Destino

18 Epílogo - parte II


Notas iniciais
Continuando...

Chegamos em casa e como sempre o Hyoga foi colocar o Miguel pra dormir.

─Hoje foi bem divertido. – ele comenta sorrindo enquanto adentra o quarto.

─Foi mesmo. – digo distraído alinhando o terno no guarda-roupa pra não amassar. ─O que você acha de... – ia falar quando ele me puxou repentinamente pela cintura e me deu um beijo repentino.

─Senti sua falta. – ele sussurra no meu ouvido quando nos separamos.

─Eu tam... – ele sequer me deixou falar, me beijou repentinamente de novo.

Seus lábios estavam bem úmidos, um beijo quente, como o que ele me deu hoje mais cedo. Adorei aquilo, ele também estava ansioso.

.

O dia todo e em todo momento eu quis agarra-lo, mas sei me controlar.

E ele estava tão lindo o dia todo.

Quando eu disse meus planos pra ele fiquei muito surpreso com a reação dele, o que ele estava pensando afinal de contas? O que interpretou errado?

Bom, o que importa agora é que ele está feliz, como tem que ser.

Até saímos um pouco, pra variar. Mal saio, no máximo é sempre pro trabalho, é bom descontrair de vez em quando.

E ele não sabe o quanto esperei por aquele lanche, sabe aquelas promessas de recompensa que você faz a si mesmo quando terminasse alguma tarefa? Pois é, além de deixar o Shun feliz eu também pensei em mim ora, e a minha promessa era aquele sanduiche, meu brinde de motivação. Bobagem eu sei, mas esse tipo de vontade realmente desperta motivação.

Em seguida Shun pediu pra irmos comprar o terno que ele usaria no dia do lançamento oficial de seu livro.

Todos que ele experimentou estavam ótimos, ele fica bem em qualquer roupa, mas eu queria irrita-lo um pouco, só pra variar, até porque depois de tanto tempo levando bronca da Lilia quanto às minhas roupas eu aprendi algumas coisas.

Sei de alguns detalhes sobre roupas de excluíam aqueles ternos que o Shun experimentou, mesmo que fossem detalhes imperceptíveis. O ideal seria mesmo um sob medida, e de fato não daria mais tempo, o lançamento já é semana que vem, se eu não ficar pressionando o Shun sobre algumas coisas ele sempre deixa pra ultima hora.

Quando ele finalmente escolheu o terno nós fomos pra casa. Até que enfim, tenho planos pro que vou fazer com ele.

Coloquei o Miguel pra dormir e quando voltei pro quarto ele estava pendurando o terno no guarda-roupa.

─Hoje foi bem divertido. – comento.

─Foi mesmo. – ele diz ainda distraído. ─O que você acha de... – ia falar, mas interrompo com um beijo que quero lhe dar faz tempo.

─Senti sua falta. –sussurro em seu ouvido e o sinto estremecer.

─Eu tam... – novamente o beijo, simplesmente não consigo e nem quero manter meus lábios longe dos dele.

Ele fica sem ar rapidamente, acho que vou treina-lo pra prender a respiração por bastante tempo assim como eu. Beija-lo seria mais interessante desse jeito.

Dou uma pausa pra ele recuperar o folego, ele me olha com aquelas lindas esmeraldas brilhando enquanto regulariza a respiração.

─Tenho um presente pra você. – digo sorrindo.

─Hum? – ele fica confuso enquanto vou até o guarda-roupa e tiro um objeto de uma gaveta, há dias tenho guardado isso e esperado o momento certo pra entregar a ele.

Suspiro e me viro pra ele com o objeto em mãos. Ele me olha curioso pra o que eu segurava e mantinha anônimo.

Pego delicadamente sua mão enquanto mantenho o objeto atrás de mim.

O olho nos olhos e sorrio finalmente colocando a aliança em seu dedo.

No mesmo instante ele parece parar de respirar, me olhando paralisado.

─Hyoga... – ele diz com os olhos marejados.

─Há algum tempo tenho guardado isso. – digo terminando de colocar em seu dedo enquanto acaricio sua mão e a beijo. ─Sei que não é oficial, mas é que... quero sentir-me seguro desse compromisso. Talvez não signifique tanto pra você, mas pra mim é importante. – digo sem jeito.

Mostro minha mão e o faço perceber que também estou com um anel de compromisso idêntico ao que eu lhe dei.

Ele olha pra nossas mãos unidas e fica emocionado, será que subestimei sua reação?

─Significa muito pra mim. – ele diz já com as lagrimas caindo incontrolavelmente.

─Te amo. – ele diz se jogando em meus braços de repente.

─Também te amo.

Nos abraçamos e ficamos unidos nem sei por quanto tempo. Quando ele já estava bem mais calmo voltou a me olhar ternamente.

Seguro seu rosto com as duas mãos e o beijo com mais calma enquanto acaricio sua cintura e insinuantemente começo a levantar sua camiseta. Ele agarra meu pescoço e me prende a ele.

Meus dedos percorrem a extensão da pele quente e macia de suas costas. Sinto-o estremecer cada vez mais em meus braços, ele sempre se entrega completamente.

Sei que sou privilegiado em ser o único que tem o direito de toca-lo desse jeito, o único que tem total acesso a todo aquele corpo.

Shun passa os dedos entre meu cabelo, pela minha nuca. Nos separamos e ele me olha com tanto carinho e paixão que tenho que me conter pra não arranca-lo imediatamente de toda aquela roupa.

Ele desvia o meu olhar e se concentra em outro ponto em meu rosto. Ele sorri enquanto acaricia as pontas do meu cabelo e os afaga com suas mãos pequenas, ele faz isso às vezes, acho que ele tem um certo fetiche pelo meu cabelo, ou talvez pela cor dele. Acho que é por isso que ele não gosta quando eu o corto.

─Concentra. – digo rindo segurando seu queixo e fazendo-o voltar a me olhar nos olhos.

Ele me olha por um breve momento e o desvia pra outro ponto em meu rosto. Minha boca, esse é outro fetiche.

Passa delicadamente os dedos por meus lábios, eu já falei pra ele que esse gesto me faz lembrar a Lilia, mas ele é teimoso e sempre repete.

─É pequena. – ele diz baixinho.

─Concentra. – digo novamente apertando sua cintura.

─Estou concentrado. – ele diz rindo.

─Não parece.

Ele ri e volta a me beijar com mais vontade ainda. Agora sim!

Vou o empurrando pra cama e fico sobre ele.

Minha mão alcança despudoradamente seu mamilo por baixo de sua camiseta, aperto e ele geme alto em meio ao beijo. Tão sensível.

Num rápido movimento eu retiro logo aquela peça e vislumbro seu peito se mexendo rápido com a respiração. Os mamilos turgidos e rosados, toda sua pele pálida e avermelhada ao mesmo tempo.

Me aproximo e inalo o perfume em seu pescoço e ao mesmo tempo sinto sua pele quente. Em seguida começo a distribuir beijos em seu pescoço enquanto ele geme cada vez mais. Ofegante. Impaciente. Luxurioso.

Perco totalmente a concentração quando ouço um barulho inesperado.

Um toque de celular, na verdade é o meu.

─Droga! – reclamo e ouço um suspiro do Shun também.

─Não atende. – ele adverte.

─Não vou. – digo e volto a beija-lo enquanto o aparelho ainda toca no meu bolso.

Sinto a língua dele deslizar entre a minha, mas por mais que isso seja excitante, não consigo prosseguir com aquele barulho me atrapalhando.

Encerro o beijo.

─Desculpe. – digo e ele suspira impaciente quando retiro o celular do bolso e verifico quem é.

Novidade, acho que ele sabe a hora certa de importunar, Adam.

─Hyoga! – ele exclama quando atendo.

─Oi Adam. – digo suspirando.

Shun me olha emburrado, adoro aquele biquinho que ele faz quando está zangado.

─Porque demorou tanto? – Adam reclama.

─Não posso falar agora, liga depois. – digo dando um beijo naquele biquinho adorável que o Shun está fazendo, ele apenas suspira e fica entediado aguardando.

─Mas você me disse pra ligar. – Adam protesta, bom, o que ele disse é verdade, eu fiquei de dizer-lhe se tinha conseguido o cargo no hospital, mas eu falei pra ele ligar cedo e não a essa hora da noite.

─Mas não a essa hora. – reclamo.

Após um tempo entediado o Shun volta a me encarar e abre um sorriso diferente, meio insano. Se aproxima felinamente de mim sentando em meu colo e se agarrando em meu pescoço pra em seguida começar a distribuir beijos quentes pelo meu pescoço. Pervertido!

