Destino

4 Domingo


Notas iniciais
Nesse eu coloquei o Hyoga um pouco mais animado, não estranhem.Ah, desculpem o pessoal que tá esperando atualização da minha outra fic Sentimentos do Passado, é que eu tô sem inspiração pra continua-la mesmo, mas não se preocupem que em breve eu postarei outro capitulo dela.Bom vamos lá... Boa leitura :D

Voltamos pro apartamento deles e eu me sentia até que digamos entusiasmado em passar a noite com eles, me sentia mais parte da família sabe.

Mas alguma coisa me dizia que não seria uma simples noite.

Quando estávamos chegando perto do prédio deles o Hyoga falou.

─E então Shun? O que quer fazer? Jantar fora?

Pensei melhor, o Hyoga tava muito cansado, então não achei bom fazer ele ter que nos levar pra jantar fora, além do mais eu não ia com eles vestido desse jeito, eu iria querer ir em casa pra me trocar, e isso custaria muito tempo, daí quando menos víssemos já daria a hora do Miguel dormir. Então achei melhor ficarmos no apartamento deles mesmo.

─Acho melhor ficarmos no seu apartamento e alugar uns filmes, daí você descansa melhor.

─Hm? Tem certeza?

─Sim, eu preparo alguma coisa pra comermos.

─De jeito nenhum, não vou deixa-lo cozinhar, você já teve que cuidar do Miguel o dia todo, não vou abusar da sua boa vontade Shun.

─Ahh, mas que frescura Hyoga, não tem nada de mais em cozinhar, faço isso o tempo todo pra mim.

─Já falei que não.

─Você não tem querer senhor Yukida.

─Você que não tem. — ele insistiu.

Nos olhamos em desafio um pro outro.

─Façamos o seguinte então, você me ajuda a cozinhar. — eu disse.

─Hum. — ele pareceu pensar na sugestão. ─Não.

─Aff, não seu pra quê essa resistência.

─Não é resistência é cortesia, já ouviu falar Amamiya? — ele disse sarcástico.

─Somos amigos, então não precisamos dessas cerimonias Yukida.

─Cortesia é sempre bom e não faz mal a ninguém.

─Aff, você foi criado por mordomos?

─Não, foi por um cavaleiro de aquário e que ainda por cima é francês, isso é muito pior. — ele disse.

Ficamos sérios olhando um pro outro por um tempo até cairmos na risada.

─Tem razão, é pior... O Camus te fazia treinar de smoking? – eu disse rindo.

─Não, não chegava a tanto. Iriam pensar que éramos pinguins. — ele disse rindo também.

─rsrsrsrs. Para de graça Oga... vamos, que eu cozinho pra vocês não tem problema. – eu disse já me acalmando.

─Hm. – ele ficou um tempo pensando. ─Ok, mas eu tenho que comprar suprimentos primeiro, não tenho tido tempo ultimamente pra fazer isso.

─Percebi.

─Vamos ter que passar no mercado então... soube que abriu um aqui perto faz um tempo.

─Aqui perto?

Pensei e lembrei-me daquele onde eu passei vergonha. Será que era o mesmo que ele tava falando?

─Onde fica esse mercado?

─Por ali, ao lado de um café. – disse apontando na mesma direção daquele mercado.

Vish, era o mesmo mercado.

─Ahh, soube que não é um bom mercado não. – eu disse de imediato.

─Como sabe?

─Er... ouvi falar.

─Mas como se você não mora pra cá e...?

─Já falei que não é bom... anda, naquela direção deve ter outro. – eu disse já empurrando ele pra frente e em direção oposta daquele mercado.

─Mas...

─Vamos, anda...

─Er... tá bom então. – ele disse dando-se por vencido, mas sem entender nada.

Fomos no carro dele pra um outro supermercado bem mais distante, obriguei ele é claro.

Entramos e o Hyoga fez a mesma coisa que eu fiz com o Miguel, o colocou naquele carrinho com cadeirinha pra bebê. Bom, vamos ver como ele faz pro traquina ficar quieto.

Miguel ficou quieto de inicio, rindo o tempo todo. Fomos comprar de tudo praticamente, enquanto Hyoga via o que precisava o Miguel continuava quietinho ali, mas olha, só comigo ele ficou com birra.

Mas aí ele quis descer de novo, hahahaha, agora eu quero ver o Hyoga aperreado.

─Papa, hum, hum. – disse o Miguel com birra pra descer.

─Não, fica quietinho aí. – Hyoga disse sem dar muita atenção pro garoto enquanto lia o rotulo de sei lá o quê.

─Papa. – continuou choroso.

─Ele quer descer Hyoga. – eu disse e o Hyoga finalmente olha pra mim e pro Miguel no carrinho.

─O que foi agora? – disse entediado.

Olhou pro filho irritado querendo descer.

─Tá bom, tá bom. – disse suspirando e colocando o menino no chão.

─Agora preste atenção Miguel... Você não vai mexer em nada, não vai pra lugar nenhum e vai ficar aqui do meu lado quieto e comportado, entendeu? – disse abaixado falando sério e firme com o filho que estava com o dedinho na boca.

O menino só assentiu.

─Ok então, segura aqui na calça do papai. – disse e o menino ficou com a mãozinha segurando na perna da calça do Hyoga

─Ele não vai sumir Hyoga?

─Não, tem que falar bem sério com ele, assim ele obedece.

─Hum. – e realmente ele ficou ali quietinho mesmo e olhando em volta, e o Hyoga voltou a ler o que ele tinha em mãos.

Fiquei pasmo com aquilo e olhei irritado pro Miguel, mas que coisa, esse garoto tava testando minha paciência, só pode, e agora ele tava todo quietinho com o Hyoga.

Bom, vou esquecer isso por enquanto, algum dia eu aprendo a deixar esse menino disciplinado comigo.

Hyoga mal olhava pros lados, parecia que estava fazendo uma tarefa tão minuciosa que precisava de toda a atenção dele, era isso ou ele não tava querendo conversar comigo mesmo. Então eu decidi só segui-lo quieto mesmo, vezes ou outras eu comentava alguma coisa e ele só me olhava.

Tinham umas mulheres lá também, ficavam mandando aqueles sorrisos bestas pra mim, é claro que eu não dava a mínima pra elas, mas eu me irritava mesmo é quando elas sorriam pro Hyoga, essas assanhadas, mas ele parecia não notar, ou não ligava mesmo, fiquei até satisfeito com isso.

Às vezes uma ou outra vinha pra fazer alguma pergunta idiota pra mim ou pro Hyoga.

Até que uma mais assanhada e descarada foi até ele.

─Com licença, você sabe onde fica a seção de frios? – disse uma garota ruiva rebolativa falando com o Hyoga.

─ Não sei. – ele disse sem ao menos olhar pra ela. Ahh, mas isso me deixou muiiiito satisfeito hahahaha.

─É que eu nunca vim aqui sabe, achei que você pudesse me ajudar. – ela continuou insistindo.

─Não trabalho aqui, pergunte a algum funcionário. – o Hyoga disse ainda sem olha-la. Hahahaha. Vou até me encostar aqui no carrinho pra assistir melhor essa presepada.

Tava mais do que claro que o Hyoga não tava pra conversa, muito menos com aquela garota, porque essas assanhadas são tão persistes?

─Hum, papa. — Miguel puxou a calça do Hyoga pra ter a atenção dele.

─Hm? O que foi? – disse olhando pro filho.

─Ah, é seu filho? – disse a garota ainda perto, ela me ignorou completamente, além de assanhada é mal educada, mas quando ela viu o Miguel ela desanimou, acho que ela não tinha visto ele ainda, senão nem tinha chegado perto.

