suspiro.
─Vai ler agora? – digo olhando pra carta em sua mão.
─Não sei... – ele diz pensativo me soltando e olhando a carta fixamente junto com a foto.
─Quando tiraram essa foto? – pergunto, sei que aquela foto deve ter tido um significado maior, por isso a relação dela com a carta.
─Foi o dia que a levei pra conhecer o santuario. – ele diz.
─Hum.
─Porque ela escreveu uma carta? O que poderia dizer que já não tenha dito? – ele diz pensativo me olhando.
─Não sei, algum segredo? – opino.
─Imagino isso também, mas tenho medo que seja algo ruim. – ele diz apreensivo.
─O que poderia ser tão ruim? Lilia te amava, certo? Ela não poderia ter nenhum segredo que te prejudicaria, sei que essa carta deve ter só coisas boas. – digo sorrindo.
Ele me olha e suspira.
─Amanhã eu leio. – ele diz guardando a carta no bolso.
─Hyoga, às vezes uma carta é só uma carta, não se deixe abalar por coisas pequenas. – tento persuadi-lo.
─Não é isso Shun. Estou com você agora, e não quero mais me lembrar desse sofrimento, dizer tudo aquilo ontem foi tão desgastante, mas no final eu me senti tão melhor, e sinto que essa carta vai me fazer passar por tudo isso de novo. E eu não quero mais isso, pra mim já chega. Entende? Chega de sofrer. – ele diz suspirando.
─Tudo bem Hyoga, vou te apoiar em tudo que decidir fazer. – digo e ele sorri.
Olho pra ele por um tempo. Está mais suscetível a contato agora? Será que podemos seguir com isso?
Nos beijamos novamente, abro um largo sorriso quando nos separamos.
─Que foi? – ele diz quando percebe meu olhar pra ele.
─Nada não. – digo alegremente encostando a cabeça no peito dele. Era quase surreal estar ali, em pensar que há algumas semanas atrás isso seria quase impossível.
Olho por cima de seu ombro e avisto novamente as folhas de notas em cima do piano.
─Você que compôs? – pergunto apontando pras folhas.
─Foi. – ele diz sorrindo as pegando.
─Ele é muito bonito. – digo enquanto passo as mãos pelo piano.
─Lilia me deu de presente no meu aniversario de vinte e cinco. – ele diz sorrindo enquanto também passa as mãos pelo instrumento.
Será que tudo aqui leva a ela? Ah, que pergunta idiota, deixa pra lá.
─Você não toca mais? – pergunto, afinal aquele piano estava muito bem escondido.
─Não, faz muito tempo. – ele diz pensativo enquanto senta no banco em que eu estava.
Sobrepôs suas mãos nas teclas, mas não as tocou, deixando então suas mãos repousarem no colo e baixou o olhar.
─Ela tocava violino. – ele comenta.
─Hum?
─Está logo ali. – ele diz apontando pra algum lugar do quarto onde só agora eu percebo uma bolsa pra violino.
─Wendy ensinou pra ela... ela era muito boa. – ele diz sorrindo ainda olhando pras teclas. ─Tem que ter mãos leves pra isso, e eu não tenho muito jeito, Wendy tentou me ensinar, mas não adiantava. Lilia disse que eu tinha mãos de boxeador. – ele diz rindo. ─Nem queira ver, é pior do que arranhar um quadro negro com arames.
Sorrio. Ele tem mesmo muitas lembranças.
─Como aprendeu a tocar piano então. – pergunto.
─Foi o Adam que me ensinou. – ele diz sorrindo finalmente me olhando.
─O Adam? – digo surpreso. ─Ele não tem cara de quem toca.
─É, estranho né? – ele diz rindo. ─Ele aprendeu com a mãe dele, e como a Wendy é musica e que inclusive ensinou violino pra Lilia, eles decidiram que eu não podia ficar de fora, então me obrigaram a aprender piano, já que minhas mãos de boxeador arranhavam as cordas do violino. – ele diz rindo. ─De qualquer forma eu me dou bem melhor com o piano do que com o violino, o que é estranho já que também é preciso ter mãos leves.
─E você é bom? – pergunto curioso.
─Não sei... Talvez. – ele diz pensativo.
─E o que o Adam acha?
─Nem me pergunte, ele ficou com raiva por eu ter aprendido tão rápido, já que desde criança ele teve aulas pra poder se aperfeiçoar e eu em apenas dois anos consegui alcançar as notas dele. – ele diz rindo.
─Então você é bom. Gostaria de te ouvir tocar. – digo sorrindo tocando em seu ombro.
Ele fica pensativo.
─Talvez outro dia. – ele diz já se levantando.
─Não. – digo o segurando pelos ombros e o mantendo sentado. ─Eu quero ouvir agora. – o advirto.
─Mas...
─Me mostre. – digo sorrindo.
Ele fica pensativo me olhando. Virou-se pro piano e se acomodou melhor, sorrio.
Passou as mãos por todas as teclas de uma vez, fazendo um sonoro ruído se prolongar, pareceu ter pensado um pouco no que iria tocar, após alguns segundos ele inspirou e posicionou suas mãos sobre as teclas, até delicadamente iniciar uma melodia calma.
Conheço aquela melodia. Ele fechou os olhos e pude ver que ele fazia aquilo com sentimento, enquanto dedilhava as teclas produzindo um som suave a cada toque bem colocado. O modo como guiava a melodia era com maestria, parecia que cada toque humilde era feito de todo coração.
O ritmo continuava a fluir. Deixei-me levar pela calma daquele momento. Esqueço onde estou e isso me acalma. Só existe o Hyoga e eu, e nada mais importa. Sua companhia é calada, mas aconchegante. Respiro livremente e procuro relaxar, assim me sinto mais vivo, o olho e ele ainda está sério de olhos fechados e procuro fechar os meus também.
~~
─Olha Alex. – digo sorridente mostrando um broto de uma flor que eu acabara de encontrar escondido na neve do jardim do orfanato. O cair da neve se prolonga essa tarde, apesar do inverno já estar quase acabando.
Ele estava sentado e encostado no tronco de uma arvore que tinha no jardim do orfanato, olha indiferente e emburrado pro que eu lhe mostrava e vira o rosto de volta pro nada. Eu estava com várias roupas de frio, mas aquele garoto usava roupas simples, como se estivesse no verão. Ele não sente frio?
─Não tá com frio? – pergunto, mas ele continua me ignorando.
Os outros garotos estão brincando na quadra, mesmo com o frio, mas como eles nunca me deixam brincar com eles então decidi fazer companhia pro garoto novo. Mas ele nunca diz nada, nem sei se ele me entende. Está aqui há duas semanas e eu ainda nem sei como é a voz dele.