─Aff. Não entendo o fuso horário. – Adam reclama. ─E então o cargo é seu? – ele pergunta curioso.

Shun continua com as caricias mesmo enquanto converso com o Adam, ele tá me testando.

─Bom... – vou responder. Quando o Shun viu que não conseguiu me abalar ele parte pra outra estratégia, começa a mordiscar minha orelha e lamber entre meu queixo e pescoço. Golpe baixo!

Não consigo conter um gemido, e essa o Adam não deixa escapar.

─Você ge... – ele diz surpreso. ─Tá fazendo o quê Hyoga? – Adam diz num tom desconfiado.

─Nada. – digo rápido e ouço um riso baixo do Shun no meu ouvido. Insano!

─Não acredito! – Adam diz exaltado. ─O Shun tá aí? Estão... Oh céus, vocês não deviam fazer essas coisas enquanto fala comigo, logo uma pessoa ingênua como eu. – ele diz irônico, quem não o conhece até acredita nessa falsa inocência.

─Cala boca! – digo aborrecido. ─Consegui o cargo sim. Depois te conto tudo. Tchau! – digo e desligo rapidamente jogando o celular de lado e encaro o Shun que tá com um sorrisinho de vitória estampado no rosto.

─Engraçadinho. – digo o intimidando com o olhar e ele só ri.

─Falei pra não atender. – ele diz rindo.

─Agora o Adam tá pensando besteira. – resmungo.

─Adam pensa besteira o tempo todo. – ele diz rindo e volta a beijar meu pescoço.

O puxo pra um beijo urgente tirando seu folego como castigo.

Ele abre um largo sorriso, bom, é isso mesmo que ele quer.

Volto a deitar sobre ele e a distribuir beijos em seu peito.

Minhas mãos percorrem toda sua pele, vou descendo pelo seu abdômen e chego ao cós da calça enquanto ele ofega cada vez mais rápido.

Levanto e começo a desatar seu cinto com urgência.

Porem novamente somos interrompidos pelo meu celular. Saco!

Deve ser o Adam de novo só pra encher saco.

Pego o celular perto de nós, mas rapidamente o Shun pegou ele da minha mão.

─O que está...

Ele me ignora, levanta, vai até a janela e a abre. Não! Ele não pretende mesmo fazer o que eu acho que vai fazer, ou pretende?

Ele olha lá fora por um tempo ainda com meu celular na mão. Depois eu só o vi se inclinar um pouco e arremessar algo com força. O que ele fez?

Olho surpreso pra ele.

Ele inspira mais livremente e volta sorrindo pra mim na cama como se nada tivesse acontecido.

─Você... jogou meu celular pela janela. — digo ainda não acreditando.

─Parece. — ele diz sorrindo e subiu novamente em meu colo.

─Meu celular. — digo enquanto ele distribui beijos pelo meu pescoço. ─Shun, e se me ligarem do hospital?

─Sabe muito bem que eles sempre mandam mensagem pro seu pager primeiro. — ele diz ainda com as caricias.

─Mas eu tinha baixado um aplicativo tão bom pra aprender português nele. – resmungo, eu gostava daquele celular ora.

─Cala boca Hyoga. Se aquele celular voltasse a tocar eu ia fazer coisa pior. — ele ameaça e me beija com urgência.

Correspondo ao beijo, mas ainda estou preocupado. Sabia que devia ter desligado o celular.

─Shun e se acertou a cabeça de alguém lá embaixo? – digo encerrando o beijo de repente quando me lembro desse detalhe.

─Ouviríamos o grito. — ele diz sem parecer que se importa enquanto beija meu queixo.

─Mas eu gostava daquele celular. – resmungo, tem muita coisa importante naquele celular. É meu despertador, minha agenda, tinha números importantes, arquivos do hospital, se bem que eu tenho copia de tudo no meu laptop, mas aquela era minha agenda móvel, ora.

─Amanhã eu te dou um novo e melhor do que aquele, um S5. – Shun tenta me tranquilizar enquanto ainda continua com as caricias. Na verdade aquele já era um S5, ele não é muito atento pra tecnologia.

─Mas...

Ele suspira aborrecido e me olha.

─Se falar mais alguma coisa sobre esse celular eu vou te largar aqui e você vai terminar isso aqui sozinho.

Ele diz apertando de repente minha ereção, quase tinha me esquecido dela. Acho que estou bonzinho demais com ele, mas opto por ficar calado.

─Melhor assim. — ele diz com um sorriso sacana e volta a me beijar.

Se ele não estivesse tão tentador essa noite eu já teria mandado ele descer e ir pegar meu celular de volta. Tudo bem, mas isso não vai ficar assim.

Rapidamente o inclino contra o colchão em meio o beijo e o imobilizo.

Ele ofega surpreso e abre um largo sorriso.

Às vezes tenho a impressão que o Shun gosta quando eu sou um tanto bruto com ele. Percebi faz algum tempo que ele é um tanto masoquista.

Inicio um beijo sôfrego e encerro tão bruscamente quanto iniciei.

─Menino mal. Vai ver agora. – digo iniciando uma série de beijos que vão ficar marcados em sua pele por um bom tempo.

Não tem problema, o único que pode ver esse corpo nu sou eu.

Termino de desatar seu cinto e tiro aquela calça juntamente com sua boxer.

─Tá apressado hoje. – ele comenta surpreso e rindo.

─Nem imagina o quanto. – volto a beija-lo e a descer as caricias pelo seu queixo e pescoço.

Ele vai passando as mãos por dentro da minha camisa, alternando entre acariciar meu peito e minhas costas.

─Não entendo porque sou sempre o primeiro a ficar nu. – ele reclama contra meu ouvido enquanto marco seu pescoço.

Não consegui conter o riso. Isso é verdade mesmo.

Ele olha de mim pra minha roupa.

─Tá esperando o que pra tirar isso? – ele resmunga levantando a base da minha camisa.

Olho pra ele e fico rindo daquela cara emburrada.

Começo a desabotoar minha camisa bem devagar sob o olhar ansioso dele.

.

Hyoga é um sádico. Toda vez é assim, ele adora me torturar. Se diverte com minha necessidade de tê-lo rápido.

E esse celular dele ainda enche o saco, sempre nos interrompendo.

Quando achei que enfim o teria ele começa com as torturas de novo, por isso o provoquei mais só pra ver até onde iria a urgência dele em me ter.

Gosto quando ele fica ansioso, gosto quando não protela tanto, isso mostra o quanto ele me quer, o quanto anseia por mim, o quanto me deseja.

Talvez eu seja um tanto masoquista também, mas eu gosto quando ele impõe mais autoridade na cama, afinal ele é terno e carinhoso o tempo todo, ao menos de vez em quando sinto um lado mais autoritário dele, adoro aquele sorriso sacana que ele faz quando me mantem a sua mercê.

Ele me provoca mais ainda desabotoando aquela camisa devagar. Quando finalmente se livra dela tento me aproximar novamente, mas de subido ele me joga de novo na cama e afasta minhas pernas e se coloca entre elas.

Me arrepio por inteiro quando ele ergue minha perna e beija minha coxa. Passa superficialmente a mão sobre minha ereção, apertando de leve e seguindo pra meus testículos e em seguida pra minha entrada, apenas tocando e me fazendo estremecer cada vez mais.

Ele se inclina mais sobre meu baixo ventre beijando meu abdômen e em seguida minha virilha. Suspiro. Lá vai ele, não sei porque ele ainda insiste em tentar, ele sabe que não consegue, que é fisicamente incapaz.

Da primeira vez que ele tentou me chupar não conseguiu colocar nem metade na boca, foi desajeitado, um desastre. Primeiro que a boca dele é pequena, o que seria um ponto positivo se ele soubesse como fazer, e olha que eu não sou tão dotado assim, estou na média, mas mesmo assim ele não consegue. Segundo que ele não sabe nem como começar e terceiro que ele não usa as mãos em conjunto como devia.

─Hyoga. – o chamo pra ele desistir logo.

─Sshhh. – ele ainda resmunga, acho que conseguir já virou um desafio pra ele.

Ele observou minha ereção e inspirou. Agarrou meu pênis com força me fazendo ofegar. Beijou delicadamente a ponta e foi alternando nas laterais. Bom, não está tão ruim.

Vou ficando cada vez mais excitado e isso faz com que meu pênis cresça mais na mão dele, tornando sua tarefa futura cada vez mais difícil. Após algum tempo com beijos quentes ele finalmente decide tentar colocar na boca. Por enquanto só a ponta, suga superficialmente e tira após alguns segundos.

Estava indo bem, será que ele desistiu?

