Destino.

21 À Proucura.


Notas iniciais
Sinto que algumas leitoras não comentaram =/

Daniel narrando:

Congelei quando vi aquilo, cadê a garota? Como ela fugiu sem eu perceber? Tá, eu preciso parar de dormir no meio da noite, preciso vigia-lá sem nenhum descanso.

Chutei o travesseiro... e o que me deixou mais abalado não foi o fato de eu perder meu emprego, ou a fuga dela. E sim porque aquele abraço demorado e intenso foi apenas uma desculpa para pegar as minhas chaves...

E eu pensando que pela primeira vez estava sendo retribuido pelo mesmo sentimento. Mas vejo que estou errado.

- MALDITA! — Dei um grito alto para soltar toda a minha raiva por aquela garota.

Mas acho que demonstrar raiva não vai ajudar em nada nessas horas, eu preciso ''respirar'' fundo e tentar manter a calma. Preciso encontra-lá de qualquer maneira.

Sai da cela, à proucura da detenta, fui até o matagal, na esperança de encontra-lá escalando o muro, como da última vez, em vão. Não encontrei-a.

Fui mais longe e sai da prisão, andando pelas ruas desertas do bairro.

'' Vamos Daniel, você é ótimo em encontrar fugitivos, precisa encontrar a garota... ''

Junte os fatos: É jovem, quer encontrar amigos... ruas desertas não chamariam sua atenção. O que esses jovens humanos querem é diversão, talvez seja isso que Juliana esteja precisando.

Sei exatamente qual é o lugar em que todas as detentas querem ir. Fui para o ponto de onibus, esperei mais alguns minutos.

'' Então aquele abraço foi tudo fingimento... Ela me fez de bobo. '' — Viu, é por isso que eu tenho que ser frio com ela. Assim ela não pisa em mim, como todos fazem.

- Para! Para o onibus! — Gritei ao ver que o onibus passou por mim, estava tão distraido nos pensamentos que nem percebi.

Corri alguns metros, até que o veiculo parou.

- Pra onde vai rapaz?

- Me leve para o Centro da Cidade. — Falei, o motorista assentiu.

Sentei-me no fundão do onibus, vi uns moleques petulantes fazendo a tipica bagunça dentro do veiculo.

Um dos pirralhos me tacou uma bolinha de papel.

- Quer mexer comigo? — Perguntei. — Estou armado. — Mostrei a arma, apontando para o garoto, ele arregalhou os olhos junto com a sua turminha de pirralhos, todos assustados.

- Desculpe tio. — Disse o garotinho, o mesmo ficou mais pálido do que já aparentava ser, até deixei ele me chamar de ''tio'' mesmo não sendo irmão de sua mãe.

Traumatizar umas crianças de cinco anos mostrando uma arma não foi o bastante para me deixar feliz.

'' Sinto que o motivo da minha felicidade está longe... '' - Mas eu estou a proucura dela.

Peguei o celular da garota, fui ver as horas. Eram uma e treze da madrugada... eu espero encontra-lá logo, Essa cidade fantasma é perigosa.

Resolvi mexer um pouco no aparelho, já que eu o concertei. Vi umas fotos dela, como ela é linda... acho que ninguém se compara a beleza dela.

'' Vamos Daniel, concentre-se, ela não quer nada com você, prova disso é que ela fugiu. ''

Voltei a olhar para a janela, tentando me distrair. Mas o toque de seu celular me acordou dos pensamentos, até pensei que fosse sua amiguinha ligando, mas era uma mensagem de texto. Do Fernando.

ooi, como está? (Me responda quando estiver com tempo) ^^

Hum... sei que é errado me passar por outra pessoa, mas acho que não vai ter problema.

Oi, estou ótima porque estou longe de você. - Mandei a mensagem, minutos depois ele respondeu.

Mas pensei que fossemos amigos... =/

Aquilo estava divertido: Continuei escrevendo.

Não, não somos amigos, me considere apenas como uma colega, ou menos do que isso. E essas carinhas estão me irritando.

Quase imediatamente ele me respondeu.

Parece que você esqueceu que andavamos sempre juntos no passado Julie.

Nossa, gostei desses aparelhos celulares, vou comprar um pra mim.

Ahh, garoto! Vê se desencana e para de me pertubar... estou bem melhor sem você, e eu tenho um namorado lindo e maravilhoso. - Tá bom, eu não devia ter mentido, mas eu disse aquilo porque... porque... eu precisava protege-lá desse idiota, é o meu trabalho.

Um namorado? Quem? - Ele ainda tem a cara-de-pau de perguntar.

Não te interessa. - '' Um monstro sem sentimentos aí... ''

Depois da minha resposta ele não me mandou mais nada. Minutos de puro tédio se passaram, enquanto eu estava pensativo '' Por causa dela vou perder o emprego, dinheiro, moradia, arma, o uniforme que me deixa mais bonitão e o que menos me importava agora, eu iria perder ela '' '' Aquele abraço... não significou nada, ela só me usou. Malditos sentimentos.''

Uma lágrima escorreu pelo meu olho, era uma sensação nova, pela primeira vez em trinta anos não escondi o que eu sentia: Tristeza.

A viagem foi um pouco longa, mas finalmente acabou, cheguei na cidade badalada, passei em frente à uma lanchonete grande, tinha muitas pessoas por lá. Hum...

Acho melhor entrar...

Notas finais
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