Destino.
52 Visitas Inesperadas.
Notas iniciais
Julie narrando:
Se eu estava com raiva do Daniel? Sim, eu estava! Como ele pode negar nosso amor para o seu chefe? Ele disse que mudaria, mas na verdade ainda não mudou.
As coisas estão complicadas, eu sei. Mas ainda o amo. Mas ele precisa sentir o quanto eu fiquei chateada com aquilo.
– Julie. — Daniel se aproximou da grade.
Dei um sorriso ciníco.
– Oi policial. — Falei naturalmente, mas ao mesmo tempo com uma pitadinha de raiva. Eu fingia que não o conhecia.
– Não fique assim comigo amor.
– Não me chame de ''amor'', isso é tão anti-profissional. -Reclamei.
– Eu só estava te protegendo!
– É, esse é o seu trabalho. — Continuava com a frieza.
'' Vem garoto... deixa de ser medroso, é só uma cadeia de fantasmas, mulheres. '' Ouvi uma voz pelo corredor, essa voz me lembrava alguém.
Daniel se afastou das grades, e se recostou na parede do corredor, ele olhava seriamente para o fim do corredor, com aquela tipica posse reta e séria, ele fica lindo assim.
'' Nunca mais venho visitar a minha amiga com você, você é muito chato... só sabe reclamar. '' Eu continuava ao ouvir aquela voz.
– Ei, eu vim fazer uma visita. — Disse a voz.
– Para quem? — Ouvi que Daniel respondeu a pessoa, virei meu rosto e então vi a dona da voz.
– Bia! — Gritei alegre, ela sorriu.
Me levantei animada da cama, enquanto Daniel proucurava as chaves para abrir a cela.
– Vamos, anda logo com isso senhor policial! — Falei, ainda chateada.
Ele suspirou, e conseguiu abrir. Vi que Bia não estava sozinha.
– Fernando! — Corri na direção dos dois e então nos abraçamos em grupo.
– Hunf. — Daniel deu uma tossida forçada. Todos olhamos para ele. O mesmo deu um sorriso cinico. — Desculpe, mas aqui é uma cadeia feminina, não são permitidos a visita de homens. Ou seja lá o que você for. — Daniel disse, olhando para Fernando.
– Não, ele vai ficar aqui. Veio de tão longe para me visitar. — O cortei, o rapaz ficou calado.
– É, e um fantasma bonitão dos olhos azuis disse que o Nando poderia entrar pra ver a Juh. — Bia comentou, um pouco timida pois Daniel dava medo.
Eu ri ao ver que minha amiga já estava paquerando o Nicolas.
– Essas meninas de hoje em dia tem muito mal gosto. — Reclamou Daniel. Ele não perde a oportunidade de insultar o Nicolas, mesmo ele não estando por perto.
– Então, entrem... — Pedi, ignorando Daniel.
##
Passaram-se alguns segundos, acho que hoje é o melhor dia depois de tantos meses de solidão. Finalmente estou com os meus amigos, mesmo sendo apenas por um dia.
Eu estava abraçada com o Nando, admito que não sinto mais nada por ele. O que eu sinto é o mesmo sentimento pelo Nicolas, uma amizade forte.
Bia estava sentada ao nosso lado, mas não tirava os olhos do corredor.
– O que foi Bia? — Perguntei.
– Olha aquele corpão. — Disse ela, fitando Daniel. — Vem ni mim... — Brincou, eu ri e logo dei um soquinho nela.
– Bom, eu vou tomar uma água. — Fernando se levantou. — Já volto meninas. — Ele abriu a cela e saiu.
Bia se ajeitou e olhou para mim.
– Agora eu posso perguntar. — Falou sorrindo, já que Fernando saiu. — Está de caso com aquele policial ali não? — Apontou para ele, o mesmo estava ouvindo música pelo rádio, sem se importar.
– O que? — Ri pelo nariz. — Não mesmo.
– Julie você não sabe mentir. — Ele me olhou com aquela expressão que só a Bia tem.
Suspirei, vencida. Não dá para esconder da melhor amiga.