Vi ele me encarar com um sorrisinho sacana e inspirar com força pra em seguida abocanhar minha ereção de novo. Gemi alto. Fiquei surpreso, era a primeira vez que ele me fazia gemer longamente durante essa tarefa.

Ele começa a sugar o quanto podia, ou seja, até um pouco mais da metade, bom, já é um avanço.

Suas mãos tateavam e apertavam tudo. De súbito ele tocou minha entrada e adentrou um dedo enquanto sugava meu falo ao mesmo tempo. Isso é novidade.

Meus gemidos se tornavam cada vez mais altos e constantes, ele estava se saindo muito bem dessa vez. Acrescentou mais um dedo, a essa altura eu já estava bastante úmido.

Ele me encarou por alguns segundos, mas não consegui manter, afundei a cabeça no travesseiro, estava prazeroso demais.

Ele acertava o ponto exato dentro de mim enquanto sugava meu falo ao mesmo tempo. Dessa vez ele realmente conseguiu.

Sugava cada vez mais, apertava minha ereção e me preparava ao mesmo tempo. Ele sequer parava pra respirar e no caso dele acho que nem precisava mesmo.

Quando já estou chegando ao ápice ele parou e me aprisionou pra que eu não gozasse. O que diabos deu nessa cabeça loira e estupida dele?!

─O que tá fazendo? — digo irritado e sem folego.

Ele dá um sorrisinho de deboche que me dá uma vontade imensa de bater nele por causa dessa tortura.

─Vingança. — ele sorri triunfante. Não acredito que ele ainda tá pensando naquele celular.

Levantou-se de repente, mas ainda mantinha meu pênis aprisionado, tá pulsando e doendo, ele vai ver depois!

Não tô acreditando que ele vai me deixar a ver navios.

Com a mão livre ele começou a desatar seu próprio cinto, fiquei surpreso, mas já?

Ele já estava muito excitado. Não consegui tirar os olhos dele. Finalmente me soltou, mas só pra terminar de tirar a calça.

Se inclinou e pegou o lubrificante na mesinha ao lado e começou a passar sobre seu próprio pênis ereto. Ele esta gostoso demais hoje.

Tentei me inclinar pra toca-lo enquanto estava distraído naquela tarefa, mas rapidamente ele me empurrou de volta pra cama.

─Hyoga! — resmungo.

─Ainda não entendeu? Seu castigo vai ser não me tocar. — diz com um sorrisinho.

Excelente momento pra tripudiar heim. Ele sabe que não abro mão de ter o corpo dele em minhas mãos. Até porque ele sairia prejudicado também, mas acho que no momento sua mente perversa só está concentrada em me punir.

─Tá brincando né? — digo surpreso.

─Parece que estou brincando? – ele diz em desafio e ainda com aquele sorriso estampado no rosto.

De repente tocou de leve minha entrada me fazendo estremecer. Pegou seu próprio membro e passou devagar por minha entrada, apenas insinuando me penetrar, ofeguei ansioso, ele passou mais uma vez apenas deslizando, porque a demora? Olhei pra ele e vi que me observava atentamente.

─Você me quer? – sorri insinuante se inclinando sobre mim e escorregando a língua por meus lábios. Ele se transforma na cama, quem o vê tão sério nem imagina o que ele me apronta.

─Vai logo. – ordeno impaciente.

─Pede ‘por favor’. – ele quer me fazer implorar. Não vou!

Neguei veemente, mas isso só o fez rir mais.

De súbito ele agarrou minha cintura e me ergueu me colocando sentado em seu colo. Pensei que já iria me penetrar, mas apenas mantinha seu membro abaixo de mim deslizando entre minhas nádegas apenas pra continuar me torturando.

─Pede. – ele diz beijando meu pescoço e segurando minhas costas.

─Não vou... – ele me cala com um beijo urgente e agarra minha ereção novamente e a aperta.

Após me tirar o folego ele volta a me olhar com aquele sorriso tentador.

─Não vai? – diz sorrindo e apertando cada vez mais meu pênis e manipulando com força.

Está terrível, preciso gozar logo. Meus gemidos já eram altos e descompassados. Estou quase no limite de novo.

Não vou dar esse gostinho de vitória pra ele. A culpa é dele por não ter desligado aquela droga de celular antes, ora.

Passou a beijar meu peito, meus mamilos, enquanto alternava em manipular minha ereção e meu corpo por inteiro.

.

Ele sabe que não vai aguentar por muito tempo, mas mesmo assim continua com teimosia.

Isso é pra ele aprender a não atirar minhas coisas pela janela. Ele pode teimar o quanto quiser, tenho a noite toda pra tortura-lo.

Adoro sentir o cheiro dele, afundo o rosto em seu pescoço enquanto acaricio todo seu corpo.

Shun está incrível hoje, está completamente úmido, já não estou aguentando também.

Ele joga a cabeça pra trás enquanto apoia os braços em meu pescoço. Observo seu pescoço avermelhado o peito agitado respirando com dificuldade, seus cabelos castanhos como mel caindo por seu pescoço e ombros.

Afago seu cabelo e o puxo pela nuca fazendo-o me encarar. Deslizo meus dedos pelos fios castanhos que emolduram sua face e caem um pouco sobre seus olhos verdes que brilham mesmo com a pouca luz, a boca avermelhada com o lábio inferior mais cheio e entreaberto se mexendo e tentando buscar oxigênio. Lindo!

Deslizo meus dedos por sua nuca e o puxo pra mais um beijo, seus lábios doces e cheios me enlouquecem.

Esqueci-me de comentar um detalhe... Eu não só o amo tanto como também já estou perdidamente apaixonado por ele.

Chega de tortura-lo, nem eu mesmo já não aguento mais. Direciono minha atenção pro nosso baixo ventre e vou ergue-lo um pouco pra tirar meu membro de baixo dele quando o ouço murmurar.

─Por favor. – ele pede sussurradamente.

─Hum? – volto a olha-lo e está mais adorável do que nunca.

─Por favor, meu amor. – ele continua sussurrando e toca levemente nossos membros, finalmente pedindo.

Sorrio triunfante. No dia a dia ele é cheio de teimosia com tudo, ao menos na cama eu mando nele.

Deito-o na cama e abro mais suas pernas pra em seguida me posicionar pra penetra-lo.

Ele respira rápido. Volto a beija-lo pra tranquiliza-lo um pouco. Ele sempre fica ansioso nessa parte.

Vagarosamente vou entrando. Ele fecha os olhos com força, está apertado, faz algum tempo que não fazemos isso.

Como eu o prendi por tempo demais ele já tinha algumas gotas de sêmen saindo. Aos poucos vou entrando e sinto ele se contrair cada vez mais, mal respirava.

─Sshh. Pronto. – digo quando enfim estou todo dentro.

Quando finalmente ele abre os olhos pra encarar já se passou vários segundos.

─Inspire e expire. – digo calmamente. Às vezes eu acho que ele se esquece de respirar. ─Desculpe. – digo acariciando seu rosto com expressão de dor. Gostaria que essa parte fosse mais fácil, que ele não sentisse tanta dor, mas é inevitável.

Ele me olha ternamente e me puxa pra um beijo, tocamos nossas línguas e sinto-o apertar os dedos em minhas costas que inclusive já sararam da ultima vez que ele as arranhou, parece que quer me marcar novamente.

Encerramos o beijo e ele suspira mais livremente e acena pra que eu possa enfim me mover.

Aos poucos vou entrando e saindo devagar até que ele se acostume. Ele fecha os olhos e seus dedos apertam firmemente os lençóis enquanto entro e saio de seu corpo com cada vez mais força. Ele está tão molhado, é tão gostoso estar dentro dele.

Ele volta a me olhar e envolve minha cintura com suas pernas, me puxando pra que eu entre cada vez mais fundo, e é isso que faço, acerto em cheio um local que o faz estremecer e se contrair mais ainda.

O suor escorre por seu pescoço, a sensação é tão boa pra ambos que sequer preciso manipula-lo, penetra-lo já é o suficiente, pois ele geme cada vez mais alto.

Ergo suas pernas e o enfio com mais força tirando-lhe o ar. Seu corpo balança em meus braços conforme meus movimentos.

Ele fica surpreso quando ainda dentro eu o viro de lado e apoio sua perna em meu ombro pra continuar a penetra-lo naquela posição, ele é tão leve que fica fácil move-lo sem ter a necessidade de tirar.

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Hyoga está tão decidido hoje. Apesar de ainda manter o cuidado ele me penetra com força e firmeza. Isso. É assim que tem que ser, sem medo, sem enrolação.