Foi aí que o Hyoga finalmente olhou pra ela.

─Sim. – disse parecendo entediado e pegando o filho no colo.

─E sua esposa está por aqui? – ela disse olhando em volta.

Hyoga a olhou um tempo desconfiado.

─Sim, foi ver se vendem pilhas pra arma de choque dela. – disse com um sorriso sarcástico.

Fiz foi rir. Hahahaha, só o Hyoga mesmo pra inventar uma coisa dessas.

─Ah tá, er... com licença. – ela disse sem jeito e se retirando.

─Essas garotas nunca aprendem. – Hyoga disse sorrindo enquanto colocava o Miguel no carrinho de novo.

─Nunca aprendem? – eu perguntei confuso enquanto parava de rir daquilo.

─É... um dos motivos de eu ainda andar com minha aliança é porque não estou interessado em ter nenhum relacionamento com ninguém agora, mas parece que elas não veem. – ele disse dando de ombros.

─Não está? – isso me desanimou.

─Como se eu tivesse tempo pra essas coisas. – ele disse.

─Você se incomoda com elas? Isso acontece sempre?

─Às vezes, mas não me incomodo... a maioria delas são bem bonitas. – ele disse empurrando o carrinho.

─Gosta de ter garotas bonitas atrás de você? – eu perguntei irritado.

─É claro, qual homem não gosta disso? Isso mostra que sou atraente pra atraí-las. – ele disse sorrindo. ─Além do mais é engraçado ver esse tipo de garota que não é acostumada a receber um ‘não’ e serem o tempo todo bajuladas, se descabelarem quando eu as ignoro... Lilia ficava pê da vida com elas, faltava partir pra briga quando alguma garota chegava perto de mim, ela era muito ciumenta. – ele comentou.

─Sério? Mas acho que ela tinha razão. – eu disse olhando desconfiado pra ele.

─Bom, às vezes eu fingia dar atenção pra alguma garota só pra irritar ela... ela ficava uma graça quando estava com raiva, mas ela sabia que eu só tinha olhos pra ela. – ele comentou.

─Hum, deve ser difícil ser casada com você. – eu disse irritado, nem sei por que eu estava.

Ele me olhou e riu.

─Eu dizia a mesma coisa pra ela. – Hyoga disse sorrindo.

Continuamos as compras e o Hyoga só ia enchendo o carrinho, mas era na maior lerdeza, acho que ele lia tudo que tinha escrito no rotulo das coisas, parecia estar em uma biblioteca. Aff, quando eu faço minhas compras eu só jogo as coisas no carrinho sem me importar com marca, data e validade ou preço. Sempre coloquei a culpa disso na minha vida agitada, mas ao que parece o Hyoga não se importava tanto com o tempo.

─Parece que você não tá nem um pouco apressado né Hyoga. – eu disse impaciente.

─Hum? Porque? Você está?

─Você enrola demais.

─Dá licença, que eu tô concentrado aqui Amamiya, comprar mantimentos é uma tarefa muito minuciosa. – ele disse sarcástico, parecia menos sério agora.

─Se continuar assim o mercado fecha e você nem vai acabar suas compras, ou melhor, leitura.

─Eu odeio fazer compras, mas quando eu faço é pro mês todo, então sempre presto atenção em tudo e sempre opto pela melhor marca, data de validade mais adiantada, e ainda verifico o valor nutricional, fora que tenho que verificar se o Miguel é alérgico a alguma dessas coisas. – ele disse ainda na maior calma.

─Mas precisa dessa vagareza toda? – eu disse cruzando os braços.

─Você parece muito impaciente, tem outra coisa melhor pra fazer? – ele disse rindo da minha cara emburrada.

─Não, é sua lerdeza que me aborrece mesmo.

─Se tá tão apressado então porque não me ajuda? Escolhe aí as coisas que você vai usar pra preparar o jantar.

─Boa ideia, isso me poupa paciência, melhor do que ficar olhando seu passo de tartaruga. – fiquei ao lado dele até então porque não achei seguro deixa-lo sozinho com aquelas descaradas por perto, mas depois do que ele disse me convenci que era seguro, ele não ligava mesmo pra elas.

─Vai logo então. – ele disse rindo enquanto eu fui atrás das coisas pro jantar, era inacreditável como ele não se aborrecia com nada, mesmo comigo falando daquele jeito com ele, se fosse o Ikki já teria me dado uns cascudos pra eu parar de graça.

─Shu. – disse Miguel me chamando antes de eu sumir de vista.

─Ele tá te chamando Shun. – Hyoga disse.

─Hã?

─Ele que ir com você. – disse Hyoga sorrindo.

─É mesmo? – eu disse sorrindo também e voltando.

─Leva ele, acho que eu tô andando devagar mesmo. – ele disse rindo.

─Viu só, até ele percebeu. – eu disse pegando o Miguel que me pedia colo.

─Cuidado viu, não deixa ele sumir por aqui. – ele avisou.

─Até parece que eu ia deixar uma criança solta no mercado né Hyoga. – eu disse na maior cara de pau.

─É só pra lembrar mesmo.

─Tá, tá. – eu disse já indo com o Miguel, é claro que eu não ia deixar ele solto... er, de novo. além do mais eu fiquei feliz por ele querer ficar comigo.

Peguei uma daquelas cestas pequenas e fui colocando o que eu ia usar pra fazer o jantar, acho que um Yakiniko seria uma boa opção pro jantar, ah vai ser isso mesmo.

Peguei tudo que eu ia precisar e nem demorei muito, e fui atrás do Hyoga. Por sorte o Miguel não ficou com birra, tava até quietinho, principalmente por que eu dei um picolé pra ele não me encher, esse menino é viciado nessas coisas frias.

Quando eu avistei o Hyoga ele tava perto do caixa com o carrinho já cheio, melhor assim, não me fez esperar mais ainda.

─Já? – ele perguntou quando nos avistou.

─Sim, aqui está. – eu disse passando a cesta pra ele.

─Verificou a data de validade dessas coisas? – ele disse com um sorriso irônico.

─Aff, vai logo pro caixa Hyoga.

─Calma, tô indo. – ele disse rindo.

Ele me obedeceu e passou as compras enquanto eu fiquei com o Miguel. Colocou tudo no porta-malas do carro e enfim fomos pra casa... Pra casa? eu pensei mesmo isso? Bom, deixa pra lá.

─Vamos alugar uns filmes agora Hyoga? – eu disse lembrando.

─Pode ser.

Ele colocou o Miguel na cadeirinha dele e então saímos do estacionamento do mercado, claro que só depois dele ter verificado o estado da cadeirinha umas mil vezes. Eu já disse que ele é protetor de mais?

Bom... Formos pra uma locadora pra alugar uns filmes pra assistirmos.

Conversamos durante o caminho todo, bom, na verdade só eu falava, o Hyoga limitava-se a dizer meros "hum", "anram", "é mesmo".

Isso me aborrecia, me deu vontade de perguntar se eu sou tão irritante assim pra ele me mandar logo calar a boca ou aprender a falar mais palavras.

Mas lembrei que ele sempre foi assim, acho que a idade tá me deixando ranzinza mesmo, mas olha só, eu com meus 27 anos me achando velho.

Resolvi demostrar meu descontentamento.

─Oh Hyoga.

─Hum?

─Você me acha irritante?

─Não. — ele disse confuso.

─Então você tá prestando atenção no que eu tô falando?

─Sim.

─Então fala mais ora, só eu falo aqui, e o Miguel tá muito pequeno ainda pra conversar comigo.

─Hum, o que quer que eu fale então? — ele disse entediado.