Suspiro, porque ele nunca quer brincar comigo? Sempre sério, calado, quieto demais. Já tentei de todas as formas me aproximar, ser amigável, já que ele aparentemente ainda não tinha amigos, pois as outras crianças o achavam estranho com esse cabelo de cor diferente então o afastavam. Mas eu gosto, dizem que os anjos são criaturas de cabelos loiros e olhos azuis, brancas como a neve e super carinhosas e protetoras. O problema é que esse garoto não tem nada de carinhoso, estou quase me convencendo que ele não é um anjo.
Já que ele continuava me ignorando me sentei no chão e me encostei-me a arvore junto com ele, observamos em silencio a neve cair.
─Porque você nunca fala? – olho pra ele que continua calado. ─Você ao menos me entende? – permanece em silencio.
─Meu nii-san me mandou parar de falar com você. – comento e estranhamente ele se inclinou levemente, parecia estar prestando atenção agora então isso me deu mais confiança pra continuar falando. ─Ele disse que é melhor deixar você em paz senão alguma hora você vai acabar me batendo. – digo choroso, todo mundo me bate mesmo, acho que tirando o Seiya, o Shiryu, meu nii-san e esse garoto são os únicos que não me fazem mal.
O olho e ele estranhamente baixa o olhar. Mesmo naquela idade eu entendia que ele era triste, muito triste.
─Achei que você era um anjo... me enganei. – digo triste. ─Se você não fala então é melhor eu parar de te encher. Tchau Alex. – digo triste já me levantando.
Fiquei muito surpreso quando ele pegou minha mão de repente. Ele tinha as mãos quentes e fofinhas.
─Shu. – ele disse com uma voz calma e infantil.
─Você falou meu nome Alex? – digo surpreso olhando em seus claros olhos azuis.
Ele acenou positivamente e suspirou baixando o olhar.
─Shu, des-des-cul-pa. – ele disse com a voz arrastada tentando pronunciar a palavra corretamente. Naquele momento percebi que ele realmente não falava minha língua, agora entendo porque ele nunca fala.
─Você me entende? – pergunto voltando a me sentar.
Ele fez um sinal que só entendia mais ou menos.
─Porque está pedindo desculpas? – digo curioso juntando meus joelhos perto do peito.
Ele fez um gesto, mas eu não entendi. Demostrei minha incompreensão, ele suspirou e tentou falar novamente.
─Po-por no falar. – ele tentou arrastar mais palavras e gesticulava o tempo todo, acho que ele quis dizer que estava pedindo desculpas por não falar comigo.
─Não precisa se desculpar, nem tem como né Alex. – digo rindo.
O garoto balança a cabeça negativamente.
─Alexei. – ele me corrige.
─Alexei? – digo tentando entender.
─Mas me... me cha-chame deee Hyoga. – disse novamente com a voz arrastada, realmente estava se esforçando pra se fazer entender, gesticulava o tempo todo.
─Hyoga. – repeti sorrindo. ─Podemos ser amigos? – pergunto sorridente.
Ele me olhou por um tempo bastante prolongado. E do nada sorriu também, mesmo que fosse uma mínima curvatura em seus lábios, acho que é a primeira vez que vejo um sorriso em seu rosto.
─Si. – ele diz.
O olhei com curiosidade e de repente tive o impulso de puxar uma mexa de cabelo do topo de sua cabeça.
─Ai! – ele resmunga massageando o local dolorido. ─Para. – ele avisa emburrado.
─Ah, não é ouro, só queria confirmar. – digo rindo.
Ele continuava me olhando emburrado. E do nada esboçou um sorriso travesso e puxou uma mexa do meu cabelo também.
─Ai! – resmungo. Fui puxar o cabelo dele de novo, mas ele se afastou de repente e eu cai com a cara na neve.
Ouço-o rir, o olho e finalmente vejo um sorriso aberto em seu rosto, só de vê-lo assim me deixa alegre também.
─Vê se ri disso. – digo formando uma bola de neve e rapidamente atiro nele e o acerto em cheio no rosto. Só faço rir da cara de surpresa dele.
Rapidamente ele tira a neve do rosto e forma outra bola de neve e atira em mim rindo.
Me esquivei e corri pra formar mais uma bola de neve.
Ele correu atrás de mim antes que eu me preparasse e assim começamos uma brincadeira.
Ele ria alegremente, estava se divertindo, assim como eu. Aquilo foi uma completa novidade pra nós dois, era tão bom brincar. Ficamos assim o restante da tarde, atirando bolas de neve um no outro, nos esbarrando, rindo, nos divertindo.
A partir dali nossa amizade cresceu e aos poucos ele ia se soltando, em pouco tempo ele fez amizade com o Shiryu e o Seiya, principalmente porque estava aprendendo mais rápido nosso idioma por passar bem mais tempo comigo. Meu irmão ainda ficava desconfiado, mas não adiantava mais, eu e o Hyoga já éramos inseparáveis.
Aquele foi o inicio.
~~
Conheço o Hyoga desde criança. Na época ele era apenas um garoto solitário e tímido. Olha-lo agora e ver o quanto ele cresceu, o quanto amadureceu me faz pensar no quanto o tempo me modificou também.
Olhando por esse lado, acho que fui o primeiro amigo do Hyoga.
Ele estava sorrindo. No que estaria pensando enquanto toca? Será que pensava nela?
A melodia se prolongava, era calma, e ritmada e principalmente melancólica, era a cara dele. Não consigo me lembrar de onde eu a conheço.
Pouco a pouco me deixei levar pelo toque suave de suas mãos, ele tem talento. Quando ele encerrou a melodia suspirei triste, queria que tivesse durado mais, era muito lindo quando ele se mostrava tão sublime e imaculado. Ele se engana quando me chama de anjo, ele que é o anjo aqui.
─O que achou? – ele pergunta sorrindo.
─Lindo. – digo sorrindo o olhando ternamente.
Nos encaramos com mil palavras nos sondando sem que as pronunciássemos. Sabemos o que queremos mesmo que as palavras não tomem forma. Eu o amo tanto, eu o quero tanto.
─Hyoga, posso te fazer uma pergunta?
─Acabou de fazer. – ele diz.
─Outra então... é verdade que você já não faz há algum tempo? – digo sem rodeios e ele logo percebe do que estou falando e fica corado.
─Foi o Adam que te disse isso? – ele pergunta desconfiado, acho que ele esqueceu que foi ele mesmo que me confirmou isso ontem.
─Não.
─Foi ele sim... vou dar uma surra naquele imbecil. – ele reclama.
─Responde logo Hyoga.
─Er... bom, não é uma coisa que... tá, é verdade sim. – ele ia enrolar, mas acaba confessando de uma vez.