Só que ele tem essa mania de mudar de posição de repente, nem me pergunta como eu quero, mas não tem porque, ele me conhece tão bem que já sabe as posições que gosto, assim uma nova sensação sempre se apossa do meu corpo antes que eu me acostume com a posição anterior, e ele sempre muda do nada, acho devíamos fazer alongamentos antes de começarmos.

É tão difícil respirar nesses momentos, às vezes eu até esqueço. Estremeço em seus braços, que me mantem seguro e firme, sinto tanta segurança quando estou com ele, nunca me senti assim com mais ninguém.

Meus gemidos altos se confundem com os dele, perco a noção do tempo e de tudo em volta e nada mais importa, só o que sinto é sua pele, seu cheiro, ouço sua voz rouca contra meu ouvido e seu membro entrando e saindo com força dentro de mim.

Após mais algumas estocadas eu não aguento mais e finalmente gozo, uma energia percorre por inteiro juntamente com um cansaço confortante que adormece meu corpo por completo.

Mais uma estocada forte e ele também goza e eu sinto o liquido quente preso dentro de mim.

Ele me beija carinhosamente, posso sentir o suor em sua pele, o cheiro de sexo misturado com o nosso. Ele sai de dentro e faz com que o liquido quente do seu sêmen escorra por minhas pernas.

Aperto meus dedos em suas costas e o mantenho preso a mim enquanto ele ainda me beija com carinho.

Nos beijamos com paixão e necessidade. Ele deita e me puxa pra cima dele, suas mãos contornam meu corpo enquanto ainda nos beijamos.

Ele passa os dedos agitados por minhas costas, minha cintura e parando em minhas nádegas e as apertando.

Seguro seu rosto em minhas mãos e continuo o beijando, as vezes eu nem acredito que ele é mesmo meu.

Encerro o beijo e o olho, me concentro naquele azul de seus olhos, ainda não encontrei nada a que eu pudesse comparar, com o céu talvez. Amo aquele azul.

Passo os dedos por seus fios dourados acariciando as pontas afastando a franja dos olhos, odeio quando ele corta, admito que tenho uma paixão por seu cabelo, não sei explicar porque, mas ao menos é algo que me equiparo com meu irmão, ambos temos um fraco incontrolável por loiros, sempre achei o Shaka lindo, e agora, só uma pessoa o supera, o meu loiro.

Sua pele é tão pálida, em contraste com seus lábios avermelhados, posso tê-los sempre que eu quiser, adoro seus lábios, contorno novamente com meus dedos, lembro do que ele me falou sobre esse gesto familiar, mas simplesmente não consigo conter. Ele sorri.

─Que foi? – pergunta sob o olhar atento que lhe direciono.

─Adoro. – digo rindo apertando seus lábios com meus dedos, brincando com seu rosto. ─Realmente parece um príncipe. – comento o que Misaki me disse uma vez quando viu a foto do Hyoga.

Ele ri mais ainda.

─Essa eu nunca tinha ouvido. – ele comenta rindo.

─Mas parece mesmo. – digo e volto a beija-lo.

É quase impossível de acreditar, finalmente ele é meu, completamente, ainda estou digerindo isso.

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Não falei que o Shun tem mesmo um fetiche por meu cabelo?

Ele brinca com meu rosto como se eu fosse um brinquedo, não entendo porque ele faz isso.

Há momentos que ele se concentra e fixa o olhar sobre mim que até me deixa sem jeito. Ele é tão perfeito que me sinto cheio de falhas quando ele me coloca sob seu olhar analítico.

Talvez por ser médico alguns detalhes dele não me passam despercebidos. Ele tem minúsculas sardas perto das maças do rosto que passariam despercebidas pra qualquer pessoa, mas como eu tenho a oportunidade de tê-lo sempre tão perto então posso admirar essa característica, e é um detalhe que realmente o faz parecer um adolescente, mais jovem ainda. Seus olhos verdes asiáticos são tão simétricos e alinhados que o faz parecer um quadro perfeito, e seus lábios cheios e avermelhados parecem a forma perfeita de um beijo.

Até mesmo seus ombros e clavícula têm algumas minúsculas sardas que o deixam adorável, um contraste singelo de tanta perfeição. Adoro esses detalhes.

Em pensar que tudo aquilo é meu, que posso ter sempre que eu quiser. Ele é meu.

Puxo sua nuca e o beijo novamente.

Um detalhe importante sobre o Shun é que ele fica facilmente excitado com o meu toque, então até mesmo com o beijo que trocamos sinto que ele já está ficando duro de novo. Sempre com a energia de um adolescente, isso é bom.

Seu corpo vai esquentando de novo, nossos lábios não se separam mesmo quando vou me erguendo com ele ainda sobre mim.

Viro seu corpo e fico sobre ele, seguro seu queixo e inicio um beijo mais avido, e cheio de desejo enquanto passo a acariciar e beliscar de leve seus mamilos.

Ele geme em meio ao beijo, eu o deixei sem ar de novo?

O solto e ele me olha enquanto respira com dificuldade. Acaricio seu peito acompanhando o movimento da respiração.

Após recuperar o folego volto a distribuir beijos por seu peito e abdômen, deixando um rastro de saliva até chegar a seu umbigo, onde adentro minha língua e ele geme mais ainda. Seu corpo treme quando acaricio por dentro de suas coxas, ele é extremamente sensível.

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Já estou ficando excitado de novo, e o Hyoga também, é um detalhe dele, normalmente não demora muito, e isso me deixa feliz porque é comigo, sou eu que causo esse efeito em seu corpo?

Ele começa a acariciar meu corpo que responde rapidamente a qualquer estimulo que vier da parte dele.

De súbito ele me vira contra o colchão, não falei que ele muda de posições de repente?

Ergueu meu quadril e agarrou minhas nádegas, me apoio sobre os cotovelos me posicionando pra recebê-lo.

─É só relaxar. – ele avisa.

Aos poucos o sinto se encaixando dentro de mim, não dói, já estou bastante lubrificado, e ele também, apesar disso ele ainda entra devagar e com todo cuidado possível.

Inicia um vai e vem lento e compassado. Nossas respirações vão ficando agitadas conforme ele aumenta a velocidade. Ele começa a colocar mais força acertando novamente aquele ponto especial em cheio, e vai repetindo continuamente.

Meu corpo estremece e acabo fraquejando, me deito, mas ele me mantem erguido pela cintura.

Aperto o lençol com força enquanto ele mantem as investidas dentro de mim. Ele aproximou do meu pescoço e afastou os fios que o cobriam, beijou e mordiscou minha orelha me fazendo sentir mais prazer ainda, meu corpo é completamente sensível a qualquer toque dele.

Mordeu de leve meu ombro enquanto apertava meus mamilos, passando a mão por meu peito e abdômen até chegar a meu pênis e de súbito agarra-lo e aperta-lo. Gemi mais alto ainda.

Me masturbava e estocava ao mesmo tempo. Ofegava contra meu ouvido com gemidos baixos e descompassados.

─Hyoga. – sussurro.

Ele para por um momento.

─Hn?

─Eu queria... err...

─O que? – diz se aproximando mais.

Saiu de dentro de mim e me virou pra ele.

O olhei e sorri.

─Me levanta. – peço e ainda confuso ele obedece e me coloca sentado em seu colo.

Aperto seu membro junto com o meu enquanto ele me segura pela cintura.

Beijo seu queixo, e em seguida sua boca, seguindo pro seu pescoço enquanto ainda o mantenho em minhas mãos.

Mantenho ele aprisionado e empurro seu ombro pra que ele deite.

─O que...?

─Deita. – ordeno.

Ele obedece. Apoiou-se nos cotovelos enquanto me observa. Cuidadosamente volto a posicionar seu membro dentro de mim, só que não calculei bem e desci rápido demais, então imediatamente me apoiei em seu abdômen pra que não doesse tanto, e não doeu mesmo, mas nele sim, pois tirei todo seu folego quando montei nele.

Ele ofegou mais forte fechando os olhos com força.

─Desculpa. – digo sem jeito.

Voltou a abrir os olhos ainda com dor.

─Se- se importa? – ele diz ofegante tocando minhas mãos no abdômen dele onde eu me apoiava. Até me esqueci de que ainda estava com todo meu peso ali.

─Ah, foi mal. – digo sorrindo sem jeito.

Distribui meu peso e ele afundou a cabeça no travesseiro suspirando.

─Foi mal Hyoga, não era bem isso que eu planejava.

─Percebi. – disse ainda de olhos fechados regularizando a respiração.

Não sei quando comecei a ser tão passivo na cama, na verdade isso começou com ele, porque eu confio muito nele, mas quero mostrar que também posso lhe dar tanto prazer quanto o que ele me proporciona.