─Sei lá, dê sua opinião sobre o que eu falo, ou então diga como foi o seu dia.

─Hm... Foi um dia agitado. – ele disse simplesmente.

─Agitado como? Não sou medico lembra. — por mais que eu demostrasse irritação ele ainda continuava calmo, aff, acho que ele tá tomando muito calmante ultimamente, só pode.

─Bom, hoje recebemos muitos feridos do acidente de um ônibus e uma van que aconteceu hoje cedo em Nagatacho... Quando eu cheguei lá já tinha começado a correria, atendemos várias pessoas incluindo adultos e crianças com muitas escoriações sérias, alguns tiveram membros amputados, não pudemos fazer muito, a situação estava muito feia, boa parte deles ainda estão na UTI, estão recebendo acompanhamento frequente, dois terços dos funcionários dentre médicos, enfermeiros e anestesistas estavam mobilizados pra atender esses feridos, eu estava na primeira equipe, que presta o socorro imediato. Não paramos nenhum minuto, estamos em falta de cirurgiões com experiência, por isso eu operei boa parte deles, estava apenas eu e outros três médicos fazendo essa parte, e todas as cirurgias eram de risco... por isso estou tão cansado.

Fiquei pasmo com o que ele disse, e ele falava tudo na maior calma, nem soube o que falar depois disso, acho que ele via muito daquilo no dia a dia dele, era assustador só de imaginar.

─O que foi? — ele disse vendo minha cara assustada.

─Você fala disso na maior calma.

─É claro, tenho que manter a calma em qualquer situação. — ele disse sério dirigindo calmamente.

─Ah... Er, desculpe. — eu disse envergonhado.

─Hm? Pelo quê?

─Por ser impaciente, você realmente deve estar cansado, e eu aqui falando bobagens enquanto sua cabeça deve estar cheia de problemas.

─Hm? Não é pra tanto Shun, estou bem... gosto de ouvir você falando. – ele disse sorrindo, isso aliviou um pouco meu peso na consciência.

─Bom... deve ser horrível ver esse tipo de coisa todos os dias né?

─Bom, no inicio eu fiquei bastante impressionado mesmo, a Lilia me ajudou muito nessa parte, quando eu iniciei a carreira todos os dias eu chegava muito nervoso com o que eu via, e ela sempre me confortava, nem sei como seria se eu não tivesse ela. No passado sempre que terminávamos uma batalha nós acabávamos em um hospital, você deve lembrar bem desse tempo... mas nunca tivemos que tratar de nada disso, ter a vida de uma pessoa em suas mãos em uma mesa de cirurgia é uma coisa totalmente diferente. Fiquei muitas noites sem dormir por causa disso, mas hoje com minha experiência eu não passo mais por isso... digamos que eu me acostumei, não que eu tenha me tornado uma pessoa insensível pra essas coisas, mas aprendi que é melhor manter sempre a calma do que surtar em situações onde as pessoas precisam do apoio e integridade de uma pessoa sã que possa ajuda-las.

─Puxa, você passou por isso mesmo? Dever ter sido difícil. — eu disse surpreso e novamente ele falava da esposa mostrando tristeza em não tê-la perto.

─O ser humano é uma criatura muito dependente Shun, tudo que ele vê, ouve ou sente reflete em como ele vai agir, as pessoas que se encontram em situações de risco onde se sentem invalidas ou incapazes dependem da forma que a pessoa que vai cuidar dela age, se quem cuida mostrar ansiedade ou duvida então a pessoa que precisa de ajuda vai se desesperar ainda mais e isso pode piorar o estado dela, tanto físico quanto mental, ela precisa de alguém que dê força e animo, dizer que tudo vai ficar bem, e manter a calma é melhor forma de se transmitir isso.

─Você se considera uma pessoa equilibrada?

─Digamos que o suficiente... ainda sou instável, mas não com essas situações, e sim comigo mesmo. – ele disse parecendo meio desconfortável em falar daquilo.

─Porque diz isso?

─Bom, é complicado... Vamos falar disso depois. – ele disse meio impaciente agora, foi quando chegamos à locadora.

Fiquei pensando no que ele disse, poxa, ele tinha amadurecido tanto, e falava de uma forma tão madura, responsável, sinto que não posso dizer o mesmo de mim, eu continuava com as mesmas manias, algumas atitudes infantis, e pensamentos simplórios que só de ver a forma como ele falava eu me sentia envergonhado por não ter amadurecido mais. Não me sentia nos padrões dele, toda aquela sensação que eu tinha me sentindo velho sumia quando ele falava daquele jeito, me fazia sentir um garoto inexperiente, eram as vezes que eu me sentia uma pessoa inculta também, como um simples estagiário falando com um Ph.D.

Pensei até se era uma boa ideia mesmo deixa-lo ler meu livro, será que seria interessante pra ele ler um romancezinho como os que eu escrevia? Ele parecia ler coisas mais interessantes, e com mais seriedade do que as que eu sou acostumado. Bom, acho melhor esquecer isso por enquanto.

Entramos na locadora e o Hyoga foi logo falando.

─Escolhe aí. – disse entediado e foi sentar numa cadeira lá com o Miguel no colo.

─Como assim? Vem escolher também.

─Confio no seu gosto. – ele disse sorrindo.

─Nem vem, anda e deixa de preguiça, você tem que escolher também, não sou só eu que vou assistir.

─Escolhe algum desenho pro Miguel e um outro de ação pra nós.

─Aff. Folgado... Vem Miguel. – peguei o Miguel dele e fui escolher algum desenho, o Hyoga só riu da minha cara.

Hum, vamos ver, tem uns desenhos americanos bem legais aqui, uns animes também, espero que o Miguel goste. Escolhi um e mostrei pra ele.

─Doraemon, o que achou Miguel? – eu disse mostrando o desenho da capa pra ele.

─Hum, Dora, dora. – ele disse abrindo um largo sorriso, acho que ele gostou.

─E aí? O que escolheu? – disse o Hyoga chegando atrás de mim.

─Ah, resolveu ajudar, pensei que queria ficar lá sentado seu preguiçoso. – eu disse aborrecido.

─Sem drama Shun. – ele disse chegando perto pra olhar.

─Vish. Vem cá filho. – disse pegando o Miguel do meu colo junto com o DVD na minha mão e o escondeu do Miguel atrás dele e encostou-se na estante que tinha atrás e colocou o DVD lá.

─O que foi? – fiquei muito confuso com aquilo.

─Nada... olha esse aqui filho, legal né. – disse pegando outro DVD de desenho e colocou na mão do Miguel que ficou todo sorridente olhando a capa.

─Hum? Não gostou do Dorae...

─Xiii. – Hyoga fez um gesto pra mim ficar quieto. ─Da ultima vez que eu aluguei esse anime o Miguel me fez colocar esse DVD umas quinhentas vezes e não parou mais de cantar a musica. – ele disse suspirando.

─rsrsrsrs, sério?

─É, vou acabar enlouquecendo se ouvir essas musicas de novo.

─É só um anime Hyoga. – eu disse rindo do drama dele.

─Você que pensa, é viciante, eu sei todas as musicas só de tanto repetir o DVD pro Miguel.

─Tá bom, tá bom... já escolheu pra ele, e pra nós?

─Não sei, escolhe um shonen aí ou algum filme americano... Mas nada de filme fresco viu.

─Hunf, eu não assisto filme fresco rapaz. – fui pra outra estante e ele me seguiu.

─Sei... acredito. – disse com ironia.

─Olha só aqui, tem Outrage Beyond, e... Os vingadores, pode ser? – eu perguntei.