─Ohh. – digo surpreso. ─Posso fazer outra pergunta? – digo.
─Acabou de fazer de novo, e não fique perguntando isso toda hora. – ele diz aborrecido.
─É que é bastante pessoal. – digo e ele pensa um pouco.
─Fala.
─Você casou virgem? – pergunto novamente sem rodeios.
Ele me olhou muito surpreso, isso deve ser um sim.
─Sim. – ele diz vermelho.
─Lilia foi a primeira em tudo pra você? – digo surpreso.
─Foi.
─Nossa!
─Por quê?
─É que isso é bastante raro hoje em dia.
─Digamos que eu sou um tanto antiquado.
─Não tenho duvidas disso. – digo rindo.
Ficamos em silencio.
─Hyoga, hoje mais cedo, você... você estava me evitando, não é?
─Não estava evitando você. – ele protesta rapidamente.
─Claro que estava, sequer me beijou uma única vez desde que você saiu.
─Não é isso, é que...
─Fala Hyoga, isso nunca vai dar certo se você não se abrir comigo. Faça como ontem, você me disse tudo ontem, confiou em mim, porque não podemos continuar assim? – peço suplicante o olhando nos olhos.
─Eu confio em você... o problema é que não confio em mim mesmo. – ele diz baixando o olhar.
─Como assim? – digo confuso.
─É que... eu tenho medo de te machucar. – ele diz corado.
─O quê? De onde você tirou essa ideia?
─Bom é que o Adam me disse que...
─Ahh, o Adam. Tinha que ser mesmo. – digo aborrecido. ─Porque você fica contando esse tipo de coisa pro Adam? – as vezes tenho ciúmes dessa cumplicidade deles.
─Eu não contei, ele simplesmente deduziu. Adam não tem nada de idiota, ele é esperto. – ele diz.
─Mesmo assim, isso não tem nada a ver com ele. – digo irritado, afinal aquilo era pessoal demais.
─Ele só me alertou, e pensando bem, ele tem razão.
─Vai ficar dando atenção a tudo que ele fala? O que ele disse? Pra você não me tocar?
─Claro que não, já falei que ele só me alertou. É que faz algum tempo e... nós somos homens, e você sabe que anatomicamente... vai ser diferente com você e... eu nem sei como fazer... err, bom, talvez não devêssemos ir tão rápido, pelo menos nesse sentido. – ele começa a falar nervoso.
Balaço a cabeça tentando entender aquilo.
─Ir tão rápido? Sabe há quanto tempo eu estou esperando? – digo aborrecido. ─Se está nervoso e inseguro é só me dizer Hyoga, não é algo que se nasce sabendo, podemos ir nos descobrindo juntos. Não precisa se preocupar com isso, ontem você estava tão mais audacioso, tão decidido, e é assim que seguem as coisas, simplesmente acontecem, suavemente.
Ele me olha por um tempo.
─Eu quis te tocar a cada segundo hoje. – ele diz sério.
Olho surpreso pra ele.
─Quando você foi ao hospital eu quis te beijar na mesma hora. Você tem um efeito tão grande sobre mim Shun, não só com relação aos meus sentimentos, mas hoje começou a afetar meu corpo também, desde ontem anseio por você. – ele diz voltando a me beijar. ─Quero te tocar, beijar... te possuir. – começa a acariciar minha cintura. ─Só que eu percebi que se eu fizesse tudo que meu corpo ansiava eu poderia acabar perdendo o controle, e aí sim eu poderia te machucar. – ele diz me olhando.
─Você não vai me machucar. – digo me aproximando dele e o beijando carinhosamente, ele corresponde, mas ainda parecia tenso. ─E mesmo que aconteça, vai ser porque você me deseja tanto quanto eu te desejo. – digo quando nos separamos.
Nos encaramos e voltamos a nos beijar. Nunca me canso de beija-lo.
Ele foi se levantando, mas permanecemos com os lábios unidos. Logo já estávamos nos abraçando em meio ao beijo. Cada vez mais intenso.
Quando dei por mim ele já me empurrava pela porta afora.
Ele me soltou e me puxou direto pro quarto. Quando entramos ele me beijou de novo, mais possessivo, enquanto trancava a porta ao mesmo tempo.
Senti as mãos dele correndo pelo meu corpo, nas minhas costas me pressionando cada vez mais contra ele.
Respirar ficava difícil quando ele insistia num beijo intenso assim. O que ele queria? Eu não sou treinado pra prender a respiração por mais de vinte minutos como ele. Portanto tive que encerrar um beijo pra poder deixar o ar entrar.
Ele me olhou e sorriu sem jeito.
─Desculpe.
─Tudo bem, gosto assim. – digo e dessa vez eu mesmo o puxo pra um beijo e enlaço seu pescoço.
Aproveitei e passei minhas mãos por seu corpo, já que daquela vez ele não deixou. O beijo era intenso e caloroso,
Ele parecia ansioso também. Será que agora sim vamos conseguir? Será que agora ele me quer?
Me soltei de repente de seus braços e ele me olhou confuso. Fui até a cama e me deitei, o olhei cheio de segundas intenções e insinuantemente o chamei.
.
Shun é bem mais do que eu imaginava. Seu corpo quente só me fazia ansiar cada vez mais por ele.
Ele sabia beijar, e como sabia. Tudo nele era inebriante.
De inicio fiquei meio em duvida se aquela era mesmo a hora certa pra prosseguir com isso. Mas depois do beijo que ele iniciou eu não conseguia mais parar. A necessidade do meu corpo pelo dele é maior do que qualquer medo.
E ele ainda me provoca, esse olhar cheio de deleite só me faz ansiar mais ainda por ele.
Eu o quero, e tem que ser agora.
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Hyoga atendeu meu pedido, aproximou-se de mim na cama e deitou sobre mim pra iniciar um novo beijo. Passou a acariciar todo meu corpo. Seu alvo agora era o meu pescoço, que ele passou a beijar de um jeito que eu tenho certeza que deixaria marcas bem visíveis, mas não me importo, era só mais uma prova do que fizemos, de que ele estava prestes a se tornar meu.
Fechei os olhos com força quando de súbito ele tirou minha camiseta e rapidamente partiu os beijos pro meu peito, beijava e sugava meu mamilo com avidez enquanto sua mão acariciava o outro. Senti espasmos percorrerem todo meu corpo com esse toque. Seus lábios quentes e macios queimavam minha pele, e deixavam uma trilha avermelhada por onde ele passava.
As mãos dele agiam o tempo todo, apertava minha cintura, meu abdômen, meu peito. Enquanto mantinha os lábios ocupados em minha pele.
Voltou a beijar minha boca com volúpia, parecia que me beijar era tão importante quanto respirar, pois ele o fazia com tamanha necessidade, como se sua vida dependesse disso.