Começo a me movimentar sobre ele, subindo e descendo devagar, ele volta a me encarar, aqueles lindos olhos azuis direcionados pra mim, só pra mim.

Ele apoiou-se nos cotovelos apenas me observando subir e descer sobre sua ereção. Seus olhos me mostravam confiança então me empenhei mais ainda naquela tarefa.

Em poucos segundos eu já galopava desenfreadamente sobre ele. Nessa posição posso fazer como bem entendo, tenho todo ele a minha mercê.

Apesar de bom ainda sinto que é algo diferente, gosto da familiaridade com que ele faz, acho que é... sim, assim, faço no ritmo dele, no ritmo que ele sempre impôs comigo.

Mesmo agora, não adianta negar, gosto quando ele fica sobre mim, gosto de sentir segurança em seus braços, gosto de sentir que pertenço a ele... e que ele pertence a mim.

Puxo ele pra levantar e logo eu o abraçava pelo pescoço enquanto ele se colocava entre a curvatura do meu ombro e abraçava minha cintura.

Continuamos nos movimentando, já não aguento mais, e posso sentir que ele também não. Uma ultima estocada e meu gozo sai com força melando nossos abdomens, não demora e ele também goza dentro de mim.

O momento se mantem enquanto sentimos toda aquela onda de prazer nos consumir. Ele continua ofegando contra meu pescoço enquanto acaricio seus cabelos, entrelaçando entre meus dedos, ele se separa de mim e me encara.

─Hyoga. – sussurro.

─Shun. – ele diz sorrindo.

─Eu te...

─Amo. – ele completa me deixando sem mais palavras.

Abro um largo sorriso, esse é mesmo um dos momentos mais felizes da minha vida.

Amo muito esse homem, demais. E não preciso mais me sentir inseguro, pois agora ele sente o mesmo por mim, sem mais inseguranças, sem medo. Ele me ama, ama, ama.

Começo a rir de felicidade.

─Que foi? – ele diz confuso ainda sorrindo.

─Nada. – digo ainda com um sorriso grande e bobo.

Ele riu, começamos a rir juntos, acho que parecemos malucos. Pois não só nos amamos como também somos melhores amigos, ninguém me conhece tão bem quanto ele, e eu o conheço melhor do que qualquer um.

Depois desse momento meio louco nos olhamos ternamente e nos beijamos, com todo amor e carinho que tínhamos um pelo outro.

Nós nos merecemos, nós somos feitos um para o outro.

Fiquei tanto tempo procurando um sentido pra minha vida, tanto tempo buscando uma resposta. Eu sempre disse que queria deixar uma marca no mundo, que queria ser lembrado, sempre tive certeza que havia uma razão pra minha existência, e por muito tempo eu tentei entende-la. Acreditei que encontraria alguém com que eu compartilharia minhas lembranças, sentimentos, meus medos e angustias. E por um momento em minha vida eu acreditei que seria impossível... mas agora, aqui. Não há duvidas, meu amigo, meu amor, é ele, sempre foi ele, quem eu esperei por tanto tempo, quem eu idealizei desde criança.

Agora eu entendo que o Hyoga teve mesmo que partir, ele tinha que ter conhecido a Lilia, ela tinha que fazê-lo esquecer de toda a amargura em seu coração pela perda da mãe, pois isso foi algo impossível pra mim, e ela conseguiu. Ele a salvou também, e foram felizes, como devia ser, pois o Miguel precisava nascer, ele é uma parte da Lilia e do passado do Hyoga que sempre estará presente em nossas vidas, e não me sinto inseguro com isso, porque amo esse garoto como um filho, amo cuidar dele, fazer parte de sua vida, quero que cresça me vendo como uma figura paterna assim como ele vê o Hyoga, mas sem nunca esquecer a mãe maravilhosa que teve, que me trouxe ele e o Hyoga.

Isso não foi coincidência, tinha que acontecer. É nosso destino.

Obrigado Lilia, por tudo.

...

Levantei cedo hoje, pra minha corrida matinal.

Hoje é enfim o lançamento do meu livro, tenho que estar psicologicamente preparado, é o quinto livro e o ultimo da série, levei dez anos pra concluir, na verdade eu adiei a continuação por quatro anos intermitentes entre cada livro, e agora, após o desfecho de minha real vida amorosa eu finalmente consegui terminar esses livros.

É um momento especial, pois afinal hoje também será anunciado a produção do primeiro filme baseado em minhas obras. Me sinto realizado, me sinto feliz.

A musica ‘Aoi Shiori’* toca sem parar em meus ouvidos e me mantem tranquilo.

─’Gastei muitas paginas para unir meu amor ao seu, mas não consegui preencher aquela linha vazia... ‘♫♪ – vou cantando baixo.

Chiyoda não é tão movimentada assim a essa hora da manhã... ‘o campo de milhares de gerações’. Hum!

A ponte Seimon tem mesmo um belo panorama do palácio imperial. Gosto de caminhar pelo jardim daqui às vezes. Fica um pouco mais longe de casa, mas isso não importa, por eu ser um cavaleiro eu não me canso facilmente.

─’... é assim que mantenho o presente sob controle...’ ♫♪

Algumas pessoas passam por mim correndo ou apenas caminhando, distraídas e concentradas em seu próprio mundo particular.

Paro naquele magnifico jardim, encosto-me a uma arvore aleatória pra poder recuperar o folego.

Aqui está úmido, apesar de estarmos no verão, logo, logo vai esquentar.

Olho a hora, ainda não passa das sete. Abro um pouco o zíper do moletom que já me causa um pouco de calor.

─...’Minha mão que vira para a próxima pagina...’ ♫♪

Olho pra cima, pro céu azul e sinto a brisa matutina, tudo calmo, nem parece que estou no centro de Tokyo, uma cidade tão grande, com o barulho e a agitação.

Sorrio, não tenho qualquer preocupação em minha mente, gosto de vir aqui pra relaxar, queria morar aqui perto, seria mais conveniente pra toda minha família... minha família.

Volto a correr.

─’... Eu abraço a brisa refrescante. O tempo ainda é nosso pra gastar... ’ ♫♪

Procuro um caminho diferente, quero variar hoje. Não sabia que existiam condomínios por aqui. As casas são naquele estilo de templos de Asakusa, arvores grandes, uma vizinhança tranquila, poucos carros passam, as pessoas se aprontam pra trabalhar, mas o movimento é calmo.

Hyoga deveria estar vendo isso aqui, ele iria adorar.

A trilha sonora da musica se prolonga enquanto passo a caminhar mais devagar pra admirar aquele lugar.

Vejo uma casa mais adiante com uma placa, tomara que seja o que espero que seja.

Me aproximo e confirmo que é uma casa a venda. Olho a frente, é bem grande, quase do tamanho da casa do Hyoga em Moscou. Tem um quintal grande e espaçoso, mas não posso ver direito daqui da frente.

─É bonita né? – levo um susto com uma repentina voz ao meu lado.

Uma moça morena, cabelos longos e ondulados, com claros olhos castanhos. Ela surgiu do nada.

─Ah, err... é muito bonita mesmo. – comento sem jeito tirando os fones de ouvido.

─Tem interesse? – ela pergunta sorrindo. Percebo suas roupas, acho que já ia trabalhar.

─Bom, não sei...

─Faço por um bom preço. – ela diz solicita.

─Ah, é sua? – digo surpreso.

─Sim, vou viajar com minha família de volta pra meu país de origem, então queria vender o quanto antes. Sabe como é, minha família está por lá, e não se pode viver sem eles. – ela diz sorrindo sem jeito.

─Tem razão... – digo sorrindo. ─De onde você é? – pergunto curioso.

─Sou brasileira. – diz sorridente. Hum, uma ocidental.

─Ah, entendo.

─Tem boas lembranças aí. – ela diz com um olhar nostálgico pra aquela casa.

─Acredito. – digo sorrindo.

─Bom, pense a respeito, se tiver interesse é só me ligar. – ela diz e tira um cartão da bolsa e me entrega. ─Meu nome é Lídia.

─Ah, sim claro. Meu nome Shun. – digo sorrindo e a cumprimentando.

─Até mais. – diz já se despedindo e entrou no carro estacionado na calçada.

Olhei pro cartão que ela me entregou. Hum, uma engenheira.

Meu celular tocou em meu bolso, então logo o atendo.

─Caminhando tão longe de novo? – era ele. Sorrio só de ouvir sua voz.

─Já estou voltando. – digo.

─Tá bom, até já.

─Até. – digo e desligo.

Olho em volta, é realmente tranquilo. Só agora percebo o barulho frequente das cigarras. Sorrio.