─Pode. – ele disse indo pro caixa, eu ainda fiquei procurando outros de romance e comedia pra assistirmos, fazer o que né.

Quando cheguei ao caixa o vi conversando com uma garota japonesa, alta de cabelos castanhos. Aff, me irritei, ele vem com aquele papo todo, mas mesmo assim falava com as assanhadas.

─Oi. – eu disse ríspido pros dois.

─Oi Shun. Essa é Hana Takeda, é uma amiga, trabalha como enfermeira no mesmo hospital que eu. – ele disse sorrindo pra mim e a moça também... hunf, trabalhava com ele é. Não gostei.

─Oi, muito prazer. – ela disse em um típico cumprimento japonês e me oferecendo a mão em seguida.

─Hum. – a cumprimentei também.

─Conheço seus livros Shun, são muito bons. – ela disse sorrindo, mas não adiantava, não gostei dela assim tão perto do Hyoga.

─Obrigado. – eu disse ainda ríspido e passei entre eles pra falar com o rapaz do caixa, e eles continuaram conversando.

─Ainda continuou lá depois que eu saí Hana? – Hyoga disse de imediato, acho que ele percebeu meu mau humor.

─Um pouco, a equipe da noite assumiu logo depois... hoje foi corrido. – ela disse suspirando.

─Realmente.

─Está passeando com seu filho agora?

─Estamos... o Shun cuidou dele hoje.

─Hum, mas deve ser muito legal passar o dia com esse anjinho né. – disse afagando os cabelos do Miguel que ficava olhando pra todo lado com o dedinho na boca. ─Seu filho é lindo Alexei.

─Obrigado. – ele disse todo bobo olhando pro Miguel, e aquela garota não tirava os olhos dele e isso já estava me incomodando.

─Vamos Hyoga, já tá tarde. – eu disse, assim que aluguei os DVD’s, aquilo já tava chato.

─Ah sim, claro... Temos que ir Hana, até amanhã. – disse cumprimentando aquela garota.

─Mas já? Bom, até amanhã então, tchau Alexei.

─Tchau. – ele disse enquanto eu o puxava pra fora.

─O que você tem? – ele perguntou confuso quando chegamos lá fora.

─Nada. – eu disse entrando no carro e fiquei olhando pra frente de braços cruzados.

Ele não entendeu nada, colocou o Miguel na cadeirinha e entrou.

─Tudo bem com você?

─Sim, o que teria de errado comigo? – eu disse ainda aborrecido, nem sei porque eu estava assim, acho que é porque ele ficou falando animado demais com aquela garota.

Ele estranhou mais ainda.

─Por que foi rude com a Hana?

─Não fui rude com ela. – eu disse emburrado.

─Se sente bem Shun? – ele disse chegando perto de repente e pegando no meu braço e depois no meu pescoço, me senti estranho com aquilo, as mãos dele não eram geladas, mas sim quentes, era uma sensação boa ter ele perto me tocando.

─Está sem febre, sua pressão baixou de novo então? – ele disse confuso.

─Porque você acha que tudo que eu tenha é problema de saúde? – eu disse ainda aborrecido.

─Sei lá, você muda de atitude de repente, ou é isso ou alguma coisa te aborreceu... eu disse alguma coisa que te ofendeu? – ele perguntou preocupado.

─Não Hyoga, está tudo bem, anda, vamos logo. – eu disse virando o rosto do dele, eu sei, eu sei, estou agindo feito criança, mas não consigo evitar, e ele ficava se sentindo preocupado e nem era culpa dele, até pedi desculpas mentalmente pra ele, mas sou orgulhoso demais pra falar.

─Papaa. – Miguel já tava impaciente lá atrás.

─Já vamos filho. – ele disse e fomos pra casa.

Chegamos e eu subi com o Miguel enquanto o Hyoga pegava as compras, ele foi levando tudo pra cozinha, acho que ele precisou descer duas vezes, eram muitas coisas.

Ele estava mais calado do que de costume, droga, eu sempre estrago tudo, vou ter que pedir desculpas.

Deixei o Miguel brincando na sala e fui falar com ele quando ele trouxe as ultimas sacolas.

─Hyoga.

─Hm? – ele estava guardando as coisas.

─Desculpe ter me aborrecido com você e...

─Você estava aborrecido comigo? – ele parecia confuso.

─Sim, você não percebeu? – eu me irritei de novo, ele é cego por acaso?

─Estava em duvida... o que foi que eu disse então pra te chatear? – ele disse chegando perto de mim e me olhando atentamente.

─Er, foi, foi... ahh, não foi nada não, eu que me chateei a toa mesmo. – eu disse vermelho.

─Se você fosse mulher eu acharia que você estava de TPM. – ele disse. ─Mas me desculpe de qualquer forma se te aborreci. – ele disse sorrindo e voltando a arrumar as coisas.

Mas olha só, TPM, hunf, só na cabeça dele mesmo... Olhei pra ele que parecia bastante tranquilo de novo, isso aliviou minha consciência, ele não se aborrecia por qualquer besteira, diferente de mim.

Resolvi deixar aquela historia pra lá. Não adiantava de nada ficar irritado com qualquer coisa.

─Quer tomar um banho agora Shun? – ele perguntou enquanto eu o olhava.

─Sim estou precisando. – eu disse cheirando minha camisa, que inclusive não estava com um cheiro muito bom.

─Ok, vou pegar uma toalha pra você.

─Você pode me emprestar uma roupa também? É que estou com essa desde cedo.

─Sim, claro.

Fui tomar meu merecido banho, enquanto isso Hyoga dava banho no filho dele também, no quarto dele é claro, eu usei outro que ficava no corredor.

Hyoga me emprestou umas roupas dele, um calção e uma camiseta, ficavam maiores em mim, pena que era limpas, eu queria sentir o cheiro dele.

Quando ele terminou levou o filho pra sala e o deixou brincando lá, ele ficava quietinho quando o Hyoga estava em casa.

Eu já estava vestido e fui preparar o jantar, vou fazer o melhor possível, tenho a necessidade de impressiona-lo, nem sei porque eu estava pensando daquele jeito.

Enquanto eu preparava a comida ele veio pra cozinha e pegou um copo d’agua e tirou um frasco marrom do bolso, comprimidos.

─O que é isso? – eu perguntei vendo ele tomando o remédio.

─É remédio controlado. – ele disse sorrindo.

Hã? É sério? Remédio controlado? Ele tomava remédio controlado? Quando eu ouvi aquilo eu logo me lembrei dos filmes que eu assistia e lembrava que quem tomava esse tipo de remédio eram os loucos.

Fiquei tão surpreso que fiquei com cara de bobo olhando pra ele que ainda sorria tranquilamente.

Ele ficou sério um pouco antes de começar a rir da minha cara.

─Rsrsrsrsrs. Tô só brincando Shun. – ele disse rindo.

─Hã?

─Achou mesmo que eu iria tomar remédio controlado? Não sou nenhum louco. – ele disse rindo balançando a cabeça.

─Aff, o que você queria que eu pensasse com você falando sério desse jeito seu tapado. – eu disse irritado, ele tinha me assustado com aquela historia.

─É só um remédio pra dor de cabeça, estou com enxaqueca. – ele disse.

─Enxaqueca? Desde que hora?

─Desde cedo, é incomodo, mas eu aturo, não dá pra viver só de remédios né. – ele disse que estava assim desde cedo, mas ainda assim aturou minhas birras, realmente ele tem uma calma implacável, se fosse eu que estivesse com dor de cabeça eu já teria mandado pro inferno quem me aborrecesse, vish, acho que agora eu pareci com meu irmão.