Fiquei surpreso quando em meio ao beijo ele finalmente encostou todo o corpo no meu, e eu pude senti-lo pressionar o quadril no meu e eu pude sentir sua ereção crescendo abaixo de nós juntamente com a minha. E ele também sentiu, pois pela primeira vez ele ofegou em meio ao beijo que trocávamos.
Aproveitei e comecei a mexeu meu quadril friccionando cada vez mais nosso baixo ventre.
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Realmente Shun estava se entregando, ele não resistia de forma alguma, ele me queria de verdade, por isso procurei me esforçar em tudo que fazia.
Tentei ser controlado, ainda tenho receio de machuca-lo, por isso faço tudo com cuidado e carinho.
Tenho que admitir que a estranheza de que era com um homem ainda me deixava inseguro com o que eu deveria fazer. Por enquanto o principal era a falta de seios, pois eu adorava tocar e beijar os seios macios da Lilia, mas acredito que o homem também deva ser sensível nesse local, então eu tentei. Beijei seus mamilos e confirmei ser uma área sensível de seu corpo, pois vi sua expressão de deleite quando o beijei ali. Então coloquei mais empenho naquela função.
Num movimento quase involuntário do meu corpo eu me deitei sobre ele e acabei pressionando meu quadril no dele e pude me tocar de mais uma estranheza, sentir a ereção de um homem em minhas pernas era uma coisa nova é claro, e apesar de ser bastante fora do comum pra mim, eu senti uma nova onda de prazer. E vi o quando Shun ansiava por mim, mal começamos e ele já estava completamente excitado, e eu também já não estava em melhores condições, por isso arfei involuntariamente.
E ele ainda me avivava cada vez mais essas sensações friccionando mais ainda nossas ereções.
Voltei a beija-lo com mais vontade ainda. Ele enlaçou meu pescoço e me puxou mais ainda pra ele, agarrando minha nuca e afundando os dedos nos meu cabelo.
Num instante começou a forçar a camisa que eu tinha por cima pelos meus ombros.
─Tira isso. – ele resmunga.
Dou um sorriso e volto a beija-lo enquanto tiro aquela camisa e ele já vai levantando a que eu tenho por baixo.
─Calma. – digo rindo e prendendo seus pulsos acima de sua cabeça.
Ele resmunga mais ainda, tenta se soltar, mas não deixo.
─Anda, quero te ver. – ele diz ansioso.
Dou um sorriso mais sacana ainda, quero tortura-lo, quero que ele anseie cada vez mais por mim, quero vê-lo no limite.
Volto a beijar seu pescoço enquanto ainda o imobilizo, quanto mais ele se mexe, mais tensa fica nossa situação em baixo.
Vou descendo os beijos pelo seu peito, seu abdômen, e ele vai ficando cada vez mais tremulo e ansioso. Ele fecha os olhos e inspira fortemente a cada beijo quente que dou em sua pele, e como era bom beijar aquela pele quente e rosada.
Seu corpo perfeito, o rosto afogueado e seus gemidos só me deixavam cada vez mais excitado, mas tento manter o controle.
Nunca me permiti ser agressivo com Lilia, nem um pouco exaltado nem apressado. Ela era fragil, por isso eu tinha todo cuidado possivel com ela, muitas vezes reprimindo meu impulso de ser mais intenso. Enxergo o Shun tão sublime e fragil quanto ela. Quanto mais sensivel, mais rapido e facil ele ficava enlouquecido por mim. Talvez eu esteja mesmo o torturando.
Desci os beijos pelo seu abdomem e parei no cós da calça. Ele respirava com dificuldade e me olhou com os olhos enevoados, quem diria, mal comecei e ele já está nessas condições.
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Não havia duvidas que o Hyoga gostava de dominar.
Tudo tinha que ser no tempo dele, sequer me deixou tirar sua camisa. E ele ainda exibia aquele sorriso sacana só pra me atiçar.
O olhei quando ele chegou à minha calça, ele parou e me olhou com um sorriso mais tentador ainda.
Vagarosamente ele desfez o laço do fio que segurava minha calça, ficava atento a cada reação minha. Depois foi passando as mãos pela minha cintura e descendo minha calça bem devagar, minha respiração ficava cada vez mais rapida.
Não tinha como disfarçar o quanto eu estava excitado, pois ele vislumbrou atentamente o volume que fazia na minha cueca quando retirou minha calça por completo e a jogou pra qualquer canto do quarto.
Não sei por que, mas vê-lo com os olhos presos no meu corpo me deu uma subita vergonha que me fez encolher as pernas involuntariamente.
Ele me olhou e riu.
─Que foi? Você já me viu, é a minha vez. – disse com um sorriso safado e insinuantemente passou as mãos pelas minhas coxas me fazendo voltar a abrir as pernas, sentir a mão quente dele na minha pele me fazia estremecer cada vez mais, então eu sequer impuz resistencia quando ele afastou minhas pernas pra me olhar.
─Jura? – ele disse rindo quando notou a estampa da minha cueca cheia de desenhos de patinhos.
─Ah, cala boca! – resmunguei e ele só riu.
Voltou a me beijar com intensidade e tocou minha ereção em meio ao beijo. Isso me fez inspirar mais forte ainda.
Suas mãos tateavam minhas coxas e minha ereção ainda por baixo da cueca com leveza, só pra me torturar.
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Dar prazer a ele era minha maior prioridade agora. Ver a expressão de puro deleite que ele fazia quando eu o tocava me instigava ainda mais pra possui-lo.
Ele era apressado, e como. Tentava me forçar a aperta-lo com mais força, mas quem disse que ele estava em condições de escolher. Já disse que quero vê-lo no limite e é isso que vou continuar fazendo.
─Vai rápido. – ele resmunga.
Só faço rir daquela ugencia dele e volto a beija-lo, só que de um jeito diferente, apenas escorregando minha lingua pelos seus labios, pelo queixo e pescoço. Ele inspira com mais força ainda.
─Hyoga... por favor. – ele pede. Volto a olha-lo e não consigo resistir àqueles lindos olhos verdes. Cara, nunca pensei que desejaria tanto o Shun.
Tá certo. Chega de tortura-lo.
Bejei-o com vontade e em seguida encerrei o beijo de repente pra livra-lo de sua ultima vestimenta.
Seu membro despontou na mesma hora, estava completamente excitado. Olhei-o por completo. Os labios entreabertos e avermelhados, o rosto corado com os cabelos bagunçados no travesseiro, e as várias partes avermelhadas que beijei. E agora seu pênis completamte duro, pulsando e pedindo por alivio. Estava encolhido abaixo de mim e respirava com dificuldade.
Shun é lindo.