Dou uma ultima olhada pra aquela casa e após iniciar a musica de novo vou correndo de volta pra casa.

─’...Desse jeito, o presente vem até mim sem fazer nenhuma pergunta...’ ♫♪

.

Chego em casa e o Hyoga está na cozinha, já arrumado pro trabalho, tomando um simples café enquanto assiste o noticiário e o Miguel está sentado a mesa com uma almofada embaixo de si pra que pudesse alcançar o cereal com leite.

─E a May? – pergunto dando um beijo na cabecinha loira do Miguel.

─Chichi. – ele diz sorridente com aquela voz infantil.

─O que acha? – Hyoga diz suspirando.

─Atrasada de novo. – comento suspirando também. ─Já devia ter falado com a mãe dela sobre seus planos. – digo e me aproximo pra lhe dar um beijo também que ele logo retribui.

─É, vou até lá hoje à tarde. – ele comenta.

Já faz um tempo que o Hyoga tem planos de se tornar o tutor legal da May, iria custear seus estudos e o que mais fosse preciso, ela faria o que realmente queria, medicina, e ela ainda viria morar conosco pra facilitar sua grande trajetória de casa até aqui.

─Nem vi você saindo dessa vez. – ele comenta do nada enquanto vou pegar um café pra mim também e sento a mesa com eles.

─Queria evitar a multidão.

─Hm. – volta a prestar atenção no noticiário.

Olho pra ele distraído.

─Errr... Hyoga.

─Hum.

─Já pensou em... talvez... – começo a enrolar.

Ele me olha sério.

─Sabe, em...

─Fala logo, você sabe que não consegue me enrolar. – ele diz.

Suspiro, não consigo mesmo.

─Já pensou em mudar pra uma casa? – digo tentando abordar o assunto de modo casual, mas minha pergunta não soou tão sutil quanto eu queria.

─Casa? Sabe muito bem que aqui é mais seguro pro Miguel, é bem localizado e tem segurança. Fora que fica perto do parque e do hospital. – ele logo contesta.

Suspiro.

─E se fosse uma casa em uma vizinhança tranquila, bem espaçosa e com um quintal grande, pouco transito e...

─Tá certo, desembucha. – ele diz me olhando sério.

─O quê? – ele percebeu.

─Porque quer se mudar?

─É que... aqui é tão fechado, tão restrito, queria mais espaço, ar livre. Seria bom pro Miguel, e pra você também. Poderíamos reservar até um quarto pra May, ela iria adorar. – digo tirando o cartão do bolso e entregando pra ele. ─Hoje de manhã eu encontrei uma casa tão...

─Ah, sabia, já andou até pesquisando? – ele pergunta aborrecido pegando o cartão da minha mão.

─Não, foi só uma casualidade, mas o lugar é ótimo, juro que você iria adorar se fosse lá dar uma olhada. – tento argumentar.

─Shun. – ele começa a falar pacientemente. ─Não tenho motivos pra querer me mudar, gosto daqui.

Ele é tão teimoso.

─Então pensa pelo menos um pouco a respeito.

─Tá. – ele diz indiferente guardando o cartão no bolso do paletó sem sequer olhar. Aposto que ele nem vai pensar.

─Poderíamos passar por lá quando você voltar da casa da May hoje à tarde. – digo antes que ele esqueça o assunto.

─Mas eu não vou voltar, vou trabalhar até tarde hoje, esqueceu? – ele diz estranhando.

─Como assim ‘até tarde’? – digo exaltado me levantando.

─Eu te falei. – ele diz confuso. Falou?

─Falou não! – protesto mesmo sem lembrar, mas acho que eu me lembraria de um detalhe desses, afinal é um dia importante pra mim.

─Não? – ele pensa um pouco, nem ele lembra.

─Você não vai pra cerimonia de lançamento? – digo aborrecido.

─Bom, é que... eu já tenho um plano de horários fixos desde que assumi o cargo no conselho médico do hospital, é só por um mês antes que eu pegue minhas férias. – ele comenta sem jeito. ─Mas você precisa mesmo que eu vá?

─Hoje é importante pra mim Hyoga. – reclamo, ele sabe que é. ─Estou te falando há dias sobre o lançamento. – reclamo indo de um lado pro outro.

─Eu sei, me desculpe mesmo Shun. – ele diz se aproximando.

Suspiro irritado enquanto ele me abraça pelos ombros, fazendo carinho pra me fazer esquecer a raiva, mas dessa vez não vai adiantar.

─Não se preocupe que a May e o Miguel vão estar lá, assim como todos os nossos amigos. – ele tenta argumentar.

─Não vai ser a mesma coisa sem você. – digo baixo.

─Você vai ficar bem sem mim, prometo que te compenso amanhã, o que acha de um jantar? – ele diz abraçando carinhosamente minha cintura por trás.

─Não quero. – digo emburrado cruzando os braços diante de suas falhas tentativas de me animar. Não interessa se é pro trabalho, ele deveria abrir uma exceção dessa vez.

Ele suspira e eu sinto sua respiração contra meu pescoço.

─Tá bom. – diz vencido. ─Vou tentar achar alguém pra ficar no meu lugar hoje.

─Jura? – digo animado me virando pra ele.

─Vou tentar. – ele avisa.

─Hyoga!

─Tá, eu prometo. – diz aborrecido. Sempre faço com que ele ceda.

Enlaço seu pescoço e lhe dou um beijo carinhoso, ele se entrega de inicio, mas rapidamente rompe o contato.

─Shun. – diz acenando que o Miguel está por perto, apesar de ainda estar distraído com a Tv.

─Ah claro. – digo me separando dele.

Ao menos consegui convencê-lo de ir ao lançamento.

...

O dia foi um tanto cansativo, tive que fazer muitas coisas às pressas pra poder sair mais cedo. Só o Shun mesmo pra me obrigar a isso.

Tinha quase certeza que eu lhe disse sobre meus horários. Disse? Bom, de qualquer forma tenho que me apressar.

O lançamento começa as oito, e já é sete e eu ainda não saí desse hospital, já foi com grande esforço que consegui convencer Nishimura a ficar no meu lugar por hoje, até porque ele ainda está ressentido comigo por eu ter tirado o cargo dele.

Tive que ir até a casa da Mai antes, afinal foi com grande esforço consegui marcar um horário com a mãe dela, pois era uma enfermeira e é natural que não tenha muito tempo livre, posso entendê-la perfeitamente, fora que eu queria conversar a sós com ela, sem que a Mai soubesse.

Corri até lá e conversei com ela por mais de uma hora sobre a Mai, tentei convencê-la que tenho muita consideração por sua filha e logicamente quero o melhor pra ela. E finalmente analisei alguns fatos e me toquei do que Mai vivia escondendo por tanto tempo e concluí que ela é mesmo uma garota bastante perspicaz, é claro que isso me incentivou ainda mais pra me tornar seu tutor legal.

Após muita conversa consegui convencê-la dos meus planos e ela acabou concordando com tudo, fora que parece que ela gostou de mim, quis me manter preso ali naquela conversa por mais tempo do que planejei.

Eu já estava muito atrasado, nem vou ter tempo de ir em casa pra trocar de roupa. Droga! Porque eu sempre acabo fazendo promessas que me colocam em situações assim?

Cheguei extremamente atrasado, tomara que o Shun não fique muito chateado. Por sorte ele ainda estava conversando com a imprensa. Foi com esforço que me deixaram passar pela recepção do hotel que seria feita aquela comemoração, o que tem de mais em apenas quarenta minutos de atraso?

Acho que é por causa desse jaleco amassado que ainda estou vestindo, minha postura agitada e principalmente minha aparência, pensaram que eu era só um garoto que queria entrar pra fazer baderna, saco!

─Espere aí garoto. – um sujeito diz barrando minha entrada na sala da coletiva.

─Hum? – garoto?

─Você tem passe?

─Sim. – digo apalpando meus bolsos pra achar aquele crachá. Onde está? Onde está? Ah, graças a deus. ─Aqui. – digo entregando pra ele que me libera depois de me direcionar um olhar desconfiado.

Entrei na sala que ainda ocorria a coletiva, está uma agitação que sequer notam minha chegada, melhor assim. Muitos repórteres estão se espremendo entre si pra poder ter uma chance de fazer alguma pergunta ao Shun que estava sentado mais a frente em uma banca com mais algumas figuras importantes. Quem diria, meu Shun famoso, estou muito orgulhoso dele.

Ele realmente ficou ótimo naquele terno. Ficou um tempo distraído respondendo algumas perguntas que lhe faziam, por um breve momento ele ficou calado quando me viu chegando, sorri e acenei pra ele e ele retribuiu o gesto.