─Só isso não adianta. – eu disse chegando perto dele e aproximei minhas mãos do rosto dele pra fazer uma massagem.

─Hm? O que vai fazer? – ele disse segurando minhas mãos.

─Só uma massagem. – eu disse, mas ele continuou me olhando desconfiado, oxi, nem sei porque ele é assim tão assustado.

Ele relaxou e me deixou toca-lo e fechou os olhos, percebi que a cabeça dele tava latejando, e ele ainda mantinha aquela serenidade dele, realmente ele era muito resistente, ele encostou-se na mesa e comecei uma massagem nas têmporas dele.

Era tão bom toca-lo, olhar pra ele relaxado daquele jeito, e ele era tão bonito, comecei a observar o rosto dele, e novamente meu coração voltou a bater mais rápido, minhas mãos suavam, mas o que seria isso? Sempre acontecia quando eu estava com ele, eu me sentia nervoso e ansioso, mas ao mesmo tempo era uma sensação tão boa, eu adorava ficar perto dele, por isso não gostei de ver aquela garota perto dele, aquele era um privilegio que eu queria guardar só pra mim.

Infelizmente o celular dele tocou de repente e ele abriu os olhos suspirando.

─Com licença Shun. — foi atender.

Vi ele indo pra varanda e atendendo, quem será?

Bom, é melhor eu continuar com o jantar. Temperei a carne e preparei o arroz.

Ele ficou bastante tempo conversando pelo celular lá na varanda. Fui pra sala e fiquei com o Miguel enquanto o arroz cozinhava.

Hyoga voltou depois de um tempo e sentou-se do meu lado no sofá.

─Quem era? — fui logo perguntando mal humorado por ele ter passado tempo demais naquela conversa.

─O Shiryu. — ele disse, notei que ele estava desanimado.

─O que ele queria?

─Liguei hoje cedo pra ele, mas ele estava ocupado, então mandei uma mensagem pra ele me ligar quando pudesse... Eu queria pedir o numero da garota que ele falou.

─E então?

─Ele me passou, liguei pra ela, mas ela disse que não vai poder, que está cuidando de outra criança.

─Ihh, e agora?

─Não sei, acho que vou ter que leva-lo comigo.

─Pro trabalho?

─Sim.

─Mas como você vai trabalhar com ele?

─Tem uma ala pra crianças lá, pros filhos dos funcionários sabe, mas ele detesta ficar lá. — ele disse.

─Detesta?

─É, da ultima vez eu o deixei lá e ele fez um escândalo, chorou muito então tive que leva-lo pra casa... Vou ter que fazer uma entrevista com várias garotas pra contratar uma babá definitiva mesmo. — ele disse suspirando.

─Hum, er... Hyoga, amanhã pela manhã eu tenho uma reunião com minha editora, e ela tem muita influencia com vários jornais da capital, posso pedir a ela que contate alguém e coloque um anuncio no jornal, ela pode cuidar da divulgação e podemos marcar a entrevista para sábado, você vai trabalhar sábado que vem?

─Não... é uma boa ideia Shun. Quanto custa o anuncio?

─Não muito, depende do destaque que você quer, mas pra mim ela consegue por um bom preço.

─Bom, o custo é de menos, e eu vou querer o mais destacado possível, se fosse possível até na primeira página.

─Quem dera pudesse rsrsrs... Bom, o que acha? Posso falar pra ela?

─Sim, claro. Quanto antes melhor. — ele disse olhando pro Miguel que levantou e foi pra ele.

─Desculpe filho, eu devia ter feito isso a muito tempo, sou um irresponsável mesmo. — disse pegando o filho no colo que ficava todo sorridente quando o Hyoga lhe dava atenção.

─Mas como você faria se nunca tem tempo Hyoga?

─Sei lá, só sei que eu devia ter dado um jeito. — disse levantando com o menino nas mãos. ─Miguel merece o melhor né filho. – disse sorrindo pro garoto.

Começou a jogar um pouco o menino pro alto, e pegando e jogando, e o Miguel só rindo, aii aquilo já tava me dando medo.

─Para Hyoga. — eu disse angustiado.

─Com o que? Com isso? Rsrsrsrs. — disse me provocando e continuando a brincadeira com o filho.

─É isso aí mesmo, para... Parece que ele vai cair.

─Até parece que eu vou machucar meu filho né Shun. — ele disse parando.

─Claro que não, mas vai que você se descuida.

─Rsrsrsrs. Francamente Shun, sou um cavaleiro, tenho força e equilíbrio, fora que meus reflexos impossibilitariam sequer que eu me descuidasse... E você pareceu com a Lilia agora, sempre com as típicas frases: ‘cuidado pra não deixar o Miguel cair Hyoga’... ‘Não deixe de trocar a frauda dele Hyoga’... ‘Cuidado com o que você dá pra ele comer’... ‘Não chegue ao zero absoluto senão você vai congelar seu próprio filho Hyoga’. — ele disse rindo.

─rsrsrsrs. Espero que essa última parte seja mesmo brincadeira.

─Rsrsrsrs. Eu sei cuidar dele Shun... né Miguel, o papai cuida bem de você não é mesmo? — disse encostando a testa na do Miguel que não parava de rir.

Era tão bom ver eles juntos daquele jeito, brincando, rindo o tempo todo, eu adorava ver aqueles lindos sorrisos no rosto do Hyoga, e o lindo rostinho infantil do Miguel rindo o tempo todo.

─Acho que você tá é caducando Hyoga rsrsrsrs... Olha... Eu não vou ficar o dia todo ocupado, a reunião vai ser breve e eu estarei livre a tarde pra iniciar meu manuscrito, e vai ser assim a semana toda, então eu posso ficar com o Miguel, e antes que você diga alguma coisa contra, garanto que ele não vai me atrapalhar, pude ver hoje que é bem simples cuidar dele, afinal ele é bem quietinho, então eu terei tempo de sobra pra trabalhar, o bom de ser escritor é que qualquer lugar pode ser meu escritório, eu trago meu notebook pra cá e posso trabalhar tranquilamente.

─Hum... Depois de tudo isso que você disse eu só tenho uma coisa a dizer Shun. — ele disse sério.

─É? Vai aceitar então? – eu disse em expectativa.

─Minha resposta é ‘Nããoo’. hahahaha. — ele disse rindo e voltando a brincar com o Miguel.

─Acho que tinha outra coisa naquele comprimido que você tomou heim Hyoga. — eu disse rindo do jeito que ele falou, acho que aquela cara emburrada que ele tava mais cedo era por causa a enxaqueca mesmo.

─Pode ser, devem ser efeitos colaterais Rsrsrsrsr... Mas agora é sério Shun, você não vai conseguir trabalhar e cuidar do Miguel ao mesmo tempo, eu não poderia te pedir esse favor.

─Vou conseguir sim, e eu quero ajuda-lo Hyoga, sou seu amigo, e gostei muito do Miguel.

─Quer se candidatar a padrinho dele Shun? Fique sabendo que a fila é grande, só faltou o Ikki se candidatar. -ele disse sorrindo.

─É sério?

─Sim, Miguel foi praticamente o anfitrião naquela reunião que eu fui pela primeira vez, todos quiseram pegar ele.

─Pois fique sabendo que eu estou no topo da lista viu senhor Hyoga... Vem cá Miguel. — eu disse chamando ele.

─Hum, hum, quelo papa. — disse se agarrando no Hyoga.

─Mas olha só que tratante. — eu disse indignado.

─Se preocupa não Shun, ele não vai com ninguém se eu estiver brincando com ele. — Hyoga disse rindo.

─Hunf, ingrato... Vocês dois. – eu disse emburrado.