Ele me percebe sorrindo enquanto o olho por tempo prolongado demais.
─Que foi? – ele pergunta preocupado.
─Te adoro, sabia? – digo sorrindo.
Ele me olhou confuso pendendo um pouco a cabeça de lado. Achei adoravel.
Sorrio e o beijo com vontade. Quando me separo rapidamente retiro minhas camisas, realmente estão incomodando com elas agora. Ele me olha em expectativa, vejo seus olhos correrem pelo meu corpo. Quando ele aproxima a mão de mim de novo eu o empurro de volta pra cama e o imobilizo novamente. Ele resmunga mais ainda, confesso que é até divertido deixa-lo irritado.
O beijo e o toque de nossas peles me dá uma nova sensação, nossos corpos estão quentes. De subito seguro sua ereção de uma unica vez e aperto.
Ele mesmo encerra o beijo pra poder respirar com força. Ele é médio, mas enche minha mão, então eu aperto com força enquanto vou movimentando.
Puxo seu quadril pra cima das minhas pernas, deixando-o um pouco erguido pra mim, ele estava totalmente a minha mercê enquanto ainda o manipulo. Ao menos isso sei fazer, sou homem ora, faço isso o tempo todo comigo. Mas não vou chupa-lo, nem sei como.
Mas ele parece estar gostando bastante de como estou fazendo, já que mal conseguia respirar. Ele fechou os olhos e apertava os lençois com força, era obvio que estava aproveitando a sensação. Algumas gotas de semen já saiam da glande.
Acaricio todo seu corpo enquanto mantenho minha mão ocupada em seu falo, acaricio suas coxas e por dentro delas, indo de encontro aos seus testiculos. Ele gemia cada vez mais alto.
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Hyoga nunca faz o que eu peço. Está me torturando com essa lentidão. Parece que ele estava adorando me torturar.
Então pedi com jeitinho, vai que ele amolece e atende o meu pedido. E deu certo, já que ele finalmente me tirou da minha ultima peça de roupa, mas ele me olhou estranho, um olhar cheio de ternura enquanto observava meu corpo totalmente exposto pra ele.
─Te adoro, sabia? – ele diz sorrindo.
Porque ele estava dizendo isso agora? Parecia estar me admirando, como se analisasse uma obra de arte, tá bom, acho que meu ego subiu demais.
Me beijou com vontade e em seguida tirou sua camisa, até que enfim, quero vê-lo, quero toca-lo, mas quando estou prestes a fazer isso ele volta a me imobilizar. Saco! Porque ele não me deixa toca-lo? Ele me olha com um sorriso divertido. Que bom, ao menos eu o divirto.
Ele é mais forte que eu então só me resta resmungar. Quando ele me beija de novo, nossos dorsos se tocam sem mais nenhuma peça de roupa pra impedir, e como era bom sentir a pele quente dele tocando a minha. De subito ele aperta minha ereção, ele estava enrolando tanto que eu nem esperava por isso, então inspirei com força pela surpresa e pelo grande prazer de sentir as mãos dele me tocando um lugar tão sensivel.
Começa a me masturbar com força e rapidez, céus, se continuar assim eu vou gozar muito rápido, era prazeroso demais.
Ele me puxa pra cima de suas coxas, me expondo pra ele. Queria que ele usasse aquela linda boca pequena e me chupasse com vontade, mas não me surpreendo que ele não vá fazer isso, nem deve saber como. Talvez eu o ensine da proxima vez. Quem diria, já estou pensando na proxima vez.
Era prazeroso demais, estou quase no limite, ele acaricia meu corpo, meu peito, minhas coxas, tudo. Estou quase lá, fecho os olhos, pois não consigo nem mante-los abertos.
Acho que meus gemidos podem ser ouvidos em toda vizinhança. Não aguendo mais. Gozo de uma vez em suas mãos. O alivio percorre todo o meu corpo, até eu sentir a dormencia se apossando de mim quando ele me beija com carinho. Seus labios quentes são a unica coisa que sinto.
Ele mal esperou que eu me recuperasse do orgasmo e já ia novamente descedo os beijos pelo meu pescoço, beijava cada pedaço do meu corpo com vontade, nada disso rapaz, é a minha vez. Quando recupero minhas forças eu o empurro de uma vez de cima de mim e inverto nossas posições.
Ele ofega e me olha muito surpreso.
─Mas que... – tenta falar, mas imediatamente eu o calo com um beijo urgente.
Ele corresponde, mas tenta se levantar enquanto isso, empurrando meu ombro. É claro que não vou deixar, então abaixo suas mãos e as seguro com o apoio dos meus joelhos, sentando de uma vez em seu quadril e sentindo sua ereção.
Ele respira com mais força ainda, só olho satisfeito pra expressão de surpresa dele. Nada disso queridinho, eu também mando aqui.
─Vai provar do proprio remedio agora. – digo insinuante e passo a lingua vagarosamente por seu pescoço.
─Não se atreva. – ele resmunga tentando se mexer, mas estando por baixo ele tem menos força, ainda mais com meu peso todo sobre ele.
─Não me atrever a quê? – o provoco mordiscando sua orelha passando os dedos por sua nuca. Ele ofega mais forte ainda. Quem diria, ele é sensivel em todo lugar.
─Você sabe. – ele resmunga. Mas que coisa, ele quer sempre ficar no controle.
Ele continua se remexendo abaixo de mim.
─Confie em mim, Hyoga. – digo com um sorriso insinuante.
Ele me olha confuso se deve fazer o que eu digo, será que é tão dificil assim confiar em mim?
─Por favor. – digo com o olhar de cachorro que caiu do caminhão da mudança.
Ele me olha nos olhos bem sério e finalmente para de se mexer. Será que escolheu confiar? Então melhor aproveitar.
O beijo com volupia e ele corresponde sem cerimonia. Está deixando que eu faça o que quero. Isso é mais que estimulante, é libertador. Solto suas mãos e ele não tenta escapar então coloco mais empenho ainda na tarefa de lhe dar prazer.
Vou descendo os beijos, marcando sua pele branca. Deixando tudo bem visivel.
Seus gemidos eram baixos e controlados, mas não quero assim, quero que ele perca o controle, quero que se entregue por completo.
Ele começa a acariciar minhas coxas enquanto parto os beijos pro seu peito. Começo a sugar seus mamilos, ele inspira com mais força, acho que ele nunca foi tocado aqui. É bom saber que estou dando novos pontos de prazer que ele desconhecia em seu proprio corpo.
Sento mais embaixo no seu quadril e sinto cada vez mais dura sua ereção.
Vou descendo os beijos pelo seu abdomen enquanto passo as mãos por todo seu corpo, pelo peito, pelos musculos do braço, pelo abdomem perfeito. Não consigo me segurar, ele é gostoso demais. Dou pequenos arranhoes em sua pele, quero marca-lo.