– Tudo bem. Hum... — Olhei para ele, Daniel continuava de olhos fechados, ao som da música. — Agente está namorando.
– Ounnw. Isso estava na cara dos dois. — Comentou.
– Ahh, mas ele é um idiota, só liga para o emprego dele!
– Mas o emprego dele é vigiar você, então... ele só liga para você. — Sorriu. — Que fofo.
– Não, não é fofo. Ele é o mesmo policial que me bateu, lembra que eu te disse?
Ela fez uma cara de surpressa, Bia, assim como eu não gostava de violências. Ela ficou calada por alguns segundos, talvez tentando encontrar algo útil para dizer.
– Amiga, ele te ama. — Beatriz disse depois de um tempo. — Você não reparou como ele olha para você? Ele te ama!
– Sei... — Revirei os olhos.
– Ele morreu de ciúmes quando você abraçou o Nando, ele olhava toda hora para você. E uma lágrima escorreu no rostinho dele quando ele viu você deitada em cima do Nando.
Me senti mal por aquilo, eu não queria que o meu amorzinho chorasse, mas eu ainda estava com muita raiva dele.
##
Passaram-se dois dias, desde então eu continuava a tratar Daniel com indiferença, o chamava de ''policial'' ou ''moço'', como eu fazia antigamente, antes de nos conhecermos melhor... Ele ficava calado, não falava mais nada, só fazia o seu trabalho, me alimentava, me deixava sair para respirar um ar puro... Demétrius também andava estranho comigo, acredita que ele está mais malvado do que antes?
Eu estava no banheiro, tinha acabado de tomar um banho delicioso. Coloquei um outro tipo de uniforme, era um vestido cor laranja claro, era bem melhor do que o antigo uniforme, eu me sentia mais solta.
Abri a porta do banheiro, e acabei trombando com Daniel, que estava bem em frente a porta. Eu iria cair em cheio no chão se ele não segurasse minha cintura, e foi o que ele fez.
– Opa... Mais cuidado. — Ele pediu, ainda me segurando.
Nos aproximamos. Aquela trombada quase não fez sentido algum, era como se o destino cruzasse nossos caminhos novamente.
– É... D-des-cu-lpe. — Falei encarando seus olhos. — Eu estou bem policial. Pode me soltar. — Pedi, tentando me libertar do seu braço, mas admito que não queria.
Sem falar mais nada, ele envolveu minha cintura com as duas mãos. Fechei meu punho, e tentei dar uma empurrada de leve em seu peito, para que ele me soltasse mas foi em vão. Ele continuava olhando fixamente para mim, até que ele foi aproximando o seu rosto, fechou os olhos.
– N-não... — Dei uma batidinha no seu peito. Mas ele ignorava — Não quero isso... Seja profissional. — Eu pedia.
Seus lábios encostaram nos meus para um beijo delicioso. Arregalei os olhos, ainda surpresa com isso. Eu não retribuia. Ele fazia movimentos com os lábios, enquanto eu continuava imovel, apenas com a boquinha aberta. Aproveitando o beijo sem retribuir.
– Para! — Eu pedia entre o beijo, dei socos fortes no seu peito, e com as duas mãos. Mas nada disso o fazia parar.
Senti sua lingua invadir o meu espaço, e não resisti. Parei com os socos aos poucos, abri minha mão e agarrei sua nuca, lembrando das palavras de Bia. Fechei os olhos e retribui o beijo. Ele me emprenssou na parede do corredor, alguém poderia nos ver, mas não estavamos nem ai. Agarrei seu cachos e pedi passagem com a lingua, então começamos uma batalha intensa por espaço.
Até que precisei do ar. Ele se afastou.
– Me... me desculpe se fui um anti-profissional. — Daniel disse, um pouco nervoso e ofegante. — Vamos garota. — Ele foi andando, mas puxei seu braço.
Nossos narizes se encostaram, então eu dei um selinho demorado.
– Me desculpe se fui uma boba. — Falei, e fiz beijinho de esquimó nele. — Fica comigo Daniel.
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