─Rsrsrsrs. Tá bom Shun, você pode ficar com ele essa semana, eu não tenho escolha mesmo, mas prometo que vou retribuir o favor.

─Eu posso até levar ele comigo amanhã de manha pra reunião, ele vai ficar quietinho mesmo então não vai me atrapalhar com minha editora, e não se preocupe em retribuir nada Hyoga, faço com o maior gosto.

─Obrigado. — ele disse sorrindo.

─Bom, vou ver se o arroz já tá cozido, e você vai tomar um banho agora viu Hyoga.

─Porque? O cheiro já tá chegando longe? – ele disse.

─Engraçadinho... só vai comer depois de tomar banho.

─Tá bom, entendi... mas primeiro vou reparar a comida do Miguel. – ele disse ligando a televisão pra distrair o Miguel e o colocou sentado no sofá com algum brinquedo, e foi pra cozinha comigo.

Ele pegou umas coisas na geladeira e começou a preparar uma sopa pro Miguel.

Me ajudou a preparar o molho também e a temperar uns legumes, era bom ter ele perto me ajudando, eu sentia como se eu sempre tivesse pertencido aquele ambiente, ao lado do Hyoga e do Miguel, me sentia em casa.

Por fim ele pegou a grelha elétrica, colocou na mesa e deixou esquentando e deixou a sopa do Miguel cozinhando.

Quando ele ia saindo pegou uma maça numa tigela em cima da mesa.

─Nã-nã-nã, nem pesar Hyoga, vai ficar sem fome quando a comida estiver pronto. – eu disse pegando a maçã dele.

─Mas eu tô com fome ora... passa pra cá. – disse tentando pegar a maçã.

─Não consegue aguentar uns minutinhos?

─Não.

─Porque? Não almoçou?

─Não.

─Sério? Porque?

─Já falei que não tive tempo Shun, hoje foi muito corrido.

─Tá bom, me convenceu, mas só essa viu. – eu disse entregando a maçã pra ele.

─Tá... vou tomar um banho agora, já que meu cheiro fere suas narinas sensíveis. – ele disse se fazendo de ofendido.

─Aff, vai logo. – eu disse expulsando logo ele da cozinha.

Ele saiu comendo a maçã dele e foi tomar um banho enquanto eu preparava a mesa pra comermos, percebi que eu deixei uma zona na cozinha quando preparei a papinha do Miguel hoje mais cedo, ainda bem que o Hyoga não notou, tanto isso quando as sacolas daquele mercado que eu fui com o Miguel, daí ele ia vir com uma série de perguntas eu ia ficar nervoso e ia acabar confessando que deixei o filho dele perdido no mercado. Bom, melhor esquecer, vou fingir que nunca aconteceu hehehe.

Coloquei a carne na grelha e fiquei esperando ele.

Ele voltou enxugando os cabelos com uma toalha nos ombros e estava vestido com uma calça moletom folgada e uma camiseta azul.

─Já? – ele disse chegando perto do fogão e eu pude sentir o frescor que vinha dele, com o cheiro do shampoo mais o cheiro natural dele, era um cheiro tão bom, eu podia me acostumar a sentir aquele frescor todos os dias.

─Já sim, e a sopa do Miguel também.

─Então vamos comer, estou faminto. – ele disse indo pra sala pra buscar o Miguel.

Eu coloquei comida na mesa e o esperei, ele voltou e colocou o Miguel na cadeirinha dele e pegou a sopa e começou a dar pro filho enquanto eu servia umas tigelas de arroz pra nós.

Coloquei os hashi na em cima da tigela do Hyoga.

─Pra que isso aí? – ele disse olhando torto pros palitinhos.

─Pra comer ora.

─Não vou comer com esses palitos, nossos antepassados facilitaram nossas vidas criando os maravilhosos talheres pra esse fim, sabia Shun. – ele disse irônico.

─Aff, como você é chato heim Hyoga. – eu disse e fui pegar os preciosos talheres dele enquanto ele só ria da minha cara.

─Isso é comida japonesa, e você está no Japão agora, tem que seguir nossas tradições.

─Não sei comer com hashi Shun, e não sei pra que essa frescura, palito pra mim só se for no espeto.

─Grosseiro, deixa, com o tempo vou te obrigar a seguir nossas tradições. – eu disse o advertindo.

─Vai ter que aprender as tradições russas também então. – ele disse sem dar muita importância pra minha implicância.

─Tá, tá, para e tagarelar e vamos comer. – eu disse.

─Olha quem fala.

─Itadakimasu. – dissemos juntos e começamos a comer.

─Isso tá ótimo Shun. – disse enquanto alternava entre comer e alimentar o Miguel.

─Obrigado, o Ikki que me ensinou.

─O Ikki? – ele disse surpreso.

─Sim, ele que cuidava de mim lembra.

─Hum, não sabia que ele cozinhava.

─Bom, na verdade ele me ensinou pra não ter que fazer mais.

─rsrsrsrs. Sabia que tinha coisa aí. – ele disse rindo.

─É, quando ele fez dezoito nós nos mudamos da mansão, eu morei com o Ikki todo o tempo da faculdade e alguns anos mais, no inicio ele tinha o maior zelo comigo, me ensinou muitas coisas, dividíamos todas as funções, mas quando ele terminou a faculdade dele e começou a trabalhar ele deixou por minha conta, então passei a cuidar da casa, ainda mais porque eu ainda estava estudando.

─Hum, ele fez faculdade de que?

─Engenharia civil, ele até tá com planos pra abrir sua própria empresa de construção, dou todo meu apoio a ele.

─Que bom, fico feliz por ele.

─Imagina o Shaka, tá todo bobo com namorado, ou ex, ou namorado mesmo, sei lá, rsrsrsrs.

─Eles ainda tão nessa enrolação?

─Sim, não viu eles juntos ontem? Semana passada eles tavam brigados, meu irmão disse que nem queria mais olhar na cara do Shaka, e ontem eles tavam naquela melação toda de novo.

─Hm. São dois cabeças duras mesmo.

─É o que eu sempre digo pro Ikki. Imagine se morassem juntos, já parecem até casados de vez em quando.

─E você Shun?

─Eu? Bom... agora eu estou morando sozinho faz um ano e meio mais ou menos, mas eu nunca gostei de morar sozinho.

─Então porque está morando sozinho agora?

─Bom, eu sempre preferi dividir o apartamento com meu namorado, mas meu ex foi uma exceção, eu só concordava em morar junto quando eu tinha muita confiança na pessoa, mas terminamos antes de criarmos laços mais fortes.

─Hm... Isso faz pouco tempo?

─Um ano.

─Nossa. Lamento... Deve estar solitário então. – ele comentou.

─Mais ou menos, nunca gostei de ficar sozinho, gosto quando chega o sábado e nos reunimos, sinto falta de quando convivíamos todos juntos.

─Faz tempo isso... eu também sinto falta, apesar de que eu nunca estou sozinho, afinal eu tenho o Miguel comigo, mas ele é só uma criança, as vezes sinto falta de conversar com alguém... que me entenda.

─Sério? Sinto o mesmo.... é estranho.

─O quê?

─Você... sempre foi mais reservado, quieto... distante.

─Me acostumei com a presença da Lilia, ela sempre esteve ao meu lado, até trabalhávamos no mesmo hospital... Quando ela faleceu fiquei solitário de novo, só não tanto por causa do Miguel. – ele disse triste.

─Hum. Vocês eram bastante unidos né? – fiquei triste por ele, mais um motivo pra me aproximar mais deles, e realmente ele parecia solitário, fora que novamente ele mostrava a falta que a esposa fazia na vida dele.