Chego à calça e ele se ergue nos cotovelos pra me olhar.
─Rápido. – ele ordena respirando com dificuldade.
Nada disso, ele não tem autoridade nenhuma agora, me torturou e agora é a minha vez.
Aceno negando e sorrio insinuante enquanto desato o cinto bem devagar.
Insinuantemente passo a língua por seu abdômen, ele ofega. Vou descendo sua calça bem devagar, e ele já auxilia levantando um pouco o quadril.
Sua ereção estava bem visível e apertada na boxer. Aperto ainda por cima da boxer e ele respira com mais dificuldade ainda.
Brinco com o elastico um pouco enquanto olho insinuante pra ele que já estava irritado com a demora.
Vou descendo bem devagar e aos poucos revelando seu membro pulsante. Estava completamente excitado, e com certeza doendo bastante e pedindo por alivio.
Apoiei-me em suas coxas e beijei a ponta com delicadeza, finalmente ouço um baixo gemido dele. Parecia fazer todo possivel pra se manter controlado.
Fui alternando os beijos em sua virilha com os poucos fios dourados. Olhei pra ele que observava cada gesto meu. Tava na cara que ele tava gostando, acho que não vou tortura-lo como planejei, ele estava tentador demais, apaixonante demais. O peito se mexendo rápido com a respiração totalmente desregular, os olhos azuis brilhando com a luz fraca do abajur, a pele toda avermelhada e esse lindo dourado de seus cabelos. Como não se apaixonar por ele?
Fechei os olhos e segurei seu membro com força pra em seguida abocanhar a glande e sugar com vontade. Dessa vez ele gemeu um pouco mais alto. Ele era grande e não cabia todo. Me empeinhei mais, ter seu membro pulsante e quente dentro da minha boca só me excitava cada vez mais, então não demorou muito pra que eu também voltasse a ficar completamente excitado.
Abri os olhos e vi que ele também tinha fechado os dele, completamente imerso naquela sensação de prazer. Jogou a cabeça pra trás me dando uma boa mostra do seu pescoço avermelhado que eu já muito tinha marcado.
Mal conseguia respirar, enquanto eu sugava com mais força ainda, acariciava seus testiculos redondos, apertava, sugava, fazia tudo que tinha direito. Quando ele finalmente decide me encarar já estava quase no limite, com os olhos enevoados de tanto prazer, e nos encaramos até ele finalmente chegar ao apice e gozar de uma vez com um gemido mais alto. O gosto dele... é o gosto dele.
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Não havia como disfarçar, meu corpo estava mesmo completamente sensivel a tudo. Não sei como ele conseguia acertar em cheio todos meus pontos sensiveis. Não é pra menos, já fazia tanto tempo que ninguem me tocava assim.
De inicio fiquei em duvida se deixarei ele me manipular, nunca antes permiti isso na cama. Era sempre eu quem dominava, quem ficava no controle. Dar prazer a Liilia sempre foi uma prioridade, e mesmo quando ela ficava por cima era eu quem controlava o ritmo. Acho que eu sempre tive uma preocupação maior de não machuca-la.
Não sei o que aconteceu pro Shun conseguir me convercer daquele jeito, foi diferente, senti que podia deixa-lo fazer o que bem entendesse. Talvez eu tenha subestimado seu poder de persuasão.
E até achei que ele me torturaria mais só pra dar o troco. Apesar de ele ter me provocado bastante antes disso. E quando ele começou, céus, foi maravilhoso, ter todo meu penis dentro daquela cavidade umida era gostoso demais, mal conseguia respirar.
Normalmente eu não sou de falar muito, muito menos na cama. Acho que até pra gemer eu sou reservado, mesmo que involuntario, meus gemidos eram baixos.
O olhei pra apreciar aquela imagem na minha frente, ele me encarava também. Olha só onde estamos, quem diria que isso iria mesmo acontecer. Parece que Shun tinha prazer só por me ter na sua boca, notei que ele já estava excitado de novo.
Após algum tempo, nem sei quanto, eu não aguentei mais e gozei. Gozei como um cara que não faz sexo há um ano deve gozar. Com vigor. Aquela sensação de estar fazendo algo totalmente exaustivo se apossou de mim, e de fato era, um esforço que a muito eu não fazia. A dormencia foi tomando conta de todo meu corpo e eu me sentia com um alivio que nem sei descrever, só sei que era deveras bom, muito bom.
Ele se aproximou pra me beijar eu o puxei de uma vez afundando meus dedos naqueles cabelos castanhos e o beijei com toda vontade que eu tinha. Era um gosto diferente, é estranho sentir meu proprio gosto na boca dele.
Ele deitou-se sobre mim e eu o puxei segurando aquela cintura perfeita, imprenssando seu menbro entre nossos corpos. Acariciei suas costas, as nadegas enquando ele colocou suas proprias mãos abaixo da minha cabeça pra me beijar com vontade também.
O corpo quente dele sobre o meu me trouxe uma familiaridade que eu sentia falta. Céus, senti tanta falta de ter um corpo quente sobre o meu, me beijando sem pudor, e com todo aquele carinho. Cada toque, cada beijo, cada tremor do corpo dele me provava cada vez mais o quanto ele me queria... e nunca imaginei que diria isso, mas eu o quero na mesma proporção, quero possui-lo.
Aos poucos fui virando nossos corpos de lado e num intante ele já estava abaixo de mim de novo, mesmo ainda abraçado no meu pescoço.
Eu já estava ficando excitado novamente.
Comecei a acariciar seu corpo, distribuindo beijos ousados pelo seu pescoço. Desci minha mão e apertei seu membro novamente fazendo o faltar com a respiração de novo.
Como eu deveria seguir agora? Fiquei olhando pra seu corpo sensivel, imaginando ou tentando imaginar como eu deveria prepara-lo pra me receber. Logo me veio a lembrança dos conselhos que certa vez o Millo me deu. Ele me disse que eu deveria tomar cuidado, senão o Shun poderia sentir muita dor, eu tinha que prepara-lo. Droga! E não é que eu estou precisando mesmo saber. Aquele imbecil! Estou com vontade de dar uma porradas nele só por ele ter razão... nele e no Adam, pois agora eu lembrei do que ele disse também. Saco!
─Hyoga. – Shun me chama com a voz baixa.
O olho e ele parece perceber minha duvida enquanto eu observava seu corpo.
─Shun eu... – o que eu podia dizer? Estava em duvida.
─Assim... – ele diz com uma voz carregada de malicia e pegou minha mão que estava apoiada na cintura dele e sugou dois dedos com completo deleite, fechando os olhos e os enfiando no fundo da boca e os deixando molhados. Se eu não tivesse acabado de gozar, aquela imagem me faria chegar ao apice de novo. Como ele era sexy.