Olhei em volta e avistei a May e o Ichiro juntamente com o Miguel e o Ikki num canto da sala, logo fui até eles.

...

Ele está atrasado, droga Hyoga! Olho pro relógio a cada minuto pra verificar o quanto ele está atrasado.

Tá certo que ele tinha me avisado mesmo que estaria de plantão hoje, lembrei logo depois que ele me fez aquela promessa, ainda bem que ele não lembra. Foi insensível e irresponsável da minha parte, eu sei, mas hoje é um dia importante pra mim, queria que ele estivesse aqui comigo.

Continuam me fazendo perguntas o tempo todo.

Misaki e o diretor adjunto da Shueisha comentam um pouco sobre o filme que será produzido, e após mais alguns comentários eles apresentam o primeiro trailer produzido.

Acompanhei toda a produção daquilo e o diretor estava satisfeito em me ter por perto pra supervisionar o que fosse preciso, estou contente que esteja saindo do meu jeito.

As pessoas batem palmas e Misaki toma a palavra.

─Olá, em nome do senhor Amamiya, da Shueisha, e da Miramax em conjunto com a Toei, eu queria agradecer os amigos da mídia por virem nessa coletiva da imprensa. É a primeira vez que um romance de Shun Amamiya se torna um filme. – ela comenta.

─Entre os cinco volumes de ‘Meu amor’, porque escolheu este quinto volume em especial? – um repórter pergunta ao diretor da Miramax.

─Depois de ler os outros quatro volumes eu fiquei impressionado com o senhor Amamiya, por ter completado cinco romances perfeitos sendo ainda tão jovem e que todos já sejam best-seller conhecidos tanto em toda a Ásia como também na Europa. Sua imaginação e criatividade são admiráveis. Além disso, o final do quinto volume, que inclusive já estão disponíveis em várias livrarias de Tóquio, é a expressão perfeita do amor sincero. – ele comenta.

─Senhor Amamiya. – outra repórter chama. ─O romance entre os dois personagens já foi bem detalhado, esse amor faz parte de sua própria experiência de vida, ele é verdadeiro?

Penso um pouco.

─Bom, eu admito que parte dele seja verdadeira, quando escrevo, eu inconscientemente me coloco no lugar do protagonista ‘Yadomi’... assim, cada detalhe de Yadomi é parte de mim. – comento.

─Se o senhor é Yadomi, acho que o público iria adorar conhecer o par romântico dele, ‘Anaru’. – ela comenta sugestiva e animada. Bom, talvez por meu livros não serem yaoi, muitos sequer suspeitam de minha opção sexual.

Fico calado por uns segundos, o que devo responder? Meu ultimo livro é totalmente baseado em minhas experiências com o Hyoga.

A agitação se propaga devido meu silencio prolongado. Suspiro, queria que ele estivesse aqui, me sinto mais seguro de minhas palavras com ele por perto. Ouço o barulho da porta de entrada e direciono minha atenção a ela.

Sorrio, é ele. Está agitado, veio correndo, aposto. Dava pra ver que sequer teve tempo de ir em casa pra trocar de roupa, ainda estava com o jaleco branco no braço. Levou um segundo pra se localizar e perceber a agitação, direcionou o olhar pra mim e acenou brevemente com aquele lindo sorriso. Lindo.

─Shun? – Misaki me acorda da minha breve distração.

─Essa pessoa... – começo. ─Existe. – comento e a agitação dos repórteres só faz aumentar.

─Pode nos dizer o nome dela? – outro repórter pergunta animado.

─Claro, é Alex. – digo sorrindo olhando pra ele que retribui meu olhar sorrindo.

─Um nome diferente, é uma estrangeira? – outro repórter pergunta com a caneta agitada em seu bloquinho de anotações.

─É. – digo simplesmente.

─Então... – Misaki muda de assunto, ela sabe que não gosto de expor minha vida particular. ─A produção do filme seguira fiel ao livro, pois o senhor Takumi vai trabalhar em conjunto com o senhor Amamiya durante toda a filmagem.

─O que pode nos dizer sobre o livro que está lançando hoje? – um repórter pergunta.

─O que podemos dizer é que nosso querido autor não nos decepcionou, a obra segue digna de mais um titulo literário e esperamos que apreciem cada palavra. – Misaki diz animada.

Seguem-se mais algumas perguntas e após mais dez minutos a coletiva finalmente termina.

─Então, terminamos aqui com nossa coletiva. Agora é hora de ganharem autógrafos do senhor Amamiya. Após isso estão todos convidados pra comemoração de lançamento. Obrigada a todos. – Misaki diz e após mais aplausos nós finalmente saímos dali.

Todos vão se retirando, mas antes vou até minha família.

─Você foi ótimo Shun. – Mai diz animada.

─Foi mesmo. Parabéns Shun! – Ichiro diz sorrindo.

Quem diria, agora meu irmãozinho está mais famoso ainda. – Ikki diz sorrindo me abraçando.

─Obrigado nii-san, obrigado pessoal. – digo sem jeito. ─Está atrasado. – digo olhando pro Hyoga, que está com o Miguel no colo, e o censuro.

─Eu sei, desculpe. – ele diz sem jeito.

─E isso é novidade? Ele sempre se atrasa. – Ikki comenta.

─Não é pra tanto. – Hyoga diz aborrecido. ─Parabéns! Estou muito orgulhoso de você. — ele diz sorrindo se aproximando e me dando um beijo na testa. Às vezes parece que ele me trata mais como um filho do que como namorado, ele tem mesmo um lado paterno muito forte.

─Obrigado Hyoga. — digo sorridente. O apoio dele significa tanto pra mim.

─Vamos indo Shun. — Misaki diz se aproximando. ─Ah. Oi Alexei. Oi Ikki. — ela diz com um sorriso bobo pros dois, digamos que ela sempre teve uma paixão platônica pelo Ikki e depois de conhecer o Hyoga ela arranjou mais uma.

Até já mandei ela parar de ter sonhos eróticos com meu irmão e meu marido.

─Esteve ótima também Misaki. — Ikki diz sorrindo.

─Obrigada Ikki. — ela diz arrumando o cabelo.

─Miguel. — ela diz afagando os cabelos do Miguel no colo do Hyoga.

─Vamos pro salão agora Shun? — Mai me pergunta.

─Depois eu os encontro. Vou autografar alguns livros agora. Vamos Misa?

─Ah sim, claro, claro. — diz com um sorriso bobo pro Hyoga.

Vi o Hyoga dar um sorrisinho balançando a cabeça, eu contei a ele a louca atração que Misaki tem por ele e até hoje ele acha graça.

Depois de meia hora de autógrafos eu os encontrei na festa de comemoração. Todos os nossos amigos estavam lá, até mesmo a Saori. Estou tão feliz de ter todo mundo aqui me prestigiando.

Vou cumprimentando a todos e mesmo que eu não queira tenho que dar atenção aos vários colaboradores também, embora eles só conversem coisas chatas.

Vejo o Seiya, o Hyoga, o Ikki e o Shiryu conversando em uma mesa.

─Parece que a reunião de cavaleiros foi transferida pra cá. – comento sorrindo me sentando a mesa com eles.

─É bom variar. – Seiya comenta. ─Tudo pra você Shun. – ele diz sorrindo.

─Está exagerando. – digo sem jeito.

─Seiya tem razão, estamos todos orgulhosos de você. – Shiryu comenta.

─Ao menos um Amamiya tinha que ser bom. – Hyoga comenta sarcástico, uma clara provocação pro meu irmão, sempre assim, mas cheguei na metade da conversa então não sei quem começou.

─Obrigado pelo elogio pato. – Ikki diz irônico.

─Como se eu estivesse falando de você.

─Shun tem bons genes. Logo eu também tenho.

─Pena que eles não se manifestaram ainda. – Seiya comenta e todos riem.

─Oram vejam só, parece que além de pato vamos ter cavalo assado no jantar também. – Ikki diz em desafio.

─Amigos, não tem porque começarmos com isso. – Shiryu tenta romper as provocações. ─Existe um velho proverbio que diz...

─Aahhh!! – todos dizem entediados.

Só faço rir, sinto novamente como se estivéssemos nos velhos tempos, de adolescência.

─Vêm cá, vocês vão ficar fazendo isso toda vez que quiser lhes ensinar alguma coisa? – Shiryu resmunga.

─Vamos deixar as fabulas, os contos e os provérbios pra outro dia Shiryu, é uma festa ora. – Seiya diz.

─Dessa vez o nosso analfabeto tem razão, calango. – Ikki comenta.