Ele me olhou e sorriu.

─Sim... A Lilia me completava.... ela era sempre muito animada... você também é Shun, gosto de ter você aqui, sua presença anima o ambiente. – ele disse sorrindo pra mim, adorei ouvir isso, ele apreciar minha presença mostrava que eu não estava sendo um intruso estando ali com eles, se bem que ele me fez sentir em casa o tempo todo, e em nenhum momento eu estranhei aquele ambiente familiar.

─Obrigado Hyoga. – eu disse sem jeito. ─Completamos nossas necessidades então, ambos queremos companhia.

Ele só me olhou e sorriu.

Terminamos de comer e lavar a louça. Então eu coloquei o DVD pro Miguel assistir e fiquei lá com ele enquanto o Hyoga descansava um pouco, ele foi pra varanda e ficou sentado numa cadeira lá fora.

Miguel se animou todo com o anime que eu aluguei, ainda estava agitado, ria o tempo todo.

O filme dele durou em torno de uma hora, e já tava na hora dele dormir mesmo, já eram umas nove e meia.

Quando o filme acabou Miguel foi lá pra varanda perturbar o pai dele.

─Papa, papaaa. – disse batendo no vidro da porta da varanda, mas Hyoga tinha acabado cochilando sentado ali mesmo, realmente ele estava cansado.

─Deixa seu pai dormir Miguel. – eu disse chegando perto dele.

─Hum, hum, papaaa. – continuou perturbando e o Hyoga acabou acordando.

─Hm? – ele acordou suspirando, nos viu e chamou o Miguel. ─Vem cá Miguel. – disse chamando o filho e eu abri a porta pra ele.

Hyoga pegou o filho e o Miguel o abraçou e ficou ali quietinho com o Hyoga, ficaram ali abraçados, tão lindos, a leve brisa da noite parecia fazer bem aos dois, e o Hyoga parecia bem mais relaxado, ainda bem que ele descansou um pouco.

─Vem cá Shun. – disse me chamando.

─Er... melhor não. – eu disse sem jeito em atrapalhar aquele momento deles.

─Vem logo. – disse me indicando a outra cadeira que tinha ali.

─Tá bom. – fui lá e fiquei com eles.

Ficamos em silencio apreciando a noite, Hyoga fechou os olhos começou a aninhar o Miguel e o menino foi fechando os olhos aos poucos também, Miguel parecia cansado, mas também ele brincou muito hoje.

Acabou cochilando ali nos braços do pai, nunca me canso de olhar pra ele, tão fofinho e pequenininho.

Me sentia privilegiado em partilhar daquele momento de pai e filho, mas me veio uma sensação ruim, foi a única vez que me senti um intruso, como se estivesse no lugar de outra pessoa... como se eu estivesse no lugar da Lilia.

Resolvi sair dali, por mais que fosse agradável estar ao lado deles, mas não achei certo permanecer, aquele peso na consciência não me deixava tranquilo.

Fui pra sala, o que eu estou pensando?

O Hyoga ainda amava sua falecida esposa, sempre falava dela com tamanha ternura e amor, parece que seria mesmo difícil ele se recuperar da perda dela, apesar de ele se mostrar sempre uma pessoa equilibrada e tranquila, mas ainda assim dava pra ver que ele falava triste dela, ela deixou um vazio que parecia impossível de ser ocupado, eu gostaria de poder deixa-lo feliz, faze-lo sorrir sempre e sem preocupações, ele é meu amigo, sempre o considerei uma pessoa muito querida e especial pra mim, tanto quanto ou até mais que meus outros amigos.

Mas aquele vazio que a Lilia deixou nunca seria ocupado, o Hyoga mesmo disse que não quer ter nenhum relacionamento, e todo o tempo que passei com ele eu tinha pensamentos que não eram só de um simples amigo.

Passei só algumas horas com ele, mas apreciei cada segundo, nunca me senti tão dependente daquela sensação, apesar de sempre ter sonhado em ter uma família eu nunca me imaginei de fato em uma.

É tão bom ter alguém pra vida toda, partilhar momentos de alegria e tristeza, rir por qualquer coisa, relaxar, brincar, e foi o que eu senti estando com eles, mas aquele não era meu lugar, por mais que Hyoga mostrasse simpatia e hospitalidade o tempo todo, ele só estava sendo gentil, afinal ele sempre foi assim comigo, de todos nossos amigos ele era sempre o mais distante e frio, mas comigo não, comigo ele era mais carinhoso e amável, todos são, mas ele sempre foi mais... especial.

Porém eu sei o meu lugar, e não era esse, eu gostaria muito que fosse, mas não é, por mais que eu tenha passado boa parte do tempo me convencendo que não era nada de mais pra não me sentir tão culpado.

Eu não tinha percebido até então, mas eu realmente estava solitário, eu me ocupava em tantas coisas, e me sentia realizado nelas, tanto que elas me faziam esquecer que eu estava sozinho, até mesmo meu irmão está mais encaminhado do que eu... mesmo em noites que eu passava com meus amigos e partilhava de momentos alegres com eles, mas ao chegar em casa e ver que não tinha ninguém me esperando me deixava angustiado, e novamente aquela solidão voltava, fora que todos meus relacionamentos até hoje foram desastrosos, quem lia meus livros nunca imaginaria isso, afinal eu descrevo o amor de uma forma tão sublime neles, como se eu de fato tivesse sentido algo parecido.

Porém era o contrario, como eu disse, eu nunca me apaixonei, apesar de eu ter percebido desde que revi o Hyoga que ele me atraia, eu sei, eu sei, ele é meu amigo de infância, de batalhas, partilhamos tantos momentos juntos no passado, e agora ele voltava pra minha vida e confesso que talvez eu esteja sentindo algo novo por ele, afinal todas aquelas sensações novas que eu tinha quando ele estava perto não eram meras coincidências, mas tudo não passa de ilusão, por mais que eu queira alguma coisa com ele, ele não ia querer comigo, afinal a memoria da esposa dele ainda é muito recente, e ao que parece ele não vai querer livrar-se delas, muito menos permitir que outra pessoa ocupe esse lugar na vida dele.

─Tudo bem Shun? – Hyoga disse do nada atrás de mim.

─Aii que susto Hyoga. Que ideia é essa de chegar de fininho? – caramba eu estava tão distraído assim?

─Tô aqui faz um tempo, você é que está distraído demais. – ele disse tranquilamente.

─Ah, é que er... deixa pra lá. Cadê o Miguel?

─Coloquei ele pra dormir.

─Ah, er Hyoga... acho melhor eu ir agora, já tá tarde e...

─Já quer ir? Achei que ia passar a noite aqui, e ainda são dez horas. – ele disse olhando o relógio. ─E nós nem assistimos os filmes que você alugou.

─Bom, é que eu tenho que acordar cedo amanhã.

─Eu também. – ele disse naquela tranquilidade dele e sentando-se ao meu lado. ─Aconteceu alguma coisa? Você saiu de repente. – ele disse novamente preocupado comigo. Droga, porque ele fazia aquilo? Ficava cada vez mais difícil me distanciar dele desse jeito.

─Não aconteceu nada Hyoga. – eu disse desviando do olhar dele.

─Como não? Você estava animado ainda a pouco e agora parece triste.

─Pare de se preocupar comigo, preocupe-se com você mesmo... ainda está com dor de cabeça?

─Tá passando. – ele disse sorrindo pra mim.