Ele abriu os olhos e retirou meus dedos pra depois direcionar à sua entrada. Sou tão idiota, só agora entendi o que ele quis fazer. Talvez porque a imagem tentadora dele sugando meus dedos tenha me deixado idiota por alguns segundos.
Tenho que prepara-lo com cuidado, não só porque ele é frágil, mas também porque ele é especial, ele é importante demais pra que eu sequer pense na possibilidade de fazê-lo sentir qualquer tipo de dor.
Assim como ele indicou eu fiz. O olhei e ele acenou confirmando, então adentrei dois dedos pra prepara-lo. Ele era apertado, e como. Ele apertou os olhos, estava doendo?
─Quer que eu pare? – perguntei alarmado. Talvez não fosse uma boa ideia, se já com dois dedos está doendo, imagine quando for eu.
Ele acenou negativamente enquanto ainda abraçava meu pescoço, buscando apoio.
─Tá tudo bem, pode continuar... – ele disse suspirando e abriu um pouco mais as pernas.
Comecei a alongar meus dedos, abrindo mais espaço. Ele gemeu, dei um beijo em seus lábios para distrai-lo da dor e ele logo correspondeu.
Repeti várias vezes o movimento de vai e vem com meus dedos pra acostuma-lo, e aos poucos ele foi relaxando e se abrindo.
Em algum momento eu toquei em um ponto muito sensível dele, pois ele gemeu longamente quando eu acertei. Comecei a repetir o gesto várias vezes e ele gemia cada vez mais alto, e embora corrêssemos o risco de fazer o Miguel acordar com o barulho, estava prazeroso demais, estou ficando cada vez mais excitado só ouvir os gemidos dele.
Acrescentei mais um dedo e ele novamente fez uma expressão de dor, mas logo se acostumou.
Estava com os olhos fechados, aproveitando a sensação. Ofegava, gemia, me apertava mais ainda contra ele. Tenho que admitir que era ótimo saber que sou o único que em tanto tempo lhe faz uma carícia tão intima.
Ele abriu os olhos e me puxou pra um beijo, aqueles labios incrivelmente carnudos absorvendo os meus, mais finos, seus dentes me mordendo, a lingua explorando. Meus dedos se agitam entre suas coxas molhadas. Me perco na sua carne, o seu cheiro, no seu gosto.
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Hyoga fazia tudo com todo cuidado possível, quis mostrar segurança, tentar dizer que ele não me machucaria, mas eu mesmo já estava inseguro, fazia tanto tempo pra mim também, e é claro que eu devo estar bastante apertado, principalmente pra ele.
Há alguns instantes eu mal pude aguentar em vê-lo tão entregue, ele me deixou toca-lo como eu bem entendesse, confiou em mim, então eu dei o meu melhor.
Eu o beijei, com fulgor, era maravilhoso sugar aqueles lábios doces.
Quando encerramos o beijo ele me deitou com cuidado e ficou sobre mim. Pude ver toda a duvida em seus olhos enquanto ele olhava pro meu corpo.
Sorri e me sentei de frente pra ele, agarrei sei membro e o suguei novamente. Em toda a extensão, o máximo que eu pude, e o deixei bem molhado. Ele agarrava meus cabelos, me incentivando a continuar, mas eu parei, agora vinha a parte difícil.
Novamente me deitei a ele puxou meu quadril pra cima dele.
─Posso? – ele pergunta. Parecia tentar manter o controle, ele estava ansioso, tanto quanto eu.
─Sempre. – digo insinuante.
Ele sorriu também, um sorriso cheio de malicia. Segurou seu próprio membro e iniciou um vai e vem pra deixa-lo mais duro ainda. Em seguida posicionou na minha entrada, me abri mais ainda pra ele. Me expondo, estava totalmente a sua mercê.
Ele ficou uns três segundos parado até iniciar um beijo de repente e começar a me penetrar lentamente.
Não vou mentir. Estava doendo muito, ele era grande e eu estava apertado, estava entrando a um grande custo. Ele encerrou o beijo ofegante, é claro que ele tentava manter o controle e não enterrar de vez dentro de mim, com a força e a necessidade que seu corpo exigia.
E eu mal conseguia respirar, a dor não me permitia. Fechei os olhos com força e deixando as lagrimas involuntárias caírem, ele logo parou.
─Quer que eu pare? – ele perguntou ofegante também.
─Não se atreva, continua, eu aguento. – digo segurando seu quadril pra que ele não mudasse de ideia e tirasse.
Ele estava apreensivo e preocupado. Deve estar mesmo, minha dor não era pequena e provavelmente a minha expressão não negava isso.
─Por favor. – pedi o olhando nos olhos. Isso é só no começo, sei que vai melhorar, apesar dessa parte inicial ser terrivelmente difícil.
Ele suspirou e continuou entrando devagar, acho que já estava na metade. Apertei os lençóis com força até que ele enfim entrou de vez. Encaixou.
Ele respirava com dificuldade junto comigo, devo estar esmagando seu membro dentro de mim.
A dor vai esvaindo aos poucos e após quase um minuto ela finalmente desaparece. Ele continuava parado esperando que eu desse algum sinal de vida. Então de repente eu puxei seu quadril e ele logo entendeu.
Saiu um pouco e voltou a entrar. Minha entrada ia dando mais espaço a ele aos poucos.
E ele repetiu os gestos algumas vezes até em poucos segundos entrarmos num sincronismo. Ele foi aumentando a velocidade e a dor simplesmente desapareceu dando lugar a um prazer incrível a avassalador.
Começou a tirar quase tudo e se enterrar em mim de uma única vez acertando aquele ponto que me fazia ver estrelas. Ele percebeu minha expressão quando gemi longamente e começou a acertar o mesmo ponto várias vezes.
O puxei pra um novo beijo, embora estivesse difícil respirar e beijar naquele momento. Mantive sua boca aberta e pregada a minha, continuamente adentrando minha língua enquanto gemíamos ao ritmo do balanço dos nossos corpos. Era prazeroso demais.
Quando ele saiu de uma única vez e entrou com força eu mordi seu lábio inferior com força, ele gemeu baixo, senti um pouco o gosto do sangue que eu logo removi com a língua e comecei a suga-lo de novo enquanto agarrava e puxava seu cabelo e seu ombro, com força. Estava descontrolado.
Agarrei suas costas e ele abraçava meu corpo que balançava conforme os movimentos dele.