─Analfabeto?! – Seiya protesta.

─Bom, por ser uma festa pensei que poderíamos aproveitar e adquirir aprendizado. – Shiryu tenta argumentar.

─Ah, era só o que faltava. – Hyoga comenta rindo.

─Meu cérebro tem um limite de aprendizado. – Seiya comenta.

─E ele acaba no momento que você começa a entender alguma coisa. Tá na hora de fazer um transplante de cabeça. – Ikki comenta e todos riem de novo.

─Claro que não, só tô dizendo que... que... ah, vão se ferrar.

Seiya resmunga e todos riem mais ainda deles.

─Vamos parando com isso.digo tentando conter a algazarra.

─Zoar o Seiya é um hobby de todos Shun. – Hyoga comenta rindo.

─Quero meu pedaço de pato bem assado Ikki. – Seiya diz em desafio pro Hyoga.

─Sério mesmo que você quer sair daqui congelado pangaré? – Hyoga provoca.

─Vou acabar grelhando vocês dois. – Ikki resmunga.

─Como se você fosse o mais indicado pra conter uma contenda. Shiryu comenta em desafio pro meu irmão.

─Ah, o nosso Forrest Gump também gosta de tostar o couro. – Ikki provoca.

─Sabia que o gelo também queima frango? Adoraria fazer uma autopsia em você depois de te esfriar. – Hyoga diz sarcástico.

─Acho que o nosso pato açougueiro vai precisar de algo mais parecido com um serrote pra cortar essa galinha flamejante. – Shiryu provoca.

─Que tal uma serra elétrica? – Seiya comenta animado.

─Que historia é essa de açougueiro? – Hyoga resmunga.

─E que porra é essa de galinha flamejante? – Ikki resmunga.

─Se identificaram com os apelidos? E olha que eu nem citei nomes. – Shiryu diz rindo.

─Lembra daquela vez que eu congelei seu braço, calango? Pois é. – Hyoga comenta.

─Ah aquela vez que eu te coloquei no chão?

─As moças estão discutindo demais, daqui a pouco estão se azunhando. – Ikki diz rindo.

─Falou o valentão da cara amassada. – Seiya comenta.

─Tá falando do que, pequeno pônei? – Ikki resmunga.

─Ah, eu não amassei ainda. – Seiya diz rindo.

Suspiro. Eles continuaram com as provocações. São sempre assim, todos se provocam mutuamente. Nesse sentido nós perecemos mesmo irmãos.

Continuavam discutindo bobagens, olhei pro lado e me surpreendi com o Hyoga me olhando sorrindo. Ele olhou pros nossos amigos que continuavam falando besteira e deu de ombros rindo, aceno positivamente pra ele e ambos rimos juntos. Alheio àquele momento de descontração que embora seja um tanto perturbado ainda é de uma verdadeira família.

Meus amigos queridos.

...

Aquela comemoração foi mais animada do que imaginei.

Adorei estar rodeado novamente de todos os nossos amigos.

Shun estava feliz também, percebi ele sorrindo enquanto nos observava.

Saímos de lá por volta das dez, Miguel brincou muito com os gêmeos do Shiryu, fora que tinha mais crianças, filhos dos outros convidados, então ele ficou distraído boa parte do tempo.

Deixei Shun e o Miguel em casa e fui levar a Mai na casa dela.

─May, espera um instante. – digo quando estaciono em frente sua casa.

─O que foi Hyoga? – ela pergunta curiosa.

─Quero conversar algo importante.

─O quê? – ela fica mais curiosa ainda.

─Sabe Mayuri... Um dos motivos de eu ter lhe contratado além da recomendação do Shiryu, foi que embora eu não a tenha entrevistado eu a ouvi, Shun gravou as entrevistas, está sabendo?

─Sim, mas não achei importante questionar. – ela diz parecendo confusa por eu estar falando repentinamente sobre isso.

─Então, o que me chamou a atenção foi sua voz, seu modo de falar, seu tom calmo, controlado e alegre. – comento.

Ela me olhava em expectativa.

─Em seguida inspecionei o seu currículo, pensei em porque uma garota com o seu potencial poderia querer uma vaga de babá. Não entenda errado, não estou questionando nem criticando suas escolhas, mas tem que considerar que você é bem enigmática. Então eu passei a formular hipóteses pra descobrir o porquê disso, depois você mesma mentiu quando disse que não tinha capacidade de conseguir uma bolsa de estudos. – digo e ela muda a expressão pra aflita.

─Com o tempo eu percebi que cada vez mais você ansiava por aprender comigo tudo que fosse possível, sempre se esforçava ao máximo e demostrava interesse frequente com o meu trabalho como médico. As coisas foram ficando claras quando conversei com Shiryu ao seu respeito, então decidi tirar a prova e tomei a liberdade de conversar com sua mãe.

─Quê?! – ela diz surpresa.

─Desculpe, sei que não devia, mas ainda sou seu chefe, de certo modo tenho esse direito.

Ela permanecia imóvel.

─Você quer muito ser médica não é?

─Hã? Como que...?

─Você soube de mim pelo Shiryu, sua mãe me disse que você largou imediatamente seu emprego de babá anterior pra poder trabalhar pra mim, você decidiu fazer enfermagem em Kawasaki não porque não conseguiu vaga em Tóquio, mas sim porque sua mãe trabalha lá, e talvez escolher um lugar longe dela poderia soar ofensivo pra ela segundo sua concepção, e você não disse isso a ela, não é? Ela disse que você sempre foi dedicada a família desde que seu pai as abandonou, me desculpe por saber disso, foi sua mãe que me contou. – digo.

─Na conversa que tive sua mãe pude ver que ela parecia feliz em ver que você estava seguindo os passos dela, mas mencionou que gostaria muito que você seguisse seu verdadeiro sonho. – ela me olha surpresa. ─Sim, ela sabe que não é enfermagem que você realmente quer. Ela me pediu pra falar com você, pra tentar convencê-la, se fosse preciso.

─Me convencer?

─A fazer o que você realmente quer... medicina.

Ela baixa o olhar refletindo.

─Você pode me julgar e dizer que estou me metendo em sua vida, que estou ultrapassando os limites éticos e que nada disso é da minha conta... mas acontece que eu me importo com você.- digo e ela volta a me olhar surpresa.

─Com o tempo você provou seu valor com esforço e dedicação, a considero parte da família agora, May.

─Eu... não sei o que dizer. – ela diz sem jeito já com as lagrimas querendo cair.

─Apenas diga sim, diga que me aceita como seu tutor legal.

─Hã?

─Já conversei com sua mão sobre isso. Tudo será providenciado, tudo que você precisar, quero que tenha boas oportunidades, quero que faça o que gosta.

Ela já nem consegue segurar as lagrimas.

─Porque está fazendo tanto por mim, Hyoga?

─Porque gosto de você. – digo simplesmente. ─Como uma... irmã. – digo sem jeito.

Ela me olha emocionada e do nada ela me abraça fortemente de um jeito desajeitado.

─Obrigada Hyoga.

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Cheguei em casa e assim que entro vejo o Shun deitado no sofá à minha espera cochilando.

Adorável como sempre. Me aproximo e acaricio seu rosto delicadamente. Beijo de leve seus lábios.

─Oi. – digo sorrindo vendo-o abrir os olhos.

─Oi. – ele diz sorrindo.

─Cansado? – pergunto.

─Muito. Hoje foi ótimo. – ele comenta sorrindo.

─Foi mesmo... desculpe ter me atrasado tanto. – digo arrependido.

Ele suspira.

─Não precisa se desculpar, eu exigi demais de você, sei da importância do seu trabalho... mas agradeço muito pelo esforço... por estar lá. – ele diz me olhando ternamente,

─Você estava incrível hoje. – comento e ele abre um largo sorriso.

─Sabe... eu pensei sobre o que você falou. – digo.

─Hum? Sobre o quê?

─A casa.

Ele abre mais os olhos mostrando interesse.

─Vamos dar uma olhada lá, você tem razão, aqui é muito restrito. – comento olhando em volta no apartamento.

Do nada ele se joga no meu pescoço me abraçando.

─Te adoro Hyoga. – ele diz afundando o rosto no meu pescoço.

─Não é pra tanto. – digo sem jeito.

─É sim, merece um premio. – diz e me beija de repente com fulgor. Adoro beija-lo.

─Só ganho isso? – digo sorrindo sugestivamente.

Ele abre um largo sorriso.

─E quem disse que esse era o premio? – diz animado.

Mais uma noite em que posso ama-lo, que posso possui-lo.

Não há mais qualquer dúvida, eu realmente o amo.

Notas finais
Continua no próximo...