─Deixa eu ver. – eu disse tocando nele de novo, adoro fazer isso. ─Não parece mais tão ruim como antes. – eu disse massageando as têmporas dele, não sei o que deu em mim, ao invés de continuar com a massagem eu passei a acariciar o rosto dele, fiquei um tempo olhando ternamente pra ele, decorando cada linha do rosto dele, olhar aquela pele pálida e aqueles lindos e majestosos olhos azuis, porque ele tinha que ser tão hipnotizador? Parei naquela boca linda, eu queria tanto senti-la, desde que o reencontrei.

─Er... sua massagem ajudou. – ele disse sério de repente e tocando minhas mãos no rosto dele e as retirando delicadamente, acho que ele percebeu minha cara de bobo olhando pra ele.

─Ainda quer ir embora? – ele perguntou levantando.

─Bom, como você disse ainda tá cedo, além do mais eu vou ficar com o Miguel amanhã então seria mesmo uma boa ideia passar a noite aqui, daí eu só vou em casa pra trocar de roupa amanhã. – por alguma razão eu não quis mais ir, quis ficar mais tempo com ele, vou ignorar minha consciência por enquanto.

─Tem razão, pode ficar no quarto de hospedes hoje. – ele disse voltando a sorrir, isso me aliviou, achei que tinha deixado a situação estranha entre nós.

─Ok... vamos assistir o filme então? – eu disse mais animado.

─Sim, coloca aí enquanto eu preparo o quarto pra você. – ele disse já se retirando.

─Tá bom, vou fazer uma pipoca pra nós tá. – eu disse antes dele sumir de vista.

─Tá.

Coloquei o saco de pipocas no micro-ondas e fui fazer um café pra gente.

Quando terminei vi ele já me esperando na sala.

─Nem foi me ajudar né folgado. – eu disse fingindo irritação e sentando ao lado dele que tava todo folgado com os pés em cima da mesa de centro.

─Pra fazer pipoca? Deixa de drama Shun. – ele disse rindo. ─E trás logo essa pipoca pra cá. – ele disse pegando a vasilha de pipocas pra ele e iniciando o filme.

─O que houve com aquele papo de cortesia heim Hyoga? – eu disse tomando a pipoca da mão dele.

─Sumiu quando você disse que não precisava dessas cerimonias. – ele disse rindo.

─Hunf, cortesia é bom e não faz mal a ninguém.

─Essa frase é minha viu.

─Ah, fica quieto que já começou o filme.

─Que filme é esse mesmo heim? – ele disse depois de um tempo.

─Saberíamos se você não estivesse falando no inicio.

─Ah, fica quieto aí Shun... deixa eu ver. – disse pegando a capa do DVD. ─É Outrage Beyond.

─Hum, tá ficando interessante. – eu disse enquanto comia a pipoca.

Ficamos assistindo o filme lado a lado, aproveitei que ele estava distraído e me aproximei mais dele. Fazíamos comentários o tempo todo, era bom descontrair com o Hyoga, ele era bem animado quando estava relaxado, e era sempre difícil isso acontecer, gostei por ele não querer se mostrar sempre formal comigo e falar mais naturalmente, e eu já sou animado naturalmente, modéstia parte né, e acho que ele gostava de mim assim.

Riamos de qualquer coisa, as vezes ele fazia uns comentários engraçados, e olha que o filme era de suspense. Eu ficava olhando pra ele enquanto ele estava distraído, ele era apaixonante, aquele lindo sorriso dele me fascinava, acho que eu estava prestando mais atenção nele do que no filme, ainda bem que ele não notou.

Quando o filme terminou eu coloquei outro americano, Os vingadores, e fui fazer mais pipoca.

Nesse o Hyoga ficou mais quieto, acho que o cansaço bateu de vez e ele foi ficando sonolento, como é que pode alguém dormir num filme como os vingadores?

Como estávamos próximos teve uma hora que ele cochilou de vez e acabou encostando-se em mim, e deitou a cabeça no meu ombro.

─Mas olha só, dormiu.

Não soube o que fazer, se acordava ele ou o deixava ali, ele parecia tão cansado que eu fiquei com pena de acorda-lo.

Nem prestei mais atenção no filme, o homem ao meu lado era bem mais interessante.

A respiração dele era calma, passei a acariciar o rosto dele, retirei aquelas mexas loiras dos olhos dele, fui mais ousado e passei os dedos delicadamente por aqueles lábios pequenos.

Ele suspirou e eu rapidamente retirei minha mão, mas ele não acordou.

Lilia. – ele disse bem baixinho enquanto dormia.

Ele chamou por ela, não sei porque eu insistia em esquecer que estava no lugar de outra pessoa, isso me deixou triste de novo.

Ele se aconchegou mais em mim, porque ele não acorda? Esta me torturando desse jeito.

Fiquei todo o tempo olhando pra ele, admirando, e acabei cochilando também.

...

─Shun.

─Hum? – eu ouvi uma voz longe me chamando.

─Shun.

─Hã?

─Vai pro quarto deitar.

─Hã? Quarto? – eu disse ainda tentando me localizar.

─Sim, já tá tarde.

─Tá. – eu estava com muito sono, nem prestei atenção em quem falava ou o que falava e só voltei a dormir.

Fui despertando aos poucos, quando eu acordei percebi que estava em uma cama estranha.

Que lugar era aquele?

Logo depois só ouvi uma batida na porta.

─Shun... está acordado? – era a voz do Hyoga, daí eu lembrei.

─Bom dia Hyoga. – eu disse abrindo a porta.

─Bom dia... Dormiu bem? – ele perguntou sorrindo pra mim, era uma ótima maneira pra começar o dia.

─Sim. – observei que ele já tava arrumado pra trabalhar. ─Que horas são?

─Sete... anda, vem tomar café. – disse indo pra cozinha.

Só fiquei olhando o corredor por onde ele foi, o que será que houve? Só lembro de estar assistindo filme com ele ontem a noite.

Fui pra cozinha e vi o Miguel sentadinho na cadeira dele e tomando café.

─Ele já acordou? – eu perguntei entrando na cozinha bocejando.

─Ele acorda cedo. – Hyoga disse sorrindo enquanto alimentava o Miguel.

─Shu. – ele disse animado quando me viu. Fico muito feliz que ele não esteja me estranhando mais, tomara que não fique com birra de novo quando o Hyoga sair.

─Hum... Oi Miguel. – eu disse passando por ele e afagando aqueles cabelos loiros dele.

─Você acordou faz tempo Hyoga? – eu disse sentando a mesa.

─Um pouco... Porque não toma um banho pra despertar? Que horas é sua reunião?

─Oito e meia... Vou daqui a pouco... Terminamos de assistir o filme ontem?

─Não lembra? Nós dormimos, quando eu acordei o filme já tinha até acabado.

─Não lembro.

─Natural, você nem viu, tentei te acordar, mas você tem um sono tão pesado, então eu te levei pro quarto.

─Me levou pro quarto? – fiquei até vermelho, levar pra cama é coisa que se faz com criança.

─Sim.

─Ah, er... desculpe ter dado trabalho. – eu disse ainda envergonhado.

─Sem problemas... – ele disse me olhando e sorrindo. ─Vou dar um banho no Miguel agora, quando você sair ele já vai estar pronto. – ele disse pegado o filho que já tinha terminado de comer.

─Tá bom.

Fui tomar meu banho também, acordar pra mais uma semana.

O chuveiro é um ótimo lugar pra relaxar, ainda mais com aquela agua quentinha, fiquei até mais desperto e animado também... o domingo que passei com eles foi maravilhoso, então vou tratar de esquecer as angustias que me sondaram noite passada e vou apreciar meus momentos com eles ao máximo, e acho que essa semana vai ser bem divertida também... Assim espero.

Notas finais
Espero que tenham gostado.Até o proximo ;)Reviews :D