Ele saiu de repente e me virou contra o colchão. Fiquei surpreso com a mudança de posições. Ele ergueu meu quadril e eu empinei mais ainda pra ele. Senti um arrepio me percorrer por inteiro quando ele passou um dedo desde a minha nuca até o encontro das minhas nádegas e as apertou. Ofeguei mais ainda quando ele começou a me penetrar naquela posição. Estou totalmente exposto pra ele.
Ele entrou devagar e começou um novo frenesi de movimentos. Apertava meu quadril, beijava minhas costas, meus ombros. Explorava toda a sensibilidade do meus pescoço, da minha nuca, sem nunca parar os movimentos de vai e vem.
Teve uma hora que ele abriu mais as minhas pernas e entrou de uma única vez, dessa vez sequer doeu, mas sim senti uma onda de prazer percorrer todo meu interior quando ele acertou em cheio aquele ponto especial. Agarrou meu pênis e começou a me masturbar no mesmo ritmo do balanço dos nossos corpos. Era impossível respirar nessa situação, apertei o lençol com força enquanto ele me mantinha a sua mercê.
Estou quase gozando de novo, mas ele percebe e aperta meu membro me impedindo de gozar.
─Hyoga! – resmungo.
─Sshhh. – ele sussurra no meu ouvido ainda me mantendo aprisionado em suas mãos. ─Ainda não. – ele diz com uma voz rouca carregada de luxuria.
Saiu de dentro de mim de novo e novamente me virou pra ele. Nem parecia o cara inseguro de alguns minutos atrás.
Beijou meus lábios com carinho, alternando beijos no meu pescoço, no meu rosto, mas ainda mantendo meu membro aprisionado. Ele encerrou o beijo e me soltou, fazendo algumas gotas saírem pelo meu pênis ereto que pedia desesperadamente por alivio.
Ele sentou-se na minha frente com aquela expressão maliciosa e me chamou.
─Vem. – disse com um lindo sorriso sedutor, se ele não fosse tão lindo eu já teria dado uns tapas nele por estar me torturando tanto.
Fiz o que ele mandou e me sentei em seu colo, fazendo com que cuidadosamente ele se encaixasse em mim de novo, dessa vez foi mais fácil. Entrou por completo e senti todo seu membro dentro de mim. Duro e apertado.
Hyoga abraçou minha cintura e eu abracei seu pescoço. Nos olhamos com toda ternura, e iniciamos um novo beijo lento e sensual.
Ele ergueu um pouco meu quadril me fazendo levantar um pouco do seu membro. Fez isso de novo e de novo, e em poucos segundos eu já estava galopando em total desvario sobre suas coxas suadas. O barulho de carne contra carne, o cheiro de sexo impregnado no ar, o gosto de seus lábios doces nos meus. Seu queixo enrijecido colado no meu pescoço, nossos gemidos mais altos e mais frequentes, meu corpo subindo e descendo desenfreadamente, como se o destino do mundo civilizado dependesse disso.
Era enlouquecedor. Então gozei. Com força, com vontade, com paixão, e com amor, melando nossos abdomens com meu sêmen.
Não demorou muito e ele gozou dentro de mim, senti o liquido quente no meu interior. Ele abraçou minha cintura com força e fomos regularizando a respiração aos poucos.
Quis como nunca gritar meu amor por ele, dizer o quanto ele é importante pra mim, o quanto estou feliz de estar aqui com ele.
Mas infelizmente isso traria uma série de complicações que não quero faze-lo passar agora. Definitivamente é cedo demais pra pedir a ele que me ame.
Ele ainda respirava contra meu pescoço e abraçava minha cintura. Olhei pra seus cabelos abaixo de mim, aquele dourado brilhante, acariciei e os afaguei, sentindo o cheiro que vinha deles.
Após alguns segundos ele me olhou nos olhos e me puxou pra um beijo carinhoso.
Eu o amo, amo, amo tanto. Queria tanto dizer a ele o quanto.
Encerrou o beijo e saiu de dentro de mim e me fazendo sentir o liquido quente escorrendo entre minhas pernas.
Aquilo foi incrível.
Nos deitamos lado a lado e ele alisou com dois dedos as minhas costas suadas, beijando suavemente meu rosto e me fazendo sentir o gostinho de suor em seu pescoço.
─Hyoga... – sussurro timidamente após algum tempo.
─Shun... – ele murmura.
─Nada. – digo após uma pausa, é cedo demais.
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Aquilo tinha sido incrível. Depois que começamos eu não tive mais duvidas, segui meus instintos, meu corpo agia bem como deveria, estou orgulhoso de mim mesmo por não ter perdido o controle, apesar do Shun ter sentido bastante dor no inicio e foi isso que aumentou minha tensão, mas se ele queria então não vou negar a ele.
Ele era tão apertado, senti meu pênis sendo sugado e imprensado por ele quando comecei a penetra-lo.
Tentei ser carinhoso o tempo todo, não quero que seja apenas uma coisa carnal, quero mostrar que ele é especial pra mim, que não estou possuindo seu corpo apenas por prazer, mas sim porque ele é importante pra mim. Quero que ele se sinta especial.
Ainda não sou capaz de dizer que o amo, e senti o quanto ele quis dizer, mas ele me entendia, como sempre. O que é perfeito, porque, na verdade, nada mais cabe dizer.
Sinto o cansaço chegado, a meu corpo vai se tornando dormente. Isso foi tão cansativo, mas a sensação de pós-orgasmo estava tão confortável.
Mas antes, sei que devo dizer alguma coisa ao Shun, sei que ele quer ouvir o que eu ainda não posso expressar, e a ultima coisa que farei é mentir pra ele.
Mas o que eu devo dizer?
Após alguns minutos ele puxa o lençol pra cima de nós e se aconchega no meu peito respirando suavemente.
─Boa noite Hyoga. – ele diz calmamente e não demora muito ele adormece. Deve ter sido cansativo pra ele também.
O odor do pós-sexo, os lençóis bagunçados e o corpo quente abraçado ao meu só me dá a certeza de uma coisa...
Eu nunca traí Lilia, nunca sequer pensei nisso, o que me leva a crer que o fato de ter acabado de transar com o Shun significa que ela se foi de verdade. Eu sabia disso, mas agora meu corpo também sabe, e é como descobrir tudo outra vez.
Sei que vou transar com o Shun de novo, e isso não é nenhum incidente infeliz, eu quis isso, e o fato de querer é apenas mais uma evidencia de uma vida sem Lilia, mais um passo que me distancia dela. E o mesmo acontece com cada dia e cada noite que passa, e até mesmo com esse sono vazio, pós-sexo, que me derruba agora como uma paulada num desenho animado, enxotando da minha cabeça todo e qualquer pensamento coerente.
Eu tinha uma esposa, seu nome era Lilia, agora ela se foi, e eu fiquei. Porque eu quero.
Ela já está no passado.
─Boa noite Shun.
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